quarta-feira, 10 de setembro de 2014

A vida dos nossos filhos são reflexos da nossa vida

Uma mensagem aos pais

Por Sidney Santos Custódio

Desejamos que se levante uma geração como a de João Batista, que denuncia o que está errado e levanta um padrão de justiça e pureza por meio de zelo e radicalidade. Uma geração que não é dada aos prazeres desse mundo, pois somente um prazer lhe satisfaz: experimentar a bondade de Deus e agradar o coração Dele. Essa é a palavra que Deus tem liberado nesses dias. Jesus quer levantar seus precursores – sim, é o que queremos!

O que não atentamos é que, para existir uma geração como a de João Batista, precisamos de uma geração de pais como Zacarias e Isabel. Eles eram um casal justo diante do Senhor. Poucas pessoas na Bíblia alcançaram esse testemunho diante de Deus, de caráter e comportamento agradáveis a Deus. Eram também irrepreensíveis aos olhos dos homens. Não tinham desavenças conjugais, apesar da esterilidade de Isabel, e eram firmes e zelosos nas suas funções, permanecendo fiéis à lei de Moisés nos seus turnos e nos costumes sacerdotais. Eles haviam alcançado maturidade suficiente para serem mais do que pais naturais.

Não podemos pensar em João Batista e na grandeza de seu ministério sem antes dar a honra devida aos seus pais. Eles foram um espelho do caráter de Deus para aquele que havia de preparar o caminho do Messias. Em Deuteronômio 6:4-9, encontramos os princípios que precedem uma geração como a de João Batista – e o principal assunto tratado é Deus:

"Ouve, ó Israel: O SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR. Amarás o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças. E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; e as ensinarás a teus filhos e delas falarás sentado em casa e andando pelo caminho, ao deitar-te e ao levantar-te. Também as amarrarás como sinal na mão e como faixa na testa; e as escreverás nos batentes da tua casa e nas tuas portas."

Seu filho será a combinação do que você diz e faz. Vivemos um tempo em que os pais atuais estão preocupados em orientar seus filhos quanto ao futuro deles nos estudos, na vida profissional, no casamento, ou em prover materialmente os anseios de uma geração que está aprendendo com o mundo a ser consumidora insaciável. Não estou dizendo que buscar essas coisas é errado, ou que somos maus pais se só ensinarmos essas coisas aos nossos filhos. Apenas estou dizendo que, se assim o fizermos, estaremos seguindo o curso desse mundo.

Cada uma das preocupações acima tem sua importância e seu lugar na vida, mas o resultado de focalizar somente nelas é uma geração de filhos sem senso de missão de Deus, sem propósitos e desígnios eternos, agitada pelo vento das circunstâncias da vida. Precisamos liberar o destino de Deus sobre os nossos filhos. Nós, pais, temos a missão de sermos os catalizadores do chamado que Deus tem feito aos nossos filhos naturais e espirituais. O que Deus disse que seus filhos seriam? Debaixo de qual promessa seus filhos estão? Em Lucas 1:76-79, a Bíblia nos revela que Zacarias conhecia a missão de seu filho, ele entendia o plano que o próprio Deus havia desenhado para a vida de seu filho:

"E tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque irás à frente do Senhor, preparando os seus caminhos; para dar ao seu povo conhecimento da salvação pelo perdão dos seus pecados, graças à profunda misericórdia do nosso Deus, pela qual a aurora lá do alto nos visitará, para iluminar os que estão nas trevas e na sombra da morte, a fim de guiar os nossos pés no caminho da paz."

Para vivermos essa realidade, precisamos de alguns passos práticos:

1- É preciso haver arrependimento dos pais pelo pecado da omissão. Existe um pensamento que permeia a maioria dos pais cristãos: é papel dos líderes da igreja a educação e o discipulado de seus filhos.

Entretanto, Deus deu a nós, PAIS, a responsabilidade e a missão de conduzirmos nossos filhos dentro de seus destinos em Deus. O trabalho realizado pelos líderes não substitui o cultivo diário que cabe a nós, pais. O que acreditamos é numa parceria entre pais e líderes – o que é despertado por meio dos líderes é cultivado diariamente pelos pais. Aí que reside o sucesso para uma geração como a de João Batista.

Nos momentos em que a família encontra-se reunida, fala-se pouco sobre a Lei de Deus, sobre o “peso” do coração do Pai. É preciso ir além de contar histórias bíblicas ou lições de moral que a Bíblia apresenta (e quando, ao menos, isso é feito).

2- Seja o sacerdote da sua casa. Zacarias era um sacerdote. O ministério do sacerdote caracteriza-se basicamente por servir ao coração de Deus com tempo e zelo, e ouvir o que Deus tem a dizer. Como tal, Zacarias pôde ouvir a palavra viva e específica que veio através do anjo Gabriel, em Lucas 1.13-17:

Mas o anjo lhe disse: Não temas, Zacarias; porque a tua oração foi ouvida, e Isabel, tua mulher, te dará à luz um filho, e tu o chamarás João; terás alegria e satisfação, e muitos se alegrarão com o nascimento dele; porque ele será grande diante do Senhor; não beberá vinho, nem bebida forte; e será cheio do Espírito Santo desde o ventre materno; ele converterá ao Senhor, seu Deus, muitos israelitas; irá adiante do Senhor no espírito e poder de Elias, para reconduzir o coração dos pais aos filhos, e os rebeldes à prudência dos justos, a fim de constituir um povo preparado para o Senhor.

Da mesma maneira, só quando os pais atentarem para o chamado ao sacerdócio (Apocalipse 5.10) lhes será possível serem uma base para a geração de João Batista.

3- Gaste tempo orando e meditando com o seu filho. Em Provérbios 22:6 lemos: “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e mesmo quando for idoso não se desviará dele!” O que você fala e o que você faz se tornam padrões para eles. Não apenas mostre o lugar secreto, mas vá junto.

Conclusão:

Se desejamos uma geração radical, precisamos de atitudes radicais, persistindo naquilo que acreditamos como Comunidade. Chegou a hora de empurrarmos nossos filhos para viverem essa realidade... ou vamos continuar seguindo o curso deste mundo? Nós somos os responsáveis por conduzi-los ao destino que Deus tem preparado para suas vidas. Somos os responsáveis pelo sucesso ou pelo fracasso da próxima geração. Para que uma geração de jovens se manifeste com autoridade profética, poder e firmeza, é necessário que haja Paternidade.