segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Entretenimento: mais um amante

Por Luzia Gavina, em nota no facebook.

O entretenimento tornou-se um grande mal na igreja contemporânea. Viciamos nesse componente da vida social que se instalou em nossa vida como algo capaz de satisfazer momentaneamente o vazio de vidas religiosas distantes de Deus. Ele se encarrega de iludir, trazendo uma sensação de bem estar, porém, em algum momento, tal sensação simplesmente desaparece e o que sobra é apenas um imenso e profundo vazio de uma vida impregnada de uma dolorosa ausência de Deus.

O entretenimento, apesar de parecer inofensivo, é um agente poderoso que mantém boa parte dos cristãos iludidos, viciados no bem estar de uma vida terrena, repleta de valores mundanos. Conseguiram embutir o entretenimento até mesmo nos púlpitos das igrejas através de sermões, mensagens e canções que massageiam a alma, trazendo uma falsa esperança e afirmando os desejos mais egoístas do coração humano, permitindo uma volta para casa com um sentimento bom, que diz: Está tudo bem!

Não sei até que ponto esse tal entretenimento pode entrar na vida de um cristão. Porém, acredito que se temos uma vida de relacionamento com Deus, saberemos por limites à ele. No entanto, hoje, boa parte da igreja tornou-se viciada nele. Por estar distante do seu noivo, a noiva de Jesus não pôs limites ao entretenimento, pelo contrário, se “deitou” com ele, tornando-o seu amante.

A “coisa” chamada igreja está tão mergulhada em Babilônia, tão consumida pela ideologia do mundo que passou a fazer parte do grande sistema babilônico deste século. É hora de decidir! Aqueles que fazem parte da noiva que o Senhor Jesus irá resgatar saiam da Babilônia! Saiam da “coisa” que hoje chamam de igreja (não me refiro à igreja enquanto uma estrutura física, mas sim uma estrutura metal, uma mentalidade religiosa. Talvez isso te leve a um deslocamento físico, talvez não), para que finalmente a verdadeira e gloriosa Igreja de Jesus, a noiva do Senhor Jesus seja restaurada e edificada. Amém!

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

O Reino e as sementes I

Luciano Motta

O capítulo 13 de Mateus contém uma série de parábolas sobre o Reino de Deus. Em quase todas, Jesus se vale da figura de sementes e grãos para comunicar sua mensagem. Antes, contudo, gostaria de destacar a pergunta feita pelos discípulos: "Por que falas ao povo por parábolas?" (v.10). Jesus lhes responde:
A vocês foi dado o conhecimento dos mistérios do Reino dos céus, mas a eles não. A quem tem será dado, e este terá em grande quantidade. De quem não tem, até o que tem lhe será tirado. Por essa razão eu lhes falo por parábolas: ‘Porque vendo, eles não veem e, ouvindo, não ouvem nem entendem’. Neles se cumpre a profecia de Isaías: ‘Ainda que estejam sempre ouvindo, vocês nunca entenderão; ainda que estejam sempre vendo, jamais perceberão. Pois o coração deste povo se tornou insensível; de má vontade ouviram com os seus ouvidos, e fecharam os seus olhos. Se assim não fosse, poderiam ver com os olhos, ouvir com os ouvidos, entender com o coração e converter-se, e eu os curaria’. Mas, felizes são os olhos de vocês, porque veem; e os ouvidos de vocês, porque ouvem. Pois eu lhes digo a verdade: Muitos profetas e justos desejaram ver o que vocês estão vendo, mas não viram, e ouvir o que vocês estão ouvindo, mas não ouviram (v.11-17).
Esta é uma palavra de esperança e juízo que a Igreja de Cristo deveria atentar. Esperança porque Ele irá revelar Seus propósitos para esses dias através dos Seus profetas, da Sua Igreja. Precisamos vigiar e orar, aprofundar nossa comunhão com Ele. Juízo porque quem não for um verdadeiro discípulo não irá entender as coisas que já estão acontecendo e que virão. Terão dificuldades as igrejas que não centralizarem a pessoa de Jesus, que se desviarem do verdadeiro Evangelho. Com o aumento da maldade nos últimos tempos, o amor de muitos esfriará (Mateus 24.12). Isso suscitará a hipocrisia e a mentira de homens com a mente cauterizada (1 Timóteo 4.1-2). Pois é justamente nesse contexto que precisamos nos posicionar como Igreja - e tudo se fundamenta no quanto estamos ligados a Jesus. Discípulos verdadeiros veem e ouvem. Discípulos verdadeiros recebem revelação do Mestre quanto aos mistérios e significados do Reino.

A primeira parábola que Jesus conta nesse capítulo é a do semeador:
O semeador saiu a semear. Enquanto lançava a semente, parte dela caiu à beira do caminho, e as aves vieram e a comeram. Parte dela caiu em terreno pedregoso, onde não havia muita terra; e logo brotou, porque a terra não era profunda. Mas quando saiu o sol, as plantas se queimaram e secaram, porque não tinham raiz. Outra parte caiu entre espinhos, que cresceram e sufocaram as plantas. Outra ainda caiu em boa terra, deu boa colheita, a cem, sessenta e trinta por um. Aquele que tem ouvidos para ouvir, ouça! (v.3-9)
Jesus mesmo explica a seus discípulos acerca da parábola:
Portanto, ouçam o que significa a parábola do semeador: Quando alguém ouve a mensagem do Reino e não a entende, o Maligno vem e lhe arranca o que foi semeado em seu coração. Este é o que foi semeado à beira do caminho. Quanto ao que foi semeado em terreno pedregoso, este é aquele que ouve a palavra e logo a recebe com alegria. Todavia, visto que não tem raiz em si mesmo, permanece por pouco tempo. Quando surge alguma tribulação ou perseguição por causa da palavra, logo a abandona. Quanto ao que foi semeado entre os espinhos, este é aquele que ouve a palavra, mas a preocupação desta vida e o engano das riquezas a sufocam, tornando-a infrutífera. E, finalmente, o que foi semeado em boa terra: este é aquele que ouve a palavra e a entende, e dá uma colheita de cem, sessenta e trinta por um (v.18-23).
A semente é a Palavra de Deus. De longe, ao derredor, o diabo observa atentamente os corações enquanto a mensagem do Reino é ministrada, tal qual uma ave sobrevoa o campo a contemplar as sementes que caem sobre a terra, lançadas por aquele que semeia. Dentre as várias espécimes de aves, existem as dispersoras de sementes (frugívoras) e as predadoras de sementes (granívoras). As primeiras alimentam-se apenas de frutos, deixando suas sementes intactas, espalhando-as pela região. Estas beneficiam as plantas quanto à sua preservação, ainda que destruam os frutos (isso daria outra boa reflexão). Obviamente Jesus estava se referindo ao segundo tipo de aves: as que comem sementes, esmagando-as e seccionando-as. Estas impedem a germinação, a vida.

É impressionante como as pessoas tem andado tão distraídas quanto ao tempo em que vivem, tão saturadas de informação e entretenimento a ponto de considerarem a Palavra como mais um dado a ser depositado nos arquivos-mortos da memória. A Palavra não é prioridade, os valores do Reino não são importantes. Dessa forma, como entenderão o Reino e sua justiça se não o buscarem em primeiro lugar? Por não acolherem esta preciosa semente com diligência e prontidão, são roubados; por não cultivarem no dia a dia o que recebem nas reuniões e nos cultos, e na devoção diária, se esta existir, deixam a vida à mercê dos predadores da mente e do espírito. Como esperar frutos de pessoas assim?

Também é grande a multidão dos que não tem raízes profundas em Deus e no Corpo de Cristo. Não há frutificação nesses corações. Muitos confundem "frequentar cultos e cantar músicas" com "relacionamento vertical e adoração". Outros tantos direcionam suas vidas espirituais a partir das vozes de mediadores. Quantos não poderiam já serem mestres na Palavra, mas ainda se portam como crianças, dependendo de leite! Quantos pastoreiam e lideram sem direcionamento seguro, sem fundamentação espiritual para seus rebanhos e congregações, por não terem uma sólida e profunda vida com Deus!

Agora considerando a perspectiva horizontal: cresce o número de crentes solitários, de "carreira solo" na fé. Na verdade, estão expostos, perdidos, ferindo gente por aí com suas próprias mazelas. Toda Igreja deveria ser uma família e toda família, uma Igreja. Isso reduziria radicalmente os problemas com desviados e desamparados, com lares partidos, pois na hora da adversidade todos suportariam verdadeiramente as cargas uns dos outros. No Corpo há suporte e submissão, há vida e fortalecimento mútuos.

Jesus aponta ainda um terceiro tipo de semente, sufocada pelas preocupações cotidianas e pela ilusão das riquezas. Nesse ponto, convém destacar como o evangelho pregado e cantado hoje é tão identificado com essas duas demandas! A felicidade e o bem-estar são perseguidos e propagados em todo lugar. A bênção e o milagre são idolatrados. "Prosperidade" se tornou jargão entre os evangélicos, sinônimo de que Deus está na vida daquele que cresce e se destaca financeiramente. São desvios gritantes que tornam o evangelho infrutífero. As boas novas tem sido sufocadas por esses espinhos. O mundo anseia por uma mensagem diferente.

A boa terra é o coração daqueles que tem ouvidos para ouvir. A Bíblia afirma que "virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, sentindo coceira nos ouvidos, segundo os seus próprios desejos juntarão mestres para si mesmos. Eles se recusarão a dar ouvidos à verdade, voltando-se para os mitos" (2 Timóteo 4:3-4). Não é uma descrição do tempo presente?

Precisamos definitivamente deixar de tratar a Palavra de Deus como uma bula de remédios ou um receituário médico, algo que lemos e até reproduzimos, mas de forma indiferente, mecânica, religiosa, impessoal. Deus espera que cuidemos com zelo da boa semente que tem plantado em nós, através de um relacionamento profundo conosco, individual e como Igreja. Ele procura corações devotados ao Seu Coração, dispostos a ouví-Lo e a obedecê-Lo, ainda que ouçamos palavras contrárias às nossas próprias vontades e confortos.

O cultivo da semente que não é roubada pelo diabo, que resiste às tribulações e às demandas sufocantes da vida, e que frutifica os valores do Reino, enfim, esse cultivo deve envolver nossas emoções e mentes, nossos corações abertos para as Escrituras, voltados para tudo o que Deus está querendo falar e comunicar a nós, Seus filhos. Só assim influenciaremos nossa geração. Só assim alimentaremos este mundo com a Verdade, o Pão da Vida. As sementes tem sido lançadas para a grande colheita dos dias do fim... Somos, você e eu, boas terras para receber a mensagem do Reino e frutificar?

"Peço que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o glorioso Pai, lhes dê espírito de sabedoria e de revelação, no pleno conhecimento Dele. Oro também para que os olhos do coração de vocês sejam iluminados, a fim de que vocês conheçam a esperança para a qual ele os chamou, as riquezas da gloriosa herança dele nos santos e a incomparável grandeza do seu poder para conosco, os que cremos, conforme a atuação da sua poderosa força" (Efésios 1:17-19).

"Aquele que tem ouvidos para ouvir, ouça!"

Leia aqui a parte 2

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Os mensageiros dos últimos dias

As Escrituras proféticas não nos levam a crer que os últimos derramamentos do Espírito virão para nos introduzir numa "utopia" espiritual antes da volta de Cristo. À medida que a Igreja está caminhando para a maturidade e a última colheita está entrando, as condições do mundo continuarão a deteriorar-se. As tendências que vemos agora na sociedade, que apontam para a sua desintegração final, não serão revertidas pelo derramamento do Espírito. Angústias para as nações e tribulação para a igreja são previstas pelo Espírito para o tempo do fim.


Mas a crescente escuridão fará somente com que a luz resplandecente do povo de Deus se destaque com mais brilho. Deus vai fechar esta era da mesma forma como a iniciou. Grande poder e glória na igreja, grande vitória sobre Satanás, porém num contexto de grande perseguição e oposição. A diferença é aquilo que no início estava confinado a um pedacinho do planeta, no fim abrangerá o mundo inteiro. Creio que os melhores capítulos da longa história da igreja ainda devem ser escritos e que se dirá da geração que trouxer o Rei de volta: "Este foi o seu melhor momento!".

Trecho do Livro "Chuva do Céu", de Arthur Wallis.
Extraído do blog de Carolina Sotero.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

33 anos

Hoje é meu aniversário. Quando penso em tudo que vivi, nos acertos e nos erros, nas vitórias e nas derrotas, nas alegrias e nos choros, reconheço o quanto sou feliz e realizado enquanto homem, marido, pai e filho de Deus. Também penso em Jesus - quando Ele tinha 33 anos, enfrentou a cruz e venceu a morte. Se hoje estou aqui, é por causa do que Jesus fez em seus 33 anos de vida na terra. O que fiz em meus 33 anos? Qual foi a minha influência, o meu legado? O que deixei e o que irei deixar como herança para minha família, meus amigos e todos aqueles que passaram pela minha vida? Isso é o que penso hoje, mas não fico ansioso ou angustiado. Eu descanso Nele e me proponho a continuar firme, prosseguindo para o Alvo, olhando firmemente para o Autor e Consumador da minha fé. Sei que Ele há de me sustentar e realizar todas as coisas. Sei que passarei algum dia, mas tudo o que realizei por Ele, para Ele e através Dele hão de permanecer.

Alvo*

Prossigo para o alvo
não em busca de vitórias
mas de recordes.
Já sou mais do que vencedor.
Minha vocação
é marcar esta geração.

Prossigo para o alvo
não em busca de bênçãos
mas do Abençoador.
Tenho recebido tudo o que preciso [e muito mais]
enquanto experimento
Sua boa, agradável e perfeita vontade.

* Originalmente postado em Versar e Viver

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Avivamento requentado

Luciano Motta

{ Difícil falar desse tema sem parecer ofensivo, arrogante, juiz ou algo parecido. Por favor, não tenho essa pretensão em meu coração, tampouco assumo uma cadeira arbitrária. As palavras que seguem são uma exortação ao Corpo de Cristo, no sentido de edificar, de propor outras perspectivas que entendo serem de Deus para a Sua igreja nesses últimos dias. }

Há um episódio na Bíblia bastante conhecido: depois da crucificação e da morte de Jesus, dois discípulos desceram pelo caminho de Emaús ao invés de permanecerem em Jerusalém. O próprio Jesus ressurreto foi ao encontro deles e por algumas horas conversaram a respeito das coisas que tinham acontecido. Mas eles não o reconheceram naqueles momentos, nem quando o Mestre lhes explicara as Escrituras. Somente quando Ele partiu o pão "seus olhos foram abertos" (Lucas 24.31). Em outra referência, a Bíblia diz que "Jesus lhes apareceu de outra forma" (Marcos 16.12) e por isso não fora reconhecido por aqueles discípulos.

Sem dúvida, essa história reflete muito sobre como temos agido enquanto igreja de Cristo: tomamos caminhos antagônicos em relação à vontade de Deus; muitas vezes somos abordados pelo próprio Jesus, mas não o reconhecemos; julgamos discernir nas Escrituras os tempos atuais e os fundamentos de nossas ações, mas no final continuamos em uma rota contrária, equivocada, rodando em círculos.

Podemos observar um pouco desse engano na maneira como diversos "ministros de avivamento", que movimentaram a igreja brasileira no começo do século XXI, estão conduzindo atualmente seus próprios ministérios. Vários deles tem produzido CDs e DVDs que remetem àquela época, seus "sucessos" regravados, remixados, rearranjados à exaustão.

Imagine uma comida conservada durante 10 anos. Apesar de ser uma boa comida, você a comeria depois de tanto tempo?

Precisamos assumir que essa comida tem sido servida na maioria dos cultos de hoje, requentada pela influência daqueles anos de "avivamento" - de sopros, ventos, chuvas, fogos e glórias. Mesmo com a atualização de ritmos (até os hinos históricos, tão criticados, tem sido hoje reapresentados como "novidades"), e com grupos e "ministros" surgindo no cenário nacional, é patente o modo como muitos artistas e também muitas igrejas ainda reproduzem sonoridades, letras, temáticas e ministrações daquela época, temperadas agora com generosas porções de auto-ajuda e prosperidade material. Em nome do canto congregacional, o binômio louvor + adoração se tornou uma fórmula rentável que passou a existir em função da demanda por novas músicas e por novos lançamentos. Alguns se defendem sob o escudo de estarem mantendo um "estilo" próprio, uma vocação ou um chamado de Deus, mas na verdade estão passeando pelos "caminhos de Emaús" dos novos tempos, puxando uma parte significativa da igreja a reboque.

Outra questão que tem conduzido a igreja para fora de Jerusalém é a presunção de saber como "fazer avivamento". Talvez seja uma "síndrome de Nadabe e Abiú", pela precipitação de produzirem seu próprio fogo - um fogo estranho ao Senhor. Isso custou as vidas daqueles homens (Levítico 10.1-2), e o mesmo se vê hoje na quantidade de ministérios mortos, de igrejas sem a vida de Deus fluindo nas reuniões e encontros de seus membros. Também é morta e custosa a insistência de certos tele-evangelistas e de tantos superpastores/apóstolos/bispos em manterem estruturas que só engrandecem suas denominações, seus livros e produtos gospel, ou seja, seus próprios feudos pseudo-cristãos, sob o pretexto de estarem "pregando o evangelho". Na verdade, suas cruzadas e ajuntamentos tornam-se grandes oportunidades para gravação e produção de novos bens de consumo, mais uma vez os fins de fazer dinheiro justificando os meios.

Ainda nessa perspectiva de "saber como fazer", vemos muitas igrejas locais presas à uma sucessão de programações e eventos, sendo o culto de domingo à noite o principal deles (trato dessa questão no artigo Tabernáculo, liturgia e sacerdócio). Um "ministro de louvor" mais rodado ou um pastor experiente, carismático, sabe exatamente como incendiar sua congregação. E quanto à estrutura, até bem pouco tempo estava quente a discussão em torno do que era melhor: células, G12, propósitos, grupos caseiros, etc. Mas veja que todas essas coisas acabam desviando a igreja do foco principal.

Não existem receitas prontas para mudar esse quadro. Acredito, contudo, que há pelo menos duas certezas:

1- Jesus está aparecendo "de outra forma" nos últimos dias: Ele está voltando para se encontrar com uma Noiva pronta para o casamento (Apocalipse 19.7); uma igreja relevante, intrépida, capaz de viver e morrer por Sua causa.

Para isso acontecer, é preciso uma mudança, talvez uma revolução, do que signifique "ser igreja". Considere que Pedro tinha uma mensagem de arrependimento aos judeus e que Paulo estendeu essa mensagem aos gentios. Lembre-se de que ocorreu uma reforma protestante rompendo com as práticas eclesiásticas daqueles tempos obscuros. Não ignore que houve uma redescoberta dos dons espirituais no século XX. Assim, por que não haveria "outra forma" para os dias que antecedem o fechamento da história, se a própria história e também a Palavra apontam para tal?

Leia o livro de Apocalipse, por exemplo, e veja como a música e a adoração estão intrinsecamente ligadas aos juízos e às movimentações celestiais que tocam e modificam os rumos da Terra. E como estamos tão distantes disso! Quantas músicas hoje tratam de um evangelho para nós mesmos, de bênçãos e milagres! É urgente uma "outra forma", uma nova canção.

Se somos a geração de João Batista, preparando o caminho da volta de Jesus (essa mensagem foi bastante apregoada pelos movimentos de avivamento aqui no Brasil nos últimos anos), então precisamos estar dispostos a mudar o rumo como igreja e ir ao deserto. João Batista exerceu o seu ministério no deserto. Ele se separou de todas as coisas, como um nazireu, a fim de não corromper sua mensagem e não se desviar de seu chamado. E o próprio Jesus exaltou João Batista como o maior profeta dentre os nascidos de mulher (Lucas 7.28). Sem dúvida, é uma "outra forma" de ser voz profética nessa nação, muito diferente do que fazer um monte de declarações positivas e atos proféticos, ou ungir com óleo bandeiras de cidades e nações.

Mas não sejamos meninos aqui: as coisas que Deus fez no passado foram válidas, as coisas boas que vivemos e aprendemos com Deus devem permanecer. O que está em questão aqui é a forma, não a essência. Por já estarmos tão amoldados a uma maneira de agir, a um sistema ou estrutura, por já sabermos como "fazer igreja", não reconhecemos que Jesus quer aparecer de outra forma ao mundo. A geração atual não tem a mesma recepção do Evangelho de outrora, o que é ainda mais agravado pelo fato de não estar sendo apresentado o verdadeiro Evangelho, simples e direto, com base no arrependimento e na graça, sendo visíveis o testemunho e a vida prática diferenciada de seus fiéis.

Isso só será possível a partir da segunda certeza:

2- Os olhos da igreja serão abertos "no partir do pão": Somente uma vida de genuína comunhão, de intimidade com Jesus, nos permitirá reconhecê-Lo e ouví-Lo. Assim receberemos Sua direção segura para os dias difíceis que vivemos.

Há 10 anos isso era pregado, mas a comunhão vertical, para ser consistente e constante, depende da comunhão horizontal. O "partir do pão" significa Aliança - nós e Deus, nós e os irmãos. Não os relacionamentos superficiais e virtuais que vemos nas igrejas ultimamente, relacionamentos nutridos pelas habilidades individuais, pelo que o outro pode oferecer para a instituição, para a organização. Pois quem não tem muito a oferecer - ou tem problemas, crises, feridas - acaba deixado de lado ou rotulado (ainda que muita gente problemática e ferida consiga esconder suas misérias para atender às demandas de sua liderança ou comunidade, assumindo cargos e posição, ou simplesmente para não ser desprezada).

Observe que nós tipificamos Tomé como "o incrédulo" por causa de suas dúvidas, mas Jesus o encoraja a acreditar (João 20.27). Uma verdadeira aliança entre irmãos é constituída de relacionamentos estreitos e sinceros, baseados no encorajamento e na exortação, que apontam para o potencial individual e coletivo em Cristo.

{ Terminarei esse artigo em breve }