sexta-feira, 29 de junho de 2012

Duas visões

(1) Vi uma daquelas folhinhas de calendário, e estava na última folha. Mas não era dezembro. Cada folha correspondia a um ano. Na visão era o último ano de 12 anos. Ou seja: era 2012 (este ano). A folha do calendário que vinha logo após 2012 era de um papel pardo azul, estava em branco e nele não haviam dias ou anos. Eu entendi que um novo tempo está às portas e que Deus irá ditar Seus planos e projetos futuros somente àqueles que tiverem "olhos para ver e ouvidos para ouvir". Eu me lembrei de Apocalipse 1.19: "Escreve as coisas que tens visto, e as que são, e as que depois destas hão de acontecer".

(2) Vi a cidade de São Gonçalo/RJ cortada por muitos rios, que foram poluídos, assoreados, que tiveram seu curso alterado ou mesmo obstruído. Penso que essa é a realidade espiritual da igreja em São Gonçalo (leia aqui) que não consegue fluir naquilo que Deus tanto deseja! A fome e a sede pelo Senhor abrirão os espaços necessários para que os rios (os filhos de Deus) possam fluir novamente em abundância e vitalidade.

Creio em um tempo novo para a Igreja de Cristo no Brasil e particularmente na cidade de São Gonçalo.

Mas o "novo" de Deus não é necessariamente algo inédito. Pode ser a retomada do projeto inicial Dele que as muitas camadas temporais e seus muitos desvios ocultaram ou mudaram a forma. Pense naquelas construções de 50, 80 e até 100 anos, antes vibrantes e belas, hoje uma mistura de cinzas e nostalgia. O restaurador raspa as camadas até alcançar as cores originais, aplica técnicas e produtos específicos. Não usa de força para preservar o prédio. No fim do trabalho, mesmo a forma mais antiga e frágil torna-se de novo magnífica e imponente. Creio que essa ideia se encontra em Mateus 13.52: "...o Reino do céu é semelhante a um chefe de família que tira do seu tesouro coisas novas e velhas".

Precisamos nesses dias escutar o que Ele tem a dizer e contemplar o que Ele quer revelar. Abra, Senhor, nossos ouvidos e nossos olhos! Venha o Teu Reino!

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Cavar e construir

{ Mais uma oportuna reflexão escrita por minha esposa Ana Cristina Pina, postada no seu blog Eu e minha mente. É tempo de cavar e construir algo inabalável em Cristo. }

"Qualquer que vem a mim e ouve as minhas palavras, e as observa, eu vos mostrarei a quem é semelhante: É semelhante ao homem que edificou uma casa, e cavou, e abriu bem fundo, e pôs os alicerces sobre a rocha; e, vindo a enchente, bateu com ímpeto a corrente naquela casa, e não a pôde abalar, porque estava fundada sobre a rocha. Mas o que ouve e não pratica é semelhante ao homem que edificou uma casa sobre terra, sem alicerces, na qual bateu com ímpeto a corrente, e logo caiu; e foi grande a ruína daquela casa" (Lucas 6.47-49).

Sempre que ouvia ou lia sobre “casa edificada na rocha” imaginava uma grande montanha de rocha e uma casa sobre ela. Mas hoje pela manhã senti algo muito diferente ao ler essa passagem. A palavra “cavou” saltou aos meus olhos. Quem cava, abre caminho, abre espaço. O texto fala de cavar, abrir uma vala profunda e por os alicerces sobre a rocha. Precisamos ir fundo e só então firmarmos na rocha.

Entretanto, essa é uma obra que não será vista por todos. Talvez só os mais íntimos terão alegria em ver uma obra desse tipo. Se quisermos mostrá-la para outros, não será tão interessante assim para eles verem tudo que gastamos e investimos em algo tão bruto e duro, que exigiu tanto esforço. E veja bem: esse esforço não é o de querer aparecer ou de ter alguma coisa, é o de parar tudo para buscarmos nossa essência em Jesus. Trata-se de uma busca diária e intensa até que Ele comece a mudança no nosso interior, nos enchendo de amor e paixão por Ele, só por Ele! Isso produzirá mudança de caráter, atitudes e mentalidades, para sermos realmente firmes na vida que acreditamos pertencer, a fim de vivermos aprofundados em quem confiamos ser a Única pessoa digna de todo nosso esforço e desprendimento nesse mundo.

Cavar é ir atrás até encontrar, é passar por tudo que não é firme, ou seja, tudo que é abalável, para encontrarmos O Inabalável. Só assim encontraremos a Rocha: JESUS. Só por meio Dele conseguiremos construir uma casa bem firmada Nele, pois é Dele que vem todas as coisas. JESUS não pode ser abalado! Tudo o que Ele faz não pode ser abalado! Dessa forma, toda casa que não estiver Nele, cairá. Nossa destruição será certa e grande se ouvirmos e não praticarmos a Palavra de Deus, se não estivermos preocupados com esse relacionamento profundo com Ele, que dá direção às nossas vidas e muda todo o nosso coração.

Mais do que nunca precisamos nos desprender de nós mesmos e de tudo que foi construído sem bases no Reino para que o Pai, que é Inabalável, possa habitar. É preciso que cavemos fundo para construirmos aquilo que o Senhor deseja e não o que queremos. Chega de construir aquilo que Deus não está interessado! Que venha a restauração do Tabernáculo de Davi, que venha Seu Reino e seja feita apenas a Sua vontade!

sábado, 23 de junho de 2012

quinta-feira, 14 de junho de 2012

O Reino e as sementes III

Luciano Motta

Já comentamos sobre a parábola do Semeador e a parábola do joio e do trigo (é importante que você acesse esses links e leia os artigos anteriores antes de prosseguir). Agora veremos como Jesus compara o Reino a uma semente da mostarda, ainda em Mateus 13:
E contou-lhes outra parábola: "O Reino dos céus é como um grão de mostarda que um homem plantou em seu campo. Embora seja a menor dentre todas as sementes, quando cresce torna-se a maior das hortaliças e se transforma numa árvore, de modo que as aves do céu vêm fazer os seus ninhos em seus ramos" (v.31-32).
No Evangelho de Marcos, a parábola do grão de mostarda é precedida por outra alegoria de Jesus:
O Reino de Deus é semelhante a um homem que lança a semente sobre a terra. Noite e dia, quer ele durma quer se levante, a semente germina e cresce, embora ele não saiba como. A terra por si própria produz o grão: primeiro o talo, depois a espiga e, então, o grão cheio na espiga. Logo que o grão fica maduro, o homem lhe passa a foice, porque chegou a colheita (Marcos 4:26-29).
Creio que essas duas histórias estão relacionadas: o grão de mostarda e o grão que germina e cresce pela ação da terra, depois de semeado.

O primeiro aspecto a ser destacado é a singularidade do Reino. O grão de mostarda, segundo o texto, é a menor das sementes: tem cerca de 2 milímetros de diâmetro. É realmente de se admirar como pode crescer e se formar um arbusto tão grande de uma semente tão pequena.

Eis a questão: Como o Reino de Deus cresceu tanto a partir de um grupo tão reduzido e limitado de discípulos? A resposta pode ser resumida nesta afirmativa: O Evangelho de Cristo é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê (Romanos 1.16). Em um mundo marcado pela desesperança, pelo esfriamento do amor, pela falta de modelos sólidos, críveis, genuínos, as boas novas de um Reino de Justiça, Paz e Alegria no Espírito Santo são alento e fôlego de vida capazes de impactar gerações ao longo de séculos. Graças a Deus, essas boas notícias chegaram até nós.

No famoso livro O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry (Ed. Agir, 2009), a passagem que descreve o surgimento da rosa ilustra a força de sua singularidade:
Sempre houvera, no planeta do pequeno príncipe, flores muito simples, ornadas de uma só fileira de pétalas, e que não ocupavam espaço nem incomodavam ninguém. Apareciam pela manhã, na relva, e à tarde já murchavam. Mas aquela brotara um dia de uma semente trazida não se sabe de onde, e o principezinho resolvera vigiar de perto o pequeno broto, que era tão diferente dos outros (p.28).
A mensagem do Reino de Deus é como aquela rosa: brota em nosso coração de repente, quebrando o tédio e a previsibilidade de uma vida que "não ocupa espaço", que "não incomoda ninguém". Toda e qualquer mediocridade existencial é suplantada pela força do Evangelho. Tornamo-nos portadores de uma vida singular, que transcende a compreensão e a lógica terrenas; uma vida capaz de influenciar aqueles que nos cercam, apontando-lhes o caminho com a Luz Daquele que habita em nós.

Outro aspecto importante: O Reino de Deus se estabelece por processo. Quando designou os setenta discípulos, Jesus deu-lhes a seguinte instrução: "E, em qualquer cidade em que entrardes, e vos receberem, comei do que vos for oferecido. E curai os enfermos que nela houver, e dizei-lhes: É chegado a vós o reino de Deus" (Lucas 10.8-9). Tempos depois, já se aproximando o dia de sua crucificação, Jesus falou a respeito da tribulação e da Sua segunda vinda: "quando virdes acontecer estas coisas, sabei que o reino de Deus está perto" (Lc 21.31).

Por esses dois textos, dentre tantos outros, vemos uma clara alternância: ora o Reino já havia chegado, ora ainda estava por vir. Mas não há incoerência alguma nisso. O Reino se estabelece em nós quando cremos no Filho de Deus como nosso Senhor e Salvador e o seguimos fielmente (Lc 17.20-21). Esta é apenas a primeira etapa, pois nem tudo foi cumprido. O Rei ainda não está aqui. Somente quando Jesus voltar será plenamente estabelecido o Reino de Deus na terra. Isso denota um processo iniciado lá na cruz, tal qual o germinar (a morte) da semente, o crescimento da planta e o grão maduro, pronto para a colheita. Cristo virá quando os ramos da Videira (João 15) estiverem produzindo frutos maduros, ou seja, quando Sua Igreja Gloriosa se encontrar sem mancha, nem ruga, mas santa e irrepreensível para Ele (Efésios 5.27).

O Reino, como a semente que germina e cresce, sofre adversidades. As aves, no contexto de Mateus 13, são danosas, comparáveis ao joio que brota junto ao trigo. Na parábola do semeador, as aves destruíam as sementes. Nesse contexto do grão de mostarda, podemos considerar as aves que fazem ninhos como figuras de agentes ou situações que interferem na expansão do Reino ou que pelo menos provocam dores necessárias ao crescimento.

Certa ocasião, os discípulos pediram ao Mestre: "Aumenta a nossa fé" (Lc 17.5). Esse é também nosso pedido todas as vezes que enfrentamos oposições ou pesos de angústia e preocupação no transcurso de nossas vidas. Jesus respondeu: "Se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a esta amoreira: Arranca-te pela raiz e planta-te no mar, e ela vos obedeceria" (Lc 17.6). Aqui a menor das sementes é suficientemente comparável a uma extraordinária porção de fé. Lembro-me das palavras proféticas de não desprezarmos o dia das coisas pequenas (Zacarias 4.10).

Se observarmos atentamente a vida dos "heróis da fé" listados em Hebreus 11, chegaremos a uma conclusão: todos eles tiveram "uma fé em processo", submetida a testes e provações, lapidada tal qual uma pedra bruta em vias de se tornar um diamante. Eles conseguiram ultrapassar "a fé como um grão de mostarda" - morreram em suas próprias vontades para que germinasse a vontade de Deus e posteriormente colhessem feitos extraordinários por Ele e para Ele! Hoje, sob essa nuvem de testemunhas, Deus continua a nos provar para crescermos em fé, Ele nos disciplina para sermos participantes da Sua santidade (Hebreus 12.10). Durante esse processo, Ele vai reduzindo a cacos tudo o que é abalável em nossas vidas a fim de recebermos um Reino inabalável (Hb 12.28).

Esse Reino começa bem pequeno, quase insignificante aos olhos naturais. Porém, cresce, avança, se expande. Nada pode pará-lo. Nada pode detê-lo. As portas do inferno não lhe podem resistir. O mesmo Amor que o nutre arde em expectativas pelas bodas do Cordeiro, quando o Noivo finalmente se unirá à Noiva, e ambos reinarão até o fechamento da História.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

A fé vem pela escuta

Luciano Motta

Sem dúvida esse título seria melhor reconhecido nas palavras de Paulo: "A fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Cristo" (Romanos 10.17). Para o senso comum, escutar e ouvir são maneiras diferentes de se dizer a mesma coisa. Porém, existe significativa distinção entre essas duas ações: estar à escuta implica necessariamente atenção, quietude, concentração. Não é algo desinteressado.

A palavra "ouvir" em Romanos 10.17 vem do original grego akouo (prestar atenção, considerar o que está ou tem sido dito, compreender, entender, descobrir, aprender). Segundo o Vine's Expository Dictionary of New Testament Words, o sentido de "ouvir" neste verso das Escrituras está relacionado a "perceber com a mente" uma mensagem ou ensino.

Perscrutando um pouco mais as diferenças entre escutar e ouvir, cito as palavras do filósofo francês Jean-Luc Nancy em seu ensaio A La Escucha (Buenos Aires: Ed. Amorrortu, 2007): "Cada ordem sensorial tem em si sua natureza simples e seu estado tenso, alerta ou ansioso: ver e olhar, cheirar e farejar, comer e saborear, tocar e tatear ou apalpar, ouvir e escutar" (p.17, tradução minha). Escutar vem da palavra latina auscultare e significa ouvir com atenção. Para Nancy, é o mesmo que "aguçar o ouvido - expressão que evoca uma mobilidade singular (...) - uma intensificação e uma preocupação, uma curiosidade ou uma inquietude" (p.16, tradução minha).

Essa força que captura nossa atenção e nos conduz a uma certa tensão interna ou externa não se encontra no sentido mais comum para ouvir (do latim audire). Escutar vai além do trivial ato de perceber um som pelos ouvidos. Para ilustrar: Pense em alguém (pode ser você) que enquanto trabalha conversa com outros colegas de trabalho, e ainda ouve música. Seus sentidos estão agitados, ocupados com duas ou três demandas simultâneas. O que vai entrando por seus ouvidos não está sendo processado, nem refletido. Ao término do dia, a maior parte do que ouviu será esquecida. Pode ser que um verso de música, ou um trecho da fala de alguém, ou até algum elemento do trabalho reverbere posteriormente em sua mente. Mas nada de relevante ficará, salvo quando for estabelecido um mínimo de vinculo sensorial e/ou emocional ao que se tenha ouvido.

Na versão da Bíblia de Jerusalém para Romanos 10.17 - "A fé provém da pregação e a pregação se exerce em razão da palavra de Cristo" - há uma clara inclinação para a escuta. Faça um teste: quando terminar uma reunião congregacional, passadas uma ou duas horas, pergunte sobre o que foi pregado para as pessoas que ouviram o sermão ou o estudo bíblico. Você conseguirá distinguir quem realmente escutou (estes se lembrarão de partes significativas e poderão até fazer uma síntese da pregação) daqueles que apenas ouviram (não se lembrarão de nada ou quase nada!). Escutar é reter e processar, é captar os mistérios, tal qual um espião com o ouvido atrás da porta, que discerne pelos sons o que se passa no oculto.

Ora, se a fé vem pelo ouvir, por uma escuta atenta e diligente, será que temos algo a dizer agora mesmo a respeito de Jesus e de Seus planos para essa geração, para nossa nação ou para nossa cidade? O que temos escutado diretamente de Sua voz nesses dias? Que revelação temos Dele?

Em Mateus 16.13-17 lemos o episódio em que Jesus perguntou aos discípulos: "Quem os homens dizem ser o Filho do Homem?" Eles responderam: "Alguns dizem que é João Batista; outros, Elias; e, ainda outros, Jeremias, ou algum dos profetas". Depois o Mestre devolveu a mesma questão aos discípulos: "Quem vocês dizem que eu sou?" Pedro afirmou de imediato: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo". E Jesus lhe garantiu: "Não foi carne e sangue que te revelaram isso, mas meu Pai, que está no céu". A declaração certeira de Pedro só foi possível graças a uma ação divina. Ele não se baseou no que as pessoas diziam, antes escutou diretamente do Pai e captou o mistério do Deus encarnado, declarando a sua fé Nele.

Outra consideração importante: A Palavra de Cristo instiga, atiça o ouvir, e daí recebemos fé. Não há nada de errado com a Palavra de Cristo, tampouco com a fé. O problema está em nós - não estamos escutando! Multidões tem fundamentado sua fé em sinais e maravilhas, e atualmente inúmeras igrejas nutrem essa avidez por milagres. Contudo, vemos nos Evangelhos uma atitude diferente no próprio Cristo. Em muitas ocasiões, depois de curar ou expelir demônios, Jesus pedia que não falassem nada a respeito, que não divulgassem o ocorrido. Jesus nunca fez questão de se auto-promover por essas coisas. Ele veio ao mundo para revelar Sua própria essência - Ele era a Palavra viva, o Pão vivo que desceu do céu. O problema é que as multidões e boa parte da igreja ainda querem apenas o que Ele pode dar.

Quando comparou o Reino às sementes em Mateus 13, Jesus disse mais de uma vez: "Quem tem ouvidos para ouvir, ouça". E repetiu esta sentença em vários outros momentos, especialmente ao terminar seus ensinos e parábolas. Pois tem sido mais e mais frequente encontrar pessoas que se dizem cristãs tomadas de surpresa e espanto quando ouvem a mensagem do Reino, ainda que seja o tópico mais básico do Evangelho. Por que isso ocorre? Porque de fato não estão escutando a Palavra de Cristo e por isso não estão recebendo a Vida de Cristo em seu homem interior. A fé desses é morta ou encontra-se contaminada pela mensagem antropocêntrica deste século, que ressalta os interesses do homem caído em seu amor pelo dinheiro e pelo mundo.

Em Laodiceia havia uma igreja assim. Para ela, Jesus disse: "Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa..." (Apocalipse 3.20). Mas como aquela igreja poderia ouvir se estava tão cheia de si, tão orgulhosa de sua riqueza e prosperidade? Ela dizia: "Estou rica, adquiri riquezas e não preciso de nada" (v.17). Pela condicional "se alguém ouvir..." fica o alerta: é perfeitamente possível existir uma igreja na qual ninguém escuta Jesus, uma igreja que deixa o seu Deus do lado de fora. Ao término de cada uma das cartas às sete igrejas de Apocalipse, repetem-se as palavras: "Quem tem ouvidos para ouvir, ouça".

Talvez essas sejam as razões de nossa crise de fé: uma igreja que não reconhece a voz do seu Deus e o deixa do lado de fora, por estar abastada ou em busca de riquezas; uma igreja que visa os milagres e o que Ele pode dar, desprezando o que Ele quer ensinar; uma igreja que não tem a revelação de quem é Jesus, mas vive baseada nas impressões do que dizem as pessoas, os livros, os tele-evangelistas, a tradição, dentre outros substitutos à voz de Cristo. Possivelmente precisamos parar tudo, cancelar nossas agendas eclesiásticas. Precisamos nos dedicar à quietude, à ouvirmos de novo, individual e coletivamente, a Sua voz - que esta seja nossa maior ocupação! Precisamos construir um lugar para Jesus, um lugar de oração e serviço, onde Ele possa descansar e se encontrar conosco. Então, a partir desses encontros, poderemos nos movimentar em função do que Ele disser, do que Ele nos orientar a fazer.

Este é um tempo de muitas vozes e de muito barulho, tempo que requer de nós um esforço contínuo para escutarmos a Palavra e crescermos em fé. Jesus está às portas. Quem está ouvindo com atenção e zelo?