sábado, 23 de outubro de 2010

As estratégias do homem x A vontade de Deus

Luciano Motta

{ Continuo a falar sobre a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. Este texto por sua vez sofreu grande influência de um seminário ministrado pelo irmão Anderson Bomfim, que esteve em nossa comunidade em São Gonçalo nos últimos dias 09 e 10 de outubro de 2010. Certamente outras palavras minhas em posts futuros serão permeadas daquele seminário, que foi excelente. }

EstratégiaÉ bastante conhecida a passagem em que 12 espias, príncipes de cada tribo de Israel, foram enviados à terra prometida para sondarem suas riquezas e perigos. O relatório que eles trouxeram confirmava tudo a respeito do que Deus havia dito por meio de Moisés. Porém, haviam gigantes e cidades fortificadas que eles deveriam combater e expulsar para que pudessem tomar posse definitiva da terra.

Uma grande confusão de instaurou no meio do povo, porque a maior parte de seus príncipes decretara como certa a derrota diante daqueles inimigos. Apenas dois, Calebe e Josué, confiaram na palavra de Deus por intermédio de Moisés. Pois o Senhor se enfureceu com tudo aquilo e determinou um duro castigo: cada dia daquela expedição representaria um ano a mais no deserto. E por 40 anos toda a geração que saiu do Egito morreu na sequidão. Somente seus filhos puderam entrar na terra prometida.

Um detalhe muito importante nessa história é esquecido: a estratégia de enviar espias não foi propriamente de Deus, mas do povo, com a aprovação de Moisés:

"Vejam, o Senhor, o seu Deus, põe diante de vocês esta terra. Entrem na terra e tomem posse dela, conforme o Senhor, o Deus dos seus antepassados, lhes disse. Não tenham medo nem se desanimem. Vocês todos vieram dizer-me: Mandemos alguns homens à nossa frente em missão de reconhecimento da região, para que nos indiquem por qual caminho subiremos e a quais cidades iremos. A sugestão pareceu-me boa; por isso escolhi doze de vocês, um homem de cada tribo" (Deuteronômio 1.21-23 NVI).

Há uma aparente divergência entre esse texto e Números 13. Não quero me ater ao debate, nem propor aqui um aprofundado estudo a respeito. Tomemos como síntese o comentário de Barnes:
O plano de enviar os espiões se originou com o povo, e como pareceu razoável, foi aprovado por Moisés, foi submetido a Deus, sancionado por Ele, e realizado sob orientação divina especial. O objetivo do orador neste capítulo [de Deuteronômio] é trazer ao povo enfaticamente suas responsabilidades e comportamento. Por isso, é importante lembrá-los que o envio dos espiões, que os levou imediatamente às suas queixas e rebeldia, era de sua própria sugestão.

Deus ordenou "Entrem na terra e tomem posse dela". O que os homens fizeram? "Estratégias". E Deus permitiu, por um tempo, que fizessem conforme desejaram. Perceba no texto o desvio: os caminhos a percorrer e as cidades a invadir seriam determinadas pelo reconhecimento dos representantes do povo, e não mais do direcionamento de Deus.

Assim é com grande parte da igreja hoje: envolvida até o pescoço em estratégias, programas, agendas, atividades... O povo não pode parar, os líderes precisam dar conta, os pastores devem promover campanhas e resoluções "em nome do Senhor" para que a igreja avance, cresça, multiplique, conquiste! Os ministérios bons são aqueles que sempre apresentam novidades: CDs, DVDs, sites, livros, camisetas, produtos que evidenciem "como aquela igreja é boa", mesmo que paguem o preço de servirem sem a aprovação de Deus (Ele permite que seja assim - por um tempo, diga-se) e corram o risco de morrerem no deserto (figura de um tempo de sequidão, de dores, de andar em círculos, de se estar perdido).

É cada vez maior o número de crentes extenuados com a igreja, de famílias de crentes desgovernadas e quebradas, de líderes cansados e esgotados, de pastores frustrados porque poucos o acompanham em seus planos. E ainda ocorrem abusos, como usar da autoridade pastoral ou do cargo de liderança para impor sobre as ovelhas e os liderados uma série de normas e procedimentos, que atendem à instituição e às determinações "de cima" mas que estão distantes da boa, agradável e perfeita vontade de Deus para a igreja e para os crentes individualmente.

Diz a Bíblia sobre Calebe: "o meu servo Calebe tem outro espírito e me segue com integridade" (Números 14.24 NVI). "Ele verá [a terra], e eu darei a ele e a seus descendentes a terra em que pisou, pois seguiu o Senhor de todo o coração" (Deuteronômio 1.36 NVI).

Estas palavras concordam plenamente com o que Jesus disse: "Quem me serve precisa seguir-me; e, onde estou, o meu servo também estará. Aquele que me serve, meu Pai o honrará" (João 12.26 NVI).

A "cultura evangélica" parece inverter as coisas: querem que o Mestre os siga e abençoe suas estratégias para conquistarem as cidades, as nações e o mundo; querem a honra do Pai pelos seus serviços, porém são esforços inúteis, com motivações erradas e ideais estranhos ao querer de Deus, ou pelo menos diferentes do que Ele, de fato, designou.

"Pois é Deus quem efetua em vocês tanto o querer quanto o realizar, de acordo com a boa vontade dele" (Filipenses 2.13 NVI).

O Senhor promove em nós uma disposição nova para servirmos no Reino em Sua força e em Sua estratégia. Quem quer é Ele. Quem realiza é Ele. Desta forma não há peso, não há frustração. Desta forma o Reino avança com integridade e eficácia. A igreja, portanto, experimenta a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.

Repense as estratégias que você tem empreendido em sua vida e ministério. Tem produzido vida, alegria e justiça ou estão gerando morte, peso e condenação? Considere a possibilidade de estar fora da posição que o Mestre quer. Considere que tanto esforço e trabalho podem ser em vão, por não significarem exatamente o que Ele deseja. Pense seriamente nisso.

Que Deus nos leve a viver conforme Filipenses 2.13.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Vivendo a boa, agradável e perfeita vontade de Deus

Luciano Motta

{ Este texto é mais um testemunho pessoal do que propriamente um artigo. Mantive algumas digressões. A escrita tem muito do meu coração. Estou muito feliz e agradecido a Deus por tudo o que Ele tem feito. A Ele seja a glória e o louvor! As passagens bíblicas que cito vieram à minha mente à medida que ia teclando e são coerentes ao meu ver com o cerne desse tema. Que você seja edificado e se alegre comigo! }

Vontade de DeusOs últimos dois meses tem sido muito tremendos para mim e para minha família. Temos experimentado avanços em áreas que estavam um tanto emperradas. Uma coisa já aprendemos e testificamos: quando nos posicionamos no centro da vontade de Deus, tudo em nossa vida se torna bom, perfeito e agradável - mesmo as circunstâncias mais difíceis (até minha esposa escreveu a respeito disso, e a gente não combinou nada!)

Temos aprendido que é realmente possível permanecer em paz e descanso mesmo naqueles momentos de "tempestade". Isso era algo distante para mim. Hoje não. Ainda não durmo profundamente no barco, como Jesus, mas já não me encontro agitado e perturbado como antes.

Aliás, há algo que perturba e desvia da vontade de Deus: a amargura.

"Esforcem-se para viver em paz com todos e para serem santos; sem santidade ninguém verá o Senhor. Cuidem que ninguém se exclua da graça de Deus. Que nenhuma raiz de amargura brote e cause perturbação, contaminando a muitos" (Hebreus 12.14-15 NVI).

Veja como o autor da epístola aos Hebreus posiciona "paz com todos e santidade" em oposição a "amargura e perturbação". A falta de perdão e a falta de amor para com o outro excluem da graça de Deus. A amargura perturba quando enraizada na alma e ainda contamina outros corações. Quando alguém está amargo, o comportamento das pessoas ao redor muda. O abraço torna-se mecanizado; o carinho, formal; os cumprimentos, burocráticos. Essas coisas privam, excluem da graça de Deus e desviam da Sua vontade. A Palavra nos exorta a escolhermos o caminho da conciliação, da paz, mesmo que às vezes recebamos desprezo e indiferença.

Outro fator importante que nos afasta ou nos aproxima de Deus: O que estamos buscando?

As igrejas evangélicas no Brasil, principalmente as chamadas neopentecostais, tem sido bastante enfáticas em relação a bênção, a vitória, a prosperidade (esta quase sempre associada ao aspecto financeiro). As músicas, o teor das pregações, o enfoque dos cultos congregacionais e o modo como os crentes percebem ao Evangelho, tudo tem se voltado para "a bênção" - um ícone evangélico atualmente mais recorrido que a cruz.

Mas a vontade de Deus é que busquemos o Abençoador, ou seja, Ele mesmo. Certamente isso evitaria muitos problemas na igreja e nos relacionamentos entre os crentes. Porque "a bênção" tal qual é definida e perseguida hoje tornou-se um ídolo, algo muito mais ligado ao espírito deste mundo, de estar por cima dos outros, de obter riquezas financeiras, de ter uma imagem positiva para a sociedade ainda que por dentro a vida esteja arrebentada.

"De onde vêm as guerras e contendas que há entre vocês? Não vêm das paixões que guerreiam dentro de vocês? Vocês cobiçam coisas, e não as têm; matam e invejam, mas não conseguem obter o que desejam. Vocês vivem a lutar e a fazer guerras. Não têm, porque não pedem. Quando pedem, não recebem, pois pedem por motivos errados, para gastar em seus prazeres. Adúlteros, vocês não sabem que a amizade com o mundo é inimizade com Deus? Quem quer ser amigo do mundo faz-se inimigo de Deus. Ou vocês acham que é sem razão que a Escritura diz que o Espírito que ele fez habitar em nós tem fortes ciúmes? Mas ele nos concede graça maior. Por isso diz a Escritura: 'Deus se opõe aos orgulhosos, mas concede graça aos humildes'. Portanto, submetam-se a Deus. Resistam ao diabo, e ele fugirá de vocês. Aproximem-se de Deus, e ele se aproximará de vocês! Pecadores, limpem as mãos, e vocês, que têm a mente dividida, purifiquem o coração. Entristeçam-se, lamentem e chorem. Troquem o riso por lamento e a alegria por tristeza. Humilhem-se diante do Senhor, e ele os exaltará. Irmãos, não falem mal uns dos outros. Quem fala contra o seu irmão ou julga o seu irmão, fala contra a Lei e a julga. Quando você julga a Lei, não a está cumprindo, mas está se colocando como juiz. Há apenas um Legislador e Juiz, aquele que pode salvar e destruir. Mas quem é você para julgar o seu próximo?" (Tiago 4.1-12 NVI)

Precisamos reconhecer que há algo errado nesse evangelho tão comumente encontrado nas igrejas: guerras, contendas, cobiças, invejas, amizade com o mundo, julgamento do irmão, falar mal do outro... Tudo porque o foco está errado.

O que se busca? Quais são as motivações? Temos uma igreja que aproxima as pessoas de Deus, de uma espiritualidade sadia, ou que produz crentes adequados a doutrinas, usos e costumes de uma instituição, de uma denominação, de uma visão?

Infelizmente, quando alguém não consegue mais viver nos moldes estabelecidos, é lançado fora. Às vezes é tratado pior do que um inimigo de Deus. Os "amigos" da igreja são na verdade "amigos dos eventos" da igreja. Saem os eventos, acaba-se a amizade. E aí se instauram as guerras, as contendas... Retoma-se o ciclo de amargura e perturbação, que exclui da graça de Deus.

Quando vivemos pela paz e não em contendas, deixamos de falar mal dos outros. Quando nos submetemos ao Senhor, resistimos ao diabo e dominamos nossas paixões carnais na força do Espírito Santo. Quando nos humilhamos e buscamos o Pai, Ele nos exalta. Por esses posicionamentos alcançamos o tão desejado descanso. A vida adquire um novo sabor. As conversas são outras. As crises tornam-se oportunidades e não tormentos.

É um aprendizado constante, não posso negar. É um longo e continuado processo de amadurecimento. Às vezes é preciso parar tudo e recomeçar a caminhada.

O poema que escrevi abaixo é uma síntese desse meu momento de vida. Citando o que falei sobre Recomeços:
"A questão não é recomeçar, é O QUE começar de novo".

Pois eu e minha casa decidimos recomeçar do ponto mais seguro: a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.

Alvo

Prossigo para o alvo
não em busca de vitórias
mas de recordes.
Já sou mais do que vencedor.
Minha vocação
É marcar esta geração.

Prossigo para o alvo
não em busca de bênçãos
mas do Abençoador.
Tenho recebido tudo o que preciso [e muito mais]
enquanto experimento
Sua boa, agradável e perfeita vontade.


Leia também: Obedecendo aos impulsos

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Novo Blog

Em 2010 minha vida está começando de novo em muitas áreas.

Sinto-me impulsionado por Deus a começar de novo também na internet.

Daqui até o final do ano farei a transição do Betesda.Blog para esse novo endereço.

Parte do conteúdo recente do blog anterior ficará lá e aqui, mas as atualizações e os novos textos aparecerão apenas aqui em 2011.

Toda mudança implica em trabalho. É o que espero nos próximos meses: colaborar com o Espírito Santo e a obra que Ele vem realizando em minha vida. E creio que você, leitor, será de alguma forma impactado também nesse processo.

Na certeza de que Ele é poderoso para fazer mais do que pedimos ou pensamos,

Luciano Motta