sábado, 22 de dezembro de 2012

Canto Livre: Cursos de Férias

Estamos abrindo novas turmas, com preços promocionais para os meses de Janeiro e Fevereiro de 2013. Aproveite o tempo de férias para desenvolver e aperfeiçoar suas habilidades musicais, nas seguintes áreas:

AULAS DE CANTO

A professora é Ana Cristina, formada pelo Instituto Villa Lobos/RJ, onde estudou teoria e percepção musical, harmonia funcional e canto, dentre outras disciplinas, além de participar em importantes workshops de técnica vocal e regência. Aulas individuais e em turmas com até 5 alunos.
AULAS DE TECLADO

O professor é Luciano Motta. Estudou por dois anos e meio no Seminário Teológico Batista de Niterói, onde recebeu formação teológica e musical. Estudou teoria e percepção musical, harmonia funcional, técnica vocal e regência. Aplicação na área de louvor.

INTENSIVO DE HARMONIA VOCAL

Aula única em um sábado, de 9:00 às 17:00 horas, com intervalo de 1 hora para almoço (não-incluso). Temas: Percepção, Conceitos básicos de teoria musical, Estrutura de acordes, Campo harmônico maior e Arranjo vocal.



Divulgue com seus amigos, monte uma nova turma de canto com 5 alunos e tenha um desconto muito especial. Monte uma turma de harmonia vocal na sua igreja com 10 alunos e ganhe uma superpromoção.

Maiores informações sobre preços e horários em Canto Livre Música e também no telefone (21) 2724-0655.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

A Família no Período da Igreja

Por Pedro Arruda | Artigo da Revista Impacto, Edição 73

Convencionalmente, dá-se como o início da Igreja o dia da primeira Festa de Pentecostes posterior à ressurreição de Jesus. Naquela ocasião, o Espírito Santo explicou, por intermédio de Pedro, que a profecia estava-se cumprindo: “Mas isto é o que foi dito pelo profeta Joel: E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne; e os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, os vossos jovens terão visões, e os vossos velhos terão sonhos; e também do meu Espírito derramarei sobre os meus servos e as minhas servas, naqueles dias, e profetizarão; e farei aparecer prodígios em cima no céu e sinais em baixo na terra: sangue, fogo e vapor de fumaça. O sol se converterá em trevas, e a lua, em sangue, antes de chegar o grande e glorioso dia do Senhor; e acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (At 2.16-21).

Duas características do tempo da Igreja

Observando com atenção, nota-se que esse texto não se refere apenas ao início da Igreja, mas a todo o período de sua existência (denominado últimos dias), que só se encerrará com a volta de Cristo – o glorioso dia do Senhor! Assim sendo, a ocorrência do derramamento do Espírito não se limitaria ao ato inaugural apenas. Seria, pelo contrário, uma característica desse período, como se pode ver já nos primeiros anos registrados no livro de Atos. Houve recorrências da vinda do Espírito em várias ocasiões, sempre ligadas ao início da presença da igreja numa localidade ou à introdução de alguém para fazer parte dela. Portanto, o batismo no Espírito Santo e a decorrente manifestação dos dons nunca teriam sido uma novidade em épocas posteriores se a Igreja tivesse prosseguido em seu curso normal.

Entretanto, não foi apenas essa característica, citada na passagem de Joel, que a Igreja perdeu ao longo de sua história. Com o devido cuidado para não alterar o conteúdo da profecia, poderíamos parafraseá-la da seguinte maneira: “Pais, vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos jovens terão visões e vossos velhos terão sonhos; e, também, do meu Espírito derramarei sobre meus servos e minhas servas naqueles dias, e profetizarão…”. Observando os termos grifados nessa paráfrase, podemos notar que o contexto claro é de família, começando pelo núcleo (filhos e filhas) e estendendo-se a toda a casa patriarcal, na qual se incluíam outros agregados por diversos motivos: jovens, velhos (avós) e serviçais.

Se não reduzirmos esse texto apenas ao evento de inauguração, mas o entendermos como uma descrição da ação do Espírito Santo durante todo o período da Igreja, concluiremos que a família foi projetada como a principal receptora dessa graça e, consequentemente, como a transmissora dela. Infelizmente, com o passar do tempo, a Igreja foi abandonando essas duas características – a manifestação do Espírito Santo dentro da estrutura fundamental da família – até, finalmente, relegá-las ao evento inaugural.

De acordo com o desígnio de Deus, então, o período da Igreja seria marcado em toda a sua extensão pelo derramamento do Espírito Santo, fazendo cumprir inúmeras promessas do Antigo Testamento e capacitando o homem a praticar o Evangelho. Foi sobre isso que profetizaram Jeremias e Ezequiel muito antes quando disseram que o Espírito de Deus seria colocado no interior de cada pessoa e que seria feita uma troca do coração do homem. No lugar do coração de pedra, haveria um novo coração de carne com a lei escrita nele de tal forma que todos os homens, tornando-se obedientes, agiriam como se tivessem um só coração. Tudo isso é o que foi prometido para o tempo do Espírito ou da Igreja, que é a era atual.

No entanto, a profecia de Joel não fala apenas sobre o Espírito Santo, mas inclui, também, a família e, por isso, foi ela a escolhida para ser a voz profética (profetizar, ter visões, etc.) no dia de Pentecostes. É por meio dessa ação do Espírito dentro da família que se dará o cumprimento da promessa feita a Abrão de abençoar, por sua descendência, todas as famílias da Terra. Com a Igreja, inaugura-se um novo estilo de vida para as famílias que desejam inserir-se na bênção de Abraão.

Em seu momento inicial – nos primeiros 150 anos de sua história –, a igreja se reunia nos lares, não por motivos de doutrina ou estrutura, mas porque as pessoas tinham prazer de estar juntas para compartilhar o que mais tinham em comum: a vida de Jesus em cada uma delas. Ao que tudo indica, essa espontaneidade foi aos poucos sendo ofuscada por aspectos litúrgicos e, durante os 150 anos seguintes, algumas residências foram desocupadas pelas famílias cristãs que antes hospedavam as reuniões para abrir mais espaço e, assim, tornar-se o local oficial em que a comunidade se encontrava para o serviço religioso. Com isso, a motivação para reunir-se foi migrando do estilo de vida familiar para um padrão cada vez mais litúrgico. A família ficava progressivamente menos evidente e mais dispensável.

Passados pouco mais de 300 anos depois daquele dia de Pentecostes inaugural, a Igreja começa a construir suas primeiras basílicas – edifícios projetados para a realização da liturgia do serviço religioso. Como esse movimento foi feito de maneira muito lenta de uma geração à outra, as pessoas não tinham consciência das mudanças que estavam em curso. O que estava ocorrendo, porém, era que, à medida que a igreja afastava-se da família e da espontaneidade, ela também se afastava da experiência pentecostal.

Terminologia da Igreja – terminologia da família

Observando o livro de Atos dos Apóstolos, vemos que a terminologia empregada para explicar o relacionamento entre os cristãos foi emprestada do contexto familiar. Como todos se viam dentro de uma grande família, filhos de um mesmo Pai, tendo Jesus Cristo como irmão mais velho, era natural que se considerassem irmãos e que usassem esse termo para referir-se uns aos outros. Aqueles que se destacavam eram chamados de anciãos ou presbíteros, por exercer certa paternidade junto à comunidade que consideravam como sua família ampliada. Daí surgirem termos como patriarca, padre e papa que se assemelham a pai ou papai.

Vincent Branick lembra que Paulo usa os termos adelphos (irmãos) e adelphe (irmã) 119 vezes para referir-se aos membros da igreja. Para as comunidades, descreve a si mesmo como pai (1 Ts 2.11, 1 Co 4.14-15) e como mãe grávida (Gl 4.19; 1 Ts 2.7), e considera Onésimo e Timóteo como filhos (Fm 10; Fp 2.22). Inúmeras vezes, usa palavras derivadas de oikos, que designa casa em grego: edificar (oikodome) a comunidade (1 Ts 5.11; 1 Co 8.1-10; 10.23; 14.3-5,12,17,26; Rm 14.19; 15.2); família (oikenoi) na fé (Gl 6.10); ser administrador (oikonomos) dos mistérios de Deus, empenhado na administração (oikonomia) do Evangelho (1 Co 4.1-2). Todos esses termos foram tomados da área de negócios da família.

Foi considerável o apoio operacional que as famílias deram às missões no período apostólico, compatível com a hospitalidade ensinada por Jesus. Por certo, a migração de um cristão com sua família, por qualquer motivo, também significava uma prática missionária. Houve muitos lugares aos quais o cristianismo chegou por meio de famílias de cristãos anônimos, antes dos missionários, incumbidos dessa tarefa como atividade principal. Um exemplo disso foi a disseminação do cristianismo para vários lugares como consequência da perseguição sofrida pela igreja em Jerusalém, ainda no primeiro século.

Portanto, a igreja abrigava-se dentro da instituição familiar, determinando o estilo de vida de tais famílias. A primeira divisão da Igreja ocorreu, na verdade, quando ela se emancipou da família para constituir-se numa instituição própria. Inconscientemente, passou a concorrer com a família, causando um dilema aos cristãos que, muitas vezes, tinham de optar entre uma e outra instituição, considerando aqueles que faziam a opção pela família como inferiores aos chamados vocacionados, que priorizavam a instituição eclesiástica.

Gosto muito da comparação entre ostras e famílias. Existem muitas ostras, mas nem todas contêm pérolas; da mesma forma, somente algumas famílias recebem o Evangelho e abrigam a igreja em seu seio. Toda família é um vaso, mas aquelas que abrigam a igreja são vasos com flores. A família foi criada para receber a igreja. Assim como houve uma família constituída por Deus para receber Jesus, o Cordeiro morto antes da fundação do mundo, em sua encarnação, podemos dizer que há famílias hoje que foram chamadas e constituídas para receber e abrigar o Espírito Santo, para se tornarem a igreja dos últimos dias.

A pregação de Pedro naquele dia de Pentecostes não pode ser considerada apenas um discurso que fazia parte do show de inauguração; pelo contrário, era um alerta anunciando que dali em diante, e até a volta de Cristo, as coisas seriam desta forma: o Espírito Santo seria continuamente derramado como um vinho novo a ser recebido pelas famílias na condição de odres novos.

Não tivesse a Igreja se afastado da família e dos carismas espirituais, teríamos um cenário diferente do cristianismo nos dias de hoje, bem parecido com o da primeira igreja apostólica.

Contudo, o período dos últimos dias ainda não se findou – há tempo de voltarmos ao propósito original!

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Mudando o visual

Estamos chegando ao final de mais um ano. Época de reavaliações, renovações de votos, projeções para o futuro. Aproveito para dar uma repaginada aqui no Blog. O conteúdo, é claro, permanece inalterado.

Estou muito atarefado com monografias e meu projeto de dissertação do mestrado. Confesso que talvez não consiga escrever muito por aqui nas próximas semanas. Então, sugiro que você visite a aba "Artigos" e dê uma boa olhada nos arquivos do Blog. Tenho certeza de que você encontrará palavras de edificação e direção de Deus para sua vida.

Uma mudança importante foi a criação da aba "Canto" onde você encontrará maiores informações sobre as aulas de canto ministradas por minha esposa Ana Cristina Pina.

Continuamos focados em levar adiante as boas novas do Evangelho do Reino. Um ótimo 2012 para todos nós - até o dia 31. Escreverei meus votos para 2013 logo após a virada.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Relatório de viagem - Conferência Missionários de Oração

Nos últimos dias 30/11 a 02/12 estivemos na Conferência Missionários de Oração em São Paulo, primeiro em Monte Mor, depois em Americana, junto de vários irmãos com fome e sede de Deus, dispostos a estabelecerem o Seu Reino. Vieram da IHOP-KC os ministros Marcus Meier e Webb Venga. Ambos falaram a respeito da necessidade máxima e primordial de buscar a Deus e conhecê-Lo. Angelo Bazzo, um dos líderes do CPP em Monte Mor, também ministrou a Palavra, trazendo uma definição clara a respeito do que é ser um missionário de oração. Espero postar uma breve síntese das ministrações aqui no blog.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Worhty of it all, I exalt Thee



All the saints and angels bow before Your throne / Todos os santos e anjos se prostram ante Teu trono
All the elders cast their crowns / Todos os anciãos lançam suas coroas
before the Lamb of God and sing / ao Cordeiro de Deus e cantam

YOU ARE WORTHY OF IT ALL / Tu és Digno de tudo isso
YOU ARE WORTHY OF IT ALL / Tu és Digno de tudo isso
FROM YOU ARE ALL THINGS / De Ti são todas as coisas
AND TO YOU ARE ALL THINGS / E para Ti são todas as coisas
YOU DESERVE THE GLORY / Tu mereces a glória

DAY AND NIGHT, NIGHT AND DAY LET INCENSE ARISE... / Dia e noite, noite e dia que o incenso suba...

I exalt Thee... oh Lord / Eu Te exalto... oh Senhor

* Ouça essa canção com seu coração aberto. Depois, leia o artigo Um novo som está vindo e veja como Deus está se movendo por meio das orações e das canções nos últimos dias.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Ordem - Parte 3

Luciano Motta

Esta é a última parte de uma série de breves artigos sobre o propósito de Deus de ter filhos semelhantes a Jesus, estabelecendo o Seu Reino. Homens e mulheres que são a própria encarnação da ordem de Deus - "Haja" - como Cristo o foi (leia aqui a parte 1 e a parte 2).

3- Ordena a tua carreira

O mundo se move em função do dinheiro. Mamon é o grande deus da vigente mentalidade capitalista. Pensar em carreira hoje em dia é o mesmo que "Como posso ganhar dinheiro?" ou "Como posso ficar rico?". Os livros de auto-ajuda estão aí aos montes, prescrevendo a melhor maneira de chegar ao seu primeiro milhão e de ter uma aposentadoria confortável. Contudo, a despeito de tanto conhecimento disponível sobre finanças, as pessoas estão mais e mais escravizadas por dívidas, prestações, juros em cima de juros. A força motriz desse caos é o consumo que extrapola todos os limites - os cartões de crédito e as sucessivas crises econômicas que o digam.

Pensando agora especificamente no Brasil, se considerarmos nossa história verde e amarela, veremos que a busca por ser rico a qualquer custo é uma construção cultural, uma fortaleza mental bastante sólida no modo de viver dos brasileiros. Lembremos dos exploradores portugueses, de olho grande em nossas riquezas. Lembremos dos bandeirantes, que desbravaram nossas florestas e expulsaram os espanhóis, e ainda mataram nossos índios, também em busca das riquezas. Agora olhemos para as negociatas de Brasília... E a história vai se repetindo, a sociedade aderindo à corrupção e à malandragem, o "jeitinho brasileiro" se consolidando como prática normal.

Os filhos de Deus deveriam viver à imagem e semelhança do Filho, em franca oposição à ganância e à avareza dessa terra, mas infelizmente não tem sido assim. Ao contrário de uma igreja que ilumina e dissipa as trevas de Mamon, que aponta o caminho para uma vida e uma carreira bem sucedidas em Deus, encontramos uma igreja a serviço do capital, de mãos dadas com o dinheiro e com o pior que ele representa, exatamente como o mundo. Essa mentabilidade tem contaminado ferozmente as estruturas eclesiásticas e o coração de seus frequentadores, instigada por homens gananciosos que se autodenominam "pastores", "apóstolos" ou "missionários", enfim, líderes que usam a fé das pessoas para enriquecerem. Para os membros dessas igrejas, seguir a Jesus é uma ponte para ascenderem socialmente. Nessa triste realidade, Jesus é "o caminho" para ficar rico, "a verdade" para o consumo frenético e "a vida" para ostentar sua prosperidade.

Em contrapartida, na oração-modelo de Jesus em Mateus 6, encontramos uma sentença de ordem: "O pão nosso de cada dia nos dá hoje". E na sequência da leitura deste mesmo capítulo, existe o célebre ensino de Jesus sobre as preocupações da vida: os filhos de Deus devem buscar primeiro o Reino e a Sua Justiça, descansando na certeza de que todas as demais coisas lhes serão acrescentadas (Mateus 6.33). Compartilhe essa palavra com pessoas de seu convívio, crentes ou não, e certamente você escandalizará a maior parte delas: "Pensar apenas no hoje? Buscar primeiro o Reino de Deus e Sua Justiça? E os meus planos? E o meu desejo de ter uma casa própria? O que eu faço com essa faculdade que estou cursando?"

De acordo com as palavras de Jesus em Mateus 6 e em outras passagens, o que salva, direciona e enriquece a nossa carreira é o relacionamento que desenvolvemos com o Pai. Assim, nossa confiança estará Nele, não no dinheiro ou no que podemos administrar por nossas próprias forças. Vamos rever como foi com Moisés, o homem que temos estudado nesta série de artigos: primeiro ele teve um encontro com o Senhor e ali começou a por em ordem a sua devoção, desenvolvendo a sua comunhão com o Todo Poderoso e deixando de confiar em si mesmo. Depois, teve de acertar as coisas em casa, circuncidando seu filho, conforme a ordem de Deus aos patriarcas e ao Seu povo. Só então Moisés pôde se lançar em sua missão, baseando-se nas habilidades adquiridas como príncipe do Egito e como homem de Deus. Falando sobre hombridade, carreira e trabalho, Robert Lewis afirma:

A primeira faceta desse trabalho compreende a profissão que escolhemos. Deus dotou cada homem e cada filho com dons e habilidades singulares. Alguns são arquitetos, outros, atletas, advogados ou pastores. Como muitos já puderam constatar em sua própria experiência, a satisfação no trabalho é maior quando trabalhamos nas áreas em que somos fortes e não fracos. [...]
A segunda faceta dessa "obra a ser feita" vai além da escolha profissional: ela abarca os dons espirituais que o filho recebeu. Deus planejou que o homem contribuísse para toda a comunidade e, especificamente, para a obra da Igreja e do Reino. 1 Pedro 4.10 diz: "Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus" (Do livro: Formando Cavaleiros para os Dias de Hoje. Pompeia: Universidade da Família, 2011, p.90-91).

Habilidades naturais e espirituais - ambas foram dadas por Deus e devem cooperar com uma carreira efetiva e relevante, alinhadas à vontade do Senhor. Isso trará ordem ao nosso mundo. Isso evitará que fiquemos enrolados e perturbados pelo nosso próprio trabalho. Pense quantas pessoas não estão agora mesmo insatisfeitas, cansadas, esgotadas, com a sensação de estarem "correndo atrás do próprio rabo"! Recebem salário para pagar contas, dívidas, para gastar de forma egoísta e compulsiva. Fazem isso porque não têm uma finalidade clara, um propósito, uma causa. Talvez você esteja passando por isso. Então, renda-se! Coloque diante do Senhor as suas habilidades e peça a Ele que estas sejam úteis para estabelecer o Reino. Cogite a possibilidade de sair do seu emprego ou abandonar sua faculdade, enfim, mudar de rumo. Se Deus assim o orientar, faça. Ele vai suprir todas as suas necessidades. Veja bem: Ele dará o que você precisa, não o que deseja.

Uma última palavra: você e eu sempre vamos precisar de pessoas. Ninguém constrói uma carreira sólida sozinho. Mesmo aqueles fora-do-comum, que partem do nada e atingem altos patamares, mesmo esses dependeram de alguém que lhes estendessem a mão e lhes dessem uma oportunidade. Olhando mais uma vez para a trajetória de Moisés, lemos em Êxodo 18 sobre o modo como ele liderava: o povo vinha até ele para que julgasse suas questões, e isso consumia todo o seu dia! Mas Jetro, vendo o grande erro de seu genro, lhe aconselhou:

"Escolha dentre todo o povo homens capazes, tementes a Deus, dignos de confiança e inimigos de ganho desonesto. Estabeleça-os como chefes de mil, de cem, de cinqüenta e de dez. Eles estarão sempre à disposição do povo para julgar as questões. Trarão a você apenas as questões difíceis; as mais simples decidirão sozinhos. Isso tornará mais leve o seu fardo, porque eles o dividirão com você" (Êxodo 18.21-22).

Da mesma forma, certifique-se de que há pessoas ao seu lado capazes, leais, amigas. Se você está escravizado por dívidas e problemas para ordenar a sua carreira, procure essas pessoas imediatamente. Abra seu coração para elas, abra a sua vida, para que o aconselhem e o ajudem a vencer e a seguir em frente, em direção ao propósito de Deus. Lembre-se que somos parte de um Corpo. Não existe lugar no Reino para carreiras-solo.

Ordenar a devoção, a casa e a carreira é o mesmo que ser um discurso encarnado, uma resposta, um exemplo, um padrão, uma fé viva para o mundo. Não é uma questão de regras morais, mas de fidelidade ao que se crê. É uma prova incontestável de que vale a pena confiar e se entregar a Deus.

A vida de Cristo em nós esmaga a cabeça da serpente e traz ordem ao caos.

domingo, 11 de novembro de 2012

O processo de encarnação da Palavra

Dois videos contendo a aula de Eliza Walker, em uma das ministrações do Curso de Capacitação Profética Intensivo (CPPI), realizado no Centro de Eventos Vale da Águia, em Sorocaba/SP.

Parte 1 – dia 08/07/2012


Parte 2 – dia 09/07/2012

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Quem é você?

De Michael Duque Estrada, baseado em texto extraído e compilado do livro "Impactando cidades", de Martin Scott

Os representantes das autoridades do templo judaico vieram até João Batista para perguntar-lhe quem ele era. Ao fazê-lo, eles deram algumas alternativas. A cada opção apresentada, ele respondeu com uma negação. Jesus era claramente o cumprimento da primeira menção apresentada (“é você o messias?"). João também negou que ele fosse o cumprimento da última opção (“é você o profeta?"). Ele não era o Profeta, pois Jesus era verdadeiramente o Profeta, como Moisés (Deut 18.15-17). É, contudo, a segunda opção em João 1.21 que eles deram a João ("é você Elias?") que nós sabemos ser a mais adequada. Pois o próprio Jesus disse que João era, de fato, o Elias que tinha sido prometido (ver por exemplo os comentários de Jesus em Mateus 11.14 e a promessa com respeito a Elias em Malaquias 4.5-6).

Por que, então, João negou esta identidade? É improvável que João não tivesse autoconsciência de ver-se como o cumprimento da profecia sobre Elias. Eu penso que teria sido bastante difícil para João fazer tudo o que fez, se ele não se visse carregando o espírito de Elias. Também devido ao seu pai, Zacarias, ter ouvido diretamente do anjo Gabriel a respeito da identidade de João, parece bastante improvável que essa identidade lhe fosse oculta. Assim, penso que João sabia muito bem que ele era, de fato, a pessoa destinada a permanecer na unção de Elias.

Por que, então, a negação? Por duas razões. Primeiramente, Jesus dissera que João seria o Elias se as pessoas fossem capazes de recebê-lo.O fato de fazerem aquela pergunta indicava que eles, na realidade, não o estavam recebendo como Elias. Assim, sua resposta para a questão “é você Elias?" deveria ser de fato “Não, eu não sou; ao menos, eu não sou Elias para vocês". Aqueles enviados pelos céus somente cumprem plenamente suas missões quando são recebidos e reconhecidos como aqueles que foram enviados.

O segundo fator é que João estava focado naquele que estava por vir. Ele não podia se distrair com discussões sobre sua própria identidade. Quando forçado a fazê-lo, ele simplesmente descreveu-se com relação ao que fora chamado para fazer: ele era UMA VOZ CLAMANDO NO DESERTO.

Se ele não permanecesse na brecha até que viesse Aquele que havia de vir sendo estabelecido, ele falharia. Que propósito positivo resultaria em se debater sobre quem ele era? Se ele cumprisse sua tarefa, poderia, de fato, ser dito que ele era Elias, mas não antes. E se ele cumprisse sua tarefa, ela não diria respeito a si, mas ao que havia de vir.

É essa atitude que deve permear todas as atividades do presente. Nós devemos ser as vozes que intercedem por aquilo que está por vir. Nós devemos levar isso tão a sério que estaremos desejosos de viver e morrer por aquilo que tá por vir. Contudo, perceba que o que está por vir é muito maior do que nós, para que não venhamos a elevar a nós mesmos com grandes títulos. Assim, somos levados a fazer aquilo que fomos chamados de forma bastante séria, mas nunca devemos nos enxergar com importância exagerada.

O grande chamado vindo do Espírito Santo é para o Corpo que se levantará como verdadeiro parceiro Dele para permanecer na brecha entre aquilo que é e o que há de vir. Nós somos chamados a gerar o surgimento de algo apostólico, e é necessário que durante essa fase não venhamos fazer revindicações prematuras. O que está vindo é maior que aquilo que existe hoje; e quando chegar, precisaremos diminuir. De fato, como isso significou para João perder a cabeça, eu suponho que haverá algumas cabeças no nosso tempo que precisarão ser removidas quando uma nova dimensão apostólica chegar.

Precisamos assumir nossa posição como pais espirituais, como descrito em Malaquias 4:6, e nos voltarmos para próxima geração. A ideia de que uma geração recebeu algo por pagar um preço, e de que qualquer geração seguinte terá que fazer o mesmo, é falso. Tudo que temos recebido é para beneficio daqueles que estão por vir. Nosso telhado necessita tornar-se o solo para próxima geração. Eles, então, poderão edificar de forma que não fomos capazes de fazer.

Eu creio que esse é o tempo do cumprimento das promessas de Deus, um tempo para investir na próxima geração.

Fiquei muito tocado com esse texto. Quem nós somos? Somos aqueles que estão preparando o caminho para o que há de vir! Uma geração que vai fechar a história está vindo, e precisamos prepará-la. A segunda vinda de Cristo e seu Reino dependem dessa preparação.

É tempo de fechar a história e entrar na história!

. . . . .

*Leia aqui mais um artigo sobre João Batista e os últimos dias

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Um novo som está vindo

Luciano Motta

"Os tais 140 caracteres refletem algo que já conhecíamos: a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido" — José Saramago.

As palavras do escritor português, em comentário sobre o microblog Twitter, soam muito legítimas hoje em dia. Aumenta a sensação de esgotamento nessas últimas décadas da Modernidade. Tudo é rápido, veloz, efêmero. A comunicação se resume a poucas palavras. Valoriza-se o texto curto, o recado despretensioso, o chat. Nas artes e na cultura em geral, há uma retomada de ideias passadas, uma releitura de obras já produzidas. Têm força a intertextualidade, o kitsch. Questões como autoria e originalidade parecem discussão velha — e viva a reciclagem, a cópia, o remake!

Naturalmente, a música — foco desse pequeno artigo — não atravessaria imune uma época como essa. Nota-se uma proliferação de canções predominantemente onomatopeicas, de letras rasas, muitas delas de forte apelo sensual/sensorial, com a única função de entreter. "Pare de pensar; apenas divirta-se!" — este parece ser o mote dessas músicas pop feitas sob medida para tocarem nas rádios e agitarem multidões nos grandes shows. Versões remixadas de sucessos nacionais e internacionais também são hits, e reforçam o esvaziamento criativo desse tempo.

Olhe para o que acontece nas igrejas evangélicas e no chamado mercado gospel e veja como essa história se repete. As canções entoadas, em sua maioria, reproduzem formatos e mensagens que visam atender às necessidades dos consumidores, que devem ser animados e entretidos. Sob uma lógica comercial, é imperativo que os cultos terminem sempre bem, todos saindo felizes e contentes, as almas satisfeitas e condicionadas a consumirem o próximo lançamento em CD/DVD. Porém, o espírito padece de inanição.

Essa é uma pequena amostra de como o esgotamento dos últimos anos também se faz presente nas igrejas, ainda que a maioria dos crentes não se dê conta disso bebês espirituais sendo ninados domingo após domingo no colo dessa mídia pseudo-cristã. Os cultos teriam maior proveito e densidade se mais dedicados à reflexão, à contrição, à exortação mútua, à oração e intercessão coletivas, em vez de atividades e movimentos sem um propósito alinhado ao coração de Deus para este tempo. Afinal, todo culto deveria ser para Ele, somente para Ele.

Mas há uma oportunidade em tudo isso. O vazio contemporâneo abre espaço considerável para algo genuinamente novo. No mundo inteiro, artistas que zelam pela excelência e ousam experimentar, rompem os limites da mediocridade e produzem obras extraordinárias. Compositores e músicos virtuosos imprimem marcas de qualidade e inovação em suas canções, mesmo que utilizem instrumentos, estilos e sonoridades já familiares e consagrados. Por sua vez, cristãos têm se esforçado para discernirem o tempo presente e nele se inserirem de modo relevante e vívido, proclamando o novo som que está vindo. Detém uma mensagem kairós capaz de desencadear o estabelecimento do Reino de Deus na terra.

Um ponto em comum pode ser captado do advento desse novo som: a tentativa de expressar o inexprimível. Como parece que tudo já foi dito, que todos os estilos já foram criados, que todas as possibilidades já foram esgotadas, aumenta a fome e a sede por abraçar o mistério e desvelá-lo, por fazer ressoar o inaudito. Trata-se de um convite do próprio Deus aos Seus filhos de se alinharem aos Seus pensamentos mais altos, de subirem e percorrerem Seus caminhos mais elevados. Aqui a música se alia à oração como elementos-chave para a grande colheita dos últimos dias e a consumação dos séculos, ou seja, a segunda vinda de Jesus Cristo e o fechamento da história. Trata-se de um retorno às origens.

A primeira menção de um músico na Bíblia está em Gênesis 4.21: "O nome de seu irmão era Jubal, que foi o pai de todos aqueles que tocam a cítara e os instrumentos de sopro". Não é por acaso que a humanidade comece a (re)produzir música por intermédio da cítara (harpa) e dos instrumentos de sopro (flautas). Neles se encontram semelhanças com os sons da natureza, tais como o assobiar dos pássaros e o uivar dos ventos, e principalmente com o fôlego humano — que é o som da voz humana senão o resultado da vibração de cordas vocálicas? Como afirma Alfredo Bosi: "O som do signo guarda, na sua aérea e ondulante matéria, o calor e o sabor de uma viagem noturna pelos corredores do corpo... é a forma da expressão de que o som do corpo foi potência" (BOSI, Alfredo. O ser e o tempo da poesia. SP: Cultrix, 1977, p.42).

Brota dos silêncios e da suspensão interior uma vibração em forma de som; ritmos e melodias que extravasam emoções e significados. Segundo Octavio Paz, "somos nós mesmos que nos transformamos em ritmo e rumamos para 'algo'. O ritmo é sentido e diz 'algo'. Assim, seu conteúdo verbal ou ideológico não é separável. Aquilo que as palavras do poeta dizem já está sendo dito pelo ritmo em que as palavras se apoiam" (PAZ, Octavio. O arco e a lira. RJ: Nova Fronteira, 1982, p.70). Pois foi justamente a partir desse ritmo interior, desse som do coração, que os homens começaram "a invocar o nome do Senhor" (Gênesis 4.26).

Das cítaras e dos instrumentos de sopro iniciais, a música avançou para formas mais organizadas. Eis uma brevíssima síntese da história da música cristã: o canto passou a ser registrado e suas letras chegaram até nós, vide os salmos de Davi, dentre outros. Mais à frente, depois de Cristo, a igreja primitiva produziu hinos e cânticos espirituais, estruturas mais dinâmicas de canção. Depois vieram os cantos gregorianos, os trovadores e as cantigas medievais, até o advento das sofisticadas composições sacras dos grandes gênios clássicos. Com o passar dos séculos, à medida que as obras foram se tornando mais e mais elaboradas musicalmente, voltadas às elites, novos estilos surgiram do canto popular. Então, no começo do século XX, a gravação e a transmissão radiofônica tornaram possíveis a proliferação e a consolidação de uma cultura musical de massa. Contudo, os interesses comerciais passaram a ditar os rumos da indústria, abraçando correntes defensoras de composições e estéticas mais simples. De inovador, o simples foi se diluindo, diluindo, até atingir o esgotamento contemporâneo e a carência por algo verdadeiramente original.

Reitera-se aqui que o percurso da música cristã apresentado acima é sucinto demais, cheio de saltos temporais e omissões de detalhes históricos. No entanto, por meio dele, conclui-se que o retorno atual às formas primordiais de expressão, de onomatopeias e interjeições, de monossílabos e silêncios, demonstra ser a inevitável curva final que antecede a reta de chegada de um novo ciclo. Talvez nesse ponto de dobra, de escassez, a humanidade encontre no silêncio a sua possibilidade de (re)nascimento — por intermédio do novo som produzido por uma igreja alinhada ao que Deus tem a dizer. Lembremos que a fé vem pelo ouvir, e ouvir a Palavra (Romanos 10.17).

É nesse instante histórico de silêncio e vazio que a igreja de Cristo deve se posicionar em resposta aos anseios e às expectativa do mundo, entoar as boas novas do Reino que vem chegando para restabelecer todas as coisas. Não é, portanto, uma descida ao grunhido, na visão ateísta do escritor português, até porque não somos evolução de macacos. Antes, é uma pausa estratégica, um aquietar imprescindível, para que a igreja — e seus artistas, pregadores, estudiosos, servos — ouça o que Deus está falando nesse tempo, especificamente à geração dos últimos dias. Só então, com base no padrão da boa, agradável e perfeita vontade do Senhor, e não segundo os ditames do mercado ou da cultura vigentes, a igreja de Cristo conseguirá comunicar o inexprimível do Espírito, seja por palavras e música, seja por um testemunho verdadeiro e fiel de sua vida prática, comunitária, ágape.

Não de degrau em degrau, mas de uma vez, é hora de subirmos e nos posicionarmos, como igreja, nos lugares elevados que já temos em Cristo, com orações e canções nunca antes feitas nessa terra. É tempo de puxarmos a realidade do Céu para as nossas cidades, de quebrarmos o silêncio e suplantarmos o vazio, de acendermos a chama e proclamarmos: "Não vivemos mais para nós mesmos, mas Cristo vive em nós! Seja feita a Sua vontade! Venha o Seu Reino!" Esse novo som está vindo... Esse novo som há de abalar as estruturas de toda a terra!

. . . . .

OBS 1: Alguns bons exemplos de músicas com interjeições vocálicas e entoativas que claramente expressam um anseio interior, quando faltam palavras e se busca o som do inexprimível: o notável refrão final de "With Everything" da Hillsong Church; canções como "A Storm All Around You" e "Worthy of it All", dentre outras do IHOP. Procure na internet esses e outros exemplos.

OBS 2: Cada vez mais reuniões de oração e adoração, no Brasil e no mundo, têm substituído o que se conhece por "clamor" nas igrejas pentecostais (em que todos oram e/ou falam ao mesmo tempo, em línguas ou não, por apenas um motivo específico e/ou às vezes sem uma direção definida) por reuniões mais silenciosas, em que todos esperam pela direção do Espírito, e vão orando um a um, encadeando orações e canções em sequência. É claro que há momentos mais "explosivos", com o livre exercício de dons espirituais. No entanto, valoriza-se também a quietude e a contemplação. Experimente ir por esse caminho em seus momentos particulares de oração e nas reuniões coletivas. Busque ouvir o que Ele tem a dizer antes de lançar palavras ao vento. Evite os chavões e clichês quando ministrar música.

OBS 3: A reflexão levantada por esse artigo está em aberto. São dias de reedificação, de alinhamento. Colabore com comentários, indique textos afins e envie também artigos de sua própria autoria. Vamos expressar juntos esse novo som que vem vindo.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Envia-me

Luciano Motta

Continuamos a refletir sobre como nosso "Eis-me aqui" deve ser uma resposta prática a Deus. Vimos no texto anterior que nosso discurso precisa estar imbricado de prontidão, obediência e atitude, e que o Senhor não se importa tanto assim com nosso grau de maturidade espiritual, desde que nos coloquemos de fato à disposição Dele.

Na famosa passagem de Isaías, possivelmente a mais utilizada em pregações missionárias sobre ser enviado por Deus, conhecemos a visão e o chamado do profeta:

"No ano em que morreu o rei Uzias, eu vi também ao Senhor assentado sobre um alto e sublime trono; e o seu séquito enchia o templo. Serafins estavam por cima dele; cada um tinha seis asas; com duas cobriam os seus rostos, e com duas cobriam os seus pés, e com duas voavam. E clamavam uns aos outros, dizendo: Santo, Santo, Santo é o SENHOR dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória. E os umbrais das portas se moveram à voz do que clamava, e a casa se encheu de fumaça. Então disse eu: Ai de mim! Pois estou perdido; porque sou um homem de lábios impuros, e habito no meio de um povo de impuros lábios; os meus olhos viram o Rei, o SENHOR dos Exércitos. Porém um dos serafins voou para mim, trazendo na sua mão uma brasa viva, que tirara do altar com uma tenaz; E com a brasa tocou a minha boca, e disse: Eis que isto tocou os teus lábios; e a tua iniquidade foi tirada, e expiado o teu pecado. Depois disto ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Então disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim. Então disse ele: Vai, e dize a este povo..." (Isaías 6:1-9).

É importante destacarmos que nos primeiros cinco capítulos do livro de Isaías há uma série de advertências do profeta aos povos, começando quase sempre com a expressão "Ai". Mas neste sexto capítulo, ao contemplar o próprio Deus assentado sobre um alto e sublime trono, recai a advertência sobre ele mesmo: "Ai de mim". Dessa forma, entendemos que o chamado pelo Senhor para a Sua obra, seja qual for o encargo, sempre nos conduz a uma clara noção de quem realmente somos, ou seja, de nossa posição enquanto servos totalmente dependentes Dele. Ressaltando estas palavras, Isaías diz mais tarde: "todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniquidades como um vento nos arrebatam". E reconhece: "tu és nosso Pai; nós o barro e tu o nosso oleiro; e todos nós a obra das tuas mãos" (Isaías 64.6,8).

O Senhor quer nos moldar e nos usar ao Seu modo. Ele vai ao nosso encontro e se revela a nós de muitas maneiras: em uma visão aberta ou num relance, através do som direto da Sua voz ou por meio dos sentidos interiores do coração, dentre outras tantas possibilidades. Seja como for, a percepção de Sua Presença conosco é irresistível. Conceber que o Deus Todo Poderoso nos escolheu para irmos em Seu Nome é realmente arrebatador. E não precisamos estar perfeitos para isso. Na verdade, é no próprio envio que notamos a instrumentalidade de Deus para nos fazer crescer e amadurecer. Podemos já estar em missão, como Isaías já era profeta, e só então termos os nossos olhos abertos quanto à realidade celestial e aos desígnios de Deus. Quando isso acontece, Ele nos realinha ao Seu caminho; renova as nossas forças para irmos em frente, não importam as circunstâncias, tampouco as adversidades.

Ananias passou por experiência semelhante:

"E havia em Damasco um certo discípulo chamado Ananias; e disse-lhe o Senhor em visão: Ananias! E ele respondeu: Eis-me aqui, Senhor. E disse-lhe o Senhor: Levanta-te, e vai à rua chamada Direita, e pergunta em casa de Judas por um homem de Tarso chamado Saulo; pois eis que ele está orando; E numa visão ele viu que entrava um homem chamado Ananias, e punha sobre ele a mão, para que tornasse a ver. E respondeu Ananias: Senhor, a muitos ouvi acerca deste homem, quantos males tem feito aos teus santos em Jerusalém; E aqui tem poder dos principais dos sacerdotes para prender a todos os que invocam o teu nome. Disse-lhe, porém, o Senhor: Vai, porque este é para mim um vaso escolhido, para levar o meu nome diante dos gentios, e dos reis e dos filhos de Israel. E eu lhe mostrarei quanto deve padecer pelo meu nome. E Ananias foi..." (Atos 9:10-17).

Os primeiros cristãos sofreram severas perseguições por causa do Evangelho. Naquele contexto tão árduo, Ananias recebeu uma tarefa de Deus: acolher o recém-convertido Saulo, o mais zeloso dos fariseus, o mais duro perseguidor da igreja. O discípulo até tentou expor quão delicada era aquela missão, mas as palavras do Senhor o encorajaram - sua tarefa era nobre demais, e sua vida já não lhe pertencia. Ser enviado por Deus requer de nós muitas vezes esse entendimento: podemos perder a própria vida.

Só que pensar a respeito disso em uma nação sem perseguição religiosa como o Brasil, onde se pode abrir templos à vontade, onde se pode falar de Cristo sem o risco de prisão ou morte, não tem o mesmo impacto - o que talvez explique o porquê de nosso "Eis-me aqui" ser tão frágil e sem continuidade. Além disso, a mensagem pregada em diversas igrejas evangélicas brasileiras tem sempre um caráter triunfalista - o "crente verdadeiro" é tipificado como invencível, próspero, não dado a tropeços ou insucessos. Mas a Bíblia apresenta outro viés: Jeremias encontrou lamento e dor em uma cisterna; Davi cometeu graves erros em sua trajetória; Elias ficou abatido com as ameaças de sua algoz Jezabel... Uma leitura atenta de Hebreus 11 revela o final de carreira nada "evangélico" que muitos tiveram quando disseram "Eis-me aqui" para Deus. O apóstolo Paulo afirmou: "Sei estar abatido, e sei também ter abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a padecer necessidade. Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece" (Filipenses 4.12-13). E disse mais: "Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus" (Atos 20.24).

Ao expressarmos nosso "Eis-me aqui" estamos considerando apenas o que diz respeito ao Senhor, ao que Ele deseja fazer, mesmo que o final não nos seja favorável nesta terra. Mas se nos recordarmos que "todas as coisas cooperam" para o nosso bem, se considerarmos o prêmio que nos está proposto, se reconhecermos que Ele, só Ele, é Digno de tudo, inclusive de nossas vidas, pois fomos comprados por um alto preço, então as dores e as tribulações do tempo presente não nos servirão de impedimento. Deus nos amou - e nos ama de tal maneira! - e ainda quer nos usar em Seu plano de redimir o mundo e estabelecer o Seu Reino. Cristo só voltará para uma Noiva pronta para Ele, sem mancha, sem ruga e sem mácula. Nosso "Eis-me aqui" deve alinhar-se ao Seu Zelo, ao Seu Amor por nós.

Lembremos que Deus sempre se colocou à disposição de Israel, ainda que Seu povo não o buscasse. Veja o que Ele revelou ao profeta:

"Mantive-me à disposição das pessoas que não me consultavam, ofereci-me àqueles que não me procuravam. Eis-me aqui, eis-me aqui, dizia eu a um povo que não invocava meu nome. Estendia constantemente as mãos a uma nação indócil e rebelde, que seguia o mau caminho de acordo com suas inclinações" (Isaías 65.1-2).

Foi justamente por causa dessa recusa que a salvação chegou aos gentios, ou seja, a todos nós. Mas espere: se o povo escolhido pôde dar as costas para o Senhor, imagine nós, que fomos enxertados na Videira, o que podemos fazer? Na verdade, por mais que muitos tenham seus olhos abertos para verem a glória de Deus, não significa que dirão "Ai de mim". A obstinação e a autossuficiência ainda são sólidas resistências no coração de muitas pessoas, inclusive de escolhidos, crentes. Se não houver quebrantamento e arrependimento, o Senhor em pessoa pode aparecer e dizer "Eis-me aqui" e ninguém o escutar. De fato, Ele está à procura de alguém que queira realizar a Sua vontade. Será que estamos individualmente e coletivamente inclinados para Ele ou para nossos próprios maus caminhos?

Todos recebemos uma comissão, um chamado. É certo que temos ênfases específicas, e cada igreja na cidade tem as suas particularidades. Mas só alcançaremos a completude quando estivermos juntos, unidos por uma só Causa: "Que venha o Teu Reino". Alguns de nós podem ser maduros como Abraão e Jacó; outros, surpreendidos como Moisés e o menino Samuel. Talvez boa parte da igreja necessite de um realinhamento a partir da visão da glória de Deus, como se deu com Isaías, para reconhecermos finalmente nossas misérias e nossa total dependência Dele. De qualquer forma, sejamos nós mesmos a resposta às demandas desse mundo, cansado de apenas palavras e discursos bonitos.

A fé cristã está baseada em expressão ("Eis-me aqui") e em realização ("Envia-me"). Vamos então ser consistentes e perseverantes em nossas promessas para Deus? Pois Ele não se esquece do que tanto falamos e cantamos, dia após dia. Ele nos diz "Eis-me aqui" para nos fortalecer e nos encher do Seu Zelo, do Seu Amor, ao ponto de abrirmos mão de nossas próprias vidas para que a humanidade encontre o final tão esperado.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Curso Intensivo de Harmonia Vocal

PRÓXIMA TURMA: 20 DE OUTUBRO

8 horas/aula em um único sábado, de 9:00 às 18:00 horas, com intervalo de 1 hora para almoço (não-incluso).

Investimento: De R$ 160,00 por apenas R$ 100,00 (até 15/10).

Se preferir, faça um depósito e traga o comprovante de depósito na primeira aula.


Venha aprender a abrir vozes e a aperfeiçoar o seu canto. Desenvolva todo potencial de seu grupo vocal.

Temas abordados:
  • Percepção
  • Conceitos básicos de teoria musical
  • Estrutura de acordes
  • Campo harmônico maior
  • Arranjo vocal

Mais informações e inscrições pelos telefones (21) 2724-0655, 3713-9330.

Acesse também o blog Canto Livre Aulas de Música para conferir outros cursos.

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domingo, 30 de setembro de 2012

Eis-me aqui

Luciano Motta

Milhões de cristãos no mundo todo tem feito esta afirmação para Deus: "Eis-me aqui". Repetidas vezes, culto após culto, com palavras diferentes, expressam um mesmo desejo: "Estou aqui para fazer a Tua vontade, Senhor". Essa é a resposta mais comum depois de uma pregação que sensibiliza os ouvintes a uma atitude ante as dificuldades da vida ou a urgência da missão. Sem dúvida, Deus usa os pregadores, os profetas, os evangelistas para comunicar Sua mensagem às pessoas. Ele escolheu o "ouvir a Palavra" para produzir fé nos corações. O problema se dá quando o resultado desse ouvir não leva a uma ação concreta e real, não produz transformação de mente e de conduta. Assim sendo, não houve fé, mas efêmeras reações emotivas que rapidamente serão esquecidas. As razões desse tipo de "fé efervescente", que ligeiramente se dissolve, podem estar na falta de uma atitude daquele que ouve - é preciso ouvir com a mente - ou ainda na mensagem pregada, inconsistente enquanto Palavra de Deus.

Questões de fé e comunicação à parte, se atentarmos para os homens da Bíblia que fizeram a afirmação "Eis-me aqui", acredito que vamos encontrar algumas respostas para esse grande hiato entre dizer "Eis-me aqui" e realmente viver esse "Eis-me aqui" no dia-a-dia. Vejamos em breves palavras as ações de Abraão e Jacó:

Abraão: "E aconteceu depois destas coisas, que provou Deus a Abraão, e disse-lhe: Abraão! E ele disse: Eis-me aqui. E disse: Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá, e oferece-o ali em holocausto sobre uma das montanhas, que eu te direi. Então se levantou Abraão pela manhã de madrugada, e albardou o seu jumento, e tomou consigo dois de seus moços e Isaque seu filho; e cortou lenha para o holocausto, e levantou-se, e foi ao lugar que Deus lhe dissera" (Gênesis 22:1-3).

Jacó/Israel: "E partiu Israel com tudo quanto tinha, e veio a Berseba, e ofereceu sacrifícios ao Deus de seu pai Isaque. E falou Deus a Israel em visões de noite, e disse: Jacó, Jacó! E ele disse: Eis-me aqui. E disse: Eu sou Deus, o Deus de teu pai; não temas descer ao Egito, porque eu te farei ali uma grande nação. E descerei contigo ao Egito, e certamente te farei tornar a subir, e José porá a sua mão sobre os teus olhos. Então levantou-se Jacó de Berseba; e os filhos de Israel levaram a seu pai Jacó, e seus meninos, e as suas mulheres, nos carros que Faraó enviara para o levar" (Gênesis 46:1-5).

Verificamos um ponto em comum entre esses dois patriarcas: maturidade. À essa altura dos acontecimentos, considerando todo o contexto e não apenas os fragmentos das Escrituras citados, Abraão já havia recebido o filho da promessa e Jacó já tivera seu nome mudado para Israel. Notamos em ambos uma madura prontidão: logo obedeceram à palavra recebida, sem titubearem. Obviamente eles conheciam profundamente Aquele que falava. É, portanto, fundamental desenvolvermos nosso relacionamento com Deus a fim de adquirirmos sensibilidade para ouvirmos a Sua voz e então prontamente respondermos de modo digno ao Seu chamado.

Mas esta experiência não está reservada apenas aos "amigos maduros" de Deus. O Pai deseja ardentemente que todos os Seus filhos tenham um nível profundo de amizade com Ele, um comprometimento genuíno com a Sua vontade. Por isso ele também chama homens como Moisés e meninos como Samuel:

Moisés: "E Moisés disse: Agora me virarei para lá, e verei esta grande visão, porque a sarça não se queima. E vendo o SENHOR que se virava para ver, bradou Deus a ele do meio da sarça, e disse: Moisés, Moisés. Respondeu ele: Eis-me aqui. E disse: Não te chegues para cá; tira os sapatos de teus pés; porque o lugar em que tu estás é terra santa. Disse mais: Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó. E Moisés encobriu o seu rosto, porque temeu olhar para Deus" (Êxodo 3:3-6).

Depois de passar tempo suficiente no deserto, a ponto de se desapegar de suas próprias prerrogativas de príncipe do Egito, Moisés poderia finalmente depender somente de Deus para libertar os israelitas. Mas precisava de um encontro com Ele. A reação amedrontada de Moisés é bastante compreensível, provavelmente teríamos a mesma reação, dadas as circunstâncias. E ainda que tenha relutado inicialmente quanto ao chamado recebido, Moisés fez jus à sua resposta "Eis-me aqui" e em pouco tempo se tornou um amigo que falava face a face com Deus.

Samuel: "E o jovem Samuel servia ao SENHOR perante Eli; e a palavra do SENHOR era rara naqueles dias; as visões não eram frequentes. E sucedeu, naquele dia, que, estando Eli deitado no seu lugar (e os seus olhos começavam a escurecer, pois não podia ver), E estando também Samuel já deitado, antes que a lâmpada de Deus se apagasse no templo do SENHOR, onde estava a arca de Deus, O SENHOR chamou a Samuel, e disse ele: Eis-me aqui. E correu a Eli, e disse: Eis-me aqui, porque tu me chamaste. Mas ele disse: Não te chamei eu, torna a deitar-te. E foi e se deitou. [...] Então entendeu Eli que o SENHOR chamava o jovem. Por isso Eli disse a Samuel: Vai deitar-te e há de ser que, se te chamar, dirás: Fala, SENHOR, porque o teu servo ouve. Então Samuel foi e se deitou no seu lugar. Então veio o SENHOR, e pôs-se ali, e chamou como das outras vezes: Samuel, Samuel. E disse Samuel: Fala, porque o teu servo ouve. E disse o SENHOR a Samuel: Eis que vou fazer uma coisa em Israel, a qual todo o que ouvir lhe tinirão ambos os ouvidos" (1 Samuel 3:1-11).

Em dias de escassez da palavra de Deus, de poucas visões, o menino Samuel fora chamado. Não por acaso, logo depois da resposta "Eis-me aqui", observamos um silêncio da parte do Senhor. Tenho a seguinte impressão: naquele tempo Deus falava, os juízes e sacerdotes ouviam, porém não obedeciam. Como não havia resposta adequada, não havia fidelidade, pouco a pouco Deus passou a falar menos, e menos, e menos. Samuel nascera em resposta à oração de Ana, escolhido para mudar a história de sua geração e preparar a seguinte. Então, nesse primeiro chamado, Deus parece testá-lo com seu silêncio. Era necessário que Samuel aguçasse os ouvidos, pois ouviria aquela voz muitas e muitas vezes depois daquela noite.

O sacerdote Eli, em rara centelha de sabedoria, orientou o menino a responder: "Fala, porque o teu servo ouve". Percebo nessas palavras algo do tipo: "Pode falar, Senhor, porque eu te ouvirei e te serei fiel em todas as tuas palavras. Ao contrário do que vem acontecendo nesse tempo, meu 'Eis-me aqui' é sincero, é genuíno, não é apenas uma expressão bonita. Estou comprometido em verdadeiramente cumprir toda a tua vontade".

Essa é a resposta que devemos dar a Deus em nossos dias. Nosso "Eis-me aqui" deve estar imbricado de prontidão, obediência e atitude. Não importa tanto para o Senhor se já temos desenvolvido o nosso relacionamento com Ele, se já adquirimos certo estágio de maturidade espiritual, tampouco se somos ainda meninos na fé. Ele fala aos grandes e aos pequenos. Ele prometeu derramar do Seu Espírito sobre toda carne nos últimos dias (Joel 3). Os olhos do Senhor ainda estão atentos sobre toda a terra para fortalecer e sustentar aqueles que lhe dedicam totalmente o coração (2 Crônicas 16.9). Que nossas palavras se convertam em ações práticas. Que sejamos nós mesmos as respostas de nossas próprias orações!

Depois de todo "Eis-me aqui" espera-se um "Envia-me".

//continua//

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

A plenitude do tempo

Por Rick Joyner

O mundo está agora no Vale da Decisão. As conseqüências de cada decisão serão ampliadas, e um pequeno desvio pode levar a surpreendentes direções diferentes. Este tipo de repercussão para as nossas escolhas não tem sido visto desde o Jardim. Isto é porque o mundo está ficando muito perto de se tornar o Jardim de novo - o Reino de Deus está próximo.

Por causa disso, será o tempo de maior escuridão para aqueles que não amam a verdade, mas o tempo de maior glória para aqueles que a amam. A resposta a isso por aqueles que não têm fé verdadeira será pensar negativamente sobre o Vale da Decisão, tornando-se amedrontados e tímidos. Para aqueles que têm fé, o inverso é verdadeiro. Essa é a maior oportunidade de todas, em que nossas escolhas positivas farão o maior bem. Mesmo uma pequena decisão de fazer o que é reto aos olhos do Senhor poderia provocar(*) um grande avivamento. Um giro sutil em direção ao Senhor por uma nação pode começar um Grande Despertamento.

Temos exemplos disso na história. Quando uma humilde e negra empregada doméstica chamada Rosa Parks ficou firme em suas convicções e se recusou a ceder seu assento em um ônibus a um homem branco, provocou(*) o Movimento dos Direitos Civis, que mudou uma nação. Quem poderia prever essas conseqüências a partir desta ação tão pequena? Tal resultado veio a ser "a plenitude do tempo" para os direitos civis nos Estados Unidos, incluindo todos os seus cidadãos. Como vemos nos profetas do Antigo Testamento, o Senhor lida com as nações com respeito a retidão e a justiça. A madeira se tornou tão seca para o Movimento dos Direitos Civis nos EUA que até mesmo uma pequena faísca(*) pôde incendiá-la.

Um dos grandes fatores que fazem este tempo tão oportuno é o de ser muito seco espiritualmente. Apenas uma pequena faísca(*) e um pouco de brisa do Espírito Santo e grandes incêndios de reavivamento começarão a arder. Aqueles que se queixam da secura dos tempos não têm visão. Chegamos ao tempo em que mesmo uma aparentemente insignificante palavra profética de um profeta desconhecido pode pôr em movimento eventos no mundo todo. A plenitude do tempo significa que os tempos estão plenos de potencial. Deveríamos nos regozijar que se tornou tão seco!

A colheita que Jesus disse que seria o fim desta era é "a plenitude do tempo", para muitas faíscas(*) inflamarem muitos reavivamentos. Uma vez inflamados, esses fogos se espalharão ainda mais rápido por causa da secura. Alguns vão inflamar antes do final deste ano, e no próximo ano serão muitos mais.

(*) verbo spark: faiscar, provocar ou despertar uma ação.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

O mal da autossuficiência

Luciano Motta

Esta é uma mensagem à igreja evangélica brasileira.

Nossos dias não nos permitem perder tempo com divisões e partidarismos. A maneira como temos caminhado nesta terra, separados por visões excludentes, não tem inserido perdidos no Corpo de Cristo, mas em instituições religiosas fragmentadas por um sem-número de denominações, as quais muitas se tornaram impérios particulares ou clubes fechados de entretenimento pseudo-cristão disfarçados de igrejas. Levantamos nossas próprias bandeiras, defendemos nossos territórios e feudos. Ignoramos assim o fato de que somos (ou deveríamos ser) unidos em Cristo, lutando por uma só causa, o movimento de um só Corpo:
"Assim, há muitos membros, mas um só corpo. O olho não pode dizer à mão: 'Não preciso de você!' Nem a cabeça pode dizer aos pés: 'Não preciso de vocês!' Pelo contrário, os membros do corpo que parecem mais fracos são indispensáveis, e os membros que pensamos serem menos honrosos, tratamos com especial honra. E os membros que em nós são indecorosos são tratados com decoro especial, enquanto os que em nós são decorosos não precisam ser tratados de maneira especial. Mas Deus estruturou o corpo dando maior honra aos membros que dela tinham falta, a fim de que não haja divisão no corpo, mas, sim, que todos os membros tenham igual cuidado uns pelos outros. Quando um membro sofre, todos os outros sofrem com ele; quando um membro é honrado, todos os outros se alegram com ele. Ora, vocês são o corpo de Cristo, e cada um de vocês, individualmente, é membro desse corpo" (1 Coríntios 12:20-27).
A sentença "Não preciso de você!" está estampada em inúmeros adesivos de carros e em placas de templos, nas frases de efeito utilizadas como slogans - nelas são exaltadas nossas divisões. Por exemplo: "A igreja que ama você" (Ora, então as outras igrejas não amam?!). Também é evidenciado esse "Não preciso de você!" quando não conseguimos nos reunir em torno da causa de Cristo, seja para orarmos por cidades e governos, seja para dividirmos cargas e nos suportarmos mutuamente. Cada igreja tem de cumprir sua própria agenda (cheia, às vezes extenuante!), cada uma tem suas próprias metas e planos estratégicos de crescer (numericamente falando, em sua maioria).

Com isso, nas entrelinhas, estamos dizendo: "Por que deveríamos nos unir aos irmãos da igreja da esquina, aquela portinha aberta que mal enche seu salão nos cultos de domingo, enquanto aqui na nossa igreja já estamos com dois cultos a pleno vapor?" ou: "Por que deveríamos assumir que nossa equipe de música é péssima e que precisa de aulas e treinamento com irmãos mais capacitados daquela congregação tradicional-histórica?" ou ainda: "Por que deveríamos reconhecer que estamos perdidos em nossa missão enquanto igreja nesta terra e que precisamos imediatamente buscar ajuda de outros irmãos?" e mais: "Temos deficiências nas áreas de profecia e dons, mas não vamos pedir a ajuda de irmãos pentecostais que estão fluindo nisso" ou pior: "Não vamos nos humilhar nem nos submeter a outros, jamais! Não precisamos de ninguém! Somos independentes!"

Esses postulados são velados entre nós (e podem até soar ofensivos). Porém, como poderemos negá-los em nosso meio evangélico? Até quando vamos fingir que estas coisas não existem?

Outro ponto à deriva em um mar de soberba e dureza de coração: "Os membros que parecem mais fracos são indispensáveis". É quase utópico encontrarmos um pastor que se submeta à exortação de uma iletrada ovelha, ou um líder que assuma suas mazelas, incapacidades e temores diante da sua equipe. Vivemos dias de super-homens-pastores-bispos-missionários-apóstolos-etc-etc. Não existe sujeição mútua, tampouco a nobre ação de considerarmos os outros superiores a nós mesmos. Falta ambiente seguro para demonstrarmos quem realmente somos por dentro. Por isso não há mais confissão de pecados entre nós, pois para um crente evangélico tudo precisa estar bem, senão "tá fora da bênção" ou será destituído de seu cargo/ministério (além de ser péssimo para sua reputação).

Alia-se a isso um problema que não é novo, mas muito evidente em nossos dias: só tem voz ativa aqueles que possuem o capital, ou seja, que dão o maior dízimo. Parece que só quem prosperou tem direito de ir à frente para dar testemunho de suas posses recém-adquiridas. Mas quando foi mesmo a última vez que ouvimos testemunhos de quem está sofrendo pelo Evangelho, gastando sua própria vida por amor a Jesus?

Seria poderoso e revolucionário se vivêssemos também essas duas instruções: "que todos os membros tenham igual cuidado uns pelos outros" e também: "Quando um membro sofre, todos os outros sofrem com ele; quando um membro é honrado, todos os outros se alegram com ele". Para infelicidade nossa, contudo, não tratamos daquele que sofre. Um tapinha nas costas e um "Deus te abençoe" não saciam a fome dos que não tem pão, nem resolve o drama dos endividados, dos que sofrem no casamento, na família... Estes problemas têm sido creditados ao "devorador" ou a "crentes fracos", porque o verdadeiro crente "é próspero, é feliz, é abençoado". Quando existe algum movimento social, na maior parte das vezes a iniciativa vem de um grupo para-eclesiástico (que nunca poderá substituir a ação da igreja). Às vezes alguns irmãos bem intencionados se unem para ajudar os necessitados do bairro onde estão inseridos, mas deixam de prestar assistência a membros da própria congregação. A justiça social deveria começar com os da casa.

Quanto a se alegrar com os outros, e principalmente por causa dessa distorcida teologia da prosperidade, muitos corações têm cultivado sentimentos de competição e inveja ao verem irmãos sendo bem sucedidos e crescendo, seja qual for a área. A motivação desses está em ganhar mais e mais, tal qual o mundo. Há pessoas que carregam grande peso de frustração porque participaram da mesma "campanha de portas abertas", deram o dízimo, o "trízimo", ofertaram diariamente nos "21 dias de vitória", e não conseguiram nem um centavo de bênçãos (e seus filhos, ainda por cima, ficaram doentes). Possivelmente irão pensar: "Como me alegrarei com os irmãos se EU não ganhei nada?"

Eis o mal: nossa autossuficiência. Uma doença disseminada a partir das plataformas, da mídia, dos pregadores e cantores gospel. Uma chaga escondida sob as vestes daqueles que se dizem líderes e sacerdotes do povo de Deus. Assemelham-se a Naamã, homem valoroso, porém leproso, indignado por ter de mergulhar nas águas imundas do Jordão; logo ele, um respeitado capitão do exército do rei da Síria (2 Reis 5.1-14). Para Naamã, bastava o profeta declarar uma palavra para ser curado - ele queria do seu próprio jeito, de modo que não se humilhasse diante dos outros! Da mesma forma, nos parecemos com o rei Saul, na atitude de não esperar Samuel - ao oferecer ele mesmo o holocausto, foi rejeitado por Deus devido ao seu coração obstinado (1 Samuel 13.1-14). Os maus exemplos vêm de cima, nutridos por um sistema religioso evangélico que reforça esse coração presunçoso e essa motivação escusa de zelar sempre por uma boa reputação e daí nunca expor quem realmente somos.

Há um fator que agrava essa nossa autossuficiência: a falta de amor. A realidade corporativa da igreja está tão distante da prática diária que ficamos insensíveis às dores dos irmãos. O que aconteceu em Atos nos parece uma antiga e descabida lenda religiosa. O amor que se esfria nos últimos tempos é consequência dessa vida desconectada-um-do-outro, e principalmente de Deus. Temos congregações cheias de atividades e eventos, porém esvaziadas da vida de Deus, porque seus membros não têm profunda comunhão com Ele. Encontramos pessoas cada vez mais solitárias, perdidas na multidão, dependendo de líderes amparados pelo status, pela posição, mas tão vazios e frios quanto elas mesmas. Desta forma, a maior parte dos crentes não desenvolve a salvação, nem cresce em maturidade espiritual, apenas cumpre uma agenda litúrgica e operacional para manter uma estrutura, um sistema denominacional que fortalece hierarquias e segrega, colocando um contra o outro.

"Deus estruturou o corpo dando maior honra aos membros que dela tinham falta". Quando a honra e a exaltação são concedidas pelo Cabeça, há saúde e equilíbrio no Corpo. Disputas por posição ou cargos perdem força porque os crentes estão empenhados em servirem uns aos outros, obedecendo à direção e ao modelo de Cristo, para "que todos os membros tenham igual cuidado uns pelos outros". Isso denota um coração bem aberto para dar e receber o amor de Deus, em todas as suas formas e possibilidades, inclusive na exortação e na sujeição entre os irmãos. Isso também agride frontalmente o sistema religioso evangélico vigente, que tem desestruturado o Corpo para sustentar lideranças que pensam primeiro em si mesmas.

Precisamos de vínculos viscerais de comunhão e fé para nos ligarmos uns aos outros, inclusive com outras congregações. Só então os muitos "Ministérios" poderão se tornar de fato cooperadores da obra de Deus, contribuindo efetivamente para o estabelecimento do Reino e de seus valores, nas congregações locais e fora delas, tocando outras congregações e também a comunidade.

Precisamos rever nossos discursos. Dizemos que a graça de Deus é multiforme (e quanto mais igrejas melhor!). Defendemos que o evangelho tem crescido no Brasil (e quanto mais crentes melhor!). Mas e a qualidade, a profundidade, a relevância? Onde estão as transformações na sociedade? Como estamos em relação à oração de Jesus (leia João 17) para que fôssemos um? O mundo tem visto a glória do Pai por causa da nossa unidade e (co)missão, ou tem sido justamente o contrário?

Precisamos frear o tanto de agitação e movimento semanais com os quais nos dedicamos "em nome de Jesus" e nos colocarmos no lugar do silêncio, das orações e intercessões individuais e coletivas, para produzirmos fome e sede pela genuína presença de Deus, por Sua vontade. Que nossas ações e energias sejam canalizadas para conhecermos de fato o que está no coração do Pai para esses dias, e que nossas atividades e movimentos resultem disso!

Não é possível sermos divididos na terra e unidos no céu.

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*Sobre esse tema, leia também: Babel, linguagem e unidade.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Uma impressão sobre a cidade de São Gonçalo

Na reunião de oração de segunda-feira senti muito forte que São Gonçalo era literalmente "uma praça de ex-combatentes". Na terça de manhã cedo, fui até a tal praça para orar pela cidade, e tive algumas impressões:

(1) Senti uma certa nostalgia no ar, mas era de algo não vivido, não sei explicar bem. É como se fosse uma nostalgia tomada emprestada de outros, de uma batalha não vivida pelos gonçalenses. Talvez seja um anseio por glórias próprias, não alheias.

(2) Há uma grande placa no centro da praça com os seguintes dizeres: "Na guerra e na paz, a grandeza da nação repousa no trabalho ordeiro e fecundo do seu povo e na unidade patriótica das suas classes armadas, eternas guardiães das liberdades democráticas e da integridade pátria". São palavras bonitas, porém completamente misturadas e apagadas por pichações e grafites - Senti uma cidade sem ideais, um povo que desdenha de seus símbolos.

(3) Há diversos mastros na praça, porém sem bandeiras - Mais uma vez percebo a falta de solenidade e reverência nesta cidade pelos seus símbolos.

(4) Vi muitas pessoas de passagem: estudantes, gente indo trabalhar, até um morador de rua estava de passagem - Uma praça é historicamente um lugar de ajuntamento e mobilização, mas senti que ali, tal qual a cidade, é só um lugar de passagem, não se dá valor ao ato de permanecer (especificamente nesta praça só se ajuntam pessoas na ginástica da terceira idade e no carnaval, ou quando há alguma festa com barracas, mas são ajuntamentos vazios de causa).

(5) Ao redor da praça estão a UERJ, o CEWO, a APAE, uma igreja católica mais adiante, diversos bares, inúmeras casas na rua atrás, uma favela crescente por detrás da UERJ e do CEWO. Ao lado da praça fica a sede da Associação dos Ex-Combatentes do Brasil - secção São Gonçalo - nela havia uma faixa convidando a comunidade para o baile de sábado à noite. O lugar é estratégico, porém ignorado para um fim mais proveitoso.

(6) Há equipamentos militares em exposição: um tanque, uma hélice, uma turbina, uma âncora, um suporte com bombas - evidentemente que estão desativados.

Isto posto, fico com a impressão de uma cidade sem bandeiras (sem noção de ordem e unidade), com ideais encobertos por pichações (sem causa), cujas armas estão desativadas, emprestadas de uma guerra que este povo não viveu. Uma cidade que serve de passagem apenas. Uma cidade que não teve revoluções (como o Brasil) e que por isso não tem identidade, tampouco um senso coletivo de pertencimento.

Daí a importância de intercessores. Porque esta cidade carece de abalos, de impactos profundos em sua pacata e irrelevante rotina. São Gonçalo precisa de uma igreja que revoluciona pelo seu estilo de vida, cujas armas estão ATIVADAS e são ESPIRITUAIS, poderosas em Deus para destruir fortalezas, argumentos e toda pretensão que se levanta contra o conhecimento de Deus, levando cativo todo pensamento, para torná-lo obediente a Cristo (2 Coríntios 10.4-5). Nossas orações são o fundamento de tudo isso.

Encorajo os irmãos a se encherem de esperança e expectativa por dias de grandes abalos nas estruturas sociais e até eclesiásticas, provocados pelo poder do Espírito Santo em Sua Igreja unida, que marchará por uma causa bem definida e com sua bandeira erguida bem alto: o AMOR.

domingo, 2 de setembro de 2012

A Storm All Around You

Canção poderosa!

I see seven lamps of fire burning and I / Vejo sete lâmpadas de fogo queimando e eu
I see a sea of glass mingled with fire burning / Eu vejo um mar de vidro misturado com fogo aceso
I see the Son of man with eyes of fire burning / Eu vejo o Filho do homem com olhos de fogo queimando
Burning, burning, burning... / Queimando, queimando, queimando...

Oh oh oh oh oh oh oh oh oh oh oh oh oh oh oh oh

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

As Pedras Queimadas

Por Rick Joyner - MorningStar Ministries | Traduzido por Denise de Vasconcelos Araujo
Postado no blog Am3.8 Rugido do Leão

Os livros de Esdras e Neemias são duas das mais importantes mensagens proféticas de nosso tempo. Esses livros contêm a história de um remanescente do povo de Deus que retornou para Jerusalém do cativeiro na Babilônia para reconstruírem o templo do Senhor e os muros da cidade. Estes fiéis enfrentaram oposição e crítica das nações ao seu redor e até mesmo da parte de alguns compatriotas judeus que haviam permanecido na terra. Um dos mais veementes destes, Sambalate, disse as seguintes palavras a respeito deles:

E ele falou na presença de seus irmãos  e do exército de Samaria, dizendo: Que fazem estes fracos judeus? Fortificar-se-ão? Oferecerão sacrifícios? Acabarão a obra num só dia? Vivificarão dos montões de pó as pedras que foram queimadas?”(Neemias 4.2)

Hoje o inimigo da obra de Deus está fazendo estas mesmas acusações abusivas. Há um remanescente do povo deixando o conforto religioso da Babilônia com a visão focada na restauração do templo do Senhor na sua glória anterior. Sair da Babilônia e fazer a jornada espiritual para o local onde o templo será reconstruído exige uma fé extraordinária.  É neste lugar que a vida verdadeira da Igreja acontecerá da forma como o Senhor desejava que tivesse sido desde o início. E então, após a conclusão da jornada podemos esperar que as críticas invejosas e os inimigos do Senhor continuem. Um dos desafios com o qual podemos contar é a pergunta feita acima: Como poderão ser reconstruídos com pedras queimadas?

De fato, tanto o templo reconstruído quanto os muros da cidade foram construídos com pedras que haviam sido queimadas durante a destruição do templo e da cidade. Estas foram as pedras que haviam falhado e que agora pareciam inúteis para qualquer construção. Quanto mais a reconstrução do glorioso templo do Senhor ou dos muros que representavam a salvação (veja Isaías 60.18). Você é uma destas pedras queimadas? Você passou por uma obra que parecia gloriosa e gerando muito potencial e acabou completamente decepcionado? Você se queimou? Se este é o seu caso você é um candidato excelente para a nova obra que o Senhor está realizando hoje.

Pedras queimadas podem não ter boa aparência, mas elas passaram pelo fogo – foram provadas. Só uma fé notável é capaz de suportar o fracasso e se levantar novamente, determinado a continuar seguindo a visão. Pense no tipo de fé que este remanescente teve que ter para retornar para o local onde experimentaram o maior fracasso e devastação com a decisão de começar tudo de novo. É este o tipo de visão necessária para suportar a oposição e a falta de encorajamento que certamente virão durante a restauração.

Se você ainda não foi testado através de um fracasso espiritual sério, talvez você seja muito idealista para compreender o real objetivo por trás do que Deus está fazendo. Tudo o que o Senhor faz nesta era é um testemunho do Seu poder redentor. Como já foi dito, as pedras queimadas podem não ter boa aparência, mas o Senhor nunca se preocupou com o exterior das Suas habitações. Aqueles que passaram pelo fogo do fracasso e estão dispostos a serem usados novamente provavelmente serão aqueles com o interior com o qual Ele deseja construir.

Tanto Esdras quanto Neemias prevaleceram porque mantiveram o foco na obra e se recusaram a permitir que as críticas e a oposição os parassem. Eles responderam seus acusadores em alguns momentos e trabalharam com suas espadas na mão, sempre prontos a entrar em guerra se fossem atacados. Haverá momentos para trabalhar e guerrear mas precisamos nos lembrar que o nosso principal trabalho é completar a obra.

Todos estão aqui pelo mesmo motivo: ver o Senhor habitar no meio do Seu povo. Ter a presença dEle manifesta em nosso meio vale qualquer coisa que tenhamos que suportar. Aqueles que foram chamados à obra precisam aprender a reconhecer os que Judas chama de “queixosos” (Judas 1,16) e resisti-los. Isso faz parte da prova que precisa acompanhar cada obra significativa.

Estes ataques acabam minguando o exército, pois há aqueles que não têm coragem de fazer parte da obra neste estágio. Quando Israel se reunia para a guerra, o Senhor muitas vezes removia os soldados que eram  medrosos demais para a batalha.  Este é um corte que precisa acontecer antes que algo de real importância espiritual seja construído, ou antes, de batalhas importantes iniciarem. As críticas e acusações falsas deveriam nos encorajar. Há o tempo certo para respondê-las e há o momento de sacar a espada contra o acusador dos irmãos, mas na maior parte das vezes o que precisamos fazer é simplesmente focarmos a atenção na obra que nos foi dada. E a melhor resposta para qualquer crítica será a conclusão da obra.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Estamos preparados para receber o que pedimos?

Reflexão de Leandro Pina em 09 de agosto de 2012

Muitas vezes pedimos para Deus fazer a vontade Dele em nossa vida. Simplesmente mudar nossos hábitos. Mas quando as coisas começam a mudar, ou melhor, a se ajustarem conforme a vontade Dele, não entendemos e questionamos algo que nós mesmos pedimos.

Estamos preparados para ter uma vida em comunhão?

Quando recebemos palavras de incentivo, ficamos bem, mas se o mesmo irmão, mais tarde, entrega-nos uma palavra mais dura, ficamos sem ação e até mesmo a rejeitamos. Acredito que a vida em comunhão é cuidar uns dos outros. A sua família é minha família, suas preocupações são minhas, assim como suas alegrias.

Estamos preparados para compartilhar, servir, reconhecer o valor do irmão no Corpo?

Estamos preparados para nos entregarmos de tal forma a Ele que, mesmo quando vierem nos tirar a vida, não O neguemos?

Uma oração:
“Senhor, grato sou pelo que tens feito e ainda farás em minha vida para honra e glória do Teu Nome. Dá-me um coração para amar, ter compaixão e bondade conforme o Teu coração. Mas que este mesmo coração também seja tocado pela Tua ira, e que ele não se curve aos prazeres e ilusões deste mundo. Leve meus pensamentos à Tua presença. Faça-me sensível às coisas que acontecem ao meu redor. Livra meus olhos das vendas para que possam ver o Senhor. Livra meus ouvidos dos tampões para que possam ouvir Tua voz. Livra minha boca das mordaças para que possa falar de Ti, exaltar e louvar o Teu nome. Livra-me das amarras para que eu possa caminhar e trabalhar na Tua Obra. Ensina-me a Te buscar cada dia mais. Obrigado... Por estar sempre ao meu lado... Por ser meu amado... Por me permitir chamá-lo de Pai! Exaltado e Glorificado seja o Senhor! Amém!"

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Porto Alegre - uma palavra de gratidão e encorajamento

Agradeço a Deus o privilégio de passar os últimos cinco dias em Porto Alegre, servindo à igreja local junto com meus irmãos aqui de São Gonçalo: Michael, Maíra, Ben e Fábio. Agradeço também a todos os irmãos do sul pela recepção e estadia. Aprendi muito nesses dias.

Uma palavra aos irmãos: permaneçam firmes e constantes na obra que vos está proposta. Apliquem seus corações às palavras que ouviram. Há muito trabalho pela frente, e o principal deles é a oração. Permaneçam na oração. Tudo vai fluir a partir disso. Mas não se esqueçam que toda oração conduz a uma ação, pressupõe uma resposta. A espera em Deus não é passiva.

Todo porto em atividade tem movimentações de chegadas e partidas, de recebimentos e envios. Sinto que vem chegando dias para a igreja em Porto Alegre começar a se movimentar para fora, tocando primeiro sua Jerusalém (sua própria cidade), depois sua Judeia e Samaria (cidades periféricas), até tocar a região Sul e outros Estados, e os confins da Terra (Atos 1.8). Por muito tempo houve estagnação, resistência. Sinto que Deus está levantando um povo a fim de derrubar barreiras nessa região para o avanço do Evangelho do Reino.

Antes disso, porém, vocês irão receber (e já tem recebido) ferramentas de Deus. Muitas! E antes de qualquer movimentação para fora, vocês deverão desenvolver aquilo que já receberam e o que ainda receberão nos próximos meses. A vida em comunidade é um ponto crucial nesse processo. Superem o medo de serem expostos, de se decepcionarem. Sem a vida do Corpo não haverá progressos.

Espero poder voltar muitas outras vezes, e levar minha família. Vamos nos falando por aqui, conectados em oração e amor. Um abraço em todos os irmãos. Fiquem na Paz de Cristo!

"...deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com perseverança a carreira que nos está proposta, olhando para Jesus, autor e consumador da fé..." (Hebreus 12.1-2)

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

domingo, 5 de agosto de 2012

Que tipo de pessoa devemos ser?

Luciano Motta

"Esse Jesus, que dentre vós foi elevado ao céu, virá do mesmo modo como o vistes partir" (Atos 1.11).

Essa foi a declaração dos dois homens vestidos de branco que apareceram aos discípulos assim que Jesus ascendeu ao céu. E nessa esperança, nessa expectativa, baseados nas últimas instruções do Mestre, os onze e os demais discípulos foram para Jerusalém e ali aguardaram a descida do Espírito Santo. Subiram ao aposento superior e esperaram pacientemente, unidos em oração.

Todo o livro de Atos é um relato dos acontecimentos posteriores ao que houve em Pentecostes. O Espírito Santo veio sobre a igreja então nascente e o impacto de suas vidas abalou o mundo de sua época, e o nosso também, afinal, aqui estamos seguindo as pisadas de Jesus por meio da paixão que incendiou aqueles primeiros cristãos.

Ao longo dos séculos, notadamente a igreja se afastou daqueles primeiros anos. Ao tolerar o pecado, ao viver para si mesma, ao buscar o controle político, a igreja foi apostatando da sua fé em Jesus, até mergulhar em um período adequadamente chamado "Idade das Trevas". A escuridão parecia ter invadido tudo. Parecia. O Senhor da história começou a abalar novamente as estruturas. Em síntese: primeiro veio a Reforma Protestante e o retorno à Palavra, à salvação pela graça; depois, a reativação dos dons espirituais e os movimentos de avivamento, que chacoalharam cidades inteiras; nas décadas de 70 e 80, as grandes cruzadas evangelísticas e os grandes pregadores movimentaram e tocaram multidões; mais recentemente, a adoração extravagante e toda sorte de sinais e maravilhas acenderam de novo a paixão em muitas e muitas pessoas.

À medida que se aproxima o dia da volta de Jesus, observa-se um movimento espiritual cada vez mais acelerado de retorno à esperança inicial daqueles primeiros cristãos. O Evangelho do Reino precisa ser pregado à toda etnia para que o Rei possa se encontrar com Sua Noiva, a Igreja, adornada para Ele, sem mancha, sem ruga, sem mácula (Efésios 5.25-27).

Nesse momento-chave da história, o que podemos fazer a respeito? Qual o nosso papel? Que tipo de pessoa devemos ser?

"Contudo, o dia do Senhor virá como ladrão, no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, queimando, se dissolverão, e a terra e as obras que nela há serão descobertas. Se todas essas coisas serão assim destruídas, que tipo de pessoa devíeis ser? Pessoas que vivem em santidade e piedade, aguardando e esperando ansiosamente a vinda do dia de Deus... enquanto aguardais essas coisas, esforçai-vos para que sejais achados em paz por Ele, imaculados e irrepreensíveis" (2 Pedro 3.10-12,14).

Na Nova Tradução da Linguagem de Hoje, o verso 12 acima está assim: "Esperem a vinda do dia de Deus e façam o possível para que venha logo". É muito forte a relação nessa passagem entre o tipo de pessoa que devemos ser - santos, piedosos, achados em paz, imaculados, irrepreensíveis - e o instante em que os céus se abrirão e Jesus voltará. Parece claro que a conduta da Igreja apressa os dias do fim. O Rei da Glória virá para se casar com uma Noiva à Sua imagem e semelhança - esta é a Igreja Gloriosa.

Assim, existe algo para fazermos nesses dias: mantermos viva a nossa esperança pela Sua vinda, desenvolvendo a nossa salvação com temor e tremor (Filipenses 2.13) e anunciando o Evangelho do Reino com nossas ações e atitudes - pessoas, famílias e comunidades inteiras de uma fé e paixão intensas pelo Senhor, dispostas a morrerem para si e a viverem pela Causa.

Quem aguarda e espera ansiosamente a segunda vinda de Jesus está correndo com perseverança a corrida que nos está proposta, fixando os olhos Nele - discípulos que eliminam tudo o que os impede de prosseguir e o pecado que os assedia (Hebreus 12.1-2).

Quem aguarda e espera ansiosamente a segunda vinda de Jesus eleva o padrão - consideram Aquele que suportou oposição, Aquele que sofreu e morreu por nós. Por isso não se cansam, nem ficam desanimados (Hebreus 12.3).

Quem aguarda e espera ansiosamente a segunda vinda de Jesus participa da Sua Santidade - entende e recebe a correção do Pai (Hebreus 12.10).

Todo pai natural deseja o que é melhor para seu filho ao corrigi-lo. A disciplina não é motivo de alegria no momento, mas produz fruto pacífico de justiça (Hebreus 12.11). Há dois tipos de escravidão: antes éramos escravos do pecado e produzíamos frutos para nossa vergonha e morte; uma vez libertos do pecado, fomos feitos escravos de Deus e agora produzimos frutos para santificação e vida eterna (Romanos 6.20-22). Aquele que vive segundo a carne pensa nas coisas da carne - mentalidade de morte. Mas nós vivemos segundo o Espírito e pensamos nas coisas do Espírito - mentalidade de vida e paz (Romanos 8.5-8). Todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus, pois recebemos o Espírito de adoção, pelo qual clamamos: Aba, Pai! (Romanos 8.14-15) - queremos verdadeiramente o Reino de Deus por tudo o que ele representa: alegria, paz e justiça, ou seja, correção, disciplina? Nada pode nos separar do amor do Pai, nem de Sua disciplina.

Quem aguarda e espera ansiosamente a segunda vinda de Jesus firma as mãos cansadas (serviço, adoração) e os joelhos vacilantes (constância na fé e na oração), endireita os caminhos para os pés (modo de viver, mentalidade de vida pelo Espírito), sendo assim exemplo e cura para outros (Hebreus 12.12-13).

Quem aguarda e espera ansiosamente a segunda vinda de Jesus procura viver em paz com todos - produz fruto pacífico de justiça, pela disciplina recebida do Pai por intermédio da vida de Cristo em sua vida e no Corpo, a Igreja (equilíbrio na devoção individual e comunitária, reflexos na família e na sociedade). Procura viver em santificação (Hebreus 12.14).

Esse é o tipo de pessoa que devemos ser. É para esse tipo de Igreja que Jesus voltará.