domingo, 30 de setembro de 2012

Eis-me aqui

Luciano Motta

Milhões de cristãos no mundo todo tem feito esta afirmação para Deus: "Eis-me aqui". Repetidas vezes, culto após culto, com palavras diferentes, expressam um mesmo desejo: "Estou aqui para fazer a Tua vontade, Senhor". Essa é a resposta mais comum depois de uma pregação que sensibiliza os ouvintes a uma atitude ante as dificuldades da vida ou a urgência da missão. Sem dúvida, Deus usa os pregadores, os profetas, os evangelistas para comunicar Sua mensagem às pessoas. Ele escolheu o "ouvir a Palavra" para produzir fé nos corações. O problema se dá quando o resultado desse ouvir não leva a uma ação concreta e real, não produz transformação de mente e de conduta. Assim sendo, não houve fé, mas efêmeras reações emotivas que rapidamente serão esquecidas. As razões desse tipo de "fé efervescente", que ligeiramente se dissolve, podem estar na falta de uma atitude daquele que ouve - é preciso ouvir com a mente - ou ainda na mensagem pregada, inconsistente enquanto Palavra de Deus.

Questões de fé e comunicação à parte, se atentarmos para os homens da Bíblia que fizeram a afirmação "Eis-me aqui", acredito que vamos encontrar algumas respostas para esse grande hiato entre dizer "Eis-me aqui" e realmente viver esse "Eis-me aqui" no dia-a-dia. Vejamos em breves palavras as ações de Abraão e Jacó:

Abraão: "E aconteceu depois destas coisas, que provou Deus a Abraão, e disse-lhe: Abraão! E ele disse: Eis-me aqui. E disse: Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá, e oferece-o ali em holocausto sobre uma das montanhas, que eu te direi. Então se levantou Abraão pela manhã de madrugada, e albardou o seu jumento, e tomou consigo dois de seus moços e Isaque seu filho; e cortou lenha para o holocausto, e levantou-se, e foi ao lugar que Deus lhe dissera" (Gênesis 22:1-3).

Jacó/Israel: "E partiu Israel com tudo quanto tinha, e veio a Berseba, e ofereceu sacrifícios ao Deus de seu pai Isaque. E falou Deus a Israel em visões de noite, e disse: Jacó, Jacó! E ele disse: Eis-me aqui. E disse: Eu sou Deus, o Deus de teu pai; não temas descer ao Egito, porque eu te farei ali uma grande nação. E descerei contigo ao Egito, e certamente te farei tornar a subir, e José porá a sua mão sobre os teus olhos. Então levantou-se Jacó de Berseba; e os filhos de Israel levaram a seu pai Jacó, e seus meninos, e as suas mulheres, nos carros que Faraó enviara para o levar" (Gênesis 46:1-5).

Verificamos um ponto em comum entre esses dois patriarcas: maturidade. À essa altura dos acontecimentos, considerando todo o contexto e não apenas os fragmentos das Escrituras citados, Abraão já havia recebido o filho da promessa e Jacó já tivera seu nome mudado para Israel. Notamos em ambos uma madura prontidão: logo obedeceram à palavra recebida, sem titubearem. Obviamente eles conheciam profundamente Aquele que falava. É, portanto, fundamental desenvolvermos nosso relacionamento com Deus a fim de adquirirmos sensibilidade para ouvirmos a Sua voz e então prontamente respondermos de modo digno ao Seu chamado.

Mas esta experiência não está reservada apenas aos "amigos maduros" de Deus. O Pai deseja ardentemente que todos os Seus filhos tenham um nível profundo de amizade com Ele, um comprometimento genuíno com a Sua vontade. Por isso ele também chama homens como Moisés e meninos como Samuel:

Moisés: "E Moisés disse: Agora me virarei para lá, e verei esta grande visão, porque a sarça não se queima. E vendo o SENHOR que se virava para ver, bradou Deus a ele do meio da sarça, e disse: Moisés, Moisés. Respondeu ele: Eis-me aqui. E disse: Não te chegues para cá; tira os sapatos de teus pés; porque o lugar em que tu estás é terra santa. Disse mais: Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó. E Moisés encobriu o seu rosto, porque temeu olhar para Deus" (Êxodo 3:3-6).

Depois de passar tempo suficiente no deserto, a ponto de se desapegar de suas próprias prerrogativas de príncipe do Egito, Moisés poderia finalmente depender somente de Deus para libertar os israelitas. Mas precisava de um encontro com Ele. A reação amedrontada de Moisés é bastante compreensível, provavelmente teríamos a mesma reação, dadas as circunstâncias. E ainda que tenha relutado inicialmente quanto ao chamado recebido, Moisés fez jus à sua resposta "Eis-me aqui" e em pouco tempo se tornou um amigo que falava face a face com Deus.

Samuel: "E o jovem Samuel servia ao SENHOR perante Eli; e a palavra do SENHOR era rara naqueles dias; as visões não eram frequentes. E sucedeu, naquele dia, que, estando Eli deitado no seu lugar (e os seus olhos começavam a escurecer, pois não podia ver), E estando também Samuel já deitado, antes que a lâmpada de Deus se apagasse no templo do SENHOR, onde estava a arca de Deus, O SENHOR chamou a Samuel, e disse ele: Eis-me aqui. E correu a Eli, e disse: Eis-me aqui, porque tu me chamaste. Mas ele disse: Não te chamei eu, torna a deitar-te. E foi e se deitou. [...] Então entendeu Eli que o SENHOR chamava o jovem. Por isso Eli disse a Samuel: Vai deitar-te e há de ser que, se te chamar, dirás: Fala, SENHOR, porque o teu servo ouve. Então Samuel foi e se deitou no seu lugar. Então veio o SENHOR, e pôs-se ali, e chamou como das outras vezes: Samuel, Samuel. E disse Samuel: Fala, porque o teu servo ouve. E disse o SENHOR a Samuel: Eis que vou fazer uma coisa em Israel, a qual todo o que ouvir lhe tinirão ambos os ouvidos" (1 Samuel 3:1-11).

Em dias de escassez da palavra de Deus, de poucas visões, o menino Samuel fora chamado. Não por acaso, logo depois da resposta "Eis-me aqui", observamos um silêncio da parte do Senhor. Tenho a seguinte impressão: naquele tempo Deus falava, os juízes e sacerdotes ouviam, porém não obedeciam. Como não havia resposta adequada, não havia fidelidade, pouco a pouco Deus passou a falar menos, e menos, e menos. Samuel nascera em resposta à oração de Ana, escolhido para mudar a história de sua geração e preparar a seguinte. Então, nesse primeiro chamado, Deus parece testá-lo com seu silêncio. Era necessário que Samuel aguçasse os ouvidos, pois ouviria aquela voz muitas e muitas vezes depois daquela noite.

O sacerdote Eli, em rara centelha de sabedoria, orientou o menino a responder: "Fala, porque o teu servo ouve". Percebo nessas palavras algo do tipo: "Pode falar, Senhor, porque eu te ouvirei e te serei fiel em todas as tuas palavras. Ao contrário do que vem acontecendo nesse tempo, meu 'Eis-me aqui' é sincero, é genuíno, não é apenas uma expressão bonita. Estou comprometido em verdadeiramente cumprir toda a tua vontade".

Essa é a resposta que devemos dar a Deus em nossos dias. Nosso "Eis-me aqui" deve estar imbricado de prontidão, obediência e atitude. Não importa tanto para o Senhor se já temos desenvolvido o nosso relacionamento com Ele, se já adquirimos certo estágio de maturidade espiritual, tampouco se somos ainda meninos na fé. Ele fala aos grandes e aos pequenos. Ele prometeu derramar do Seu Espírito sobre toda carne nos últimos dias (Joel 3). Os olhos do Senhor ainda estão atentos sobre toda a terra para fortalecer e sustentar aqueles que lhe dedicam totalmente o coração (2 Crônicas 16.9). Que nossas palavras se convertam em ações práticas. Que sejamos nós mesmos as respostas de nossas próprias orações!

Depois de todo "Eis-me aqui" espera-se um "Envia-me".

//continua//

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

A plenitude do tempo

Por Rick Joyner

O mundo está agora no Vale da Decisão. As conseqüências de cada decisão serão ampliadas, e um pequeno desvio pode levar a surpreendentes direções diferentes. Este tipo de repercussão para as nossas escolhas não tem sido visto desde o Jardim. Isto é porque o mundo está ficando muito perto de se tornar o Jardim de novo - o Reino de Deus está próximo.

Por causa disso, será o tempo de maior escuridão para aqueles que não amam a verdade, mas o tempo de maior glória para aqueles que a amam. A resposta a isso por aqueles que não têm fé verdadeira será pensar negativamente sobre o Vale da Decisão, tornando-se amedrontados e tímidos. Para aqueles que têm fé, o inverso é verdadeiro. Essa é a maior oportunidade de todas, em que nossas escolhas positivas farão o maior bem. Mesmo uma pequena decisão de fazer o que é reto aos olhos do Senhor poderia provocar(*) um grande avivamento. Um giro sutil em direção ao Senhor por uma nação pode começar um Grande Despertamento.

Temos exemplos disso na história. Quando uma humilde e negra empregada doméstica chamada Rosa Parks ficou firme em suas convicções e se recusou a ceder seu assento em um ônibus a um homem branco, provocou(*) o Movimento dos Direitos Civis, que mudou uma nação. Quem poderia prever essas conseqüências a partir desta ação tão pequena? Tal resultado veio a ser "a plenitude do tempo" para os direitos civis nos Estados Unidos, incluindo todos os seus cidadãos. Como vemos nos profetas do Antigo Testamento, o Senhor lida com as nações com respeito a retidão e a justiça. A madeira se tornou tão seca para o Movimento dos Direitos Civis nos EUA que até mesmo uma pequena faísca(*) pôde incendiá-la.

Um dos grandes fatores que fazem este tempo tão oportuno é o de ser muito seco espiritualmente. Apenas uma pequena faísca(*) e um pouco de brisa do Espírito Santo e grandes incêndios de reavivamento começarão a arder. Aqueles que se queixam da secura dos tempos não têm visão. Chegamos ao tempo em que mesmo uma aparentemente insignificante palavra profética de um profeta desconhecido pode pôr em movimento eventos no mundo todo. A plenitude do tempo significa que os tempos estão plenos de potencial. Deveríamos nos regozijar que se tornou tão seco!

A colheita que Jesus disse que seria o fim desta era é "a plenitude do tempo", para muitas faíscas(*) inflamarem muitos reavivamentos. Uma vez inflamados, esses fogos se espalharão ainda mais rápido por causa da secura. Alguns vão inflamar antes do final deste ano, e no próximo ano serão muitos mais.

(*) verbo spark: faiscar, provocar ou despertar uma ação.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

O mal da autossuficiência

Luciano Motta

Esta é uma mensagem à igreja evangélica brasileira.

Nossos dias não nos permitem perder tempo com divisões e partidarismos. A maneira como temos caminhado nesta terra, separados por visões excludentes, não tem inserido perdidos no Corpo de Cristo, mas em instituições religiosas fragmentadas por um sem-número de denominações, as quais muitas se tornaram impérios particulares ou clubes fechados de entretenimento pseudo-cristão disfarçados de igrejas. Levantamos nossas próprias bandeiras, defendemos nossos territórios e feudos. Ignoramos assim o fato de que somos (ou deveríamos ser) unidos em Cristo, lutando por uma só causa, o movimento de um só Corpo:
"Assim, há muitos membros, mas um só corpo. O olho não pode dizer à mão: 'Não preciso de você!' Nem a cabeça pode dizer aos pés: 'Não preciso de vocês!' Pelo contrário, os membros do corpo que parecem mais fracos são indispensáveis, e os membros que pensamos serem menos honrosos, tratamos com especial honra. E os membros que em nós são indecorosos são tratados com decoro especial, enquanto os que em nós são decorosos não precisam ser tratados de maneira especial. Mas Deus estruturou o corpo dando maior honra aos membros que dela tinham falta, a fim de que não haja divisão no corpo, mas, sim, que todos os membros tenham igual cuidado uns pelos outros. Quando um membro sofre, todos os outros sofrem com ele; quando um membro é honrado, todos os outros se alegram com ele. Ora, vocês são o corpo de Cristo, e cada um de vocês, individualmente, é membro desse corpo" (1 Coríntios 12:20-27).
A sentença "Não preciso de você!" está estampada em inúmeros adesivos de carros e em placas de templos, nas frases de efeito utilizadas como slogans - nelas são exaltadas nossas divisões. Por exemplo: "A igreja que ama você" (Ora, então as outras igrejas não amam?!). Também é evidenciado esse "Não preciso de você!" quando não conseguimos nos reunir em torno da causa de Cristo, seja para orarmos por cidades e governos, seja para dividirmos cargas e nos suportarmos mutuamente. Cada igreja tem de cumprir sua própria agenda (cheia, às vezes extenuante!), cada uma tem suas próprias metas e planos estratégicos de crescer (numericamente falando, em sua maioria).

Com isso, nas entrelinhas, estamos dizendo: "Por que deveríamos nos unir aos irmãos da igreja da esquina, aquela portinha aberta que mal enche seu salão nos cultos de domingo, enquanto aqui na nossa igreja já estamos com dois cultos a pleno vapor?" ou: "Por que deveríamos assumir que nossa equipe de música é péssima e que precisa de aulas e treinamento com irmãos mais capacitados daquela congregação tradicional-histórica?" ou ainda: "Por que deveríamos reconhecer que estamos perdidos em nossa missão enquanto igreja nesta terra e que precisamos imediatamente buscar ajuda de outros irmãos?" e mais: "Temos deficiências nas áreas de profecia e dons, mas não vamos pedir a ajuda de irmãos pentecostais que estão fluindo nisso" ou pior: "Não vamos nos humilhar nem nos submeter a outros, jamais! Não precisamos de ninguém! Somos independentes!"

Esses postulados são velados entre nós (e podem até soar ofensivos). Porém, como poderemos negá-los em nosso meio evangélico? Até quando vamos fingir que estas coisas não existem?

Outro ponto à deriva em um mar de soberba e dureza de coração: "Os membros que parecem mais fracos são indispensáveis". É quase utópico encontrarmos um pastor que se submeta à exortação de uma iletrada ovelha, ou um líder que assuma suas mazelas, incapacidades e temores diante da sua equipe. Vivemos dias de super-homens-pastores-bispos-missionários-apóstolos-etc-etc. Não existe sujeição mútua, tampouco a nobre ação de considerarmos os outros superiores a nós mesmos. Falta ambiente seguro para demonstrarmos quem realmente somos por dentro. Por isso não há mais confissão de pecados entre nós, pois para um crente evangélico tudo precisa estar bem, senão "tá fora da bênção" ou será destituído de seu cargo/ministério (além de ser péssimo para sua reputação).

Alia-se a isso um problema que não é novo, mas muito evidente em nossos dias: só tem voz ativa aqueles que possuem o capital, ou seja, que dão o maior dízimo. Parece que só quem prosperou tem direito de ir à frente para dar testemunho de suas posses recém-adquiridas. Mas quando foi mesmo a última vez que ouvimos testemunhos de quem está sofrendo pelo Evangelho, gastando sua própria vida por amor a Jesus?

Seria poderoso e revolucionário se vivêssemos também essas duas instruções: "que todos os membros tenham igual cuidado uns pelos outros" e também: "Quando um membro sofre, todos os outros sofrem com ele; quando um membro é honrado, todos os outros se alegram com ele". Para infelicidade nossa, contudo, não tratamos daquele que sofre. Um tapinha nas costas e um "Deus te abençoe" não saciam a fome dos que não tem pão, nem resolve o drama dos endividados, dos que sofrem no casamento, na família... Estes problemas têm sido creditados ao "devorador" ou a "crentes fracos", porque o verdadeiro crente "é próspero, é feliz, é abençoado". Quando existe algum movimento social, na maior parte das vezes a iniciativa vem de um grupo para-eclesiástico (que nunca poderá substituir a ação da igreja). Às vezes alguns irmãos bem intencionados se unem para ajudar os necessitados do bairro onde estão inseridos, mas deixam de prestar assistência a membros da própria congregação. A justiça social deveria começar com os da casa.

Quanto a se alegrar com os outros, e principalmente por causa dessa distorcida teologia da prosperidade, muitos corações têm cultivado sentimentos de competição e inveja ao verem irmãos sendo bem sucedidos e crescendo, seja qual for a área. A motivação desses está em ganhar mais e mais, tal qual o mundo. Há pessoas que carregam grande peso de frustração porque participaram da mesma "campanha de portas abertas", deram o dízimo, o "trízimo", ofertaram diariamente nos "21 dias de vitória", e não conseguiram nem um centavo de bênçãos (e seus filhos, ainda por cima, ficaram doentes). Possivelmente irão pensar: "Como me alegrarei com os irmãos se EU não ganhei nada?"

Eis o mal: nossa autossuficiência. Uma doença disseminada a partir das plataformas, da mídia, dos pregadores e cantores gospel. Uma chaga escondida sob as vestes daqueles que se dizem líderes e sacerdotes do povo de Deus. Assemelham-se a Naamã, homem valoroso, porém leproso, indignado por ter de mergulhar nas águas imundas do Jordão; logo ele, um respeitado capitão do exército do rei da Síria (2 Reis 5.1-14). Para Naamã, bastava o profeta declarar uma palavra para ser curado - ele queria do seu próprio jeito, de modo que não se humilhasse diante dos outros! Da mesma forma, nos parecemos com o rei Saul, na atitude de não esperar Samuel - ao oferecer ele mesmo o holocausto, foi rejeitado por Deus devido ao seu coração obstinado (1 Samuel 13.1-14). Os maus exemplos vêm de cima, nutridos por um sistema religioso evangélico que reforça esse coração presunçoso e essa motivação escusa de zelar sempre por uma boa reputação e daí nunca expor quem realmente somos.

Há um fator que agrava essa nossa autossuficiência: a falta de amor. A realidade corporativa da igreja está tão distante da prática diária que ficamos insensíveis às dores dos irmãos. O que aconteceu em Atos nos parece uma antiga e descabida lenda religiosa. O amor que se esfria nos últimos tempos é consequência dessa vida desconectada-um-do-outro, e principalmente de Deus. Temos congregações cheias de atividades e eventos, porém esvaziadas da vida de Deus, porque seus membros não têm profunda comunhão com Ele. Encontramos pessoas cada vez mais solitárias, perdidas na multidão, dependendo de líderes amparados pelo status, pela posição, mas tão vazios e frios quanto elas mesmas. Desta forma, a maior parte dos crentes não desenvolve a salvação, nem cresce em maturidade espiritual, apenas cumpre uma agenda litúrgica e operacional para manter uma estrutura, um sistema denominacional que fortalece hierarquias e segrega, colocando um contra o outro.

"Deus estruturou o corpo dando maior honra aos membros que dela tinham falta". Quando a honra e a exaltação são concedidas pelo Cabeça, há saúde e equilíbrio no Corpo. Disputas por posição ou cargos perdem força porque os crentes estão empenhados em servirem uns aos outros, obedecendo à direção e ao modelo de Cristo, para "que todos os membros tenham igual cuidado uns pelos outros". Isso denota um coração bem aberto para dar e receber o amor de Deus, em todas as suas formas e possibilidades, inclusive na exortação e na sujeição entre os irmãos. Isso também agride frontalmente o sistema religioso evangélico vigente, que tem desestruturado o Corpo para sustentar lideranças que pensam primeiro em si mesmas.

Precisamos de vínculos viscerais de comunhão e fé para nos ligarmos uns aos outros, inclusive com outras congregações. Só então os muitos "Ministérios" poderão se tornar de fato cooperadores da obra de Deus, contribuindo efetivamente para o estabelecimento do Reino e de seus valores, nas congregações locais e fora delas, tocando outras congregações e também a comunidade.

Precisamos rever nossos discursos. Dizemos que a graça de Deus é multiforme (e quanto mais igrejas melhor!). Defendemos que o evangelho tem crescido no Brasil (e quanto mais crentes melhor!). Mas e a qualidade, a profundidade, a relevância? Onde estão as transformações na sociedade? Como estamos em relação à oração de Jesus (leia João 17) para que fôssemos um? O mundo tem visto a glória do Pai por causa da nossa unidade e (co)missão, ou tem sido justamente o contrário?

Precisamos frear o tanto de agitação e movimento semanais com os quais nos dedicamos "em nome de Jesus" e nos colocarmos no lugar do silêncio, das orações e intercessões individuais e coletivas, para produzirmos fome e sede pela genuína presença de Deus, por Sua vontade. Que nossas ações e energias sejam canalizadas para conhecermos de fato o que está no coração do Pai para esses dias, e que nossas atividades e movimentos resultem disso!

Não é possível sermos divididos na terra e unidos no céu.

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*Sobre esse tema, leia também: Babel, linguagem e unidade.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Uma impressão sobre a cidade de São Gonçalo

Na reunião de oração de segunda-feira senti muito forte que São Gonçalo era literalmente "uma praça de ex-combatentes". Na terça de manhã cedo, fui até a tal praça para orar pela cidade, e tive algumas impressões:

(1) Senti uma certa nostalgia no ar, mas era de algo não vivido, não sei explicar bem. É como se fosse uma nostalgia tomada emprestada de outros, de uma batalha não vivida pelos gonçalenses. Talvez seja um anseio por glórias próprias, não alheias.

(2) Há uma grande placa no centro da praça com os seguintes dizeres: "Na guerra e na paz, a grandeza da nação repousa no trabalho ordeiro e fecundo do seu povo e na unidade patriótica das suas classes armadas, eternas guardiães das liberdades democráticas e da integridade pátria". São palavras bonitas, porém completamente misturadas e apagadas por pichações e grafites - Senti uma cidade sem ideais, um povo que desdenha de seus símbolos.

(3) Há diversos mastros na praça, porém sem bandeiras - Mais uma vez percebo a falta de solenidade e reverência nesta cidade pelos seus símbolos.

(4) Vi muitas pessoas de passagem: estudantes, gente indo trabalhar, até um morador de rua estava de passagem - Uma praça é historicamente um lugar de ajuntamento e mobilização, mas senti que ali, tal qual a cidade, é só um lugar de passagem, não se dá valor ao ato de permanecer (especificamente nesta praça só se ajuntam pessoas na ginástica da terceira idade e no carnaval, ou quando há alguma festa com barracas, mas são ajuntamentos vazios de causa).

(5) Ao redor da praça estão a UERJ, o CEWO, a APAE, uma igreja católica mais adiante, diversos bares, inúmeras casas na rua atrás, uma favela crescente por detrás da UERJ e do CEWO. Ao lado da praça fica a sede da Associação dos Ex-Combatentes do Brasil - secção São Gonçalo - nela havia uma faixa convidando a comunidade para o baile de sábado à noite. O lugar é estratégico, porém ignorado para um fim mais proveitoso.

(6) Há equipamentos militares em exposição: um tanque, uma hélice, uma turbina, uma âncora, um suporte com bombas - evidentemente que estão desativados.

Isto posto, fico com a impressão de uma cidade sem bandeiras (sem noção de ordem e unidade), com ideais encobertos por pichações (sem causa), cujas armas estão desativadas, emprestadas de uma guerra que este povo não viveu. Uma cidade que serve de passagem apenas. Uma cidade que não teve revoluções (como o Brasil) e que por isso não tem identidade, tampouco um senso coletivo de pertencimento.

Daí a importância de intercessores. Porque esta cidade carece de abalos, de impactos profundos em sua pacata e irrelevante rotina. São Gonçalo precisa de uma igreja que revoluciona pelo seu estilo de vida, cujas armas estão ATIVADAS e são ESPIRITUAIS, poderosas em Deus para destruir fortalezas, argumentos e toda pretensão que se levanta contra o conhecimento de Deus, levando cativo todo pensamento, para torná-lo obediente a Cristo (2 Coríntios 10.4-5). Nossas orações são o fundamento de tudo isso.

Encorajo os irmãos a se encherem de esperança e expectativa por dias de grandes abalos nas estruturas sociais e até eclesiásticas, provocados pelo poder do Espírito Santo em Sua Igreja unida, que marchará por uma causa bem definida e com sua bandeira erguida bem alto: o AMOR.

domingo, 2 de setembro de 2012

A Storm All Around You

Canção poderosa!

I see seven lamps of fire burning and I / Vejo sete lâmpadas de fogo queimando e eu
I see a sea of glass mingled with fire burning / Eu vejo um mar de vidro misturado com fogo aceso
I see the Son of man with eyes of fire burning / Eu vejo o Filho do homem com olhos de fogo queimando
Burning, burning, burning... / Queimando, queimando, queimando...

Oh oh oh oh oh oh oh oh oh oh oh oh oh oh oh oh