quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

As duas profecias de Jonas

Por Asher Intrater | Boletim Revive Israel 27/12/2016

Jonas entregou duas grandes profecias. A primeira está registrada em 2 Reis 14.25 – da expansão das fronteiras de Israel. Foi uma mensagem de vitória e poder. Ele parecia muito motivado para esse tipo de profecia.

A segunda foi registrada no Livro de Jonas para trazer arrependimento e avivamento para a nação da Assíria – uma nação gentia, geralmente vista como inimiga de Israel. Jonas não queria levar essa mensagem de jeito nenhum. Era contraintuitiva e contrária à sua motivação e orientação. Ele disse “Não” ao Senhor.

Ele teve que superar sua própria resistência à mensagem. Quando fez isso (com a ajuda de um grande peixe), a mensagem trouxe avivamento à toda aquela nação. A mensagem sobre arrependimento foi baseada no seu testemunho pessoal de uma experiência miraculosa de “morte e ressurreição”. Aquela foi uma espécie de mensagem pré-evangelho. Ele cumpriu uma imagem de Yeshua (Mateus 12.40).

Uma nação inteira passou a crer em Deus. Esse foi um estágio inicial da futura Igreja gentia internacional. Foi um antecessor da pregação de Paulo aos gentios e do estabelecimento de igrejas ao redor do mundo.

Além disso, a reforma moral na nação da Assíria mudou toda a sociedade. Eles se tornaram a nação mais poderosa da terra e dominaram a história do Oriente Médio durante todo o oitavo século a.C. Eles se tornaram uma grande potência em forma de “reino” na terra.

Arrependimento, avivamento, testemunho da futura morte e ressurreição de Yeshua, a igreja gentia, autoridade do reino, mudança na história... tudo isso como resultado de uma mensagem! As duas mensagens proféticas de Jonas eram paralelas, mas a mensagem assíria teve mais efeito que a israelense. A mensagem que exigiu morte ao orgulho e ao ego produziu mais que uma de vitória e poder.

As pessoas costumam ficar mais motivadas com o tipo de mensagem que se encaixa em nossa ideia de vitória, mas com frequência é a mensagem que exige a negação de si mesmo e da ambição própria que gera mais resultados para o reino de Deus. Até mesmo Yeshua teve que orar: “Não seja feita a minha vontade, mas a sua…” no Getsêmani antes da crucificação. No fim, essa obediência de autonegação produziu muito mais fruto do que seus avivamentos de cura antes da cruz.

Também podemos ver nesses dois tipos de profecia os dois caminhos paralelos de Israel e da Igreja. Os discípulos de Yeshua queriam “restaurar o reino a Israel” (Atos 1.6) no primeiro século. No entanto, Yeshua os enviou aos gentios “até os confins da terra” (Atos 1.8). Talvez, eles não quisessem “dar” o reino aos gentios, da mesma forma que Jonas não queria.

Graças a Deus, hoje, temos a oportunidade de fazer ambos. Nós estamos cooperando com a restauração dupla de Israel e da Igreja (Romanos 11). Os dois estão chegando à sua plenitude à medida que nos aproximamos da vinda do reino do Messias para a terra.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Discipular a cidade - parte 2

Luciano Motta

Recapitulando a primeira parte desta reflexão, afirmamos que nosso chamado é discipular a cidade. É nosso dever apresentarmos Jesus Cristo às pessoas (com a pregação do Evangelho e com nossas vidas), afinal, somos sal e luz (Mateus 5.13-14). Sendo uma obra coletiva, é fundamental desenvolvermos nas congregações da cidade uma cultura de oração, adoração e intercessão, organizando encontros regulares e consistentes que reúnam a igreja em torno da pessoa de Jesus. Também é muito importante equiparmos os membros das igrejas com ensino e conhecimento de Deus e das Escrituras, dando abertura a ministros, mestres e profetas de outras cidades e de igrejas locais — do contrário, teremos uma visão reduzida do que Deus está revelando hoje. Além disso, é mais que necessário o fortalecimento da comunhão entre os irmãos e da parceria entre as igrejas. A unidade do Corpo revela quem é Cristo.

Concluímos, então, com a aplicação da parábola dos talentos em Mateus 25 e como dois dos servos — aqueles que apressadamente investiram no que receberam e dobraram seus talentos — foram reconhecidos pelo Senhor como administradores bons e fiéis e estabelecidos em uma posição elevadíssima: alcançaram a plena satisfação de Cristo e Seu Reino. Agora estudaremos brevemente sobre o servo que recebera apenas um talento e que não teve o mesmo fim dos outros:

Por fim, chegando o que havia recebido um talento, disse: Senhor, eu sabia que és um homem severo, que colhes onde não semeaste e recolhes onde não plantaste; então, fiquei com medo e fui esconder na terra o teu talento; aqui tens o que é teu. Mas o seu senhor lhe respondeu: Servo mau e preguiçoso, sabias que colho onde não semeei e recolho onde não plantei? Devias então entregar meu dinheiro aos banqueiros e, ao voltar, eu o teria recebido com juros. Tirai dele o talento e entregai-o ao que tem dez talentos. Pois a todo o que tem, mais lhe será dado, e terá com fartura; mas ao que não tem, até aquilo que tem lhe será tirado. Lançai o servo inútil nas trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes (Mateus 25.24-30).

Em vez de investir e multiplicar, em vez de seguir o exemplo dos outros dois servos, que foram bem sucedidos, esse "servo inútil" decidiu enterrar o seu talento. Suas atitudes são um severo alerta para a igreja dos últimos dias:

• Foi chamado de mau (desobediente) e preguiçoso (negligente, lento). Isso remete às cinco virgens imprudentes da parábola anterior (Mateus 25.1-13), que gastaram suas reservas e não se movimentaram para comprar azeite enquanto era dia. Ficaram de fora da festa de casamento porque postergaram e não agiram na hora que tinham de agir. Quem não for diligente e deixar para depois o que o Senhor está propondo para esse momento da história, vai perder o que tem e vai ficar de fora das bodas do Cordeiro (Apocalipse 19.7-9).

• O "servo inútil" perdeu a oportunidade de multiplicar seu talento por não recorrer a pessoas mais capacitadas. Podia ter ido aos banqueiros. Podia ter seguido o exemplo dos outros dois servos. Mas não o fez. Quem vive de forma isolada tem o seu crescimento comprometido e desonra o Senhor. Em vez de ficar sozinho, lamentando dificuldades e desacertos, é preciso humildade e submissão àqueles que são mais capacitados e proativos.

• Tinha uma forma de pensar baseada em enganos. Primeiro, valeu-se de um ditado da época para se justificar com o senhor: "eu sabia que és um homem severo, que colhes onde não semeaste e recolhes onde não plantaste". Jesus já tinha se referido a esse mesmo ditado em outro contexto: "um é o que semeia, outro é o que ceifa" (João 4.37). A moral do ditado aponta o dilema daquele que semeia e não vê o fruto do trabalho. Contudo, Jesus trouxe outra conotação a esse dito popular: no Reino dos céus, não importa tanto quem começou nem quem terminou o trabalho; o que importa é o coração dos trabalhadores e, acima de tudo, que o Pai seja glorificado pela ceifa! Jesus declarou que Seus discípulos foram enviados para ceifarem o que não semearam (João 4.38). Em outras palavras: Os discípulos colheriam a partir da Semente que era o próprio Cristo! E nós, hoje, colhemos a partir do que foi semeado antes de nós — e tudo é para a glória de Deus!

O apóstolo Paulo aplicou esse mesmo entendimento sobre o trabalho de semear e regar:

Eu plantei; Apolo regou; mas foi Deus quem deu o crescimento.
De modo que, nem o que planta nem o que rega são alguma coisa,
mas sim Deus, que dá o crescimento. O que planta e o que rega
trabalham com o mesmo propósito, e cada um receberá sua recompensa
segundo seu trabalho. Porque somos cooperadores de Deus,
e dele sois lavoura e edifício (1 Coríntios 3.6-9).

Quem baseia suas ações de acordo com o pensamento da cidade certamente está fadado a cometer graves equívocos! E aqui encontra-se o segundo engano do servo: ele achava que "sabia" do caráter de seu senhor, mas estava absolutamente errado! O senhor não era um "homem severo", mas justo. O servo agiu conforme os pensamentos que o rodeavam e decidiu mal — como no episódio em que os príncipes de Israel se viram como gafanhotos. Por causa do relatório negativo, o povo se recusou a confiar em Deus e não entrou na terra prometida (Números 13). Também a igreja de Laodiceia via-se de maneira enganosa e recebeu dura reprimenda do Senhor: "Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca; pois dizes: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu" (Apocalipse 3.16-17). Arrogância e mediocridade são marcas de quem é "morno". Infelizmente, a cidade está cheia de pessoas e igrejas assim.

Jesus não agia conforme o espírito da cidade, mas conforme o Espírito Santo! Como pensa a cidade? O que fazem as pessoas que moram aqui quando há uma crise? Qual tem sido a prioridade delas? Basta ver como vivem para perceber que desconhecem a verdade. Andam pelo que veem, não pela fé. A igreja não pode ser assim. Não podemos ter uma visão de Deus e do Evangelho que não corresponda ao que dizem as Escrituras. Não podemos viver com base no senso comum. A voz do povo NÃO é a voz de Deus. Devemos ser uma resposta à cidade sobre como lidar com as questões da vida, afinal, somos ministros de Cristo, administradores zelosos dos mistérios de Deus (1 Coríntios 4.1-2).

• Por não conhecer realmente quem era o senhor, o "servo inútil" teve medo. E tomado pelo medo, cercado de enganos sobre o senhor e sobre si mesmo, acabou enterrando o talento. Quem conhece a Deus sabe que "no amor não há medo, pelo contrário, o perfeito amor elimina o medo, pois o medo implica castigo, e quem tem medo não está aperfeiçoado no amor" (1 João 4.18). Sabe que é um filho da luz, amado do Pai. Confia Nele sua vida. Está seguro e em paz. Quem não conhece a Deus vive paralisado, atormentado pelo medo errar e pelo medo das consequências de seus atos. Enterra seu talento; esconde-se debaixo da cama ou sob um cesto; torna-se sal insípido, que não serve para nada, inútil. É aquele caso típico na cidade de "pessoas cheias de potencial" que nunca realizam, ficam apenas no discurso ou na melhor das intenções.

Em resumo:

O Reino de Deus é a reunião de pessoas boas (honradas, obedientes) e fiéis (dignas de confiança), que estão administrando com zelo e parceria os talentos que receberam do Senhor Jesus (bens e recursos, carreira, dons espirituais, pessoas para cuidar, ministério...) até que Ele venha. Há uma grande recompensa para esses: porque foram fiéis no “pouco” (no que é limitado), serão estabelecidas e posicionadas no “muito” (em algo de extraordinária medida) e entrarão na alegria (na satisfação) do Senhor Jesus, ou seja, entrarão no Reino e reinarão com Ele.

Mas ficarão de fora aqueles que forem maus (desobedientes) e preguiçosos (negligentes, lentos para agir), que vivem isolados (individualistas) e pensam conforme o espírito da cidade (engano). Por não conhecerem verdadeiramente quem é o Senhor Jesus, toda perspectiva de futuro é enterrada pelo medo (não saem do lugar, são mornos, são servos inúteis).

Esse ano de 2017 é de muito trabalho. Vamos fazer multiplicar o que temos recebido do Senhor. Imediatamente. Com fidelidade e diligência. Sem procrastinar, sem deixar para depois. Não podemos mais colocar a culpa nas crises do presente, não podemos mais transferir nossa responsabilidade. O tempo é curto. Jesus Cristo está voltando!

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Discipular a cidade - parte 1

Luciano Motta

Nosso chamado é discipular a cidade — tenho pensado nessa sentença desde meados de 2016. É o que tenho falado na igreja onde congrego e pastoreio como uma ação-chave em 2017. Em tempos de profundas crises no Brasil e no mundo, em todos os níveis, a igreja de Cristo deve voltar a ocupar seu lugar de relevância. Sim, somos um ponto de referência na cidade. Somos sal e luz. Não dá mais fugir do que somos em essência. Não é possível esconder uma cidade edificada sobre um monte (Mateus 5.13-14).

Essa é uma obra coletiva. Não é incumbência de uma igreja só, de um grupo de líderes, de super-crentes ou super-pastores. Apenas coletivamente seremos capazes de discipular toda uma cidade. Sendo assim, é fundamental a unidade do Corpo em torno do Cabeça: Cristo. Creio que a oração coletiva é o meio mais eficaz de começarmos a unir igrejas, denominações e comunidades. Promover encontros e mobilizações regulares de oração de forma local, reunindo outros membros e lideranças do Corpo (que não seja um café nem encontro social-político), é uma ação que trará um senso de pertencimento e sensibilidade quanto a vontade de Deus para a igreja na cidade.

A devoção e o conhecimento das Escrituras devem estar acompanhados de uma exposição bíblica mais abrangente, ou seja, a igreja na cidade deve se abrir para ouvir homens e mulheres de Deus de outras localidades e também da própria cidade. Quando uma igreja se fecha na redoma de sua realidade local, em seus usos, costumes, eventos e ênfases particulares, tende a perder o que Deus está fazendo neste tempo e de forma ampla, global. As lideranças devem equipar seus membros na própria igreja e também permitir que saiam para receberem de outros (ou abrirem suas portas para outros ministérios). Assim, os santos serão aperfeiçoados e haverá a justa contribuição de cada parte do Corpo (Efésios 4.11-16). A Grande Comissão (Mateus 28.19-20) será cumprida sem que o peso da obra fique sobre uns poucos.

Ao mesmo tempo, é preciso fortalecer os vínculos. "Comunhão", "vida em comunidade", "uns aos outros" não podem ser somente expressões bonitas de nosso vocabulário cristão. O que sustenta a mais alta árvore e seus ramos compridos, cheios de folhas, flores e frutos, é a qualidade das raízes e da terra onde está plantada. Muitos estão fazendo a obra de Deus de forma extralocal, organizando viagens missionárias e conferências, gravando música e ministrando fora, porém não têm vínculo com suas igrejas locais, não têm relacionamentos profundos com outros irmãos na fé, não prestam contas de suas vidas a ninguém. Esse ano que começa é uma nova e preciosa oportunidade de repensarmos nossos ministérios, nossa forma de ser igreja, nossa própria vida cristã. As raízes da comunhão, dos relacionamentos e da submissão uns aos outros devem ser conferidas e aprofundadas para não quebrarmos e cairmos, pois o que nos está proposto para 2017 é muito grande.

A parábola dos talentos — existem questões implícitas nas parábolas do discurso de Jesus em Mateus 24 e 25 que estão ligadas ao nosso chamado de discipular a cidade: como os servos (os ministérios, a igreja) se comportarão antes da segunda vinda de Cristo? Vigiarão os tempos? Estarão preparados para a noite escura da grande tribulação? Serão achados fiéis com o que receberam do Senhor?

Vamos refletir mais a fundo sobre a parábola dos talentos:

[O Reino do céu] "Também é como um homem que, ausentando-se do país, chamou seus servos e lhes entregou seus bens: a um deu cinco talentos; a outro, dois; e a outro, um, de acordo com a capacidade de cada um; e saiu em viagem" (Mateus 25.14-15).

Jesus situa essa parábola (como as anteriores) no período que antecede Sua segunda vinda, quando estabelecerá definitivamente e em plenitude o Reino do céu na terra. Compara esse tempo a um senhor que entrega "talentos" para seus servos administrarem durante sua ausência.

O valor de um talento correspondia naquela época a 6 mil denários. Cada denário valia o salário de um dia de um trabalhador comum. Considerando que hoje um dia de salário custe 150,00 reais, então um talento valeria "apenas" 900 mil reais! Por essa contabilidade, aquele senhor entregou cinco talentos a um servo (cerca de 4 milhões e meio de reais), dois talentos a outro (um milhão e 800 mil reais) e um talento a um terceiro.

Podemos concluir o seguinte: o que Jesus tem confiado a nós não é pouca coisa! Nesses dias de caos e desordem, estão sob nossos cuidados talentos muito preciosos: bens, recursos, carreira, dons espirituais, pessoas para cuidar, ministérios... Alguns receberam mais do que outros, porque o Senhor dividiu conforme a capacidade de cada um. Ele sabe exatamente o que cada um pode administrar.

"O que havia recebido cinco talentos foi negociá-los imediatamente e ganhou mais cinco; da mesma forma, o que havia recebido dois ganhou mais dois; mas o que havia recebido um foi, cavou um buraco na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor" (v.16-18).

Vale destacar a ação dos dois primeiros servos: foram negociar imediatamente o que receberam, isto é, empenharam-se prontamente para expandirem o mais rápido possível aqueles talentos. Os sinais apontam que o tempo é curto — Jesus está voltando! O que temos feito com o que recebemos Dele? Temos sido diligentes ou estamos procrastinando?

Outro ponto importante é a expressão “da mesma forma”, que sugere algum nível de cooperação e submissão entre os dois servos. Se os talentos foram divididos de acordo com a capacidade de cada um, então muito provavelmente o que recebera dois talentos seguiu (ou pelo menos observou, imitou) o procedimento do que recebera cinco talentos. Talvez uma parceria tenha sido construída nesse tempo de trabalho e multiplicação.

Mas o que recebera um talento (repito: não era pouca coisa!) agiu de forma diferente, enterrando a sua parte. Parece que ele se isolou dos outros. Por que não buscou uma parceria? Será que ele tinha dificuldades de se submeter a alguém mais capacitado? 

"Depois de muito tempo, o senhor daqueles servos voltou para acertar contas com eles. Então, chegando o que havia recebido cinco talentos, apresentou-lhe mais cinco talentos e disse: Senhor, entregaste-me cinco talentos; aqui estão mais cinco que ganhei. E o seu senhor lhe disse: Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel sobre pouco; sobre muito te colocarei; participa da alegria do teu senhor! Chegando também o que havia recebido dois talentos, disse: Senhor, entregaste-me dois talentos; aqui estão mais dois que ganhei. E o seu senhor lhe disse: Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel sobre pouco; sobre muito te colocarei; participa da alegria do teu senhor" (v.19-23).

Os dois primeiros servos foram aprovados quando o senhor voltou. Cuidaram muito bem do que receberam. O senhor declarou a respeito deles: vocês são "bons" (honrados, obedientes) e "fiéis" (dignos de confiança). Sobre isso, existe uma palavra muito significativa do apóstolo Paulo em 1 Coríntios 4.1-2, que vou parafrasear aqui:

Importa que qualquer pessoa leve em conta que somos verdadeiramente
servos e ministros de Cristo, encarregados e bons despenseiros,
administradores zelosos, dos mistérios, da vontade, das revelações e das visões de
Deus. Além disso, o que se requer de pessoas assim encarregadas é que sejam
encontradas fiéis, verdadeiras, dignas de confiança!

Uma igreja com essas características será eficaz na missão de discipular a cidade. É nosso dever nos movimentarmos com base no que temos recebido de Deus. Podemos incluir aqui o dever de levarmos adiante o legado de fé e as palavras dos irmãos que vieram antes de nós; honrarmos o sacrifício que fizeram e os caminhos que desbravaram. Um bom depósito nos foi confiado. Vamos agir!

O senhor disse mais: "Foste fiel sobre pouco". Lembremos que um talento valia quantia considerável naquela época. Mas, para aquele senhor, os talentos distribuídos e multiplicados não eram grande coisa: "sobre muito te colocarei". Leio essa passagem como se Jesus nos dissesse: Se vocês forem fiéis no que é limitado, quando Eu voltar, irei estabelecer vocês em uma posição muito elevada, extraordinária! Então, confiarei a vocês o que "olho não viu, nem ouvido ouviu, nem jamais penetrou em coração humano" (1 Coríntios 2.9). Vocês participarão da minha alegria, da minha satisfação! Vocês são bem-aventurados e por isso irão reinar ao Meu lado para sempre!

Tudo isso é, sem dúvida, maravilhoso! Todo esforço vale a pena! Mesmo que passemos por lutas e dificuldades, ousamos dizer, como Paulo: "não desanimamos. Ainda que o nosso exterior esteja se desgastando, o nosso interior está sendo renovado todos os dias. Pois nossa tribulação leve e passageira produz para nós uma glória incomparável, de valor eterno, pois não fixamos o olhar nas coisas visíveis, mas naquelas que não se veem; pois as visíveis são temporárias, ao passo que as que não se veem são eternas" (2 Coríntios 4.16-18).

. . . . .

Veremos a seguir o que houve com o servo que não administrou bem o talento recebido — é uma dura advertência a nós, igreja na cidade, caso negligenciemos o que Deus tem nos confiado.

Leia a parte 2