sábado, 31 de dezembro de 2011

A Árvore da Vida: a efemeridade de nossa existência

Luciano Motta

Não é simples falar de um filme como "A Árvore da Vida" (EUA, 2011, 139 minutos), do premiado diretor Terrence Malick. Depois de ler críticas profissionais e comentários a respeito do filme, uma palavra aparece em quase todas as resenhas: "experiência". Sim, são pouco mais de duas horas de imersão em uma experiência lúdica, um soberbo trabalho audiovisual que envolve nossos sentidos e sentimentos. Como não ser impactado pelas belíssimas imagens e a história que elas contam, sem palavras? Como não se identificar com o drama familiar exposto, com a ruptura entre pai e filho, com as crises de fé e de constituição da nossa própria existência? Não é um filme fácil, como não é a vida.

Sua narrativa não linear percorre desde a origem do mundo, passa pela era dos dinossauros, e chega até os dias atuais ou o que parece ser um futuro próximo. Porém, na maior parte do tempo, somos cúmplices do dia a dia de uma família americana típica dos anos 1950, que tem um pai rígido na criação de seus filhos e no trato com a esposa, um homem que não sabe lidar com suas próprias frustrações. As ações do pai marcam profundamente o filho mais velho - veremos esse último já adulto ainda deslocado, ainda sem encontrar um ponto de equilíbrio.

O título do filme remete à Árvore da vida que havia no meio do Jardim do Éden, conforme Gênesis 2.9 (sugiro que leia os três primeiros capítulos de Gênesis para se situar em toda a história). Adão e Eva sucumbiram ao pecado por comerem o fruto de outra Árvore: a do conhecimento do bem e do mal, proibida por Deus (Gênesis 2.17). Há correlação entre a história bíblica e o filme: Todos temos à nossa disposição um jardim tão precioso, cheio de graça, que é a própria vida, mas por causa de ações e escolhas infelizes prejudicamos a nós mesmos e também aqueles que estão à nossa volta - talvez alguns de nós ainda carreguem seus efeitos colaterais até hoje. Quantas pessoas passam anos e anos levando fardos e pesos insustentáveis, dores e feridas, como o filho mais velho do filme... E a vida passa.

Esse ponto talvez tenha sido minha maior "experiência" com o filme: a efemeridade de nossa existência.

Agora em dezembro fiquei muito mexido por dentro devido a duas fatalidades: o sobrinho de um amigo caiu de uma altura de 3 metros, batendo com a cabeça no chão e tendo afundamento do crânio. A criança mal havia completado seu 1º ano de vida. Outro fato muito triste foi a morte por câncer de um jovem senhor, cliente do escritório em que trabalho - a doença surgiu de repente e tirou-lhe a vida em pouco tempo. O homem tinha cerca de 45 anos.

E agora 2011 está se despedindo, tão rápido quanto chegou há 365 dias atrás.

A Bíblia está certa: "Nossos anos se dissiparam como um sopro. Setenta anos é o total de nossa vida, os mais fortes chegam aos oitenta. A maior parte deles, sofrimento e vaidade, porque o tempo passa depressa e desaparecemos" (Salmo 90.9-10). A vida é mesmo passageira. A mídia vende uma imagem de imortalidade ao homem, de eterna juventude, mas a verdade é que podemos partir a qualquer momento. Em "A Árvore da Vida" a família em tela sofre uma perda irreparável que abala a fé daquelas pessoas. Daí uma série de perguntas são lançadas ao expectador, questionamentos dos personagens e de todos nós. Nenhuma delas tem respostas simples. Muitas de nossas perdas não tem explicações, só mais perguntas.

A vida é mesmo um sopro, e nossa única segurança está Naquele que soprou e nos deu a vida. O salmista afirma: "Ensina-nos a contar os nossos dias para que o nosso coração alcance sabedoria" (Salmo 90:12). Quem conta os dias, não desperdiça momentos, não se entrega a discussões tolas, não perde tempo. Quem busca um coração sábio deseja soluções para dilemas, conceitos e ideias que povoam os pensamentos. A sabedoria é prática e resolve conflitos, não se deixa levar por emoções ou por feridas da alma. E toda sabedoria vem de Deus: "O temor do SENHOR é o princípio da sabedoria; bom entendimento têm todos os que cumprem os seus mandamentos; o seu louvor permanece para sempre" (Salmo 111:10). Esse "temor" não significa medo, mas uma mente focalizada no Senhor, com alinhamento e expectativa total por Seu direcionamento.

Assim, sejamos gratos a Deus pela graça de rompermos mais um ano. Enquanto nos cabe viver, que nossos olhos se voltem para a Árvore da vida, uma figura do próprio Jesus. Façamos escolhas sábias, que promovam a vontade Dele, pois Ele sabe o que é melhor. Que nossas experiências de dor e perdas nos sirvam de degraus para subirmos e crescermos em direção Àquele que pode responder a todas as nossas questões e suprir todas as nossas necessidades. Esse 2012 que começa é mais uma oportunidade que temos de encher nossos corações e mentes de fé, esperança e amor Nele, por Ele e para Ele.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

O Reino e as sementes II

Luciano Motta

Depois de meditarmos sobre a conhecida parábola do Semeador, vamos continuar nossa reflexão a respeito do modo como Jesus se apropria de um contexto de grãos e sementes para falar do Reino de Deus, desta vez na parábola do joio e do trigo, em Mateus 13:
Jesus lhes contou outra parábola, dizendo: O Reino dos céus é como um homem que semeou boa semente em seu campo. Mas enquanto todos dormiam, veio o seu inimigo e semeou o joio no meio do trigo e se foi. Quando o trigo brotou e formou espigas, o joio também apareceu. Os servos do dono do campo dirigiram-se a ele e disseram: ‘O senhor não semeou boa semente em seu campo? Então, de onde veio o joio?’ ‘Um inimigo fez isso’, respondeu ele. Os servos lhe perguntaram: ‘O senhor quer que vamos tirá-lo?’ Ele respondeu: ‘Não, porque, ao tirar o joio, vocês poderão arrancar com ele o trigo. Deixem que cresçam juntos até à colheita. Então direi aos encarregados da colheita: Juntem primeiro o joio e amarrem-no em feixes para ser queimado; depois juntem o trigo e guardem-no no meu celeiro’ (v.24-30).
Como fez na parábola do Semeador, Jesus também explicou a seus discípulos sobre esta parábola:
Então ele deixou a multidão e foi para casa. Seus discípulos aproximaram-se dele e disseram: "Explica-nos a parábola do joio no campo". Ele respondeu: "Aquele que semeou a boa semente é o Filho do homem. O campo é o mundo, e a boa semente são os filhos do Reino. O joio são os filhos do Maligno, e o inimigo que o semeia é o diabo. A colheita é o fim desta era, e os encarregados da colheita são anjos. Assim como o joio é colhido e queimado no fogo, assim também acontecerá no fim desta era. O Filho do homem enviará os seus anjos, e eles tirarão do seu Reino tudo o que faz tropeçar e todos os que praticam o mal. Eles os lançarão na fornalha ardente, onde haverá choro e ranger de dentes. Então os justos brilharão como o sol no Reino do seu Pai. Aquele que tem ouvidos, ouça" (v.36-43).
O joio é uma planta de sementes tóxicas, que brota em meio a outras plantas de qualidade. Suas sementes assemelham-se aos grãos de trigo quando maduras, assim como suas folhas e aparência exterior. A ingestão das sementes do joio causa náuseas, vômitos e distúrbios neurológicos, como cefaléia, tonturas, vertigens, sonolência, convulsões e distúrbios visuais.

Por sua vez, o trigo dispensa maiores apresentações: suas sementes são matérias-primas de muitos alimentos básicos, como a farinha, ricas em nutrientes. O trigo é uma das maiores culturas de cereais do mundo, força econômica de muitos países.

Não por acaso, Jesus situa o Reino justamente nessa "guerra de culturas": joio e trigo, ímpios e justos, mal e bem, morte e vida. Aquele que semeia é o próprio Jesus, tanto na parábola do Semeador quanto nesta do joio e do trigo. Se na primeira o inimigo vinha e roubava a semente antes que esta germinasse, tal qual uma ave destruidora de sementes, nesta segunda parábola há uma mudança de estratégia: o diabo adentra o campo e semeia de suas próprias maldades sobre os corações humanos. E o faz de modo dissimulado, oculto: "enquanto todos dormiam" - aqui outra vez Jesus enfatiza a necessidade de vigilância.

Também salta aos olhos a resposta do dono do campo quando questionado sobre a remoção do joio: "vocês poderão arrancar com ele o trigo". Isso aponta para a semelhança exterior entre o joio e o trigo, e a preocupação do Semeador (Jesus) em preservar os justos, aqueles que acolheram a boa semente em seus corações e nasceram para a nova vida em Cristo.

Vivemos dias de valorização da aparência. É forte a noção de que precisamos parecer felizes, completos, realizados. A mídia, o marketing, a força das celebridades só alimentam esse ideal. Se antes havia um grande embate entre o SER e o TER, agora se insere um novo elemento: o PARECER. Obviamente sempre existiu fingimento, falsidade, hipocrisia. Só que nas últimas décadas vimos crescer o fake em seus muitos aspectos e modalidades, tais como a reprodução em massa de bens e obras artísticas, a falsificação de mercadorias, a pirataria, a mentalidade copy-and-paste da informática, o download ilegal, o ambiente virtual e simulado. As influências negativas dessa "cultura da aparência" recaem sobre nossas ações e auto-imagem criada por nós mesmos, principalmente na internet e nas redes sociais: queremos que as pessoas vejam nossas fotos em nossos melhores momentos, queremos que leiam o que publicamos em blogs e sites de relacionamento, queremos que nos vinculem a uma boa reputação - ainda que todas essas coisas não sejam reais em nossas "vidas reais", basta que "pareçam" reais.

Assim, se satanás não consegue destruir a Boa Semente (conforme lemos nos Evangelhos, no livro de Atos e nas epístolas), então ele procura espalhar o que tem de pior: a mentira. E toda boa mentira tem aparência de verdade. Ninguém em sã consciência aceitaria uma nota de 30 reais ou uma moeda de 3 reais, simplesmente porque elas não existem.

A mentira está enraizada principalmente na prática religiosa desprovida da natureza de Deus, como podemos constatar nas palavras de Jesus dirigidas aos hipócritas fariseus em João 8.42-45: "Se Deus fosse o Pai de vocês, vocês me amariam, pois eu vim de Deus e agora estou aqui. Eu não vim por mim mesmo, mas ele me enviou. Por que a minha linguagem não é clara para vocês? Porque são incapazes de ouvir o que eu digo. Vocês pertencem ao pai de vocês, o diabo, e querem realizar o desejo dele. Ele foi homicida desde o princípio e não se apegou à verdade, pois não há verdade nele. Quando mente, fala a sua própria língua, pois é mentiroso e pai da mentira. No entanto, vocês não crêem em mim, porque lhes digo a verdade!"

Outra passagem que expõe e denuncia o joio está em 2 Timóteo 3.1-9: "Saiba disto: nos últimos dias sobrevirão tempos terríveis. Os homens serão egoístas, avarentos, presunçosos, arrogantes, blasfemos, desobedientes aos pais, ingratos, ímpios, sem amor pela família, irreconciliáveis, caluniadores, sem domínio próprio, cruéis, inimigos do bem, traidores, precipitados, soberbos, mais amantes dos prazeres do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando o seu poder. Afaste-se também destes. [...] estão sempre aprendendo, mas não conseguem nunca de chegar ao conhecimento da verdade. Como Janes e Jambres se opuseram a Moisés, esses também resistem à verdade. A mente deles é depravada; são reprovados na fé. Não irão longe, porém; como no caso daqueles, a sua insensatez se tornará evidente a todos".

O joio cresce ao lado do trigo, e tão junto dele, e tão semelhante a ele, que Jesus nos adverte existir um momento adequado quando finalmente haverá uma separação entre eles: a colheita do grande e temível dia do Senhor, quando Jesus voltará e irá instaurar a plenitude do Seu Reino. Até lá, vemos pelas Escrituras que é necessário que justos cresçam sob circunstâncias adversas, ora sofrendo perseguições e injúrias, ora sendo sufocados e feridos pelas ações más de ímpios. Isso faz parte do processo de crescimento. E é justamente sob essas circunstâncias de provação e de cruz que nossa fé é lapidada, nossas convicções são testadas, nosso testemunho é evidenciado.

Ora, se o Evangelho do Reino não escapa de crescer rodeado por ervas daninhas, a qualidade da Boa Semente produzida pelos justos há de fazer a grande diferença: fruto do Espírito, caráter, mente de Cristo, enfim, essas e outras evidências intrínsecas aos legítimos filhos de Deus, que zelam pela santificação e buscam a semelhança do Filho Jesus. Como diz a Palavra: "todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são os eleitos, segundo os seus desígnios" (Romanos 8.28). Ainda que seja preciso esperar um tempo futuro para a separação definitiva entre o joio e o trigo, e ainda que o crescimento dos justos se dê muitas vezes pela convivência com as tribulações geradas pelos ímpios, sempre existiu e sempre existirá uma distinção entre as sementes, ou seja, entre o que cada um produz em sua vida.

Portanto, se em muitos momentos na história pareceu que o joio conseguiria sufocar definitivamente a Boa Semente, como nos obscuros anos da Idade Média e mesmo agora neste tempo de acelerada derrocada da Modernidade, seguramente chegará o tempo - e está próximo - em que os filhos das trevas, os enganadores e os dissimulados serão consumidos pela Justiça Daquele que virá em um cavalo branco ao encontro de Sua Igreja Fiel e Verdadeira, tal qual Ele é, brilhando como o sol em todo seu resplendor.

Uma pergunta final: você é joio ou trigo?

"Aquele que tem ouvidos para ouvir, ouça!"

sábado, 24 de dezembro de 2011

Uma mensagem de Natal (não muito convencional)

Luciano Motta

Falar do menino Jesus na mangedoura ao lado de Maria e José, junto de pastores e reis magos, e os bichinhos da estrebaria, enfim, escrever uma mensagem de Natal enfocando esses personagens me parece repetir uma história desgastada, batida, quase comparada ao mito de Papai Noel (só falta o McDonald's lançar uma coleção de Jesus e seus amigos no McLanche Feliz para associá-los ainda mais às fábulas fantasiosas, como personagens de desenho da Pixar). Não tenho dúvidas de que muitas crianças hoje estão mais preocupadas com os brinquedos que irão ganhar do que em homenagear alguém que só é lembrado nessa época do ano, e também quando alguma coisa não dá certo (ai, Jesus!).

Embora seja mesmo possível que alguém não saiba a respeito da história do nascimento de Jesus (se for o seu caso, vale a pena conhecê-la no Evangelho de Lucas), volto-me para aqueles que já a conhecem, sejam crentes ou não. Gostaria que pensássemos nesse Natal sobre o que diz Romanos 6.11: "Assim, também, considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus". Aqui o pronome "assim" significa "da mesma maneira". No contexto dessa palavra, se refere ao fato de Jesus ter vencido a morte e o pecado de uma vez por todas, por causa de sua vida para Deus, de sua obediência ao Pai. Como Jesus venceu a morte e viveu para Deus, nós também podemos - e devemos! - fazer o mesmo. Diz a Palavra que "por uma só transgressão veio o julgamento sobre todos os homens para a condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação que produz vida" (Romanos 5.18). De Adão descendeu uma linhagem de pecado e morte. De Jesus Cristo, e posteriormente de todos os que creram e creem Nele, descende uma linhagem de justiça, integridade, verdade, vida!

Se existe um presente para darmos a Jesus por ocasião de seu nascimento, certamente é a nossa própria vida. Pois Ele veio ao mundo, nasceu, viveu, morreu e ressuscitou por nós. Ele fez tudo por nós. Retribuirmos com nossas próprias vidas é o mínimo que podemos fazer. Isso implica dignificarmos o sacrifício do Cordeiro Jesus por nós ao morrermos diariamente para o pecado e vivermos para Deus, por Sua causa, para cumprirmos Sua vontade nessa terra, até que Jesus venha e estabeleça o Seu Reino.

Esse não é um ideal muito perseguido, inclusive em várias igrejas que se dizem cristãs. As pessoas tem seguido seus próprios projetos: casam, divorciam-se, constroem, destroem, estudam para exclusivamente ganharem mais dinheiro e poderem comprar mais, e mais, e mais... Será que em algum momento irão parar e pensar no quanto estão desperdiçando suas vidas, lutando por coisas fúteis e passageiras?

Em um Natal cada vez mais dado ao consumo, à troca de presentes e à uma paz sem o Príncipe da Paz, espero que esta mensagem faça você e eu meditarmos e mudarmos nossa maneira de pensar e de agir. Sejamos, portanto, o maior presente que Jesus gostaria de receber: nossas vidas dedicadas a Ele, em ardente expectativa pela Sua volta. Acredito que isso fará mais sentido e produzirá mais vida do que nos reunirmos em torno de um presépio ou de uma árvore com luzes piscantes. Até porque Jesus não é mais aquele bebê na mangedoura - Ele vem, como Leão, para reinar!

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Jejum pelo Noivo

Mensagem de Angelo Bazzo

Um clamor apaixonado pela volta de Jesus, por meio de uma identidade bem definida Nele. Uma abordagem totalmente alinhada à vontade do Pai para os últimos dias. Separe uma hora e meia, assista com atenção e permita que seu coração seja inflamado por esta mensagem. Maranata!

Parte 1



Parte 2

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

O princípio do Reino

Por Ronaldo Vicente, do blog  Lágrimas por Tua Causa.

{ Outra reflexão do irmão Zé Ronaldo. É um texto longo, sim, mas vale a pena toda a leitura, meditando em cada palavra e aplicação com calma e quietude. Como venho enfatizando o Reino de Deus nos últimos posts aqui do blog, entendo como é pertinente essa reflexão. Que possamos compreender e discernir o tempo e a época em que vivemos, a fim de não nos precipitarmos ante as promessas de Deus. }

Abrão: Sair da Terra, da Parentela e da casa do Pai.

A ordem do Senhor dita a Abrão vem acompanhada de três aspectos aparentemente iguais, mas na realidade são direcionados em sentidos diferentes. Vamos pesquisar melhor para termos uma compreensão mais clara dessas ordens.

Gn.12:1-3"Ora, o Senhor disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. Eu farei de ti uma grande nação; abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome; e tu, sê uma bênção. Abençoarei aos que te abençoarem, e amaldiçoarei àqueles que te amaldiçoar; e em ti serão benditas todas as famílias da terra".

Como vimos no texto de Gênesis, a primeira atitude deste homem foi sair do contexto que vivia a setenta e cinco anos. É fato que Abrão já estava acostumado, seguro, tranqüilo e o pior, acomodado com sua vida. Nessa situação o Senhor o chama para uma conduta totalmente radical, sair e obedecer a uma voz que lhe direciona para abandonar toda estrutura de vida que há anos trabalhou, para ir por um caminho sem noção alguma, pois o Senhor não disse a princípio onde era a terra prometida.

Vejamos algo que pode nos dar um melhor entendimento: Abrão sai da sua terra como casal e não como família, pois Sarai era estéril (olhando apenas as duas figuras, não contando Ló e nem seu pai Tera). Não havia ainda uma figura representativa da união dos dois, para iniciar uma promessa vindoura. O interessante é ver que o Senhor diz a Abrão para sair do contexto que vivia, e depois promete uma segunda etapa do seu plano.

O que desejo enfatizar com esta questão é que o Senhor não quis iniciar pelo filho, mas pelo futuro pai no contexto em que estava vivendo. Para Deus tomar este caminho, podemos compreender que a forma em que Abrão vivia não permitia fundamento, ou base para uma inicialização do plano vindouro. O que deveria ocorrer em sua vida era abandonar todo este contexto, para viver um novo, conforme o Senhor estava dirigindo, vejamos:

Josué 24:2“Disse então Josué a todo o povo: assim diz o Senhor Deus de Israel: Além do Rio habitaram antigamente vossos pais, Terá, pai de Abraão e de Naor; e serviram a outros deuses. Eu, porém, tomei a vosso pai Abraão além do Rio, e o conduzi por toda terra de Canaã; também multipliquei a sua descendência, e dei-lhe Isaque”.

 Josué dirigido pelo Senhor reúne todo o povo além do Jordão, para lembrar como o Senhor iniciou o que eles estavam vivendo. Note que o texto revela Abrão com outros deuses, este era seu contexto, pois estava vivendo numa terra que não agradara ao Senhor. Abrão vivia como seu pai, e possivelmente teria o mesmo fim se não fosse o Senhor. Mas houve nesse tempo uma intervenção na vida de Abrão para um plano que envolveria toda a raça humana. Deus tira este homem da terra de seus pais, terra inapropriada para o plano vindouro, e o conduz numa caminhada dirigida por Ele, rumo a uma terra apropriada além do rio concluindo sua promessa.

Então podemos concluir que o primeiro passo de Abrão foi decisivo para o que Deus tinha em mente. Sair da terra onde estava para criar um contexto, uma vida, uma dependência total para receber uma criação que seria o canal para o plano do Senhor.

Abrão tinha setenta e cinco anos. Nestes anos é óbvio que ele viveu segundo o que aprendeu com seus pais, com sua terra, com sua cultura e com as próprias lutas diárias da vida. Então é fácil assegurar que em setenta e cinco anos, Abrão viveu segundo ele mesmo. E este segundo ele mesmo, não agradara ao Senhor, pois a primeira ordem de Deus é para que saia daquele lugar. Por quê? O que significa isto? A terra era a forma que vivia e sobrevivia segundo a sua cultura. Era a dependência da própria força e das próprias idéias, para manter seu próprio sustento. A individualidade, a concorrência, a sobrevivência, a lei do mais forte, o domínio cultural e a forma de viver, falando e transmitindo aos próprios descendentes. Esta forma que Abrão estava não colaborava para o plano que o Senhor desejava para todos.

Sair da parentela

Observe o Senhor enfatizar para Abrão outro item, dentro da primeira ordem que é de total importância, “sair da parentela”. Este homem estava em contato com pessoas que viviam num ambiente e numa forma de vida cômoda. Quando famílias passam a estarem juntas, elas tomam por si próprias a postura de criar uma forma de vida com preceitos, normas e princípios. Tornam-se preocupados apenas no seu bem estar, isto é normal, todo o homem tem esta natureza.

Com o tempo, estes preceitos tornam-se tão valorosos, que passam a ser leis mortais de causas jamais violadas. Princípios que pela lógica, devem ser mantidos por uma eterna descendência, valorizando nomes carnais, posturas criadas às vezes por mentes corrompidas e atitudes individualistas, que visam apenas o próprio manter familiar.

Sua parentela representa pessoas que estão mais preocupadas em manter a prioridade numa descendência, do que preocupadas se estão vivendo corretamente perante o Altíssimo. O que Abrão poderia dizer contra estas questões? Ele estava neste contexto, mas não poderia ir contra, pois esses preceitos estavam em sua mente. Obviamente que se tivesse um filho neste ambiente, sua postura seria manter estes princípios familiares.

Mas não o recebeu graças ao Senhor, pois a esterilidade de Sarai não era à toa. A mão do Senhor estava segurando para o tempo certo. A madre de Sarai é aberta na peregrinação de Abrão, após anos longe de sua parentela. Anos que fizeram Abrão ter novos princípios voltados ao propósito que o Senhor havia chamado.

Sair da casa do pai

Também há uma terceira ordem, sair da casa do seu pai. Este último seria o mais importante. Vejamos o exemplo da união entre duas pessoas que se tornam uma, passando a estar em concordância com o Senhor. Há união representa uma nova direção da vontade que Deus deseja implantar para o casal, sobre princípios na sua futura família, sem a interferência humana. Para isto o casal deve estar ligado ao Senhor, ouvindo e passando por novas etapas na vida, sendo orientados e criando um fundamento na base da vontade de Deus.

Então levantamos uma questão: Como Deus poderia trazer este novo para Abrão, se ele ainda estava ligado em seus pais? A ordem do Senhor para Abrão não era abandonar seus pais carnais, numa compreensão de negligenciá-los. Mas era dar um basta na ligação e interferência que seus pais inconscientemente exerciam sobre sua vida.

Deus tinha algo novo para o homem, e este novo não poderia ter a interferência da raça humana. O cordão paterno tinha de ser cortado e ligado com a direção divina, para a continuação de uma genealogia que imperasse a vontade direta do Senhor. O plano de Deus para Abrão era formar não apenas homens convencidos em mentes, sobre as verdades das boas novas, mas o sonho do Senhor para as nações era criar pais carnais com figuras representadas do próprio Deus, para que a nova geração soubesse em quem se espelhar, deixando de lado qualquer princípio humano.

Estes foram os três primeiros passos da primeira ordem que o Senhor deu a Abrão. É tão relevante ressaltar que em Abrão está o inicio de algo perdido no Éden. Se voltarmos, iremos ver como Deus vinha ter comunhão com Adão (Gn.3:8).

Esta comunhão foi interrompida porque o homem desejou seguir suas idéias sem a intervenção divina. Adão perdeu a direção do Senhor em sua vida por causa do pecado, que passou a ser um instrumento invasor na vida do homem, mantendo uma dura parede para a comunhão pessoal com Deus.

Com isto podemos analisar um maior estrago, que foi à desfiguração do primeiro homem como imagem de Deus, em vida e em família. O homem se tornou numa figura caída e dominada pelos desejos carnais apresentado ao mundo. Posteriormente tornou-se figura exemplar para os futuros filhos se espelharem, criando por si próprio uma descendência caída sem a imagem de Deus. Esta era a herança de Abrão, vinda pelos pais e que o mantinha aprisionado a viver um seguimento fora da vontade divina.

Novamente enfatizo a ordem do Senhor: Saia da tua terra Abrão, saia da tua parentela e da casa de teu pai. Para que? Para sair desta desfiguração, que veio como carga de longos anos trazidos pelas famílias, de gerações em gerações. A ordem do Senhor não estava apenas vinculada ao material, ao palpável, ao que podemos ver ou sentir. Mas estavam centradas numa obra criada em perfeição (homem) que estava imperfeita (por causa do pecado) que vinha acompanhando pais, filhos, famílias, idéias, educação, aprendizado, postura, conduta, criação de culturas, formas de viver, princípios originais, normas exemplares, leis em povos e reinos futuros.

Deus não só estava restringindo seu plano a uma determinada classe ou a um determinado povo. Ele estava tirando uma imagem caída de forma visível, Abrão, e levando-o para fora deste círculo, para com sua própria natureza o educar, preparando-o segundo sua vontade, para abrir caminho e firmar uma terra aonde pudesse estar preparada para seu plano vindouro.

O que nós podemos ver com todo este plano, é que o novo viria a Abrão, a partir do momento que ele abandonasse literalmente o “velho”, herdado por esta linhagem decaída. Quando Abrão assume a postura de deixar o que há setenta e cinco anos se acostumara a fazer e a viver, para tornar-se dependente total do Senhor e seguir suas vontades, o novo de Deus passa a ser iniciado em sua vida, para começar a se abrir para todas as nações. Só a partir deste posicionamento, é que Deus começa a atuar na vida de Abrão.

A promessa do filho só vem após sair da terra

Gn.12:1-3“Ora, o Senhor disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. Eu farei de ti uma grande nação; abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome; e tu, sê uma bênção.Abençoarei aos que te abençoarem, e amaldiçoarei àqueles que te amaldiçoar; e em ti serão benditas todas as famílias da terra”. 

Atualmente nós queremos o novo sem sair do velho. Queremos que a madre abra para termos o filho da promessa neste contexto que vivemos. Pense comigo: Porque o Senhor só abre a madre de Sarai depois que eles saem da terra? Como analisamos o lugar e a própria vida de Abrão, não estavam apropriados para receber um filho que seria canal desta promessa.

Obviamente que se recebessem o filho, algo de errado iria acontecer. Pois suas vidas não estavam preparadas para educar este filho em ser um futuro canal para todas as famílias da terra.

Nós (igreja) queremos o filho para discipliná-lo com a mente nojenta que herdamos de nossos pais. Cremos estar certos para educar o “Isaque”, mas precisamos entender que para o Senhor liberar a madre, temos que sair do velho contexto, da velha terra. O Senhor não vai abrir a madre, porque Ele sabe que estamos vivendo num contexto aonde seus planos não podem ser concluídos, pois ainda vivemos por aquilo que desejamos, queremos causas que irão beneficiar a nós mesmos ou ao nosso convívio. Oramos por nós, e por aqueles que estão ligados a nós. Exaltamos nossas idéias como vindas do trono de Deus. Somos tribos dentro de um reino, e o pior, tribos que seguem sem um Senhor comandando, porque nos achamos capazes de criar ou ditar regras para O servirmos melhor.

Então eu pergunto: Como o Senhor pode liberar a madre se ainda estamos vivendo e tendo uma vida como esta? Uma vida estagnada na terra que herdamos dos nossos pais, e que não queremos de maneira alguma sair. Esta é a verdade que opera na nossa Igreja atual. Queremos o Isaque, o filho da promessa, mas não queremos sair da terra onde estamos acostumados a viver. Onde já estamos estruturados, convictos com a obra, sem importar se estamos no verdadeiro fundamento posto por Cristo.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Atraídos para Deus

Luciano Motta

{ Ainda sob o impacto das palavras ministradas nos dias 27 e 28/11/11 pelos irmãos Zé Ronaldo e Angelo Bazzo, quero compartilhar esta pequena reflexão que creio ser uma mensagem para a Igreja de Cristo hoje e o que Ele vai fazer nos próximos anos. }

O livro de Oséias é um dos mais fortes da Bíblia. Em suma, mostra a história de um profeta que se casa com uma prostituta, que tem filhos com ela e que é traído por ela. Mas Deus ordena ao profeta que se case novamente com aquela mulher e que a ame novamente. A prostituta representa Israel, a preferida de Deus, sempre envolvida com seus muitos amantes, seus ídolos e pecados. Israel é também um símbolo da Igreja, da Noiva de Cristo.

Assim, precisamos reconhecer, constrangidos, que agimos da mesma maneira que Israel. Temos também nossos amantes. Idolatramos o dinheiro, os bens materiais, o entretenimento, a busca pela felicidade, por uma vida abençoada, vitoriosa. Deixamos o Noivo de lado, o repudiamos, o traímos.

É por causa do amor e das misericórdias de Deus que não somos consumidos. Ele não desiste de nós, apesar de nossas transgressões. Deus mesmo diz como nos conquistará:

"Portanto, eis que eu a atrairei, e a levarei para o deserto, e lhe falarei ao coração" (Oséias 2:14).

* Atrairei = seduzir
* Levarei = tomar nos braços e carregar no colo
* Falarei = dizer tudo o que está no coração e/ou cantar para a amada


Estão chegando dias em que a Igreja será atraída de tal forma para Deus que não mais desejará outras coisas em troca. A Noiva abandonará seus amantes e se deleitará exclusivamente Nele. Será levada para o deserto, um lugar desprovido de tudo, exceto pela presença Dele. Nesse lugar, ouvirá diretamente do Seu coração, ouvirá canções que ninguém antes ouviu.

Por estas palavras, é impossível não pensar em João Batista, o maior dos profetas segundo Jesus. Levado ao deserto, João preparou o caminho da primeira vinda de Cristo. Em paralelo, se levantará uma geração de cristãos atraída, conduzida e capacitada no deserto para preparar o caminho da segunda vinda.

O quanto estamos atraídos para Deus? Realmente devotamos a Ele - e somente a Ele - o nosso amor ou ainda temos amantes? Deus não quer mais visitações (avivamentos), Ele quer habitar aqui na pessoa de Jesus Cristo (Reino). Ansiamos mesmo pelo Reino de Deus ou no íntimo queremos que demore mais um pouco para desfrutarmos das coisas desse mundo?

Faz alguns anos, na madrugada de 18 para 19/06/2005, escrevi a canção abaixo, chamada "Atraído" - uma resposta ao clamor de Deus no livro de Oséias. Que estas palavras sejam legítimas em nossas vidas! Que Cristo veja em nós devoção total a Ele:

Voltarei para Ti, Senhor.      Oséias 14.1
Por cordas de amor sou atraído. Oséias 11.4
Perdoa os meus pecados   Oséias 14.2
E sem impedimentos, Te adorarei!

Quero ser um vaso que Te dê prazer    Oséias 8.8
E que o meu amor por Ti cresça a cada amanhecer!      Oséias 6.4
Fala ao meu coração,           Oséias 2.14
Dá-me da Tua porção          Oséias 2.15
E viverei...

Eu irei ao Teu encontro, Senhor! Oséias 6.1
Prosseguirei em Te conhecer      Oséias 6.3
E sobre mim se derramará
A Tua presença!

Estou indo ao Teu encontro...
Derrama a Tua presença!
Atraído sou por Ti...
Derrama a Tua presença!