terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Gênesis

Mochileiro da Palavra

Comentários e notas de viagem pelo livro de Gênesis



Gênesis 1 - 4


A queda gerou dores e inimizades:
- entre a serpente e os outros animais (3.14)
- entre a serpente e a mulher (3.15)
- entre a mulher e o ato de dar à luz (3.16)
- entre a mulher e o marido (3.16b)
- entre o homem e a terra (3.17-19)
- entre o homem e o Criador (3.23-24)

Na terceira geração desde Adão, os homens começam a invocar o nome do Senhor (4.26)
Adão = Sete (em lugar de Abel) = Enos 
[em 01/02/17]

Gênesis 5 - 8


Sobre o dilúvio: "Todas as fontes das grandes profundezas jorraram, e as comportas do céu se romperam" (7.11). As águas cobriram tudo (7.20) e purificaram a terra da maldade do homem.

Nos últimos dias, as águas do Espírito serão derramadas sobre a terra - jorrarão de dentro dos filhos rios de água viva e se derramará o Espírito sobre toda a carne.

A terra será inundada, cheia do conhecimento de Deus. Virão o Seu Reino e a Sua Justiça.
[em 02/02/17]

Gênesis 9 - 16


Noé amaldiçoa seu filho Cam = sua descendência deixa um legado terrível na terra. Ninrode, por exemplo, é um fundador de cidades (10.8-14) que se tornam fontes de pecado e maldade contra Deus e seu povo Israel (Babel, Nínive, os antepassados dos filisteus...)

Noé abençoa seu filho Sem = dele descende Abrão.

A palavra paterna estabelece toda uma descendência em paz ou pode condená-la a um destino de caos, distante de Deus.

Outro ponto importante: ALTARES de Noé (8.20) e de Abrão (12.7-8, 13.4, 13.18).

Faça a leitura de um artigo que escrevi faz algum tempo, chamado "Babel, linguagem e unidade". Vale a pena conferir depois de ler esses capítulos. 
[em 06/02/17]

Gênesis 17 - 20


"Ocultarei de Abraão o que planejo realizar?" (18.17) = Amizade / Aliança (17.2)

Abraão intercede por seu sobrinho Ló, que estava em Sodoma. O Senhor afirma: "Por amor de dez justos, não destruirei a cidade" (18.32) = somente quando Ló e sua família deixam a cidade, ela é destruída.

Amigos de Deus conhecem Seus planos:
- liberam juízos na cidade
- intercedem pelos justos na cidade
[em 10/02/17]

Gênesis 21 - 28


Abraão e Isaque instruíram seus filhos que não se casassem com as mulheres de Canaã. Tempos depois, nos dias de Josué, a orientação foi a mesma: que não se misturassem. Somos povo de Deus, separados para Ele. Não devemos nos misturar, nem casar (fazer aliança) com este mundo.

Ainda sobre a relação entre Abraão e Isaque, vale a releitura do artigo "Fé e Obediência".

Salmo 21 - O Senhor tem concedido os desejos do nosso coração naquilo que Ele mesmo aprova. Ele tem nos mostrado a cada dia o seu cuidado. Só precisamos confiar Nele.

O Senhor reafirma quem é e Suas promessas a Isaque e a Jacó.

No caso de Jacó, me impressiona saber que isso acontece depois de trapacear pela segunda vez o seu irmão Esaú. Ou seja: Jacó ainda era um usurpador (segundo seu próprio nome) e Deus se revela a ele e manifesta Sua graça e Sua aliança (28.13).

ALTAR de Isaque em Berseba (26.25) e um PILAR de Jacó em Betel (28.18)

Voto / Dízimo (28.22)

Isaque colhe a 100 por 1 (26.12) como Jesus disse na parábola do Semeador (Mat 13).

Isaque constrói poços (26.18-22). Dois deles são os mesmos poços do pai, só que geram discussão (Eseque) e inimizade (Sitna). Quando ele decide sair, mudar para outro lugar, ele encontra um "lugar espaçoso" (Reobote) = nem sempre os poços de nossos pais nos trarão paz - precisamos cavar e construir nossos próprios poços.
[em 13/02/17]

Gênesis 29 - 32

Raquel é a figura de uma pessoa estéril / uma igreja estéril - esse deve ser o seu clamor: "Dá-me filhos, senão morro!" (30.1)

Deus ouve o clamor (30.22).
[em 14/02/17]

Gênesis 33 - 36


A história da família de Esaú é relatada na Bíblia junto a história dos habitantes de Canaã.

Depois de mencionar seus filhos Elifaz e Reuel (36.10) e Jeús, Jalão e Corá (36.18), aparece uma genealogia dos habitantes de Seir (36.20). Esaú se estabelece nos montes de Seir (36.8).

Esaú se distancia da vontade de Deus e da aliança feita com seus pais Abraão e Isaque.
[em 16/02/17]

Gênesis 37 - 41


A história da família de Jacó começa falando de José (37.2) = o filho mais amado (37.3) / seu nome significa "Salvação" (José / Josué / Jesus). É a história do amor de um pai pelo seu filho.

O Senhor estava com José = autoridade na casa de Potifar (39.5-6), na prisão (39.22) e, mais tarde, sobre todo o Egito (41.40).

Sobre José estava o Espírito de Deus (41.38) = sabedoria e entendimento (41.33). Faraó reconhece isso antes de nomeá-lo governador do Egito.

Os filhos de José no Egito: Manassés (significa "esquecer", 41.51) e Efraim (significa "próspero na terra dos meus sofrimentos", 41.52) = aqui há um indício de que José queria deixar para trás o seu passado, a sua herança familiar. Mas obviamente esses não eram os planos de Deus.

Um parêntesis: Ao contrário da instrução recebida por seus pais, Judá se relaciona com uma mulher de Canaã (cap.38). Nada deu certo para ele depois disso = agiu como Esaú. Mas na sequência da história de Judá, há um retorno aos caminhos de Jacó/Israel.
[em 17/02/17]


Gênesis 42 - 50


Depois de rever seus irmãos, José tem a certeza de que fora mandado para o Egito por Deus, não por seus irmãos (45.7-8).

Há circunstâncias ruins que nos sobrevém, mas Deus está no controle - Ele sabe o que está adiante de nós. Deus transforma o mal em bem (50.20).

O Senhor fala com Jacó em um duplo chamamento: "Jacó, Jacó" (46.2-4) = é como Deus reafirmasse seu amor e cuidado por ele quando ainda era Jacó, antes de ser chamado Israel (isso está expresso em Malaquias 1.2).

O pastoreio era um trabalho inferior no Egito (46.34).

Jacó abençoa seus filhos antes de morrer. Alguns destaques: Simeão e Levi seriam espalhados no meio do povo (49.7) e assim aconteceu; o cetro (autoridade) não se apartaria de Judá (49.10) e Jesus é o Leão da tribo de Judá; José foi chamado de "árvore frutífera" (49.22), exatamente como no Salmo 1.
[em 21/02/17]


terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

O que é o Evangelho do Reino? - Parte 3

Luciano Motta

Falamos inicialmente, com relação ao Evangelho do Reino, sobre as dores dos últimos dias, prenunciadas por Jesus em Mateus 24. Também meditamos sobre a tensão JÁ e AINDA NÃO do Reino de Deus — comece a leitura pela parte 1.

Refletimos também sobre que tipo de “evangelho” vem sendo pregado nos cultos, na mídia, nas conversas, no testemunho diário... Será que a proclamação do evangelho aos perdidos continua centrada em Cristo e em Seu Reino? Ou “alguns ajustes” estão sendo permitidos na mensagem para se atender às demandas contemporâneas, mesmo negligenciando o que de fato corresponde ao Evangelho do Reino? — leia agora a parte 2 desse artigo.

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A palavra grega evanggelion, traduzida como “evangelho” em português, significa “boas novas”. O Evangelho é, portanto, uma boa notícia: algo extraordinariamente bom e incomparável aconteceu na terra e mudou radicalmente o destino da humanidade. Após a queda do homem, no Éden, Deus já prenunciava Seu plano de redenção: “Porei inimizade entre ti [a serpente, satanás] e a mulher, entre a tua descendência e descendência dela; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gênesis 3.15). A Lei, os salmos e os profetas anunciaram o advento Daquele que esmagaria as obras das trevas e restauraria todas as coisas.

Estávamos separados de Deus em nossos delitos e pecados (“Porque todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus”, Romanos 3.23) e, por isso, condenados à morte (“o salário do pecado é a morte”, Romanos 6.23). Porém, em Cristo, fomos redimidos, justificados e novamente reconectados a Deus (“sendo justificados gratuitamente pela sua graça, por meio da redenção que há em Cristo Jesus, a quem Deus ofereceu como sacrifício propiciatório, por meio da fé, pelo seu sangue, para demonstração da sua justiça”, Romanos 3.24-25).

Sim, a justiça foi feita – Cristo levou sobre si o castigo que a nós era destinado; Ele morreu na cruz em nosso lugar, derramando Seu sangue precioso (“Na sua paciência, Deus deixou de punir os pecados anteriormente cometidos; para demonstração da sua justiça no tempo presente, para que ele seja justo e também justificador daquele que tem fé em Jesus”, Romanos 3.25-26). A condenação foi removida (“agora já não há condenação alguma para os que estão em Cristo Jesus. Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte”, Romanos 8.1-2). Hoje, todo aquele que um dia se arrependeu dos seus pecados e creu em Cristo Jesus como Senhor e Salvador, tem a vida eterna (“o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor”, Romanos 6.23).

Veja como o Evangelho é centrado no que Cristo fez e não no que nós temos de fazer. Muitas vezes, a igreja contemporânea confunde o Evangelho com métodos para se chegar a Deus quando, na verdade, foi Ele quem veio até nós. Ou então valoriza demasiadamente os efeitos do Evangelho na vida das pessoas (especialmente os ganhos financeiros, no caso da teologia da prosperidade) e perde o fascínio pelo próprio Cristo e Sua obra redentora.

Mas a boa notícia do Evangelho nos conduz a uma resposta: arrependimento! O que João Batista anunciava antes de o Messias aparecer ao mundo? “ARREPENDEI-VOS, porque está próximo o reino do céu” (Mateus 3.2). Quando Jesus iniciou seu ministério, logo após passar pelas águas do batismo e ser tentado no deserto, o que Ele pregava? “ARREPENDEI-VOS, porque está próximo o reino do céu” (Mateus 4.17). Em Pentecostes, depois da descida do Espírito Santo sobre a igreja primitiva, Pedro exortou os judeus: “ARREPENDEI-VOS, pois, e CONVERTEI-VOS, para que os vossos pecados sejam apagados, de modo que da presença do Senhor venham tempos de refrigério, e ele envie o Cristo, que já vos foi predeterminado, Jesus. É necessário que o céu o contenha até o tempo da restauração de todas as coisas, sobre as quais Deus falou pela boca dos seus santos profetas, desde o princípio” (Atos 3.19-21).

A mensagem do Evangelho só faz sentido aos perdidos quando quem a anuncia já mudou sua forma de pensar (se arrependeu) e voltou o coração (se converteu) integralmente a Deus. Quem anuncia as boas novas anda em novidade de vida – seus dias na terra dão bom testemunho de todas as maravilhas que Cristo fez e tem feito.

Retornando às palavras de Jesus em Mateus 24.14: “E este evangelho do reino será pregado pelo mundo inteiro, para testemunho...” Aqui, a palavra "pregar" refere-se à proclamação pública de um ARAUTO, um oficial do rei, um mensageiro, alguém que defende uma causa. O arauto é uma autoridade que anuncia uma mensagem de paz ou de guerra, uma palavra com peso de gravidade e urgência, que deve obedecida por todos que a escutam. O arauto reproduz fielmente as ordens do rei. Em suas vestes há insígnias reais que dão autoridade e autenticidade a sua proclamação. Em outras palavras: as pessoas que proclamam o Evangelho vão além das palavras; são cristãos que se tornaram um discurso encarnado – vivem a dimensão JÁ do Reino. A mensagem que carregam e anunciam é inseparável de seu estilo de vida.

Que experiência formidável é estar com pessoas assim, ouvi-las, conviver com elas, ver como elas cuidam da casa, da família, dos filhos! Que impacto esses arautos dos últimos dias têm produzido na sociedade enquanto estão na escola ou no trabalho, enquanto empreendem e administram seus negócios, enquanto desenvolvem suas vocações ministeriais! Todo aquele que verdadeiramente proclama o Evangelho é alguém que se arrependeu dos seus pecados e se converteu a Jesus; é uma pessoa que não vive mais para si, mas por causa de Cristo e para Cristo (2 Coríntios 5.15); é um cristão autêntico, coerente com a mensagem que anuncia, seja em palavras, seja com suas atitudes. São formosos os pés dos que anunciam boas novas (Romanos 10.15).

A ênfase do Evangelho do Reino é uma boa notícia: Cristo está voltando e instaurará tempos de refrigério e restauração. O Rei-Noivo-Juiz se unirá a Sua Noiva, a Igreja Gloriosa, sem macha, ruga ou mácula, idônea ao Noivo (Efésios 5.27), e estabelecerá plenamente o Seu Reino na terra. Esse extraordinário acontecimento é a firme esperança daqueles que foram alcançados e transformados pelo amor de Deus em Cristo.

Ter essa perspectiva do presente e dos dias que estão por vir afeta tudo que somos, tudo que fazemos em nossas vidas. O apóstolo João viu esse dia: “Alegremo-nos, exultemos e demos glória a ele, porque chegou o momento das bodas do Cordeiro, e sua noiva já se preparou” (Apocalipse 19.7).

Os dias são maus. As dores aumentam na terra. Enquanto é dia, devemos nos preparar e abastecer nossas lâmpadas (Mateus 25), pois densas trevas se aproximam! É tempo de nos fortalecermos em Cristo e nos firmarmos Nele, conforme nos advertiu: “Cuidai de vós mesmos; não aconteça que o vosso coração se encha de devassidão, embriaguez e preocupações da vida, e aquele dia vos surpreenda como uma armadilha, porque ele virá sobre todos os que habitam na face da terra. Vigiai, pois, orando em todo o tempo, para que possais escapar de todas essas coisas que haverão de acontecer e ficar em pé na presença do Filho do homem” (Lucas 21.34-36).