quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Permanecer e frutificar

Luciano Motta

O ano de 2019 começa sob o peso das muitas mazelas e incertezas do ano que findou. Vários pontos explicam a falta de otimismo do brasileiro em geral. Por exemplo: o país tem um novo presidente — para muitos, polêmico; para outros, excêntrico; para alguns, "mito" — cujas posições são, no mínimo, muito divergentes dos últimos governos, o que produz instabilidades, especulações; a economia e as políticas públicas de saúde, educação e segurança encontram-se em um atoleiro de dívidas, ineficiência e corrupção, e ninguém aguenta mais tanto descaso, tanta roubalheira... Será que 2019 será diferente? Ou tudo permanecerá como está? Ou ficará pior?

Como sempre digo: Deus não está em crise. Ele tem o mundo sob controle. Ele tem o Brasil em Suas mãos. Cabe a nós, filhos de Deus, manifestarmos "o aroma do Seu conhecimento; porque para Deus somos o bom aroma de Cristo, tanto entre os que estão sendo salvos como entre os que estão perecendo" (2 Coríntios 2.14-15).

O problema é que parte significativa da igreja vive hoje sem evidenciar o caráter de ser sal da terra e luz do mundo (Mateus 5.13-14). Em muitos lugares, o povo que se diz "cristão" vive de maneira insípida, obscurecido por sofismas, arrogância, divisões. Além disso, há muitos "ministros do Evangelho" atuando hoje como "mercenários da Palavra de Deus", longe da Sua Presença, falando em nome de Cristo sem qualquer coerência entre o discurso e a vida (2 Coríntios 2.16). Tem muita gente "bombando o ministério" nas redes sociais e nas plataformas de streaming, porém essas pessoas não têm vida de igreja, não têm o caráter provado e aprovado pelos irmãos, não se submetem a pastores e líderes, não apresentam conteúdo bíblico. Em consequência, ministérios estão ruindo, ministros encontram-se em depressão, igrejas andam confusas, a mensagem do Evangelho tem se misturado a técnicas de coaching, o número de desigrejados e de crentes nominais aumenta...

Diante desse quadro alarmante, uma chave para 2019 é PERMANECERMOS EM CRISTO:
"Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que está em mim e não dá fruto, Ele o corta; e todo ramo que dá fruto, Ele o limpa, para que dê mais fruto. Vós já estais limpos pela palavra que vos tenho falado. Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira; assim também vós, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira; vós sois os ramos. Quem permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer" (João 15.1-5).
Essa breve alegoria faz parte do "discurso de despedida" de Jesus, às vésperas de ser entregue aos soldados romanos e crucificado (capítulos 13 a 17 do Evangelho de João). O Mestre prepara Seus discípulos para os dias em que estariam sem a presença física Dele. Aqui, Ele fala de quatro personagens:

1) O Agricultor (o Dono da vinha) é Deus, o Pai;

2) A Videira verdadeira é Jesus, o Filho;

3) Os ramos que não dão fruto são pessoas que aparentemente estão “em Cristo”, mas na verdade não estão — por isso serão cortados, lançados no fogo e queimados (João 15.6), porque não reproduzem o caráter, os atributos, a vida de Jesus. Estão, na verdade, desligados Dele: "O ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira... sem mim nada podeis fazer".

Judas é um exemplo disso. Que tipo de fruto ele gerou? Nenhum! Judas nunca esteve "em Cristo", nunca acreditou em Suas Palavras: "Mas há alguns de vós que não creem. Pois Jesus sabia, desde o princípio, quem eram os que não criam e quem o trairia" (João 6.64). Depois de lavar os pés dos discípulos, "Jesus perturbou-se em espírito e declarou: Em verdade, em verdade vos digo que um de vós me trairá. [...] E tendo molhado o pedaço de pão, deu-o a Judas, filho de Simão Iscariotes. E logo que comeu o pedaço de pão, Satanás entrou nele. E Jesus lhe disse: O que estás para fazer, faze-o depressa" (João 13.21,26,27).

Vale lembrar que os profetas do Antigo Testamento compararam Israel a uma vinha — só que em vez de produzir uvas boas, produziu uvas bravas. "[O Senhor] esperou justiça, mas houve sangue derramado; retidão, mas houve clamor por socorro". Por causa disso, receberam juízo (Isaías 5.1-7). Através de Jeremias, o Agricultor expôs a rebeldia e a infidelidade de Israel: "Eu mesmo te plantei como videira escolhida, uma semente inteiramente genuína. Como te tornaste contra mim em ramos degenerados de uma videira não cultivada?" (Jeremias 2.21). Mesmo sendo uma videira viçosa "que dá o seu fruto", disse Deus: "o seu coração está dividido, por isso serão culpados. Ele derrubará os seus altares e lhes destruirá as colunas" (Oséias 10.1-2).

Os Evangelhos registram algumas passagens em que Jesus retoma essa simbologia, associando a hipocrisia religiosa e a infidelidade à Sua Palavra como causas da ausência de fruto e da falta de zelo para com a vinha (conforme Mateus 20.1-16, Marcos 12.1-11, Lucas 13.6-9).

Nas Escrituras, a falta de fruto está relacionada a um vida marcada por infidelidade, rebeldia, coração dividido e religiosidade. A essas coisas podemos associar as obras da carne: "imoralidade, impureza e indecência; idolatria e feitiçaria; inimizades, rivalidades e ciúmes; ira, ambição egoísta, discórdias, partidarismo e inveja; bebedeiras, orgias e coisas semelhantes a essas" (Gálatas 5.19-21). Temos aqui uma lista do que o homem caído, desligado de Cristo, consegue produzir.

4) Os ramos que dão fruto são pessoas que têm sido limpas pela Palavra através do Agricultor — são cultivados, podados, para que possam dar mais fruto (João 15.5,8). Reconhecem que não podem fazer nada se não permanecerem em Jesus. Quando pedem alguma coisa, pedem conforme a vontade Daquele em quem estão ligados — por isso recebem o que pedem. E mais: já que permanecem diariamente sendo limpos pela Palavra de Cristo, experimentam Seu amor, obedecem aos mandamentos e desfrutam de uma alegria plena!

O que esperar de pessoas assim? Elas darão muito fruto e, assim, glorificarão o Pai (João 15.5-11). Reproduzirão em suas vidas o fruto do Espírito: "amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, amabilidade e domínio próprio" (Gálatas 5.22-23).

Dar muito fruto significa corresponder à natureza da Videira:

Fruto fala de essência — Permanecemos, logo, SOMOS como Ele é

"Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor" (1 João 4.8) = permanecer em Cristo significa que o amor doador e sacrificial de Deus integrará nossos pensamentos, nossas motivações e nossas ações.

"Jesus lhe respondeu: Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém chega ao Pai, a não ser por mim" (João 14.6) = permanecer em Cristo significa que seremos aqueles por meio dos quais os perdidos se achegarão ao Pai; seremos aqueles que vivem a verdade e proclamam a verdade; seremos aqueles que manifestam a vida de Deus — o bom perfume de Cristo — em todo lugar.

"E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique para sempre convosco, o Espírito da verdade, o qual o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, pois ele habita convosco e estará em vós [...] Quando, porém, vier o Espírito da verdade, ele vos conduzirá a toda a verdade. E não falará de si mesmo, mas dirá o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir" (João 14.16-17; 16.13) = permanecer em Cristo significa que seremos instruídos e guiados pelo Espírito Santo; obedeceremos à Sua voz em tudo.

Fruto fala de obra, trabalho — Permanecemos, logo, AGIMOS de acordo com o que Ele nos dá

"Porque pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Efésios 2.8) = permanecer em Cristo significa que acolheremos o dom de Deus; continuamente cresceremos e viveremos em fé.

"Mas a graça foi concedida a cada um de nós conforme a medida do dom de Cristo [...] E ele designou uns como apóstolos, outros como profetas, outros como evangelistas, e ainda outros como pastores e mestres" (Efésios 4.7,11) = permanecer em Cristo significa que iremos desenvolver os dons ministeriais de Cristo, visando o aperfeiçoamento dos santos para a obra do ministério e para a edificação do Seu Corpo aqui na terra.

"Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um para benefício comum. Porque a um é dada, pelo Espírito, a palavra de sabedoria; a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra de conhecimento. A outro, pelo mesmo Espírito, é dada a fé; a outro, pelo mesmo Espírito, dons de curar; a outro, a realização de milagres; a outro, profecia; a outro, o dom de discernir os espíritos; a outro, variedade de línguas; e a outro, interpretação de línguas. Mas um só Espírito realiza todas essas coisas, distribuindo-as individualmente conforme deseja" (1 Coríntios 12.7-11) = permanecer em Cristo significa que os dons espirituais farão parte da nossa vida, tanto individual quanto coletivamente. Seremos pessoas que buscam com zelo os dons espirituais. Seremos pessoas cheias do Espírito Santo.

O que SOMOS e a maneira como AGIMOS depende de onde estamos ligados. Se é "em Cristo", então naturalmente Sua essência e Seus dons irão frutificar em nós. O desafio é PERMANECERMOS EM CRISTO em dias tão atribulados. O ano de 2019 (não sabemos) pode ser marcado por mais crises ou por um tempo de reconstrução em nossa nação. Seja como for, que nossas vidas permaneçam centradas, guiadas e dependentes de Cristo em tudo — vidas que recebem Dele amor, que correspondem em obediência às Suas Palavras ("aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama", João 14.21), que transpiram satisfação e contentamento, não importam as circunstâncias ("em tudo dai graças", 1 Tessalonicenses 5.18).

Que o Pai nos ajude e nos fortaleça a permanecermos em Cristo e a darmos muito fruto em 2019!

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Veremos em artigos próximos a maneira amorosa como somos limpos (podados) pelo Agricultor e também o nível de relacionamento e intimidade que Jesus deseja ter conosco: "Já não vos chamo servos... eu vos chamo amigos" (João 15.15).

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sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Ainda sobre a igreja estar exposta

Hoje assisti a palavra de Martin Scott, líder de oração e profeta radicado na Inglaterra. Ele ministrou na Comunidade Iluminar (Recreio, RJ) dias antes das eleições 2018 aqui no Brasil.

É uma palavra breve, porém muito pontual para esses dias. Confirma o que falamos a respeito desse assunto neste artigo: "Uma nação exposta - uma igreja exposta" (confira depois acessando o link).

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Black Friday - Valores do Reino



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terça-feira, 30 de outubro de 2018

Uma nação exposta — uma igreja exposta

Luciano Motta

O Brasil tem experimentado tempos de efervescência política. Possivelmente, nunca antes na história deste país as discussões sobre o que têm feito nossos representantes e governantes estiveram tão presentes na rotina dos brasileiros como vemos hoje — para o bem e para o mal.

As eleições deste ano escancararam como as redes sociais, os blogs e os novos meios de comunicação (vide a celeuma em torno do Whatsapp e das fake news) se tornaram os principais meios de propagação de todo tipo de opiniões e manifestações. É na arena inóspita da internet que hoje se digladiam conservadores, progressistas, liberais, esquerdistas, feministas, etc. Mídias tradicionais, como jornais, revistas e TV, ainda têm um papel importante, porém mostram-se bem menos influentes do que há poucos anos.

Muitos de nossos problemas, dilemas e contradições enquanto nação vieram à tona nesses dias. O Brasil está exposto. O mundo inteiro está vendo nossas fragilidades e idiossincrasias em função do “círculo vicioso de desgraças” que historicamente impede nosso crescimento e desenvolvimento.

Analisemos a tragédia brasileira a partir dos males da corrupção:

→ As investigações expuseram o que quase todo brasileiro já sabia: a maioria esmagadora dos governos sempre funcionou (e ainda funciona) à base de negociatas, desvios, enriquecimento ilícito, privilégios, subornos e todo tipo de crimes relacionados.

→ O assalto aos cofres públicos expôs outro problema relacionado: a má gestão dos recursos disponíveis (que não foram desviados ou roubados). Como isso tem afundado o país em crises econômicas sucessivas, desequilíbrios fiscais crescentes e serviços péssimos à população! São elevadíssimos os impostos que pagamos e igualmente elevado é o descaso criminoso dos governantes em áreas essenciais, como educação, saúde, segurança, infraestrutura, etc.

→ O caráter corrompido dos políticos que ocupam o Executivo e o Legislativo (a nível federal, estadual e municipal), somados à morosidade e à impunidade do nosso Judiciário, expõem uma formação precária de valores éticos e morais na base da sociedade brasileira: pessoas comuns toleram e cometem “pequenos” delitos cotidianos, associados ao “jeitinho” e à “malandragem” brasileira, como se observa, por exemplo, em ligações clandestinas de água, de luz e de TV a cabo; no desrespeito às leis de trânsito; no ato de sonegar impostos; etc. etc.

→ Uma vez que a corrupção e a má gestão (pública e privada) fazem parte da cultura brasileira, é de se esperar, portanto, que continuem sendo eleitos homens e mulheres sem valores éticos e morais, já envolvidos ou prestes a se envolverem em corrupção (um reflexo da própria sociedade), realimentando os problemas econômicos e administrativos, a péssima qualidade dos serviços, etc. etc. etc.

Se a nação está exposta, o que podemos dizer da igreja em tudo isso?

→ A escassez de valores éticos e morais em nossa nação expõe como a igreja cristã brasileira se esvaziou da sua essência de ser sal da terra e luz do mundo, reproduzindo muitas das mesmas práticas ilícitas (algumas até piores) que vemos lá nos altos escalões da República (inclusive na bancada dita “evangélica”) e também aqui na rés-do-chão popular: no mercado da esquina, o dono se diz “cristão”, mas é desonesto; nos escritórios, “cristãos” dão mau testemunho de sua fé ao trabalharem de forma desleixada, preguiçosa; nas famílias de certos “cristãos” faltam fidelidade, alegria, ordem, disciplina, abnegação, submissão...

→ Os discursos de diversos cristãos sobre política, a forma como têm abraçado seus candidatos nas eleições deste ano e também suas reações a opositores expõem como boa parte da igreja anda, no mínimo, desinformada a respeito do cenário político e da própria história do Brasil. É assustador o nível dos comentários nas redes sociais, que só produzem contendas e divisões. Além disso, muitos manifestam esperança de salvação em homens e em programas de governo, o que é absolutamente estranho e incoerente com as Escrituras.

→ O posicionamento de muitos cristãos expõe como se mistura erroneamente pressupostos do Evangelho com ideologias políticas: rebaixam a fé cristã a um nível humanista e secular; relativizam pilares centrais da Bíblia Sagrada em nome de bandeiras ideológicas e politicamente corretas.

→ Já que boa parte dos cristãos não se envolve com política e não sabe dos políticos; e quando há algum envolvimento, as Escrituras lhes servem mais de instrumento para reproduzir aspirações “à esquerda” ou “à direita”, e menos de fundamento da fé e do caráter, é de se esperar, portanto, que continuem os casos de corrupção, a má gestão do Estado, os péssimos serviços à população, a falta de valores éticos e morais em todas as instâncias — tudo é reflexo da própria sociedade caída e sem Deus e de uma igreja conformada à forma de pensar deste mundo caído e sem Deus.

Sim, a igreja brasileira também está exposta. 

A igreja deve reconhecer sua atual condição e se arrepender dos seus pecados, obediente às exortações que as sete igrejas da Ásia receberam — igrejas que expõem o estado do Cristianismo nos dias do fim (Apocalipse 2 e 3). Até quando a igreja brasileira continuará apegada às próprias realizações e agendas, porém mantendo-se distante do primeiro amor? Até quando tolerará doutrinas estranhas às Escrituras, sustentando obras e lideranças movidas por sofisma e arrogância? Até quando se julgará rica e próspera, uma igreja que afirma já ter tudo o que precisa, mas que não enxerga seu atual estado de miséria, pobreza, cegueira e nudez?

A igreja brasileira não pode mais funcionar domingo após domingo como se a corrupção, a má gestão dos recursos públicos, a falta de ética, a violência não fossem seus problemas também. Não pode mais terceirizar o papel de combater a pobreza e a desigualdade social, de assistir os menos favorecidos e as minorias, de lutar pelas liberdades individuais. Enquanto os movimentos de esquerda advogam para si essas ações, impondo ao mesmo tempo sua cosmovisão marxista / humanista / ateísta, a igreja deixa de encarnar a mensagem que proclama. A Bíblia ordena o cuidado dos desamparados (o pobre, a viúva, o estrangeiro). Jesus disse: “Vinde a mim todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” (Mateus 11.28). O que a igreja tem feito nesse sentido na esfera pública, sem se deixar contaminar por ideologias, mas salgando a terra e iluminando o mundo?

A igreja brasileira precisa se arrepender de seu falso moralismo. Valores como santidade e pureza, submissão às autoridades, lealdade, justiça (que, aliás, não é sinônimo de igualdade), amor, generosidade e fidelidade devem ser as marcas dos cristãos, de suas famílias e congregações, autenticadas pela sociedade por causa da maneira como vivem, condizente com o Evangelho. Boas obras devem ser vistas pelos homens, de todos os tipos, credos e comportamentos. A igreja foi chamada para ser um padrão, um ponto de referência, uma lâmpada para iluminar a casa, uma cidade edificada sobre um monte. Assim o Pai é glorificado (Mateus 5.14-16). O que a igreja brasileira defende hoje em termos de moralidade denota realmente uma clara diferença entre o justo e o ímpio, ou há concessões (não declaradas, mas evidenciadas por condutas imorais) aos valores deste século?

A necessária, radical e profunda mudança que o Brasil precisa começa por uma nova postura da igreja.

Lembre-se: você e eu somos a igreja. O mundo está olhando para nós. Esperam de nós um posicionamento verdadeiramente cristão, não uma performance religiosa. É verdade que a nossa pátria está nos céus, mas temos responsabilidade com a terra. Aqui e agora, somos porta-vozes de boas novas: o Rei está voltando! Como representantes do Reino, desenvolvemos um estilo de vida completamente diferente da forma de pensar deste mundo — mostramos o Caminho, a Verdade e a Vida.

Cabe à igreja brasileira cumprir sua missão: “Ide” — não dá mais para viver fechada entre quatro paredes sob luzes e brilho de entretenimento cristão, à espera do “arrebatamento”, enquanto deixa o mundo à própria sorte. “Fazei discípulos” — a igreja deve preparar suas crianças e seus jovens para serem flechas poderosas nas escolas e nas universidades; deve formar homens e mulheres de caráter que sejam a diferença em todas as áreas: nos hospitais e nos serviços, no comércio e nas grandes empresas e indústrias, no Judiciário e no Congresso Nacional; deve assumir o protagonismo das causas sociais, promovendo os valores do Reino: justiça, paz e alegria no Espírito Santo.

Então, o Brasil conhecerá Jesus Cristo através de uma geração de cristãos que ocupará a esfera pública com a sabedoria e o conhecimento de Deus, com equilíbrio bíblico e intrepidez profética, denunciando os esquemas, abolindo o “jeitinho”. Essa geração será capaz de romper com o “círculo vicioso de desgraças” que aprisiona a sociedade brasileira. Assim o Pai será glorificado.

Não se trata de termos uma nação evangélica. Não se trata de termos governantes evangélicos. Não é o Brasil que eu quero (para nós mesmos ou para nosso reduto evangélico), mas o Brasil que Deus quer (“venha o Teu Reino, seja feita a Tua vontade”). Trata-se de sermos Igreja, o Corpo de Cristo, um povo que ama a Deus e ama ao próximo, que anuncia e demonstra com a própria vida, em todas as esferas da sociedade, a seguinte mensagem: “Arrependei-vos, porque o reino do céu chegou” (Mateus 4.17). Quando o Evangelho do Reino for pregado pelo Brasil e pelo mundo inteiro, para testemunho a todas as nações, então virá o fim (Mateus 24.14).

Por último, e não menos importante: em meio às discussões recentes, muito pouco se falou a respeito da necessidade de orarmos pelos nossos governantes. É fundamental orarmos regularmente nesse sentido, sejam quem forem os líderes e os representantes políticos: “Antes de tudo, exorto que se façam súplicas, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens, pelos reis e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranquila e serena, em toda piedade e honestidade. Isso é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador” (1 Timóteo 2.1-3).

Que em breve o mundo olhe para o Brasil e ache uma nação diferente: menos efervescente e mais eficiente; menos corrompida e miserável; mais justa e desenvolvida. Até que o Rei venha e estabeleça plenamente o Seu Reino!

“Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, orar e buscar a minha presença, e se desviar dos seus maus caminhos, então ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra” (2 Crônicas 7.14).