segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Encontros e movimentações I

Luciano Motta

A vida com Deus é dinâmica. Os grandes homens e mulheres da Bíblia estavam sempre em movimento, sempre envolvidos em buscas e encontros, em partidas e chegadas. Assim é conosco. Quando paramos de caminhar, Deus providencia algo para nos impulsionar. Quando estamos ativistas demais, Ele logo dá um jeito de nos parar. A verdade é que muitas vezes (ou na maioria das vezes) não reconhecemos a ação de Deus nesses movimentos — de impulso e freio. Não discernimos o Seu agir em vários momentos de transições, decisões e dores em nossas vidas. Parece que precisamos de mais provas, de mais evidências para crermos que Ele, Deus mesmo, é quem está nos movimentando, nos tirando da zona de conforto ou do perigo de uma religiosidade desenfreada que sacrifica a tudo e a todos, principalmente aquilo para o qual fomos chamados.

Moisés foi um homem experimentado na dinâmica vida com Deus. Sua trajetória pode ser contada a partir de três fases distintas: 40 anos como príncipe do Egito, 40 anos como pastor de ovelhas no deserto e 40 anos como líder de Israel rumo à Terra Prometida. Em todas essas fases, vemos os movimentos — e Deus está lá, ora nos "bastidores", ora aparecendo e falando com Moisés (leia Êxodo, o segundo livro da Bíblia, para conhecer toda a história).

Gostaria de destacar dois encontros de Moisés com Deus que o movimentaram, encontros esses que também ocorrem conosco: o primeiro, quando ainda não conhecemos o Senhor; e o segundo, quando já desenvolvemos alguma maturidade em nosso relacionamento com Ele.

1- Quando Deus vai ao nosso encontro

Chega um momento na vida de qualquer pessoa neste planeta que Deus se revela de alguma forma. Ele nos ama e quer se relacionar conosco. Ele tem planos para nós, vida abundante, graça, paz, alegria... Enfim, todas as coisas que o homem tanto procura estão Nele. Quando Deus vai ao nosso encontro, somos abalados em nossas estruturas interiores. Começamos a crer por meio de um dos nossos sentidos — "a fé vem pelo ouvir" (Romanos 10.17). Há uma participação de nossas percepções humanas no movimento de sermos atraídos para Deus: "O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos apalparam — isto proclamamos a respeito da Palavra da vida" (1 João 1.1).

Êxodo 3:1-6 descreve o momento que Moisés se depara com a sarça ardente e tem seu primeiro encontro pessoal com Deus:
Moisés pastoreava o rebanho de seu sogro Jetro, que era sacerdote de Midiã. Um dia levou o rebanho para o outro lado do deserto e chegou a Horebe, o monte de Deus. Ali o Anjo do Senhor lhe apareceu numa chama de fogo que saía do meio de uma sarça. Moisés viu que, embora a sarça estivesse em chamas, esta não era consumida pelo fogo. "Que impressionante! ", pensou. "Por que a sarça não se queima? Vou ver isso de perto. "O Senhor viu que ele se aproximava para observar. E então, do meio da sarça Deus o chamou: "Moisés, Moisés!" "Eis-me aqui", respondeu ele. Então disse Deus: "Não se aproxime. Tire as sandálias dos pés, pois o lugar em que você está é terra santa". Disse ainda: "Eu sou o Deus de seu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, o Deus de Jacó". Então Moisés cobriu o rosto, pois teve medo de olhar para Deus.
Moisés foi atraído pelo impressionante: Todos precisamos de uma forte intervenção no horizonte de nossas vidas para sairmos da ignorância quanto a Verdade, para rompermos as amarras de circunstâncias e vontades próprias. Moisés estava há quase 40 anos vivendo como pastor de ovelhas  —  a vida agitada nos palácios de Faraó já era uma lembrança distante. Possivelmente nada havia de emocionante em sua rotina com o rebanho de Jetro. E se considerarmos que ele fugira por conta da morte de um egípcio, podemos deduzir que Moisés estava ali naquele deserto de propósito, para se desligar de problemas e de maiores responsabilidades. Ele queria morrer ali, mas Deus mudou tudo ao aparecer naquela sarça. Aquela visão havia quebrado todas as suas expectativas.

Sem dúvida, Moisés já tinha visto muitas sarças, pequenos arbustos, mas aquela era simplesmente incomparável. Muitos de nós são atraídos para Deus a partir de situações aparentemente banais. Contudo, quando Ele intervém, até o comum, o insignificante torna-se algo extraordinário, inesquecível, impossível de ser ignorado. É um movimento Dele para chamar nossa atenção, para nos tirar do nosso próprio caminho. Assim, uma vez que nos voltamos para Deus, somos marcados para sempre.

Moisés foi chamado pelo nome:  A primeira marca da identidade é o nosso nome. Sempre que alguém nos chama pelo nome, imediatamente nossa atenção é captada. Além da sarça que não se consumia, Deus atraiu Moisés ao chamá-lo pelo nome, reconhecendo dessa forma sua individualidade, suas características e emoções peculiares. Deus deseja se relacionar conosco de forma pessoal, profunda, íntima. Ele não generaliza, não nos trata como parte de uma multidão de seres viventes, mas focaliza e ama um a um, pessoa a pessoa.

O Senhor se apresentou a Moisés como o Deus de seu pai Anrão, neto de Levi, um dos filhos de Jacó, filho de Isaque, filho de Abraão. É como se Ele dissesse: "Você faz parte de uma linhagem que está sob a minha aliança e sob as minhas promessas, portanto, o seu lugar não é aqui escondido nesse deserto". Interessante que o nome "Moisés" fora dado pela filha de Faraó porque ele havia sido "tirado das águas". Essa característica de "ser tirado" está presente em toda a sua vida. Deus também nos tira de nosso status quo, de nossa posição atual, e nos movimenta em direção à Sua vontade.

Moisés teve medo de olhar para Deus:  Ante a santidade do Senhor, somos expostos em nossos delitos e pecados, expostos a quem realmente somos. Moisés viu a si mesmo como miserável e frágil, tal qual o profeta Isaías, que depois de contemplar o Senhor reconheceu-se impuro, a ponto de morrer (Isaías 6.1-4). Na presença de Deus, o que nos resta senão nos arrependermos de nossos maus caminhos e nos rendermos totalmente a Ele? Qualquer opção diferente desta implica em rebeldia e obstinação, como foi com Lúcifer. E sabemos qual será o fim dele (Apocalipse 20.10).

Houve medo no coração de Moisés. Ele cobriu o rosto. "Rugiu o leão, quem não temerá?" (Amós 3.8). Esse temor nos coloca na posição correta de servos, nos esvazia de toda auto-suficiência, nos lança ao chão, rendidos, prostrados, totalmente dependentes da graça e do amor de Deus. Moisés precisou desse encontro para superar seus temores interiores, deixar o passado no passado e submeter-se ao Senhor. Uma nova fase começou para ele, uma nova vida.

Creio que o primeiro encontro de Moisés com Deus seja muito semelhante ao nosso: Depois de sermos atraídos para Ele, encontramos Nele uma identificação, uma vida absolutamente nova e irresistível. Ao mesmo tempo, tomados de um temor reverente, temos a sólida convicção de que não pertencemos mais a nós mesmos. Então, nos rendemos a Ele arrependidos, convertidos ao Seu coração, à Sua soberana vontade, para vivermos os Seus propósitos.

Continua...

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Comunhão

{ Tenho estudado nos últimos meses, junto com os irmãos de minha congregação, a respeito desse tema tão importante e urgente para a igreja brasileira atual. Acredito que se todos nos despertarmos para o verdadeiro significado da comunhão entre nós, se conseguirmos avançar em ligações legítimas e profundas de aliança entre nós, sem desmerecer as demais coisas que Deus mesmo realizou, mas unindo Palavra + Carisma + Comunhão, então se cumprirá a oração de Jesus descrita no Evangelho de João capítulo 17. O texto que segue é uma síntese dos últimos três encontros. }

Em Gênesis 1.26 lemos "Façamos" = A criação do homem envolveu diálogo. Deus quer relacionar com métodos pessoais, e não impessoais.

Elohim = mesma palavra usada para "deuses" (Deus trino, plural).

Pai > Filho > Espírito Santo (uma relação circular de unidade)

João 17.21 = Deus quer incluir a Igreja nessa relação circular de unidade (ver João 17.1-5, 16.13, 1 Coríntios 2.9-10, Mateus 12.31-32).

Pai > Filho > Espírito Santo > Igreja

Jesus não aceita que fale mal do Espírito Santo, pois tem comunhão com Ele (Lucas 12.10).

Cristo é a imagem de Deus - Ele quer que sejamos a representação exata de Deus (ver Colossenses 1.15, 2 Coríntios 4.4, Hebreus 1.3, Romanos 8.29).

Provérbios 18.1 = quem vive isolado busca seu próprio desejo.

1 João 5.6-8 = As três testemunhas: O Espírito, a água (Palavra) e o sangue (comunhão).

Efésios 4.16 = Corpo ajustado, ligado, unido.

Há três tipos de relacionamento: com pessoas mais maduras, com pessoas de mesmo nível e com pessoas menos maduras. Nesses níveis se estabelecem as relações de discipulado e troca de experiências.

A comunhão produz edificação, crescimento e cooperação com o Reino de Deus na terra (ver 1 Coríntios 12.13, Atos 5.14, 11.24).

Aspectos da Ceia:
* Comer de Cristo, beber do Seu Sangue (João 6.53)
* Na comunhão comemos do Cristo que está no irmão, sendo Cristo e nós = pão (1 Coríntios 10.17)
* Somos unidos com Ele (Romanos 6.4-6)

Comunhão = Comunidade
* Aspecto universal = Mateus 16
* Aspecto local = Mateus 18

Hoje os relacionamentos são muito utilitaristas. Isso não é necessariamente um erro, mas indica falta de maturidade (uma criança pensa muito em si mesma).

Servir a Deus implica em servir ao próximo, não às estruturas.

Comunhão é ter afinidade com a Causa (o Propósito de Deus). Isso é muito maior do que afinidades pessoais.

Relacionamentos não escapam de atritos, feridas - só assim se vê o sangue. O grão deve morrer para brotar a vida, a casca deve ser rompida.

Realidade, verdade, mostrar quem é = elementos indissociáveis da comunhão.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Leituras em 2011

O ano de 2011 foi de muitos desafios para mim: monografia, projetos de mestrado, provas, aulas todos os sábados em Macaé, etc. Além disso, foi um ano de novos horizontes quanto à fé e à minha vida espiritual. Sem dúvida, na hora de escolher os livros, fui influenciado por essas circunstâncias, alternando leituras sobre questões culturais e pós-modernas, passando por textos mais voltados para a escola e o vestibular, e o ambiente acadêmico, e também escritos edificantes sobre as bases de uma vida com Deus.

Alguns (poucos) livros abaixo não foram lidos na íntegra. Porém, para mim, todos foram significativos, importantes ou pelo menos dignos de nota:

  • Visão / Christopher Walker / Livreto sobre a visão geral de Deus para a humanidade e seus desdobramentos atuais, individuais e específicos.

  • Espaço para Deus / Henri Nouwen / A vida espiritual como a presença ativa do Espírito de Deus no meio de uma existência cheia de preocupação.

  • De glória em glória / David W. Dyer / Uma abordagem séria e uma nova perspectiva para muitos conceitos ensinados na Igreja evangélica de nossos dias.

  • The Crucified Ones / Charles E. Newbold Jr. / Sobre a ordem de cristãos que irá se mover na unção de João Batista, preparando o caminho da segunda vinda de Jesus.

  • Português descomplicado / Carlos Pimentel / Guia prático para auxílio no uso correto da língua portuguesa.

  • Redação descomplicada / Carlos Pimentel / Guia prático para o aprendizado da fluência escrita.

  • Qual a diferença? / John Piper / Masculinidade e feminilidade definidos de acordo com a Bíblia.

  • Deus me ama / Wayne Jacobsen / Para provarmos a alegria de nos sabermos aceitos e amados por Deus.

  • A borboleta em você / Milt Rodriguez / Somente na pessoa de Cristo podemos descobrir nossa verdadeira identidade.

  • A felicidade paradoxal / Gilles Lipovetsky / Ensaio sobre a sociedade contemporânea de hiperconsumo. Excelente!

  • The Harlot Church System / Charles E. Newbold Jr. / Uma exortação radical a respeito da idolatria e das prostituições que o sistema religioso impõe sobre a igreja.

  • A Semente Transcendente de Abraão: um povo para Yahveh / Charles E. Newbold Jr. / As promessas de Deus em uma linha do tempo bastante esclarecedora, desde Adão até os nossos dias. Este livro lembra muito o livreto "Visão" (no topo dessa lista).

  • A comunhão nossa de cada dia / Pedro Arruda / Sobre a necessidade de reforma na unidade da Igreja. Leitura obrigatória para toda e qualquer comunidade que se autodenomina cristã.

Espero que você e eu tenhamos um 2012 de muitas leituras e novas descobertas!

Veja também: Livros em 2010 e 2009

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

The vision | A visão

Por Pete Greig | Traduzido para o português por Luciano Motta
www.24-7prayer.com/about/thevision-en

A visão é JESUS – obsessivamente, perigosamente, inegavelmente Jesus.

A visão é um exército de jovens.

Você vê ossos? Eu vejo um exército. E eles estão LIVRES do materialismo.

Eles riem em pequenas prisões 9/5. Eles poderiam comer caviar na segunda e crostas na terça. Eles nem sequer notariam. Eles sabem o significado da Matrix, a forma como o Ocidente foi conquistado. Eles são móveis como o vento, pertencem às nações. Eles não precisam de passaporte. Pessoas escrevem seus endereços a lápis e admiram sua estranha existência. Eles são livres, mas são escravos dos feridos e sujos, e dos que estão morrendo. Qual é a visão? A visão é a santidade que fere os olhos. Faz crianças rirem e adultos terem raiva. Ela desistiu do jogo da integridade mínima há muito tempo para alcançar as estrelas. Ela despreza o bom e se esforça para o melhor. É perigosamente pura.

Luz tremula de todos os motivos secretos, de cada conversa privada. Ela ama as pessoas longe de seus saltos suicidas, de seus jogos de Satanás. Este é um exército que vai estabelecer a sua vida pela causa. Um milhão de vezes por dia, seus soldados escolhem perder para que eles possam um dia ganhar o grande “Bem feito” de filhos e filhas fiéis.

Tais heróis são tão radicais na segunda de manhã quanto na noite de domingo. Eles não precisam de fama a partir de nomes. Em vez disso, sorriem calmamente para cima e ouvem as multidões cantando de novo e de novo: "VAMOS!"

E este é o som do underground. O sussurro da história na estrutura das Fundações, sacudindo revolucionários a sonharem mais uma vez. Mistério está maquinando em sussurros. Conspiração está respirando... Este é o som do underground.

E o exército é disciplinado.

Jovens que batem em seus corpos em submissão.

Cada soldado levaria uma bala por seu companheiro de armas. A tatuagem em suas costas ostenta "para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro".

Sacrifício alimenta o fogo da vitória em seus olhos para cima. Vencedores. Mártires. Quem pode detê-los? Podem os hormônios segurá-los? Pode a falha ter sucesso? Pode o medo assustá-los ou a morte matá-los?

E a geração ora como um homem a morrer, com gemidos que vão além de falar, com gritos de guerra, lágrimas sulfúricas e com um grande carrinho de mão carregado de riso! Esperando. Vigiando. 24 - 7 - 365.

O que for necessário eles darão: quebrando as regras. Sacudindo a mediocridade de seu pequeno esconderijo acolhedor. Abandonando seus direitos e seus preciosos pequenos erros, rindo de rótulos, jejuando como essência. Anunciantes não podem moldá-los. Hollywood não pode detê-los. Pressões de grupo são incapazes de abalarem sua determinação ante festas tardes da noite que vão até antes do galo cantar.

Eles são incrivelmente legais, perigosamente atraentes por dentro.

Do lado de fora? Eles se preocupam com firmeza. Eles usam roupas como fantasias para comunicar e celebrar, mas nunca para se esconder. Renunciariam suas imagens ou popularidades? Eles abandonariam suas próprias vidas – trocariam de lugar com o homem no corredor da morte – culpado como o inferno. Um trono por uma cadeira elétrica.

Com sangue, suor e muitas lágrimas, com noites sem dormir e dias sem frutos, eles oram como se tudo isso dependesse de Deus e vivem como se tudo isso dependesse deles.

Seus DNAs escolhem JESUS (Ele expira, eles inspiram). Seus subconscientes cantam. Eles tiveram uma transfusão de sangue com Jesus. Suas palavras fazem demônios gritarem em shopping centers. Não ouvem eles chegando? Anunciam os do esquisitão! Convocam os perdedores e os loucos. Aí vêm os amedrontados e os esquecidos com fogo em seus olhos. Eles andam alto e árvores aplaudem, arranha-céus se curvam, montanhas são diminuídas por estes filhos de outra dimensão. Suas orações convocam os cães de caça do céu e invocam o antigo sonho do Éden.

E esta visão será. Ela virá para passar; ela virá facilmente, ela virá em breve. Como eu sei? Porque este é o desejo da própria criação, o gemido do Espírito, o próprio sonho de Deus. Meu amanhã é o seu hoje. Minha esperança distante é o seu 3D. E a minha oração débil, sussurrada e sem fé invoca um trovejante, retumbante, sacudidor de ossos 'Amém!' de incontáveis anjos, de heróis da fé, do próprio Cristo. E Ele é o sonhador original, o vencedor final.

Garantido.