terça-feira, 9 de dezembro de 2014

"Uma nova ordem de sacerdotes"

ESCOLA DE ORAÇÃO BETÂNIA 2014
Síntese da palavra de sábado, 06/12 - Kirk Bennett

Êxodo 19.5-6 trata de um dos maiores desejos de Deus. Ele tem muitos caminhos, muitos nomes. Existem muitas maneiras de se aproximar Dele, muitos aspectos de Sua natureza para se conhecer Dele. Esse texto é uma porta de entrada para conhece-Lo de uma forma mais profunda.

“Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança” – Deus está falando com todo o povo, não só com Moisés. Obediência tem a ver com ouvir, seguir a voz de Deus. Nós vamos ouvir a Sua voz. Isso é mais do que cumprir mandamentos. A aliança está relacionada à intimidade – o mesmo nível de aliança de pessoas que ficam noivos (ver Jeremias 33.10-11).

São duas condições: Sua voz e Sua proposta de casamento. Se respondermos sim, seremos: “propriedade peculiar dentre todos os povos da terra” – um tesouro especial, o presente mais especial que um rei poderia ter. A primeira palavra usada para descrever o povo de Deus depois de Adão e Eva.

Seremos também: “um reino de sacerdotes e nação santa” – não é uma tribo sacerdotal. No Velho Testamento, a tribo sacerdotal era a de Levi. Apenas seus descendentes são permitidos para exercerem a obra dos levitas, e apenas a descendência de um dos filhos exercia o sacerdócio. Mas a promessa de Deus se refere a um reino. O plano de Deus é que todo Seu povo tenha acesso direto a Ele.

O sacerdócio tem acesso direto a Deus – o tipo de relacionamento mais próximo de Deus.

O povo responde: “tudo o que o Senhor falou, faremos” (v.8). Mas nada fizeram. Eles não tinham poder para fazer isso. Seus corações eram corruptos, não tinham qualificação para se tornarem sacerdotes por sua própria força. E nós também não podemos. Precisamos Dele.

Sendo sacerdotes, temos acesso direto a Deus. Pessoas podem entrar aqui no templo agora e terem acesso às mãos de Deus, como no átrio exterior. Mas apenas os levitas entravam no Santo Lugar, e só os sacerdotes tinham acesso ao Santo dos Santos. No Sinai, Moisés desejou ver Deus face a face. Poucos tem acesso a esse lugar.

Em todo o Velho Testamento, a Palavra se refere ao Ungido, ou o Renovo – é uma profecia a respeito de uma pessoa que está por vir. Jeremias 23 e 33 fala do Renovo do Senhor que vai se levantar e será “Deus, a nossa Justiça”. Em Zacarias 6 fala do Renovo. Em Zacarias 3.8, Deus fala com Josué, o Sumo Sacerdote daquela época, e se refere a ele e a seus companheiros como “homens de presságio” – Ele fala do Renovo, um ramo de santidade e justiça, uma figura de Cristo. Deus tem uma aliança com Judá e com Levi.

“Porque eis aqui a pedra que pus diante de Josué; sobre esta pedra única estão sete olhos; eis que eu lavrarei a sua escultura, diz o Senhor dos Exércitos, e tirarei a iniquidade desta terra, num só dia” (Zacarias 3.9). Os sete olhos sobre a pedra são os olhos que estão olhando todos os corações humanos. Quando abrimos a Bíblia, há sete olhos observando nosso coração, o próprio Deus olhando para nós. Podemos dizer muitas coisas, mas Deus vê o coração – todas as verdades e todas as mentiras.

Esse verso fala de um dia em que o povo de Deus vai viver a plenitude da terra e da vida espiritual.

“Assim diz o Senhor dos Exércitos: Eis aqui o homem cujo nome é Renovo; ele brotará do seu lugar e edificará o templo do Senhor. Ele mesmo edificará o templo do Senhor e será revestido de glória; assentar-se-á no seu trono, e dominará, e será sacerdote no seu trono; e reinará perfeita união entre ambos os ofícios” (Zacarias 6.13) – O Messias virá e um dia Ele estará assentado em um trono.

Gênesis 14 – Melquisedeque significa “Rei Sacerdote” ou “Rei de Justiça”. Ele é Rei de Salém ou “Rei da Paz”. Cristo vai herdar todas as nações da terra.

Salmo 2 e Salmo 110 – Davi viu o Pai e o Filho conversando. O Salmo 110 é o texto mais citado no Novo Testamento. O verso central é: “Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque” (v.4). Mas o sacerdócio era da ordem de Levi. O que está nessa passagem é que no céu existe um sacerdócio que não tem fim nem um começo – um sacerdócio que sempre existiu.

O Natal é a celebração do Filho de Deus vindo à terra como um bebê. Isso é maravilhoso! Como Ele se tornou sua própria criação? Ele se fez o segundo Adão. Como? Isso é um mistério! Pense em Maria trocando as fraldas de Deus, ensinando Deus como falar. Isso é um mistério maravilhoso!

Pois Davi viu algo extraordinário sobre Cristo antes de Sua vinda à terra. Ele viu Cristo assentado à direita do trono de Deus. Cristo é nosso eterno Rei Sacerdote. Davi então moldou o tabernáculo com a compreensão acerca desse sacerdócio. Reuniu as tribos e resolveu trazer de volta a arca para Jerusalém, mas os bois tremeram e Uzá foi morto ao pôr as mãos na arca. Então, a arca ficou três meses na casa de Obede-Edom, e Davi ficou batalhando em duas guerras. Davi buscou a revelação da ordem correta, mas não seguiu exatamente o que se esperava da ordem levítica. Ele se vestiu como um sacerdote, dançando com todas as suas forças diante do Senhor. Creio que durante esses três meses, Davi foi arrebatado aos céus e viu o que está no Salmo 110.

Nós entramos em uma nova ordem de sacerdotes. Cada ordem tem o seu modelo.

Zacarias 4 – “pelo Espírito” se dará a construção da casa do Senhor. Agora mesmo, em todo o mundo, as pedras vivas estão sendo colocadas nos seus lugares. Então Cristo descerá dos céus. Deus estará habitando novamente na terra. Mas isso não vai acontecer pela tecnologia ou pela habilidade humana. Deus fará do jeito que Ele quer. Muitos ministérios estão sendo construídos, muitas casas, mas se a construção não estiver sendo feita pelo Espírito, se não forem lugares de encontro, não serão a casa de Deus.

1 Pedro 2.9 – Cristo é a pedra de esquina. A pedra de tropeço se tornou a pedra de esquina. Somos raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus. Ele quer um reino de sacerdotes. Nós somos esse reino, somos essa nação, esse tesouro peculiar.

A aliança não tem a ver com regras, mas com sermos íntimos Dele, estarmos com Ele, negarmos a nós mesmos e segui-Lo. Não vivemos como queremos. Se fizermos isso, seremos Seu tesouro peculiar. Teremos acesso diário ao trono de Deus.

Apocalipse 5.7 – Ninguém foi achado digno de tomar o livro ou de olhar para o livro. O Cordeiro tomou o livro da mão direita (o poder completo de Deus). Ele não pediu, Ele tomou. Todos se prostraram e cantaram uma canção, com cinco características da Sua dignidade (v.9):

1- Foi morto
2- Comprou para Deus com Seu sangue
3- Redimiu homens de toda tribo, raça, língua e nação
4- Fez para Deus um reino de sacerdotes
5- Reinarão sobre a terra

O GRANDE PROBLEMA: esse sacerdócio foi dado a nós por Cristo, que entrou além do véu, rasgou o véu, como um precursor, para que também pudéssemos entrar lá. Mas apenas como sacerdotes podemos entrar lá. Ele nos separou como um reino de sacerdotes para isso, mas a maioria de nós nunca fez isso. Somos sacerdotes para sempre na mesma ordem sacerdotal de Cristo, a ordem de Melquisedeque, mas a maioria de nós nunca ouviu uma hora de mensagem sobre essa ordem. Esse sacerdócio faremos para sempre.

Dizemos que Cristo é nosso Noivo, e vamos nos casar com Ele, e falamos que temos intimidade com Ele, mas não sabemos qual é o trabalho Dele para sempre. Não sabemos qual é a ordem de Melquisedeque. Não sabemos qual é a paixão eterna Dele. Como Ele pode ser o nosso amado se não sabemos disso?

Gastamos tempo ocupados com nossos desejos, nossos planos. Mas quanto tempo estamos buscando os anseios Dele, a paixão Dele?

O sacerdócio de Melquisedeque será revelado à igreja. Conforme o tabernáculo de Davi estiver sendo restaurado, essa revelação aumentará. Quem somos nós para sempre? Quem Ele é para sempre? Deus está vindo para nos dar revelação – vamos aprender a nos movermos entre o céu e a terra. Muito pouco do atual Cristianismo vai permanecer depois dos abalos que estão por vir. Mas o sacerdócio de Cristo vai permanecer, é eterno.

“Suba aqui” – uma dimensão onde apenas sacerdotes podem entrar.

"Deus está nos chamando para o lugar da oração"

ESCOLA DE ORAÇÃO BETÂNIA 2014
Síntese da palavra de sexta-feira, 05/12 - Kirk Bennett

Mateus 6.6

A maioria sabe que se deve orar. Fomos ensinados que precisamos orar. Ao longo dos anos, oração e evangelismo se tornaram provavelmente as duas palavras que fazem todo cristão se sentir culpado por elas. Todos já ouviram sobre isso, mas a maioria não ora nem evangeliza.

Descobri o problema: nós, os líderes. Temos o mesmo problema que o povo. Sabemos que temos de orar e evangelizar, mas também não fazemos nem uma coisa nem outra. Estamos no mesmo lugar.

O Senhor me chamou para o lugar da oração em 1987. Achava que conhecia Deus, mas no lugar de oração pensei que tinha feito algo errado e que Ele estava me castigando. Deus me disse: quero você horas na minha presença. Eu disse: horas? Ah, não! Eu argumentei: não tenho o dom de orar, não sou chamado para orar. Ele me disse: Eu que te dei os seus dons, o seu chamado.

Eu tive que descobrir que oração não é para pessoas que tem um dom para orar, mas é para todo aquele que crê em Jesus. Quem acredita em Jesus, vai falar com Ele, vai ouvi-Lo. Sem isso, como dizer que é um crente?

Há um problema entre o que digo que creio e o que realmente creio.

Eu era um pastor, responsável por uma parte considerável da igreja, cerca de 500 pessoas. O pastor titular convocou toda a equipe para estar 8 horas por semana na sala de oração. Eu pensei: o pastor vai me pagar praticamente um dia de trabalho por semana para orar? Mas eu nunca tinha orado nem 8 horas em um mês, quanto mais 8 horas por semana! Achei que depois disso, eu ia ficar brilhando e as pessoas cairiam quando chegassem perto de mim. Então, comecei as primeiras duas horas de oração. E logo olhava o relógio e achava tudo aquilo muito chato. Eu não sabia como estar com Deus, não gostava de estar com Deus. Preferia falar sobre Deus do que com Deus.

Eu orava uma lista de pedidos, porque não sabia o que dizer para Deus por tantas horas. Mas o tempo não passava. Orava a lista de trás para frente, orava a lista em línguas, e a hora não passava.

Existia uma grande distância entre mim e Deus, mas eu não sabia disso. Eu conhecia o Cristianismo, mas não conhecia Cristo. Eu profetizava, usava meus dons, mas não conhecia Ele muito bem. Estar com Ele é bem diferente.

O Senhor nos ama profundamente. Ele anseia estar conosco. Ele sabe cada pensamento nosso. Quando pensamos no céu, imaginamos fazer muitas coisas: conhecer a sala do trono, beber do rio que corre do trono, etc. Mas Deus deseja apenas uma coisa: você e eu.

Muitos de nós fomos ensinados que há palavras certas para orar, mas isso não é verdade. Em Mateus 6.6 Jesus ensina a parte pessoal, individual de falar com Deus. Não se trata do que falar, mas falar, conversar com Ele livremente. Na Igreja Metodista, de onde vim, orávamos o “Pai Nosso” em todas as reuniões. Essa oração é curta, mas muito profunda. As palavras de Cristo são profundas – sempre existe mais revelação sobre quem Ele é. A questão é conhecer quem Ele é e quem é o Pai.

Por muito tempo fiquei fascinado com as coisas que Deus tinha me dado, mas perdi a fascinação por Ele mesmo. Meu coração foi ficando endurecido, e o Cristianismo, enfadonho. Foi quando Deus me chamou: eu quero você horas na minha presença.

Descobri na jornada que a Bíblia é um livro com 66 cartas de amor escritas para mim. 66 maneiras diferentes de Deus falar comigo o quanto me ama, o quando Ele é real e o quando posso conhece-Lo. Não quero deixar de lado essas cartas de amor. Não quero amar as coisas mais do que Ele. Todos nós estamos em uma jornada. Avivamento de amor está tocando a terra, um chamado de volta ao primeiro amor, um chamado para que pessoas voltem ao lugar de intimidade com Deus. Agora mesmo há um convite de casamento, para que pessoas se preparem para esse dia, conversarem com o rei e entrarem na história de amor mais profunda que já existiu.

Prepare-se para o casamento! – Deus está perturbando o Cristianismo, os ministérios. Jesus não é cristão. Ele não segue o Cristianismo. Ele é o Cristo. Muitos conhecem o Cristianismo, mas não conhecem Cristo. Tudo gira em torno do amor. Ele nos ama para o amarmos de volta e entrarmos em um amor mais profundo. É simples, não parece que é tão maravilhoso, mas é a forma que Deus determinou ao coração humano: conhece-Lo e ama-Lo.

Estamos tão ocupados, procurando amor em outras coisas. Nosso ser anseia por amor do jeito mais profundo possível. Se vamos a Igreja e não encontramos esse amor, então vamos procurar amor fora de Deus. E isso nunca vai nos satisfazer. Não é um amor intelectual, mas é um amor no mais profundo interior. Deus é Espírito. Ele é capaz de levar nosso ser a profundidades de alegria, fascinação, glória, transformação profunda que não vamos encontrar em outros lugares.
Como fazer isso? O mundo tenta com filmes, com entretenimento. Deus diz: venha!

Muitos pensam: o que preciso pagar para ter uma experiência profunda de amor? Deus apenas diz: venha, eu quero estar com você! Isso é oração – uma troca de afetos de amor. O que é o primeiro mandamento? Amar Deus. Como amá-Lo? Ao recebermos Seu amor por nós, damos amor de volta para Ele. Isso é oração.

Lucas 11 acontece dois anos depois de Mateus 6. Jesus acaba de orar, e os discípulos perguntam: ensina-nos como orar. Jesus ensina a mesma oração.

É impossível não se relacionar com alguém sem conversar com essa pessoa. Imagine em um casamento que o marido só se comprometa a conversar com sua esposa apenas 5 minutos por dia. Esse homem não quer uma esposa, quer um casamento. Muitos querem o Cristianismo, mas não Cristo.

Os discípulos nunca perguntaram nos Evangelhos: ensina-nos a expulsar demônios, ou ensina-nos a curar os enfermos. Eles perguntaram: ensina-nos a orar. Os discípulos viram que o relacionamento de Jesus com o Pai o capacitava a realizar milagres, levantar mortos.

Transformação está no contexto do relacionamento. Achamos que a mensagem vai mudar a gente, a igreja vai mudar a gente, pessoas que orem por nós vão mudar a gente. Achamos que vamos mudar sem Deus. Nossa transformação está em um relacionamento profundo com Deus. Distante Dele não conseguimos mudar.

Percebi que a minha cidade nunca ia mudar sem oração. Então, nos comprometemos a orar em nossa sala de oração para que Deus mudasse a cidade. Por um ano e meio, depois de orarmos todos os dias, no fim de uma das reuniões de oração, eu disse: Senhor, sou grato a Ti, mas quando vais mudar a cidade? Ele me disse: já estou mudando a cidade, veja o quanto você mudou. Quanto mais pessoas orarem, mais a cidade será transformada.

O pensamento babilônico é: vamos fazer algo sem Deus. Podemos mudar, construir uma torre até o céu, edificar uma cidade sem Deus. Desde então, sistemas religiosos, políticos e financeiros tentam construir sem Deus.

Há uma necessidade de repetição na oração. Os discípulos, creio eu, só entenderam depois que Jesus ensinou o “Pai Nosso” pela segunda vez. O amor vai mais fundo em nós cada vez que oramos. Vamos entendendo, vamos nos aprofundando.

2 Coríntios 3.18 – “Portanto, todos nós, com o rosto descoberto, refletimos a glória que vem do Senhor. Essa glória vai ficando cada vez mais brilhante e vai nos tornando cada vez mais parecidos com o Senhor, que é o Espírito”. Quando contemplamos Deus, somos transformados. Olhar para Deus é como mudamos. A liderança da igreja, por anos, tem falado para pessoas que verão a glória de Deus quando forem para céu, depois de morrerem. Não podem ver agora a glória de Deus, e então devem sair e chamar pessoas para a igreja. Por isso há tantas igrejas cheias de pessoas que não veem a glória de Deus, que lutam as mesmas lutas ano após ano. Esse é o dilema da igreja.

Mas Deus tem um plano maravilhoso! Ele vai restaurar o Tabernáculo de Davi. Um lugar cheio de jovens para estar na presença de Deus. O emprego deles era contemplar Deus, com música para Ele. É um modelo de adoração para a igreja hoje. Davi fez instrumentos, uniu pessoas para tocarem esses instrumentos. Os mais velhos treinavam os mais jovens. Era uma atmosfera artística fascinante, com a presença de Deus bem no meio.

Atos 15 – o Cristianismo estava começando a se tornar um método religioso. Foi um momento crítico para a igreja, pois até então era constituída apenas de judeus. Mas Pedro e Paulo começaram a ver o que Deus estava fazendo entre os gentios. Os antigos mestres judeus estavam dificultando a vida dos gentios para se tornarem cristãos, impondo as leis judaicas. Mas as coisas impuras, Deus estava tornando puras.Tiago se levantou naquele conselho e afirmou o que também se encontra em Amós 9.11-12:

“Depois disso eu voltarei — diz o Senhor — e construirei de novo o reino de Davi, que é como uma casa que caiu. Juntarei de novo os pedaços dela e tornarei a levantá-la. Assim todas as outras pessoas, todos os outros povos que eu chamei para serem meus, vão procurar conhecer o Senhor” (At 15:17).

Deus está levantando lugares de oração e adoração em todos os lugares – músicos e cantores se reunindo em torno do Senhor. Ele está nos chamando para o lugar da oração. Podemos fazer isso do jeito fácil ou do difícil, quando há perseguição.

A casa de Deus é oração.

"Nós somos uma casa de oração"

ESCOLA DE ORAÇÃO BETÂNIA 2014
Síntese da palavra de quinta-feira, 04/12 - Michael Duque Estrada

O que mudou a minha vida foi a oração. Gastar a vida no lugar secreto muda pessoas. Encontrar Deus no lugar de oração muda tudo. Convido você hoje a entrar nisso que o Espírito Santo está fazendo e nos dando o privilégio de participar.

“A minha casa será chamada casa de oração” – A igreja é uma casa de oração. Não podemos colocar a primeira coisa em segundo lugar. Nós somos uma casa de oração. A igreja é construída, edificada pela oração, ela pastoreia pela oração. Essa é nossa identidade.

O que é oração? Parece simples. Mas em nossa cultura, oração abre várias definições, como: petição pessoal (“Deus, abra uma porta de emprego para mim!”) ou batalha espiritual (fazer guerra contra principados e potestades).Casa de oração, em Isaías, significa “Casa de encontro” ou “Casa de salmos”. Existe intercessão, petição pessoal, mas a igreja é uma casa de encontro com a glória de Deus. Ele está convidando Seu povo a construir um lugar de devoção regular e contínua.

Os mercadores estavam vendendo os animais para sacrifício a preços abusivos, que impediam as pessoas de oferecem sacrifício. Deus está removendo ritos errados, tudo aquilo que está impedindo o entendimento correto de quem Ele é, para que o povo Dele consiga se encontrar com Ele.

Em toda a terra vai se levantar incenso ao Senhor. Há 10 anos existiam 400 ministérios focados em oração dia e noite. Hoje existem 15 mil, em todo tipo de nação que se possa imaginar. Poderíamos falar de muitos lugares, como a Indonésia, o Egito, lugares fechados pelo Islamismo. Isso está acontecendo no mundo todo.

Não existia missões no meio protestante, apenas os católicos. Lutero e Calvino não mexeram com missões. Estamos aqui por causa do movimento missionário que nasceu das reuniões de oração dos morávios, que oraram por mais de 100 anos sem parar.

Sempre que Deus quer realizar algo na terra, Ele ajunta pessoas no “Conselho do Senhor”. Há desejo, alegria na oração. Pessoas estão orando dia e noite em toda a terra. A igreja está chamando Jesus para casar. A igreja está orando para que o Evangelho do Reino seja pregado em toda a terra.

Deus está nos chamando para amá-Lo, não para nos usar em Seu trabalho. Ele não quer nosso desempenho, Ele quer o nosso coração. É claro que tem trabalho, serviço, evangelismo, mas o que Deus quer é você e eu. Todo tipo de trabalho deve surgir de um pulsar de oração, de uma cultura de oração, enxergando o mundo pela ótica do coração de Deus.

Existem 3 pessoas na Bíblia que são paradigmas para o movimento de oração. Homens e mulheres de uma só coisa: Davi, Paulo e Maria de Betânia.

DAVI → Salmo 27.4: “uma coisa peço ao Senhor: contemplar a beleza do Senhor e estudá-Lo no Seu templo”. Um rei, cheio de atividades administrativas, cheio de coisas para resolver, que decidiu ter apenas uma coisa para viver. Estamos cheios de coisas, mas a Bíblia fala para buscarmos primeiro o Reino de Deus e a Sua justiça. Com esse foco, seremos melhores pais, melhores pastores, melhores pessoas. Davi instituiu e sustentou cantores e músicos para ministrarem ao Senhor dia e noite. Davi construiu uma réplica do que está acontecendo em Apocalipse 8. De alguma forma ele teve uma visão do céu – ele viu um templo, que não existia em sua época. Davi teve visões do que estava acontecendo no céu e, por isso, construiu um lugar onde as orações nunca paravam.

Onde estão os homens e mulheres que tem o coração de Davi? Um homem segundo o coração (as emoções) de Deus. Davi gastou a vida estudando quem Deus é, o que Ele sente. A beleza de Deus tem a ver com quem Ele é. Isso tornou Davi obcecado por Deus.

O Pai (Aba) nos ama incondicionalmente. O entendimento errado de quem Deus é nos afasta do lugar de oração.

Apocalipse 4 – Davi viu isso: quatro seres viventes. Eles apenas dizem: “Santo!” Adoração é resposta de quem Deus é. Pensar em “santo” não é apenas algo que é separado da maldade ou do pecado – Deus é fora do comum! Ele é Santo! Tudo aquilo que nos fascina nos faz perder tempo sem percebermos que o tempo está passando. Não sentimos cansaço. Davi viu um Deus cheio de beleza e fascínio.

Salmo 132.1-5 – Davi fez um voto: até que eu encontre um lugar para o Senhor. O estilo de vida de Davi iria mudar até que ele construísse um lugar na terra para Deus morar. É impossível fazer esse voto sem conhecer quem Ele é, sem gastar tempo para uma só coisa: quem Deus é.

PAULO → Era o melhor dos melhores, discípulo de Gamaliel, tinha do que se orgulhar. Escreveu a maior parte do Novo Testamento.

Filipenses 3.7-14 – Paulo estava no final de carreira, já havia discipulado Timóteo e Tito. Mas ele disse: o que para mim era ganho, considero como perda pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus. Ele disse: “uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus”.

Que você seja tomado por uma paixão suprema de conhecer Deus!

MARIA DE BETÂNIA → Betânia significa “casa de figos”, uma figura do movimento de oração nesses dias, um lugar de descanso.

João 12.1-8 – estavam ali Marta (que servia), Lázaro (o milagre), Judas (o que tinha outras intenções), aqueles que foram não só por causa de Jesus, mas para ver Lázaro (o milagre). Mas ali também estava Maria – ela derramou um perfume caríssimo, talvez todas as economias de sua família, aos pés de Jesus. Ela marcou a memória de Jesus (Marcos 14.9).

Aqueles que se posicionarem em devoção radical serão criticados: “Não precisa orar tanto!” ou “Pra que 24 horas de oração?” Achamos digno ter lugares abertos 24 horas porque queremos ter nossas necessidades supridas a qualquer hora. Deus é muito mais digno de ser adorado 24 horas.

Como você quer ser lembrado? Você não pode mais pensar que tem ainda 10 anos pela frente para só então ser radical para Ele. Deus está levantando hoje pessoas de “uma coisa”.

Toda extrema devoção começa com uma simples devoção – Lucas 10.38-42

Marta estava atarefada (ministério) com muitas coisas. Ela estava atarefada com o ministério de servir Jesus, ansiosa (turbazzo = mente tumultuada). Há realmente muito trabalho a ser feito, mas “apenas uma coisa é necessária!” Maria escolheu a boa parte (agathos = algo bom que produz boas obras).

É possível separar 15 minutos por dia para orar e ler as Escrituras? Sim, isso é uma simples devoção. Maria estava ouvindo a palavra (logos). Aceite o convite do Senhor de se tornar uma pessoa de uma coisa a partir desta simples devoção, de se sentar por 15 minutos e ouvir o que Ele pensa sobre você, de encontrá-Lo quando cantar a Sua palavra.

Podemos ser pessoas de uma só coisa, pois Deus tem uma só coisa em mente: somos Seus filhos favoritos.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Meus primeiros livretos



Foram impressos meus primeiros livretos da série Valores do Reino, que estou lançando hoje, dia 04/12/2014, na Escola de Oração Betânia.

Se você deseja adquiri-los, deixe um comentário abaixo com seu nome e email.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Fé: obediência e descanso

Luciano Motta

A Bíblia define fé como "a certeza das coisas que se esperam, a convicção de fatos que não se veem" (Hebreus 11.1), Em outras palavras: fé significa crer que Deus existe e que Ele é o Criador e o Senhor de todas as coisas. Por isso, nós, fundamentados e plenamente confiantes em Sua Palavra, agimos ou simplesmente paramos tudo baseados na Sua vontade - algo que já está feito e consumado por Ele - mesmo que aos nossos olhos naturais nada - absolutamente nada! - exista ou esteja acontecendo.

A grande questão é que, na maioria das vezes, enfatizamos a fé no sentido do que temos de fazer e menosprezamos quando temos de parar e esperar em Deus, ainda que "parar e esperar" não signifiquem - longe disso! - apatia ou acomodação. Obediência e descanso não são posicionamentos que se anulam. Na verdade, eles se completam. Mas nem sempre nos movimentamos assim.

Em uma sociedade tão ativista como a nossa, viver em função do fazer é natural. Quantos estão correndo o tempo todo, trabalhando para consumir, consumindo para obter alguma satisfação! Como nada neste mundo pode preencher o vazio interior do homem, logo vem a frustração. O fato é que boa parte da humanidade resiste ao fato de que somos carentes por algo que nos complete, ou seja, somos carentes de Deus, pois só Ele pode nos completar! Em fuga dessa verdade, muitas pessoas buscam uma ocupação, correm para o entretenimento, mergulham na vida virtual, nas drogas, na prostituição. No dia seguinte, aqueles que não têm suas vidas interrompidas por esses substitutos efêmeros da plena satisfação em Deus retornam ao trabalho, e daí para o consumo, e o ciclo se repete.

A espera expõe nossas ansiedades, expõe o que somos por dentro sem Deus: independentes, autossuficientes, imediatistas, movidos pela emoção ou por hábitos e rotinas que mantemos "sob controle". É por isso que ficamos ocupados e temos dificuldade de encontrar descanso. O que mais ouvimos - e também dizemos - nesses dias é: "Estou tão cansado!" Paira sobre nós uma fadiga e um esgotamento resultantes de tantos esforços sem propósito, tantas movimentações que não nasceram do coração do Pai.

Inúmeras vezes agimos precipitadamente em nome do bonito discurso da obediência, mas só nos deparamos com insucessos e dolorosos desvios de rota. Um exemplo disso foi a atitude de Saul: No segundo ano do seu reinado, pressionado pelas circunstâncias, ele não pôde esperar por Samuel no prazo previsto pelo profeta e ofereceu holocausto ao Senhor a fim de obter Sua bênção para a batalha contra os filisteus. Tentando se justificar, disse: "Vi que o exército estava me abandonando e se dispersando, e que tu não chegavas no tempo determinado, e que os filisteus já estavam reunidos em Micmás, então eu disse: Agora os filisteus me atacarão em Gilgal, e eu ainda não busquei o favor do Senhor. Assim me senti pressionado e ofereci o holocausto" (1 Samuel 13.12). Por causa desse erro, Saul e seu reinado foram rejeitados por Deus. A precipitação costuma pôr tudo a perder.

Também falhamos quando "fazemos alguma coisa" apenas por causa do costume e da tradição. Tanto a precipitação quanto a ação acomodada resultam em falta de fé, porque perdemos de vista o Senhor, e o que Ele está por fazer nestes dias, e o que Ele está fazendo agora mesmo.

Josué recebeu uma palavra de Deus: "Olha, entreguei na tua mão Jericó, o seu rei e os seus valentes. Vós, pois, todos os homens de guerra, rodeareis a cidade, cercando-a uma vez; assim fareis por seis dias. Sete sacerdotes levarão sete trombetas de chifre de carneiro adiante da arca; no sétimo dia, rodeareis a cidade sete vezes, e os sacerdotes tocarão as trombetas. E será que, tocando-se longamente a trombeta de chifre de carneiro, ouvindo vós o sonido dela, todo o povo gritará com grande grita; o muro da cidade cairá abaixo, e o povo subirá nele, cada qual em frente de si" (Josué 6.2-5). Ele poderia retrucar: "Quer dizer que vamos invadir Jericó no grito, depois de rodear as muralhas por sete dias?" Quando estamos diante de uma grande adversidade em nossas vidas (de ordem financeira, física, emocional, etc.) e ouvimos de Deus uma palavra, será que agimos conforme Ele nos disse, por mais "louco" que possa parecer? Seríamos capazes de deixar um emprego estável, de mudar de carreira ou de cidade por causa de uma palavra enviada pelo Senhor? Josué e o povo tomaram Jericó em descanso porque agiram conforme a palavra que receberam de Deus.

Josafá passou por circunstâncias semelhantes, só que desta vez eram os inimigos que vinham de encontro a Judá. E eram muitos inimigos! O rei e o povo ficaram desesperados e buscaram a Deus. Então, "veio o Espírito do Senhor no meio da congregação (...) e disse: Dai ouvidos, todo o Judá e vós, moradores de Jerusalém, e tu, ó rei Josafá, ao que vos diz o Senhor. Não temais, nem vos assusteis por causa desta grande multidão, pois a peleja não é vossa, mas de Deus. Amanhã, descereis contra eles; eis que sobem pela ladeira de Ziz; encontrá-los-eis no fim do vale, defronte do deserto de Jeruel. Neste encontro, não tereis de pelejar; tomai posição, ficai parados e vede o salvamento que o Senhor vos dará, ó Judá e Jerusalém. Não temais, nem vos assusteis; amanhã, saí-lhes ao encontro, porque o Senhor é convosco" (2 Crônicas 20.14-17). Todos se prostraram e adoraram a Deus. Josafá ordenou cantores (!) para ficarem à frente do exército, e cantaram: "Rendei graças ao Senhor, porque a sua misericórdia dura para sempre". Os inimigos foram destruídos sem Judá desembainhar uma só espada! Eles obedeceram a palavra de Deus e venceram a batalha parados, em descanso, apenas entoando louvores.

Note que em ambas as situações houve ação, mas não do jeito humano de fazer as coisas, não segundo a tradição, não porque era necessário fazer algo. O descanso é uma forma de agir diferente: rendemo-nos ao Senhor e a Sua vontade, deixamos sobre Ele nossa ansiedade, subjugamos nossa independência e autossuficiência, paramos tudo até vermos o Seu agir em nosso favor. Quantos de nós apenas precisam disso para dar ordem às suas vidas! Quantas igrejas agora mesmo não passariam por uma revolução de fé se cancelassem compromissos e eventos que só cansam o povo, reproduzindo práticas sem a vida de Deus. Se cada igreja na cidade parasse tudo e se voltasse para Deus até ouvir Dele o que fazer... como as coisas seriam diferentes!

Como precisamos descansar e contemplar o Senhor! Isso muda tudo!

Davi entoou um cântico ao Senhor, no dia em que fora livre de todos os seus inimigos e da mão de Saul. Isso está registrado em 2 Samuel 22 e no Salmo 18. No começo, Davi destaca: "Eu te amo, ó Senhor, minha força. O Senhor é a minha rocha, a minha fortaleza e o meu libertador; o meu Deus, o meu rochedo, em quem me refugio; o meu escudo, a força da minha salvação e a minha torre de proteção. Invoco o Senhor que é digno de louvor, e sou salvo dos meus inimigos" (Salmo 18.1-3). Depois disso, o texto muda. Abre-se um cenário extraordinário:
Então a terra se abalou e tremeu, e os fundamentos dos montes também se moveram e se abalaram, porque ele se indignou.
Das suas narinas subiu fumaça, e da sua boca saiu fogo devorador; brasas ardentes saíram dele.
Ele abaixou os céus e desceu; havia trevas espessas debaixo de seus pés.
Montou num querubim e voou; sim, voou sobre as asas do vento.
Fez das trevas seu retiro secreto; a escuridão das águas e as espessas nuvens do céu eram o pavilhão que o cercava.
Pelo resplendor da sua presença as espessas nuvens se desfizeram em granizo e brasas de fogo.
O SENHOR trovejou nos céus, o Altíssimo fez soar sua voz, e houve granizo e brasas de fogo.
Lançou suas flechas e os dispersou; multiplicou os raios e os aterrorizou.
Então, SENHOR, pela tua repreensão, ao sopro do vento das tuas narinas, foram vistos os leitos das águas, descobertos os fundamentos do mundo.
Do alto ele estendeu o braço e me pegou; tirou-me das águas profundas.
Livrou-me do inimigo forte e dos que me odiavam, pois eram mais poderosos do que eu.
Eles me surpreenderam no dia da minha calamidade, mas o SENHOR foi o meu amparo.
Trouxe-me para um lugar amplo; livrou-me, porque se agradou de mim (v.7-19).
Davi só pôde descrever tudo isso porque conhecia o lugar de descanso em Deus. Mesmo em fuga de Saul, sem ter um lugar para se estabelecer... Mesmo já tendo sido ungido rei, porém ainda na fase de esperar a sua hora... Mesmo com todas as suas falhas e dificuldades pessoais... Davi conhecia a quem servia. Ele entendeu que sua parte era descansar no Senhor: "Esperei com paciência (confiantemente) pelo Senhor, Ele se inclinou (se abaixou) para mim e ouviu (escutou atentamente) meu clamor. Tirou-me de um poço de destruição, de um lamaçal (algo como um "alvoroço pegajoso"); colocou meus pés sobre uma rocha, firmou (tornou estável) meus passos. Pôs na minha boca um cântico novo, um hino ao nosso Deus. Muitos verão isso, temerão e confiarão no Senhor" (Salmo 40.1-3).

Como Josué e Josafá, Davi deixou um testemunho poderoso de que fé é obedecer e descansar, agindo somente em função do que via em Deus e o que ouvia Dele. Jesus fazia exatamente isso (João 5.19,30). Os apóstolos aprenderam com Jesus e também encontraram esse nível de confiança e sensibilidade no Senhor. Nós também devemos aprender e fazer o mesmo.

Leia também: Fé e obediência

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Uma visita ao trabalho do Pai

Por Ana Paula | Do blog Escrevo

Não é raro nos vermos sobre uma pressão diante das muitas obras que a vida cristã aparenta nos exigir. E o desafio de ver tantas coisas, e até mesmo ter aptidão para cumpri-las, mas ao mesmo tempo não querer se envolver em um ativismo desenfreado, pode nos deixar confusos.

Lemos em João, capítulo 5, a partir do versículo 19, Jesus descrevendo a natureza da sua missão. Seu discurso era categórico: Ele não fazia nada que o Pai não estivesse fazendo. E por sua vez, o Pai não tinha restrição e mostrava tudo ao Filho, porque ele o amava. O Pai dá a missão, mostra todo o seu coração e propósito, porque ama. E é sobre esse relacionamento de paternidade que a missão nasce. É como um Pai que leva seu filho para passar um dia com ele no trabalho. Ele não leva porque quer que o filho trabalhe, mas porque ama e tem prazer em passar tempo junto com ele. É claro que ele também deseja que seu filho cresça, tome responsabilidades, e sim, trabalhe. Mas nesse momento o que move o pai a levar o filho ao trabalho é o amor. Automaticamente isso despertara no filho uma admiração imensa.

"Uau... é isso que meu Pai faz", é o sussurro de uma criança admirada pelo caráter, destreza e poder de seu pai ao executar o trabalho. E é dai que nasce o desejo do filho de ser como o pai e fazer as mesmas coisas que ele faz: por admiração. É nesse momento que o filho é conquistado pela missão do pai. Mais adiante, Jesus fala que o Pai nos mostraria coisas maiores, "para que vos admireis".

ADMIRAÇÃO!

Quando vermos o coração do Pai, seremos como filhinhos, visitando o trabalho do Pai e, boquiabertos de admiração, não teremos outra conclusão a não ser: "Quero ser como o meu Pai. Quero fazer o que Ele faz". Não é só fazer por fazer, ou por uma pressão que nasce do temor, tipo "Deus diz, e eu obedeço". Não! Tem haver com admiração e paternidade.

Os discípulos seguiam a Jesus por admiração, não porque era o certo a se fazer - mesmo que fosse, sim, o certo -, mas porque no momento que os olhos do Messias encontravam suas vidas, nada mais era digno de admiração. Era quase que impossível não admirar e obedecer. Mais do que aprender o caminho certo, os discípulos carregavam uma admiração que colocava seu Mestre como o único exemplo a ser seguido, e não apenas como um caminho opcional. Como não segui-Lo?

Agora sim, eles estavam prontos para obedecer, mesmo que essa caminhada de obediência fosse marcada por tropeços.

Uma missão que começa fora do contexto da paternidade divina não dura muito tempo. A missão de Jesus na terra começa com o Pai rasgando o céu e declarando seu amor publicamente: "Esse é o meu filho". Isso sustentou a obediência de Jesus até a morte, mesmo que no fim ela fosse requerer seu próprio sangue.

"Nunca devemos perder a nossa admiração
Com os olhos arregalados e perplexos
Que possamos ser como uma criança
Olhando para a beleza do nosso rei"

Wonder - Bethel Music

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

A vida dos nossos filhos são reflexos da nossa vida

Uma mensagem aos pais

Por Sidney Santos Custódio

Desejamos que se levante uma geração como a de João Batista, que denuncia o que está errado e levanta um padrão de justiça e pureza por meio de zelo e radicalidade. Uma geração que não é dada aos prazeres desse mundo, pois somente um prazer lhe satisfaz: experimentar a bondade de Deus e agradar o coração Dele. Essa é a palavra que Deus tem liberado nesses dias. Jesus quer levantar seus precursores – sim, é o que queremos!

O que não atentamos é que, para existir uma geração como a de João Batista, precisamos de uma geração de pais como Zacarias e Isabel. Eles eram um casal justo diante do Senhor. Poucas pessoas na Bíblia alcançaram esse testemunho diante de Deus, de caráter e comportamento agradáveis a Deus. Eram também irrepreensíveis aos olhos dos homens. Não tinham desavenças conjugais, apesar da esterilidade de Isabel, e eram firmes e zelosos nas suas funções, permanecendo fiéis à lei de Moisés nos seus turnos e nos costumes sacerdotais. Eles haviam alcançado maturidade suficiente para serem mais do que pais naturais.

Não podemos pensar em João Batista e na grandeza de seu ministério sem antes dar a honra devida aos seus pais. Eles foram um espelho do caráter de Deus para aquele que havia de preparar o caminho do Messias. Em Deuteronômio 6:4-9, encontramos os princípios que precedem uma geração como a de João Batista – e o principal assunto tratado é Deus:

"Ouve, ó Israel: O SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR. Amarás o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças. E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; e as ensinarás a teus filhos e delas falarás sentado em casa e andando pelo caminho, ao deitar-te e ao levantar-te. Também as amarrarás como sinal na mão e como faixa na testa; e as escreverás nos batentes da tua casa e nas tuas portas."

Seu filho será a combinação do que você diz e faz. Vivemos um tempo em que os pais atuais estão preocupados em orientar seus filhos quanto ao futuro deles nos estudos, na vida profissional, no casamento, ou em prover materialmente os anseios de uma geração que está aprendendo com o mundo a ser consumidora insaciável. Não estou dizendo que buscar essas coisas é errado, ou que somos maus pais se só ensinarmos essas coisas aos nossos filhos. Apenas estou dizendo que, se assim o fizermos, estaremos seguindo o curso desse mundo.

Cada uma das preocupações acima tem sua importância e seu lugar na vida, mas o resultado de focalizar somente nelas é uma geração de filhos sem senso de missão de Deus, sem propósitos e desígnios eternos, agitada pelo vento das circunstâncias da vida. Precisamos liberar o destino de Deus sobre os nossos filhos. Nós, pais, temos a missão de sermos os catalizadores do chamado que Deus tem feito aos nossos filhos naturais e espirituais. O que Deus disse que seus filhos seriam? Debaixo de qual promessa seus filhos estão? Em Lucas 1:76-79, a Bíblia nos revela que Zacarias conhecia a missão de seu filho, ele entendia o plano que o próprio Deus havia desenhado para a vida de seu filho:

"E tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque irás à frente do Senhor, preparando os seus caminhos; para dar ao seu povo conhecimento da salvação pelo perdão dos seus pecados, graças à profunda misericórdia do nosso Deus, pela qual a aurora lá do alto nos visitará, para iluminar os que estão nas trevas e na sombra da morte, a fim de guiar os nossos pés no caminho da paz."

Para vivermos essa realidade, precisamos de alguns passos práticos:

1- É preciso haver arrependimento dos pais pelo pecado da omissão. Existe um pensamento que permeia a maioria dos pais cristãos: é papel dos líderes da igreja a educação e o discipulado de seus filhos.

Entretanto, Deus deu a nós, PAIS, a responsabilidade e a missão de conduzirmos nossos filhos dentro de seus destinos em Deus. O trabalho realizado pelos líderes não substitui o cultivo diário que cabe a nós, pais. O que acreditamos é numa parceria entre pais e líderes – o que é despertado por meio dos líderes é cultivado diariamente pelos pais. Aí que reside o sucesso para uma geração como a de João Batista.

Nos momentos em que a família encontra-se reunida, fala-se pouco sobre a Lei de Deus, sobre o “peso” do coração do Pai. É preciso ir além de contar histórias bíblicas ou lições de moral que a Bíblia apresenta (e quando, ao menos, isso é feito).

2- Seja o sacerdote da sua casa. Zacarias era um sacerdote. O ministério do sacerdote caracteriza-se basicamente por servir ao coração de Deus com tempo e zelo, e ouvir o que Deus tem a dizer. Como tal, Zacarias pôde ouvir a palavra viva e específica que veio através do anjo Gabriel, em Lucas 1.13-17:

Mas o anjo lhe disse: Não temas, Zacarias; porque a tua oração foi ouvida, e Isabel, tua mulher, te dará à luz um filho, e tu o chamarás João; terás alegria e satisfação, e muitos se alegrarão com o nascimento dele; porque ele será grande diante do Senhor; não beberá vinho, nem bebida forte; e será cheio do Espírito Santo desde o ventre materno; ele converterá ao Senhor, seu Deus, muitos israelitas; irá adiante do Senhor no espírito e poder de Elias, para reconduzir o coração dos pais aos filhos, e os rebeldes à prudência dos justos, a fim de constituir um povo preparado para o Senhor.

Da mesma maneira, só quando os pais atentarem para o chamado ao sacerdócio (Apocalipse 5.10) lhes será possível serem uma base para a geração de João Batista.

3- Gaste tempo orando e meditando com o seu filho. Em Provérbios 22:6 lemos: “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e mesmo quando for idoso não se desviará dele!” O que você fala e o que você faz se tornam padrões para eles. Não apenas mostre o lugar secreto, mas vá junto.

Conclusão:

Se desejamos uma geração radical, precisamos de atitudes radicais, persistindo naquilo que acreditamos como Comunidade. Chegou a hora de empurrarmos nossos filhos para viverem essa realidade... ou vamos continuar seguindo o curso deste mundo? Nós somos os responsáveis por conduzi-los ao destino que Deus tem preparado para suas vidas. Somos os responsáveis pelo sucesso ou pelo fracasso da próxima geração. Para que uma geração de jovens se manifeste com autoridade profética, poder e firmeza, é necessário que haja Paternidade.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Esse é o nosso Deus

Por Ana Cristina Pina, do blog Eu e minha mente

Criador de todo o Universo, Deus é quem rege todas as coisas. Ele é Amor, mas não conteve esse amor, antes quis dar de Si mesmo. Assim, fez o homem para amar e ter relacionamento. Ele amou toda a Criação e escolheu primeiro – somos Sua coroa!

Deus não endurece Seu coração, mesmo sendo negado todos os dias. Na verdade, Ele está “louco” para se derramar e revelar Seu grande amor a nós. O Pai sabe quem é, por isso nada abala Sua pessoa e Seu amor. Ele dá sem querer nada em troca. Permanece o tempo todo na expectativa de olharmos para Ele. Deus faz algumas interrupções na nossa vida: situações ruins acontecem só para pararmos tudo e pedirmos a Sua ajuda. Assim, Ele pode ter um tempo conosco para nos conquistar e nos fascinar com a Sua beleza, pela manifestação da Sua glória. Não há no céu nem na terra alguém como o nosso Deus!

Mesmo que as coisas fiquem ruins em nossas vidas, Ele está cuidando de tudo. Podemos descansar no Seu amor. Isso requer transformar nossa mente e nosso coração. Precisamos apenas nos colocar a Sua disposição, no lugar de descanso. Ele vem através do Seu Espírito Santo conquistar nosso coração.

Uau! Quem é como o nosso Deus? Paciente, não suspeita mal, ama Seus filhos com todo Seu amor, tanto amor que mostrou nosso valor através do Seu único Filho, morto em uma cruz para que estivéssemos conectados com o Pai. Nosso valor é revelado pela Sua total entrega. Para Deus, valemos tudo, o preço foi alto. Esse é o nosso Pai, o nosso Marido, o Amado que ainda está conquistando a nossa alma. Ele é o Belo, o Galante, Aquele que só tem elogios até quando nem queremos vê-Lo. Deus espera, pois sabe que está chegando o dia em que nosso coração será totalmente rendido a Ele, quando nosso desejo será somente o de estar com Ele.

Esse é o nosso Deus! Ele é o Amado que nos aguarda enquanto estamos agitados com nosso dia a dia, com nossas ansiedades, com nossas preocupações e desculpas. Ele espera receber de nós um olhar, um aceno. Ele quer segurar a nossa mão e fazer nossa vida agitada parar. Então, quando esse momento acontece, encontramos tudo o que sempre procuramos: Amor, ou seja, encontramos Deus, que é o próprio Amor. Nesse encontro perfeito, que satisfaz tudo dentro de nós, entramos em outra realidade: a Dele.

Esse é o nosso Deus! Ele está nos esperando nos tempos bons e nos tempos ruins. Quando tudo está mal e não conseguimos enxergá-Lo como é, Ele continua se revelando e dizendo que nos ama, mesmo quando não conseguimos ouvi-Lo. Ele espera que despertemos e abramos a porta para que possamos vê-Lo como Ele é: O Lindo e Amado Noivo que quer casar. Ele só precisa de um “sim”, a conquista Ele mesmo fará. Deus vai nos mostrar Sua vida e Sua realidade. O que estamos esperando?

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Não tenha medo do escuro

Por Anderson Bomfim

Ouvi um amigo comentar que somos como alguém diante de uma ecografia, não temos visão clara de como vai ser o que estamos gerando, mas ouvimos claramente seu som. Uma semente é gerada escondida até que chegue o tempo oportuno de vir à luz. Deus chamou à existência a luz. A partir dessa luz tudo foi recriado, tudo se fez novo. A partir da luz as trevas foram modeladas e foram estabelecidos limites (Isaias 45.7). Ainda que vivamos dias de obscuridade, difíceis de compreensão, para Deus até as próprias trevas não te serão escuras, “as trevas e a luz são a mesma coisa” (Salmo 119:11). Sempre vê tudo, sempre, claramente. De modo assombrosamente maravilhoso nos formou, parte por parte. Assim como todo trabalho de parto é traumático, vivemos dias radicais que definem o marco de uma nova estação em nossas vidas, até que nunca mais sejamos as mesmos.

Em dias que o deus desta era cega o entendimento das pessoas, Ele mesmo nos guiará por um caminho que nunca andamos. Quando nos faltam respostas, somos desafiados a nos deixar ser conduzidos, até que tenhamos olhos para ver no escuro, e tudo se torne claro diante de nós. O fato é que da obscuridade natural nasce uma claridade divina, um novo censo de direção e sentido. Em Gênesis 15:1, num ambiente de densa escuridão, Abraão tem uma visão clara do futuro. A partir da impossibilidade humana de ver, um plano sobremodo elevado é desvendado. Moisés como cumprimento dessa visão, em meio a densas trevas, ouviu claramente uma voz e ordenou uma nação por meio da torá (Deuteronômio 5:22).

Procurar apoio em algo aparentemente seguro e deixar de avançar por medo pode nos levar de volta ao lugar que estávamos antes. Retrocesso abortivo. Hoje temos a oportunidade de perder o medo do escuro e ver a partir da nossa incapacidade de enxergar. Mark W. Baker diz que o “O medo é uma reação natural a um perigo. Ao enfrentar nossos medos podemos aprender muitas coisas sobre nós mesmos, ao passo que tentar fugir deles costuma nos levar a direção errada. Deus sabe disso. Ele não nos desvia do vale tenebroso (Salmo 23.3), mas nos encoraja a atravessá-lo estando conosco. O medo é um sinal para nos lembrar que a melhor maneira de lhe dar com uma crise é não atravessá-la sozinho”. A revelação do amor triunfa sobre o medo. 1 João 4.18 diz: “No amor não existe medo; O medo produz tormento; aquele que teme não é aperfeiçoado no amor. Nós amamos porque ele nos amou primeiro”.

Voltemos ao primeiro amor, a quem nos amou primeiro e uns aos outros para que possamos avançar juntos, ouvindo, vendo, seguindo por um novo e vivo caminho. Aquilo que está sendo gerado no escuro virá a luz. Não pare, não desista do que Deus colocou dentro de você, procure por um foco, mantenha os olhos em Cristo e veja quantas coisas incríveis estão por vir. Isaias 42.14 diz: “Por muito tempo me calei, estive em silêncio e me contive, mas agora darei gritos como a que está em trabalho de parto, gemendo e respirando ofegante. Transformarei os montes e as colinas em deserto e farei secar toda a sua vegetação. Transformarei os rios em ilhas e secarei as lagoas. Guiarei cegos por um caminho que não conhecem, eu os farei caminhar por veredas que não conheceram, farei as trevas se tornarem luz diante deles e aplanarei os caminhos acidentados, Eu lhes farei essas coisas e não os desampararei”.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

O clamor da humanidade por ordem

Luciano Motta

O sábio Salomão estava certo: "O que foi será, e o que se fez, se fará novamente; não há nada novo debaixo do sol. Será que existe alguma coisa da qual se possa dizer: Vê! Isto é novo? Não! Já existiu em épocas anteriores à nossa" (Eclesiastes 1.9-10). Não existe nada novo. A vida é um ciclo. Somos hoje só um pouco diferentes dos primeiros homens que viveram na terra. Anseios, motivações, vazios, conflitos, alegrias, criatividade, realizações - tudo vem passando por atualizações, é verdade, mas em essência somos os mesmos, não importa a geração. A grande novidade do momento é certamente um tipo de retorno ao passado. A arte e a moda vintage, ou retrô, ou kitsch, reforçam a reciclagem, o pastiche e a releitura que acompanham as eras.

Na vida individual e em sociedade, ciclos de aparente ordem e intensa crise se sucedem desde que o homem e a mulher se apartaram de Deus no Éden. Podemos ver isso acontecer em todas as áreas: ora estamos empregados com tudo dando certo, ora temos portas fechadas e falta de dinheiro; alternamos fases de harmonia e desentendimentos nos relacionamentos; oscilamos entre realização pessoal e um enorme vazio. Exatamente como no passado, Adão e Eva buscando o conhecimento do bem e do mal longe de Deus, a humanidade sempre tentou encontrar um ponto de equilíbrio para sua existência, porém separada do Criador. A presunção de "reinventar a roda" move o coração das pessoas de tempos em tempos, para só retornarem ao mesmo ponto de insatisfação e incompletude.

A arte é um bom exemplo de como esses ciclos acontecem. Depois da renovação social, cultural, artística, literária, científica e econômica que se processou na Europa nos séculos XV-XVI, conhecida como Renascimento, houve uma redescoberta da civilização da antiguidade clássica greco-romana e um anseio por ordem e pelo rompimento das trevas que obscureceram a humanidade durante a Idade Média. Essa renovação marcou o começo da chamada Idade Moderna, ou simplesmente Modernidade. As grandes navegações e o contato com outros povos e culturas colocaram em cheque o pensamento medieval. O europeu saiu finalmente de seu "mundinho" estático, centrado na religiosidade católica, para novas aspirações. Deixou de acreditar que o conhecimento da "verdade" dependia da revelação de Deus - agora dependia do próprio homem conquistá-la. Então, por que ele deveria se preocupar com o que viria após a morte? "Carpe diem!" - aproveite o dia, desfrute do momento presente, busque os prazeres da vida, afinal, você é a figura central da existência e não precisa de Deus nem da religião.

Alguns anos se passaram, e o homem entrou em nova crise. Aquele mundo interior aparentemente em ordem, resolvido consigo mesmo, tornou-se um caldeirão de contradições e paradoxos. O período Barroco, nos séculos XVI-XVII, ficou marcado pelos embates: Santo x Profano, Luz x Sombra, Vida x Morte. A pintura e a poesia retratavam obras de artistas em conflito: Seria melhor voltarmos ao que éramos antes das ideias renascentistas e nos submetermos a uma vida sacra? Ou vamos seguir aproveitando o que a carne e o mundo material têm de melhor a nos oferecer?

Dessa crise, emergiu no século XVIII um movimento de retorno aos ideais clássicos de ordem e progresso: o Iluminismo. Passou a vigorar uma forte confiança na capacidade do homem em promover os avanços sociais, sendo a razão o principal meio para o bem-estar coletivo. A Enciclopédia e a Declaração dos Direitos do Homem foram empreendimentos desse pensamento focado em organizar a vida e o conhecimento. O racionalismo e o cientificismo eram soberanos no chamado período Neoclássico, também conhecido como Arcadismo. Simetria, serenidade e clareza tornaram-se o padrão artístico por algum tempo.

Mas não demorou muito para que, no final do século XVIII, a humanidade entrasse em crise novamente. O progresso era bom, mas requeria um preço. Diversas revoluções políticas eclodiam em toda a Europa e até nos EUA. O que se poderia fazer então? Fugir para a natureza e encontrar nela um abrigo para tantos conflitos, ou ter a morte como única saída possível. Durante o Romantismo, os sentimentos eram exacerbados, a razão ficou de lado. A imaginação e a idealização permitiam certo escape de tanto pessimismo e falta de perspectiva. Muitos mergulharam no "eu" e só encontraram mais angústia e dor existencial. A visão da vida havia se tornado nebulosa, obscura.

"O que foi será, e o que se fez, se fará novamente". Outra vez ocorreu uma guinada no modo de pensar. A partir da segunda metade do século XIX, houve maior preocupação com a realidade objetiva, focalizando as mazelas sociais e a decadência da sociedade burguesa. A Revolução Industrial deixou muitas famílias sem sustento, gerando pobreza e desordem  no campo e nas cidades. O Realismo procurou expor em detalhes esses problemas, retratando também a hipocrisia no seio das famílias e da igreja. Ainda nessa época, novas descobertas no campo da biologia, especialmente as teorias da evolução e da seleção natural de Charles Darwin, intensificaram o pensamento realista, a ponto do homem ser retratado em muitas obras de forma animalizada, guiado por instintos primitivos. O Naturalismo foi pautado pela tese determinista de que o comportamento dos indivíduos derivava do meio em que estava inserido, além de fatores como raça e contexto histórico.

Praticamente no mesmo período, desencadeava-se uma volta aos clássicos entre os Parnasianos, que objetivaram as formas líricas tradicionais e o preciosismo vocabular. Sem se importarem com a realidade ao redor, produziram obras que valorizavam a estética e a forma - era a "arte pela arte". Por sua vez, os artistas do Simbolismo reagiam ao cientificismo, ao racionalismo e ao naturalismo, com obras notadamente marcadas pelo subjetivismo e pelo pessimismo, vívidos durante o Romantismo. O pensamento simbolista supunha a existência de dois mundos: um ligado às aparências e o outro, às essências, tal qual os pressupostos platônicos. Espiritualidade e misticismo moviam a alma desses artistas em seu desejo de transcendência e felicidade possíveis apenas no plano imaterial.

As duas primeiras décadas do século XX foram um período de transição. A Europa vivia sua Belle Époque - um tempo de euforia pelo grande desenvolvimento, pela crescente industrialização, pelos avanços da ciência. Novos campos do conhecimento, como a psicanálise, de Sigmund Freud, e novos pressupostos, como a "morte" de Deus, de Friedrich Nietzsche, fomentaram as chamadas Vanguardas Europeias e seus manifestos por novas maneiras de produzir arte. Tamanha profusão de rupturas e experimentalismos deu origem ao ciclo seguinte: o Modernismo. Foram muitas as gerações modernistas, com suas ênfases e peculiaridades, acentuando em cada década do século passado a fragmentação formal e ideológica, a dessacralização do objeto artístico e também de outros campos do conhecimento humano, o experimentalismo estético, a desconstrução, a intertextualidade, a paródia, o pastiche.

Impulsionados pelas mídias e pelas tecnologias digitais, chegamos ao século XXI: um tempo de profundas ambivalências e ambiguidades nas artes e na cultura em geral. Vivemos uma realidade multifacetada, extremamente acelerada, estressante e consumista, que tende a alocar mais e mais pessoas no ambiente virtual, nutridas por altas doses de entretenimento e distração hedonista (leia-se: baladas, festas, curtição, bebedeiras, drogas, promiscuidade, pornografia). Para muitos, a existência só é possível nas redes sociais e em sites dos mais variados temas e gêneros, mediada por telas LED touch-screen, pois as crises da vida real são severas, dolorosas, intransponíveis.

O cenário atual prefigura um novo e necessário ciclo de ordem, pendente desde as primeiras crises da Modernidade. O homem no centro da existência humana tem se mostrado um retumbante fracasso moral. Os ideais de progresso afundam em um mar de corrupção e injustiça. O carpe diem do presente foi elevado à máxima potência: agora tudo é imediato e instantâneo, gerando relacionamentos descartáveis e prazeres cada vez mais efêmeros. Há um esgotamento que sufoca as pessoas em tédio, enfado e desesperança. Vivemos um tempo de exponencial desordem, em que a humanidade continua a correr atrás de mudanças e novas perspectivas, porém sempre tropeçando em sua própria arrogância e regressando às mesmas lacunas existenciais. Alguns estudiosos tentaram classificar a contemporaneidade como um período Pós-moderno, como se fosse possível nomear algo ainda em curso. Mas não se pode descartar o reconhecimento - ou, pelo menos, o desejo - de um novo momento histórico que se descortina diante dos nossos olhos.

Proliferam-se nos últimos anos, no cinema e na literatura, obras como Jogos Vorazes, Divergente, Planeta dos Macacos, Guerra Mundial Z, que evocam distopias, ou seja, sociedades fictícias ora desoladas por epidemias ou catástrofes, ora regidas por estados totalitários, ditatoriais, nos quais o controle e a manipulação encarceram o homem em um tipo de realidade totalmente contrária às noções de unidade, harmonia e felicidade plenas. Aqueles que tentam resistir enveredam por uma via de enfrentamentos, perdas e morte. Parece que o imaginário coletivo prevê um tempo próximo de grande ruína, em que as liberdades individuais serão suprimidas por um "bem comum", que logo se mostrará uma ilusão; um tempo em que os governos se submeterão a um líder maior e mais capacitado para gerir as causas e as crises das nações. Isso remete aos impérios e seu modus operandi de tirania e opressão.

O que estamos ouvindo, na verdade, são reverberações do clamor desesperado da humanidade por ordem, por algo que organize seu mundo interior, sua alma vazia e faminta por completude e realização, por algo que traga paz e sentido para a vida individual e coletiva. A Bíblia diz que o mundo encontrará em breve o líder que tanto procura, com base em seus preceitos humanistas e hedonistas. Virá o que as Escrituras chamam de Anti-Cristo, com uma falsa paz e uma falsa ordem.

Os homens se submeterão a ele, porém por pouco tempo. Seu governo babilônico de controle e manipulação sucumbirá ante o senhorio Daquele que venceu a morte, o Cordeiro que voltará como Leão e julgará o Anti-Cristo e as nações com base em Sua Justiça e Retidão, fundamentos do Seu Trono. Não será estabelecido um império, mas um Reino de paz que nunca terá fim.

A boa notícia é que somos chamados a reinar com Cristo... Aquele que nos ama e nos libertou dos nossos pecados pelo Seu sangue... Aquele que, com o Seu sangue, comprou para Deus homens de toda tribo, língua, povo e nação, e os constituiu reino e sacerdotes para Deus, e assim reinarão sobre a terra (Apocalipse 1.5-6; 5.9-10). Estamos bem próximos de ver algo inédito acontecer debaixo do sol, algo que o sábio Salomão sequer imaginou: o grande e terrível Dia do Senhor se aproxima, quando a realidade dos céus invadirá e abalará a terra definitivamente.

Então, finalmente, virá a ordem tão esperada: "Então vi um novo céu e uma nova terra. Pois o primeiro céu e a primeira terra já se foram, e o mar já não existe. Vi a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, enfeitada como uma noiva preparada para seu noivo. E ouvi uma forte voz, que vinha do trono e dizia: O tabernáculo de Deus está entre os homens, pois habitará com eles. Eles serão o seu povo, e Deus mesmo estará com eles" (Apocalipse 21.1-3).

terça-feira, 24 de junho de 2014

O engano da unidade pela tolerância

Luciano Motta

{ Esta reflexão é uma continuação do artigo Babel, linguagem e unidade – é fundamental, portanto, a sua leitura antes de prosseguir. }

Apesar de bastante conhecida, vale relembrar a história da torre de Babel, em Gênesis 11. Naquele tempo, a terra tinha uma só maneira de falar. Os homens decidiram ir para o oriente e então acharam um vale na terra de Sinar (que significa "país de dois rios", ou seja, uma terra de duas fontes, um claro indício de divisão). Eles não queriam construir apenas uma torre, mas uma cidade e um nome que seriam conhecidos no mundo inteiro, para que não fossem espalhados pela face da terra (o que afronta a ordem de Deus de multiplicar e encher a terra, algo que implica movimento, não compatível com permanecer em um só lugar). O Senhor veio sobre eles, confundiu-lhes a linguagem e os espalhou, e pararam de edificar a cidade.

Enquanto edificavam a cidade em Sinar, diz a Bíblia que o povo de Babel preferiu tijolos a pedras, o que representa o desejo humano de unidade pela tolerância. Tijolos são moldáveis e podem assumir a forma que seus construtores quiserem. Trata-se do mesmo espírito de conformidade e tolerância que se enraíza cada vez mais em nossa sociedade, uma mentalidade que promove aceitação de diferenças, consentimento quanto à conduta dos outros, mesmo que fira os padrões bíblicos de santidade e temor a Deus. E que cada um faça o que é reto a seus próprios olhos, como nos tempos dos Juízes, em que não havia rei sobre Israel (leia Juízes 17:6).

Um exemplo de como esse espírito ganha espaço até mesmo na igreja é a forma como tratamos a falta de unidade entre nós. Na verdade, nós toleramos a desunião e a falta de comunhão por causa de nossas "construções particulares", como estava fazendo o povo de Babel. Edificamos com tijolos quando usamos uma expressão bonita (e deslocada de seu real significado) para justificarmos as divisões e as separações entre nós: “multiforme graça de Deus”. Embora seja verdade a existência de diferentes expressões no Corpo de Cristo, o problema reside no fato de diversas igrejas e denominações estarem sendo seduzidas pelo espírito da cidade ao edificarem algo para si mesmas – cada um buscando o que é seu, não o que é de Cristo (Filipenses 2.21). Temos considerado isso algo “normal”. Mas seria possível sermos divididos na terra e unidos no céu?

Paulo exorta os crentes coríntios: “Porque tenho ciúme de vós, e esse ciúme vem de Deus, pois vos prometi em casamento a um único marido, que é Cristo, para vos apresentar a ele como virgem pura. Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com sua astúcia, também a vossa mente seja de alguma forma seduzida e se afaste da simplicidade e da pureza que há em Cristo. Porque, se chega alguém e vos prega outro Jesus que não pregamos, ou se recebeis outro Espírito, que não aquele que recebestes, ou outro evangelho que não acolhestes, vós de boa vontade o suportais” (2 Coríntios 11.2-4). Esse trecho final, em outra versão, afirma: "vós de boa mente o tolerais". De fato, o que mais se vê em nossos dias é a tolerância para com "evangelhos estranhos" e um "espírito estranho" ao que reconhecemos nas Escrituras. Prevalece, como em Sinar, a existência de "dois rios" ou "duas fontes" em nosso meio.

Cristo adverte a igreja de Tiatira: “Conheço tuas obras, teu amor, tua fé, teu serviço e tua perseverança. Sei que tuas últimas obras são mais numerosas que as primeiras. Mas tenho contra ti que toleras Jezabel, mulher que se diz profetisa; ela ensina e seduz meus servos a se prostituírem e a comerem das coisas sacrificadas a ídolos” (Apocalipse 2.19-20). Não é possível que a igreja seja uma virgem pura para Cristo enquanto for ensinada e seduzida por Jezabel e pela forma de pensar da Babilônia, contaminando suas obras, seu amor, sua fé, seu serviço e sua perseverança. Pessoas cheias do Espírito Santo não vivem conforme o espírito da cidade!

No Reino de Deus, a unidade se fundamenta na Rocha: Cristo. Ele é a Pedra Angular, a Pedra Viva rejeitada pelos homens, mas eleita e preciosa para Deus. Edificados Nele, somos pedras vivas, uma casa espiritual, um sacerdócio santo que oferece sacrifícios espirituais aceitáveis a Deus, por meio de Jesus Cristo (1 Pedro 2.4-9).

Enquanto tijolos são moldáveis, pedras são difíceis de serem encaixadas como um bloco consistente e conjunto. Nós somos essas pedras: temos vontades próprias, personalidades, temperamentos. Pedras são lapidadas, polidas: somos colocados uns sobre os outros (Corpo de Cristo). Às vezes dói se encaixar com determinado irmão, ou “estar debaixo”. O espírito da cidade não se submete, pois quer estar sempre “por cima”. Mas nós não somos assim. Nossa postura não deve ser de tolerância, mas de submissão em amor, de suportar uns aos outros em amor, de considerarmos os outros superiores a nós mesmos. Não podemos mais abrir mão da sã doutrina, dos pilares da nossa fé, em nome de uma suposta "unidade cristã" ou "evangélica" só porque temos valores cristãos, e por causa disso deixarmos de combater os desvios, as misturas, os sofismas que estão invadindo as igrejas e gerando confusão e mais divisões, pela falta de conhecimento de Deus.

Um instrumento poderoso para que haja unidade entre nós é a oração. O altar é feito de pedras – é urgente, portanto, reparar o altar coletivo da oração e o sacerdócio de todos os santos. Para termos uma só linguagem e um só modo de falar, precisamos nos unir em oração uns pelos outros, pelas cidades e nações. A partir da devoção pessoal e individual, haverá unidade de espírito entre nós. Sem a oração, sem entrarmos no Conselho do Senhor (Jeremias 23.16-22), como saberemos o que Ele quer para nós individualmente e coletivamente?

Não podemos mais tolerar as divisões no Corpo de Cristo – O mundo conhece e crê em Jesus pela unidade da igreja. Se Jesus orou para que fôssemos "perfeitos em unidade" (João 17.22-26), também precisamos orar intensamente por isso até ser uma realidade entre nós. Caia a sedução de Babel de nos unirmos sem o Senhor! Que venha o Reino de Deus, o Reino edificado em Cristo, formado de pedras que vivem para Ele e pela causa Dele!

domingo, 15 de junho de 2014

Canção: Estamos aqui



Estamos aqui diante da Tua Face
Liberando incenso, nossas orações a Ti

Tu és Digno de receber, Tu és Digno de receber
Toda honra, toda glória

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Mudanças no visual

Estou efetuando algumas mudanças aqui no Blog nesta semana. Possivelmente você verá as coisas em constante movimento nos próximos dias.

Como tenho feito todos os anos, a cada dez mil acessos mexo um pouco no visual e na estrutura do Blog.

E o número de 40.000 acessos está se aproximando...

domingo, 1 de junho de 2014

O resgate da honra - parte final

Luciano Motta

Encerro esta série de artigos, indicando algumas ações pontuais que podem redimir a honra de ser apenas uma palavra bonita e cristã, porém fora da nossa realidade prática (se você ainda não leu os textos anteriores, comece agora mesmo pela primeira parte). É óbvio que este assunto não se esgota aqui, mas podemos progredir e avançar muito em nossos relacionamentos com Deus e uns com os outros se...

1- Alinharmos a devoção pessoal e coletiva: Como anda nosso coração com relação ao Primeiro Mandamento, de amar ao Senhor sobre todas as coisas? Estamos dedicando tempo para Ele ou temos sido consumidos pelas rotinas de trabalho, estudos, deveres domésticos, familiares e até ministeriais? Deus é Digno de ser honrado com um tempo diário só para Ele. É no mínimo estranho pensar em devoção sem um lugar e um horário bem definidos. Podemos, por exemplo, passar um dia inteiro pensando na pessoa que amamos  mas nada substitui o encontro. Deus anseia que nos encontremos com Ele. Vamos retribuir, portanto, ao Seu amor por nós com um tempo de qualidade, estabelecendo lugar e horário fixos para estarmos diante Dele todos os dias.

Além disso, Cristo precisa ser de novo centralizado em nossos cultos e reuniões. Ele merece ser adorado de fato e de verdade. Isso vai na contramão do tipo de "culto" que se vê comumente nas igrejas de hoje, onde o foco predominante está nas necessidades humanas e na expectativa de receber e não de dar. "O Cordeiro que foi morto é digno de receber o poder, a riqueza, a sabedoria, a força, a honra, a glória e o louvor" (Apocalipse 5.12). O Pai deseja "que todos honrem o Filho, assim como honram o Pai. Quem não honra o Filho não honra o Pai que o enviou" (João 5.23).

2- Cultivarmos uma vida de ações de graças: A atitude de gratidão para com Deus e para com as pessoas à nossa volta é inseparável da honra. Em dias de ansiedade, preocupações e grande estresse, muita gente vive reclamando, desprezando até mesmo um simples "obrigado" depois de receberem algo ou de serem servidos por alguém. No episódio da cura dos dez leprosos, Jesus valorizou o único que retornou para agradecer a cura recebida (Lucas 17.12-19). Antes de operar o milagre da multiplicação dos pães e dos peixes, Jesus deu graças ao Pai (João 6.1-13). Encontramos nas epístolas de Paulo várias instruções para que cresçamos em ações de graças em tudo, até mesmo nas dificuldades (Colossenses 2.7, Filipenses 4.6, 1 Timóteo 2.1).

3- Zelarmos pelo casamento e pela família: A Bíblia compara o relacionamento entre o homem e a mulher ao relacionamento entre o Noivo (Cristo) e a Noiva (a Igreja). A esposa deve se submeter ao seu marido como a Igreja está sujeita a Cristo. Já o marido deve amar sua mulher como "Cristo amou a Igreja e a si mesmo se entregou por ela, a fim de santificá-la, tendo-a purificado com o lavar da água, pela palavra, para apresentá-la a si mesmo como igreja gloriosa, sem mancha, nem ruga, nem qualquer coisa semelhante, mas santa e irrepreensível" (Efésios 5.22-33). A fidelidade no casamento, nutrido por um amor sem mácula, honra a vontade de Deus para a família: "Digno de honra entre todos seja o matrimônio e a pureza do leito conjugal; pois Deus julgará os imorais e adúlteros" (Hebreus 13.4).

4- Celebrarmos pais e filhos: A honra é um dos instrumentos que promovem a conversão de pais aos filhos e de filhos aos pais. Pequenos gestos como dar presentes (fora os aniversários e as "datas especiais"), sentar para conversar (ouvir mais do que falar), sair para um simples passeio (não precisa ser algo dispendioso) ou enaltecer as conquistas dos seus pais (ou dos seus filhos) fazem uma grande diferença nos relacionamentos familiares. Vimos na segunda parte desta série de artigos que honrar e obedecer aos nossos pais independem da forma como eles nos trataram  ou ainda nos tratam. E os filhos também devem ser estimados e encorajados pelos pais. Tudo isso é "agradável ao Senhor" (Colossenses 3.20-21).

5- Valorizarmos aqueles que nos lideram e quem lideramos: As mesmas ações acima, aplicáveis aos pais naturais, devem ser reproduzidas na maneira como tratamos nossos líderes e pais espirituais. Eles zelam por nossas vidas e merecem honra, respeito e estima. Como vimos nas Escrituras, "os presbíteros que governam bem devem ser dignos de honra em dobro, principalmente os que trabalham na pregação e no ensino" (1 Timóteo 5.17). Repare na ênfase: "que governam bem". Infelizmente, essa não é a realidade em muitas igrejas. Muitos líderes administram mal suas congregações, cuidam mal de suas famílias, tratam mal aqueles que lideram, enfim, estão desqualificados para liderar  e ainda exigem, manipulam, exploram as pessoas. Por outro lado, há "ovelhas" que atrapalham e até perseguem seus pastores, indo na contramão do que exorta a Palavra: "Obedecei a vossos líderes, sendo-lhes submissos, pois eles estão cuidando de vós, como quem há de prestar contas; para que o façam com alegria e não gemendo, pois isso não vos seria útil" (Hebreus 13.17). A honra é fundamental para frear o aumento do número de pessoas feridas com a igreja por causa de maus líderes e de maus discípulos.

6- Servirmos mais e melhor: Uma das maiores expressões de quanto valorizamos alguém se observa no quanto servimos a esse alguém. Jesus demonstrou isso com a própria vida, em inúmeras ocasiões. Além da morte na cruz, um dos maiores exemplos que Ele nos deixou foi quando lavou os pés dos discípulos. O costume de lavar os pés existia no Oriente desde tempos remotos e era um sinal de hospitalidade, devido as estradas poeirentas, o tipo de calçados usados, geralmente sandálias, e o clima muito quente. Quando um hóspede chegava, seus pés eram lavados por um escravo na entrada da residência. Na ausência deste, um membro da família de menor influência fazia isso, porém nunca era realizado pelo de maior honra. Em atitudes como essa, esvaziando-se de sua posição sublime e divina para servir, Jesus ensinou pelo exemplo, apontando como os valores do Reino de Deus são diferentes do mundo e como eles devem nortear nossas ações.

Assim exortou Pedro: "Antes de tudo, tende profundo amor uns para com os outros, porque o amor cobre um grande número de pecados. Sede hospitaleiros uns para com os outros, sem vos queixar. Servi uns aos outros conforme o dom que cada um recebeu, como bons administradores da multiforme graça de Deus. Se alguém fala, fale como quem comunica as palavras de Deus; se alguém serve, sirva segundo a força que Deus concede, para que em tudo Deus seja glorificado por meio de Jesus Cristo, a quem pertencem a glória e o domínio para todo o sempre. Amém" (1 Pedro 4.8-11). Paulo ilustrou o perfil de um obreiro aprovado: "Ora, numa grande casa não somente há vasos de ouro e de prata, mas também de pau e de barro; uns para honra, outros, porém, para desonra" (2 Timóteo 2.20). Temos sido instrumentos para propósitos elevados ou estamos desqualificados?

7- Considerarmos os diferentes dons e as diferentes ênfases ministeriais no Corpo de Cristo: Não é incomum que alguns ministérios acabem tomando uma proporção maior do que outros nas igrejas (e há muitas explicações para isso, principalmente por causa do perfil e do chamado dos líderes). E isso também ocorre com os dons espirituais. Em algumas congregações, a ênfase está no profético; já em outras, no evangelismo. Existem lugares que primam pela justiça social, enquanto outros se voltam mais para o ensino. O desequilíbrio maior se observa na valorização de certas ênfases e dons em detrimento de outros, o que é agravado quando se promove mais o nome de homens do que o próprio nome de Jesus. É preciso que as partes cooperem umas com as outras: os mais maduros e experientes auxiliem os mais novos e os ministérios mais desenvolvidos deem espaço para aqueles que estão começando a se desenvolver.

Como dizem as Escrituras, somos "muitos membros, mas um só corpo. Não podem os olhos dizer à mão: Não tenho necessidade de ti; nem ainda a cabeça pode dizer aos pés: Não tenho necessidade de vós. Pelo contrário, os membros do corpo que parecem ser mais fracos são essenciais; e os membros do corpo que consideramos menos honrados, nós os vestimos com mais honra. E os que em nós são vergonhosos vestimos com dignidade especial, ao passo que os membros mais apresentáveis não têm necessidade disso. Mas Deus formou o corpo de tal maneira que concedeu muito mais honra ao que tinha falta dela, para que não haja divisão no corpo, mas para que os membros tenham igual cuidado uns pelos outros. Se um membro sofre, todos os outros sofrem com ele; e, se um membro é honrado, todos os outros se alegram com ele" (1 Coríntios 12.20-26).

8- Praticarmos a generosidade: Um bom parâmetro para sabermos onde está nosso coração é o modo como lidamos com o dinheiro. É bem verdade que há muitos abusos hoje em dia ao se tratar de dízimos e ofertas, mas não podemos ser negligentes com o que a Palavra diz sobre essas ordenanças. Deus continua sendo o primeiro a quem devemos honrar com nosso dinheiro e bens: "Honra o Senhor com teus bens e com as primícias de toda a tua renda; assim os teus celeiros se encherão com fartura, e os teus lagares transbordarão de vinho" (Provérbios 3.9-10).

Dízimos e ofertas ainda valem para hoje. Cristo não veio para abolir a Lei (Mateus 5.17). No Sermão do Monte, apesar de não falar diretamente sobre “dízimo”, como o fez com “adultério” e “amar os inimigos”, Jesus tratou da questão financeira bem no meio de seu discurso – não devemos nos preocupar com o comer, o beber e o vestir, pois se buscarmos primeiro o Reino de Deus e a Sua Justiça, todas as essas coisas nos serão acrescentadas (Mateus 6.33). Há também outros textos sobre esse assunto, como quando Jesus falou: “Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”, se referindo ao dever de pagar os impostos e dar o que é do Senhor (Mateus 22.15-22). Em outra ocasião, Jesus ficou observando como as pessoas ofertavam – Ele ressaltou a oferta da viúva pobre (duas moedinhas!) em detrimento das ofertas dos ricos, porque ela deu “tudo o que possuía” e os outros deram “do que lhes sobrava” (Marcos 12.41-44). Jesus confrontou os religiosos porque davam o dízimo da hortelã, da arruda e das hortaliças, mas desprezavam a justiça e o amor de Deus. Só que Ele frisou: devem fazer estas coisas sem omitir aquelas (Lucas 11.42).

Um episódio muito importante se deu quando Maria tomou um frasco de bálsamo de nardo puro, ungiu os pés de Jesus e os enxugou com os cabelos (João 12.1-11). A casa se encheu com o perfume do bálsamo, que custava um ano de salário. Os discípulos não entenderam por que gastar tanto para que Cristo recebesse adoração. Mas Jesus fez uma promessa àquela mulher: esta história seria conhecida em todo lugar onde o evangelho fosse pregado (Mateus 26.13). O que fazemos com nosso dinheiro pode produzir um memorial diante do Senhor e da humanidade. Tanto quanto o que cantamos ou o que ministramos e fazemos em nome Dele, nossa generosidade na hora de contribuir sobe a Ele como adoração e ações de graças.

A prática de contribuir financeiramente era estimulada entre os primeiros cristãos (leia, por exemplo, Atos 2.44-45, 4.32-37; 1 Coríntios 16.1-3 e 2 Corintios 9). Eles eram generosos nas doações, sempre contribuindo, repartindo, não permitindo necessitados, órfãos ou viúvas desamparadas. Tratava-se de uma comunidade de fé que confiava tudo ao Senhor, que realmente buscava primeiro o Reino de Deus e a Sua Justiça. Isso deve ser resgatado nos nossos dias, pois promove a honra entre nós e glorifica a Deus.

. . . . .

Reconheço que há outras ações capazes de desenvolver a honra entre nós. Seria muito oportuno se aqueles que ensinam se debruçassem sobre este tema e repassassem aos irmãos, em suas congregações, cada aspecto trabalhado nesses artigos, tendo como fundamento maior cada texto bíblico citado. Seja como for, não tenho dúvidas de que a honra se constitui um dos instrumentos da graça de Deus mais necessários em nossos dias, para quebrar a falta de perdão, a divisão, os partidarismos, a autossuficiência, o desamor que se alastram pelo mundo e se entranharam na igreja.

Tudo começa quando honramos a Deus com o Primeiro Mandamento  este deve ser verdadeiramente nosso primeiro e maior alvo.

terça-feira, 20 de maio de 2014

Eventos importantes

Dois eventos muito importantes se aproximam. Participe, vá com sua família e seus amigos, reúna um grupo de irmãos da sua congregação. É urgente que a igreja de Cristo se mobilize nas cidades em oração e intercessão, até que Ele venha.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Aos pregadores da prosperidade

Por John Piper | E-book disponibilizado por Voltemos ao Evangelho

I- Não Tornem o Céu Mais Difícil
Jesus disse: “Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas!” Seus discípulos ficaram espantados, tão quanto ficariam frente ao “Movimento da Prosperidade”. Então Jesus elevou ainda mais o espanto deles, dizendo: “É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus.” Eles responderam em descrença: “Então, quem pode ser salvo?” Jesus disse, “Para os homens é impossível; contudo, não para Deus, porque para Deus tudo é possível.” (Marcos 10:23-27)

Isso significa que o espanto dos discípulos tinha fundamento. Um camelo não pode passar pelo fundo de uma agulha. Isso não é uma metáfora para algo que requer muito esforço ou humilde sacrifício. Não dá para ser feito. Sabemos disso porque Jesus disse Impossível! Foi a palavra Dele, não a nossa. “Para os homens, é impossível.” O ponto é que a mudança de coração exigida é algo que o homem não pode fazer por si mesmo. Deus precisa fazê-lo — “... contudo, não [é impossível] para Deus.”

Não conseguimos nos fazer parar de valorizar o dinheiro acima de Cristo. Mas Deus pode. Isso são boas novas. E isso deveria ser parte da mensagem que os pregadores da prosperidade anunciam antes que incitem as pessoas a se tornarem mais como um camelo. Por que um pregador iria querer anunciar um evangelho que encoraja o desejo de ser rico, confirmando deste modo as pessoas em seu desajuste ao reino de Deus?

II- Salvem as Pessoas do Suicídio
O apóstolo Paulo admoestou contra o desejo de ser rico. E por implicação, advertiu contra pregadores que incitam o desejo de ser rico ao invés de ajudar as pessoas a se livrarem disso. Ele alertou: “Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores.” (1Timóteo 6:9-10).

Essas são palavras muito sérias, mas não parecem encontrar um eco na pregação do evangelho da prosperidade. Não é errado para o pobre querer medidas de prosperidade para que tenha o que precisa, e possa ser generoso e dedicar tempo e energia a tarefas que exaltem a Cristo em vez de lutar para sobreviver. Não é errado buscar ajuda em Cristo para isso. Ele se importa com nossas necessidades (Mateus 6:33).

Mas todos nós — pobres e ricos — estamos em constante perigo de firmar nosso amor (1 João 2:15-16) e nossa esperança (1Timóteo 6:17) nas riquezas ao invés de em Cristo. Esse “desejo de ser rico” é tão forte e tão suicida que Paulo usa a linguagem mais forte para nos alertar. Minha súplica é para que os pregadores da prosperidade façam o mesmo.

III- Advirtam Contra Investimentos Fracos
Jesus adverte contra o esforço para acumular tesouros na terra; ou seja, Ele nos manda ser donatários, e não proprietários. “Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam” (Mateus 6:19-20).

Sim, todos nós guardamos alguma coisa. Jesus admite isso. Ele não espera, exceto em casos extremos, que nosso desejo de ofertar signifique que não seremos mais capazes de dar. Haverá um tempo em que daremos nossa vida por alguém, e então não seremos mais capazes de ofertar. Mas ordinariamente, Jesus espera que vivamos de tal forma que haja um padrão contínuo de trabalho, ganho, vida simples e doação contínua.

Mas dada a tendência intrínseca à ganância em todos nós, Jesus sente a necessidade de advertir contra “acumular tesouros na terra”. Isso se assemelha a ganho, mas leva apenas à perda (“traça e ferrugem corroem e ladrões escavam e roubam”). Meu apelo é que a advertência de Jesus encontre um forte eco nas bocas dos pregadores da prosperidade.

IV- Desenvolvam Donatários Generosos
“Aquele que furtava não furte mais; antes, trabalhe, fazendo com as próprias mãos o que é bom, para que tenha com que acudir ao necessitado.” (Efésios 4:28). Isso não é uma justificativa para ser rico de modo que possa dar mais. É um chamado para fazer mais e guardar menos, e então você poderá dar mais. Não há razão para que uma pessoa que prospera mais e mais em seus negócios deva ampliar a extravagância de seu estilo de vida indefinidamente. Paulo diria: Cubra suas despesas e doe o resto.

Não posso determinar o seu “cobrir”, mas em todos os textos que temos visto nesta série, há um impulso em direção à simplicidade e à generosidade extravagante, não a posses extravagantes. Quando Jesus disse: “Vendei os vossos bens e dai esmola” (Lucas 12:33), Ele pareceu sugerir não que os discípulos fossem abastados e pudessem dar de sua abundância. Parece que eles tinham tão pouco patrimônio líquido, que tinham que vender algo para terem algo para dar.

Por que os pregadores iriam querer encorajar as pessoas a pensarem que elas deveriam possuir riquezas para serem onatários generosos? Por que não encorajá-los a manterem suas vidas mais simples e serem ainda mais generosos em suas doações? Isso não acrescentaria em sua generosidade um forte testemunho de que Cristo — e não as posses — é seu tesouro?

V- Promovam a Fé em Deus
A razão pela qual o autor de Hebreus nos diz para estarmos contentes com o que temos é que o oposto implica em menos fé nas promessas de Deus. Ele diz: “Seja a vossa vida sem amor ao dinheiro. Contentai-vos com as coisas que tendes; porque ele tem dito: De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei. Assim, afirmemos confiantemente: O Senhor é o meu auxílio, não temerei; que me poderá fazer o homem?” (Hebreus 13:5-6).

Por um lado, podemos confiar no Senhor como nosso auxílio. Ele proverá e protegerá. E nesse sentido, há certa medida de prosperidade que Ele nos dará. “Vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas” (Mateus 6:32). Mas, por outro lado, quando se diz: “Seja a vossa vida sem amor ao dinheiro. Contentai-vos com as coisas que tendes” pois Deus promete nunca nos deixar, isso deve significar que podemos facilmente nos mover da confiança em Deus para nossas necessidades, para o usar Deus para nossas vontades.

A linha entre “Deus, me ajude” e “Deus, me enriqueça” é real, e o autor de Hebreus não quer que a ultrapassemos. Os pregadores deveriam ajudar seu povo a se lembrar e reconhecer essa linha ao invés de falar como se ela não existisse.

VI- Eliminem os Perigos de Asfixia
Jesus adverte que a Palavra de Deus, o Evangelho, o qual tem por objetivo nos dar vida, pode ser sufocado até a morte pelas riquezas. Ele diz que ele é como uma semente que cresce entre espinhos: “São os que ouviram e, no decorrer dos dias, foram sufocados com... riquezas... da vida; os seus frutos não chegam a amadurecer” (Lucas 8:14).

Os pregadores da prosperidade deveriam advertir seus ouvintes de que há um tipo de prosperidade financeira que pode sufocá-los até a morte. Por que quereríamos encorajar as pessoas a buscar exatamente aquilo que Jesus adverte que pode nos deixar sem frutos?

VII- Preservem o Sal e a Luz
O que há nos cristãos que faz deles o sal da terra e a luz do mundo? Não são as riquezas. O desejo por riquezas e a busca de riquezas têm sabor e aparência do mundo. Desejar ser rico nos torna como o mundo, não diferentes. Justo no ponto onde deveríamos ter um sabor diferente, temos a mesma cobiça maliciosa que o mundo tem. Neste caso, não oferecemos ao mundo nada diferente do que ele já crê.

A grande tragédia da pregação da prosperidade é que uma pessoa não tem que ser acordada espiritualmente para abraçá-la; ela precisa apenas ser gananciosa. Ficar rico em nome de Jesus não é o sal da terra ou a luz do mundo. Nisto, o mundo simplesmente vê um reflexo de si mesmo. E se eles são “convertidos” a isso, eles não foram realmente convertidos, mas apenas colocaram um novo nome numa vida velha.

O contexto na fala de Jesus nos mostra o que o sal e a luz são. São a alegre boa vontade de sofrer por Cristo. Eis o que Jesus disse: “Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós. Vós sois o sal da terra... Vós sois a luz do mundo.” (Mateus 5:11-14)

O que fará o mundo saborear o sal e ver a luz de Cristo em nós, não é que amemos as riquezas da mesma forma que eles amam. Pelo contrário, será a boa vontade e a habilidade dos cristãos de amar aos outros em durante o sofrimento, a todo tempo exultando porque seu galardão está nos céus com Jesus. “Regozijai-vos e exultai [nas dificuldades]... Vós sois o sal da terra.” Salgado é o sabor da alegria nas dificuldades. Esta é a vida inusitada que o mundo pode saborear como diferente.

Tal vida é inexplicável em termos humanos. É sobrenatural. Mas atrair pessoas com promessas de prosperidade é simplesmente natural. Não é a mensagem de Jesus. Não é aquilo que ele alcançou com sua morte.

VIII- Não Escondam o Custo
O que falta na maioria das pregações da prosperidade é o fato de que o Novo Testamento enfatiza a necessidade de sofrimento muito mais do que o conceito de prosperidade material. Jesus disse: “Lembrai-vos da palavra que eu vos disse: não é o servo maior do que seu senhor. Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós outros; se guardaram a minha palavra, também guardarão a vossa” (João 15:20). E outra vez disse: “Se chamaram Belzebu ao dono da casa, quanto mais [difamam] aos seus domésticos?” (Mateus 10:25).

Paulo fez lembrar aos novos crentes em suas viagens missionárias que “através de muitas tribulações, nos importa entrar no reino de Deus” (Atos 14:22). E disse aos crentes em Roma que seu sofrimento daqueles era uma parte necessária do caminho para a herança eterna: “O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo; se com ele sofremos, também com ele seremos glorificados. Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós” (Romanos 8:16-18).

Pedro também disse que o sofrimento é o caminho natural para a bênção eterna de Deus: “Amados, não estranheis o fogo ardente que surge no meio de vós, destinado a provar-vos, como se alguma coisa extraordinária vos estivesse acontecendo; pelo contrário, alegrai-vos na medida em que sois co-participantes dos sofrimentos de Cristo, para que também, na revelação de sua glória, vos alegreis exultando. Se, pelo nome de Cristo, sois injuriados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória e de Deus” (1 Pedro 4:12-14).

O sofrimento é o custo natural da piedade. “Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos” (2 Timóteo 3:12). Estou ciente de que estas palavras sobre o sofrimento se revezam entre um sofrimento mais generalizado como parte da queda (Romanos 8:18-25) e um sofrimento específico devido aàs hostilidades humanas. Mas argumentarei mais tarde no capítulo 3 que quando isso se refere ao propósito de Deus, não há diferença substancial.

Os pregadores da prosperidade deveriam incluir em suas mensagens um ensino significativo sobre o que Jesus e os apóstolos disseram a respeito da necessidade do sofrimento. Importa que ele venha, Paulo disse (Atos 14:22), e prestamos um desserviço não contando isso cedo aos jovens discípulos, causamos-lhes um prejuízo. Jesus disse isso mesmo antes mesmo da conversão, para que os prováveis discípulos já contassem com o custo: “Assim, pois, todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo” (Lucas 14:33).

IX- Encorajem o Valor do Sofrimento
O Novo Testamento não apenas deixa claro que o sofrimento é necessário para os seguidores de Cristo, ele também se empenha em explicar o porquê e quais são os propósitos de Deus nisso. É crucial que os crentes conheçam esses propósitos. Deus os revelou para nos ajudar a entender porque sofremos e para nos passar como ouro pelo fogo.

Em Regozijem-se as Nações, no capítulo sobre o sofrimento, eu revelo esses propósitos. Aqui eu apenas os enumerarei e direi aos pregadores da prosperidade: Incluam os grandes ensinos bíblicos em suas mensagens. Recém-convertidos precisam saber por que Deus ordena que eles sofram:

1. Sofrimento aprofunda a fé e a santidade.
2. Sofrimento faz seu cálice crescer.
3. Sofrimento é o preço de encorajar os outros.
4. Sofrimento preenche o que falta nas aflições de Cristo.
5. Sofrimento fortifica o mandamento missionário do “ide”.
6. A supremacia de Cristo é manifesta no sofrimento.

X- Ensine-os o Ide
Uma mudança fundamental aconteceu com a vinda de Cristo ao mundo. Até aquele tempo, Deus focou sua obra redentora em Israel com obras eventuais entre as nações. Paulo disse: “Nas gerações passadas, [Deus] permitiu que todos os povos andassem nos seus próprios caminhos” (Atos 14:16). Ele os chamou de “tempos da ignorância": “Não levou Deus em conta os tempos da ignorância; agora, porém, notifica aos homens que todos, em toda parte, se arrependam” (Atos 17:30). Agora o foco passou de Israel para as nações. Jesus disse: “O reino de Deus vos será tirado [Israel] e será entregue a um povo que lhe produza os respectivos frutos [seguidores do Messias]” (Mateus 21:43). Um endurecimento veio sobre Israel até que o número total das nações entrasse (Romanos 11:25).

Uma das principais diferenças entre essas duas épocas é que, no Antigo Testamento, Deus glorificou amplamente a si mesmo ao abençoar Israel, de modo que as nações pudessem ver e saber que o Senhor é Deus: “Faça ele [o Senhor] justiça ao seu [...] povo de Israel, segundo cada dia o exigir, para que todos os povos da terra saibam que o SENHOR é Deus e que não há outro” (1Reis 8:59-60).

Israel não foi enviada como uma “Grande Comissão” para ajuntar as nações; pelo contrário, ela foi glorificada para que as nações vissem sua grandeza e viessem a ela. Então, quando Salomão construiu o templo do Senhor, foi espetacularmente abundante em revestimentos de ouro.

O Santo dos Santos tinha vinte côvados de comprimento, vinte côvados de largura e vinte côvados de altura. E foi coberto com ouro puro. Ele também cobriu de ouro um altar de cedro. E Salomão revestiu o interior da casa com ouro puro, e fez passar correntes de ouro frente ao Santo dos Santos, o qual também cobriu de ouro. E cobriu de ouro toda a casa, inteiramente. Também cobriu de ouro todo o altar que estava diante do Santo dos Santos. (1Reis 6:20-22)

E quando ele mobiliou o templo, o ouro mais uma vez se tornou igualmente abundante: "Então Salomão fez todos os utensílios que estavam na casa do Senhor: o altar de ouro, a mesa de ouro para os pães da proposição, os castiçais de ouro finíssimo, cinco à direita e cinco no lado sul e cinco no norte diante do Santo dos Santos; as flores, as lâmpadas e as linguetas, também de ouro; as taças, espevitadeiras, bacias, recipientes para incenso e braseiros, de ouro finíssimo; as dobradiças para as portas da casa interior e do Santo dos Santos, também de ouro" (1Reis 7:48-50).

Salomão levou sete anos para construir a casa do Senhor. E então levou treze anos para construir sua própria casa (1Reis 6:38 e 7:1). Ela também era abundante em ouro e pedras de valor (1Reis 7:10). Então, quando tudo estava construído, o nível de sua opulência é visto em 1Reis 10, quando a rainha de Sabá, representando as nações gentias, vai ver a glória da casa de Deus e de Salomão. Quando ela viu, “ficou como fora de si” (1Reis 10:5). Ela disse: “Bendito seja o SENHOR, teu Deus, que se agradou de ti para te colocar no trono de Israel; é porque o SENHOR ama a Israel para sempre, que te constituiu rei” (1Reis 10:9).

Em outras palavras, o padrão no Antigo Testamento é uma religião venha-ver. Há um centro geográfico do povo de Deus. Há um templo físico, um rei terreno, um regime político, uma identidade étnica, um exército para lutar as batalhas terrenas de Deus, e uma equipe de sacerdotes para fazer sacrifícios animais pelos pecados.

Com a vinda de Cristo tudo isso mudou. Não há centro geográfico para o Cristianismo (João 4:20-24); Jesus substituiu o templo, os sacerdotes e os sacrifícios (João 2:19; Hebreus 9:25-26); não há regime político Cristão porque o reino de Cristo não é deste mundo (João 18:36); e nós não lutamos batalhas terrenas com carruagens e cavalos ou bombas e balas, mas sim batalhas espirituais com a palavra e o Espírito (Efésios 6:12-18; 2Coríntios 10:3-5).

Tudo isso sustenta a grande mudança na missão. O Novo Testamento não apresenta uma religião venha-ver, mas uma religião vá-anunciar. “Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século” (Mateus 28:18-20).

As implicações disso são enormes para a forma que vivemos e a forma que pensamos a respeito de dinheiro e estilo de vida. Uma das implicações principais é que nós somos “peregrinos e forasteiros” (1Pedro 2:11) na terra. Nós não usamos este mundo como se ele fosse nosso lar de origem. “A nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Filipenses 3:20).

Isso leva a um estilo de vida em pé de guerra. Isso significa que nós não acumulamos riquezas para mostrar ao mundo o quão rico nosso Deus pode nos fazer. Nós trabalhamos duro e buscamos uma austeridade em pé de guerra pela causa de espalhar o evangelho até os confins da terra. Nós maximizamos o esforço de guerra, não os confortos de casa. Nós criamos nossos filhos com a visão de ajudá-los a abraçar o sofrimento que irá custar para finalizar a missão.

Então, se um pregador da prosperidade me questiona sobre as promessas de riqueza para pessoas fiéis no Antigo Testamento, minha resposta é: Leia seu Novo Testamento com cuidado e veja se você encontra a mesma ênfase. Você não irá encontrar. E a razão é que as coisas mudaram dramaticamente. “Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele. Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes” (1Timóteo 6:7-8). Por quê? Porque o chamado a Cristo é um chamado para participar de seus sofrimentos “como um bom soldado de Cristo Jesus” (2 Timóteo 2:3). A ênfase do Novo Testamento não são as riquezas que nos atraem para o pecado, mas o sacrifício que nos resgata dele.

Uma confirmação providencial de que Deus planejou esta distinção entre uma orientação venha-ver no Antigo Testamento e uma orientação vá-anunciar no Novo Testamento, é a diferença entre o idioma do Antigo Testamento e o idioma do Novo. Hebraico, o idioma do Antigo Testamento, não era compartilhado por nenhum outro povo no mundo antigo. Era unicamente de Israel. Isto é um contraste surpreendente com o Grego, o idioma do Novo Testamento, que era o idioma de comércio do mundo romano. Então, os próprios idiomas do Antigo e do Novo Testamentos sinalizam a diferença de missões. O hebraico não era apropriado para missões no mundo antigo. O grego era perfeitamente apropriado para missões no mundo romano.

XI- Separem-se dos Mercadores
O apóstolo Paulo nos dá um exemplo do quão cauteloso ele era para não dar a impressão de que estava no ministério por dinheiro. Ele disse que os ministros da palavra têm o direito de viver do ministério. Mas então, para mostrar-nos o perigo nisso, ele se recusa a usar plenamente esse direito.

“Na lei de Moisés está escrito: Não atarás a boca ao boi, quando pisa o trigo. [...] Certo que é por nós que está escrito; pois o que lavra cumpre fazê-lo com esperança; o que pisa o trigo faça-o na esperança de receber a parte que lhe é devida. Se nós vos semeamos as coisas espirituais, será muito recolhermos de vós bens materiais? Se outros participam desse direito sobre vós, não o temos nós em maior medida? Entretanto, não usamos desse direito; antes, suportamos tudo, para não criarmos qualquer obstáculo ao evangelho de Cristo.” (1Coríntios 9:9-12)

Em outras palavras, ele renunciou a um direito legítimo justamente para não dar a ninguém a impressão de que o dinheiro era a motivação de seu ministério. Ele não queria dinheiro de seus neófitos: “Nunca usamos de linguagem de bajulação, como sabeis, nem de intuitos gananciosos. Deus disto é testemunha” (1Tessalonicenses 2:5).

Ele preferia trabalhar com suas mãos ao invés de dar a impressão de que estava mercadejando o evangelho: “De ninguém cobicei prata, nem ouro, nem vestes; vós mesmos sabeis que estas mãos serviram para o que me era necessário a mim e aos que estavam comigo. Tenho-vos mostrado em tudo que, trabalhando assim, é mister socorrer os necessitados e recordar as palavras do próprio Senhor Jesus: Mais bem-aventurado é dar que receber” (Atos 20:33-35).

Ele sabia que havia mercadores da palavra de Deus que pensavam que “a piedade é fonte de lucro” (1Timóteo 6:5-6). Mas ele se recusava a fazer qualquer coisa que o pusesse naquela categoria: “Nós não estamos, como tantos outros, mercadejando a palavra de Deus; antes, em Cristo é que falamos na presença de Deus, com sinceridade e da parte do próprio Deus” (2Coríntios 2:17).
Muitíssimos pregadores da prosperidade não apenas dão a impressão de que estão “mercadejando a palavra de Deus” e fazem da “piedade uma fonte de lucro”, mas realmente desenvolvem uma teologia fictícia para justificar suas extravagantes exibições de riqueza. Paulo fez exatamente o oposto.

XII- Recomendem Cristo como Lucro
Minha maior preocupação a respeito dos efeitos do movimento da prosperidade é que ele deprecia a Cristo fazendo-O menos central e menos satisfatório que Seus presentes. Cristo não é mais exaltado por ser o provedor de riquezas. Ele é mais exaltado por satisfazer a alma daqueles que se sacrificam para amar os outros no ministério do evangelho.

Quando recomendamos Cristo como aquele que nos torna ricos, nós glorificamos as riquezas, e Cristo se torna um meio para o fim que realmente queremos — a saber, saúde, riqueza e prosperidade. Mas quando recomendamos Cristo como aquele que satisfaz nossa alma para sempre — mesmo quando não há saúde, riqueza e prosperidade — então Cristo é exaltado como mais precioso que todos aqueles presentes.

Vemos isso em Filipenses 1:20-21. Paulo diz: “É minha ardente expectativa e esperança de que [...] será Cristo engrandecido no meu corpo, quer pela vida, quer pela morte. Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro.” A honra a Cristo acontece quando nós o valorizamos tanto que morrer é lucro. Porque morrer significa “partir e estar com Cristo” (Filipenses 1:23).

Esta é a observação que falta na pregação da prosperidade. O Novo Testamento aponta para a glória de Cristo, não para a glória de Seus presentes. Para deixar isso claro, ele coloca toda a vida cristã abaixo do estandarte da alegre abnegação. “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me” (Marcos 8:34). “Estou crucificado com Cristo” (Gálatas 2:19).

Mas, apesar de a abnegação ser uma estrada difícil que leva à vida (Mateus 7:14), é a mais alegre de todas as estradas. “O reino dos céus é semelhante a um tesouro oculto no campo, o qual certo homem, tendo-o achado, escondeu. E, transbordante de alegria, vai, vende tudo o que tem e compra aquele campo” (Mateus 13:44). Jesus diz que encontrar Cristo como nosso tesouro torna todas as outras posses alegremente dispensáveis. “Transbordante de alegria, vai, vende tudo o que tem e compra aquele campo.”

Eu não quero que os pregadores da prosperidade parem de chamar as pessoas à alegria máxima. Pelo contrário, eu suplico a eles que parem de encorajar as pessoas a buscarem sua alegria nas coisas materiais. A alegria que Cristo oferece é tão grande e tão durável que nos habilita a perder a prosperidade e ainda assim regozijar. “Vós aceitastes com alegria o espólio dos vossos bens, tendo ciência de possuirdes vós mesmos patrimônio superior e durável” (Hebreus 10:34). A graça de ser alegre na perda de prosperidade — este é o milagre que os pregadores da prosperidade deveriam buscar. Este seria o sal da terra e a luz do mundo. Isto exaltaria a Cristo como extremamente valioso.