segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Cuidai de vós mesmos // Parte 1

OS ÚLTIMOS DIAS E O NOSSO CORAÇÃO

O mundo inteiro está sendo abalado. Cumprem-se as palavras de Jesus no chamado “sermão profético” (Mateus 24). Em contrapartida, Deus está levantando sábios construtores nos últimos dias: aqueles que permanecem ouvindo e vendo o que Ele está fazendo. São esses que irão perseverar até o fim, porque estão vigiando, orando e guardando o coração, conforme Lucas 21.34: "Cuidai de vós mesmos; não aconteça que o vosso coração se encha de devassidão, embriaguez e preocupações da vida."



Mensagem pregada no dia 18 de Janeiro de 2018, na Igreja Graça para as Nações, em São Gonçalo/RJ, durante a Escola GPN. O tema geral da Escola foi “OS MUROS DA CIDADE: RUÍNAS E RECONSTRUÇÃO”.

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sexta-feira, 29 de junho de 2018

A canção da Criação



Ministrei esta palavra na minha igreja - Comunidade do Rei - em nossa reunião de domingo, no dia 10/06/18.

Existe um som de louvor em tudo o que existe: na terra, nos céus, no firmamento, nos céus dos céus, na sala do trono. Desenvolvo essa ideia através da exposição de Gênesis 1 e dos Salmos 148-150.

Em breve irei disponibilizar uma série de mensagens com base em Lucas 21.34: "Cuidai de vós mesmos". Não perca as novidades: assine meu canal no YouTube e curta a minha página no Facebook.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Escola do Reino 2018

Estarei ministrando na Escola do Reino no próximo fim de semana. O tema é sobre oração e devoção, algo que é sempre bom poder compartilhar. Faz parte da nossa vida e ministério. Venha estar conosco em um dos locais abaixo.


sexta-feira, 23 de março de 2018

Enchei-vos do Espírito - Parte 4

SUJEITANDO-VOS UNS AOS OUTROS


Luciano Motta

A última ação para nos mantermos continuamente cheios do Espírito Santo é nos sujeitarmos (hupotasso) uns aos outros. No grego, significa “estar subordinado, colocar-se em sujeição, obedecer”. O Léxico Hebraico, Aramaico e Grego de Strong (2002) afirma sobre essa palavra: “termo militar grego que significa ‘organizar [divisões de tropa] numa forma militar sob o comando de um líder’. Em uso não militar, era ‘uma atitude voluntária de ceder, cooperar, assumir responsabilidade, e levar uma carga’”. Devemos nos sujeitar uns aos outros no temor de Cristo (Efésios 5.21), ou seja, em reverência, submissão e obediência à atitude que o próprio Cristo teve em sua vida – isso será desenvolvido pelo apóstolo Paulo nos versos seguintes.

Antes, uma observação importante: algumas versões da Bíblia iniciam nova seção na epístola de Efésios justamente nesse verso 21 (até removem o gerúndio do verbo), separando-o do contexto anterior. Porém, lembramos que as sentenças "falando entre vós com salmos", "entoando e louvando de coração ao Senhor”, “dando sempre graças por tudo” e "sujeitando-vos uns aos outros" são ações continuadas da oração principal "enchei-vos do Espírito". Separar qualquer uma dessas ações induz a uma leitura incorreta do texto e, consequentemente, acaba excluindo a sentença “sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo” da exortação para sermos cheios do Espírito.

A atitude voluntária de cooperar e de se submeter ao outro se estende a três tipos de relacionamento: entre a mulher e o marido (5.22-33), entre filhos e pais (6.1-4) e entre escravos e senhores (6.5-9).

O mistério: Cristo e a igreja

“Mulheres, cada uma de vós seja submissa (hupotasso) ao marido, assim como ao Senhor; pois o marido é o cabeça da mulher, assim como Cristo é o cabeça da igreja, sendo ele mesmo o Salvador do corpo. Mas, assim como a igreja está sujeita (hupotasso) a Cristo, também as mulheres sejam em tudo submissas (hupotasso) ao marido” (Efésios 5.22-24).

Em tempos de feminismo e empoderamento da mulher, essa passagem é praticamente uma afronta, um "crime". Contudo, não muda a ordem que Deus estabeleceu desde a criação: o marido é o cabeça da mulher como Cristo é o cabeça da igreja. Não implica inferioridade da esposa, mas ressalta a conduta que o marido deve ter em seu lar:

“Maridos, cada um de vós ame (agapao) a sua mulher, assim como Cristo amou (agapao) a igreja e a si mesmo se entregou por ela, a fim de santificá-la, tendo-a purificado com o lavar da água, pela palavra, para apresentá-la a si mesmo como igreja gloriosa, sem mancha, nem ruga, nem qualquer coisa semelhante, mas santa e irrepreensível. Assim, o marido deve amar (agapao) sua mulher como ao próprio corpo. Quem ama (agapao) sua mulher, ama (agapao) a si mesmo. Pois ninguém jamais odiou o próprio corpo; antes, alimenta-o e dele cuida; e assim também Cristo em relação à igreja; porque somos membros do seu corpo. Por isso o homem deixará pai e mãe e se unirá a sua mulher, e os dois serão uma só carne” (Efésios 5.25-31).

Observe a ênfase no amor do marido para com sua esposa (o verbo agapao corresponde ao substantivo ágape). Não se trata, portanto, de domínio ou posse, mas de sacrifício próprio e entrega. O texto não salienta os direitos do homem sobre a mulher, mas as responsabilidades dele para com ela.

O amor ágape – que é o amor sacrifical e doador de Deus – tem um caráter muito diferente de outras palavras relacionadas a “amor” no grego, como no sentido de luxúria e desejo (epithumia), de atração física e passional (eros) e de afeição e amizade (phileo). O apóstolo Paulo definiu a essência de ágape desta forma: “O amor é paciente; o amor é benigno. Não é invejoso; não se vangloria, não se orgulha, não se porta com indecência, não busca os próprios interesses, não se enfurece, não guarda ressentimento do mal; não se alegra com a injustiça, mas congratula-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (1 Coríntios 13.4-7).

Como Cristo ama a igreja, o marido deve amar a esposa: sacrificar a própria vida por ela; ensiná-la com a Palavra e exercer seu sacerdócio com humildade e abnegação, crescendo de forma consistente e contínua na graça e no conhecimento de Deus; respeitá-la como a si mesmo, cultivando a ternura e a força, sendo um ouvido que escuta; aceitar a responsabilidade de prover e de proteger a família, tendo iniciativa e alegria ao servir.

Como a igreja se submete a Cristo, a mulher deve se sujeitar ao marido: apoiar a liderança dele de forma criativa, inteligente e sincera, como Cristo se submeteu ao Pai e obedeceu em tudo; ser sábia, edificando o lar em santidade e em tranquilidade; evitar rixas e murmurações, vencendo batalhas com orações corajosas e com palavras de estímulo e afirmação.

O casamento é, portanto, uma prévia, uma antecipação “aqui e agora” da vontade de Deus desde a eternidade: da mesma forma que o marido se une à sua mulher e ambos se tornam “uma só carne”, chegará um dia em que CRISTO, o REI-JUIZ-NOIVO, irá se casar com a NOIVA, a Sua IGREJA, e seremos UM SÓ eternamente:

“Esse mistério é grande, mas eu me refiro a Cristo e à igreja. Entretanto, também cada um de vós ame (agapao) sua mulher como a si mesmo, e a mulher respeite o marido” (se submeta de forma reverente ao marido, de forma semelhante ao sentido de hupotasso) (Efésios 5.32-33).

A honra: filhos e pais

“Filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, pois isso é justo. Honra teu pai e tua mãe; este é o primeiro mandamento com promessa, para que vivas bem e tenhas vida longa sobre a terra. E vós, pais, não provoqueis a ira dos vossos filhos, mas criai-os na disciplina e instrução do Senhor” (Efésios 6.1-4).

A reafirmação do quinto mandamento (Êxodo 20.12) destaca como é precioso aos olhos de Deus que haja perfeita união não somente entre marido e mulher, mas também entre pais e filhos. Escutar e atender a tudo que for ordenado pelos pais é um dever dos filhos. Pais são autoridade e, por isso, devem ser estimados e valorizados. Os filhos, por sua vez, são “herança do Senhor”, “como flechas na mão do valente” (Salmo 127.3-4). Por um tempo, permanecem na “aljava dos pais”, sendo instruídos e corrigidos nos caminhos do Senhor. À medida que crescem, vão reconhecendo seu destino em Deus até, finalmente, serem atirados pelos pais – assim, certamente, atingirão o alvo!

O problema é que esse ambiente de honra entre pais e filhos se tornou hoje uma contracultura: aumenta cada vez mais o abismo entre as gerações, o que tem produzido mais desentendimentos, contendas, guerras e violência. É comum ver idosos abandonados em asilos, e até dentro da própria casa, desprezados por filhos ingratos que sucumbiram à busca desenfreada por dinheiro e status.

O inverso também é uma triste realidade: muitos pais, por exemplo, não estão criando seus filhos porque “precisam trabalhar” e “sustentar a casa”. Em diversos casos, são meras desculpas para não assumirem a responsabilidade de cuidar e instruir seus filhos. Relegam a formação da personalidade e do caráter dos pequenos a tutores e parentes, muitos deles alheios aos princípios bíblicos. Há uma geração na terra que não conhece a disciplina nem a instrução do Senhor, devido a pais que não estão exercendo corretamente a sua autoridade. Acabam incitando a ira em seus filhos, que se tornam pessoas desobedientes, não ensináveis, vingativas – crianças, adolescentes e jovens sem limites, sem valores, sem discernimento entre o certo e o errado.

[ Falo um pouco mais sobre honra entre pais e filhos em outro artigo ]

O serviço: escravos e senhores

“Vós, escravos, obedecei a vossos senhores deste mundo, com temor e tremor, com sinceridade de coração, assim como a Cristo, não servindo só quando observados, como para agradar os homens, mas como servos de Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus, servindo de boa vontade como se servissem ao Senhor e não aos homens. Sabendo que cada um, seja escravo, seja livre, receberá do Senhor todo bem que fizer. E vós, senhores, fazei o mesmo para com eles, deixando de ameaçá-los e sabendo que o Senhor, que é Senhor tanto deles como vosso, está no céu e não faz diferença entre as pessoas” (Efésios 6.5-9).

O texto é claro: devemos obedecer e servir bem àqueles que são nossos senhores “deste mundo” (ou literalmente “segundo a carne”), ou seja, àqueles aos quais estamos subordinados. No contexto da epístola aos efésios, a escravidão ainda era parte da cultura. Sendo, portanto, um cristão, e ainda na condição de escravo, todo serviço devia ser permeado pelo mesmo amor ágape, sacrificial e doador, de Deus. De fato, na mente e no coração, eram pessoas livres, que serviam ao Senhor com trabalho honesto, sincero e generoso, sem pretensões egoístas. A recompensa não se encontrava no mundo (na carne), mas no porvir, com Cristo em Sua glória.

Nossa conduta hoje tem de ser a mesma em tudo que estiver sob nossa responsabilidade: em casa, no exercício da profissão, no âmbito eclesiástico, na universidade... Antes de estarmos sujeitos a homens, como empregados, alunos ou servidores públicos, somos servos de Cristo, a serviço Dele.

Se nossa posição é a de patrões ou de empreendedores, não podemos perder de vista aqueles que estão sob nossas ordens, considerando também suas demandas e exercendo nossa autoridade com justiça e paciência (recomendo a leitura da epístola a Filemom: medite na maneira extraordinária como Paulo lida com as questões que envolveram o escravo Onésimo e seu senhor). Aliás, é muito importante que nosso negócio reflita a grandeza do Deus a quem servimos, de modo que os perdidos vejam a excelência do nosso trabalho e glorifiquem ao Pai.

Sobre a expressão “temor e tremor”, vale destacar que, no Velho Testamento, eram palavras empregadas em resposta à presença de Deus (alguns exemplos: Deuteronômio 2.25; 11.25; Salmo 2.11; Isaías 19.16; Ezequiel 3.14-15). O profeta Daniel foi tomado por sentimentos semelhantes quando soube do sonho de Nabucodonosor. O cumprimento desse sonho transformou radicalmente a vida daquele rei (leia Daniel 4). No Novo Testamento, apenas o apóstolo Paulo usa “temor e tremor” em suas cartas (2 Coríntios 7.5; Filipenses 2.12; Efésios 6.5), e o sentido é sempre o mesmo: devemos ser conscientes de que estamos continuamente perante a face de Deus – façamos tudo com reverência ao Senhor, mantendo sempre um senso de humildade e dependência da Sua graça.

Ser cheio do Espírito envolve, portanto, uma atitude de sujeição, obediência e humildade em nossa relação com Deus e com as pessoas. Amamos, honramos e cooperamos com aqueles que estão mais próximos de nós – marido, esposa, filhos. Estendemos esse senso de submissão e parceria com nossos patrões e empregados, com sócios e prestadores de serviço. Sem dúvida, isso irá produzir impactos imediatos e profundos em nossos relacionamentos cotidianos, por causa de uma vida plena do Espírito Santo.

Pense de forma prática: cada cristão zelando por falar um com o outro com o vocabulário e o espírito dos salmos, cada cristão entoando uma canção constante e diária de louvor e gratidão ao Senhor por tudo, cada cristão obedecendo à ordem estabelecida por Deus no casamento, na criação dos filhos, nos relacionamentos, servindo com humildade e sinceridade de coração... Creio que nada faltará a essa igreja senão se encontrar com seu Amado Noivo!

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Notas:

Artigo muito bom sobre "temor e tremor".

Recomendo o livro Qual a diferença? Masculinidade e feminilidade definidos de acordo com a Bíblia, de John Piper (Editora Tempo de Colheita, 2010).

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Enchei-vos do Espírito - Parte 3

ENTOANDO E LOUVANDO DE CORAÇÃO AO SENHOR


Luciano Motta

Depois de discorrermos sobre a atitude de falarmos entre nós com salmos, como a primeira condição para nos mantermos cheios do Espírito, vamos abordar agora outras duas ações: entoar (ado) e louvar (psallo), que significam, respectivamente, “cantar para o louvor de alguém” e “tocar um instrumento de cordas, cantar ao som da harpa, cantar um hino, celebrar louvores a Deus com uma canção”. Salmos, hinos, cânticos espirituais... é cheia de música e louvor a vida do cristão cheio do Espírito Santo!

Alguns exemplos no Novo Testamento: após a última ceia, Jesus e os discípulos cantaram um hino antes de saírem para o monte das Oliveiras (Mateus 26.30). Logo que Cristo ascendeu aos céus, diz a Bíblia que os discípulos estavam sempre no templo, louvando a Deus (Lucas 24.53). A igreja primitiva tinha o louvor como uma das evidências da plenitude do Espírito, e isso era um fator de crescimento: “Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos” (Atos 2.46-47).

Vale destacar no verso acima o fato de os primeiros cristãos perseverarem unânimes (homothumadon) – essa palavra vem do grego homo (mesmo) e thumos (paixão, indignação, furor, ira). Significa “com uma mente, de comum acordo, com uma paixão”. Eles viviam em perfeita harmonia, louvando a Deus de coração e compartilhando a vida juntos, como um acorde preciso e bem executado. A imagem é musical: “um conjunto de notas é tocado e, mesmo que diferentes, as notas harmonizam em grau e tom. Como os instrumentos de uma grande orquestra sob a direção de um maestro, assim o Santo Espírito harmoniza as vidas dos membros da igreja de Cristo” (comentários de Léxico Hebraico, Aramaico e Grego de Strong, Sociedade Bíblica do Brasil, 2002).

Há muitas referências a hinos de louvor – respostas aos atos de Deus – nas epístolas do apóstolo Paulo:

bênçãos: saudações que envolvem a graça e a paz do Senhor, como votos e orações para que os leitores das cartas experimentem essas bênçãos mais plenamente, conforme Romanos 1.7, 1 Coríntios 1.3, Efésios 6.23-24, etc.

invocações: palavras que bendizem a Deus por Seus feitos, exaltando algo que recebemos Dele, conforme 2 Coríntios 1.3-4, Efésios 1.3-14, etc.

doxologias: declarações que glorificam a Deus (doxa = glória) e reconhecem quem Ele é (Sua Grandeza, Sabedoria, Poder, Honra). Normalmente, terminam com a expressão temporal “pelos séculos dos séculos” e um “Amém!”, conforme Gálatas 1.5, Romanos 11.33-36, Filipenses 4.20, etc.

A música era parte dos cultos da igreja primitiva: "Quando vos reunis, cada um de vós tem um hino, tem uma palavra de instrução, tem uma revelação, tem uma palavra em língua, tem interpretação. Tudo deve ser feito visando à edificação" (1 Coríntios 14.26). "A palavra de Cristo habite ricamente em vós, em toda a sabedoria; ensinai e aconselhai uns aos outros com salmos, hinos e cânticos espirituais, louvando a Deus com gratidão no coração" (Colossenses 3.16).

DANDO SEMPRE GRAÇAS POR TUDO A DEUS


Outro tipo de resposta ao Senhor, constante nas cartas e nas exortações de Paulo, que nos mantém cheios do Espírito, é dar graças (eucharisteo): “ser grato, sentir gratidão; agradecer”. Trata-se de uma expressão interior e exterior de gratidão em tudo, por tudo, por todos, sem cessar: “Regozijai-vos sempre. Orai sem cessar. Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco. Não apagueis o Espírito” (1 Tessalonicenses 5.16-19). Sem regozijo, orações e gratidão possivelmente iremos sufocar ou extinguir o Espírito.

Uma das formas mais enfatizadas na Bíblia de expressarmos nossa gratidão é quando damos graças a Deus pela vida dos irmãos, pelo progresso na fé, na esperança e no amor, pelo avanço da obra de Deus na igreja local (conforme Romanos 1.8, 1 Coríntios 1.4-9, 1 Tessalonicenses 1.3-5, etc.). Ações de graça nos levam a suplicar e a interceder pelos outros: “Por isso, também eu, tendo ouvido a fé que há entre vós no Senhor Jesus e o amor para com todos os santos, não cesso de dar graças por vós, fazendo menção de vós nas minhas orações, para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele, iluminados os olhos do vosso coração...” (Efésios 1.15-18). “Dou graças ao meu Deus por tudo que recordo de vós, fazendo sempre, com alegria, súplicas por todos vós, em todas as minhas orações, pela vossa cooperação no evangelho, desde o primeiro dia até agora. Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus” (Filipenses 1.3-6).

Cada uma dessas bênçãos, invocações, doxologias e ações de graça, cada instrução sobre entoar salmos, hinos e cânticos espirituais a Deus e, assim, também edificar o Corpo de Cristo, evidenciam algo muito importante: todo cristão deve ter um som de louvor e adoração, diário e permanente, dentro de si – as reuniões da igreja são preciosas oportunidades para expressarmos em canções a gratidão e a palavra de Cristo que já estão em nosso coração todos os dias.

Isso significa que ser cheio do Espírito requer uma vida “perante a face”. Elias e Eliseu foram homens assim. Viviam diante de Deus o tempo todo. Tornaram-se profetas do fogo; sinais os acompanhavam. Isaías, Ezequiel e João acessaram o trono celestial e tiveram visões e revelações impressionantes. Davi foi um homem de “uma coisa”: habitar na casa do Senhor todos os dias – assim ele pôde contemplar a beleza, o esplendor, o favor, a bondade do Senhor e meditar (Salmo 27.4). Davi compôs diversos hinos e cânticos espirituais ao Senhor. Sua vida transbordava gratidão e louvor: “Sempre tenho o Senhor diante de mim; não serei abalado, porque ele está ao meu lado direito. Por isso, meu coração se alegra e meu espírito se regozija; até mesmo meu corpo habitará seguro” (Salmo 16.8-9).

Quando estamos diante de Deus, nosso coração é transformado, alinhado, animado! As murmurações desaparecem. Mesmo em situações difíceis, não esmorecemos, mas produzimos louvor e declaramos nossa confiança em Deus.

Que tipo de homens e mulheres somos hoje? Existe permanente louvor e gratidão em nossos corações, por tudo e por todos? Não é possível ser grato a Deus sem uma vida de oração e intimidade com Ele e, consequentemente, sem estar conectado ao Corpo de Cristo. Não é possível entoar e louvar a Deus com hinos e cânticos espirituais sem reconhecer que tudo o que Ele fez e tem feito é bom e perfeito, e que tudo coopera para o bem daqueles que O amam (Romanos 8.28). Não é possível falar com salmos no dia a dia sem conhecer as Escrituras e, por isso, não poder se identificar com a vida dos salmistas em suas frustrações e conquistas. Se nosso desejo é sermos pessoas cheias do Espírito, então precisamos de uma vida “perante a face”.

Resta ainda uma última ação fundamental: sujeitarmo-nos uns aos outros. A vida com Deus nos leva aos outros. É o que veremos em breve...

Se você ainda não leu as outras partes deste artigo, comece aqui.

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Nota: os comentários acima sobre bênçãos, invocações, doxologias e ações de graça foram extraídos do livro Dicionário de Paulo e suas cartas. 2ª ed. SP: Edições Vida Nova, 2008, p.159-163.