segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Famílias virtuosas

Luciano Motta

“Mulher virtuosa, quem a achará? O seu valor muito excede o de finas joias” (Provérbios 31.10) ― esse verso é o primeiro de uma famosa passagem da Bíblia conhecida como “A mulher virtuosa”. Embora a maior parte dos cristãos se refira a esse texto para exaltar as qualidades da mulher, existem outros aspectos importantes a serem analisados.

"Virtuosa" é o mesmo que forte, eficiente, habilidosa. Trata-se de uma mulher que...
  • é sempre boa com o marido, todos os dias (v.12)
  • trabalha incansavelmente (v.13-15)
  • adquire bens, investe em uma vinha com o fruto do trabalho (v.16)
  • cuida do corpo, está sempre com disposição para o trabalho, mesmo à noite (v.17-19)
  • ajuda os necessitados (v.20)
  • cuida para que ninguém da casa passe frio no inverno, confecciona as próprias roupas (v.21-22 e 24)
  • não se preocupa com o amanhã (v.25)
  • tem sabedoria e instrui a bondade (v.26)
  • não é preguiçosa, a casa está em ordem (v.27)

Quem acha uma mulher com todas essas qualidades encontra algo muito mais precioso do que um rubi ou um diamante! Mas não estaria fora de contexto afirmar que só existe uma mulher virtuosa se ela tiver um marido virtuoso: “O coração do seu marido confia nela, e não haverá falta de ganho” (v.11). Ao lado de uma mulher virtuosa vive um marido que confia totalmente nela. Isso é mútuo. Ele se sente seguro, tranquilo. Ela também. Existe sabedoria no uso dos recursos familiares, não há perdas. Os mais velhos estimam o marido por causa das virtudes dela (v.23). Outra passagem diz [com acréscimos meus]: “A mulher virtuosa é a coroa do seu marido, mas a que procede vergonhosamente é como podridão nos seus ossos [na sua essência/substância, ou seja, no próprio ser]” (Provérbios 12:4).

Sendo um casal virtuoso, o ambiente familiar também será virtuoso: “Levantam-se seus filhos [fazem questão disso!] e lhe chamam ditosa [bem-aventurada, feliz]; seu marido a louva, dizendo: Muitas mulheres procedem virtuosamente, mas tu a todas sobrepujas" (Provérbios 31.28-29). Essa última frase do marido ficou assim na versão da Bíblia A Mensagem: “Muitas mulheres têm feito coisas maravilhosas, mas você superou todas!”

Mais do que descrever uma "super-mulher-esposa-mãe", com marido e filhos encantados pelas qualidades dela, esse texto de Provérbios fala de um lar abençoado, rico de palavras de afirmação e amor, onde a mulher é valorizada, o marido é estimado e os filhos são criados e cuidados com zelo.

Além disso, e não menos importante, existe nesse ambiente familiar virtuoso temor ao Senhor: “Enganosa é a graça [elegância, charme], e vã [passageira], a formosura, mas a mulher que teme ao Senhor, essa será louvada” (Provérbios 31.30). Outro texto muito conhecido diz assim: "A mulher sábia edifica a sua casa, mas a insensata [louca], com as próprias mãos, a derriba.  O que anda na retidão teme ao Senhor, mas o que anda em caminhos tortuosos, esse o despreza [trata com desdém]" (Provérbios 14.1-2). Não é por acaso que sabedoria, retidão e temor ao Senhor estejam numa mesma passagem. Aliás, só é possível edificar um lar sólido e harmonioso tendo o Senhor como base, sendo Ele mesmo o Arquiteto e nosso Ajudador enquanto trabalhamos dia a dia pela nossa casa.

Podemos, então, dizer que estes são os pilares de uma família virtuosa:

CONFIANÇA
AFIRMAÇÃO
AMOR
TEMOR AO SENHOR

Uma mulher com características “virtuosas”, sem esses pilares, tende a ser feminista ou uma “mulher-macho”; torna-se independente e, muitas vezes, rixosa. O mesmo vale para um homem com características “virtuosas” ― sem essas bases, tende a ficar solitário e a ocupar-se com coisas em vez de pessoas; torna-se um faz-tudo em casa, apesar de ser omisso com o que realmente conta, como a educação dos filhos. Por conseguinte, uma família desprovida de confiança, afirmação, amor e temor ao Senhor terá muito provavelmente filhos desajustados e/ou com dificuldades para “se encontrarem”; filhos que não sabem o que vão ser quando crescerem, com baixa autoestima, carentes do conhecimento de Deus. Um alerta: "O filho insensato é a desgraça do pai, e um gotejar contínuo, as contenções [as rixas, o resmungar] da esposa” (Provérbios 19.13).

As Escrituras relatam histórias de diversas famílias, algumas com trajetórias incríveis; outras, nem tanto. A partir do que vimos sobre famílias virtuosas, e tomando alguns exemplos bíblicos, vamos refletir um pouco mais sobre nossos contextos familiares:

A família de Sansão (Juízes 13)
Manoá (que significa descanso) e sua esposa eram pessoas tementes a Deus. Fizeram tudo conforme Ele ordenara a respeito de seu filho Sansão, um menino com voto de nazireu desde o nascimento. Veja este pedido de Manoá: “Então, Manoá orou ao Senhor e disse: Ah! Senhor meu, rogo-te que o homem de Deus que enviaste venha outra vez e nos ensine o que devemos fazer ao menino que há de nascer” (13.8) ― Algumas questões: Como Sansão pôde se tornar um homem de caráter tão instável e reprovável? O anjo do Senhor apareceu duas vezes à mulher de Manoá, e nas duas vezes ela estava sozinha. Seria ele um pai ausente, envolvido com suas próprias coisas, apesar de temer a Deus? O texto bíblico não afirma, são apenas conjecturas. Mas pare e pense comigo: muitas vezes julgamos estar fazendo a coisa certa, contribuindo e trabalhando na obra de Deus, levando nossos filhos às reuniões da igreja, vivendo "no descanso" de estarmos fazendo tudo certo, só que podemos estar criando "um Sansão" em nosso lar, alguém cheio de habilidades e dons sobrenaturais, porém desobediente, rebelde, sem integridade.

A família de Davi (1 Samuel 16)
O profeta Samuel recebeu uma ordem de Deus: ir a casa de Jessé e ungir um de seus oito filhos como rei no lugar de Saul. Agora pense: o que você faria se o homem de Deus mais importante do seu tempo fosse visitar a sua casa para ver um de seus filhos? Deixaria o mais novo no campo, cuidando de ovelhas? ― Pergunto mais: O que Jessé não viu em seu filho Davi?

Tempos depois, quando Golias afrontava os israelitas, sendo Jessé já “velho e adiantado em anos entre os homens” (17.12), mesmo depois do “Espírito do Senhor se apossar de Davi” (16.13), o pai ainda não reconhecia o que seu filho carregava. Enviou Davi com alimentos para seus irmãos que estavam na guerra sob a seguinte ordem: “visitarás teus irmãos, a ver se vão bem; e trarás uma prova de como passam” (17.18). Sabemos que é Davi quem derrota o gigante, mesmo tendo recebido "uma missão" diferente (sem contar o menosprezo de seus irmãos!). É uma história semelhante à de José, exceto pelo fato de seu pai Jacó guardar os sonhos do filho em seu coração (Gênesis 37.11).

Como tem sido o nosso olhar em relação aos nossos filhos, não apenas quanto ao que eles um dia serão, mas também ao que Deus JÁ ESTÁ FAZENDO na vida deles?

A família de João Batista (Lucas 1)
Isabel era estéril (v.7). Zacarias estava ministrando seu sacerdócio quando o anjo Gabriel apareceu e lhe anunciou que haveriam de ter um filho: "Não tenha medo, Zacarias; sua oração foi ouvida. Isabel, sua mulher, lhe dará um filho, e você lhe dará o nome de João. Ele será motivo de prazer e de alegria para você, e muitos se alegrarão por causa do nascimento dele, pois será grande aos olhos do Senhor. Ele nunca tomará vinho nem bebida fermentada, e será cheio do Espírito Santo desde antes do seu nascimento. Fará retornar muitos dentre o povo de Israel ao Senhor, o seu Deus. E irá adiante do Senhor, no espírito e no poder de Elias, para fazer voltar o coração dos pais a seus filhos e os desobedientes à sabedoria dos justos, para deixar um povo preparado para o Senhor" (v.13-17).

Zacarias, porém, não acreditou: "Como posso ter certeza disso? Sou velho, e minha mulher é de idade avançada" (v.18). Por causa de sua incredulidade, ficou mudo (v.20). Só tornou a falar depois que João Batista nasceu, e então louvou ao Senhor (v.64).

A história daquela família percorreu toda a região montanhosa da Judeia – “Todos os que as ouviram guardavam-nas no coração, dizendo: Que virá a ser, pois, este menino? E a mão do Senhor estava com ele” (v.66). ― Essa é a pergunta de muitos país hoje: "O que virá a ser o meu filho?" Sem dúvida, é também a grande questão de muitos jovens: "O que serei?" ou "Quem sou eu?"

Zacarias tinha a resposta: “Tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque precederás o Senhor, preparando-lhe os caminhos, para dar ao seu povo conhecimento da salvação, no redimi-lo dos seus pecados, graças à entranhável misericórdia de nosso Deus, pela qual nos visitará o sol nascente das alturas, para alumiar os que jazem nas trevas e na sombra da morte, e dirigir os nossos pés pelo caminho da paz” (v.76-79).

Por que Zacarias tinha a resposta? Ele foi “cheio do Espírito Santo” (v.67). O texto diz no fim do capítulo 1 que “o menino crescia e se fortalecia em espírito. E viveu nos desertos até ao dia em que havia de manifestar-se a Israel” (v.80). Isso só foi possível porque SEUS PAIS FORAM COM ELE. João Batista foi ensinado “no caminho” (Provérbios 22.6), ou seja, seus pais o acompanharam no caminho. Eles entenderam o propósito de sua família: ser precursora do Messias! João Batista só pôde encarnar sua missão por causa dos seus pais. ELES SE RETIRARAM PARA O DESERTO movidos pelo Espírito Santo e lá viveram até João começar seu ministério (leia com calma Lucas 3.3-6 e Isaías 40.3-5 e veja como João Batista encarnou o que lhe fora proposto por Deus).

Há muitos paralelos dessa história com os dias atuais. A geração que está se levantando no mesmo espírito de João Batista tem pais estéreis e incrédulos. Talvez nunca antes houve uma geração cristã tão vazia de fé e confiança em Deus como a do presente século. Há escassez de uma fé sólida e genuína em Cristo. O amor tem se esfriado. Famílias estão sendo destruídas. Multidões vão após sinais de homens que a Palavra denuncia como falsos profetas, enganadores (Mateus 24.24).

Conclusão: Vimos que pais tementes a Deus podem criar um filho reprovável (Sansão). Também nos deparamos com a história de um filho segundo o coração de Deus (Davi) que não recebeu o devido tratamento de seu pai (ou que pareceu não entender quem seu filho era). Por último, reconhecemos como foi fundamental para João Batista crescer em um ambiente cheio de confiança, afirmação, amor e temor ao Senhor ― ainda que tenha vivido nos desertos, teve a companhia de pais virtuosos, antes incrédulos e estéreis, porém transformados e cheios do Espírito Santo. Isso foi determinante no ministério daquele que preparou o caminho do Senhor. Isso mudou a história do mundo!

Nossas famílias podem mudar a história do mundo, preparando o caminho para a segunda vinda de Jesus. Você crê nisso? Então, faça do seu lar um ambiente virtuoso. Enfrente as oposições de nossos dias. Se necessário, vá para os desertos, saia do seu lugar, arrisque-se! Abraão teve de sair da sua terra e da sua parentela para entrar no chamado de Deus. Além disso, cuide para não confiar demais em seus próprios julgamentos, pois assim, sem perceber, você pode estar colocando tudo a perder. Confira com outros irmãos e casais experientes a maneira como você tem cuidado do seu lar. Cerque-se de amigos que estão nesta mesma busca: edificar famílias virtuosas.

Uma última palavra ― para solteiros: creio que vocês podem ser homens virtuosos ou mulheres virtuosas agora mesmo, ou seja, pessoas fortes, eficientes e habilidosas, embora ainda não tenham constituído suas próprias famílias. Para isso, é fundamental honrarem seus pais e irmãos, aqueles com os quais vocês convivem, mesmo se não forem cristãos. Também devem estar vinculados ao Corpo de Cristo, afinal, a igreja é uma grande família. Na comunidade dos santos deve existir confiança, afirmação, amor e temor ao Senhor. Portanto, solteiros e solteiras, enquanto não se casam, o Senhor é seu marido. Confiem o coração de vocês a Ele, somente a Ele. Deixem que Ele aperfeiçoe a vida de vocês, submetam-se à vontade Dele durante seus dias de solteirice, Cada igreja deve ser um ambiente virtuoso para todos.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Escola de oração - Liberdade Rio



O Espírito Santo está orquestrando um movimento global de oração. A igreja está sendo despertada em toda terra para sua principal identidade como uma casa de oração para todos os povos (Mateus 21:13). A escola de oração Liberdade-Rio está em sua segunda edição e desejamos cooperar com o despertamento do corpo de Cristo para uma cultura de oração que nos capacite, honre o nome do Senhor e libere sobre nossas cidades um forte movimento de justiça e avivamento.

Faça parte desse mover! INSCREVA-SE AQUI.

Cultura de oração - Adoração dia e noite - Intercessão - Avivamento e justiça

sábado, 22 de agosto de 2015

O que é o Evangelho do Reino? - Parte 2

Luciano Motta

Até que ponto a Igreja de hoje tem anunciado a esperança do Reino vindouro que já teve início em Cristo? Que tipo de “evangelho” vem sendo pregado nas reuniões, na mídia, nas conversas, no testemunho diário? Será que a proclamação do evangelho aos perdidos continua centrada em Cristo e em Seu Reino? Ou “alguns ajustes” estão sendo permitidos na mensagem para se atender às demandas contemporâneas, mesmo negligenciando o que de fato corresponde ao Evangelho do Reino?

Antes de considerarmos essas questões, vale destacar que a Bíblia menciona muito mais a palavra “Reino” (basileia) do que a palavra “Igreja” (ekklesia). Um exemplo: tendo como referência o livro de Mateus, a expressão “Reino dos céus” aparece 64 vezes e somente duas vezes a palavra “Igreja”. A ênfase de Deus parece ser bastante diferente do que se ouve ultimamente nos cultos e nos programas gospel de TV e rádio.

Tem sido muito comum um tipo de evangelho centrado nas riquezas materiais, no conforto. São pregações que enfatizam diariamente o que cada crente deve receber de Deus: bênçãos, bens, posses, empregos melhores, salários maiores. São músicas que transmitem uma mensagem voltada para o homem e suas carências emocionais, totalmente conformada a concupiscências (anseios, desejos intensos) que a Bíblia condena veementemente:

Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele; porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo. Ora, o mundo passa, bem como a sua concupiscência; aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente (1 João 2.15-17).

Repare que esse texto expõe o que move o mundo: a concupiscência da carne (comer, beber, vestir), a concupiscência dos olhos (desejar ver e ser visto) e a soberba da vida (bens, dinheiro). Em si mesmos, não são anseios maus. O problema é que esses desejos não procedem do Pai, mas do mundo. São passageiros. Serão abalados quando o Reino de Deus se estabelecer em definitivo na terra. Só aquele que faz a vontade de Deus permanecerá, aquele que hoje vive em função dos valores do Reino eterno.

John Piper, em uma série de palavras intitulada Aos Pregadores da Prosperidade, lança uma questão: Por que alguém “iria querer anunciar um evangelho que encoraja o desejo de ser rico, confirmando deste modo as pessoas em seu desajuste ao Reino de Deus?” Afinal, Jesus foi categórico: “Como é difícil para quem tem riquezas entrar no Reino de Deus! [...] É mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus” (Marcos 10.23,25). Essa palavra se alinha à exortação do apóstolo Paulo: “Mas os que querem ficar ricos caem em tentação, em armadilhas e em muitos desejos loucos e nocivos, que afundam os homens na ruína e na desgraça. Porque o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males; e por causa dessa cobiça alguns se desviaram da fé e se torturaram com muitas dores” (1 Timóteo 6.9-10). Por que alguém pregaria algo que pode levar pessoas à ruína, à perdição, ao desvio da fé, a uma vida de tormentos?

É verdade que as bênçãos de Deus seguirão aqueles que ouvirem a Sua voz (Deuteronômio 28.2). Sim, é verdade que se semearmos muito, colheremos muito (2 Coríntios 9.6), e que nos foi prometida uma medida recalcada, sacudida e transbordante como fruto do nosso dar (Lucas 6.38). Tudo isso é bíblico, mas apenas parte da boa notícia, não sua principal ênfase! O evangelho de facilidades e conquistas materiais, que conduz multidões a amarem o dinheiro, não as levará a perseverarem até o fim em dias de tão intensas dores. Isso não é o Evangelho do Reino! Jesus disse: "Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou odiará a um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas" (Mateus 6.24).

Outro tipo de mensagem se posiciona em extremos. É muito ruim estar com pessoas cheias de legalismo e religiosidade, que nunca conheceram Deus como aquele pai que preparou um grande banquete para receber seu filho pródigo, perdido, ingrato, em retorno para casa, arrependido (Lucas 15.11-24). Imagine congregações inteiras tomadas desse espírito legalista, igrejas desprovidas de graça e compaixão, orgulhosas de sua tão extraordinária espiritualidade!

Tanta gente foi ferida nos últimos anos com o peso desproporcional da correção e, por consequência, da condenação e da rejeição de irmãos e líderes por causa de tropeços na caminhada, que hoje repelem tudo o que for associado à Igreja. Alguns ainda guardam no coração um sincero temor a Deus, ainda reconhecem que Jesus é o caminho, a verdade e a vida, mas não conseguem mais se aproximar dos crentes, tampouco do dia a dia eclesiástico.

Na outra ponta, e talvez devido a esse tipo farisaico de "evangelho", dissemina-se em toda parte uma mensagem que engrandece a graça e o amor de Deus e minimiza Sua Retidão. Muitos se lançam em uma vida de total "liberdade” a ponto de subverterem valores legítimos do Reino, como a santificação. Paulo disse aos filipenses: "...desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade. Fazei tudo sem murmurações nem contendas, para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual resplandeceis como luzeiros no mundo" (Filipenses 2.12-15).

Como a igreja pode ser irrepreensível em um mundo de injustiças e corrupção, se pessoas que se dizem cristãs ainda "dão um jeitinho" em seus negócios e não abandonam suas práticas, afinal, Deus irá perdoá-las? Como ser luz em um mundo subjugado pelo império das trevas, se há concessões para uma vida sexualmente ativa fora do casamento ou permissividade para o divórcio, porque Deus é amor e Ele quer a nossa felicidade?

Quem anuncia um “evangelho” dissociado de morrer para si mesmo, de tomar a cruz e seguir a Jesus, não entendeu a graça de Deus. Paulo reforça isso: “Permaneceremos no pecado, para que seja a graça mais abundante? De modo nenhum! Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos?” (Romanos 6.1-2). Aos gálatas, o apóstolo foi igualmente enfático: “Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade; porém não useis da liberdade para dar ocasião à carne; sede, antes, servos uns dos outros, pelo amor. Porque toda a lei se cumpre em um só preceito, a saber: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. [...] andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne. Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer” (Gálatas 5.13-14,16-17).

Outros extremos são notados: enquanto algumas igrejas se agarram com unhas e dentes às suas tradições e costumes, outras abraçam modismos e novidades para se manterem conectadas e atualizadas com o mundo ou simplesmente para não perderem seus membros para outros arraiais mais "contextualizados". Como resultado, encontramos congregações paradas no tempo e no espaço, irrelevantes culturalmente, ou igrejas que pouco se diferenciam de casas de show, conhecidas mais por suas luzes e entretenimento do que por sua capacidade de salgar o mundo (Mateus 5.13). Esses extremos não correspondem ao Evangelho do Reino!

Há ainda os que defendem a restauração de todas as coisas na terra antes da segunda vinda de Cristo. Os mais radicais nesse pensamento são, como afirma John Stott, os cristãos do "já" ou "os otimistas radiantes", aqueles que "parecem acreditar que a perfeição já pode ser alcançada aqui, agora". São como os crentes de Corinto a quem Paulo escreveu: “Já estais satisfeitos! Já estais ricos! Sem nós, já chegastes a reinar!” (1 Coríntios 4.8). Por causa da obra na cruz,
acham que não aspirar à perfeição agora é uma humilhação para Jesus. Seu otimismo, porém, pode facilmente virar arrogância e acabar em desilusão. Além de ignorar o "ainda não" do Novo Testamento, eles esquecem que a perfeição aguarda a parusia (STOTT, John. Disponível em http://www.comoviveremos.com/reino-de-deus-o-ja-e-o-ainda-nao-stott).
Não questionamos como verdade absoluta a suficiência do sacrifício de Cristo na cruz para perdão dos nossos pecados e cura das nossas enfermidades (Isaías 53). Não ignoramos a ação real e evidente do Espírito Santo hoje, por meio dos dons e da intervenção miraculosa em circunstâncias adversas (1 Coríntios 12-14). Na verdade, é assim que deve ser - a Igreja resplandecendo boas obras e glorificando o Pai (Mateus 5.16). Mas seria possível a vitória completa dos cristãos sem Cristo estar vivendo conosco pessoalmente? Em outras palavras: seria possível o pleno estabelecimento do Reino sem o Rei?

Antes da segunda vinda, haverá “bolsões” do Reino de Deus em toda a terra: famílias e igrejas, comunidades e cidades inteiras experimentando o “já” – uma antecipação da obra perfeita que Cristo irá executar assim que rasgar os céus e vir em glória, afinal, Ele virá para uma Igreja gloriosa como Ele é. Mas até que Cristo venha, a realidade celestial “ainda não” será vista em toda a terra. O amor de muitos, ou de quase todos, esfriará; outros abandonarão a fé (Mateus 24.10-12). Isso significa que famílias e igrejas sucumbirão às dores dos últimos dias. Junto das promessas aos que vencerem, ou seja, aos que perseverarem até o fim, as sete igrejas em Apocalipse 2 e 3 receberam também advertências severas, dentre as quais o abandono do primeiro amor (Ap 2.4) e a tolerância a outros espíritos (Ap 2.20). Problemas que apenas confirmam a instabilidade dos últimos dias, não uma redenção total da terra como a mentalidade triunfalista costuma enfatizar em sua mensagem.

Por tudo isso, parece inegável que grande parte do Cristianismo atual esteja falhando gravemente ao anunciar outros tipos de "evangelho", lançando fundamentos estranhos às Escrituras e apoiando-se em extremos tão nocivos aos perdidos e aos próprios cristãos. É urgente que se levantem aqueles que proclamarão os valores eternos e inabaláveis do Evangelho de Cristo. É imprescindível ao mundo de hoje uma igreja que priorize as boas novas do Reino que já é e que ainda está por vir em plenitude. Sim, são boas notícias! O Rei vem! Ele está às portas para destituir o império das trevas e trazer tempos de refrigério e restauração.

(Sobre isso, falaremos na próxima parte.)

sábado, 15 de agosto de 2015

Conferência Vozes e Trovões - sexta à noite, 14/08/15


Síntese da palavra de sexta à noite, dia 14/08/15

MIKE SHEA

Temas importantes para a igreja são introduzidos através da adoração. Hoje, há no mínimo 5 versões do Pai Nosso sendo cantadas nos cultos.

Para a maioria dos evangélicos, a oração que Jesus ensinou - o "Pai Nosso" - é uma oração católica, litúrgica. Nesses dias em que temos tantas canções sobre essa oração, é como se Deus dissesse: "Quero restaurar essa oração na igreja evangélica".

Mateus é o Evangelho do Reino. Estudando esse livro, o Senhor me mostrou: "Venha o Teu Reino". Ele me fez então três perguntas:

1- Jesus teria ensinado a orar se não fosse necessário?

O sacerdócio de Israel foi fundamental para estarmos aqui hoje. Israel foi espalhado nas nações da terra - a igreja dá testemunho de Jesus e Israel dá testemunho da obra de Deus na terra.

O cumprimento do nosso sacerdócio é fundamental para o estabelecimento do Reino.

Hebreus 4.14-16 - "Portanto, tendo um grande sumo sacerdote, Jesus, o Filho de Deus, que entrou no céu, mantenhamos com firmeza nossa declaração pública de fé. Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas, mas alguém que, à nossa semelhança, foi tentado em todas as coisas, porém sem pecado. Portanto, aproximemo-nos com confiança do trono da graça, para que recebamos misericórdia e encontremos graça, a fim de sermos socorridos no momento oportuno."

Jesus entrou. Vamos com Ele = sacerdócio é acesso ao céu

2- Jesus teria ensinado a fazer uma oração vã, que o Pai não irá responder?

Repetimos uma canção várias vezes e não achamos enfadonho. Por que seria enfadonho repetir a oração?

3- Você pode fazer uma oração melhor do que a oração do Messias?

A oração do Pai Nosso é um caminho, fornece diretrizes para nosso sacerdócio.

Mateus 6.5-13 - "E, quando orardes, não sejais como os hipócritas; pois gostam de orar em pé nas sinagogas e nas esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que eles já receberam sua recompensa. Mas tu, quando orares, entra no teu quarto e, fechando a porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê o que é secreto, te recompensará. E, quando orardes, não useis de repetições inúteis, a exemplo dos gentios; pois eles pensam que serão ouvidos pelo muito falar. Não vos assemelheis a eles; pois vosso Pai conhece de que necessitais, antes de o pedirdes a ele.

Portanto, orai deste modo:

Pai nosso que estás no céu, santificado seja o teu nome;
venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu;
o pão nosso de cada dia nos dá hoje;
e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como também temos perdoado aos nossos devedores;
e não nos deixes entrar em tentação; mas livra-nos do mal.
Pois teus são o reino, o poder e a glória, para sempre. Amém."

Jesus disse "quando orardes" e não "se orardes". A oração está bem no meio do "sermão do monte" (ver Mateus capítulos 5 a 7). A base do que Jesus pregava de cidade em cidade era o Evangelho do Reino, isto é, o sermão do monte. Era a proposta do Reino.

Havia naquele tempo uma grande opressão. Aqui no Rio de Janeiro existe um governo paralelo, assim como Jesus via o Império das trevas em seu tempo. A corrupção era grande. Um exemplo: Por que Mateus, chamado Levi (por ser levita, segundo teólogos), estava cobrando impostos e não exercendo o seu sacerdócio enquanto levita? Outro exemplo: sacrifícios humanos eram feitos nos dias de Jesus. Isaías e Amós chamaram Israel de Sodoma e Gomorra. Demônios se manifestaram em Israel - sinal de pecado.

"Estão vendo as evidências do Império das trevas? Querem continuar com isso? Não? Então, ARREPENDEI-VOS!" - nossa pregação precisa se alinhar com a de Jesus.

Com o pecado, o Espírito Santo se retirou do homem. Apenas se apossava de alguns poucos, de tempos em tempos, para um fim específico. Depois da ressurreição de Cristo, o Espírito Santo passou a habitar em nós. O Espírito Santo em nós é o Reino de Deus em nós. Não é pouca coisa!

"O Reino que anuncio é de justiça, paz e alegria no Espírito Santo (conforme Romanos 14.17). Querem isso (uma mudança de governo, deixar o Império das trevas e mudar para o Reino de Deus)? ENTÃO ORAREIS ASSIM.

Brasil = A corrupção lá de cima é reflexo da corrupção aqui embaixo. Sem arrependimento, não haverá mudança. As chaves do Reino estão nas mãos da Igreja. Zacarias 12.10 - devemos nos humilhar, clamar como sacerdotes, com graça e súplica, então Ele vai mudar tudo.

Outro contexto em que a oração do Pai Nosso é mencionada na Bíblia:

Sabemos que João Batista tinha discípulos. Lucas 9 relata o momento em que Jesus chamou os doze e os enviou para pregarem o reino de Deus e a realizarem curas. Também relata o fato de que Herodes havia mandado decapitar João Batista. Entendo que os discípulos de João Batista passaram a andar com Jesus, desempenhando uma missão semelhante a do profeta que preparara o caminho do Messias, porque em Lucas 10 lemos que Jesus designou "outros setenta e dois" para irem à frente Dele, às cidades e povoados, para prepararem Seu caminho.

Lucas 11.1 - "Jesus estava orando em certo lugar e, quando terminou, um de seus discípulos lhe disse: Senhor, ensina-nos a orar, como João ensinou aos discípulos dele." - veja que se João Batista não tivesse ensinado seus discípulos a orarem, como as multidões iriam até o deserto para ouvirem sua mensagem e serem batizadas por ele? - durante o ministério de João Batista não há relatos de sinais maravilhosos, curas ou expulsão de demônios. Podemos deduzir que os discípulos de João, agora andando com Jesus e Seus doze, e viram os sinais que eram feitos.

Mas os discípulos de Jesus não conseguiram expulsar o demônio de um menino (ver Lucas 9.37-43). Certamente esse assunto foi conversado entre os discípulos de Jesus e os que eram de João Batista. Então, quando eles viram Jesus "orando em certo lugar" (Lucas 11.1), quiseram perguntar a Ele como era aquela oração e talvez tenham enviado o mais novo dentre eles para perguntar: "Senhor, ensina-nos a orar, como João ensinou aos discípulos dele."

O que Jesus respondeu? A mesma oração de Mateus 6 aparece aqui em Lucas 11.2-4. A oração que Jesus ensinara no sermão do monte - que fazia parte do Evangelho do Reino que anunciavam de cidade em cidade - era a mesma oração para expulsar demônios, para curar... Quando se fala em restauração de todas as coisas, uma das coisas que serão restauradas é a oração do Pai Nosso.

Intercessão não é para um grupo de elite. É para todo o Corpo de Cristo. Ele nos constituiu sacerdotes.

Ezequiel 36.16-32 - Deus santifica o Seu nome, com proezas, sinais, amarrando demônios e desiludindo os seguidores de enganos. 

A Didaquê era um documento que continha ensino (instrução, doutrina) do Senhor aos gentios, redigido pelos apóstolos. No capítulo VIII, haviam três instruções sobre jejum e oração:
1- Seus jejuns não devem coincidir com os dos hipócritas.
2- Não orem como os hipócritas, mas como o Senhor ordenou em seu Evangelho (em seguida vem a citação na íntegra da oração do Pai Nosso de Mateus 6)
3- Orem assim 3 vezes ao dia

Os muçulmanos oram 5 vezes ao dia. Param tudo e oram. Taxistas param o carro, avisam seus passageiros que vão ficar ali fora por 15 minutos. Estendem um tapete no chão e oram. Sonho com o dia em que as cidades irão parar várias vezes ao dia porque os cristãos estão orando a oração que Jesus ensinou.

Conferência Vozes e Trovões - sexta de manhã, 14/08/15


Síntese das palavras de sexta de manhã, dia 14/08/15, para pastores e líderes

MARTIN SCOTT

O que significa seguir a Jesus no nosso contexto?

Confusão = ser bem sucedido (como as pessoas nos avaliam) é muito diferente de ser efetivo (como estamos influenciando a sociedade)

1 Coríntios 15.45 - Primeiro Adão: ser vivente / Último Adão: espírito vivificante, que dá vida

O evangelho do Novo Testamento desafiou o status quo da sociedade. O termo reino era usado por Roma naquele tempo. Foi apresentado o evangelho de outro reino.

"Jesus é Senhor" = mais do que uma sentença de adoração, era uma palavra que desafiava poderes e autoridades daquela época. Cada césar se auto-declarava senhor.

Um dos principais impactos do evangelho foi de ordem econômica. Que Deus nos torne eficazes para abalarmos a sociedade pelo poder do evangelho.

Nosso contexto é muito próximo do contexto do Novo Testamento. A aplicação do evangelho deve considerar isso - mas como aplicá-lo hoje?

Paulo foi apóstolo para os gentios. Ele não mudou o evangelho por causa disso. Na verdade, fez coisas diferentes por causa do seu contexto.

Cada geração precisa ter um ministério apostólico.

Como líderes, precisamos de humildade e flexibilidade para lidarmos com novos contextos.

Jesus perguntou: quem as pessoas dizem que sou? Esse é um bom começo. Mas preciso ter minhas próprias convicções sobre Jesus = revelação.

Revelação vem do céu e do futuro, é novo. Nossa expectativa quanto ao proceder da revelação recebida vem do passado = eis o conflito que temos de lidar.

Atos 2.39 - "Porque a promessa é para vós, para vossos filhos e para todos os que estão longe, a quantos o Senhor nosso Deus chamar." - Pedro profetizou isso, teve revelação (futuro). Mas diante de Cornélio, em Atos 10, foi confrontado por suas próprias expectativas (baseadas no passado).

Três homens foram enviados por Cornélio até Pedro (At 10.7). A visão do lençol se repetiu por três vezes (At 10.16). O número 3 é como uma marca de Deus na vida de Pedro (três vezes negou a Jesus, três vezes Jesus perguntou a Pedro se o amava).

Falando um pouco mais sobre mudanças econômicas = Paulo em Éfeso. Veja que até pessoas sem Jesus perceberam que Paulo carregava algo que influenciava a sociedade.

Eleger cristãos para mudar a sociedade é uma expectativa errada. Precisamos alinhar nossas expectativas ao que Deus está fazendo. Temos no Brasil uma grande oportunidade de afetarmos a sociedade. O meio de fazer isso é que pode nos atrapalhar, por causa de nossas expectativas.

Vemos Jesus como Cordeiro ou como Leão?

Oração: "Gera em nós novas expectativas! Torna-nos eficazes, com corações humildes."

HAROLD WALKER

"Aprendemos com os erros. Mas precisamos cometer 'novos' erros para aprendermos novas coisas"

Prioridades para a igreja hoje:

1- Nos dias de Esdras e Neemias, antes dos alicerces e dos muros, houve a restauração do ALTAR = ORAÇÃO ANTES DE TUDO

2- Os muros = existem hoje onde não são necessários (entre nós) e nenhum onde realmente são necessários (ao redor de nós).

Divisões, raiva, ódio impedem a saúde do Corpo.

Devemos parar de buscar no céu o que já está na terra (nos irmãos).

Nascemos da mesma família = nossa unidade é baseada em origem

Muros externos devem ser levantados = não podemos permitir que os males do mundo entrem na igreja

3- Juntas e ligamentos = "cada osso com seu osso". Deus vai levantar uma igreja com pessoas realmente aliançadas

4- Geração do filho varão = está surgindo e será diferente, conforme Malaquias 4. Não haverá desligamento da geração anterior. A geração do filho varão não cometerá os mesmos erros que nós cometemos.

Não permanecerá o tipo de ministério singular, ditatorial. Haverá um corpo sendo liderado pelo Cabeça por meio da comunhão do Espírito Santo.

MIKE SHEA

Uma palavra: OBEDIÊNCIA

Temos que aprender a obedecer como Jesus (Hebreus 5.8). Do contrário, teremos o fim de Saul, de Ananias e Safira, dos filhos de Eli.

Outra palavra: uma nação sacerdotal (Êxodo 19.5-6 e 1 Pedro 2.4-5) - nosso ofício: adoração e intercessão.

Se não formar sacerdotes, de que vale seu ministério?

Conferência Vozes e Trovões - quinta, 13/08/15


Síntese das palavras de quinta, dia 13/08/15

FABIO COELHO

Por que estamos aqui? Por que fazemos o que fazemos?

Apocalipse 1.12 - visão de João do Messias. A partir dessa visão, vem uma série de profecias às sete igrejas. Cada uma delas começa com uma das revelações de Cristo e termina com uma revelação do Reino.

Sete igrejas = Sete aspectos diferentes da revelação de Cristo e do Reino. Cada igreja ouve um aspecto. Com a reunião das sete igrejas haverá uma revelação completa. Hoje só temos parte. Precisamos conferir uns com os outros.

1 Coríntios 2.16 - Temos a mente de Cristo (temos = plural, coletivo)

Provérbios 29.18 - O povo de corrompe (se desintegra) sem visão profética

Hebreus 11.24-27 - Moisés viu Cristo na sarça que ardia

Mas nossa visão não pode se basear em nossa experiência (presa ao passado)

Números 20.7-12 - Deus disse: "Fala a rocha", mas Moisés bateu. Fez isso baseado em sua experiência anterior, quando Deus disse para ferir a rocha. Não entrou na terra prometida porque lá seria preciso gritar para as muralhas caírem, não bater nas muralhas.

2 Reis 6.1-7 - A construção de uma nova casa para um novo tempo. Só que o machado caiu na água e afundou. Era um machado emprestado. Aquele profeta não sabia manusear o instrumento.

O Brasil sofre disso: falta de identidade. As crianças por aqui não crescem com uma visão empreendedora. Importamos o machado dos outros. Só que está afundando, não é nosso, não é baseado na visão que temos. Nossa visão não pode se basear em ferramentas emprestadas.

Atos 2.17-18 - O Espírito Santo será derramado sobre toda carne. Pedro disse isso. Mas em Atos 10, ele precisa de uma visão celestial para poder compreender que Deus estava fazendo algo entre os gentios. A expectativa de Pedro era outra em relação à sua própria profecia. Nossa visão não pode se basear nas nossas expectativas. É preciso sabedoria para entender os processos.

MIKE SHEA

"Se você pudesse ver como eu te vejo..."

"O Brasil tem a cara do céu: de todas as tribos, raças e nações..."

Israel também quis ser como as outras nações. E não deu certo!

Estamos em um tempo em que Deus está nos preparando para algo singular. Quem está se humilhando agora? Quem vai chorar até que...?

"O que somos hoje não é suficiente. Então, Senhor, faça o que não podemos fazer!"

ANGELO BAZZO

Ouvimos muitas palavras proféticas sobre o Brasil. Mas isso não é uma garantia. Precisamos corresponder para que a palavra se cumpra.

O que posso fazer na prática para que a palavra se cumpra? = posição!

Sabedoria é o sabor da prática do que recebemos de revelação

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Como seria o Reino?

Por Asher Intrater, do boletim Revive Israel de 13/06/2015

A frase mais famosa da oração mais famosa na história é simplesmente: “Venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu” – Mateus 6.10. Essa é também a nossa mais alta prioridade e a definição mais básica do reino de Deus. Será que realmente estamos sendo sinceros sobre esse anseio quando fazemos essa oração?

     -   O Reino possui uma origem: Céu.
     -   O Reino possui uma direção: Venha.
     -   O Reino possui um destino: Terra.
     -   O Reino possui uma parceria: Deus e o Homem.
     -   O Reino possui uma harmonia: Céu e Terra.

Fator Principal
Há apenas um fator variável nessa equação: a vontade humana. Se estamos orando para que a vontade de Deus seja feita, fica claro que, na maior parte do tempo, a sua vontade NÃO está sendo feita.

Portanto, a oração em favor do reino de Deus exige uma reação específica: cada um de nós precisa mudar (arrepender-se). Passamos a submeter nossa vontade à vontade de Deus (que é sempre boa e benevolente).

Yeshua nos deu o exemplo perfeito em sua própria oração no Getsêmani:“Não seja como eu quero, e sim como tu queres” – Mateus 26.39. Isso envolve um aspecto bastante desagradável: negar a nós mesmos.“Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue…” – Mateus 16.24. Nossos desejos egoístas estão mais voltados para a “satisfação” do que para a “negação”.

Será que acreditamos que a oração de Yeshua para que o reino de Deus venha realmente será atendida; que a vontade dele será feita no planeta terra? Se sim, como seria a manifestação prática e visível desse reino?

Visão Fundamental
Isaías 2.2-4: “Nos últimos dias, acontecerá que o monte da Casa do SENHOR será estabelecido no cimo dos montes e se elevará sobre os outeiros, e para ele afluirão todos os povos. Irão muitas nações e dirão: Vinde, e subamos ao monte do SENHOR... para que nos ensine os seus caminhos, e andemos pelas suas veredas; porque de Sião sairá a lei, e a palavra do SENHOR, de Jerusalém. Ele julgará entre os povos e corrigirá muitas nações; estas converterão as suas espadas em relhas de arados e suas lanças, em podadeiras; uma nação não levantará a espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra.”

Essa é a visão fundamental dos profetas israelitas para o reino de Deus na terra. As últimas palavras dessa visão de Isaías estão escritas no muro das Nações Unidas (omitindo as partes sobre Deus e Jerusalém!!). Nós cremos na paz mundial; temos um plano para a paz mundial. A visão de Isaías é a primeira e a mais importante para a paz mundial para toda a humanidade.

Todo reino possui um rei (Isaías 9.6); todo governo tem uma capital (Isaías 2.3; 62.1, 7).  O rei do reino de Deus será Yeshua; a capital será Jerusalém (Salmo 2.2-4). Haverá uma sociedade internacional de paz e prosperidade (Miqueias 4.1-4). A justiça social prevalecerá (Isaías 1.26; Amós 5.24). Haverá harmonia total entre Deus, o homem e a natureza (Isaías 35.1-2). Até os animais viverão em paz (Isaías 11.6-7; 65.25).

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Ainda vivemos um tempo favorável

Luciano Motta

Em setembro de 2014, Deus me fez retornar a uma palavra liberada no final de 2013, que publiquei aqui no blog como "Tempo favorável". Naquele artigo, escrevi sobre a necessidade de remirmos o tempo e de nos alinharmos ao que está no coração de Deus para este tempo. Falei sobre o fato de que muitos estão agora mesmo abandonando a "vida normal" para se dedicarem a um estilo de vida de oração e jejum, como o fizeram Daniel e a profetisa Ana antes da primeira vinda de Cristo. Essas pessoas estão hoje crescendo em graça e sabedoria diante de Deus e dos homens, tendo como base a vida de devoção e trabalhando para que a igreja seja, de fato, uma Casa de Oração para todos os povos. Esses altares de oração e devoção individuais e coletivos estão gerando pessoas com sensibilidade espiritual para os dias atuais.

Quero compartilhar algumas impressões recentes. Creio que desde o ano passado estamos em um limiar (entrada, marco inicial) de algo que Deus está prestes a realizar. Nossa postura individual e coletiva nesse momento tão importante irá determinar se “entraremos na terra” ou se ficaremos “prostrados no deserto”, como lemos na história de Israel:
"Pois, irmãos, não quero que ignoreis que nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem, e todos passaram pelo mar. Todos foram batizados em Moisés, na nuvem e no mar. Todos comeram do mesmo alimento espiritual, e todos beberam da mesma bebida espiritual, porque bebiam da rocha espiritual que os acompanhava; e essa rocha era Cristo. Mas Deus não se agradou da maior parte deles, e por isso seus corpos ficaram prostrados no deserto. Essas coisas aconteceram como exemplo para nós, a fim de que não cobicemos as coisas más, como eles cobiçaram. Não vos torneis idólatras, como alguns deles, conforme está escrito: O povo assentou-se para comer e beber, e levantou-se para se divertir. Nem pratiquemos imoralidade, como alguns deles fizeram, e caíram num só dia vinte e três mil. E não tentemos Cristo, como alguns deles tentaram, e foram destruídos pelas serpentes. E não murmureis, como alguns deles murmuraram, e foram mortos pelo destruidor. Tudo isso lhes aconteceu como exemplo e foi escrito como advertência para nós, sobre quem o fim dos tempos já chegou" (1 Coríntios 10.1-11).
O povo de Israel, depois de superar o Mar Vermelho e seguir definitivamente em direção à terra prometida, chegou ao deserto do Sinai no terceiro mês da saída do Egito (Êxodo 19.1) e só saiu de lá depois de um bom tempo (leia Números 10.11-12 e 33.15-16 a trajetória de Israel até Canaã). A Bíblia relata o que viveram Moisés, Arão e todo o povo a partir de Êxodo 19, passando por Levítico e Números até o capítulo 10. 

Os dias no deserto do Sinai foram muito intensos, com pelo menos 5 momentos cruciais:
• Os Dez Mandamentos e todas as leis de Deus para Israel;
• A idolatria ao bezerro de ouro e a separação da tribo de Levi;
• A glória de Deus sobre Moisés;
• As instruções para o tabernáculo;
• A consagração dos sacerdotes e dos levitas.

Apesar do pecado e das mortes no episódio do bezerro de ouro, aquele foi um tempo favorável e oportuno para o amadurecimento de Israel, de formação e preparação da nação. O que vemos nos passos seguintes à saída do deserto do Sinai são de grande ensinamento para nós como igreja e nos servem de exemplo quanto ao que NÃO devemos fazer nesse tempo:

“TABERÁ” (significa labareda) – o fogo da ira do Senhor se acendeu entre eles, por causa da murmuração (Números 11.1-3). Pode imaginar como Deus se sentiu? Ele tirou o povo de uma terra seca, onde eram escravos por mais de 400 anos, para os levar a uma terra fértil, que manava leite e mel, além de realizar sinais e prodígios e ordenar ao povo mandamentos para o próprio bem deles. E o que Deus recebeu de volta? Murmuração.

Hoje, muitos já deixaram para trás uma realidade opressora e confusa (secular e/ou religiosa) e foram transportados para um contexto diferente, em que receberam ou têm recebido um bom depósito de Deus. Mas será que estão mesmo crescendo, amadurecendo, dando atenção, emoções e energia ao que é realmente importante? 

Existe gratidão em nosso coração por chegarmos até aqui, mesmo reconhecendo o quanto ainda precisamos avançar, ou estamos nos limitando aos problemas, reclamando das dificuldades, comparando a atual realidade com um passado mais confortável e cômodo que muitos de nós tínhamos, mesmo sob um peso de tradições e sequidão espiritual?

Atenção: não vamos confundir murmuração com lamentação. A murmuração é uma oração vil, sempre presente na boca de um incrédulo, de um descrente. É a afirmação de uma fé que se perdeu – palavras agressivas, apóstatas e irremediavelmente revoltadas contra a vontade soberana de Deus. Na murmuração, não há amor nem fé, só ressentimento, ódio de Deus, ofensa barata e comparações gratuitas. Já a lamentação é a confissão de alguém que, embora continue crendo e amando a Deus, tem um dilema que não pode mais ser escondido. Afinal, ainda somos humanos. (leia mais sobre esse assunto no artigo O sequestro da lamentação, de Jonas Madureira).

“QUIBROTE-HATAAVÁ” (significa túmulos de cobiça) – ali foi sepultado o povo que desejou outro alimento (Números 11.34). O povo não queria mais o maná que Deus dera aos seus filhos no deserto, um alimento que descia do céu todas as manhãs de forma extraordinária. Eles cobiçaram os alimentos do Egito. Então, Deus enviou muita, mas muita carne mesmo, e parte do povo morreu antes de começar a mastigar a carne das codornizes. 

Quantas vezes rejeitamos o que Deus está fazendo em nosso meio, o pão que Ele tem derramado sobre nós a cada encontro, a cada reunião. Será por que se tornou algo tão familiar? Será por que nos cansamos facilmente de ouvirmos as mesmas coisas? Mas se este é o alimento nesse estágio que vivemos (individualmente e como igreja), então devemos aproveitar e trabalhar bem esta palavra (o povo moía, cozia e fazia bolos do maná – ver Números 11.7-8). 

Devemos insistir em colher todos os dias o que Deus está dispensando a nós nesse tempo, e isso tem a ver com a devoção individual, a porção diária Dele mesmo, e tem a ver com as palavras liberadas nos cultos ao Senhor. Vamos acolher de bom grado o que Ele tem falado conosco, ainda que às vezes seja uma repetição de palavras já ministradas. Vamos aplicar o que ouvimos às nossas vidas com intensidade e perseverança.

“HAZEROTE” (significa povoado, acampamento) – nessa etapa, houve insubordinação e rebeldia no coração de Miriã e Arão. Eles questionaram a autoridade de Moisés por ter tomado uma esposa cuxita. Aquilo certamente trouxe à tona os ciúmes que seus irmãos sentiam pela posição e influência de Moisés sobre o povo e sobre eles próprios. Por fim, Miriã foi atacada de lepra, e por sete dias a viagem teve de ser interrompida. 

A insubordinação entre nós retarda nossa caminhada enquanto igreja. Antes de criticarmos os outros, pensemos bastante em nossos motivos: muitas vezes o que justificamos como "crítica construtiva" não passa de ciúmes destrutivos, pois a maneira mais fácil de nos elevar é baixar a reputação do outro. Além disso, precisamos respeitar os que lideram, ouvir e obedecer o conselho que recebemos deles, honrar seu trabalho, confiar que o Senhor os estabeleceu como irmãos mais velhos e mais experientes para cuidarem de nossas vidas. Isso não significa deixar de conversar com os líderes e as pessoas sobre erros e excessos, mas tudo com amor, considerando os outros superiores a nós mesmos.

“PARÔ (significa lugar de cavernas) – a murmuração, a rejeição ao maná que o Senhor enviava todos os dias e a insubordinação à liderança tiveram um ponto culminante: o trágico relatório dos espias enviados à Canaã, com exceção de Josué e Calebe. Aqueles espias eram príncipes das tribos, ou seja, homens de liderança, referências para o povo. Apesar de confirmarem a qualidade da terra prometida por Deus, consideraram apenas o que os olhos naturais podiam ver: inimigos poderosos, cidades fortificadas, gigantes. O Senhor se irou mais uma vez e condenou aquela geração incrédula a peregrinar quarenta anos no deserto até que todos morressem. Somente a geração seguinte entraria na terra. 

Precisamos de líderes e pessoas de influência que estão vendo além das circunstâncias e que motivam outros a saírem das cavernas da incredulidade e da desesperança. Precisamos de gente com “outro espírito”, como Josué e Calebe – irmãos entre nós, não necessariamente líderes, que já têm encontrado ânimo, força e satisfação no Senhor. Esses irmãos têm carregado algo poderoso, testemunhando curas, sinais, maravilhas, vitórias sobre fortalezas da mente e prisões da alma. Precisamos ouvir deles, com humildade e sensibilidade, para que nossos corações sejam aquecidos em fé, ações de graça e dependência de Deus, em vez de ouvirmos o relatório que leva ao desânimo e que produz morte. Só assim alcançaremos, pela fé, as promessas de Deus para nossa geração.

Ainda vivemos um tempo favorável. Deus tem nos dado a oportunidade de amadurecermos como igreja em dias tão turbulentos. Na verdade, estamos transicionando de um tempo de preparação (Sinai) para um tempo de cumprimento (Canaã). O Senhor tem permitido que as motivações erradas e os sentimentos estranhos à Sua vontade sejam expostos e tratados. Estações de transição (desertos e vales escuros) representam tempos de revermos nossas intenções, de olharmos para cima em vez de focarmos as situações. Precisamos manter nosso coração ligado ao Pai, manter a dependência total e irrestrita Dele. Do contrário, nos tornaremos iguais ou piores ao que viveu o povo de Israel. Por isso...

• Devemos eliminar toda murmuração entre nós e encontrar a plena satisfação Nele;
• Devemos sondar nossas motivações para ver se estamos rejeitando o que Ele vem derramando sobre nós ou se temos sido ingratos;
• Devemos nos submeter uns aos outros: sermos coesos e unidos, termos comunhão;
• Devemos clamar ao Senhor para que abra nossos olhos e nos encha de fé para entrarmos em suas promessas.

Para concluir, faço uma pequena citação do que escrevi lá no final de 2013:
"Pode ser que nada esteja mudando na sua cidade, na sua congregação ou até na sua própria vida. Mas não desanime. O cenário era o pior possível nos dias de Jesus, Ana e Daniel. Mas eles viram o kairós, a grande salvação iminente. Minha oração é que a leitura dessa palavra seja como uma faísca do Espírito acendendo seu coração e iluminando seu entendimento quanto ao tempo em que estamos inseridos e ao que está por vir. Deus está conectando pessoas com esse mesmo desejo e essa visão."

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Amor Furioso

Esta canção também faz parte do EP Fascina-me e foi composta em 16/06/2014 depois de algumas semanas refletindo sobre a grandeza de Deus em contraste com nossa fragilidade e pequenez. A melodia foi criada junto com a letra em etapas, dia após dia, construindo e reconstruindo versos e ideias. Foi um tempo de grande impacto para minha vida. Espero que produza um impacto de amor em sua vida também!
 

sexta-feira, 8 de maio de 2015

O que é o Evangelho do Reino? - Parte 1

Luciano Motta

"Mas quem perseverar até o fim será salvo. E este evangelho do reino será pregado pelo mundo inteiro, para testemunho a todas as nações, e então virá o fim" (Mateus 24.13-14).

Falamos sobre o tempo de agravamento das crises que estamos vivendo: guerras, fomes, terremotos, perseguições, esfriamento da fé e do amor, uma época identificada por Jesus como “o princípio das dores”. Falamos também da necessidade de nos posicionarmos em Cristo, de perseverarmos naquilo que Ele tem nos falado, de fundamentarmos nossas vidas Nele e na comunhão do Corpo. Se assim o fizermos, há uma promessa para nós: seremos salvos. Atravessaremos a grande tribulação dos últimos dias fundamentados na esperança do Reino que será estabelecido em plenitude após a segunda vinda de Jesus.

Sobre os anos que antecedem esse evento tão glorioso, Cristo declarou: “este evangelho do reino será pregado pelo mundo inteiro”. As nações ouvirão as boas novas de um Reino que não tem paralelo com os tipos de governo que existem ou já existiram neste mundo; um Reino cuja base é retidão e justiça (Salmo 89.14); um Reino que jamais será destruído, antes “esmiuçará e consumirá” todos os outros reinos, e “subsistirá para sempre” (Daniel 2.44). Chegará um tempo em que as espadas serão transformadas em relhas de arados e as lanças, em podadeiras; uma nação não se levantará contra outra nação, nem se aprenderá mais a guerra (leia Isaías 2.1-5).

Por essa perspectiva do Reino, que é a do Velho Testamento, muitos cristãos creem que somente viverão o Reino de Deus no futuro, “quando Jesus voltar e nos levar para o céu”. É evidente que ainda não estamos vendo a realidade descrita nos textos acima – a maldade é grande, as guerras estão aí, os conflitos vão aumentar em toda a terra, Israel está cercado de inimigos e a Igreja anda trôpega, hesitante.

Entretanto, Jesus inaugurou o começo de uma era futura que já se manifesta no tempo presente. Ele veio à terra e viveu entre nós como homem, sem pecado e cheio do Espírito Santo, totalmente obediente ao Pai. Ele morreu na cruz, mas venceu a morte em Sua ressurreição, e assim “nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados” (Colossenses 1.13-14). Isso já aconteceu. Nascemos de novo por meio de Cristo e hoje podemos andar em novidade de vida conforme o Reino do Filho, não mais presos às trevas do príncipe deste mundo.

Em Mateus 11.3 encontramos uma pergunta intrigante de João Batista sobre o ministério de Cristo: “És tu aquele que estava para vir ou havemos de esperar outro?”. Uma rápida leitura pode nos levar a crer que o profeta estivesse duvidando do seu chamado, talvez por estar em uma prisão, sem vislumbrar naquele momento qualquer resquício do triunfal Reino descrito na Lei, nos salmos e nos profetas. Sim, João Batista era o mesmo que preparara o caminho para o Messias e que batizara o Filho de Deus, vendo o Espírito Santo descer sobre Ele e ouvindo a voz do próprio Deus: “Este é o meu Filho amado, em quem tenho prazer” (Mateus 3.13-17). Só que ali, naquele cárcere, o que João estava passando não correspondia ao que conhecera nas Escrituras.

Mas vamos à resposta de Jesus: “Ide e anunciai a João o que estais ouvindo e vendo: os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e aos pobres está sendo pregado o evangelho. E bem-aventurado é aquele que não achar em mim motivo de tropeço” (Mateus 11.4-6). Os atos miraculosos e a mensagem libertadora de Jesus, embora fossem extraordinários, poderiam ser “motivo de tropeço” ou “escândalo” simplesmente porque eram uma nova perspectiva do que todo o Velho Testamento havia anunciado sobre o Reino:
Jesus quis dizer isto: “Sim, o Reino de Deus está aqui. Mas há um mistério – uma nova revelação sobre o Reino. O Reino de Deus está aqui; mas em vez de destruir a autoridade humana, ele ataca a autoridade de satanás. O Reino de Deus está aqui; mas em vez de fazer mudanças externas na ordem política das coisas, ele está mudando a ordem espiritual e a vida de homens e mulheres”. (LADD, George. O Evangelho do Reino. São Paulo: Shedd Publicações, 2008, p.56)
Essa nova perspectiva do Reino, iniciada em Cristo, aparentemente mais frágil, “sem visível aparência”, porém interiormente profunda, “dentro de vós” (Lucas 17.20), se unirá no futuro com a perspectiva da Antiga Aliança, quando uma poderosa manifestação do poder de Deus “eliminará os reinos perversos de autoridades humanas e encherá a terra de justiça” (LADD, p.55). Mas até lá, enquanto o grande Dia do Senhor não chega, podemos desfrutar agora mesmo da vida, das bênçãos e também das responsabilidades da era vindoura. Isso corresponde ao “JÁ e AINDA NÃO” do Reino de Deus, uma tensão observada em outras instâncias, como afirma John Stott:
Já “passamos da morte para a vida”, mas a vida eterna é também uma dádiva futura (João 5.24; 11.25-26; Romanos 8.10-11). Já somos novas criaturas, embora Deus ainda não tenha feito novas todas as coisas (2 Coríntios 5.17; Apocalipse 21.5). Nós já estamos “cheios”, mas ainda não chegamos à plenitude de Deus (Colossenses 2.10; Efésios 5.18; 3.19). Cristo já está reinando, embora seus inimigos ainda não se tenham tornado estrado de seus pés (Salmo 110.1; Efésios 1.22; Hebreus 2.8). (STOTT, John. Disponível em http://www.comoviveremos.com/reino-de-deus-o-ja-e-o-ainda-nao-stott)
No começo do ministério, Jesus disse: “Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus” (Mateus 4.17). Na oração-modelo, ensinou: “Venha o Teu Reino” (Mateus 6.10). Para os fariseus, declarou: “Se, porém, eu expulso demônios pelo Espírito de Deus, certamente é chegado o reino de Deus sobre vós” (Mateus 12.28). Depois do episódio do jovem rico, afirmou: “Em verdade vos digo que um rico dificilmente entrará no reino dos céus” (Mateus 19.23). Não há contradição nos termos destacados, apesar de se referirem ora a um tempo futuro, ora a um tempo presente.

Desde a primeira vinda de Cristo e Sua ressurreição, está em curso uma sobreposição de eras, um período de transição e preparação para as bodas do Cordeiro e a Segunda vinda, quando definitivamente se cumprirão todas as palavras concernentes ao Reino. Porém, a autoridade do príncipe deste mundo já foi tomada pela autoridade do Rei dos reis. Cristo nos delegou essa mesma autoridade para já estabelecermos Seu Reino proclamando Sua mensagem, realizando sinais e maravilhas, expulsando demônios e curando enfermos, até que Ele venha. As bem-aventuranças também indicam isso – na leitura de Mateus 5.1-10, os verbos estão no presente (“porque deles é o Reino dos céus”) e no futuro (“serão consolados” ou “herdarão a terra”).

Tudo começou em Jesus e terminará Nele, conforme lemos em Apocalipse:

Vi o céu aberto, e eis um cavalo branco. O seu cavaleiro se chama Fiel e Verdadeiro e julga e peleja com justiça. Os seus olhos são chama de fogo; na sua cabeça, há muitos diademas; tem um nome escrito que ninguém conhece, senão ele mesmo. Está vestido com um manto tinto de sangue, e o seu nome se chama o Verbo de Deus; e seguiam-no os exércitos que há no céu, montando cavalos brancos, com vestiduras de linho finíssimo, branco e puro. Sai da sua boca uma espada afiada, para com ela ferir as nações; e ele mesmo as regerá com cetro de ferro e, pessoalmente, pisa o lagar do vinho do furor da ira do Deus Todo-Poderoso. Tem no seu manto e na sua coxa um nome inscrito: Rei dos reis e Senhor dos Senhores (Apocalipse 19.11-16).

À medida que as dores aumentam na terra, como filhos de Deus, devemos apresentar agora mesmo aos homens uma vida mais elevada, a realidade dos céus, como “cidade edificada sobre um monte” (Mateus 5.14), até a tensão “JÁ e AINDA NÃO” cessar e o Reino ser estabelecido finalmente. Isso é o Evangelho do Reino. Mas de que forma estamos vivendo e anunciando essa mensagem?

(Continua)

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Novidades

Olá, leitor, visitante, amigo, irmão em Cristo.

Estou em uma fase de adaptação à nova realidade que vivo, cursando agora um doutorado e tendo que ler um monte de textos e livros (não que isso seja ruim, na verdade, é muito bom, mas os artigos aqui para o blog acabam ficando para depois).

Venho pesquisando a respeito do Reino de Deus e também um pouco de história da igreja, especialmente os avivamentos que aconteceram no século XX. Na verdade, estamos estudando isso juntos em nossa comunidade de fé, e o aprendizado tem sido maravilhoso.

Já adianto que algumas mudanças vão acontecer em breve no blog - tudo será repaginado e preparado para receber os vídeos do EP Fascina-me que gravamos no ano passado e que agora estão em fase de edição. Além disso, os livretos ganharão uma segunda edição (graças a Deus, a primeira se esgotou lá em Janeiro).

Enfim, embora não haja novidades aqui pelo blog, nosso trabalho continua intenso. Enquanto isso, convido você a ler os artigos anteriores. Visite também meu blog de poemas.

Obrigado por passar por aqui. Deus abençoe você!

sexta-feira, 20 de março de 2015

Conferência: A Igreja como Casa de Oração

Síntese das mensagens da última conferência "A Igreja como Casa de Oração", realizada na Comunidade Missionária Renascer, em São Gonçalo.

Tivemos a presença de Tim Fraim e Blaire Pilkington, irmãos da IHOP-KC, além da equipe Extrema Devoção.

Recomendo uma leitura atenta, com o coração aberto para o que Deus tem falado em nossos dias a respeito da oração.

Sexta, 13/03/15
Tim Fraim

Todos conhecemos Mateus 6 e a oração do Pai Nosso. Mas vamos ver agora a intercessão de Jesus em João 17.4,5,24:

“Eu te glorifiquei na terra, consumando a obra que me confiaste para fazer; e, agora, glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo... Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me deste, para que vejam a minha glória que me conferiste, porque me amaste antes da fundação do mundo”.

Se vamos falar de oração e intercessão, o ponto de partida do que fazemos aqui tem que ser o céu, para compreendermos a intercessão incessante. Sempre as pessoas na Bíblia têm tido encontro com os céus. E quando estão lá, veem um trono e um homem assentado no trono. Esse homem tem autoridade completa e governa a partir desse trono.

Ezequiel teve uma visão desse trono. Ele viu um homem nesse trono e a revelação da intercessão que acontecia ali impactou a vida dele de tal forma que deixou à margem do rio durante sete dias, olhando o céu, tentando compreender o que tinha visto. João, imediatamente no espírito, contemplou um trono, e Alguém assentado no trono, com aparência de jaspe e pedras preciosas. Havia um arco-íris ao redor desse trono.

O que vemos a partir desses encontros é que quando falamos sobre o céu, estamos falando de um lugar real. Um homem de verdade está assentado nesse trono agora, sendo entronizado naquele lugar. O céu é o começo de qualquer palavra sobre intercessão. Oramos a alguém que está em algum lugar. O céu é esse ponto de referência.

Salmo 9 – o Senhor reina, está revestido de majestade, estabeleceu um trono inabalável

Salmo 10 – o Senhor estabeleceu o seu trono no céu, o Senhor é rei para sempre, o Seu reino é eterno

Salmo 11 – o trono do Senhor está nos céus

Lamentações 5 – o Senhor reina, o Seu trono está no céu

Quero que vocês tenham uma ideia de quando Jesus disse: “Pai nosso, que estás nos céus” – esse é o ponto para onde Jesus está olhando.

Daniel 4 – "Eu, Nabucodonozor, levantei meus olhos para o céu e a minha compreensão voltou para mim". Antes disso, ele estava agindo como um animal. Um homem que se achava poderoso foi humilhado pelo Senhor. Então, reconhece que o domínio do Senhor dura para sempre.

Salmo 66 – O Senhor vigia as nações: a pessoa que não tem a revelação de Jesus não tem sabedoria para liderar uma nação, um povo. São rebeldes. Lembre-se: Deus tem um dia – o Dia do Senhor – e esse dia só é Dele. Só Ele será glorificado. Todo joelho se dobrará, toda língua confessará que Jesus é o Senhor.

Não conhecemos esse Deus, esse Jesus de Nazaré que andou sobre a terra. Ele cumpriu os propósitos do Seu Pai. Tudo o que Ele fez foi em rendição da Sua vontade para trazer glória ao Pai.

Nós, como cristãos, temos fé de que podemos contemplar o rei da glória no Seu trono agora mesmo. Quero que pensemos sobre a intercessão e o trono. Nossa oração é orientada para Alguém e para um lugar. Jesus tem um corpo humano autentico e está num lugar real. Você entende a importância disso?

Agora existe um homem no céu, sentado no trono, à direita do Pai. Totalmente homem. Conhece nossa carne totalmente. Conhece esta terra, Ele brincou nas ruas quando criança, Ele se doou totalmente para que pudesse nos conhecer. E agora está glorificado à direita do Pai.

É para a glória dos homens buscar qual é a aparência Dele agora. Vamos diante Dele para interceder. No ministério da intercessão, existe uma troca de glória. Podemos ver como Ele é. Saber isso muda a maneira como oramos, porque estamos nos aproximando Daquele que governa o Universo. É um reino governamental. É uma teocracia, Ele tem domínio completo. Quando estamos em intercessão com Ele, estamos em uma reunião governamental com aquele que tem todo o poder para fazer aquilo que pedimos.

Vou a uma pessoa normal, e conversamos sobre política e o que acho que o governo deveria fazer... Isso não é uma conversa governamental, porque nenhum de nós tem poder para mudar as coisas. Mas se estou conversando o com o Presidente dos EUA, dizendo que há coisas pata mudar, que há pessoas sofrendo - "Eu preciso que o Sr. perceba o que está acontecendo e faça algo sobre isso" ou "O que o Sr. pode ajudar nisso? Podemos ser parceiros?" Aí sim estamos tendo uma conversa governamental, porque o presidente tem controle para fazer alguma coisa.

Quando falamos com o Rei do universo, estamos falando com alguém que tem poder sem limites. Quando conversamos com Ele, Ele se move ao som da nossa voz. Pela fé, conversamos com o Rei do universo. A intercessão nos coloca no lugar de aproximação do Governante Supremo, o lugar onde Ele está assentado.

Oração não é jogar frases ao vento. Não temos que questionar se estamos sendo ouvidos. Nossos pedidos estão sendo considerados por uma pessoa de verdade em um lugar real. O céu não é um lugar abstrato. O Senhor está lá.

Estamos tentando fazer com que Deus entre em nossas situações, como se Ele já não estivesse aqui.

Você é um seguidor de Cristo? Não só isso. Ele está em nós, fazemos coisas juntos, concordamos com o que Ele quer fazer – Cristo em nós, esperança da glória. As nações aguardam a esperança. Aguardam uma geração de oração que possua revelação do Rei da gloria, que leve o governo Dele aonde quer que vá. O testemunho de Jesus revelado e a unção profética sendo revelada nessa terra. Isso é gerado quando as pessoas oram.

Ele não disse “se orarem” mas “quando orarem” – Ele está envolvido nisso, e não está longe de nós. Ele mesmo está intercedendo por nós porque quer que participemos da Sua glória. A única forma de chegar lá é sermos uma igreja que ora. Nós é que nos envolvemos com Ele, porque Ele já está totalmente envolvido nisso.

Ezequiel 2 – o Senhor dá a vida e a tira, ninguém morre por acaso. O Senhor pôs limites no mar – Ele designou assim. O poder Dele é o que sustenta o mundo. Fomos convidados para participar disso. Mais uma vez: temos que mudar a forma como oramos. Temos que saber para quem oramos. E Ele é lindo!

O céu é um lugar vívido, claro, real. O lugar da morada do Senhor foi criado da forma como Ele desejou. Então, o que fazemos para contemplar o céu? Na Bíblia há muitas referências sobre o que acontece no céu. Os anjos estão lá, os anciãos estão lá... Tudo o que acontece é centrado na adoração. A intercessão faz com que aconteça aqui como acontece lá.

Quando satanás se rebelou, não havia mais lugar para ele no céu. O que acontece nos céus é tão puro que cegaria nossos olhos. Todos que tem essa esperança são purificados como Ele é puro – pela fé, olhamos para Ele e como Moisés, dizemos: Mostra-nos a Tua glória. Isso nos transforma para sermos conforme Sua imagem. Podemos ser como Ele é. Podemos ser transformados à imagem de Cristo – essa é a nossa esperança. Não existe mais nada para nós. Existe Ele – vida abundante, uma vida que nos permite viver para sempre e sempre. Existe uma raça que será morta e não mais viverá. Ou as pessoas estão Nele, ou são como Adão. E não há esperança para Adão. Jesus é o novo homem cheio de glória, com acesso ao trono de Deus, e podemos ir até Ele para vermos a glória de Deus na face de Cristo. Isso não é um conceito, é a realidade do próprio Deus. Ele deseja que o vejamos como Ele é. Na Nova Jerusalém, o Cordeiro será a luz – o sol irá se envergonhar. Hoje podemos ser a Sua luz – a criação está gemendo, a humanidade está se perdendo porque não conhece sua realidade Nele.

Existe uma maneira: a minha casa será chamada casa de oração para todas as nações. Haverá alegria na casa. Oração e intercessão, oração e adoração, oração e proclamação da Palavra se tornarão uma só coisa, uma canção, tudo junto. Isso está acontecendo no mundo todo. As portas do inferno estão sendo abaladas.

Isso é Mateus 16 – a primeira declaração da Igreja, sobre a revelação de Jesus. Não o que os homens dizem que Ele é, mas o que a igreja diz. Quando entramos em intercessão, as chaves do Reino são liberadas, e haverá uma igreja prevalecendo na terra. A armadura de Deus está em nós. Não precisamos de proteção atrás de nós, porque não seremos aqueles que fugirão.

Essa é a nossa esperança. Cristo está procurando pessoas assim na terra agora.

Durante a Copa do Mundo, plantamos 12 casas de oração nas cidades-sede, em zonas de prostituição. No Rio, a casa funciona até hoje. O Reino do seu Filho Amado está destruindo o poder das trevas. A intercessão está acontecendo ali. Existe um poder na intercessão. A história e o futuro pertencem aos intercessores.

O Dia do Senhor virá mais rápido quanto mais orarmos.

Digo essas coisas não como condenação. Mas reafirmo: existe uma casa de oração sendo levantada em todas as partes do mundo. O ministério dos cultos de domingo acabou. Oração e intercessão 24 horas estão chegando.

Vamos ver Apocalipse 5.6-8 – um homem pega o livro da mão do Pai.

v.9-10 – há canções que estão à espera de serem cantadas, canções geradas no lugar da intercessão. Como essas canções são liberadas na terra? Está no verso 8 – adoração encheu as taças com incenso, e isso significa a igreja que ora, que canta músicas para Jesus e não apenas sobre Jesus – isso vai liberar o derramamento do ES dos últimos dias. Podemos nos chegar ao trono através da intercessão, e isso vai fazer com que Jesus se levante e pegue o livro do Pai – intercessão está acontecendo, as taças estão cheias, chegou o dia do Cordeiro que será exaltado e todo olho o verá. Isso é uma certeza. Mesmo aqueles que o feriram irão conhece-lo e vão saber o que fizeram com Ele.

Esses conceitos não são muito elevados. Dizem sobre quem Ele é e o que temos de fazer. Nossa intercessão e conhecimento de Deus irá gerar ciúmes em Israel. Esta palavra é mais do que sobre nossa igreja local, é sobre o que Deus está fazendo no mundo.


Sábado, 14/03/15
Michael Duque Estrada

Intimidade que precede a intercessão

Malaquias 1.11 – o profeta fala dos nossos dias, o declínio do sacerdócio. Eles questionavam o amor de Deus. Assim, a devoção começa a declinar. Havia desvio na nação de Israel, porque os sacerdotes eram responsáveis pelo altar, oferecendo animal impuro – adoração impura, pela metade.

Nesse contexto de desvio, o profeta se levanta e diz que um dia, do oriente ao ocidente, se levantaria incenso ao Senhor – em todo lugar, em cada nação da terra. O ES está mobilizando a Igreja para entrar em parceria com Ele. Na Indonésia, na China, no Egito, em lugares remotos, há pessoas orando dia e noite. Lugares onde o cristianismo não é popular como aqui no Brasil. Deus está levantando um movimento global de oração, um lugar de intimidade para sermos amigos Dele, não trabalhadores. Ele quer amantes, não trabalhadores. Um movimento de oração em que Deus é o fim de todas as coisas. Ele está despertando a Igreja para isso. Ele é o centro de tudo, o único que pode preencher a eternidade no coração dos homens – Eclesiastes 3.11.

Deus não quer desempenho. Ele quer relacionamento.

Quantos já ficaram tristes porque não estão fazendo a obra de Deus? É como se Ele fosse um patrão para nós. Mas Ele quer nosso coração. E daí, haverá trabalho, porque conhecemos Seu coração. Ele quer discipular as nações através de discípulos que encontram Nele seu coração, não porque temos que fazer algo para Ele.

São dias de extremismo, de radicalidades. Existem jovens indo para as ruas, defendendo a causa gay e outras causas. São dias de paixão desequilibrada. Não há pessoas apaixonadas equilibradas. O estado normal muda. O movimento de oração profetizado por Malaquias consiste em termos um coração apaixonado só para Deus.

1 Coríntios 2 e 3 – existem 3 tipos de pessoas:

Natural – não nasceu de novo, não tem o ES, não discerne o que é espiritual

Carnal – normalmente a Igreja define pessoas assim como aquelas que se prostituem ou mentem, estão “na carne”, mas aqui é algo diferente: são como crianças, precisando de leite. Alguém que não consegue preparar a própria comida. Mas Paulo está falando de pessoas que já passaram do tempo do leite, adultos que já deveriam comer alimentos sólidos. Pessoas que só conhecem Jesus através de um pregador. Pessoas que ainda não tocaram Nele. Quem é Jesus? O que os homens dizem que eu sou? Vocês de São Gonçalo: quem vocês dizem que Jesus é? Sabemos tudo sobre Ele, mas não o conhecemos pessoalmente, profundamente.

Espiritual – O ES conhece as profundezas do coração de Deus e as revela àqueles que o amam. Pessoas que cavam fundo uma relação de intimidade com Deus. Não dependem de livros, de pregadores, de ministérios. Nada satisfaz o coração desses. Estão encontrando plena satisfação pois clamam: Aba! Deus está nos convidando: “Venham, entrem na nuvem, não estou pedindo produção, estou pedindo atenção. Pare tudo e ore!”

Êxodo 19.5 – uma das passagens mais dramáticas da Bíblia. Deus está convidando Seu povo para um casamento. Se ouvirem a minha voz – Ele quer atenção. Se pararem tudo e derem atenção a minha voz, sereis uma nação exclusiva, peculiar, e guardarão a minha aliança. É o Noivo falando: ouçam minha canção, vou colocar meu anel no seu dedo, uma aliança eterna. Se fizerem isso, serão diferentes dos outros povos da terra.

O que nos faz diferentes das outras pessoas? – é o fato de pararmos e darmos atenção a Sua voz. Não pelo que você faz, mas pelo que você é: meu filho amado.

Veja o que acontece no próximo capítulo – Êxodo 20 – uma das passagens mais tristes e mais encorajadoras. A mesma cena do cap.19 continua aqui.

v.18 – O trono de Deus desceu sobre o monte. O trono de Deus se move.

O povo respondeu, com medo: fala você mesmo com Deus e nós te ouviremos, mas não queremos que Deus fale conosco, pois não queremos morrer. Não queremos entrar no lugar de oração. Pagamos nosso dízimo e deixamos que nosso pastor ore por nós. Tenho que ganhar dinheiro, pagamos que o pastor faça o trabalho. Não queremos perder nossa vida.

v.21 – O povo ficou de longe, olhando, em pé. Moisés porém foi e entrou na nuvem espessa onde Deus estava. Deus está te convidando para entrar. É um convite de amor de Alguém muito gentil e também furioso.

O que faremos hoje? Ficaremos de longe ou entraremos na Nuvem? Entrar vai fazer com que deixemos de ser o que somos para termos a identidade que Ele tem para nós: Somos sacerdotes. Não é um título. É porque o sacerdote ministra ao Senhor.

A Nuvem é o lugar secreto – Mateus 6 – Jesus ensina como orar: entra no quarto, fecha a porta, o Pai está em secreto. Existem dois lugares: o quarto e o lugar secreto. Nem sempre entrar no quarto se chega ao lugar secreto. Mas se nunca entrar no quarto, nunca se chega ao lugar secreto. Esse lugar é o Santo dos Santos – o lugar onde Deus falava com Moisés. Deus se assenta entre os querubins, como a arca da aliança.

A questão é: nós estamos entrando no quarto?

Quantas vezes estou no quarto, com minha esposa, e não estou sozinho com ela. Trago comigo outras coisas, problemas, pessoas, pensamentos, e não tenho intimidade com minha esposa.

O lugar secreto hoje está dentro de nós, no nosso espírito. Somos templo (naus) do Espírito Santo = Santo dos Santos.

O lugar de intimidade vai trazer o peso do coração de Deus sobre a Igreja. O que faz um intercessor eficiente é a preocupação com o que se passa no coração de Deus.

Números 14.13-20 – Moisés está intercedendo pelo povo (Moisés era amigo de Deus – depois de falar com o Senhor como se fala com um amigo, pediu a Ele: mostra-me a Tua glória). Por causa da intercessão dele, Deus perdoa o povo. Uma coisa é nós mudarmos de ideia, outra coisa é movermos o coração de Deus. Moisés está preocupado com a fama de Deus entre as nações.

Êxodo 32.11-14 – Moisés suplica ao Senhor, e novamente o Senhor não aplica o castigo sobre o povo.

Existem regiões da cidade que podem ser transformadas agora através da intercessão. Podemos mover anjos. Agora mesmo um muçulmano pode ser visitado por um anjo – isso está acontecendo hoje, por causa da intercessão da Igreja. Esse é o lugar que Deus está te chamando para entrar.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Em Tuas mãos

Estou finalizando meu primeiro EP, que se chamará "Fascina-me". Foi gravado em outubro de 2014, na sala da minha casa, junto de irmãos preciosos com os quais caminho e congrego há alguns anos. Esta canção se chama "Em Tuas mãos" - sempre recorro a ela em meus momentos devocionais quando estou passando por dias de ansiedade e preocupação. Só precisamos descansar em Deus.
 

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Recuperando a doutrina da vingança de Deus

Do blog de Victor Vieira | Texto original de Dalton Thomas | Traduzido por Christie Vieira Zon

{ Texto muito pontual, relacionado ao que escrevi recentemente em O princípio das dores e nossa posição em Cristo, sobre a intensificação das crises no mundo e a proximidade da segunda vinda de Jesus. Ele está vindo para estabelecer o Seu Reino e a Sua Justiça. Ele trará juízo sobre tudo o que tem ferido Seu caráter. A Igreja Gloriosa reinará ao Seu lado, conforme Apocalipse 2.26-27: "Ao vencedor e ao que continuar nas minhas obras até o fim, darei autoridade sobre as nações, assim como eu recebi autoridade de meu Pai, e com cetro de ferro as regerá, quebrando-as como são quebrados os vasos do oleiro". }

“O Dia da Vingança estava em Meu coração…” (Isaías 63.4)

O dia 10 de Junho de 2014 foi um dos dias mais pesarosos da minha curta vida. Foi o dia em que a cidade de Mosul caiu sob o poderio do Estado Islâmico (ISIS).

Lembro-me de estar sentado em meu sofá, em minha sala de estar, assistindo aos vídeos e fotos mais pavorosos que já vi aparecerem em uma enxurrada de hashtags nas mídias sociais. Execuções em massa eram postadas no Twitter. Gargantas eram cortadas no Youtube. Covas eras cheias de corpos sem vida e eram postadas nos Instagram. Sem censura. Friamente. Sem parar. Ao redor de todo o mundo, pessoas como eu sentaram em seus sofás e assistiram os soldados bárbaros do Estado Islâmico cometerem os maiores crimes de guerra da história moderna. Enquanto regimes assassinos do passado tentaram de todas as formas apagar suas atrocidades diante da comunidade internacional, os esquadrões da morte de Al-Baghdadi se gabavam das suas.

Poucos dias depois de a cidade cair, um amigo meu postou uma foto da porta da frente da casa de sua família, em Mosul, no Instagram. Ela estava marcada com a letra árabe “N”. Eles eram Cristãos. A foto que ele postou era sua despedida de sua vizinhança. Ele foi um dos sortudos que escaparam com vida.

Nas semanas seguintes à queda de Mosul e às execuções em massa em lugares como Tikrit, a comunidade internacional começou a debater uma resposta adequada ao regime que teria feito os Nazistas corarem. Os Cristãos começaram a oferecer suas opiniões sobre as virtudes da não-violência, a insanidade da guerra, a responsabilidade ética de proteger o oprimido e todo tipo de argumento imaginável.

Daqui, do conforto da minha sala de estar, do outro lado do mundo, meu coração se encheu com tantas emoções diferentes enquanto eu lia os tweets e blogs e posts de Facebook dos Cristãos que estavam tentando apresentar seus pontos de vista de maneira persuasiva, competindo e contradizendo-se. De todos os sentimentos que senti, o pesar foi o mais forte. Me entristecia a magnitude do sofrimento humano nas mãos do homem mau. E me entristecia ao perceber a inabilidade geral da igreja em compreender, opinar sobre ou abordar o assunto.

Quando Mosul caiu, as fachadas que cobriam a falência espiritual da igreja ocidental caíram com ela. Não tínhamos nada a dizer. E a maior parte do que estávamos dizendo não deveria ter sido dito de maneira alguma (considerei a possibilidade de incluir alguns prints dos tweets de líderes Cristãos durante os meses em que trabalhei neste artigo, mas decidi não fazê-lo).

Ao passo que os meses rolavam, me esforcei por descobrir e entender algumas das razões para nosso silêncio, nossas “palavras sem conhecimento que escurecem o conselho” (Jó 38.2) e nossa inabilidade de até mesmo olhar dentro do abismo brutalmente negro do Corão, que sanciona a violência jihadista (e me incluo nesse grupo apontado).

Fui levado a acreditar que a maior das razões é a nossa resistência pessoal e cultural, a nossa rejeição da realidade da vingança, retribuição e julgamento de Deus.

A VERDADE MAIS SUBDESENVOLVIDA DE NOSSO TEMPO

Consigo pensar em poucos assuntos que são tão impopulares quanto importantes, como a doutrina da vingança de Deus é hoje em dia.

O Cristianismo contemporâneo pop-cultural a evita amplamente, a descarta e abertamente a rejeita. Jesus, o Juiz, é como se fosse aquele tio bêbado de quem todos nos envergonhamos em todas as reuniões de família de fim de ano. Preferimos fingir que Ele não existe.

Será que essa é a realidade teológica mais preterida dos nossos tempos?

Nesse momento da história tumultuado, ruidoso, violento e agressivo é imperativo que a recuperemos.

O QUE É?

A mensagem bíblica da vingança está gira em torno da realidade da retribuição divina no tempo e no espaço. É a reivindicação da palavra de Deus, do caráter de Deus, da aliança de Deus e do povo de Deus.

É grandemente e quase totalmente associada ao fim dos tempos, o Dia do Senhor, quando a janela de anistia e misericórdia (atualmente aberta) será fechada em preparação para a limpeza e restauração da ordem, que estava condenada. É o Dia quando o Senhor manchará Suas vestes com o sangue das nações, às quais Ele pisa como a uvas num lagar (Isaías 63); o Dia quando Ele fará com que a face da terra murche (Isaías 24); o Dia em que o Senhor ferirá os cabeças de muitos países e a tudo encherá que corpos mortos (Salmos 110); quando abaterá a soberba dos tiranos (Isaías 13); o Dia em que Sua indignação e Sua ira aos que são desobedientes (Romanos 2); quando executará punição eterna aos que não obedecem (II Tessalonicenses 1.8,9); separa as nações entre ovelhas a serem recompensadas e bodes a serem condenados ao fogo eterno (Mateus 25); beberá do cálice do furor do Senhor (Isaías 51 e Apocalipse 16); cortará em dois os maus e os hipócritas (Mateus 24); ferirá a terra com a vara de Sua boca (Isaías 11); executará o julgamento dos rebeldes, destinando-os ao fogo eterno (Judas); lambuzará Sua espada do sangue e da gordura daqueles que se opõem a Ele (Isaías 34); despedaçará as nações como um oleiro quebrando vasos de barros (Salmos 2); e pagará aos maus com a merecida retribuição e vingança (Romanos 12).

Dado o número de passagens que detalham o Dia quando Deus irá executar Sua santa vingança, podemos compreender porque Ele disse a Isaías: “O dia da vingança estava em meu coração” (Isaías 63.4).

ÓDIO POR UM DEUS QUE JULGA

A razão principal de que a realidade da vingança de Deus é impopular em nossos dias, é porque a achamos ofensiva nos terrenos lamacentos em que “surge como uma contradição dos atributos sensíveis de Deus: Sua misericórdia, Sua gentileza, Sua bondade, Sua paciência.”

Como diria A. W. Tozer: “Deus nunca suspende um atributo para exercer um outro.” Jesus é o Leão e o Cordeiro. A vingança e a misericórdia não se contradizem entre si, assim como não o fazem o Lago de Fogo e os Novos Céus e Uma Nova Terra; eles são verdades; preciosos, importantes, verdades duradouras. É tão frequente encontrarmos frases sobre “a bondade e a severidade de Deus” (fazendo uso das palavras de Paulo, em Romanos 11.20-22), estando lado a lado no mesmo contexto.

Ele não é misericordioso OU justo. Ele é Deus.

Todas as heresias e erros vêm de uma tentativa carnal de opor realidades legítimas e categorias umas contra as outras. Precisamos resistir à tentação do reducionismo teológico que tanto permeia nossa cultura Cristã tão superficial. Deus é bom. Nós exploraremos as profundezas de Sua bondade por eras sem fim. Mas Ele também é justo. A forma como Ele executa justiça não contradiz Sua bondade, só a confirma.

MAS E O NOVO TESTAMENTO?

Um dos motivos pelo qual a vingança de Deus é escarnecida pelos crentes hoje em dia, é porque tantos já compram a conclusão de que essa é uma “ideia do Antigo Testamento”, que foi abolida, de alguma maneira, pela mensagem central do Novo Testamento. Como um pregador disse uma vez: “Jesus é teologia pura” para persuadir as pessoas de que, em Sua misericórdia e amor, Jesus supostamente nos deu uma nova imagem de Deus em que podemos permanecer; uma imagem que nega a severidade de Deus, que podemos ver no Antigo Testamento. Os problemas com essa apologética são enormes.

O problema com a ideia de que a graça do Novo Testamento suplanta a vingança do Antigo Testamento (que são categorias falsas e vazias) não somente é que o Novo Testamento está repleto de afirmações pesarosas da santa fúria de Deus, mas também que Sua vingança é, de maneira bem real, mais aterrorizante agora do que era antes de o sangue do santo Filho de Deus ter sido derramado. A certeza da vingança de Deus é solidificada no Novo Testamento, e não abolida. Considere isto:

"Quebrantando alguém a lei de Moisés (Antigo Testamento), morre sem misericórdia, só pela palavra de duas ou três testemunhas. De quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus (Novo Testamento), e tiver por profano o sangue da aliança com que foi santificado, e fizer agravo ao Espírito da graça? Porque bem conhecemos aquele que disse: ‘Minha é a vingança, eu darei a recompensa’, diz o Senhor. E outra vez: ‘O Senhor julgará o seu povo’" (Hebreus 10.28-30).

A frase “de quanto maior castigo” é de dar calafrios. O Evangelho da graça que encontramos no Novo Testamento não nos ensina que a vingança é negada pela graça, mas que se o Espírito da graça for insultado, se o sangue do Filho que foi morto for pisado e profanado, se Sua misericórdia for escarnecida, o Senhor irá “recompensar” com “vingança”.

É importante reconhecer que se formos comparar o número de versos sobre a severidade de Deus, o Novo Testamento se equipara ao Antigo Testamento. E é interessante notar que a maioria dos textos sobre vingança, julgamento e retribuição de Deus no Novo Testamento são pastorais, por natureza. Por exemplo, considere Romanos 12, um capítulo em que Paulo transiciona de sua seção sobre “o mistério de Israel”, em Romanos 9 a 11 para exortações pastorais a uma comunidade que passa por aflições, por injustiças pessoais. “Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira, porque está escrito: ‘Minha é a vingança; eu recompensarei, diz o Senhor’.” (Romanos 12.19)

O contexto do versículo é a perseguição e os maus-tratos de crentes. A eles, Paulo diz: “Quando as pessoas os desonrarem, tirarem as coisas de vocês, fizerem mal a vocês, zombarem de vocês ou matarem seus entes queridos, deixe que sua sede por justiça seja extinguida pela certeza de que o Senhor irá intervir por vocês com forca e fúria, um dia.” Os detalhes específicos de como vai ser aquele Dia são explicados à outra comunidade necessitada do poder assegurador da doutrina da retribuição divina.

“Se de fato é justo diante de Deus que dê em paga tribulação aos que vos atribulam, e a vós, que sois atribulados, descanso conosco, quando se manifestar o Senhor Jesus desde o céu com os anjos do seu poder, com labareda de fogo, tomando vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo. Os quais, por castigo, padecerão eterna perdição, longe da face do Senhor e da glória do seu poder, quando vier para ser glorificado nos seus santos, e para se fazer admirável naquele dia em todos os que crêem (porquanto o nosso testemunho foi crido entre vós).” I Tessalonicenses 1.6-10

Atente para a linguagem. “Se de fato é justo”. “Dê em paga”. “Tomando vingança”. “Por castigo”. Um Soberano justo que paga os homens rebeldes com aflição por punição devastadora eternamente não pode ser popular em nossos dias. Mas isso não muda o fato de que isso é o que o Homem a quem amamos e adoramos fará em Sua aparição. Esse é o nosso Jesus.

Esse texto, em particular, deixa claro que nós não somente não mudaremos o futuro ou o caráter de Deus por negarmos que Ele é um Deus de vingança, mas também que estamos roubando a Igreja uma das realidades fundamentais que nos sustenta para suportarmos sofrer injustiça.

PORQUE É IMPORTANTE

Além de ser simplesmente verdadeira, a doutrina da vingança de Deus é importante por dez mil motivos. À luz do momento histórico em que nossos filhos estão sendo criados, um tempo de injustiça, depravação, violência e pecado sem precedentes, eu quero fazer menção de duas razões.

É importante para a Igreja perseguida. O alivio está a caminho. A retaliação é inútil. Nosso desejo por vingança e conforto será satisfeito. Aqueles que afligem os justos serão recompensados na íntegra no grande Dia. Outrossim, tentados a chicotear nossos inimigos em busca de obter justiça por nós mesmos, a realidade da vingança divina nos muda. Passamos a ver nossos inimigos de maneira diferente. E nos vemos de forma diferente, também. Sabendo que seremos recompensados por nosso sofrimento e que eles serão esmagados por terem infligido o sofrimento, nossa agressão se torna em compaixão intercessória, por meio da qual buscamos a salvação daqueles que, caso não se arrependam, sofrerão as eternas consequências por sua provocação. É por isso que o escritor de Hebreus pôde dizer:

“…suportastes grande combate de aflições. Em parte fostes feitos espetáculo com vitupérios e tribulações, e em parte fostes participantes com os que assim foram tratados. Porque também vos compadecestes das minhas prisões, e com alegria permitistes o roubo dos vossos bens, sabendo que em vós mesmos tendes nos céus uma possessão melhor e permanente. Não rejeiteis, pois, a vossa confiança, que tem grande e avultado galardão. Porque necessitais de paciência, para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, possais alcançar a promessa.” Hebreus 10.32-36

Deus recompensa e Deus executa a retribuição. É quem Ele é. O sangue derramado de Jesus amplifica quão misericordiosa Sua misericórdia realmente é e quão poderosa Sua fúria pode verdadeiramente ser.

Também é importante para os pregadores do Evangelho. O Dia da vingança do está no coração do Senhor. A janela de misericórdia e anistia eventualmente irá se fechar. O Evangelho do Reino que proclamamos tem tanto a ver com a misericórdia rica e disponível quanto com a justiça e a retribuição. Há uma pena para o pecado. Devemos dar testemunho tanto dos momentos doces quanto dos momentos amargos; de Sua bondade assim como de Sua severidade.

O ambiente do mundo ocidental nos permite o luxo de não lidar seriamente ou responsavelmente com as grandes questões surgidas em eventos como as que transpiraram no Levante de Junho passado (eventos que continuam acontecendo até hoje). A realidade infeliz é que esse luxo está, na verdade, mutilando nossa capacidade de testemunhar em nosso país e fora dele. E o mais importante, está erodindo nossas almas. “Como?”, você pode perguntar. Nos encorajando a continuar recorrendo às mentiras em que temos acreditado por muito tempo e continuar propagando essas mentiras sobre Deus.

Ó, Senhor Deus,
A quem a vingança pertence
Ó, Deus, a quem a vingança pertence
Mostra-te resplandecente.
Exalta-te, Tu, que és Juiz da terra…

(Salmos 94.1-2)