segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Treinamento e Preparação - Expedição Rocinha

Sínteses de duas mensagens ministradas em encontro realizado no último sábado, dia 25/02/12, na SIBROM. Foi um evento de preparação para o evangelismo que acontecerá na Rocinha em abril. A impressão que tive foi Deus nos ajuntando, derrubando barreiras denominacionais e unindo o Corpo por uma causa.

TEMPO DE TRANSIÇÃO - Adriel Barbosa

Alguém está com medo de não dar certo?

Temor ao Senhor - não nos deixe falhar.

Josué 5.13-15

O príncipe dos exércitos representa um tempo de transição, de mudança.

Precisamos lidar com a confusão. Filtramos tudo pelo que já sabemos, medimos as situações. Nossa alma julga pela cultura pessoal, local e religiosa, mas nossos valores não são santos.

Deus é de ciclos e estações.

Josué 5.10-12 - Israel celebra a páscoa, e isso faz cessar o maná - Deus os tira da zona de conforto.

Josué 5.4-5 - Deus alinha os homens israelitas, cujos pais falharam com a Aliança.

Guardar a espada - Deus não quer ver os dons, quer ver as vergonhas. Se Deus nos mudar, nos vencer, a Rocinha é um desafio bem pequeno.

Josué 5.9 - Deus tira toda a vergonha, a humilhação. Precisamos ser circuncidados no coração.

Josué parecia angustiado (5.13), olhando Jericó, uma cidade "impossível" de ser conquistada. Nunca estruturas ou gente rica levaram adiante o Evangelho. Sempre foi com pessoas simples, diante de desafios "impossíveis".

Não se feche para pessoas por causa de um passado ruim. Deus está te lançando para um tempo novo.

Baixe a tua bola, não olhe para trás.

O príncipe veio como Comandante - Deus vai nos ensinar.

Tira os sapatos - Estamos prontos para nos descalçarmos de nossas convicções e teologias? Renda-se! Você não sabe!

Rute 4.6-7 liga "tirar a sandália" a resgates e permutas - Josué está empenhando seus esforços a Deus, fechando tudo com Ele.



ORAÇÃO INDIVIDUAL E COLETIVA - Michael Duque Estrada

1 Timóteo 2.1 - Antes de tudo (de qualquer ação), súplicas (inquirir Deus), orações (ambiente de Deus), intercessões (entrevistar Deus) e ações de graças.

1 Timóteo 2.8 fala de uma oração intercessória de ocupação: em todo lugar = ocupar cidades e vilas, becos e favelas.

Precisamos de poder - O Evangelho é o Poder de Deus.

Mãos santas sem ódio e sem discórdia / concórdia = um coração (Mateus 18.19)

Concordar = Sinfonia = instrumentos diferentes produzindo um som (corações juntos)

Movimentos missionários foram precedidos por concordância. Exemplo: Atos 1.14 "unidos na mesma ira, no mesmo zelo". Outro exemplo: Morávios.

Preparar um quarto para Jesus (em 2 Reis 4.10 lê-se sobre um espaço preparado para o profeta). Quando fazemos isso, não precisamos ficar pedindo, agora Ele mesmo nos pergunta: O que posso fazer por você?

Êxodo 20.24 - Altar em todo lugar (fala de oração individual) = visitação de Deus

Deuteronômio 12 - Altar onde Ele escolher (fala de oração coletiva) - habitação de Deus - Sião (Hebreus 12.22) - Lugar em Deus, uma posição espiritual.

O holocausto era um altar coletivo - nada sobrava, tudo era queimado para Deus / Elementos do holocausto: Fogo (zelo, paixão de Deus), Sangue (sacrifício de Cristo) e Gordura (aroma agradável).

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Influência e Omissão / Evangelho, Força e Realização II

Continuação do artigo de Ronaldo, do blog Lágrimas por Tua Causa

Parte 2

Evangelho / Força

Como é interessante observar que o evangelho salva um pecador e o torna agente ativo, influenciador e responsável pela terra. Em nenhum momento Deus escolhe pessoas simplesmente para que elas se tornem omissas, inoperantes, inerce e desfrutem apenas de forma egoista sua libertação, e consigam viver sem se preocupar com o restante do mundo.

Em Atos encontramos a soberana escolha de Deus e ao mesmo tempo, a força que os levava na propagação do evangelho (At.13:47,48 –“ Porque o Senhor assim no-lo determinou: Eu te constituí para luz dos gentios, a fim de que sejas para salvação até aos confins da terra.48 Os gentios, ouvindo isto, regozijavam-se e glorificavam a palavra do Senhor, e creram todos os que haviam sido destinados para a vida eterna”).

O homem natural permanece em um vida voltada aos seus próprios desejos, todos seus planos e objetivos irão sempre girar em torno de si; o evangelho concede ao homem natural total arrependimento dos seus pecados (At.3:19), quebrando sua mentalidade neutra diante de uma sociedade, pois começa a ter amor pela causa de Deus, desejando ser enviado (Isaías.6:5-8, “Então, disse eu: ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros, habito no meio de um povo de impuros lábios, e os meus olhos viram o Rei, o SENHOR dos Exércitos!6 Então, um dos serafins voou para mim, trazendo na mão uma brasa viva, que tirara do altar com uma tenaz; 7 com a brasa tocou a minha boca e disse: Eis que ela tocou os teus lábios; a tua iniqüidade foi tirada, e perdoado, o teu pecado.8 Depois disto, ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Disse eu: eis-me aqui, envia-me a mim”).

Frase: “O que transformou esses homens muito simples (que eram tão covardes que não ousavam sequer se aproximar demais da cruz para não se envolverem) em heróis que não se detinham por nada? Uma mentira? Alucinação? Uma assombração? Ou alguém fazendo aquilo que dissera que faria: voltar do mundo dos mortos?” (J.B.Phillips).

Prosperidade individual (ganância camuflada)

Nosso evangelho atual foi bombardeado com a teologia da prosperidade e um dos fatores que mais lhe deram força, para que se propagasse e invadisse nossas igrejas; foi o crescente desequilibrio do egoismo, sustentato pelo individualismo. As pessoas desse século conseguem frequentar Igrejas, dar seu dizimo, fazer campanhas pelo simples fato interesseiro em serem abençoadas. E serão abençoadas, mas não pela influência externa de um Criador que abençoa na base da troca, mas que estabeleceu uma ordem na criação, a lei da semeadura (2Cor.9:6). Aquele que progride no trabalho, obviamente será recompensado pelo seu esforço e aquele que não se esforça, terá a consequencia da sua preguiça.

Todo o conselho de Salomão irá mostrar sobre o esforço de pessoas que conquistam a terra para dela enriquecer (Pvb.6/Ecl.9). E algo importante que precisa ser compreendido é o fato do enriquecimento estar aberto para todos os moradores da terra, tanto justos como impios. Mas a compreensão que todos nós precisamos ter é; tudo foi dado por Ele, todas as coisas que conquistamos, foram entregues por Ele. A soberania de Deus está no controle de todas as coisas, tanto justos como injustos, estão debaixo dessa força (Hb.1:3).

O evangelho vem nos mostrar que aquilo que possuimos (bens, profissão, status, posição, governo) foi entregue por Ele (Jo.19:11) e ao compreendermos, teremos entendimento que tudo o que temos, servirá para aquilo que Ele deseja realizar na proclamação do evangelho.

A Corajosa Ester

Observe um exemplo maravilhoso no Antigo Testamento; é a história de uma moça chamada Ester. Sabemos que essa jovem passa de apenas uma jovem qualquer para entrar no lugar da Rainha Vasti. Que soberania esplendida sobre a vida de Ester. Era pobre e agora está vivendo como Rainha em um dos reinos mais poderosos que havia na terra. Mas houve um problema, um homem chamado Hamã trama destruir através do Império dos Persa os judeus (povo da nova Rainha Ester).

Ester poderia não se importar, poderia tentar de alguma forma salvar apenas sua família, ou, fingir que não estava ouvindo aquela noticia de destruição, porque se intrometesse, lhe custaria sua vida e seu conforto, mas vemos uma postura diferente; (4:13-17, “Mordecai mandou o seguinte recado para ela: Não pense que, por morar no palácio, só você, entre todos os judeus, escapará da morte. Se você ficar calada numa situação como esta, do Céu virão socorro e ajuda para os judeus, e eles serão salvos; porém você morrerá, e a família do seu pai desaparecerá. Mas quem sabe? Talvez você tenha sido feita rainha justamente para ajudar numa situação como esta! Ester enviou a Mordecai a seguinte resposta: Vá e reuna todos os judeus que estiverem em Susã, e todos vocês jejuem e orem por mim. Durante três dias não comam nem bebam nada, nem de dia nem de noite. Eu e as minhas empregadas também jejuaremos. Depois irei falar com o rei, mesmo sendo contra a lei; e, se eu tiver de morrer por causa disso, eu morrerei”).

A individualidade que opera no egoísmo nunca fará que um homem perca o que possui (valores, status, bens) para salvar outros; pois sua visão de vida está voltada apenas no aspecto de sempre levar vantagens e nunca sofrer ou ser injustiçado.

Existe um filme chamado Código de honra, em que conta a história de uma enfermeira que contrai o vírus da AIDS por casa de um descuido na aplicação de uma injeção no paciente. O filme mostra dois advogados lutando contra um sistema injusto que mantém o monopólio de injeções nos hospitais. Os dois advogados lutam para implantar um novo modelo se seringa que é mais seguro para os profissionais. A história que é real chega no auge quando os dois advogados estão sendo colocados na parede, porque para continuarem a luta contra uma grande empresa que monopoliza o mercado das seringas, eles precisam se sacrificar mais; é nesse momento que os dois se chocam, porque um deles está preocupado com seu bem estar e o outro não. E uma das frases mais impressionantes do filme é quando um olha para os olhos do outro e diz: - “Eu não me importo em perder o que possuo por uma causa justa”.

Os heróis que passaram na história, que marcaram seu tempo, sempre pensaram em primeiro lugar numa causa e nunca se deixaram dominar pelo individualismo egoísta.

Frase: "Deus não escolhe covardes destituídos de firmeza para pôr sua glória no rosto deles. Temos muitos homens feitos de açúcar, nos nossos dias, que se desfazem na corrente da opinião popular; mas esses homens nunca subirão ao monte do Senhor, nem permanecerão em seu santo lugar, nem usarão os símbolos de sua glória" (Charles H. Spurgeon).

O que você está vendo? Ossos? Eu vejo um Exército.

Uma das ferramentas que recebemos através da revolução do pensamento que podemos chamar de pensamento livre, ou iluminismo; encontramos ao nosso redor uma grande diversidade de opiniões sobre inúmeras questões do dia a dia. A cada acontecimento, irá haver contestações, artigos, teses, ilustrações e depois, livros e mais livros.

Todo homem deste século, tem uma opinião sobre qualquer assunto da vida, mesmo sendo uma opinião totalmente sem fundamento, ele a mantém viva e influencia outros. Então quando você chegar para qualquer pessoa neste tempo irá notar uma idéia sobre qualquer situação presente.

Observe esse texto: Ez.37:1,2 –“ Veio sobre mim a mão do SENHOR; ele me levou pelo Espírito do SENHOR e me deixou no meio de um vale que estava cheio de ossos, 2 e me fez andar ao redor deles; eram mui numerosos na superfície do vale e estavam sequíssimos”. Deus levou Ezequiel para a real situação da nação; um ambiente sem vida, sem a gloriosa presença de Deus, a morte estava imperando naquela situação.

O cristão atual está sendo levado pelo mesmo Espírito para ver uma realidade morta na sociedade ou na Igreja, e o próprio Espírito está nos perguntando; pode haver vida novamente nesse ambiente que está morto? (37:3 –“ Então, me perguntou: Filho do homem, acaso, poderão reviver estes ossos?...). Muitos sendo levados por uma visão individualista irão responder que não, criarão uma tese, terão explicações e desculpas o suficiente para não desejarem ser responsáveis por aquela situação.

Pense: o que Deus está mostrando para voce? Em filmes, em conversas, em documentarios, em novelas, em shows, passeios, férias e nas Igrejas? Qual realidade você está vendo? Fome, pessoas secas, sem paixão, doentes espiritualmentes, mortas, aprisionadas em vicios, na religião, no pecado; sociedades fálidas, governos corruptos, países aprisionados, sexo, droga, pedofilia, abusos, estupros, miséria? O que você está vendo na Igreja? Jovens que trocaram o Senhor por prazer, homens que amam mais o dinheiro do que a Deus, mulheres que gastam mais tempo com a beleza do que com a familia, crianças sem pais, divórcio, pecado, familias sem valor, escandalos e uma Igreja que consegue fazer um culto ritualistico há anos, sem paixão pelo Amado?

Então Deus lhe pergunta: Esses ossos podem viver? Esse ambiente pode receber vida novamente? O que você consegue ver para poder responder? Apenas ossos? Ou, consegue responder como o profeta: - “Tu o sabes...”

Enquanto alguns estão vendo apenas ossos, outros estão vendo a vida através da Palavra de Deus sendo levantado um grande exército. Porque há esperança em Deus (Ez.37:9-10, “ Então, ele me disse: Profetiza ao espírito, profetiza, ó filho do homem, e dize-lhe: Assim diz o SENHOR Deus: Vem dos quatro ventos, ó espírito, e assopra sobre estes mortos, para que vivam. 10 Profetizei como ele me ordenara, e o espírito entrou neles, e viveram e se puseram em pé, um exército sobremodo numeroso”.

“A maior vergonha de nossos dias é que a santidade que ensinamos é anulada pela impiedade de nosso modo de viver” (Leonard Ravenhil)

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Influência e Omissão / Evangelho, Força e Realização I

Artigo de Ronaldo, do blog Lágrimas por Tua Causa

Parte 1

Imagine um certo jovem que se aproxima de uma garota, sua primeira iniciativa seria mencionar seu nome. Depois esse jovem começaria a expor suas virtudes; onde trabalha, o que possui, o bairro em que mora, sua situação financeira, seus amigos e sua influência. Prossiga comigo em sua imaginação e visualize um homem a procura de trabalho, ele se senta diante do entrevistador e se vê preso na obrigação de convencê-lo que tem atributos para aquilo que a vaga de emprego está requisitando. Agora você também pode lembrar que em algum dia, você procurou um profissional (médico, mecânico, músico, eletricista, pintor, pedreiro, arquiteto) e um dos requisitos que lhe fez ter segurança nesse profissional, foi o histórico de obras, feitos e realizações.

O que desejo enfatizar com esta introdução?

Todos nós temos algum atributo, uma área de atuação, uma realização, um talento e com isso uma carga de valores que usamos para sobreviver e influenciar o meio em que estamos.

Todo lugar que passarmos (trabalho, família, rede social) sempre iremos usar dos nossos meios para gerar alguma situação. Algumas pessoas são mais ousadas e claras em seus talentos, outras são um pouco tímidas, mas em algum lugar sempre haverá a manifestação dos nossos requisitos.

O mal do século 21: Omissão

Uma das situações que precisamos aprender é que todo homem se torna um agente de influência em qualquer área que esteja vivendo.

O termo omissão, não restringe ao homem irresponsabilidade numa influência externa; mas lhe dá uma postura totalmente inércia em relação ao cumprimento de algo. Vamos elaborar uma melhor explicação para compreendermos:

Na sociedade sempre haverá pessoas tentando de alguma forma, criar um sistema aparentemente justo, mas na realidade, estará beneficiando alguns e injustiçando outros. Resumindo; começa a ocorrer uma grave injustiça perante uma sociedade. Quando o homem se depara com essa injustiça, ele terá apenas duas opções. Enfrentar e lutar para conquistar justiça, ou, se tornar omisso, fingindo que está tudo bem, e continuando sua vida inútil.

A questão nesta explicação, é que as duas ações irão influenciar as pessoas que estão ao nosso redor. Se um homem começar a ter ações de revolta, luta e cumprimento do dever, assumindo sua responsabilidade e enfrentando a injustiça, procurando conquistar o direito da verdade, logo, influenciará outros a serem agentes ativos na sociedade. Da mesma forma, se um homem assumir a postura da omissão, permanecendo quieto, despreocupado, indefeso, logo pessoas a sua volta estarão com a mesma postura.

FRASE: “O que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons” ((Martin Luther King).

A fonte da omissão: Individualismo

Um dos aspectos que tem devastado nossa sociedade é a postura de uma figura individualista. Obviamente todos nós precisamos de um tempo e de algumas ocasiões na vida para que haja um crescimento natural; desafios, competições, relacionamentos. São situações que pedem a cada um de nós, uma postura totalmente individual para que haja um amadurecer da vida. O individuo é importante quando exerce seu papel, trilha um caminho, faz descobertas e finaliza produzindo benefícios para o mundo.

O problema que segue no individualismo é o pensamento que me faz ver as pessoas a minha volta, como objetos para meu capricho, não me importando se está havendo justiça ou não.

Um homem sai de casa a procura do ganho para sua sobrevivência, este objetivo inclui sua ganância e o bem estar da sua família. O aspecto individualista desse homem, o fará lutar para conquistar seu ganho, não se importando, se a fonte do seu lucro é a tristeza e a perda de outros. A sua mente está fechada para a situação do próximo e focada apenas no ganho e bem estar da sua família.

O livro de provérbios fala sobre pessoas que se isolam (18:1 – “O solitário busca o seu próprio interesse e insurge-se contra a verdadeira sabedoria”), esse é o momento onde o individualismo conquista um coração que deveria ser solidário e inicia seu momento egoista.

Um jovem consegue viver com sua familia e ao mesmo tempo ser totalmente sozinho, se importando apenas com sua vontade e seus desejos no lar.

Existe uma situação que ocorre diariamente em nossas vidas e nao percebemos como isso tem destruido nossa sociedade; vejamos uma ilustração que pode nos favorecer um maior conhecimento sobre a questão: “Um dia, vieram e levaram meu vizinho, que era judeu. Como não sou judeu, não me incomodei. No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho, que era comunista. Como não sou comunista, não me incomodei. No terceiro dia, vieram e levaram meu vizinho católico. Como não sou católico, não me incomodei. No quarto dia, vieram e me levaram. Já não havia mais ninguém para reclamar.” (fatos ocorridos numa guerra ou em um regime perseguidor). Diariamente o que passa nessa ilustração tem ocorrido ao nosso redor, mas não estamos sentindo ou nos importando, porque ainda não mexeram em nossa zona de conforto.

FRASE: “Somos chamados a uma preocupação eterna com Deus” (A. W. Tozer).

A realidade para outros é apenas informação para nós

Quantos de nós estamos acostumados a sentar em nosso sofá e ver tantas informações sobre acontecimentos que estão ocorrendo ao redor do mundo. A maioria dessas realidades encontram apenas um lugar em nosso armazenamento de informações. Um espaço que está despreocupado em realizar alguma mudança. Um espaço ocupado demais, pois nossa realidade egoísta toma todo nosso tempo.

É neste momento que encontramos uma força terrível no evangelho contra toda essa realidade egoísta. Existiu um pregador (David Wilkerson) que disse certa vez – “Deus escolheu um trabalhador para derramar sua angústia”. Ele estava falando sobre Neemias (1:3,4 –“ Os restantes, que não foram levados para o exílio e se acham lá na província, estão em grande miséria e desprezo; os muros de Jerusalém estão derribados, e as suas portas, queimadas.4 Tendo eu ouvido estas palavras, assentei-me, e chorei, e lamentei por alguns dias; e estive jejuando e orando perante o Deus dos céus”). A realidade do povo de Deus, da nação escolhida não se tornou apenas uma informação para Neemias, mas uma realidade que mudou totalmente sua vida. Neemias estava bem (como muitos de nós), trabalhando, com comida, uma casa para morar, e uma notícia triste sobre o que ocorria em Israel (lugar distante).

Quantos de nós estamos sentados vendo noticias ruins acontecerem longe de nós, mas isso não é suficiente para mudar nossa realidade, nosso semblante ( Neem.2:2 –“ O rei me disse: Por que está triste o teu rosto, se não estás doente? Tem de ser tristeza do coração. Então, temi sobremaneira”)  O banho de angustia em Neemias foi tão forte que o levou a sair de uma zona de conforto (vida inutil como muitos de nós vivemos) para uma realidade, ele passou a estar na realidade, ele a assumiu, se fez parte daquela situação.

Também podemos ver o exemplo do profeta chorão, como muitos mencionam na palavra. Porque ele chorava tanto? Porque se angustiava? Porque tomou a causa de Deus em seu coração. Jeremias chorava pelo povo, sentia o coração de Deus. O chamado desse profeta foi ouvir o coração de Deus e se fazer parte de uma realidade dos céus (Lam.3:1 –“ Eu sou o homem que viu a aflição pela vara do furor de Deus”).

Frase: “A história contará sobre as nossas ações, e não das nossas boas intenções” (H. Kissinger).

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Encontros e movimentações II

Luciano Motta

Relacionamos o primeiro encontro de Moisés com Deus no episódio da sarça ardente com o nosso primeiro encontro pessoal com Ele. Vimos que o começo de nossa dinâmica jornada espiritual passa necessariamente por uma atração irresistível — somos envolvidos e ao mesmo tempo estremecidos pela graça e pelo amor Daquele que é Santo. Sua presença nos leva ao arrependimento e a uma transformação que modifica toda nossa trajetória.

Contudo, dentre os muitos encontros marcantes entre Moisés e Deus, houve um em particular que implica em um tipo de movimentação mais intenso, significativo e importante para nós hoje:

2- Quando nós vamos ao encontro de Deus

Êxodo 33:7-11,18-23 descreve uma relação madura e profunda entre Deus e o libertador de Israel do Egito:
Moisés costumava montar uma tenda do lado de fora do acampamento; ele a chamava Tenda do Encontro. Quem quisesse consultar a Deus ia à tenda, fora do acampamento. Sempre que Moisés ia até lá, todo o povo se levantava e ficava de pé à entrada de suas tendas, observando-o, até que ele entrasse na tenda. Assim que Moisés entrava, a coluna de nuvem descia e ficava à entrada da tenda, enquanto o Senhor falava com Moisés. Quando o povo via a coluna de nuvem parada à entrada da tenda, todos prestavam adoração de pé, cada qual na entrada de sua própria tenda. O Senhor falava com Moisés face a face, como quem fala com seu amigo. [...] Então disse Moisés: "Peço-te que me mostres a tua glória". E Deus respondeu: "Diante de você farei passar toda a minha bondade, e diante de você proclamarei o meu nome: o Senhor. Terei misericórdia de quem eu quiser ter misericórdia, e terei compaixão de quem eu quiser ter compaixão". E acrescentou: "Você não poderá ver a minha face, porque ninguém poderá ver-me e continuar vivo". E prosseguiu o Senhor: "Há aqui um lugar perto de mim, onde você ficará, em cima de uma rocha. Quando a minha glória passar, eu o colocarei numa fenda da rocha e o cobrirei com a minha mão até que eu tenha acabado de passar. Então tirarei a minha mão e você verá as minhas costas; mas a minha face ninguém poderá ver".
Um encontro em separado, reservado: Diz o texto que Moisés se encontrava com Deus fora do arraial, na Tenda do Encontro. Da mesma forma, a despeito de uma agenda muito, muito intensa, Jesus sempre se reservava de tudo e de todos para comungar com o Pai. Ele ensinou: "quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está no secreto. Então seu Pai, que vê no secreto, o recompensará" (Mateus 6.6).

Somente em uma relação madura alguém pode ter força e senso de prioridade suficientes para deixar tudo de lado e se encontrar com o Pai, não tendo como alvo bênçãos ou necessidades imediatas, mas o próprio  Senhor. Em outras palavras, ouso dizer que a devoção diária é para cristãos maduros. Quem se porta como criança na fé, mesmo com muitos anos de vida eclesiástica, ainda depende de alimentos líquidos servidos em papinhas aos domingos. Esse não tem disciplina, não tem domínio próprio, não tem uma vida espiritual sadia ou pelo menos em franco desenvolvimento, resultado de sua busca incessante, de sua fome e sede pelo Autor da vida. Muitos desses talvez nem sejam cristãos, se levarmos em conta que um seguidor de Cristo tem uma só prioridade: Cristo.

Nossos encontros com Deus geram um testemunho: O povo observava à distância e adorava a Deus todas as vezes que a Nuvem de Sua Presença descia sobre a Tenda. Há uma clara constatação aqui de influência e exemplo — a mesma atração extraordinária que Moisés sentira diante do Senhor no episódio da sarça ardente agora tocava o coração daquelas pessoas, cada uma à entrada de sua própria tenda, ou seja, aquele fogo começou a adentrar-lhes as casas e seus contextos familiares. É verdade que os israelitas sempre se esquivavam de maiores compromissos, mas alguns responderam à altura: Josué, por exemplo (Êxodo 24.13, 33.11).

Um dos significados para testemunho é a constatação, a declaração de legitimidade. O povo podia afirmar sem sombra de dúvida que seu líder Moisés andava com Deus. Os apóstolos Pedro e João eram homens comuns, mas pelos seus atos eram reconhecidos: "eles haviam estado com Jesus" (Atos 4.13). É realmente impressionante como a vida daqueles que andam com Deus atrai a atenção de outras pessoas para uma revelação do próprio Deus. Ao verem a Luz resplandecer, ao verem as boas obras, glorificam ao Pai (Mateus 5.16).

Amigos de Deus conversam face a face: Nos capítulos anteriores a essa passagem, lemos o episódio em que Deus havia descido sobre o monte Sinai antes de entregar os Mandamentos. Sua presença produziu relâmpagos, trovões, fogo, som alto de buzina (leia Êxodo 19). Estava estabelecido todo um cenário forte, dramático. Ninguém do povo teve coragem de subir ao encontro do Senhor. Estavam com medo. Perceba como o relacionamento de Moisés com Deus havia amadurecido — todo aquele medo do primeiro encontro fora dissipado. É verdade que ainda havia temor, mas um temor ligado à reverência, ao reconhecimento de Sua Santidade e Majestade.

A Bíblia diz que eles se falavam como amigos. Moisés disse: "Peço-te que me mostres a tua glória" (Êxodo 33:18). Mal comparando: seria como aquele tipo de pedido irrecusável que um amigo faz ao outro. Só que nesse caso, ninguém poderia ver a glória de Deus e permanecer vivo. Pode ser que Moisés quisesse mesmo morrer apenas para estar mais próximo do Grande Amigo.

Hoje, pelo sangue de Jesus, Deus nos convida a nos aproximarmos Dele, a entrarmos com ousadia no Santo dos santos pelo novo e vivo caminho aberto por meio de Cristo (Hebreus 10.19-20). É um movimento que parte de nós, de uma busca individual (pessoal) e coletiva (Igreja) por Ele. É uma relação construída com o tempo, fruto de um desejo verdadeiro e profundo de conhecê-Lo, sem as amarras religiosas do legalismo e da hipocrisia.

Talvez uma decisiva diferença entre nós e Moisés esteja na disposição do nosso coração para grandes realizações em Deus, que implicam em abrirmos mão de nossas próprias vontades e projetos para vivermos em função do que Ele quer. Todos os grandes homens da Bíblia e da história da Igreja tiveram esse coração. O mundo de hoje aguarda com expectativa que filhos de Deus tenham seus corações inflamados por esse mesmo anseio, pessoas que tenham desenvolvido uma espiritualidade madura depois de muitos e muitos encontros com o Senhor, de sucessivas movimentações em obediência à Sua voz. E tudo começa por uma atração pelo impressionante amor do Pai, que toca o comum com Sua presença e o faz arder.

Continua...