quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

O comércio e o Evangelho

De Eduardo Mano | Leia o artigo original aqui

{ Uma reflexão muito pertinente sobre os rumos atuais do "mercado gospel" e sua influência nas igrejas. Tudo a ver com o que falamos a respeito do herói e os últimos dias. Muitos "ministros" cristãos têm se conformado com o presente século. }

Antes de mais nada, eu vendo CDs. Como vocês já estão carecas de saber, eu os disponibilizo para download gratuito aqui no blog e no facebook, mas quando vou nas igrejas tocar, levo algumas unidades do CD físico e o vendo por, em média, 12 reais. Não exijo que ninguém o compre (na verdade, eu SEMPRE aviso a todos que podem baixar o trabalho gratuitamente).  Mesmo assim, a venda do CD me constrange (pergunte a qualquer um que toca ou tocou comigo se isso não é verdade). Me constrange pois creio que canto o Evangelho, e o Evangelho não deveria ser vendido, mas sim distribuído gratuitamente a TODOS – e estou tomando providências para corrigir isto. Além disso, a Virá lançou uma camiseta com a ilustração da letra de uma de minhas músicas, mas até sobre isso já tomei providências. Com isso prossigo, sabendo da culpa que carrego.

Nos últimos dias fomos informados pela “salutar” indústria gospel que um artista lançaria uma linha de bonecos com seu nome. Além disto, uma “bispa” e um “apóstolo” lançaram, respectivamente, suas linhas de cosméticos e perfumes. Não são poucos os produtos que carregam o nome de pastores e líderes ou a marca de algum ministério. Não me refiro a livros, que em muitos casos trazem conhecimento ao povo. Falo de linhas de produtos pessoais que tem por único motivo de existência o enriquecimento de empresas e “personalidades” que, não se importando com aqueles que os seguem, insistem em arrancar deles até o último centavo.

Eu tenho andado muito preocupado com o rumo que as coisas têm tomado. Simplesmente pelo fato de ver muito do humano em tudo que o mercado tem produzido, e pouco do espiritual, do sagrado, da água viva. Se vivemos o Evangelho, vivemos para a glória Daquele que dizemos servir. Não para a nossa glória. Não para o nosso enriquecimento.

O salmo 69 diz, no verso 6, o seguinte: “Não sejam envergonhados por minha causa aqueles que esperam em ti, ó Senhor, DEUS dos Exércitos; não sejam confundidos por minha causa aqueles que te buscam, ó Deus de Israel.” Nosso caminhar é determinante para a pregação do Evangelho – nossa vida deve ser uma extensão daquilo que falamos, cantamos e pregamos. Se pregamos a Cristo, e este, crucificado (ou seja: morreu por nós a nossa morte), como podemos nos atentar a coisas tão mundanas, e distrações tão infantis? Temos servido de escândalo e pedra de tropeço a muitos de nossos irmãos na fé, e isso é motivo de pranto, não de júbilo.

Nosso tempo na terra não é longo, é curto. Nosso tempo aqui é de semear o Evangelho de Cristo e trabalhar para a expansão de Seu Reino; não é um parque de diversões. Literalmente há vidas que precisam de nós, mas estamos muito ocupados com nossos guarda roupas, nossos carros novos, nossa vontade de compartilhar a aquisição de bens, gadgets, coisas. E fazemos isso dizendo que Deus nos abençoou. Mas na hora do aperto, esquecemos de dizer que Deus também nos tem abençoado com perseverança para aguentar os tempos ruins. Não queremos compartilhar a simplicidade do Evangelho.

Precisamos mudar nossa postura e nosso caminho. Quem de nós pode dizer como o apóstolo Paulo em 1 Coríntios 11:1, “tornem-se meus imitadores, como eu o sou de Cristo”? Não nos esqueçamos que até o apóstolo Pedro foi repreendido por agir de maneira diferente a qual pregava, em Gálatas 2. Estamos com os bolsos tão cheios de moedas, que somos obrigados moralmente a compartilhar isso com os que precisam. Mas o que temos feito? Enriquecido. Engraçado que o poder de Deus foi manifestado através de Pedro e João justamente quando seus bolsos estavam vazios, como lemos em Atos 3 (leia o texto todo no link): “Disse Pedro: ‘Não tenho prata nem ouro, mas o que tenho, isto lhe dou. Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, ande‘”. Reparem bem: “o que tenho, isto lhe dou”. Se eles tivessem moedas, dariam moedas. Se o seu bolso está cheio delas, dê delas. Mas quando estiver vazio, dê o próprio Cristo. Algumas celebridades gospel têm os bolsos tão cheios que não dá pra entregarem a Jesus, e muito menos as moedas.

Cristo é mais glorificado em nós quando nossa satisfação é Nele, e não em produtos.

Que Ele nos corrija, a fim de O servirmos da melhor forma possível.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Pré-Mobilização Expedição São Gonçalo

Dia 23 de Março: Pré-mobilização do Urban Movement Expedição São Gonçalo. Um dia que servirá de base para o movimento na cidade. A meta é desenvolver um centro de oração e justiça dentro das comunidades da cidade e iniciar um trabalho de plantação de igrejas. Temas principais: dons, devoção e pregação do Evangelho.

Essa mobilização também é uma das atividades da Escola Sacerdócio e Reino, da Rede Extrema Devoção, que acontecerá em São Gonçalo a partir de março.

Para maiores informações, acesse Movimento Urban ou entre em contato pelo email do banner abaixo.

 

sábado, 23 de fevereiro de 2013

O herói e os últimos dias

Luciano Motta

Temos pontuado nos últimos artigos a respeito da necessidade de heróis para esse tempo. Heróis na concepção do servo: aqueles que são referência em uma sociedade cada vez mais individualista e excludente, desprovida de valores sólidos. Tratamos também das boas obras que acompanham a vida de quem se dispõe a resplandecer a luz de Cristo.

Mas todo herói, segundo sua imagem construída culturalmente, possui um antagonista ou um ponto fraco. Nos últimos dias, podemos perceber que o "vilão clássico", aquele que fica em um determinado esconderijo tramando planos mirabolantes de conquista do mundo, que envia seus comparsas para transtornar a cidade, que sempre tenta destruir o herói, enfim, esse tipo de vilão não existe mais. Os tempos são outros. Já falamos disso no primeiro artigo desta série: as artes e a mídia têm retratado o contexto "cinza" em que vivemos. Mocinhos e bandidos não são mais facilmente distinguíveis.

Parece-nos que o grande rival do herói de nosso tempo seja uma concorrência de fatos e circunstâncias, ou seja, toda uma conjuntura opressora, alimentada pelo pecado e sua consequente iniquidade, aliada ao esfriamento do amor. Jesus alertou sobre como estaria o mundo antes da Sua segunda vinda. Ele apresentou dois cenários muito próximos de maldade que irão operar em conjunto nos últimos dias:

1) "Como aconteceu nos dias de Noé, assim também será nos dias do Filho do homem. Comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca, e veio o dilúvio e os destruiu a todos" (Lucas 17:26-27).

Gênesis 6.5,11 afirma que era grande a maldade do homem na terra naqueles dias, e toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era má continuamente. A terra estava corrompida e cheia de violência. Essa descrição nos leva a crer que toda aquela maldade e violência atingiram um estado de tolerância e normalidade tais naquela sociedade, a ponto daquelas pessoas comerem, beberem e se casarem sem maiores preocupações com o nível gravíssimo de pecado entre elas. A iniquidade tornou-se banal, a perversidade era comum, a ofensa ao que é certo e íntegro não abalava mais ninguém.

2) "Como também da mesma forma aconteceu nos dias de Ló: comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam e edificavam; mas no dia em que Ló saiu de Sodoma choveu do céu fogo e enxofre, e os destruiu a todos; assim será no dia em que o Filho do homem se há de manifestar" (Lucas 17:28-30).

Gênesis 18 e 19 apresenta Sodoma como uma cidade perversa. Ezequiel 16.49-50 descreve seus pecados: opulência, glutoneria, indolência, ociosidade. Seus habitantes eram insensíveis ao pobre e ao necessitado; eram arrogantes, entregues à abominação de práticas imorais. Note que eles também assimilaram esses pecados ao dia a dia, e viviam como se nada de mal estivesse acontecendo.

Se compararmos esses dois cenários aos nossos dias, veremos que as semelhanças são cristalinas. Só não vê quem não quer, ou quem já sucumbiu à força maligna de nosso tempo. O que mais distancia as pessoas - e também muitas igrejas - de perceberem como os dias são maus é exatamente a normalidade da vida, as preocupações com o que comer e beber, com o que comprar e consumir, como prosperar financeiramente, etc. As atenções do mundo, principalmente dos jovens, focalizam duas coisas: ganhar dinheiro e curtir a vida. Como kryptonita, vão sugando o potencial de toda essa geração ávida por sensações efêmeras e maior status social.

Impressiona como essas coisas têm se enraizado na igreja como um câncer, corrompendo até mesmo a mensagem do Evangelho. Os crentes atuais têm dificuldade para servirem a Deus e ao próximo com suas boas obras porque a grande maioria deles está ocupada com suas próprias vidas. Muitos perderam a Causa do Evangelho, abafaram o Fogo do Espírito com inúmeras atividades eclesiásticas, converteram seus corações a desejos e ambições individualistas. Por isso há tão poucos heróis. Eles vêm sendo aniquilados pela normalidade da vida, pela conformidade com o presente século.

O problema não está no dinheiro ou na diversão, mas em priorizar essas coisas acima do que é realmente importante - valores, integridade, caráter, fé, amor, abnegação, justiça - ainda que sejam considerados "trajes antiquados". As mazelas da sociedade, as desigualdades, as ações de violência não podem mais serem deixadas de lado, transferidas para alguém resolver, para os governos. É fundamental uma ação dos filhos de Deus, servos fiéis que farão a grande diferença. São esses os heróis que apontam o Reino que está por vir - e que já veio - com suas atitudes e seu estilo de vida.

As pessoas foram surpreendidas pela destruição repentina: nos dias de Noé, pelo dilúvio; nos dias de Ló, pelo fogo. Jesus associou esse "inesperado" à Sua própria vinda. Muita gente ficará atordoada quando Ele vier nas nuvens para varrer a injustiça da terra, inclusive muitas igrejas, como as virgens imprudentes que deixaram suas lâmpadas se apagarem (Mateus 25.1-13). Jesus voltará para estabelecer o Seu Reino em aliança com Sua Noiva, que o estará esperando preparada e em ardente expectativa. A Noiva será Sua Igreja Gloriosa, constituída daqueles que resistirem ao avanço do pecado e da iniquidade nos últimos dias e perseverarem até o fim; heróis e vencedores que desprezarão suas próprias vidas por amor a Jesus e Sua Causa.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

O herói e as boas obras

Luciano Motta

Falamos recentemente a respeito do desejo de ser um herói nesses dias tão conturbados, da necessidade de se vestir o uniforme "antiquado" de caráter e fidelidade ao Senhor e à Sua Palavra, do zelo em cuidar da família e brilhar em um mundo cada vez mais cinza. Partilharemos agora algumas passagens bíblicas e destacaremos o que elas têm em comum: a santa convocação de Deus para resplandecermos a Sua Glória através de nossas boas obras.

Mateus 5.14-16
"Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre uma montanha nem se acende uma luz para colocá-la debaixo do alqueire, mas sim para colocá-la sobre o candeeiro, a fim de que brilhe a todos os que estão em casa. Assim, brilhe vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus".

Tito 2.11-14
"Manifestou-se, com efeito, a graça de Deus, fonte de salvação para todos os homens. Veio para nos ensinar a renunciar à impiedade e às paixões mundanas e a viver neste mundo com toda sobriedade, justiça e piedade, na expectativa da nossa esperança feliz, a aparição gloriosa de nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo, que se entregou por nós, a fim de nos resgatar de toda a iniquidade, nos purificar e nos constituir seu povo de predileção, zeloso na prática de boas obras".

Hebreus 10.19-25
"Tendo pois, irmãos, ousadia para entrarmos no santíssimo lugar, pelo sangue de Jesus, pelo caminho que ele nos inaugurou, caminho novo e vivo, através do véu, isto é, da sua carne, e tendo um grande sacerdote sobre a casa de Deus, cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé; tendo o coração purificado da má consciência, e o corpo lavado com água limpa, retenhamos inabalável a confissão da nossa esperança, porque fiel é aquele que fez a promessa; e consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras, não abandonando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia".

As Escrituras destacam a existência de uma surpreendente motivação do próprio Deus para agir em nós, Seus Filhos, Sua Igreja:
  • Brilhe a vossa luz... para que vejam as vossas boas obras
  • Manifestou-se a graça... para nos purificar e nos constituir povo zeloso na prática de boas obras
  • Cheguemo-nos com verdadeiro coração... para nos estimularmos às boas obras

Essas "boas obras" são o fruto real, visível e irresistível da Graça Redentora de Deus na vida daqueles que O amam de todo coração, alma, forças e entendimento. Esse é o primeiro grande mandamento, que remete imediatamente ao segundo - amar ao próximo como a si mesmos (Mateus 22.36-40).

Ouve-se então um grito da sociedade - "Mas esse tipo de cristão não existe!" - e é muito difícil não dar razão a essa contestação. Quando olhamos para nós mesmos e ao nosso redor, talvez a expressão que venha ao nosso coração seja essa: "Quando vier o Filho do Homem, porventura achará fé na terra?" (Lucas 18.8). Fé no sentido de ser fiel ao que se crê, ao que se prega. Fé que leva inevitavelmente a obras, do contrário é morta (leia Tiago 2). Fé prática, não apenas teórica, não restrita às paredes de uma escola bíblica dominical; não circunscrita ao reverberar de exuberantes sermões nos templos, que só tocam o bolso e as necessidades mesquinhas dessa terra, mas que não inflamam os crentes a dedicarem suas vidas completamente ao Senhor.

Para que o herói tão necessário nesses dias - o verdadeiro servo de Deus - possa ter bom êxito em sua causa, é fundamental que ele permaneça em Cristo. "A religião pura e imaculada diante de nosso Deus e Pai é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas aflições e guardar-se isento da corrupção do mundo" (Tiago 1.27). Nesse texto encontramos as boas obras do cristão: o amor a Deus (santificar-se, separar-se do pecado, da iniquidade) e o amor ao próximo (cuidar daqueles que carecem). Esse tipo de fruto só é possível quando estamos ligados à Videira (Cristo) - sem Ele nada podemos fazer (leia João 15).

Por fim, o apóstolo Paulo alerta sobre que tipo de obras estamos produzindo: "Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo. E, se alguém sobre este fundamento levanta um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, a obra de cada um se manifestará; pois aquele dia a demonstrará, porque será revelada no fogo, e o fogo provará qual seja a obra de cada um" (1 Coríntios 3.11-13). O fogo irá pegar em todos: heróis e vilões, crentes atuantes e indiferentes, além dos que preferiram a impiedade. Seremos refinados ou consumidos. Parafraseando as palavras de Jesus já citadas: "Quando vier o Filho do Homem, porventura achará na terra pessoas com fé extraordinária, cujas obras permanecerão?"

Vamos refletir seriamente nessas palavras. O que estamos fazendo de nossa fé? O que estamos edificando sobre o fundamento já posto, que é Cristo? Qual tem sido a causa maior de nossas vidas? A resposta é: nossos corações estão em tudo que investimos tempo, dinheiro, esforço. Estamos verdadeiramente Nele ou não? Isso diferenciará o medíocre do herói; o que tropeça em discursos daquele cuja vida fala por sua fé manifestada em boas obras.

"Então ouvi uma voz do céu, que dizia: Escreve: Bem-aventurados os mortos que desde agora morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem dos seus trabalhos, pois as suas obras os acompanham" (Apocalipse 14.13).