sábado, 20 de novembro de 2010

Apaixonado por livros

Luciano Motta

É impossível falar de livros sem remeter à infância e à trajetória de nossas vidas. Claro que muita gente só toma gosto pela leitura tardiamente, porém a maioria dos apaixonados por livros sempre tem uma história de seus tempos de criança, que marca o começo da fantástica viagem pelo universo das narrativas e do conhecimento.

Quando eu estava na quinta série (atualmente sexto ano), meu professor de português apresentou um desafio aos alunos: cada um deveria escrever seu próprio livro, sua própria história. Poderia ser da forma que quiséssemos, desde que fosse algo original.

Durante cerca de dois meses nos dedicamos ao desenvolvendo das obras. Eu optei por um livro que tivesse desenhos além do texto em si, as artes também de minha autoria. Elaborei um livro ilustrado, uma história policial no estilo Sherlock Holmes. O resultado desse trabalho foi excelente. O professor ficou tão encantado com a produção que me pediu para mostrá-la a alguns docentes amigos dele - e daí nunca mais vi aquele meu primeiro livrinho.

Esta experiência com a escrita me marcou profundamente. Tornei-me um apaixonado por livros. As histórias infanto-juvenis de mistério eram as minhas favoritas. Li meu primeiro romance por volta dos 10 anos, uma estupenda ficção científica chamada Yargo, de Jacqueline Susann.

Sou filho de pastor e nascido em um lar cristão, me converti e fui batizado bem jovem, mas só com 17 anos tive uma experiência forte com Jesus. Passei então a intensificar minhas leituras de livros com temática devocional e desenvolvimento espiritual. Dois títulos me foram muito importantes nessa época: Decepcionado com Deus e Maravilhosa Graça, de Philip Yancey. Em ambos aprendi a respeito da graça e do amor do Pai.

Depois da minha conversão, a Bíblia deixou de ser para mim um livro que apenas retrata a história do povo de Israel. Tornou-se a minha referência de vida, como de fato diz o Salmo 119.105: "Lâmpada para os meus pés é Tua Palavra, e luz para o meu caminho". Conhecer Deus é a maior aventura que um homem pode ter. E minhas maiores descobertas se deram através da Bíblia. Continua assim até hoje.

A paixão por livros e pela escrita me levou à universidade. Conclui o curso de letras em 2009. Fui apresentado a outros autores, pensadores, filósofos da cultura e da arte. Entendi como é importante conhecermos as diversas linhas ideológicas para enxergarmos nossa posição em um mundo de constantes transformações. A literatura, com suas histórias, narrativas, metáforas, imagens, consegue compreender todas as ciências e formulações do homem. A Bíblia, por sua vez, vai além: apresenta Deus como Senhor da história e como Ele estabelece Sua vontade sobre todas as coisas, inclusive a redenção do homem.

Todo cristão dedicado a leitura é, portanto, alguém melhor preparado para responder às questões humanas, por aliar um amplo conhecimento de mundo e a revelação de Deus. Como esse tempo tão seduzido pelo entretenimento, pelas facilidades, pelo descartável, carece de pessoas com bases sólidas - apaixonadas pelo Senhor em primeiro lugar e apaixonadas por livros!

Promoção Blogosfera Apaixonada

A Livraria Casa da Bíblia Online iniciou no dia 8 de novembro de 2010 uma grande promoção aberta a toda blogosfera que é apaixonada por livros e sabe da importância deles em nossa vida cristã.

A promoção vai até o dia 30 de novembro de 2010 e vai premiar os três melhores posts sobre o tema: “A importância da leitura para a vida cristã”. O primeiro colocado vai ganhar um vale-compra em Bíblias e livros no valor de R$ 300,00, o segundo no valor de R$ 150,00 e o terceiro no valor de R$ 100,00.

Além de premiar os melhores posts sobre o tema, a Livraria Casa da Bíblia Online estará realizando sorteios de livros durante todo o período da promoção aos inscritos, promoções no twitter, descontos de até 80% em produtos e sorteios de brindes aos consumidores.

Todas as informações da campanha estão no site www.maiscb.com.br. Acesse e faça já sua inscrição se você é um apaixonado por livro.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Notas

Luciano Motta

Minha filha Luana começou a tocar teclado. Chegou para mim na terça e disse que queria aprender. Tomou lugar diante do instrumento e executou as primeiras notas (e até acordes!) depois de duas aulas.

Um fato me marcou logo de saída: Luana foi às lágrimas depois de insistir em um exercício e não conseguir executá-lo. Ela queria porque queria fazer o exercício com perfeição. Seus dedinhos não atacavam as teclas direito pela miudeza de seus seis anos. Chorou porque teve de parar e ir dormir.

Quase que imediatamente, perguntei a mim mesmo: Quando foi a última vez que chorei por não conseguir executar o que meu Pai me ensinou?

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Famintos por repugnâncias

Luciano Motta

Em Lucas 15.11-32 lemos a famosa parábola do filho pródigo. Sem me deter na narrativa em si, quero destacar aquele instante em que o filho deseja se alimentar da mesma comida que os porcos comiam (v.16). Aquele jovem quis as alfarrobas destinadas aos porcos! Ele estava tão faminto e desesperado que, por um momento, o repugnante se tornou apreciável.

Um parêntesis: Para quem não sabe, a alfarroba é um tipo de vagem comestível, semelhante ao feijão, de cor marrom escuro e sabor adocicado, utilizada pela indústria de alimentos na produção de gomas e espessantes. É um alimento saudável e de elevado valor nutritivo. Podemos dizer, então, que o alimento daqueles porcos não era propriamente uma lavagem, mas uma ração. Ainda assim: desprezível comida de porcos.

A essa altura da história os religiosos da época já estavam, no mínimo, desconfortáveis com o que ouviam. Sabemos muito bem que o porco é um animal considerado impuro pela lei judaica. Portanto, além de desonrar o pai e de se perverter com meretrizes, gastando sua herança, aquele jovem ainda teve de conviver com animais tão repulsivos aos olhos daquela sociedade, ao ponto de cobiçar suas alfarrobas.

Mas o que leva alguém a querer se alimentar de algo repugnante?

Sem dúvida, a fome e o desespero podem levar uma pessoa a atitudes extremas. Já estive no lixão aqui da minha cidade e presenciei coisas terríveis. Mas chegar a esse estágio de miséria - e permanecer nele - é um processo de esvaziamento de valores. Enredado por problemáticas de ordem moral, social, econômica, familiar e psicológica, o humano vai desaparecendo, abrindo espaço para um outro ser.

Entretanto, creio que tudo começa quando o homem decide se afastar de Deus.

Ao contrário de muitos, o jovem pródigo tinha tudo à sua disposição (v.31), mas mesmo assim decidiu ir embora. Partiu da casa do pai para viver conforme seus próprios desejos, sem os valores que antes o guiavam, sem a segurança do lar e o amor do seu pai. Pouco a pouco perdeu seus pertences, sua dignidade, até encontrar-se no meio de porcos, ao ponto de querer o que eles comiam. Observe como houve um esvaziamento gradativo, imperceptível nos primeiros dias e de constatação desesperadora nos últimos. Assim trabalha a iniquidade no coração das pessoas: um pecado leva a outro, um abismo chama outro, até alcançarem um estado lamentável de perdição e desvio do propósito de Deus.

"...pela lei vem o conhecimento do pecado" (Romanos 3.20).

"...mas eu não conheci o pecado senão por intermédio da lei. Pois eu não conheceria a concupiscência se a lei não dissesse: não cobiçarás. Mas o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, operou em mim toda a concupiscência. Pois sem a lei estava morto o pecado" (Romanos 7.7-8).

Qualquer pessoa longe de Deus está desprovida dos valores de Deus. Vive, portanto, como alguém sem lei. Não tem consciência do pecado porque não tem referência. Não consegue mais discernir o bem do mal, o puro do impuro, o apreciável do repugnante. Quando tem fome - e todos somos famintos por algo que nos preencha - olha para comida de porcos sem valorizar a si mesmo como alguém criado à imagem e semelhança de Deus, alguém que tem um lar e um Pai de amor, com tudo do bom e do melhor à sua disposição.

Vamos ser sinceros: esse é também o meu, o seu problema. Queremos realizar nossas próprias vontades e desejos. Quantas vezes decidimos deixar Deus em algum lugar e partimos para desfrutar dos prazeres do mundo! Trocamos os banquetes da casa do Pai pelas alfarrobas do pecado, que podem nutrir, é verdade, mas apenas a carne. Então, com nosso espirito em estado de inanição, gradativamente vamos perdendo os valores de Deus até desejarmos repugnâncias - e não percebemos isso, porque estamos esvaziados de referências espirituais!

Precisamos reconhecer que a nossa fome, o nosso vazio interior, só pode ser preenchido pela presença de Deus, pelo conhecimento e a revelação diária de quem é Deus, pelo alimento sólido que é a Palavra de Deus. Só por meio do Espírito Santo podemos discernir os rumos da nossa vida. Decida estar ao lado Dele. Decida nunca deixar o Pai. Arrependa-se e vá correndo ao encontro Dele, pois Ele está à sua espera.

"Pois se viverdes segundo a carne morrereis; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis, porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus" (Romanos 8.13-14).

"Aquele que é nascido de Deus não vive na prática do pecado, porque a semente de Deus permanece nele; não pode continuar pecando, porque é nascido de Deus" (1 João 3.9).

Você é filho de Deus, nascido de novo? Ou é bastardo, alguém sem lei, distante do Pai? Repare bem no tipo de alimento que você se sente atraído e terá a resposta.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

10 anos depois: reflexões sobre o despertamento dos últimos anos

Do blog de Victor Vieira

Dez anos depois dos fatos, já começa a ser possível ver o que realmente se passou, quem era quem, o que perdemos e ganhamos e onde poderíamos estar se os fatos fossem alterados.

Este argumento será elaborado por alguém em algum dia, não hoje, não aqui.

O que eu creio ser pertinente repensarmos é o como estamos hoje, fruto destes últimos dez anos.

Eu me lembro do dia em que tudo fez sentido para mim, e que no meu coração se instalou uma semente de fé e determinação de que seria esta a minha busca vitalícia. Estávamos ali num culto com um homem meio Brasileiro meio Irlandês, que cantava com um sotaque único palavras que nunca antes poderiam ser pronunciadas num culto. Ele tocava um vilão de notas em chamas, e o culto aos olhos de qualquer um estava uma bagunça. Menos para mim, pois eu não conseguia piscar o olho: minha centelha havia sido tocada como nunca antes; nunca mais eu seria o mesmo.

Você também teve esta experiência. Você também sentiu exatamente a mesma coisa e tirou as mesmas conclusões que eu. Talvez o figurante seja diferente; um gordinho de barba; um nordestino mineiro; uma moça com muita parafernália por trás; outra moça no teclado; um carequinha de óculos. Ou até mesmo os tios mais antigos, como aquele engraçado lá do sul ou o moreno grandão. O figurante menos importa, pois o protagonista, este sim foi o mesmo em todos os nossos momentos e Ele mesmo vem cuidando de nós ao longo dos últimos dez, vinte, mil anos.

Nós tivemos experiências espirituais profundas. Creio que gerações inteiras pediram e não tiveram momentos como nós tivemos. Encontros literais de céus na terra, com tudo o que se tem direito, como curas, milagres, sinais, fortes emoções e fortes posições.



Éramos tão jovens, e como os jovens fazem, pensamos que aquilo seria para sempre. E aqueles forasteiros que estavam na cidade apenas de conferência em conferência infelizmente não nos ensinaram como manter aquela chama viva, nem como dar continuidade e crescer ainda mais em serviço, amor, disciplina e outros. Talvez eles mesmos não soubessem como fazer isso, ou sabiam fazer funcionar apenas lá na sua cidade. Talvez nós queríamos abraçar somente o momento, sem comprometimento com o futuro, afinal de contas, éramos tão jovens.

Aconteceu que os dias foram se passando e com as responsabilidades veio a falta de tempo. Com a mesmice veio junto o questionamento e o esvaziamento. Era tudo um grande mais do mesmo, e já não havia por que ir a tantas conferências e reuniões. As promessas não se cumpriram, nem as nossas expectativas, que até então eram os sonhos de Deus. Depois vimos até mesmo alguns desses nossos heróis se degladiando, por dinheiro ou não. Questionar tudo não foi a melhor, mas era a única saída diante da formação nebulosa de idéias, e tragicamente resultou numa inundação de mundanismo, anestesia permanente contra musicas, choros e apelos. Finalmente ficamos piores que antes, piores que nossos pais, piores que a Igreja que tanto criticamos.

Se você ainda não se situou, eu estou tentando falar sobre o mover de adoração que varreu o Brasil. Estou falando daquela adoração extravagante, daquela geração profética, dos adoradores radicais, e de uma infinidade de rótulos que não garantiram a qualidade do produto.

Estou lembrando de que éramos imaturos, mas pelo menos tínhamos fervor. Estou lamentando de termos que concordar com quem tanto nos criticou, de que realmente aquele fogo todo passou, se foi, já era. Essa vontade de chorar que não passa por ver tantos companheiros de eventos, familiares, amigos da célula, companheiros de caminhada que hoje nem mesmo com o Senhor estão mais.

Concluir isso hoje é assimilar que paixão sem finalidade dá em tristes resultados.



Se sobrevivermos à paixão sem finalidade, acabaremos com o coração bem duro. Se passarmos pela paixão sem a finalidade, sairemos do outro lado meio descrentes e em até alguns casos nada crentes: aqueles que nem sobreviveram você sabe, se perderam mesmo, apesar de sempre citarem maturidade e o outro lado da moeda como companheiras que descobriram ao deixar um pouco de lado tanto fanatismo. Graças a Deus se você passou pela paixão sem finalidade e não se encaixou num destes quadros. O seu segredo eu já quero revelar.

O mover foi tão poderoso! Existem os afetados, sim. Poderoso ele foi em si mesmo, por vir de Deus e por ter possibilidades imensuráveis, afinal nunca saberemos o que poderíamos ter nos tornado, ter feito, ter alcançado para Deus. Aqui entra em cena a finalidade, que no caso, nunca entrou em cena. O Avivamento teve um fim em si mesmo, o que o lhe conduziu a um final, que não necessariamente deveria ter acontecido.

Poderíamos ainda hoje estar presenciando e vivendo aqueles dias, se a unção daqueles dias houvesse sido conservada dentro de um odre, odre que serve a uma finalidade. A finalidade sempre será mais importante que o meio. O problema é que não dá pra se ver o fim estando no meio, a não ser que alguém experiente se levante para definir ou apontar o fim. Cristo é o Fim assim como Ele é o Principio. O meio precisava ter nos direcionado para uma prática que revelasse a Cristo, em vez de continuar sendo vez após vez a repetição de si mesmo.

A falta do Propósito nos deixou no mato sem cachorro, porém alguns conseguiram se manter, graças a experientes coadjuvantes que estavam dispostos a adotar, embora infelizmente só fosse viável adotar um a cada mil órfãos. Se você passou bem por este turbilhão, agradeça a alguém que te acolheu. Nossos Pais, nossos Pastores, nossos Cônjuges, nossos Discipuladores. Pode ligar agora e agradecer, por que foi muito precioso ter tido este cuidado. Foi um privilegio para poucos.

Dentro de um ambiente seguro e repleto de amor, foi comunicado ao coração dos acolhidos a Paternidade de Deus e Sua finalidade para a unção derramada. Foi desvendado o segredo oculto aos profetas, e os pequeninos foram equipados para executar o até então oculto Propósito.

E o Propósito sempre foi, e sempre será: ser e gerar para Deus muitos filhos, e que sejam todos semelhantes a Jesus, e que estes filhos vivam em família, dando muita Glória ao Pai.

Mas como será possível executar o Propósito se a Paixão se perdeu? Até agora, a gente não sabia que uma coisa dependia da outra, e uma não funciona sem a outra.

A constatação de dez anos depois é que sobrevivemos e hoje sabemos do Propósito, mas onde foi que neste caminho nós começamos a caminhar sem a Paixão?

Qual é o elo que vai unir uma coisa a outra?

Esta é a nossa pergunta, e sabemos que a resposta será capaz de resolver os últimos dez anos e levar-nos em direção não somente dos próximos dez anos, mas até o dia em que Ele venha.

{ P.S: Passado mais de um ano desde que li e postei este artigo, acredito piamente que o odre para este tempo é a família. Talvez tudo tenha se perdido naqueles dias porque os odres eram velhos, e não resistiram ao vinho novo que estava sendo derramado. Precisamos avançar na direção de que cada igreja se torne uma família, e cada família se torne uma igreja. Precisamos desenvolver relacionamentos fortes, alianças, comunhão genuína, sem abusos ou hipocrisias. Precisamos andar na luz, segundo 1 João 1.7 e Mateus 18. Isso protegerá a igreja e manterá a paixão acesa entre nós, pois estaremos unidos em uma mesma causa, tal qual os crentes em Atos 1.14 à espera do Espírito Santo. Dez anos depois, precisamos construir, edificar sob a direção do mesmo Espírito, para que nada se perca nos anos vindouros, pois o que Ele está para realizar nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano. }

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Meu aniversário

Luciano MottaOlá queridos! Hoje é dia do meu aniversário. Quero deixar registrada aqui a minha gratidão a Deus por mais um ano de vida. Também agradeço à minha amada esposa Ana Cristina e meus filhos lindos Luana e Samuel. A minha família é um presente de Deus para mim. Obrigado aos irmãos na fé e aos amigos que o Pai tem me proporcionado ao longo de todos esses anos. Obrigado a você, leitor, que me acompanha aqui no Betesda.Blog. Agradeço o carinho, a amizade, as orações, e tudo mais que Deus usa para abençoar, edificar e guiar a minha vida até aqui.

03 de novembro de 2010.