quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Conhecendo a Cristo II

Luciano P. Subirá - Extraído do site Alto Caminho | Continuação do artigo "Conhecendo a Cristo". Leia o começo aqui.

Sem uma revelação acerca de Jesus alguém pode crescer dentro de uma igreja, receber toda uma formação religiosa e até saber tudo acerca de Jesus, e mesmo assim, nunca ser transformado.

TRANSFORMAÇÃO POR UM “NOVO” CONHECIMENTO

Porém, quando esta pessoa consegue sair da dimensão de mero conhecimento intelectual e entrar numa dimensão de revelação, sua vida será drasticamente mudada. Penso que esta é uma das maiores necessidades da igreja de nossos dias.

Tiago, o irmão do Senhor (Gl 1.19) é um exemplo disto. Tanto ele como seus irmãos, não criam em Jesus. Até o momento da morte de Jesus eles sustentaram esta posição, pois não os vemos mencionados nos Evangelhos como estando por lá. E ainda reforça esta idéia o fato de que Maria estava sozinha, razão pela qual Jesus confiou o cuidado dela a João (Jo 19.26).

Só que algo aconteceu depois da morte e ressurreição de Jesus. Não temos um relato detalhado, só a menção do que houve. Mas sabemos que algo aconteceu, e que isto mudou para sempre a vida de Tiago:

“Depois foi visto por Tiago, depois por todos os apóstolos”. (1 Coríntios 15.7)

E aquele Tiago cínico que provocava Jesus, que quis prende-lo, que não cria nele, mudou completamente. Não mudou pelo conhecimento segundo a carne de toda uma vida fisicamente próximo de Jesus, mas quando provou uma revelação do Cristo ressurreto, tudo mudou! Acredito que esta revelação foi o marco desta mudança, pois ele já passou a ser mencionado entre os que estavam reunidos no Cenáculo (At 1.14) por ocasião do Pentecostes. E Tiago se tornou uma das colunas da Igreja em Jerusalém, mencionado antes mesmo de Pedro e João:

“E conhecendo Tiago, Cefas e João, que eram considerados como as colunas, a graça que se me havia dado, deram-nos as destras, em comunhão comigo e Barnabé, para que nós fôssemos aos gentios e eles, à circuncisão”. (Gálatas 2.9)

Por ocasião do Concílio de Jerusalém, vemos todos falando sobre o motivo da controvérsia da circuncisão ser aplicada ou não aos gentios. Pedro fala, até Paulo se levanta com Barnabé e também falam, mas é quando Tiago se levanta e fala que o assunto se dá por encerrado e concluído. Que diferença entre o irmão de Jesus visto nos Evangelhos e este grande líder que ele veio a ser!

Ele ganhou muito respeito e admiração não por ter sido irmão do Senhor, mas certamente pela vida que vivia em Deus. Pela linguagem adotada em sua epístola, percebemos que Tiago era um homem de liderança forte e que não poupava confrontos. O motivo pelo qual Pedro foi repreendido por Paulo em Antioquia foi mudar de comportamento quando chegaram alguns da parte de Tiago:

“E, chegando Pedro à Antioquia, lhe resisti na cara, porque era repreensível. Porque, antes que alguns tivessem chegado da parte de Tiago, comia com os gentios; mas, depois, que chegaram, se foi se retirando e se apartou deles, temendo os que eram da circuncisão”. (Gálatas 2.11 e 12)

Porque Pedro temeria os da parte de Tiago? Certamente pela sua liderança e influência que veio a ter entre os crentes de Jerusalém, Pedro preferia evitar confrontos com ele. Isto tudo indica o homem de Deus que Tiago passou a ser depois de ter recebido sua revelação do Cristo ressurreto.

TRANSFORMAÇÃO ESTAGNADA

Diferentemente do primeiro grupo mencionado, que nunca teve uma transformação, há muitos dentro das igrejas que tiveram uma experiência inicial de transformação. Contudo, de alguma forma, com o passar do tempo, estagnaram na fé e na experiência e não percebem mais diferença alguma em suas vidas. O que os impediu de continuarem provando a transformação?

Certamente não foi por não conhece-la, pois estas pessoas são justamente aquelas que se encontram insatisfeitas, desejosas de mudança, uma vez que já provaram-na um dia. E é preciso ressaltar que, sob circunstância alguma podemos admitir a ausência do processo de transformação, uma vez que “a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito” (Pv 4.18). Ninguém é transformado instantaneamente. Algumas áreas de nossa vida podem ser impactadas e mudadas mais rapidamente, porém não será assim em todas as áreas. Se o processo de transformação estagnou, é porque a revelação de Cristo em nossa vida também estagnou.

Precisamos retomar a busca pelo conhecimento revelado em nossas vidas, pois somente assim avançaremos no processo de transformação. A palavra grega traduzida por revelação, do grego “appocalipse”, significa: “remover o véu”. Indica a remoção de um empecilho à visão que, em nosso caso, é a dificuldade de entender as coisas espirituais.

“Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque para ele são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente”. (1 Coríntios 2.14)

Somente pela ação do Espírito Santo em nossas vidas podemos penetrar esta dimensão de entendimento. Foi o que aconteceu conosco quando nos convertemos ao Senhor Jesus:

“Mas o entendimento lhes ficou endurecido. Pois até o dia de hoje, à leitura do velho pacto, permanece o mesmo véu, não lhes sendo revelado que em Cristo é ele abolido; sim, até o dia de hoje, sempre que Moisés é lido, um véu está posto sobre o coração deles. Contudo, convertendo-se um deles ao Senhor, é-lhe tirado o véu”. (2 Coríntios 3.14-16)

Só que, com o passar do tempo, muitos de nós nos inclinamos a uma busca de entendimento meramente intelectual (segundo a carne), e isto nos rouba o processo de transformação, que não se dá só por aquisição de informação, mas pelo impacto do Espírito Santo em nosso íntimo. Não podemos parar. Não podemos estagnar na revelação de Cristo!

CONHECIMENTO PROGRESSIVO

A Bíblia nos exorta em avançar no pleno conhecimento de Deus:

“Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor…” (Oséias 6.3)

Conhecer a Deus é um ato progressivo e contínuo. Veja o que Paulo declarou depois de anos de comunhão e intimidade com Cristo:

“Sim, na verdade, tenho também como perda todas as coisas pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas as coisas, para que possa ganhar a Cristo… para conhecê-lo, e o poder da sua ressurreição e a participação dos seus sofrimentos, conformando-me com ele na sua morte, para ver se de alguma forma consigo chegar à ressurreição dentre os mortos. Não que já a tenha alcançado, ou que seja perfeito; mas vou prosseguindo, para ver se poderei alcançar aquilo para o que fui alcançado por Cristo Jesus”. (Filipenses 3.8,10-12)

Se pararmos de avançar, não alcançaremos o propósito de Deus para nossa existência. Devemos crescer até a plenitude do conhecimento de Cristo:

“Para que os seus corações sejam animados, estando unidos em amor, e enriquecidos da plenitude do entendimento para o pleno conhecimento do mistério de Deus – Cristo, no qual estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência”. (Colossenses 2.2,3)

Que o Pai Celeste nos ajude a prosseguir na revelação de seu Filho Jesus!

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Conhecendo a Cristo

Luciano P. Subirá - Extraído do site Alto Caminho

“Assim que, daqui por diante, a ninguém conhecemos segundo a carne; e, ainda que também tenhamos conhecido a Cristo segundo a carne, contudo, já não o conhecemos desse modo. Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”. (2 Coríntios 5.16,17)

O versículo 17 fala sobre transformação, que é a essência do Evangelho, mas não aparece na Bíblia como um texto isolado; ele está intimamente ligado ao versículo 16, que fala sobre conhecer a Cristo. Acredito que os dois assuntos estão vinculados entre si. Toda transformação experimentada pelo crente vem em função do conhecimento que ele tem de Jesus Cristo. Há dois diferentes níveis de conhecimento mencionados pelo apóstolo Paulo no versículo 16:

O conhecimento “segundo a carne”, que pertence à dimensão natural.

O conhecimento “de um outro modo”, que por ser diferente do primeiro, e mencionado em outros lugares da Bíblia, denominamos como “conhecimento espiritual”, ou ainda de “revelação”.

Paulo declara que a forma correta de se conhecer a Cristo é esta segunda. E depois de ter feito esta afirmação é que ele fala sobre o ser nova criatura, porque isto é uma conseqüência de se conhecer a Cristo “de um outro modo”.

CONHECIMENTO SEM TRANSFORMAÇÃO

Há pessoas que conheceram a Jesus de perto, até mesmo de forma íntima, e nunca chegaram a provar o seu poder transformador. Um exemplo claro disto é Judas Iscariotes, que depois de passar anos andando com Cristo, ainda assim o traiu. E seu pecado não foi somente no momento da traição, senão poderíamos até concluir que ele falhou somente nesta hora; mas João declarou em seu evangelho que Judas era ladrão e roubava o que era lançado na bolsa (Jo 12.6); e esta informação demonstra que ele nunca foi transformado de fato.

Alguém pode chegar a conhecer muita coisa sobre Cristo sem nunca ter conhecido a Cristo! As igrejas evangélicas estão cheias de gente religiosa, que foi bem ensinada sobre como ser um “bom cristão”, mas que não manifestam transformação alguma em suas vidas! São sempre as mesmas, e não há evidências de mudança genuína. Isto se deve à falta de revelação que acompanha uma verdadeira experiência com Cristo.

Quando Paulo escreveu a Timóteo, seu filho na fé, falou acerca de algumas pessoas que estavam vivendo uma vida “não transformada”:

“Elas estão sempre aprendendo, e jamais conseguem chegar ao pleno conhecimento da verdade”. (2 Timóteo 3.7)

OS IRMÃOS DE JESUS

Outro exemplo de conhecimento sem transformação (segundo a carne) pode ser visto nos irmãos de Jesus. Muitos de nós temos dificuldade de enxergar isto por causa da herança católica que recebemos de que Maria foi sempre virgem, mas este não é o ensino bíblico. A Palavra de Deus declara que José e Maria não se envolveram fisicamente enquanto Jesus não nasceu. Veja o que diz a Escritura Sagrada:

“E José, despertando do sonho, fez o como o anjo do Senhor lhe ordenara, e recebeu a sua mulher, e não a conheceu até que deu à luz seu filho, o primogênito; e pôs-lhe o nome de Jesus”. (Mateus 1.24,25)

Um outro texto bíblico menciona os nomes dos irmãos de Jesus:

“Não é este o carpinteiro, filho de Maria e irmão de Tiago, e de José, e de Judas, e de Simão? E não estão aqui conosco suas irmãs? E escandalizavam-se nele”. (Marcos 6.3)

A tradição católica afirma tratar-se de uma outra Maria, e que a palavra “irmão” neste texto não deveria ser entendida literalmente, mas o contexto do versículo é indiscutível: Jesus estava em Nazaré, sua cidade, no meio de conhecidos e familiares, portanto não há dúvida alguma de o reconheceram (com sua família) de fato.

Não temos os nomes de suas irmãs, mas quatro de seus irmãos são mencionados, o que nos faz saber que sua família era grande. E a Bíblia declara que seus irmãos não criam nele:

“Disseram-lhe, pois, seus irmãos: Sai daqui e vai para Judéia, para que também os seus discípulos vejam as obras que fazes. Porque não há ninguém que procure ser conhecido que faça coisa alguma em oculto. Se fazes essas coisas, manifesta-te ao mundo. Porque nem mesmo seus irmãos criam nele”. (João 7.3-5)

Em outras palavras, poderíamos dizer que os irmãos de Jesus lhe diziam algo assim: – “Você não é o bom? Não quer aparecer? Então vá fazer seus sinais onde a multidão está reunida!” Posso deduzir que havia muito sarcasmo e cinismo por trás desta afirmação dos irmãos do Senhor.

Um outro texto bíblico nos revela que houve uma ocasião em que os irmãos de Cristo quiseram até mesmo prendê-lo por achar que ele estava louco:

“E foram para casa. E afluiu outra vez a multidão, de tal maneira que nem sequer podiam comer pão. E quando seus parentes ouviram isso, saíram para o prender, porque diziam: Está fora de si… Chegaram, então, seus irmãos e sua mãe; e, estando de fora, mandaram-no chamar”. (Marcos 3.20,21 e 31)

Imagino que se houve pessoas que puderam conhecer bem a Cristo (segundo a carne), foram justamente seus irmãos. Mas só o conhecimento natural não foi suficiente para transforma-los. Em Nazaré muitos também o conheceram sem provar transformação.

REVELAÇÃO

O verdadeiro conhecimento de Jesus Cristo só se atinge por revelação, não é transmitido segundo a carne. O próprio Jesus afirmou que o apóstolo Pedro só chegou a conhece-lo devido à uma revelação:

“E, chegando Jesus às partes de Cesaréia de Filipe, interrogou os seus discípulos, dizendo: Quem dizem os homens ser o Filho do Homem? E eles disseram: Uns, João batista; outros, Elias, e outros, Jeremias ou um dos profetas. Disse-lhes ele: E vós, quem dizeis que eu sou? E Simão Pedro, respondendo disse-lhe: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. E Jesus, respondendo, disse-lhe: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue quem to revelou, mas meu Pai que está nos céus”. (Mateus 16.13-17)

O que Paulo não conseguiu entender com sua mente mudou quando Jesus apareceu a ele! Há muitos exemplos bíblicos e também à nossa volta que confirmam isto. Sem uma revelação acerca de Jesus alguém pode crescer dentro de uma igreja, receber toda uma formação religiosa e até saber tudo acerca de Jesus, e mesmo assim, nunca ser transformado.

Continua...

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Tabernáculo, liturgia e sacerdócio

Luciano Motta

Provavelmente a estrutura básica do Tabernáculo de Moisés é bastante conhecida por todo aquele que tem um mínimo de vivência na fé cristã. Mesmo assim, para uma correta compreensão deste artigo, gostaria de rever brevemente sua estrutura, funcionamento prático e simbologia. Cito os escritos de Charles Newbold Jr. em The Crucified Ones (p.6):

"O Átrio exterior do Tabernáculo de Moisés, onde eram feitos os sacrifícios de animais, corresponde à Festa da Páscoa, que foi cumprida na morte, sepultamento, ressurreição e ascensão de Jesus Cristo.

O Lugar Santo, com o altar do incenso, a mesa dos pães (o pão de preparação) e o candelabro, que queimava óleo continuamente , corresponde à Festa de Pentecostes que foi cumprida no derramamento do Espírito Santo sobre a Igreja no dia de Pentecostes (Atos 2).

O Santo dos Santos, onde está a arca da aliança com o propiciatório sobre ela, corresponde à Festa de Tabernáculos [...]. Uma vez por ano, no Dia da Expiação, o sumo sacerdote entrava por trás do véu no Santo dos Santos para aspergir o sangue de sacrifícios de animais sobre o propiciatório para expiação dos seus próprios pecados e dos pecados do povo (Êxodo 30:10). Jesus cumpriu parcialmente o Dia da Expiação como nosso grande Sumo Sacerdote (Hebreus 9:7-12)."


De modo geral, vigora nas igrejas uma certa repetição dessa estrutura do Tabernáculo de Moisés, tipificada no que se refere à liturgia (diga-se: cultos coletivos, sejam "tradicionais" ou "carismáticos"). Historicamente tem sido preservados, com poucas variações, as seguintes partes ou instâncias litúrgicas: 1) música, 2) pregação e 3) apelo.

O período de cânticos - ou o chamado "momento de louvor" - seria hoje a primeira parte: o Átrio. Em muitas igrejas prevalece uma mentalidade que trata a música como veículo para "aquecer" o espírito e preparar o coração do povo para a mensagem. Dependendo da igreja, essa parte é "ornamentada" por leituras bíblicas, danças e apresentações de todo tipo. Figura como um momento do culto aberto e acessível a todos, crentes ou não.

A pregação da Palavra seria o Santo Lugar. Aqui apenas um "oficial" pode ministrar, como no passado era com os de linhagem sacerdotal. Entenda-se "oficial" como uma pessoa de autoridade e conhecimento bíblicos. Claro que nem sempre isso acontece - há igrejas mais carentes nessa área que permitem pessoas nem tão embasadas assim nas Escrituras para ministrar no púlpito. E não há demérito algum quando se oferece esta oportunidade para treinamento e formação de novos pregadores da Palavra, mas não necessariamente ocorre desta forma ou para este fim.

A última parte, o Santo dos Santos, seria tipificada como aquele momento do culto imediatamente posterior à mensagem do pregador, o momento do "apelo" para salvação e consagração de vidas. Em igrejas históricas, esse é um tempo de contrição, reflexão e resposta à mensagem pregada. Em igrejas carismáticas, é um momento apropriado para também manifestar dons, curas, exorcismos, e todo tipo de extravagâncias espirituais. De qualquer forma, é a parte mais esperada e mais marcante de um culto, na maioria das vezes.

Em todas essas partes, como no Velho Testamento, sempre há um mediador - "levitas", pastores, cantores, dirigentes, etc. Nota-se que esse mediador ganha ainda mais destaque no momento final do culto, seja por meio de "atos proféticos", palavras "fortes" de "autoridade" e "unção", seja pela dinâmica musical que levaria o participante do culto muitas vezes a um êxtase da alma e nem sempre a uma ação genuína do Espírito Santo - pela falta de evidências posteriores de arrependimento e mudança de vida.

Pois essas formalidades e estruturas litúrgicas foram engessando e apagando o que há de mais precioso na igreja neotestamentária: o sacerdócio de todos os santos.

O que fazia um sacerdote, senão apresentar diante do Senhor adoração, petições, arrependimento? Por causa da estrutura litúrgica vigente, dependente de mediadores, que hoje tornam o culto coletivo mais próximo de um espetáculo de luzes e som, o trabalho sacerdotal de todo crente - a devoção diária e contínua de todo aquele que nasceu de novo - tem sido esquecido ou ignorado. Isso é ainda mais grave nesses dias de um "evangelho" centrado no homem e em suas necessidades, de um cristianismo paradoxalmente passivo e ativista.

O culto coletivo se distanciou da dinâmica corporativa indicada pelo apóstolo Paulo:

"Portanto, que diremos, irmãos? Quando vocês se reúnem, cada um de vocês tem um salmo, ou uma palavra de instrução, uma revelação, uma palavra em língua ou uma interpretação. Tudo seja feito para a edificação da igreja" (1 Coríntios 14.26 NVI)

Veja que cada um já deveria trazer algo para a edificação do Corpo. Em Atos 3 lemos o famoso episódio em que Pedro e João, subindo ao templo (possivelmente para cultuarem), viram um paralítico junto à porta Formosa. Pedro se aproxima e diz com autoridade: "Não tenho prata nem ouro; mas o que tenho isso te dou. Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda" (v.6). Isso aponta sem dúvida para o altar individual, a devoção pessoal, o sacerdócio diário, ativo, vivo.

Culto hoje é entendido e tratado como um evento. A expectativa atual pelo "momento máximo do culto" sugere que pessoas se converterão depois de ouvirem o sermão, que haverá manifestações as mais diversas. Ora, quando novos crentes são gerados em eventos, então possivelmente terão suas vidas baseadas em eventos. O que vemos é uma geração "viciada" em encontros, congressos, conferências... Parece que a vida espiritual de muitos depende de um evento desse tipo, ou do próprio culto dominical, para experimentarem alguma espiritualidade. Precisam receber e não dar.

O sacerdócio de todos os santos não opera assim. Precisamos da mentalidade do Corpo - suas conexões, dinâmicas e funcionalidade. É verdade que o Corpo possui partes específicas e distintas, mas elas não são estanques, excludentes como eram no Tabernáculo. No Corpo de Cristo prevalece um conjunto harmonioso e vital de sacerdotes plenamente conscientes de suas responsabilidades e atribuições individuais. E quando estes se encontram, o culto torna-se uma assembleia solene, de participação coletiva e ativa de todos. Ali há proclamação da Palavra e céus abertos para a operação de sinais e maravilhas, produzindo arrependimento e salvação de pessoas, bairros e cidades inteiras.

Se estas coisas podem ser traduzidas por "avivamento", então veja que tudo começa no sacerdócio individual, em famílias à imagem e semelhança da relação entre o Noivo e a Noiva, Cristo e a Igreja, que constituem igrejas que verdadeiramente são Corpo vivo, "bem ajustado, e ligado pelo auxílio de todas as juntas, segundo a justa operação de cada parte... para sua edificação em amor" (Efésios 4.16).

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Vigiai e orai

Luciano Motta

"Vigiai, pois, em todo o tempo, e orai, a fim de que vos torneis dignos de escapar a todos estes males que hão de acontecer, e de vos apresentar de pé diante do Filho do Homem" (Lucas 21.36).

No contexto desta Palavra, Jesus está falando dos últimos dias. Muitos virão em Seu nome, mas serão enganadores. Ouviremos de guerras e rumores de guerras. Veremos nação contra nação, reino contra reino, grandes terremotos, fomes, pestes, sinais no céu. Os que creem serão perseguidos, odiados por causa do Seu nome. Haverá grande angústia na terra. As próprias forças do céu serão abaladas. "Então verão o Filho do Homem vir sobre uma nuvem com grande glória e majestade" (v.27).

As palavras de Jesus são imprescindíveis para o tempo que se chama HOJE. Não é verdade que as coisas descritas acima estão acontecendo agora mesmo e de forma cada vez mais acelerada?

São dias de batalha. Há uma guerra em andamento. Os valores do Reino estão sendo confrontados dia a dia, sem parar, sem descanso. É a tentativa desesperada do príncipe deste mundo de manter seu breve domínio. Ele sabe que seu tempo está por um fio. Por isso luta para derrubar aqueles que ainda zelam pelo nome do Senhor, pelo Evangelho do Reino.

O inimigo vence quando encontra uma igreja que não vigia. Podem até haver orações, mas não serão respondidas. A Palavra diz: "Pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites" (Tiago 4.3). São orações vãs, desalinhadas da vontade de Deus. Jesus ensinou na oração modelo: "Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu" (Mateus 6.10). Uma igreja que ora apenas de sua perspectiva, de suas necessidades, será surpreendida no meio da guerra. Uma igreja que não sabe discernir os tempos estará esvaziada de sua relevância profética.

Mas o inimigo é ainda mais bem sucedido quando encontra uma igreja que não ora. Porque saber que Jesus vai voltar não é segredo. Conhecer a Bíblia, a teologia, é bom e importante. Mas nada substitui a oração. A igreja deveria ser uma casa de oração para todos os povos, mas não tem sido assim. Muitas igrejas são escolas de educação religiosa, que formam pessoas conhecedoras de religião, não de Deus. Tornam-se semelhantes aos fariseus - agentes fiscalizadores, legisladores, que anulam a graça e negam o poder.

As palavras de Jesus são, portanto, um grande alerta para a igreja HOJE: Vigiai e orai... para vos apresentardes de pé diante do Filho do Homem - um dia GRANDE para os que perseverarem e vencerem e TEMÍVEL para os ímpios. Precisamos de homens e mulheres como Simeão e Ana (Lucas 2.25-38) que esperavam com expectativa, vigilantes, a vinda do Messias, porém mantendo viva a chama da oração!

Há um grande exército sendo levantado por Deus, que atravessará esses dias de angústia nas nações portando o mesmo ardor que há no coração do Pai. Pessoas dispostas a morrer, a entregar tudo, radicais. Um exército composto de sentinelas, homens e mulheres que gastam suas vidas na torre de vigia e valorizam a oração. Esse exército resgatará essa dupla essência da igreja - vigilância e oração - com o mesmo zelo de Jesus: derrubarão as mesas dos cambistas da fé, chicotearão os que tem feito da casa de oração um lugar de comércio. Estão chegando dias bastante turbulentos na casa de Deus: o brado do Leão será ouvido, o brado de Sua santa convocação, o brado de Seu zelo pela Noiva.

Vigiai e orai... para vos apresentardes de pé diante do Filho do Homem naquele dia!

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

O Modelo da casa de Deus - Uma casa de oração!

De Michael Duque Estrada, em nota postada no Facebook

Eu creio que estamos vivendo dias de mudanças e que já estamos em uma transição. Muito tem sido refletido sobre as estruturas da igreja, sobre o novo odre que será capaz de suportar o novo de Deus que será derramado. Livros e mais livros enchem o mercado e todos eles apontam para soluções e modelos viáveis e bíblicos de como fazer e ser igreja. Termos como "igreja caseira" ou "orgânica", grupos pequenos ou células de convívio, tornaram-se comuns em meio a nossa geração. Eu acredito que muitos desses autores são bem intencionados e que muitos escrevem coisas relevantes. Entretanto, eu penso que temos deixado de olhar o verdadeiro modelo da casa de Deus. Nós não temos autorização para construirmos a igreja como bem entendermos.

Moisés encontrou um modelo da casa de Deus, e esse modelo, segundo o escritor de Hebreus, é uma sombra das coisas celestiais. A palavra "modelo" é significativa nesse texto, porque ela aponta para uma realidade que existe no céu, ou seja, existe um modelo na eternidade que precisa ser reproduzido ou imitado na terra. Davi foi outro homem que viu essa planta ou esse protótipo da casa de DEUS. 1 Crônicas 29:19 diz: tudo isso me foi mostrado disse Davi, escrito pela mão do Senhor, isto é todas as obras do modelo. A planta da casa de Deus construída por Salomão teve um modelo que foi desenhado pelas mãos do próprio Deus!

É interessante notar que no livro de Apocalipse, que é a revelação de Jesus Cristo, quando é descrita a Nova Jerusalém, o texto diz que nela não existe santuário (ou templo) pois o seu Santuário é o Senhor Todo Poderoso e o Cordeiro (Ap 21:22). Jesus é o verdadeiro modelo do santuário. Ele é a planta da casa de Deus. O que Moisés e Davi viram? Eles viram o próprio Cordeiro, o Templo vivo!

Jesus é a pedra angular ou fundamento da casa. Por isso precisamos entender o modelo que é real nos céus para construirmos aqui na terra. Todas as vezes que Deus revelou o modelo da sua casa para alguém Ele também revelava o propósito da construção dessa casa. Êxodo 29:43 diz: virei aos Israelitas ali, e a tenda será santificada pela minha glória. Santificarei a tenda da revelação e o altar... Habitarei no meio dos Israelitas e serei o seu Deus (v.45). Deus quer uma casa na terra para que Ele possa habitar, ter comunhão com Seu povo e estabelecer Sua vontade em todas as nações.

A igreja precisa entender que ela tem uma identidade e que essa identidade está em Jesus, e que vale apena ouvir o que Ele falou a respeito da casa de Deus. Vamos olhar o Evangelho de Marcos no capítulo 11:11-17:

"E Jesus entrou em Jerusalém, no templo, e, tendo visto tudo em redor, como fosse já tarde, saiu para Betânia com os doze.E, no dia seguinte, quando saíram de Betânia, teve fome. E, vendo de longe uma figueira que tinha folhas, foi ver se nela acharia alguma coisa; e, chegando a ela, não achou senão folhas, porque não era tempo de figos. E Jesus, falando, disse à figueira: Nunca mais coma alguém fruto de ti. E os seus discípulos ouviram isto.E vieram a Jerusalém; e Jesus, entrando no templo, começou a expulsar os que vendiam e compravam no templo; e derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas.E não consentia que alguém levasse algum vaso pelo templo.E os ensinava, dizendo: Não está escrito: A minha casa será chamada, por todas as nações, casa de oração? Mas vós a tendes feito covil de ladrões."

A primeira coisa que me chama a atenção é a figueira que não produz frutos. A figueira representava Israel. Na Palestina, as folhas aparecem na figueiras em março, e são acompanhadas de uma colheita de pequenos botões comestíveis chamados taksh, que caem antes da formação dos verdadeiros figos. Só que já era mês de abril e essa figueira só tinha folhas, sem os taksh... Isso significa que ela não daria frutos... Só tinha folhas (atividades), mas não tinha frutos...

Logo em seguida Jesus condena as atividades na casa de Deus. Eles estavam tendo todo tipo de sacrifícios, religiosidades, comércios, mas todas essas atividades não produziam frutos.

A promessa feita a Abraão era que todas as famílias da terra seriam benditas, mas os judeus se fecharam em suas atividades e deixaram de tocar as outras nações... Essa é a mesma comissão para a igreja: fazer discípulos de todas as nações. Mas será que nossas atividades tem gerado discípulos? Eu estou falando de discípulos, não de evangélicos ou membros de igreja!

A igreja é uma casa de oração para todas as nações. O verdadeiro fruto de discipular as nações só será possível se deixarmos as muitas atividades e nos tornarmos uma casa de oração para todos os povos. A principal atividade na casa de Deus é sermos um lugar onde Deus possa vir e se comunicar com seu povo, é sermos uma porta dos céus (Gênesis 28:17).

Que essa mensagem ecoe sobre a terra: a minha casa será chamada casa de oração para todos os povos!

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Duas abordagens sobre esta geração

Compartilho duas abordagens diferentes sobre esta geração, feitas sem uma "intermediação cristã":

Sobre esse lance de se achar incrível, de Caio Braz, fala sobre a arrogância desta geração, que tem tudo e ao mesmo tempo não tem nada.

We all want to be young (Todos queremos ser jovens) é o vídeo abaixo que busca entender o comportamento da geração atual a partir da influência das gerações anteriores e das dinâmicas atuais.



Depois de ler e assistir, sonde seu coração: se não houver pelo menos alguma preocupação e senso de urgência em agir e fazer algo por esta geração, talvez você esteja tão perdido e desprovido de propósito quanto os milhões de jovens e adolescentes que estão por aí, vivendo suas vidas ao sabor da próxima onda, da próxima moda, sem desenvolverem seu potencial. E principalmente: sem conhecerem as boas novas do Evangelho de Cristo, sem conhecerem o próprio Autor da vida. Pense nisso, e faça algo.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

10.000 acessos

Olá, fico muito feliz de poder compartilhar com todos que na semana passada o blog superou a marca de 10.000 acessos. Quero comemorar com novidades visuais nos próximos dias, também novos posts e textos de amigos blogueiros e de outros irmãos na fé.

Tenho dois pedidos aos leitores: deixem comentários nas reflexões e divulguem com seus amigos sobre este blog. O objetivo maior é transmitir os valores do Reino. Este mundo precisa ouvir e conhecer o Evangelho. Este mundo precisa de Deus. Que venha o Teu Reino!

E vamos em frente, até a marca dos 20.000!