segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Feliz Natal



Feliz Natal
Feliz abraço convencional
Feliz sorriso amarelado
Feliz papo sempre furado
Feliz troca de presentes
Feliz inimigo oculto iminente
Feliz mesa repleta de comida
Feliz estranha árvore colorida
Feliz se notassem o Aniversariante nesse dia
Feliz certamente Ele ficaria

Infeliz Natal
Infeliz data comercial
Infeliz para os que estão à margem
Infeliz quando o chester é só uma imagem
Infeliz alegria no rosto tingida
Infeliz solidariedade fugaz e fingida
Infeliz balofo e vermelho velhinho
Infeliz coração do que chora sozinho
Infeliz sem Aquele que tudo pode fazer
Infeliz porque tinha tudo para ser
Feliz

...

Autor: Luciano Motta

{ Escrevi este poema no Natal de 2009 depois de uma frustração. Eu explico: Os familiares todos lá em casa, reunidos, e eu não consegui chamar a atenção das pessoas para JESUS. Prevaleceu a força da troca de presentes, das comidas maravilhosas, dos desenhos animados que passavam na TV. Daí a minha frustração. Espero que seja diferente neste ano. Espero que seja diferente também na sua casa. Vamos elevar JESUS acima de tudo, afinal, o Natal é (ou deveria ser) para ELE, por causa DELE. }

Veja outros poemas em Versar e Viver.

sábado, 18 de dezembro de 2010

O jesus mercadoria e o Jesus Real

Do blog do Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

“Herodes ficou muito contente quando viu Jesus, pois tinha ouvido falar a respeito dele e fazia muito tempo que queria vê-lo. Ele desejava ver Jesus fazer algum milagre” (Lucas 23.8)

O episódio vivido por Herodes mostra um contraste: o Jesus mercadoria e o Jesus real. Tendo ouvido falar de Jesus, Herodes esperou um “show” particular. É o Jesus mercadoria, que dá espetáculos estrondosos que entretêm o ocioso. O Jesus mercadoria é muito buscado hoje em dia por um mundo vazio. Ele distrai e não incomoda. É um produto para ser usado. Quem o compra tem direitos sobre ele. É um produto de consumo. Relaciona-se com ele em termos de “pago, uso, e deixo de lado quando não me interessa”. Jesus tem sido “coisificado” em muitos segmentos. É uma senha (“Esse nome tem poder!”) ou um conceito dentro do qual se projetam certas expectativas. Como Herodes: Jesus faria uns milagres para ele ver. Naquele fim do mundo, uma boa maneira de passar o tempo. Uns momentos de exibição particular de Jesus lhe ensejariam comentários: “Rapaz, eu vi o cara! Ele é bom mesmo!”.

Como não aceita dar espetáculo ou ser usado por alguém, Jesus se calou diante de Herodes. Não se dá a conhecer em festas de passar tempo. Apenas na submissão. Herodes não tinha. O Jesus real não é um bichinho de estimação ou o colega da rua de cima. Menos ainda algo que podemos usar. Muita gente conhece um Jesus que não é o real. É o seu Jesus pessoal. Alguém disse numa reunião de estudo bíblico: “Gosto de pensar em Jesus assim, ó…”. Projetava um ideal como sendo Jesus. Só há um Jesus de verdade, o do Novo Testamento. Não o da imaginação ou da expectativa. O “Jesus da história”, dos teólogos liberais, era ficção. Quando se analisa o Jesus deles, vê-se apenas um cavalheiro europeu, polido e melancólico. Projetaram-se nele. Como Herodes. Viu Jesus, falou-lhe, mas não conheceu o Jesus Senhor da história, Salvador do mundo. Pensou em alguém medíocre como ele.

Como o Jesus real não se encaixou na sua perspectiva, de um Jesus mercadoria, mero entretenimento, Herodes o desprezou A busca de entretenimento espiritual leva a desconhecer o Jesus real. Quando se tem uma visão equivocada de Jesus é fácil desprezar o Jesus real. Muita gente está perdendo o Jesus real, desprezando-o (e, assim, ao seu próprio destino) porque Jesus não se enquadrou no seu esquema. Quem procura o Jesus festivo, oferecedor de um momento de descontração que alguns chamam de culto, acabará desprezando o Jesus real. Para Jesus, não fará diferença. Mas para a pessoa fará toda a diferença!

O Jesus real é o do Novo Testamento. Não é mercadoria nem passatempo. É o Senhor Crucificado e Ressurreto, Ascenso aos céus, de onde virá em poder e glória. Não é um reformador social, nem um educador de consciências, ou mestre de ética. É o Senhor. Vê-lo de outra forma é errar, como Herodes.

Jesus não pode ser visto como entretenimento ou como pretexto para alguns momentos agradáveis, cantando músicas que nos fazem bem. Não é apenas um nome para avalizar nossos pedidos egoístas. Nem é a fada-madrinha, que nos dá tudo. É o Senhor, que não aceita especulações sobre ele nem se revela a curiosos. Só a pessoas rendidas a ele.

Jesus entretenimento, não. Jesus mercadoria, também não. Apenas o Jesus Senhor, o nome sobre todo nome. Veja-o assim e você o conhecerá.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Bibelô



bibelô novo pra ser usado
ideal que fique destacado
depois junte-se a tantos outros, desgastado
na plataforma fria, vazia, cheia de hipocrisia
onde ninguém se importa com quem está ao lado

bibelô na ativa
aí é o seu lugar
que lindo! é só para nos agradar
começa, termina, as pessoas se animam
importante é que o show tem de continuar

bibelô sufocado
pelo controle exagerado
fraqueza da alma de quem não quer perder o poder
é mais fácil sufocar
do que aprender a crescer

bibelô empoeirado
no interior, ninguém o toca
enfadado por apenas embelezar
tratado como se não tivesse mais nada pra dar
seu conteúdo? que fique guardado

bibelô surtado
acordou pra vida, resgatado
das tensões e frustrações de outrora
seus olhos abertos pro futuro
o fardo agora não é pesado

bibelô renovado
livre da ditadura da aparência
do ativismo exacerbado
despreocupado com o que vão dizer
vivendo o que foi criado pra ser

...

Autora: minha esposa Ana Cristina Pina (em parceria comigo).

Veja outros poemas em Versar e Viver.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Curso de Harmonia Vocal 2011



Com a professora Ana Cristina Pina.

Venha aprender a abrir vozes e a aperfeiçoar o seu canto. Aproveite as férias de verão para desenvolver todo o potencial de seu grupo vocal.

Início: EM FEVEREIRO!

Duração do curso: 4 segundas-feiras, sendo 2 horas/aulas por semana.

Cronograma do curso:

  • Percepção

  • Conceitos básicos de teoria musical

  • Estrutura de acordes

  • Campo harmônico maior

  • Arranjo

Investimento: De R$ 160,00 por R$ 130,00 em 2x de R$ 65,00 (1ª parcela até 04/02/2011 e 2ª parcela até 15/02/2011).

Pagamento à vista: R$ 100,00 (até o dia 04/02/2011).

Pagamentos no dia: só reservando a vaga e pagando o preço sem promoção (R$ 160,00).

Se preferir, deposite e traga o comprovante de depósito na primeira aula.

Informações e inscrições pelo telefone: (21) 2724-0655

Email: anacristinapina@ig.com.br

Blog: eueminhamente.wordpress.com

Faça já sua inscrição!!! Corra, vagas limitadas!!!

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Sobre o agora

Luciano Motta

Uma das forças que impulsiona o mundo é o agora. O capitalismo se apropriou disso. Os cartões de crédito estão aí para provar. Possibilidades imediatas - e enormes, dependendo do seu limite - para se gastar um dinheiro que não se tem. A conta vem na próxima fatura, e quem empresta fatura alto, muito alto, em cima da falta de controle das massas. Sim, a nossa falta de controle.

O agora é imperativo. Compre. Beba. Faça. Agora! Não há tempo a perder. O ontem passou e o amanhã, quem sabe? Se o hoje está garantido, no mínimo, como uma possibilidade de realizações, o agora é urgente, é apressado, está aí, talvez você não dure até o final do hoje, portanto, desfrute do agora. Já!

A ordem é velocidade: informação online, correio eletrônico, comida de microondas, macarrão instantâneo, fast food. Essa noção se aloja também nas demais áreas: no salário que se gasta rápido (mal dura a primeira semana do mês!), nos casamentos que se desfazem na primeira briga, na fé fervorosa do culto de domingo que se esvai na manhã de segunda-feira, etc.

Somos estimulados o tempo todo a vivermos intensamente o agora, não importam as consequências. Importante é sermos felizes agora. Importante é a nossa satisfação egoísta e mesquinha agora:
... se o que você compra agora te dará prazer mesmo que depois implique em desgraça nas suas finanças, não complique, é simples: faça mais crédito ...

... se houve uma discussão e você acha que por isso o seu casamento deve acabar agora, ok, não lute pelo seu relacionamento, arrume outro parceiro(a). Divórcio é algo tão comum ...

... se você está permitindo que a tentação tome conta da sua mente agora, tudo bem, pratique o mal, vá fundo no pecado. O Deus dos crentes é um Deus de graça e amor, mais tarde, chore e peça perdão. Ele vai te perdoar ...
E assim o agora, que é uma dádiva, uma oportunidade, vai se tornando uma armadilha, um estilo de vida que arruína a própria vida. Valores de longo prazo como estabilidade, caráter, integridade, fé, constância são desprestigiados em uma cultura imediatista. Mas sem eles, não há sociedade que resista. Valores sobrevivem às circuntâncias, ao tempo, ao agora.

Ir contra essa corrente demanda atitudes na mesma medida de urgência ou ainda mais imediatas! Algumas posições são necessárias agora:

1- Se você NÃO É cristão: receba agora Jesus Cristo em sua vida em uma atitude de fé: Feche seus olhos (não se distraia com o que está ao redor), suspire fundo e fale com Jesus sobre a sua decisão - é igual a falar com um amigo. Depois, procure o mais rápido possível alguém que você considere ter uma vida sólida em Cristo, alguém com caráter condizente de quem diz amar Jesus. Essa pessoa certamente irá te ajudar nos primeiros passos de sua nova vida. Sim, a sua vida será diferente! Acredite! É real.

2- Se você JÁ É cristão: ore agora mesmo por aqueles que você conhece (ou não) que estejam vivendo sob a ditadura do consumismo e do imediatismo. Ore para que você e a Igreja de Cristo não sejam tomados pelo espírito desse mundo, mas que sejamos todos convencidos e transformados pelo Espírito Santo a uma vida que influencie positivamente a sociedade e promova os valores do Reino. Conheça a Palavra. Conheça Deus. Aprenda a viver conforme Ele quer. Posicione-se. Conserte o que está quebrado. Pague o que deve. Não se endivide mais.

Este é um chamado urgente. Faça logo, faça agora!

"Mas agora, Senhor, que hei de esperar? Minha esperança está em ti" (Salmo 39.7 NVI)

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Fotos

Alguns momentos recentes... Bem, nem tão recentes assim!



Minha festa de aniversário - 03/11/2010



Esta foi a hora mais divertida: a vela explodiu! - 03/11/2010



Alguns amigos e componentes da banda no lançamento do CD da Pra. Aline Couto - 30/10/2010

Veja mais no meu álbum de fotos.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Promessa não é seguro de vida

Luciano Motta

Promessa. Palavra bonita, sedutora. Abundantemente pregada nos púlpitos e nos programas televisivos. Tema recorrente em inúmeras canções e CDs de diversos artistas gospel. Em muitas igrejas não há um só culto cuja ênfase não seja essa: as promessas de Deus. Faz bem ao coração do perdido - e dos salvos também.

Promessa tem sido transformada em garantia de imortalidade aqui na terra. Não raro ouvimos:

"Você não vai morrer enquanto as promessas de Deus não se cumprirem em sua vida!"

Você já ouviu ou cantou algo parecido com isso? Sem dúvida, muitas vezes. É uma mensagem que afaga o ego e alimenta ainda mais o espírito antropocêntrico desse século. Como sair insatisfeito de um culto cuja ênfase invariavelmente seja "você é mais do que vencedor" ou "em Deus você pode todas as coisas"? Ou não ficar inflado com sermões que te dão "quatro chaves para a conquista" e "cinco passos para a prosperidade em todas as áreas da vida"?

Eu acreditava nisso. Ministrei esse tipo de mensagem em muitos cultos. Mas recentemente meus olhos se abriram a partir dessa passagem:

"Todos estes ainda viveram pela fé, e morreram sem receber o que tinha sido prometido; viram-nas de longe e de longe as saudaram, reconhecendo que eram estrangeiros e peregrinos na terra" (Hebreus 11.13 NVI).

A quem se refere esse texto? Abel, Enoque, Noé, Abraão e Sara (v.4-11). Poderia discorrer agora sobre a trajetória desses personagens, as promessas que receberam de Deus e as provas de fé pelas quais passaram. Mas vamos fazer diferente: leia e pesquise na Bíblia sobre cada um deles. De fato quero ressaltar aqui que essas pessoas "viveram pela fé, e morreram sem receber o que tinha sido prometido".

Como assim? Morreram? Mas "quem tem promessa de Deus não morre... aleluiasss!" - É o que ouvimos comumente. E é um grande engano.

Os heróis da fé listados em todo o capítulo 11 da epístola aos Hebreus, e também (por que não?) os incontáveis homens e mulheres que ao longo dos séculos dedicaram suas vidas a Deus, receberam promessas tremendas e viveram pela fé. Contudo, muitos deles morreram antes de verem algumas dessas promessas se concretizarem. Viram tudo "de longe e de longe as saudaram, reconhecendo que eram estrangeiros e peregrinos na terra". Na verdade, entenderam que faziam parte de um plano muito, muito maior de Deus, que abrangia povos e nações desconhecidas por eles; um plano que ultrapassava qualquer deleite pessoal efêmero ou riqueza humana desse mundo.

O engano do que vou chamar de "teologia da promessa" está no modo como reduz o grande plano de Deus ao tamanho das necessidades pessoais e imediatas dos ouvintes, prometendo resoluções e intervenções divinas as mais diversas a partir de passagens bíblicas que se tornaram chavões de auto-ajuda gospel. Por esse ângulo, as famosas "caixinhas de promessas" foram precursoras desse movimento. Inegavelmente é maravilhoso poder ler sempre um texto bíblico que nos é favorável, abençoado, quase um "paracetamol cristão" para alívio diário das nossas dores de cabeça. Mas será que alguém já experimentou ler o contexto em que essas mesmas promessas se encontram na Bíblia e sondar a mensagem exata de Deus?

Paracetamol só traz alívio, não cura. E ainda pode ser um remédio inapropriado, se usado indevidamente. Daí outra confusão: Promessa embalada como profecia. E complica mais quando o homem ou a mulher falam em nome de Deus, e declaram que certas coisas irão ocorrer na vida da pessoa e que Deus é Fiel para cumprir, pois foi Ele quem prometeu, etc etc etc. Tantos "profetas" que falam, determinam, declaram de si mesmos, e não tem a verdade de Deus. Profecias encomendadas para agradar a plateia, como nos tempos do rei Acabe (1 Reis 22.1-25).

As promessas são importantes. Nutrem a nossa esperança, a nossa fé. Mas não podem ser tratadas assim. Pois hoje inúmeros crentes estão frustrados com Deus, com a igreja. Receberam promessas, acreditaram nelas como remédios definitivos de suas dores (e resolução de seus problemas financeiros), mas no fim só acharam desilusão. Estas pessoas não foram apresentadas ou não conheceram o único que pode curar e transformar: JESUS. Por desconhecerem as Escrituras, erraram ou foram induzidas ao erro.

Sem a pretensão de criar um conceito, creio que toda promessa está ligada a um contexto, a um plano de Deus, que pode ser maior do que o meu e o seu tempo de vida nesta terra. Por isso podemos perfeitamente morrer sem vermos o fim de tudo. Isso fica bem claro, por exemplo, em um dos textos mais chavões usado pela "teologia da promessa" e que é convenientemente retirado de seu contexto e aplicação:

"...aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará..." (Filipenses 1.6).

Antes destas palavras, o apóstolo Paulo afirma sua gratidão a Deus pela vida dos filipenses e sua "cooperação no Evangelho" (1.5). Hoje em dia, qualquer pessoa recebe a promessa constante nesse texto sem que nela se verifiquem os valores do Reino. Pessoas que não cooperam em nada com o Evangelho e possivelmente nem são convertidas. Outro problema, ainda no verso 6: a obra que Deus havia começado naqueles crentes seria aperfeiçoada "até o dia de Jesus Cristo" (1.6b). Ou seja: uma referência direta à segunda vinda. Uma promessa que se completa no futuro, não no presente. Convenientemente esta última parte do texto fica de fora dos púlpitos, pois os ouvintes urgem por bênçãos imediatas e milagres urgentes.

A epístola aos Filipenses enfatiza uma vida em que o amor e a excelência aumentem mais e mais até o dia de Cristo (1.9-10); em que o "viver é Cristo, e o morrer é ganho" (1.21). Fala do esvaziamento do Filho por amor e obediência ao Pai (2.5-8) em contraste com uma igreja egoísta: "todos buscam o que é seu e não o que é de Cristo Jesus" (2.21). Exalta Epafrodito enquanto servo, colaborador, quase morto por causa do Evangelho (2.25-30). O apóstolo Paulo coloca suas conquistas e tudo mais como perda (3.7), pois tem um alvo (3.14) e uma pátria (3.20). Por isso, exorta os crentes a não ficarem ansiosos (4.6), a pensarem no que tem virtude e louvor (4.8). Paulo sabia passar necessidade e abundância (4.12), pois tinha uma certeza (e aqui aparece outro chavão): "Posso todas as coisas naquele que me fortalece" (4.13).

Portanto, a tal "boa obra" que Deus começou na verdade aponta para todos esses aspectos e fatos da igreja em Filipos e do apostolado de Paulo, e para a consumação de todas as coisas em Jesus. É uma promessa rica em ensinamentos e significados se considerada a abnegação do servo de Deus, que tem Cristo por alvo e o Evangelho como valor maior da vida.

Abel, Enoque, Noé, Abraão e Sara passaram. Você e eu vamos passar. Algumas coisas veremos, outras não. Mas tudo o que Deus prometeu irá se cumprir. Resta-nos crer, esperar Nele e viver segundo os Seus propósitos e vontade.

"Retenhamos firmes a confissão da nossa esperança, porque fiel é o que prometeu" (Hebreus 10.23).

sábado, 20 de novembro de 2010

Apaixonado por livros

Luciano Motta

É impossível falar de livros sem remeter à infância e à trajetória de nossas vidas. Claro que muita gente só toma gosto pela leitura tardiamente, porém a maioria dos apaixonados por livros sempre tem uma história de seus tempos de criança, que marca o começo da fantástica viagem pelo universo das narrativas e do conhecimento.

Quando eu estava na quinta série (atualmente sexto ano), meu professor de português apresentou um desafio aos alunos: cada um deveria escrever seu próprio livro, sua própria história. Poderia ser da forma que quiséssemos, desde que fosse algo original.

Durante cerca de dois meses nos dedicamos ao desenvolvendo das obras. Eu optei por um livro que tivesse desenhos além do texto em si, as artes também de minha autoria. Elaborei um livro ilustrado, uma história policial no estilo Sherlock Holmes. O resultado desse trabalho foi excelente. O professor ficou tão encantado com a produção que me pediu para mostrá-la a alguns docentes amigos dele - e daí nunca mais vi aquele meu primeiro livrinho.

Esta experiência com a escrita me marcou profundamente. Tornei-me um apaixonado por livros. As histórias infanto-juvenis de mistério eram as minhas favoritas. Li meu primeiro romance por volta dos 10 anos, uma estupenda ficção científica chamada Yargo, de Jacqueline Susann.

Sou filho de pastor e nascido em um lar cristão, me converti e fui batizado bem jovem, mas só com 17 anos tive uma experiência forte com Jesus. Passei então a intensificar minhas leituras de livros com temática devocional e desenvolvimento espiritual. Dois títulos me foram muito importantes nessa época: Decepcionado com Deus e Maravilhosa Graça, de Philip Yancey. Em ambos aprendi a respeito da graça e do amor do Pai.

Depois da minha conversão, a Bíblia deixou de ser para mim um livro que apenas retrata a história do povo de Israel. Tornou-se a minha referência de vida, como de fato diz o Salmo 119.105: "Lâmpada para os meus pés é Tua Palavra, e luz para o meu caminho". Conhecer Deus é a maior aventura que um homem pode ter. E minhas maiores descobertas se deram através da Bíblia. Continua assim até hoje.

A paixão por livros e pela escrita me levou à universidade. Conclui o curso de letras em 2009. Fui apresentado a outros autores, pensadores, filósofos da cultura e da arte. Entendi como é importante conhecermos as diversas linhas ideológicas para enxergarmos nossa posição em um mundo de constantes transformações. A literatura, com suas histórias, narrativas, metáforas, imagens, consegue compreender todas as ciências e formulações do homem. A Bíblia, por sua vez, vai além: apresenta Deus como Senhor da história e como Ele estabelece Sua vontade sobre todas as coisas, inclusive a redenção do homem.

Todo cristão dedicado a leitura é, portanto, alguém melhor preparado para responder às questões humanas, por aliar um amplo conhecimento de mundo e a revelação de Deus. Como esse tempo tão seduzido pelo entretenimento, pelas facilidades, pelo descartável, carece de pessoas com bases sólidas - apaixonadas pelo Senhor em primeiro lugar e apaixonadas por livros!

Promoção Blogosfera Apaixonada

A Livraria Casa da Bíblia Online iniciou no dia 8 de novembro de 2010 uma grande promoção aberta a toda blogosfera que é apaixonada por livros e sabe da importância deles em nossa vida cristã.

A promoção vai até o dia 30 de novembro de 2010 e vai premiar os três melhores posts sobre o tema: “A importância da leitura para a vida cristã”. O primeiro colocado vai ganhar um vale-compra em Bíblias e livros no valor de R$ 300,00, o segundo no valor de R$ 150,00 e o terceiro no valor de R$ 100,00.

Além de premiar os melhores posts sobre o tema, a Livraria Casa da Bíblia Online estará realizando sorteios de livros durante todo o período da promoção aos inscritos, promoções no twitter, descontos de até 80% em produtos e sorteios de brindes aos consumidores.

Todas as informações da campanha estão no site www.maiscb.com.br. Acesse e faça já sua inscrição se você é um apaixonado por livro.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Notas

Luciano Motta

Minha filha Luana começou a tocar teclado. Chegou para mim na terça e disse que queria aprender. Tomou lugar diante do instrumento e executou as primeiras notas (e até acordes!) depois de duas aulas.

Um fato me marcou logo de saída: Luana foi às lágrimas depois de insistir em um exercício e não conseguir executá-lo. Ela queria porque queria fazer o exercício com perfeição. Seus dedinhos não atacavam as teclas direito pela miudeza de seus seis anos. Chorou porque teve de parar e ir dormir.

Quase que imediatamente, perguntei a mim mesmo: Quando foi a última vez que chorei por não conseguir executar o que meu Pai me ensinou?

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Famintos por repugnâncias

Luciano Motta

Em Lucas 15.11-32 lemos a famosa parábola do filho pródigo. Sem me deter na narrativa em si, quero destacar aquele instante em que o filho deseja se alimentar da mesma comida que os porcos comiam (v.16). Aquele jovem quis as alfarrobas destinadas aos porcos! Ele estava tão faminto e desesperado que, por um momento, o repugnante se tornou apreciável.

Um parêntesis: Para quem não sabe, a alfarroba é um tipo de vagem comestível, semelhante ao feijão, de cor marrom escuro e sabor adocicado, utilizada pela indústria de alimentos na produção de gomas e espessantes. É um alimento saudável e de elevado valor nutritivo. Podemos dizer, então, que o alimento daqueles porcos não era propriamente uma lavagem, mas uma ração. Ainda assim: desprezível comida de porcos.

A essa altura da história os religiosos da época já estavam, no mínimo, desconfortáveis com o que ouviam. Sabemos muito bem que o porco é um animal considerado impuro pela lei judaica. Portanto, além de desonrar o pai e de se perverter com meretrizes, gastando sua herança, aquele jovem ainda teve de conviver com animais tão repulsivos aos olhos daquela sociedade, ao ponto de cobiçar suas alfarrobas.

Mas o que leva alguém a querer se alimentar de algo repugnante?

Sem dúvida, a fome e o desespero podem levar uma pessoa a atitudes extremas. Já estive no lixão aqui da minha cidade e presenciei coisas terríveis. Mas chegar a esse estágio de miséria - e permanecer nele - é um processo de esvaziamento de valores. Enredado por problemáticas de ordem moral, social, econômica, familiar e psicológica, o humano vai desaparecendo, abrindo espaço para um outro ser.

Entretanto, creio que tudo começa quando o homem decide se afastar de Deus.

Ao contrário de muitos, o jovem pródigo tinha tudo à sua disposição (v.31), mas mesmo assim decidiu ir embora. Partiu da casa do pai para viver conforme seus próprios desejos, sem os valores que antes o guiavam, sem a segurança do lar e o amor do seu pai. Pouco a pouco perdeu seus pertences, sua dignidade, até encontrar-se no meio de porcos, ao ponto de querer o que eles comiam. Observe como houve um esvaziamento gradativo, imperceptível nos primeiros dias e de constatação desesperadora nos últimos. Assim trabalha a iniquidade no coração das pessoas: um pecado leva a outro, um abismo chama outro, até alcançarem um estado lamentável de perdição e desvio do propósito de Deus.

"...pela lei vem o conhecimento do pecado" (Romanos 3.20).

"...mas eu não conheci o pecado senão por intermédio da lei. Pois eu não conheceria a concupiscência se a lei não dissesse: não cobiçarás. Mas o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, operou em mim toda a concupiscência. Pois sem a lei estava morto o pecado" (Romanos 7.7-8).

Qualquer pessoa longe de Deus está desprovida dos valores de Deus. Vive, portanto, como alguém sem lei. Não tem consciência do pecado porque não tem referência. Não consegue mais discernir o bem do mal, o puro do impuro, o apreciável do repugnante. Quando tem fome - e todos somos famintos por algo que nos preencha - olha para comida de porcos sem valorizar a si mesmo como alguém criado à imagem e semelhança de Deus, alguém que tem um lar e um Pai de amor, com tudo do bom e do melhor à sua disposição.

Vamos ser sinceros: esse é também o meu, o seu problema. Queremos realizar nossas próprias vontades e desejos. Quantas vezes decidimos deixar Deus em algum lugar e partimos para desfrutar dos prazeres do mundo! Trocamos os banquetes da casa do Pai pelas alfarrobas do pecado, que podem nutrir, é verdade, mas apenas a carne. Então, com nosso espirito em estado de inanição, gradativamente vamos perdendo os valores de Deus até desejarmos repugnâncias - e não percebemos isso, porque estamos esvaziados de referências espirituais!

Precisamos reconhecer que a nossa fome, o nosso vazio interior, só pode ser preenchido pela presença de Deus, pelo conhecimento e a revelação diária de quem é Deus, pelo alimento sólido que é a Palavra de Deus. Só por meio do Espírito Santo podemos discernir os rumos da nossa vida. Decida estar ao lado Dele. Decida nunca deixar o Pai. Arrependa-se e vá correndo ao encontro Dele, pois Ele está à sua espera.

"Pois se viverdes segundo a carne morrereis; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis, porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus" (Romanos 8.13-14).

"Aquele que é nascido de Deus não vive na prática do pecado, porque a semente de Deus permanece nele; não pode continuar pecando, porque é nascido de Deus" (1 João 3.9).

Você é filho de Deus, nascido de novo? Ou é bastardo, alguém sem lei, distante do Pai? Repare bem no tipo de alimento que você se sente atraído e terá a resposta.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

10 anos depois: reflexões sobre o despertamento dos últimos anos

Do blog de Victor Vieira

Dez anos depois dos fatos, já começa a ser possível ver o que realmente se passou, quem era quem, o que perdemos e ganhamos e onde poderíamos estar se os fatos fossem alterados.

Este argumento será elaborado por alguém em algum dia, não hoje, não aqui.

O que eu creio ser pertinente repensarmos é o como estamos hoje, fruto destes últimos dez anos.

Eu me lembro do dia em que tudo fez sentido para mim, e que no meu coração se instalou uma semente de fé e determinação de que seria esta a minha busca vitalícia. Estávamos ali num culto com um homem meio Brasileiro meio Irlandês, que cantava com um sotaque único palavras que nunca antes poderiam ser pronunciadas num culto. Ele tocava um vilão de notas em chamas, e o culto aos olhos de qualquer um estava uma bagunça. Menos para mim, pois eu não conseguia piscar o olho: minha centelha havia sido tocada como nunca antes; nunca mais eu seria o mesmo.

Você também teve esta experiência. Você também sentiu exatamente a mesma coisa e tirou as mesmas conclusões que eu. Talvez o figurante seja diferente; um gordinho de barba; um nordestino mineiro; uma moça com muita parafernália por trás; outra moça no teclado; um carequinha de óculos. Ou até mesmo os tios mais antigos, como aquele engraçado lá do sul ou o moreno grandão. O figurante menos importa, pois o protagonista, este sim foi o mesmo em todos os nossos momentos e Ele mesmo vem cuidando de nós ao longo dos últimos dez, vinte, mil anos.

Nós tivemos experiências espirituais profundas. Creio que gerações inteiras pediram e não tiveram momentos como nós tivemos. Encontros literais de céus na terra, com tudo o que se tem direito, como curas, milagres, sinais, fortes emoções e fortes posições.



Éramos tão jovens, e como os jovens fazem, pensamos que aquilo seria para sempre. E aqueles forasteiros que estavam na cidade apenas de conferência em conferência infelizmente não nos ensinaram como manter aquela chama viva, nem como dar continuidade e crescer ainda mais em serviço, amor, disciplina e outros. Talvez eles mesmos não soubessem como fazer isso, ou sabiam fazer funcionar apenas lá na sua cidade. Talvez nós queríamos abraçar somente o momento, sem comprometimento com o futuro, afinal de contas, éramos tão jovens.

Aconteceu que os dias foram se passando e com as responsabilidades veio a falta de tempo. Com a mesmice veio junto o questionamento e o esvaziamento. Era tudo um grande mais do mesmo, e já não havia por que ir a tantas conferências e reuniões. As promessas não se cumpriram, nem as nossas expectativas, que até então eram os sonhos de Deus. Depois vimos até mesmo alguns desses nossos heróis se degladiando, por dinheiro ou não. Questionar tudo não foi a melhor, mas era a única saída diante da formação nebulosa de idéias, e tragicamente resultou numa inundação de mundanismo, anestesia permanente contra musicas, choros e apelos. Finalmente ficamos piores que antes, piores que nossos pais, piores que a Igreja que tanto criticamos.

Se você ainda não se situou, eu estou tentando falar sobre o mover de adoração que varreu o Brasil. Estou falando daquela adoração extravagante, daquela geração profética, dos adoradores radicais, e de uma infinidade de rótulos que não garantiram a qualidade do produto.

Estou lembrando de que éramos imaturos, mas pelo menos tínhamos fervor. Estou lamentando de termos que concordar com quem tanto nos criticou, de que realmente aquele fogo todo passou, se foi, já era. Essa vontade de chorar que não passa por ver tantos companheiros de eventos, familiares, amigos da célula, companheiros de caminhada que hoje nem mesmo com o Senhor estão mais.

Concluir isso hoje é assimilar que paixão sem finalidade dá em tristes resultados.



Se sobrevivermos à paixão sem finalidade, acabaremos com o coração bem duro. Se passarmos pela paixão sem a finalidade, sairemos do outro lado meio descrentes e em até alguns casos nada crentes: aqueles que nem sobreviveram você sabe, se perderam mesmo, apesar de sempre citarem maturidade e o outro lado da moeda como companheiras que descobriram ao deixar um pouco de lado tanto fanatismo. Graças a Deus se você passou pela paixão sem finalidade e não se encaixou num destes quadros. O seu segredo eu já quero revelar.

O mover foi tão poderoso! Existem os afetados, sim. Poderoso ele foi em si mesmo, por vir de Deus e por ter possibilidades imensuráveis, afinal nunca saberemos o que poderíamos ter nos tornado, ter feito, ter alcançado para Deus. Aqui entra em cena a finalidade, que no caso, nunca entrou em cena. O Avivamento teve um fim em si mesmo, o que o lhe conduziu a um final, que não necessariamente deveria ter acontecido.

Poderíamos ainda hoje estar presenciando e vivendo aqueles dias, se a unção daqueles dias houvesse sido conservada dentro de um odre, odre que serve a uma finalidade. A finalidade sempre será mais importante que o meio. O problema é que não dá pra se ver o fim estando no meio, a não ser que alguém experiente se levante para definir ou apontar o fim. Cristo é o Fim assim como Ele é o Principio. O meio precisava ter nos direcionado para uma prática que revelasse a Cristo, em vez de continuar sendo vez após vez a repetição de si mesmo.

A falta do Propósito nos deixou no mato sem cachorro, porém alguns conseguiram se manter, graças a experientes coadjuvantes que estavam dispostos a adotar, embora infelizmente só fosse viável adotar um a cada mil órfãos. Se você passou bem por este turbilhão, agradeça a alguém que te acolheu. Nossos Pais, nossos Pastores, nossos Cônjuges, nossos Discipuladores. Pode ligar agora e agradecer, por que foi muito precioso ter tido este cuidado. Foi um privilegio para poucos.

Dentro de um ambiente seguro e repleto de amor, foi comunicado ao coração dos acolhidos a Paternidade de Deus e Sua finalidade para a unção derramada. Foi desvendado o segredo oculto aos profetas, e os pequeninos foram equipados para executar o até então oculto Propósito.

E o Propósito sempre foi, e sempre será: ser e gerar para Deus muitos filhos, e que sejam todos semelhantes a Jesus, e que estes filhos vivam em família, dando muita Glória ao Pai.

Mas como será possível executar o Propósito se a Paixão se perdeu? Até agora, a gente não sabia que uma coisa dependia da outra, e uma não funciona sem a outra.

A constatação de dez anos depois é que sobrevivemos e hoje sabemos do Propósito, mas onde foi que neste caminho nós começamos a caminhar sem a Paixão?

Qual é o elo que vai unir uma coisa a outra?

Esta é a nossa pergunta, e sabemos que a resposta será capaz de resolver os últimos dez anos e levar-nos em direção não somente dos próximos dez anos, mas até o dia em que Ele venha.

{ P.S: Passado mais de um ano desde que li e postei este artigo, acredito piamente que o odre para este tempo é a família. Talvez tudo tenha se perdido naqueles dias porque os odres eram velhos, e não resistiram ao vinho novo que estava sendo derramado. Precisamos avançar na direção de que cada igreja se torne uma família, e cada família se torne uma igreja. Precisamos desenvolver relacionamentos fortes, alianças, comunhão genuína, sem abusos ou hipocrisias. Precisamos andar na luz, segundo 1 João 1.7 e Mateus 18. Isso protegerá a igreja e manterá a paixão acesa entre nós, pois estaremos unidos em uma mesma causa, tal qual os crentes em Atos 1.14 à espera do Espírito Santo. Dez anos depois, precisamos construir, edificar sob a direção do mesmo Espírito, para que nada se perca nos anos vindouros, pois o que Ele está para realizar nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano. }

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Meu aniversário

Luciano MottaOlá queridos! Hoje é dia do meu aniversário. Quero deixar registrada aqui a minha gratidão a Deus por mais um ano de vida. Também agradeço à minha amada esposa Ana Cristina e meus filhos lindos Luana e Samuel. A minha família é um presente de Deus para mim. Obrigado aos irmãos na fé e aos amigos que o Pai tem me proporcionado ao longo de todos esses anos. Obrigado a você, leitor, que me acompanha aqui no Betesda.Blog. Agradeço o carinho, a amizade, as orações, e tudo mais que Deus usa para abençoar, edificar e guiar a minha vida até aqui.

03 de novembro de 2010.

sábado, 23 de outubro de 2010

As estratégias do homem x A vontade de Deus

Luciano Motta

{ Continuo a falar sobre a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. Este texto por sua vez sofreu grande influência de um seminário ministrado pelo irmão Anderson Bomfim, que esteve em nossa comunidade em São Gonçalo nos últimos dias 09 e 10 de outubro de 2010. Certamente outras palavras minhas em posts futuros serão permeadas daquele seminário, que foi excelente. }

EstratégiaÉ bastante conhecida a passagem em que 12 espias, príncipes de cada tribo de Israel, foram enviados à terra prometida para sondarem suas riquezas e perigos. O relatório que eles trouxeram confirmava tudo a respeito do que Deus havia dito por meio de Moisés. Porém, haviam gigantes e cidades fortificadas que eles deveriam combater e expulsar para que pudessem tomar posse definitiva da terra.

Uma grande confusão de instaurou no meio do povo, porque a maior parte de seus príncipes decretara como certa a derrota diante daqueles inimigos. Apenas dois, Calebe e Josué, confiaram na palavra de Deus por intermédio de Moisés. Pois o Senhor se enfureceu com tudo aquilo e determinou um duro castigo: cada dia daquela expedição representaria um ano a mais no deserto. E por 40 anos toda a geração que saiu do Egito morreu na sequidão. Somente seus filhos puderam entrar na terra prometida.

Um detalhe muito importante nessa história é esquecido: a estratégia de enviar espias não foi propriamente de Deus, mas do povo, com a aprovação de Moisés:

"Vejam, o Senhor, o seu Deus, põe diante de vocês esta terra. Entrem na terra e tomem posse dela, conforme o Senhor, o Deus dos seus antepassados, lhes disse. Não tenham medo nem se desanimem. Vocês todos vieram dizer-me: Mandemos alguns homens à nossa frente em missão de reconhecimento da região, para que nos indiquem por qual caminho subiremos e a quais cidades iremos. A sugestão pareceu-me boa; por isso escolhi doze de vocês, um homem de cada tribo" (Deuteronômio 1.21-23 NVI).

Há uma aparente divergência entre esse texto e Números 13. Não quero me ater ao debate, nem propor aqui um aprofundado estudo a respeito. Tomemos como síntese o comentário de Barnes:
O plano de enviar os espiões se originou com o povo, e como pareceu razoável, foi aprovado por Moisés, foi submetido a Deus, sancionado por Ele, e realizado sob orientação divina especial. O objetivo do orador neste capítulo [de Deuteronômio] é trazer ao povo enfaticamente suas responsabilidades e comportamento. Por isso, é importante lembrá-los que o envio dos espiões, que os levou imediatamente às suas queixas e rebeldia, era de sua própria sugestão.

Deus ordenou "Entrem na terra e tomem posse dela". O que os homens fizeram? "Estratégias". E Deus permitiu, por um tempo, que fizessem conforme desejaram. Perceba no texto o desvio: os caminhos a percorrer e as cidades a invadir seriam determinadas pelo reconhecimento dos representantes do povo, e não mais do direcionamento de Deus.

Assim é com grande parte da igreja hoje: envolvida até o pescoço em estratégias, programas, agendas, atividades... O povo não pode parar, os líderes precisam dar conta, os pastores devem promover campanhas e resoluções "em nome do Senhor" para que a igreja avance, cresça, multiplique, conquiste! Os ministérios bons são aqueles que sempre apresentam novidades: CDs, DVDs, sites, livros, camisetas, produtos que evidenciem "como aquela igreja é boa", mesmo que paguem o preço de servirem sem a aprovação de Deus (Ele permite que seja assim - por um tempo, diga-se) e corram o risco de morrerem no deserto (figura de um tempo de sequidão, de dores, de andar em círculos, de se estar perdido).

É cada vez maior o número de crentes extenuados com a igreja, de famílias de crentes desgovernadas e quebradas, de líderes cansados e esgotados, de pastores frustrados porque poucos o acompanham em seus planos. E ainda ocorrem abusos, como usar da autoridade pastoral ou do cargo de liderança para impor sobre as ovelhas e os liderados uma série de normas e procedimentos, que atendem à instituição e às determinações "de cima" mas que estão distantes da boa, agradável e perfeita vontade de Deus para a igreja e para os crentes individualmente.

Diz a Bíblia sobre Calebe: "o meu servo Calebe tem outro espírito e me segue com integridade" (Números 14.24 NVI). "Ele verá [a terra], e eu darei a ele e a seus descendentes a terra em que pisou, pois seguiu o Senhor de todo o coração" (Deuteronômio 1.36 NVI).

Estas palavras concordam plenamente com o que Jesus disse: "Quem me serve precisa seguir-me; e, onde estou, o meu servo também estará. Aquele que me serve, meu Pai o honrará" (João 12.26 NVI).

A "cultura evangélica" parece inverter as coisas: querem que o Mestre os siga e abençoe suas estratégias para conquistarem as cidades, as nações e o mundo; querem a honra do Pai pelos seus serviços, porém são esforços inúteis, com motivações erradas e ideais estranhos ao querer de Deus, ou pelo menos diferentes do que Ele, de fato, designou.

"Pois é Deus quem efetua em vocês tanto o querer quanto o realizar, de acordo com a boa vontade dele" (Filipenses 2.13 NVI).

O Senhor promove em nós uma disposição nova para servirmos no Reino em Sua força e em Sua estratégia. Quem quer é Ele. Quem realiza é Ele. Desta forma não há peso, não há frustração. Desta forma o Reino avança com integridade e eficácia. A igreja, portanto, experimenta a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.

Repense as estratégias que você tem empreendido em sua vida e ministério. Tem produzido vida, alegria e justiça ou estão gerando morte, peso e condenação? Considere a possibilidade de estar fora da posição que o Mestre quer. Considere que tanto esforço e trabalho podem ser em vão, por não significarem exatamente o que Ele deseja. Pense seriamente nisso.

Que Deus nos leve a viver conforme Filipenses 2.13.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Vivendo a boa, agradável e perfeita vontade de Deus

Luciano Motta

{ Este texto é mais um testemunho pessoal do que propriamente um artigo. Mantive algumas digressões. A escrita tem muito do meu coração. Estou muito feliz e agradecido a Deus por tudo o que Ele tem feito. A Ele seja a glória e o louvor! As passagens bíblicas que cito vieram à minha mente à medida que ia teclando e são coerentes ao meu ver com o cerne desse tema. Que você seja edificado e se alegre comigo! }

Vontade de DeusOs últimos dois meses tem sido muito tremendos para mim e para minha família. Temos experimentado avanços em áreas que estavam um tanto emperradas. Uma coisa já aprendemos e testificamos: quando nos posicionamos no centro da vontade de Deus, tudo em nossa vida se torna bom, perfeito e agradável - mesmo as circunstâncias mais difíceis (até minha esposa escreveu a respeito disso, e a gente não combinou nada!)

Temos aprendido que é realmente possível permanecer em paz e descanso mesmo naqueles momentos de "tempestade". Isso era algo distante para mim. Hoje não. Ainda não durmo profundamente no barco, como Jesus, mas já não me encontro agitado e perturbado como antes.

Aliás, há algo que perturba e desvia da vontade de Deus: a amargura.

"Esforcem-se para viver em paz com todos e para serem santos; sem santidade ninguém verá o Senhor. Cuidem que ninguém se exclua da graça de Deus. Que nenhuma raiz de amargura brote e cause perturbação, contaminando a muitos" (Hebreus 12.14-15 NVI).

Veja como o autor da epístola aos Hebreus posiciona "paz com todos e santidade" em oposição a "amargura e perturbação". A falta de perdão e a falta de amor para com o outro excluem da graça de Deus. A amargura perturba quando enraizada na alma e ainda contamina outros corações. Quando alguém está amargo, o comportamento das pessoas ao redor muda. O abraço torna-se mecanizado; o carinho, formal; os cumprimentos, burocráticos. Essas coisas privam, excluem da graça de Deus e desviam da Sua vontade. A Palavra nos exorta a escolhermos o caminho da conciliação, da paz, mesmo que às vezes recebamos desprezo e indiferença.

Outro fator importante que nos afasta ou nos aproxima de Deus: O que estamos buscando?

As igrejas evangélicas no Brasil, principalmente as chamadas neopentecostais, tem sido bastante enfáticas em relação a bênção, a vitória, a prosperidade (esta quase sempre associada ao aspecto financeiro). As músicas, o teor das pregações, o enfoque dos cultos congregacionais e o modo como os crentes percebem ao Evangelho, tudo tem se voltado para "a bênção" - um ícone evangélico atualmente mais recorrido que a cruz.

Mas a vontade de Deus é que busquemos o Abençoador, ou seja, Ele mesmo. Certamente isso evitaria muitos problemas na igreja e nos relacionamentos entre os crentes. Porque "a bênção" tal qual é definida e perseguida hoje tornou-se um ídolo, algo muito mais ligado ao espírito deste mundo, de estar por cima dos outros, de obter riquezas financeiras, de ter uma imagem positiva para a sociedade ainda que por dentro a vida esteja arrebentada.

"De onde vêm as guerras e contendas que há entre vocês? Não vêm das paixões que guerreiam dentro de vocês? Vocês cobiçam coisas, e não as têm; matam e invejam, mas não conseguem obter o que desejam. Vocês vivem a lutar e a fazer guerras. Não têm, porque não pedem. Quando pedem, não recebem, pois pedem por motivos errados, para gastar em seus prazeres. Adúlteros, vocês não sabem que a amizade com o mundo é inimizade com Deus? Quem quer ser amigo do mundo faz-se inimigo de Deus. Ou vocês acham que é sem razão que a Escritura diz que o Espírito que ele fez habitar em nós tem fortes ciúmes? Mas ele nos concede graça maior. Por isso diz a Escritura: 'Deus se opõe aos orgulhosos, mas concede graça aos humildes'. Portanto, submetam-se a Deus. Resistam ao diabo, e ele fugirá de vocês. Aproximem-se de Deus, e ele se aproximará de vocês! Pecadores, limpem as mãos, e vocês, que têm a mente dividida, purifiquem o coração. Entristeçam-se, lamentem e chorem. Troquem o riso por lamento e a alegria por tristeza. Humilhem-se diante do Senhor, e ele os exaltará. Irmãos, não falem mal uns dos outros. Quem fala contra o seu irmão ou julga o seu irmão, fala contra a Lei e a julga. Quando você julga a Lei, não a está cumprindo, mas está se colocando como juiz. Há apenas um Legislador e Juiz, aquele que pode salvar e destruir. Mas quem é você para julgar o seu próximo?" (Tiago 4.1-12 NVI)

Precisamos reconhecer que há algo errado nesse evangelho tão comumente encontrado nas igrejas: guerras, contendas, cobiças, invejas, amizade com o mundo, julgamento do irmão, falar mal do outro... Tudo porque o foco está errado.

O que se busca? Quais são as motivações? Temos uma igreja que aproxima as pessoas de Deus, de uma espiritualidade sadia, ou que produz crentes adequados a doutrinas, usos e costumes de uma instituição, de uma denominação, de uma visão?

Infelizmente, quando alguém não consegue mais viver nos moldes estabelecidos, é lançado fora. Às vezes é tratado pior do que um inimigo de Deus. Os "amigos" da igreja são na verdade "amigos dos eventos" da igreja. Saem os eventos, acaba-se a amizade. E aí se instauram as guerras, as contendas... Retoma-se o ciclo de amargura e perturbação, que exclui da graça de Deus.

Quando vivemos pela paz e não em contendas, deixamos de falar mal dos outros. Quando nos submetemos ao Senhor, resistimos ao diabo e dominamos nossas paixões carnais na força do Espírito Santo. Quando nos humilhamos e buscamos o Pai, Ele nos exalta. Por esses posicionamentos alcançamos o tão desejado descanso. A vida adquire um novo sabor. As conversas são outras. As crises tornam-se oportunidades e não tormentos.

É um aprendizado constante, não posso negar. É um longo e continuado processo de amadurecimento. Às vezes é preciso parar tudo e recomeçar a caminhada.

O poema que escrevi abaixo é uma síntese desse meu momento de vida. Citando o que falei sobre Recomeços:
"A questão não é recomeçar, é O QUE começar de novo".

Pois eu e minha casa decidimos recomeçar do ponto mais seguro: a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.

Alvo

Prossigo para o alvo
não em busca de vitórias
mas de recordes.
Já sou mais do que vencedor.
Minha vocação
É marcar esta geração.

Prossigo para o alvo
não em busca de bênçãos
mas do Abençoador.
Tenho recebido tudo o que preciso [e muito mais]
enquanto experimento
Sua boa, agradável e perfeita vontade.


Leia também: Obedecendo aos impulsos

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Novo Blog

Em 2010 minha vida está começando de novo em muitas áreas.

Sinto-me impulsionado por Deus a começar de novo também na internet.

Daqui até o final do ano farei a transição do Betesda.Blog para esse novo endereço.

Parte do conteúdo recente do blog anterior ficará lá e aqui, mas as atualizações e os novos textos aparecerão apenas aqui em 2011.

Toda mudança implica em trabalho. É o que espero nos próximos meses: colaborar com o Espírito Santo e a obra que Ele vem realizando em minha vida. E creio que você, leitor, será de alguma forma impactado também nesse processo.

Na certeza de que Ele é poderoso para fazer mais do que pedimos ou pensamos,

Luciano Motta