terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Recuperando a doutrina da vingança de Deus

Do blog de Victor Vieira | Texto original de Dalton Thomas | Traduzido por Christie Vieira Zon

{ Texto muito pontual, relacionado ao que escrevi recentemente em O princípio das dores e nossa posição em Cristo, sobre a intensificação das crises no mundo e a proximidade da segunda vinda de Jesus. Ele está vindo para estabelecer o Seu Reino e a Sua Justiça. Ele trará juízo sobre tudo o que tem ferido Seu caráter. A Igreja Gloriosa reinará ao Seu lado, conforme Apocalipse 2.26-27: "Ao vencedor e ao que continuar nas minhas obras até o fim, darei autoridade sobre as nações, assim como eu recebi autoridade de meu Pai, e com cetro de ferro as regerá, quebrando-as como são quebrados os vasos do oleiro". }

“O Dia da Vingança estava em Meu coração…” (Isaías 63.4)

O dia 10 de Junho de 2014 foi um dos dias mais pesarosos da minha curta vida. Foi o dia em que a cidade de Mosul caiu sob o poderio do Estado Islâmico (ISIS).

Lembro-me de estar sentado em meu sofá, em minha sala de estar, assistindo aos vídeos e fotos mais pavorosos que já vi aparecerem em uma enxurrada de hashtags nas mídias sociais. Execuções em massa eram postadas no Twitter. Gargantas eram cortadas no Youtube. Covas eras cheias de corpos sem vida e eram postadas nos Instagram. Sem censura. Friamente. Sem parar. Ao redor de todo o mundo, pessoas como eu sentaram em seus sofás e assistiram os soldados bárbaros do Estado Islâmico cometerem os maiores crimes de guerra da história moderna. Enquanto regimes assassinos do passado tentaram de todas as formas apagar suas atrocidades diante da comunidade internacional, os esquadrões da morte de Al-Baghdadi se gabavam das suas.

Poucos dias depois de a cidade cair, um amigo meu postou uma foto da porta da frente da casa de sua família, em Mosul, no Instagram. Ela estava marcada com a letra árabe “N”. Eles eram Cristãos. A foto que ele postou era sua despedida de sua vizinhança. Ele foi um dos sortudos que escaparam com vida.

Nas semanas seguintes à queda de Mosul e às execuções em massa em lugares como Tikrit, a comunidade internacional começou a debater uma resposta adequada ao regime que teria feito os Nazistas corarem. Os Cristãos começaram a oferecer suas opiniões sobre as virtudes da não-violência, a insanidade da guerra, a responsabilidade ética de proteger o oprimido e todo tipo de argumento imaginável.

Daqui, do conforto da minha sala de estar, do outro lado do mundo, meu coração se encheu com tantas emoções diferentes enquanto eu lia os tweets e blogs e posts de Facebook dos Cristãos que estavam tentando apresentar seus pontos de vista de maneira persuasiva, competindo e contradizendo-se. De todos os sentimentos que senti, o pesar foi o mais forte. Me entristecia a magnitude do sofrimento humano nas mãos do homem mau. E me entristecia ao perceber a inabilidade geral da igreja em compreender, opinar sobre ou abordar o assunto.

Quando Mosul caiu, as fachadas que cobriam a falência espiritual da igreja ocidental caíram com ela. Não tínhamos nada a dizer. E a maior parte do que estávamos dizendo não deveria ter sido dito de maneira alguma (considerei a possibilidade de incluir alguns prints dos tweets de líderes Cristãos durante os meses em que trabalhei neste artigo, mas decidi não fazê-lo).

Ao passo que os meses rolavam, me esforcei por descobrir e entender algumas das razões para nosso silêncio, nossas “palavras sem conhecimento que escurecem o conselho” (Jó 38.2) e nossa inabilidade de até mesmo olhar dentro do abismo brutalmente negro do Corão, que sanciona a violência jihadista (e me incluo nesse grupo apontado).

Fui levado a acreditar que a maior das razões é a nossa resistência pessoal e cultural, a nossa rejeição da realidade da vingança, retribuição e julgamento de Deus.

A VERDADE MAIS SUBDESENVOLVIDA DE NOSSO TEMPO

Consigo pensar em poucos assuntos que são tão impopulares quanto importantes, como a doutrina da vingança de Deus é hoje em dia.

O Cristianismo contemporâneo pop-cultural a evita amplamente, a descarta e abertamente a rejeita. Jesus, o Juiz, é como se fosse aquele tio bêbado de quem todos nos envergonhamos em todas as reuniões de família de fim de ano. Preferimos fingir que Ele não existe.

Será que essa é a realidade teológica mais preterida dos nossos tempos?

Nesse momento da história tumultuado, ruidoso, violento e agressivo é imperativo que a recuperemos.

O QUE É?

A mensagem bíblica da vingança está gira em torno da realidade da retribuição divina no tempo e no espaço. É a reivindicação da palavra de Deus, do caráter de Deus, da aliança de Deus e do povo de Deus.

É grandemente e quase totalmente associada ao fim dos tempos, o Dia do Senhor, quando a janela de anistia e misericórdia (atualmente aberta) será fechada em preparação para a limpeza e restauração da ordem, que estava condenada. É o Dia quando o Senhor manchará Suas vestes com o sangue das nações, às quais Ele pisa como a uvas num lagar (Isaías 63); o Dia quando Ele fará com que a face da terra murche (Isaías 24); o Dia em que o Senhor ferirá os cabeças de muitos países e a tudo encherá que corpos mortos (Salmos 110); quando abaterá a soberba dos tiranos (Isaías 13); o Dia em que Sua indignação e Sua ira aos que são desobedientes (Romanos 2); quando executará punição eterna aos que não obedecem (II Tessalonicenses 1.8,9); separa as nações entre ovelhas a serem recompensadas e bodes a serem condenados ao fogo eterno (Mateus 25); beberá do cálice do furor do Senhor (Isaías 51 e Apocalipse 16); cortará em dois os maus e os hipócritas (Mateus 24); ferirá a terra com a vara de Sua boca (Isaías 11); executará o julgamento dos rebeldes, destinando-os ao fogo eterno (Judas); lambuzará Sua espada do sangue e da gordura daqueles que se opõem a Ele (Isaías 34); despedaçará as nações como um oleiro quebrando vasos de barros (Salmos 2); e pagará aos maus com a merecida retribuição e vingança (Romanos 12).

Dado o número de passagens que detalham o Dia quando Deus irá executar Sua santa vingança, podemos compreender porque Ele disse a Isaías: “O dia da vingança estava em meu coração” (Isaías 63.4).

ÓDIO POR UM DEUS QUE JULGA

A razão principal de que a realidade da vingança de Deus é impopular em nossos dias, é porque a achamos ofensiva nos terrenos lamacentos em que “surge como uma contradição dos atributos sensíveis de Deus: Sua misericórdia, Sua gentileza, Sua bondade, Sua paciência.”

Como diria A. W. Tozer: “Deus nunca suspende um atributo para exercer um outro.” Jesus é o Leão e o Cordeiro. A vingança e a misericórdia não se contradizem entre si, assim como não o fazem o Lago de Fogo e os Novos Céus e Uma Nova Terra; eles são verdades; preciosos, importantes, verdades duradouras. É tão frequente encontrarmos frases sobre “a bondade e a severidade de Deus” (fazendo uso das palavras de Paulo, em Romanos 11.20-22), estando lado a lado no mesmo contexto.

Ele não é misericordioso OU justo. Ele é Deus.

Todas as heresias e erros vêm de uma tentativa carnal de opor realidades legítimas e categorias umas contra as outras. Precisamos resistir à tentação do reducionismo teológico que tanto permeia nossa cultura Cristã tão superficial. Deus é bom. Nós exploraremos as profundezas de Sua bondade por eras sem fim. Mas Ele também é justo. A forma como Ele executa justiça não contradiz Sua bondade, só a confirma.

MAS E O NOVO TESTAMENTO?

Um dos motivos pelo qual a vingança de Deus é escarnecida pelos crentes hoje em dia, é porque tantos já compram a conclusão de que essa é uma “ideia do Antigo Testamento”, que foi abolida, de alguma maneira, pela mensagem central do Novo Testamento. Como um pregador disse uma vez: “Jesus é teologia pura” para persuadir as pessoas de que, em Sua misericórdia e amor, Jesus supostamente nos deu uma nova imagem de Deus em que podemos permanecer; uma imagem que nega a severidade de Deus, que podemos ver no Antigo Testamento. Os problemas com essa apologética são enormes.

O problema com a ideia de que a graça do Novo Testamento suplanta a vingança do Antigo Testamento (que são categorias falsas e vazias) não somente é que o Novo Testamento está repleto de afirmações pesarosas da santa fúria de Deus, mas também que Sua vingança é, de maneira bem real, mais aterrorizante agora do que era antes de o sangue do santo Filho de Deus ter sido derramado. A certeza da vingança de Deus é solidificada no Novo Testamento, e não abolida. Considere isto:

"Quebrantando alguém a lei de Moisés (Antigo Testamento), morre sem misericórdia, só pela palavra de duas ou três testemunhas. De quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus (Novo Testamento), e tiver por profano o sangue da aliança com que foi santificado, e fizer agravo ao Espírito da graça? Porque bem conhecemos aquele que disse: ‘Minha é a vingança, eu darei a recompensa’, diz o Senhor. E outra vez: ‘O Senhor julgará o seu povo’" (Hebreus 10.28-30).

A frase “de quanto maior castigo” é de dar calafrios. O Evangelho da graça que encontramos no Novo Testamento não nos ensina que a vingança é negada pela graça, mas que se o Espírito da graça for insultado, se o sangue do Filho que foi morto for pisado e profanado, se Sua misericórdia for escarnecida, o Senhor irá “recompensar” com “vingança”.

É importante reconhecer que se formos comparar o número de versos sobre a severidade de Deus, o Novo Testamento se equipara ao Antigo Testamento. E é interessante notar que a maioria dos textos sobre vingança, julgamento e retribuição de Deus no Novo Testamento são pastorais, por natureza. Por exemplo, considere Romanos 12, um capítulo em que Paulo transiciona de sua seção sobre “o mistério de Israel”, em Romanos 9 a 11 para exortações pastorais a uma comunidade que passa por aflições, por injustiças pessoais. “Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira, porque está escrito: ‘Minha é a vingança; eu recompensarei, diz o Senhor’.” (Romanos 12.19)

O contexto do versículo é a perseguição e os maus-tratos de crentes. A eles, Paulo diz: “Quando as pessoas os desonrarem, tirarem as coisas de vocês, fizerem mal a vocês, zombarem de vocês ou matarem seus entes queridos, deixe que sua sede por justiça seja extinguida pela certeza de que o Senhor irá intervir por vocês com forca e fúria, um dia.” Os detalhes específicos de como vai ser aquele Dia são explicados à outra comunidade necessitada do poder assegurador da doutrina da retribuição divina.

“Se de fato é justo diante de Deus que dê em paga tribulação aos que vos atribulam, e a vós, que sois atribulados, descanso conosco, quando se manifestar o Senhor Jesus desde o céu com os anjos do seu poder, com labareda de fogo, tomando vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo. Os quais, por castigo, padecerão eterna perdição, longe da face do Senhor e da glória do seu poder, quando vier para ser glorificado nos seus santos, e para se fazer admirável naquele dia em todos os que crêem (porquanto o nosso testemunho foi crido entre vós).” I Tessalonicenses 1.6-10

Atente para a linguagem. “Se de fato é justo”. “Dê em paga”. “Tomando vingança”. “Por castigo”. Um Soberano justo que paga os homens rebeldes com aflição por punição devastadora eternamente não pode ser popular em nossos dias. Mas isso não muda o fato de que isso é o que o Homem a quem amamos e adoramos fará em Sua aparição. Esse é o nosso Jesus.

Esse texto, em particular, deixa claro que nós não somente não mudaremos o futuro ou o caráter de Deus por negarmos que Ele é um Deus de vingança, mas também que estamos roubando a Igreja uma das realidades fundamentais que nos sustenta para suportarmos sofrer injustiça.

PORQUE É IMPORTANTE

Além de ser simplesmente verdadeira, a doutrina da vingança de Deus é importante por dez mil motivos. À luz do momento histórico em que nossos filhos estão sendo criados, um tempo de injustiça, depravação, violência e pecado sem precedentes, eu quero fazer menção de duas razões.

É importante para a Igreja perseguida. O alivio está a caminho. A retaliação é inútil. Nosso desejo por vingança e conforto será satisfeito. Aqueles que afligem os justos serão recompensados na íntegra no grande Dia. Outrossim, tentados a chicotear nossos inimigos em busca de obter justiça por nós mesmos, a realidade da vingança divina nos muda. Passamos a ver nossos inimigos de maneira diferente. E nos vemos de forma diferente, também. Sabendo que seremos recompensados por nosso sofrimento e que eles serão esmagados por terem infligido o sofrimento, nossa agressão se torna em compaixão intercessória, por meio da qual buscamos a salvação daqueles que, caso não se arrependam, sofrerão as eternas consequências por sua provocação. É por isso que o escritor de Hebreus pôde dizer:

“…suportastes grande combate de aflições. Em parte fostes feitos espetáculo com vitupérios e tribulações, e em parte fostes participantes com os que assim foram tratados. Porque também vos compadecestes das minhas prisões, e com alegria permitistes o roubo dos vossos bens, sabendo que em vós mesmos tendes nos céus uma possessão melhor e permanente. Não rejeiteis, pois, a vossa confiança, que tem grande e avultado galardão. Porque necessitais de paciência, para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, possais alcançar a promessa.” Hebreus 10.32-36

Deus recompensa e Deus executa a retribuição. É quem Ele é. O sangue derramado de Jesus amplifica quão misericordiosa Sua misericórdia realmente é e quão poderosa Sua fúria pode verdadeiramente ser.

Também é importante para os pregadores do Evangelho. O Dia da vingança do está no coração do Senhor. A janela de misericórdia e anistia eventualmente irá se fechar. O Evangelho do Reino que proclamamos tem tanto a ver com a misericórdia rica e disponível quanto com a justiça e a retribuição. Há uma pena para o pecado. Devemos dar testemunho tanto dos momentos doces quanto dos momentos amargos; de Sua bondade assim como de Sua severidade.

O ambiente do mundo ocidental nos permite o luxo de não lidar seriamente ou responsavelmente com as grandes questões surgidas em eventos como as que transpiraram no Levante de Junho passado (eventos que continuam acontecendo até hoje). A realidade infeliz é que esse luxo está, na verdade, mutilando nossa capacidade de testemunhar em nosso país e fora dele. E o mais importante, está erodindo nossas almas. “Como?”, você pode perguntar. Nos encorajando a continuar recorrendo às mentiras em que temos acreditado por muito tempo e continuar propagando essas mentiras sobre Deus.

Ó, Senhor Deus,
A quem a vingança pertence
Ó, Deus, a quem a vingança pertence
Mostra-te resplandecente.
Exalta-te, Tu, que és Juiz da terra…

(Salmos 94.1-2)

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

O princípio das dores e nossa posição em Cristo

Luciano Motta

O mundo começa 2015 abalado pelos incidentes na França e em outros países, como a Nigéria. As grandes potências ocidentais estão alarmadas com a proliferação de grupos radicais e veem no discurso aparentemente religioso desses extremistas intenções escusas de poder e controle sobre territórios e fontes de riqueza, como os campos de petróleo. É claro que essas questões são muito mais complexas. Análises históricas, geopolíticas e sociológicas apontariam outros fatores além dos acima citados. Porém, de qualquer forma, a humanidade está colhendo hoje as injustiças e os conflitos do passado. Não bastassem as guerras e os ataques terroristas, o clima do planeta parece já ter sido afetado de forma irreversível pelas inconsequências do homem.

Aqui no Brasil, os conflitos que travamos são só um pouquinho diferentes. Se não estamos sob a mira de radicais islâmicos, sofremos com a violência de facções criminosas que ocupam os espaços abandonados pelo poder público e ditam suas próprias leis. Nossas cidades possuem índices de homicídios semelhantes aos de conflitos armados na África e no Oriente Médio. Sofremos também com o discurso dos políticos, ainda ancorado no lugar-comum das promessas vazias, das ações pautadas pelo improviso, por "jeitinhos" e "esquemas". A crise em nossa maior instituição - a Petrobras - apenas confirma o que todos já sabiam: a corrupção está em todos os níveis, entranhada como câncer na nação brasileira. Para piorar, a falta de chuvas promove caos nas metrópoles e nas regiões agrárias.

São dias realmente difíceis, mas não nos surpreendemos. Jesus alertou Seus discípulos (e todos nós) sobre os tempos do fim:

"E ouvireis falar de guerras e rumores de guerras; não fiqueis alarmados; pois é necessário que assim aconteça; mas ainda não é o fim. Porque nação se levantará contra nação, e reino contra reino; e haverá fomes e terremotos em vários lugares. Mas todas essas coisas são o princípio das dores" (Mateus 24.6-8).

Em analogia a uma mulher grávida prestes a dar a luz, Jesus identifica o agravamento da violência, das desigualdades sociais e das calamidades naturais como "o princípio das dores". É de se esperar, portanto, que as dores atuais aumentem mais e mais, em intervalos de tempo cada vez menores. Um bom exemplo disso é o fato de sempre terem ocorrido abalos sísmicos e mudanças climáticas na terra, mas nunca com a frequência e a intensidade que se vê nas últimas décadas.

Outro ponto é o profundo e largo abismo entre ricos e pobres. Estima-se que apenas 2% da população mundial concentre metade da riqueza global e que mais de 800 milhões de pessoas no planeta (uma em cada oito) ainda passem fome, especialmente por causa de conflitos armados, catástrofes naturais e alimentos com preços elevados.

Mais eventos dramáticos irão se intensificar no mundo nos próximos anos, conforme as palavras de Jesus:

"Então sereis entregues à tortura e vos matarão; e sereis odiados por todas as nações por causa do meu nome. Nesse tempo, muitos haverão de abandonar a fé, trair e odiar uns aos outros. Também surgirão muitos falsos profetas e enganarão a muitos. E, por se multiplicar a maldade, o amor de muitos esfriará" (Mateus 24.9-12).

Pode parecer algo muito distante para nós, brasileiros, sermos torturados e mortos por causa de Cristo, mas já é uma triste realidade em muitos países. Não se engane: isso também chegará aqui. As nações irão nos odiar se seguirmos verdadeiramente a Jesus. Pessoas próximas, companheiros de trabalho, amigos e parentes irão nos odiar se nos posicionarmos pelos valores do Reino de Deus. A tradicional (e bíblica) concepção de casamento entre um homem e uma mulher tem sido radicalmente combatida em nossos dias, e quem se posiciona contra os ditames do mundo a esse respeito sofre retaliações e perseguições de todo tipo. Não falta muito tempo para que nosso estilo de vida centrado em Deus comece a provocar grande ira em quem rejeita tudo o que se aproxima de Cristo ou de ser cristão.

À medida que o amor se esfriar, as pessoas se tornarão mais individualistas, mais desconfiadas, mais agressivas. Será muito difícil manter uma aliança com alguém (no casamento, nos negócios e até na igreja), porque a traição se converterá em uma prática normal. Valores como ética e integridade ficarão de lado porque as pessoas amarão o mundo e o que nele há. Serão guiadas pelo desejo da carne, pelo desejo dos olhos e pelo orgulho dos bens (1 João 2.15-16). Ao mesmo tempo, falsos profetas se levantarão nas nações e pregarão um falso evangelho, pautado pelo amor ao dinheiro e pelo engrandecimento de si mesmos, de seus empreendimentos. Multidões vem sendo enganadas por pseudo-homens-de-Deus que profetizam mentiras em nome do Senhor (Jeremias 29.9) e que interpretam as Escrituras segundo sua própria conveniência, para crescimento de seus impérios religiosos.

Como resultado de tudo isso, muitos abandonarão a fé. Pessoas que um dia tiveram o coração inflamado pelo Senhor mergulharão em profundas crises e deixarão de seguir o Caminho. Muitas igrejas se tornarão mornas, ainda tentarão manter uma aparência de fervor, mas não resistirão à multiplicação da maldade e ao esfriamento do amor.

Lembremos que essas são as primeiras dores. O cenário aterrador deste começo de 2015 (e dos últimos anos) ainda é leve. Virá uma grande tribulação sobre o mundo inteiro. Apesar das crises atuais e da perspectiva sombria quanto aos próximos acontecimentos, Jesus nos deixou uma promessa:

"Mas quem perseverar até o fim será salvo. E este evangelho do reino será pregado pelo mundo inteiro, para testemunho a todas as nações, e então virá o fim" (Mateus 24.13-14).

O aumento das dores no mundo não deve nos assustar, mas nos levar a um posicionamento. Aqui, a palavra perseverar significa "permanecer, não retirar-se ou fugir; manter-se firme na fé em Cristo; sofrer e aguentar bravamente". Só teremos condições de perseverarmos em dias tão turbulentos se nos enriquecermos (espiritualmente) em Cristo, em toda palavra (decretos e preceitos de Deus) e em todo conhecimento (sabedoria e revelação de Deus), na proporção que o testemunho Dele for confirmado entre nós. Ele mesmo nos firmará até o fim, para sermos irrepreensíveis no dia de nosso Senhor Jesus Cristo" (1 Coríntios 1.5-8).

Um caso emblemático é o da igreja em Tiatira (Apocalipse 2.18-29), notória por suas obras, seu amor, sua fé, seu serviço e sua perseverança. Mas era uma igreja que tolerava Jezabel, ou seja, era um povo permissivo em relação a uma forma de pensar totalmente contrária ao Senhor. Veja que de cristãos perseverantes, cheios de amor e obras (semelhantes a muitos de nós), foram se esfriando por serem passivos com a iniquidade. No fim, apenas uma parte perseverou. As Escrituras falam de um remanescente que não sucumbiu à sedução de Jezabel e sua falsa doutrina, um remanescente que conservou (manteve cuidadosamente e fielmente) o que havia recebido de Cristo.

Na hora mais crítica, Pedro negou conhecer Jesus para fugir de maiores consequências, mas depois se arrependeu e liderou a igreja primitiva, conservando o testemunho de Cristo. Hoje, numa época de intensas dores e de espera pelo Rei que virá e restaurará todas as coisas, enquanto ainda temos algum tempo antes da grande tribulação e do Dia do Senhor, precisamos nos arrepender de uma fé cômoda, que muitas vezes nos permite vivermos sem assumirmos o Cristo que realmente cremos e conhecemos perante o mundo, não importam as circunstâncias. Esse tipo de fé não suportará tantas guerras, fomes, terremotos, perseguições e mortes por vir. Precisamos nos posicionar agora mesmo radicalmente em Cristo, e nada nos abalará, pois seremos aqueles que "venceram pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho e, mesmo diante da morte, não amaram a própria vida" (Apocalipse 12.11).

Além disso, se nos aprofundarmos em Cristo, também iremos perseverar em nossas alianças no Corpo de Cristo. Na verdade, seremos uma resposta à oração de Jesus para que fôssemos um (João 17). Precisamos zelar pelos nossos relacionamentos enquanto família de Deus. Precisamos zelar pela unidade da Igreja.

Haverá um remanescente em Israel que se unirá ao remanescente da Igreja e juntos serão a Noiva gloriosa que o Noivo irá encontrar na Segunda Vinda. Somente quem estiver preparado entrará com Ele para a festa de casamento (Mateus 25.1-13), Somente os servos bons e fiéis participarão da alegria do Senhor (25.14-30). Quando enfim as dores de parto cessarem, aqueles que perseverarem verão o nascimento de um novo tempo - o Reino de Deus sendo estabelecido definitivamente. Aqueles que se posicionarem verão o Rei face a face e estarão ao lado Dele para sempre. Falta pouco tempo!

"Ele mesmo nos firmará até o fim, para sermos irrepreensíveis no dia de nosso Senhor Jesus Cristo" (1 Coríntios 1.8).

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Leituras em 2014

No começo de 2014 me dediquei à conclusão do meu Mestrado. A partir de março, meu foco foi a leitura de livros com temas específicos: adoração, honra, contentamento em Deus, além das próprias Escrituras Sagradas (indispensáveis!). Já nos últimos meses do ano, finalizei meus primeiros livretos, publicados em dezembro. Não li o tanto que gostaria (como a foto ao lado sugere), mas foi um ano de boas leituras e crescimento.

Cada título abaixo foi muito importante em minha vida no ano passado, de diferentes maneiras. Recomendo cada um deles, especialmente o primeiro da lista. Boa leitura!

  • O DNA do nazireu / Lou Engle / (Teologia) Um livreto muito forte sobre nossa separação total e irrestrita para Deus e Seu chamado em nossas vidas. Recomendadíssimo!

  • Os segredos de liderança de Paulo / Jeff Caliguire / (Teologia) O autor se baseia nos registros bíblicos da vida do apóstolo Paulo, como ele era um líder influenciador e um exemplo para nós hoje.

  • Os sete anelos do coração humano / Mike Bickle / (Teologia) Deus criou cada pessoa com anseios profundos que só Ele pode preencher. Desejamos beleza, grandeza, fascínio, intimidade, sermos apreciados e produzirmos um impacto duradouro. Esses anseios vêm de Deus, e Nele somos satisfeitos.

  • Poesia brasileira e estilos de época / Alcmeno Bastos / (Teoria Literária) Uma análise panorâmica da poesia brasileira desde as origens até a contemporaneidade.

  • The lost art of pure worship / James W. Goll e Chris Dupré / (Teologia) Uma reunião de diversos artigos sobre adoração, para líderes de música e cristãos que querem se aprofundar mais na arte de dignificar e conhecer Deus. [Ainda não possui tradução em português]

  • A recompensa da honra / John Bevere / (Teologia) Pela restauração da honra entre os filhos de Deus. Foi muito bom poder encontrar neste livro muitos pontos em comum com o que venho escrevendo a respeito da honra.

  • A restauração da Palavra / John Walker / (Teologia) A primeira parte de uma série de seminários que enfocam a busca por conhecer as verdades escondidas na Palavra de Deus.

  • Plena satisfação em Deus / John Piper / (Teologia) A busca radical da alegria em Deus, que supre totalmente os anseios da nossa alma. Excelente!

  • Bar Barakah / Craig Hill / (Teologia) Trata da necessidade de abençoar os filhos no período da puberdade e de liberá-los para a fase adulta, a fim de alcançarem a imagem da identidade em Deus. Com pontos em comum ao Bar Mitzvah (cerimônia judaica de transição do jovem para a fase adulta), este livro traz uma ótica cristã sobre essa cerimônia, que é uma celebração.

  • Nove divisões da Bíblia / John Walker / (Teologia) Mostra, de forma panorâmica, o plano de Deus para a humanidade que une todos os livros da Bíblia.

Veja também: minhas leituras e sugestões de livros em 20132012, 2011, 2010 e 2009