segunda-feira, 28 de maio de 2012

O Cristianismo Brasileiro responde as perguntas do povo Brasileiro?

Breve síntese da palestra ministrada pelo Pr. Ariovaldo Ramos, na Semana Teológica 2012, em 25/05/2012, no Projeto Água da Vida - Fonseca/RJ.



Lucas 19.1-10 (história de Zaqueu)
Mateus 16.18 ("Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo")

SIM, o Cristianismo Brasileiro responde as perguntas do povo Brasileiro.

Quais são essas perguntas? Tudo converge para o seguinte: Os brasileiros querem ficar ricos. Historicamente esse desejo vem da expansão fundamentada no dinheiro, desde os Bandeirantes, que desbravaram as terras, expulsaram os espanhóis e mataram os índios em busca das riquezas.

Nossa religião é do poder - Aprendemos com os ameríndios a negociar com as florestas, com os negros a negociar com os orixás e com os portugueses a negociar com os santos.

Sociedade que eu compro e vendo

Sistemas e leis são para a CORRUPÇÃO. Isso se instaurou na igreja brasileira - uma igreja que se converteu a Zaqueu. Manda quem tem maior dízimo = isso é corrupção. Mais abençoados são os que tem mais = isso é corrupção. Eu em primeiro lugar, nas músicas e no serviço = isso é corrupção.

É preciso vencer a insaciabilidade - A ovelha é um animal voraz - come até a raiz. Por isso, os pastores eram nômades, porque os pastos eram devorados e não sobrava nada. Para descansar em verdes pastos, a ovelha deve passar por uma transformação.

NÃO, o Cristianismo Brasileiro não responde as perguntas do povo Brasileiro.

Nós subsistimos - quem existe é Deus - Nele estamos.

A fé cristã é do maná = tem para hoje
A fé cristã é comunitária = tem para todos
A fé cristã é do JUBILEU.

A declaração de Pedro: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo" = Isso é a pedra. A Igreja se baseia no que Cristo é, não no que Ele pode dar.

Adorar é imitar, é querer ser igual àquele que adoramos. Imitar a Jesus é ter o mesmo sentimento de de esvaziar, de doar, de repartir (ver Atos 10.38).

Isso não responde aos brasileiros, mas os salvaria.

Isso não está na Igreja brasileira - não prega mais a partir da graça, mas da desgraça. Sustenta-se um sistema de opressão e o silêncio diante da injustiça. Vigora a lógica dos títulos, que é a mesma lógica da Coroa - escravizam as ovelhas. O Brasil é um país de coronéis. Estamos cheios de "ministérios" em que homens querem seus feudos e territórios para impor autoridade e enriquecer.

Uma coisa triste aparece nos Evangelhos: o povo descobriu que bastava apenas tocar nas vestes de Jesus para ser curado. Então, Jesus começou a ensinar sem descer do barco. As pessoas iam apenas para tocá-lo, não o ouviam mais. A igreja brasileira está afugentando Jesus para o barco, para longe.

"Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na casa do SENHOR por longos dias" (Salmos 23:6) - A casa de Deus é uma comunidade solidária, onde há bondade e misericórdia.

Há um bom jeitinho brasileiro, que é a criatividade. Mas estão sacralizando o mau jeitinho brasileiro.

Para mudar é preciso ARREPENDIMENTO. Começar a partilhar. Uma Igreja que salva o Brasil converte Zaqueus para Cristo.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Novidades... Satisfação só em Cristo

{ As palavras que seguem são da minha esposa Ana Cristina Pina, postado no blog Eu e minha mente. São um testemunho do que Deus tem feito em nossas vidas nos últimos anos. A Ele a glória! Que esse sopro de novidade, satisfação e vitalidade também alcance o seu coração e a sua fé. }

No último dia 02 de maio de 2012 acordei com um sentimento de dia novo. Não sei se dá para me entender – é como se eu ganhasse um presente com cheiro de novo e daí tudo em volta parecesse novo, até o ar da manhã, puro e novo. Foi muito bom sentir isso. Percebi que era como viver um tempo novo com Deus.

Desde aquele dia sinto-me chamada a viver em um amor profundo que supre todas as necessidades. Isso tem sido incrível! Muitos sentimentos que eu estava tentando superar há algum tempo vem sido supridos pelo doce amor de Deus e Sua presença. Posso descansar e ver o Seu cuidado dia após dia, uma forte sensação de que realmente não preciso de nada deste mundo… Nada! Pois tudo o que necessito Ele sabe e me dará em tempo oportuno. Não virá no meu tempo, mas no tempo Dele.

Hoje entendo mais claramente a Palavra de Deus como espada de dois gumes, que separa a alma do espírito (Hebreus 4.12). Percebo o Reino como um tesouro precioso que quando encontramos queremos abrir mão de tudo para tê-lo (Mateus 13.44-46).

Depois de tantos anos percorrendo o que julgava ser o “caminho de Deus”, hoje Ele tem me guiado, me ensinado a viver Sua própria vida. Fiquei aflita quando me dei conta: o que eu fazia para Deus não era o que Ele queria receber. Então, me aquietei, esperei e o busquei. Essa foi a melhor escolha – essa é a melhor escolha a fazer em dias tão tumultuados, tão barulhentos.

Lembro-me de pessoas que encorajei a darem o melhor para Deus e a servi-Lo. Infelizmente, essas pessoas tem se matado de trabalhar em obras que não são Reino de Deus, pois não tem nada a ver com o que Ele quer. Gostaria muito de influenciar essas pessoas que passaram por minha vida a pararem tudo e a ouvirem novamente a Deus, a saberem o que é mais importante para Ele.

Há quase dois anos, quando todo esse “processo de novidade” começou, Deus tem me ensinado a estar com Ele e a me importar com minha verdadeira CASA. Mesmo nos momentos difíceis. Hoje pela manhã recebi uma noticia meio apavorante, mas minha confiança estava sólida Nele. E foi exatamente o que li nas Escrituras: “Somente em Deus a minha alma descansa, dele vem a minha salvação” (Salmo 62.1). Precisamos aprender a colocar tudo em Suas mãos e descansar.

Tenho muito a agradecer aos irmãos da minha comunidade. Eles tem pregado essa mensagem do Reino, e como isso tem penetrado lá no fundo! Como isso tem mudado a minha vida e a vida da minha família! Fico muito feliz por tudo isso.

Essa é a real satisfação: agradar Àquele que criou todas as coisas, Aquele que tem uma história apaixonante conosco a ponto de enviar Seu Filho Jesus apenas para dar continuidade ao Seu plano de um dia se encontrar visivelmente conosco. É muito amor! Quero viver para Ele e depois com Ele eternamente!!!

sábado, 5 de maio de 2012

As marcas de um recomeçar - Parte 2

Continuação do artigo de Anderson Bomfim, do site Missão Mobilização

RECONHECER QUE NÃO SE RECOMEÇA SOZINHO
APRENDER A CONFIAR NAS PESSOAS QUE ACREDITAM NO SEU CHAMADO

Primeiramente vimos a maneira como Moisés e Paulo partiram com ímpeto de sucesso e tiveram que reconhecer o fracasso das suas iniciativas, a maneira como tiveram que resolver suas crises e seus conflitos. É importante entendermos isso, sem essa resolusão pessoal, não estamos recomeçando em Deus, estamos apenas dando continuidade ao mesmo ciclo equivocado de sempre. Como diz a expressão popular, trata-se do tempo de “zerar” todas as coisas, em todas as áreas, para que possamos ver com mais clareza e andar com mais leveza.

Êxodo 4.26-29 diz: “Disse também o Senhor a Arão: Vai ao deserto para te encontrares com Moisés. Ele foi e, encontrando-o no monte de Deus, o beijou. Relatou Moisés a Arão todas as palavras do Senhor, com as quais o enviara, e todos os sinais que lhe mandara.Então, se foram Moisés e Arão e ajuntaram todos os anciãos dos filhos de Israel”. Outro aspecto importante no recomeço desses homens é que nenhum deles recomeçou sozinho. Em Êxodo 4.26 vemos a forma como Arão se uniu a Moises no momento decisivo de retomar seu chamado. Arão reconhecia e acreditava no chamado que Moisés carregava e o apoiou diante do povo e do faraó. Só quem estava na terra dos conflitos entende isso, o quanto é difícil recomeçar sozinho, sem o apoio de pessoas que como irmãos e amigos de causa se colocam ao seu lado para encorajar e impulsionar. Moisés futuramente acabou assumindo esse mesmo papel na vida de Josué, responsável por dar continuidade ao que havia começado.

O interessante é que Paulo passou pelo mesmo processo, enquanto estava no escuro silencio do tecelão, primeiramente tem uma experiência com Ananias, um cristão que morava em Damasco e tinha consciência da ameaça que representava Saulo de Tarso para a igreja, mas em uma visão o Senhor o chamou para ajudá-lo. O Senhor disse: “Vai, porque este é para mim um instrumento escolhido para levar o meu nome perante os gentios e reis, bem como perante os filhos de Israel”. Todos nós precisamos de um Ananias, de um homem que abra nossos olhos para Deus, alguém que veja dentro de nós, que veja além da reputação que recebemos, Ananias viu que o chamado de Deus para Paulo, valia mais do que as coisas erradas feitas contra os irmãos.

Outra pessoa importante no recomeço de Paulo foi Barnabé. Segundo a narrativa de Atos 9.26-31, Paulo “tendo chegado a Jerusalém, procurou juntar-se com os discípulos; todos, porém, o temiam, não acreditando que ele fosse discípulo. Mas Barnabé, tomando-o consigo, levou-o aos apóstolos; e contou-lhes como ele vira o Senhor no caminho, e que este lhe falara, e como em Damasco pregara ousadamente em nome de Jesus”. Barnabé acreditou em Paulo e o levou até os apóstolos, que conforme o relato de Gálatas 1.18, os únicos apóstolos que Paulo afirma ter visto foram Pedro e Tiago. Barnabé deu credibilidade a ele antes que qualquer outro estivesse disposto a dar, assumiu o risco de dar credibilidade quando Paulo anda não tinha tido tempo de conquistar por si mesmo.

É provável que Paulo tenha vivido alguns anos no anonimato em Tarso, na expectativa do cumprindo da palavra que Deus lhe havia dado em Damasco. Enquanto as conexões divinas eram feitas, Paulo permaneceu construindo tendas e recebendo do Senhor aquilo que deveria entregar as nações. Paulo primeiro teve que esperar por Ananias em Atos 9, depois teve que esperar por Barnabé em Atos 11. Paulo foi com Barnabé para Antioquia, onde começa a se desenvolver uma equipe dinâmica (Profetas e mestres | Atos 13), onde ensinaram juntos por um ano, levantando muitos discípulos e estabelecendo uma nova plataforma de avanço para o cumprimento da grande comissão. Atos 11.25-26 diz: “E partiu Barnabé para Tarso à procura de Saulo; tendo-o encontrado, levou-o para Antioquia. E, por todo um ano, se reuniram naquela igreja e ensinaram numerosa multidão. Em Antioquia, foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos”.

Nem Moisés, nem Paulo recomeçaram sozinhos, representam um testemunho de muita relevância histórica e escritural a todos nós que estamos procurando cumprir o chamado de Deus e viver de forma digna da vocação que recebemos. Cerque-se de pessoas que acreditam no seu chamado, envolva-se com pessoas maduras para dar suporte ao seu desenvolvimento e não pessoas que se sentem ameaçadas pelo seu serviço ou apenas se utilizam do seu trabalho para fins pessoais ou denominacionais.

CONCLUSÃO
DESPERTAMENTO PESSOAL

Estava meditando sobre despertamento pessoal, e me voltei para Efésios 5, um capitulo em que Paulo fala sobre “filhos amados”, “andar como Cristo andou”, “Filhos da Luz”, neste contexto está a expressão “Desperta tu que dormes...”, fala de atentarmos para a maneira como temos conduzido a nossa vida, de procurarmos compreender qual a vontade do Senhor. Esse despertamento não tem a ver com o que fazemos, mas com o que somos, temos que acordar para o que somos em Deus, deixar o descontrole do vinho para sermos cheios do Espírito Santo, dando sempre por tudo graças a Deus, em nome de Jesus, sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo.

Vejo neste capitulo algumas chaves para o despertamento pessoal, primeiro despertar quem realmente quem você é em Deus, deixar uma vida de descontrole e desordem para ordenar a vida por meio ser cheio e o andar no Espírito, sujeitando a vida aos irmãos, no sentido de organizar a vida sob os conselhos dos irmãos. Minha geração tem disposição em buscar pelo Espírito Santo por dias, mas não sabe como sujeitar a vida aos irmãos, por isso, é inconstante, desorganizada e virtual em suas ações. Agradeço a Deus pelos últimos doze anos de serviço ministerial, e reconheço estar diante de um novo ciclo, que exigiu algumas posições firmes, mais um tempo que precede novos ciclos e desafios. Reconheço a importância dos dias que fiquei na terra dos conflitos e no silencio do escuro para experimentar esse reencontro com o chamado. Reconheço a importância dos “Arões e Barnabés” que fazem parte da minha vida, agradeço a Deus, pela família, pelos amigos da rede ministerial e aos presbíteros da comunidade local em Curitiba, homens aos quais tenho sujeitado a minha vida no temor de Cristo.

Encorajo a todos que chegaram até aqui, lendo este texto, que continuem... Entendam esse momento da sua vida como um tempo de recomeçar, e recomece quantas vezes for possível e quantas vezes Deus lhe der oportunidade.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

As marcas de um recomeçar - Parte 1

Artigo de Anderson Bomfim, do site Missão Mobilização

{ Esse texto tem muitos pontos em comum com a série de artigos que escrevi sobre Encontros e Movimentações. Acredito que estamos em um ano de importantes e inevitáveis recomeços, de mudanças que o próprio Deus está gerando no coração da Sua Igreja. Peça ao Senhor que abra seu entendimento e sua percepção quanto a esta época tão decisiva e história que vivemos. }


Todos nós estamos em uma jornada, e toda jornada é marcada por tempos, sabemos que o tempo é cíclico, que não há nada novo debaixo do sol (Eclesiastes 1:9 | O que foi é o que há de ser; e o que se fez, isso se tornará a fazer; nada há, pois, novo debaixo do sol), e a medida que rompemos ciclos de tempos durante a vida, avançamos para viver o cumprimento de processos que nos modelam à palavra que carregamos, à palavra que fala de quem somos e o que fomos chamados para fazer. Vivemos dias que exigem de nós posições firmes, muitos de nós estamos no tempo oportuno e lugar correto, o momento de rompermos com a repetição incômoda dos mesmo ciclo, e repetição dos mesmos erros, estamos diante do desafio de superarmos a sensação de estarmos anos parados no mesmo lugar. Estamos diante da oportunidade de fazer valer a pena todas as situações vividas e nem sempre compreendidas nestes últimos anos, fazer com que todo tempo de experimentação e aparente retrocesso, nos impulsionem a viver um novo momento, mesmo que as situações a nossa volta pareçam ser as mesmas, seremos pessoas diferentes.

Podemos passar pelo mesmo lugar várias vezes, mas o que determinará se estamos ou não em um novo momento é o fato de reagirmos de forma diferente às situações parecidas. Josué passou com o povo de Israel pelo mesmo lugar, mas o que determinou um novo tempo de avanço e ocupação é não serem mais os mesmos e não cometeram os mesmos erros do passado.

Portas se abrem diante de nós em determinados momentos da vida e temos a sensação de “novos começos”, de um tempo de recomeçar, de um novo dia de Deus, de uma nova etapa da nossa contínua caminhada de transformação através da renovação da nossa maneira de pensar e viver. Enquanto normalmente somos tentados a trabalhar por um lugar que nos acomode, Deus nos lança diante de novos desafios, sempre nos impulsionando a ir adiante, a rompermos em nossa jornada de fé, a continuarmos dentro da sua agenda, correspondendo ao seu cronograma.

Pensando nesse tempo de recomeçar, duas figuras importantes nas escrituras me ajudam a ver por uma nova perspectiva. Trata-se de Moisés e Paulo, dois legisladores, homens que trouxeram uma comunicação fundamental da palavra e passaram por um processo parecido. O que me chama a atenção é que tanto Moisés como Paulo, eram homens em processo, ministros em desenvolvimento, homens que entendiam estar prontos para cumprirem seu chamado.

RECONHECER O FRACASSO DAS INICIATIVAS DE SUCESSO...
APRENDER QUE APARENTES RETROCESSOS PROPORCIONAM AVANÇOS

Êxodo 2:11 diz: “Naqueles dias, sendo Moisés já homem, saiu a seus irmãos e viu os seus labores penosos; e viu que certo egípcio espancava um hebreu, um do seu povo”. Atos 2:22 diz: Moisés foi educado em toda a ciência dos egípcios e era poderoso em palavras e obras. Quando completou 40 anos, veio-lhe a idéia de visitar os seus irmãos, os filhos de Israel”, e Hebreus 11:24 diz: “Pela fé, Moisés, quando já homem feito, recusou ser chamado filho da filha de Faraó”.Cruzando as informações encontramos que Moisés “era um homem feito”, “foi educado em toda a ciência, poderoso em palavras e obras”, já tinha “40 anos de idade”. Estamos diante de varias perspectivas do mesmo momento, e a leitura que podemos fazer desse contexto é que Moisés acreditava estar vivendo o grande momento da sua vida, que já havia alcançado a maioridade, logo a maturidade, que estava pronto.

Acredito que chamado não se recebe, se descobre, porque nascemos com ele, Moisés sabia que havia um chamado dentro dele, isso lhe queimava e quando sentiu-se pronto para assumir seu chamado, simplesmente agiu da maneira que lhe pareceu correta. Para sua surpresa, ninguém o entendeu, ninguém o apoiou, ninguém lhe ofereceu ajuda, obrigando-se a buscar refugio em Midiã, que no original hebraico significa “conflito”. Os quatrocentos anos de Genesis 15:13 que não se encaixam nos quatrocentos e trinta anos de Êxodo 12:40 podem ser explicados pelos aproximados trinta e poucos anos que Moisés morou na “terra dos conflitos” (Midiã). Possível promovermos algum atraso na caminhada, mas dependendo da forma como respondemos ao chamado de Deus para recomeçar, podemos resgatar coisas apagadas dentro de nós (para Moisés foi no lugar onde uma sarça queimava), e retomar nossa caminhada dentro do propósito, tempo e modo de Deus (Eclesiastes 8:5-6). A partir deste momento, me parece que Moisés vê com mais clareza o chamado que carrega, é desafiado a tirar as sandálias dos pés, abrir mão dos seus caminhos, dos seus meios, colocar as coisas em ordem dentro de si mesmo, reconhecer que não estava tão pronto quanto acreditava estar e então, recomeçar.

Uma experiência Incrível e totalmente real, com a qual muitos de nós se identifica, um testemunho de que nossos fracassos não devem nos paralisar, prova de que Deus, diferente das pessoas, não muda conosco quando erramos, prova de que podemos tomar uma posição diante de Deus e recomeçar, conscientes de que no Reino de Deus não se presume, não se “acha”, não se move sem direção e confirmação.

Voltando os olhos para a outra personalidade bíblica, chegamos em Atos 22:13, onde Paulo afirma: “Eu sou judeu, nasci em Tarso da Cilícia, mas criei-me nesta cidade e aqui fui instruído aos pés de Gamaliel, segundo a exatidão da lei de nossos antepassados, sendo zeloso para com Deus, assim como todos vós o sois no dia de hoje, Persegui este Caminho até à morte, prendendo e metendo em cárceres homens e mulheres”, e em Filipenses 3.4 fala sobre sua formação: “Bem que eu poderia confiar também na carne. Se qualquer outro pensa que pode confiar na carne, eu ainda mais: circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; quanto à lei, fariseu, quanto ao zelo, perseguidor da igreja; quanto à justiça que há na lei, irrepreensível”.

Paulo também recebeu a melhor formação da sua época, era nativo de Tarso, o terceiro centro universitário do mundo, sendo superado em importância na época apenas por Atenas e Alexandria, tendo a cidadania romana como direito de nascença (Atos 22.8). Portanto, era um homem em desenvolvimento, com um chamado dentro de si tão forte quanto sua personalidade.

Paulo se vivia intensamente uma causa, tinha zelo por Deus, que é diferente do zelo de Deus. Olhando para a maneira como estava se movendo, concordamos que realmente ele precisava de uma experiência que o parasse, que abrisse seus olhos tão cheios de visão e objetivos, que revelasse que seu ímpeto correto era aplicado em uma causa equivocada, uma experiência que mudasse radicalmente a trajetória de alguém que tinha convicção de estar na direção certa.

“Seguindo ele estrada fora, ao aproximar-se de Damasco, subitamente uma luz do céu brilhou ao seu redor, e, caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? Ele perguntou: Quem és tu, Senhor? E a resposta foi: Eu sou Jesus, a quem tu persegues; mas levanta-te e entra na cidade, onde te dirão o que te convém fazer. Os seus companheiros de viagem pararam emudecidos, ouvindo a voz, não vendo, contudo, ninguém. Então, se levantou Saulo da terra e, abrindo os olhos, nada podia ver. E, guiando-o pela mão, levaram-no para Damasco. Esteve três dias sem ver, durante os quais nada comeu, nem bebeu”. Atos 9.

Algo impactante para mim é pensar que Paulo foi encontrado por aquilo que procurava, foi encontrado por Deus, tendo uma experiência “traumática” com seu Filho, indo para Damasco prender Cristãos. A palavra Damasco tem um significado interessante: “em silencio está o tecelão de pano de saco”. Paulo viu uma luz que o cegou, ouviu uma palavra que mostrou o quanto estava equivocado, uma experiência que o derrubou do cavalo, que o tirou de uma perspectiva humana e religiosa de ministério, ele foi vencido e levado a um lugar escuro e silencioso, lugar onde só poderia olhar para dentro de si mesmo, rever seus conceitos, valores e convicções. Deveria ficar ali no escuro até ser encontrado e redirecionado em sua jornada ministerial.

Existem muitos “Saulos” entre nós! Jovens cheios de potencial, homens convictos de um chamado, pessoas entregando-se de corpo e alma a uma causa, porém, muitos se lançaram em sua jornada cheios de ensinamentos, mas sem muita clareza, sem pontualidade vocacional. Muitas vezes agindo impetuosamente em nome de Deus, correndo o risco de falar e agir contra o que o próprio Deus está fazendo. Todos nós precisamos passar pelo lugar em que somos vencidos por Aquele a quem servimos, precisamos aprender a esperar que nossos olhos sejam abertos no lugar em que Ele mesmo tira toda visão que nos guiava. Como Ele sabe que não vamos parar e descer do cavalo para rever nossa vida, Ele nos para e nos derruba, para nos apontar o caminho certo, para alinhar nossos passos, parar redirecionar nossa força e nos dar uma causa digna.

A primeira marca de um recomeçar tem a ver com essa parada, creio que assim como eu, muitos já estiveram ou estão morando na terra dos conflitos (Midiã), esperando no lugar escuro e silencioso do tecelão (Damasco). O primeiro passo é reconhecer por quê fomos capturados para este lugar, reconhecer que nosso ímpeto estava nos levando para o lugar errado, entender esse tempo de aparente retrocesso como o momento de um reencontro com o Senhor do nosso chamado, tempo de abrir mão dos nossos meios e recursos pessoais, um momento de tomar decisões firmes e se resolver em Deus, organizar as coisas dentro de nós. É com muita alegria que hoje posso escrever sobre esse lugar, e reconhecer o quanto isso foi determinante para o desenvolvimento do chamado que me consome.