sábado, 31 de dezembro de 2011

A Árvore da Vida: a efemeridade de nossa existência

Luciano Motta

Não é simples falar de um filme como "A Árvore da Vida" (EUA, 2011, 139 minutos), do premiado diretor Terrence Malick. Depois de ler críticas profissionais e comentários a respeito do filme, uma palavra aparece em quase todas as resenhas: "experiência". Sim, são pouco mais de duas horas de imersão em uma experiência lúdica, um soberbo trabalho audiovisual que envolve nossos sentidos e sentimentos. Como não ser impactado pelas belíssimas imagens e a história que elas contam, sem palavras? Como não se identificar com o drama familiar exposto, com a ruptura entre pai e filho, com as crises de fé e de constituição da nossa própria existência? Não é um filme fácil, como não é a vida.

Sua narrativa não linear percorre desde a origem do mundo, passa pela era dos dinossauros, e chega até os dias atuais ou o que parece ser um futuro próximo. Porém, na maior parte do tempo, somos cúmplices do dia a dia de uma família americana típica dos anos 1950, que tem um pai rígido na criação de seus filhos e no trato com a esposa, um homem que não sabe lidar com suas próprias frustrações. As ações do pai marcam profundamente o filho mais velho - veremos esse último já adulto ainda deslocado, ainda sem encontrar um ponto de equilíbrio.

O título do filme remete à Árvore da vida que havia no meio do Jardim do Éden, conforme Gênesis 2.9 (sugiro que leia os três primeiros capítulos de Gênesis para se situar em toda a história). Adão e Eva sucumbiram ao pecado por comerem o fruto de outra Árvore: a do conhecimento do bem e do mal, proibida por Deus (Gênesis 2.17). Há correlação entre a história bíblica e o filme: Todos temos à nossa disposição um jardim tão precioso, cheio de graça, que é a própria vida, mas por causa de ações e escolhas infelizes prejudicamos a nós mesmos e também aqueles que estão à nossa volta - talvez alguns de nós ainda carreguem seus efeitos colaterais até hoje. Quantas pessoas passam anos e anos levando fardos e pesos insustentáveis, dores e feridas, como o filho mais velho do filme... E a vida passa.

Esse ponto talvez tenha sido minha maior "experiência" com o filme: a efemeridade de nossa existência.

Agora em dezembro fiquei muito mexido por dentro devido a duas fatalidades: o sobrinho de um amigo caiu de uma altura de 3 metros, batendo com a cabeça no chão e tendo afundamento do crânio. A criança mal havia completado seu 1º ano de vida. Outro fato muito triste foi a morte por câncer de um jovem senhor, cliente do escritório em que trabalho - a doença surgiu de repente e tirou-lhe a vida em pouco tempo. O homem tinha cerca de 45 anos.

E agora 2011 está se despedindo, tão rápido quanto chegou há 365 dias atrás.

A Bíblia está certa: "Nossos anos se dissiparam como um sopro. Setenta anos é o total de nossa vida, os mais fortes chegam aos oitenta. A maior parte deles, sofrimento e vaidade, porque o tempo passa depressa e desaparecemos" (Salmo 90.9-10). A vida é mesmo passageira. A mídia vende uma imagem de imortalidade ao homem, de eterna juventude, mas a verdade é que podemos partir a qualquer momento. Em "A Árvore da Vida" a família em tela sofre uma perda irreparável que abala a fé daquelas pessoas. Daí uma série de perguntas são lançadas ao expectador, questionamentos dos personagens e de todos nós. Nenhuma delas tem respostas simples. Muitas de nossas perdas não tem explicações, só mais perguntas.

A vida é mesmo um sopro, e nossa única segurança está Naquele que soprou e nos deu a vida. O salmista afirma: "Ensina-nos a contar os nossos dias para que o nosso coração alcance sabedoria" (Salmo 90:12). Quem conta os dias, não desperdiça momentos, não se entrega a discussões tolas, não perde tempo. Quem busca um coração sábio deseja soluções para dilemas, conceitos e ideias que povoam os pensamentos. A sabedoria é prática e resolve conflitos, não se deixa levar por emoções ou por feridas da alma. E toda sabedoria vem de Deus: "O temor do SENHOR é o princípio da sabedoria; bom entendimento têm todos os que cumprem os seus mandamentos; o seu louvor permanece para sempre" (Salmo 111:10). Esse "temor" não significa medo, mas uma mente focalizada no Senhor, com alinhamento e expectativa total por Seu direcionamento.

Assim, sejamos gratos a Deus pela graça de rompermos mais um ano. Enquanto nos cabe viver, que nossos olhos se voltem para a Árvore da vida, uma figura do próprio Jesus. Façamos escolhas sábias, que promovam a vontade Dele, pois Ele sabe o que é melhor. Que nossas experiências de dor e perdas nos sirvam de degraus para subirmos e crescermos em direção Àquele que pode responder a todas as nossas questões e suprir todas as nossas necessidades. Esse 2012 que começa é mais uma oportunidade que temos de encher nossos corações e mentes de fé, esperança e amor Nele, por Ele e para Ele.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

O Reino e as sementes II

Luciano Motta

Depois de meditarmos sobre a conhecida parábola do Semeador, vamos continuar nossa reflexão a respeito do modo como Jesus se apropria de um contexto de grãos e sementes para falar do Reino de Deus, desta vez na parábola do joio e do trigo, em Mateus 13:
Jesus lhes contou outra parábola, dizendo: O Reino dos céus é como um homem que semeou boa semente em seu campo. Mas enquanto todos dormiam, veio o seu inimigo e semeou o joio no meio do trigo e se foi. Quando o trigo brotou e formou espigas, o joio também apareceu. Os servos do dono do campo dirigiram-se a ele e disseram: ‘O senhor não semeou boa semente em seu campo? Então, de onde veio o joio?’ ‘Um inimigo fez isso’, respondeu ele. Os servos lhe perguntaram: ‘O senhor quer que vamos tirá-lo?’ Ele respondeu: ‘Não, porque, ao tirar o joio, vocês poderão arrancar com ele o trigo. Deixem que cresçam juntos até à colheita. Então direi aos encarregados da colheita: Juntem primeiro o joio e amarrem-no em feixes para ser queimado; depois juntem o trigo e guardem-no no meu celeiro’ (v.24-30).
Como fez na parábola do Semeador, Jesus também explicou a seus discípulos sobre esta parábola:
Então ele deixou a multidão e foi para casa. Seus discípulos aproximaram-se dele e disseram: "Explica-nos a parábola do joio no campo". Ele respondeu: "Aquele que semeou a boa semente é o Filho do homem. O campo é o mundo, e a boa semente são os filhos do Reino. O joio são os filhos do Maligno, e o inimigo que o semeia é o diabo. A colheita é o fim desta era, e os encarregados da colheita são anjos. Assim como o joio é colhido e queimado no fogo, assim também acontecerá no fim desta era. O Filho do homem enviará os seus anjos, e eles tirarão do seu Reino tudo o que faz tropeçar e todos os que praticam o mal. Eles os lançarão na fornalha ardente, onde haverá choro e ranger de dentes. Então os justos brilharão como o sol no Reino do seu Pai. Aquele que tem ouvidos, ouça" (v.36-43).
O joio é uma planta de sementes tóxicas, que brota em meio a outras plantas de qualidade. Suas sementes assemelham-se aos grãos de trigo quando maduras, assim como suas folhas e aparência exterior. A ingestão das sementes do joio causa náuseas, vômitos e distúrbios neurológicos, como cefaléia, tonturas, vertigens, sonolência, convulsões e distúrbios visuais.

Por sua vez, o trigo dispensa maiores apresentações: suas sementes são matérias-primas de muitos alimentos básicos, como a farinha, ricas em nutrientes. O trigo é uma das maiores culturas de cereais do mundo, força econômica de muitos países.

Não por acaso, Jesus situa o Reino justamente nessa "guerra de culturas": joio e trigo, ímpios e justos, mal e bem, morte e vida. Aquele que semeia é o próprio Jesus, tanto na parábola do Semeador quanto nesta do joio e do trigo. Se na primeira o inimigo vinha e roubava a semente antes que esta germinasse, tal qual uma ave destruidora de sementes, nesta segunda parábola há uma mudança de estratégia: o diabo adentra o campo e semeia de suas próprias maldades sobre os corações humanos. E o faz de modo dissimulado, oculto: "enquanto todos dormiam" - aqui outra vez Jesus enfatiza a necessidade de vigilância.

Também salta aos olhos a resposta do dono do campo quando questionado sobre a remoção do joio: "vocês poderão arrancar com ele o trigo". Isso aponta para a semelhança exterior entre o joio e o trigo, e a preocupação do Semeador (Jesus) em preservar os justos, aqueles que acolheram a boa semente em seus corações e nasceram para a nova vida em Cristo.

Vivemos dias de valorização da aparência. É forte a noção de que precisamos parecer felizes, completos, realizados. A mídia, o marketing, a força das celebridades só alimentam esse ideal. Se antes havia um grande embate entre o SER e o TER, agora se insere um novo elemento: o PARECER. Obviamente sempre existiu fingimento, falsidade, hipocrisia. Só que nas últimas décadas vimos crescer o fake em seus muitos aspectos e modalidades, tais como a reprodução em massa de bens e obras artísticas, a falsificação de mercadorias, a pirataria, a mentalidade copy-and-paste da informática, o download ilegal, o ambiente virtual e simulado. As influências negativas dessa "cultura da aparência" recaem sobre nossas ações e auto-imagem criada por nós mesmos, principalmente na internet e nas redes sociais: queremos que as pessoas vejam nossas fotos em nossos melhores momentos, queremos que leiam o que publicamos em blogs e sites de relacionamento, queremos que nos vinculem a uma boa reputação - ainda que todas essas coisas não sejam reais em nossas "vidas reais", basta que "pareçam" reais.

Assim, se satanás não consegue destruir a Boa Semente (conforme lemos nos Evangelhos, no livro de Atos e nas epístolas), então ele procura espalhar o que tem de pior: a mentira. E toda boa mentira tem aparência de verdade. Ninguém em sã consciência aceitaria uma nota de 30 reais ou uma moeda de 3 reais, simplesmente porque elas não existem.

A mentira está enraizada principalmente na prática religiosa desprovida da natureza de Deus, como podemos constatar nas palavras de Jesus dirigidas aos hipócritas fariseus em João 8.42-45: "Se Deus fosse o Pai de vocês, vocês me amariam, pois eu vim de Deus e agora estou aqui. Eu não vim por mim mesmo, mas ele me enviou. Por que a minha linguagem não é clara para vocês? Porque são incapazes de ouvir o que eu digo. Vocês pertencem ao pai de vocês, o diabo, e querem realizar o desejo dele. Ele foi homicida desde o princípio e não se apegou à verdade, pois não há verdade nele. Quando mente, fala a sua própria língua, pois é mentiroso e pai da mentira. No entanto, vocês não crêem em mim, porque lhes digo a verdade!"

Outra passagem que expõe e denuncia o joio está em 2 Timóteo 3.1-9: "Saiba disto: nos últimos dias sobrevirão tempos terríveis. Os homens serão egoístas, avarentos, presunçosos, arrogantes, blasfemos, desobedientes aos pais, ingratos, ímpios, sem amor pela família, irreconciliáveis, caluniadores, sem domínio próprio, cruéis, inimigos do bem, traidores, precipitados, soberbos, mais amantes dos prazeres do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando o seu poder. Afaste-se também destes. [...] estão sempre aprendendo, mas não conseguem nunca de chegar ao conhecimento da verdade. Como Janes e Jambres se opuseram a Moisés, esses também resistem à verdade. A mente deles é depravada; são reprovados na fé. Não irão longe, porém; como no caso daqueles, a sua insensatez se tornará evidente a todos".

O joio cresce ao lado do trigo, e tão junto dele, e tão semelhante a ele, que Jesus nos adverte existir um momento adequado quando finalmente haverá uma separação entre eles: a colheita do grande e temível dia do Senhor, quando Jesus voltará e irá instaurar a plenitude do Seu Reino. Até lá, vemos pelas Escrituras que é necessário que justos cresçam sob circunstâncias adversas, ora sofrendo perseguições e injúrias, ora sendo sufocados e feridos pelas ações más de ímpios. Isso faz parte do processo de crescimento. E é justamente sob essas circunstâncias de provação e de cruz que nossa fé é lapidada, nossas convicções são testadas, nosso testemunho é evidenciado.

Ora, se o Evangelho do Reino não escapa de crescer rodeado por ervas daninhas, a qualidade da Boa Semente produzida pelos justos há de fazer a grande diferença: fruto do Espírito, caráter, mente de Cristo, enfim, essas e outras evidências intrínsecas aos legítimos filhos de Deus, que zelam pela santificação e buscam a semelhança do Filho Jesus. Como diz a Palavra: "todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são os eleitos, segundo os seus desígnios" (Romanos 8.28). Ainda que seja preciso esperar um tempo futuro para a separação definitiva entre o joio e o trigo, e ainda que o crescimento dos justos se dê muitas vezes pela convivência com as tribulações geradas pelos ímpios, sempre existiu e sempre existirá uma distinção entre as sementes, ou seja, entre o que cada um produz em sua vida.

Portanto, se em muitos momentos na história pareceu que o joio conseguiria sufocar definitivamente a Boa Semente, como nos obscuros anos da Idade Média e mesmo agora neste tempo de acelerada derrocada da Modernidade, seguramente chegará o tempo - e está próximo - em que os filhos das trevas, os enganadores e os dissimulados serão consumidos pela Justiça Daquele que virá em um cavalo branco ao encontro de Sua Igreja Fiel e Verdadeira, tal qual Ele é, brilhando como o sol em todo seu resplendor.

Uma pergunta final: você é joio ou trigo?

"Aquele que tem ouvidos para ouvir, ouça!"

sábado, 24 de dezembro de 2011

Uma mensagem de Natal (não muito convencional)

Luciano Motta

Falar do menino Jesus na mangedoura ao lado de Maria e José, junto de pastores e reis magos, e os bichinhos da estrebaria, enfim, escrever uma mensagem de Natal enfocando esses personagens me parece repetir uma história desgastada, batida, quase comparada ao mito de Papai Noel (só falta o McDonald's lançar uma coleção de Jesus e seus amigos no McLanche Feliz para associá-los ainda mais às fábulas fantasiosas, como personagens de desenho da Pixar). Não tenho dúvidas de que muitas crianças hoje estão mais preocupadas com os brinquedos que irão ganhar do que em homenagear alguém que só é lembrado nessa época do ano, e também quando alguma coisa não dá certo (ai, Jesus!).

Embora seja mesmo possível que alguém não saiba a respeito da história do nascimento de Jesus (se for o seu caso, vale a pena conhecê-la no Evangelho de Lucas), volto-me para aqueles que já a conhecem, sejam crentes ou não. Gostaria que pensássemos nesse Natal sobre o que diz Romanos 6.11: "Assim, também, considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus". Aqui o pronome "assim" significa "da mesma maneira". No contexto dessa palavra, se refere ao fato de Jesus ter vencido a morte e o pecado de uma vez por todas, por causa de sua vida para Deus, de sua obediência ao Pai. Como Jesus venceu a morte e viveu para Deus, nós também podemos - e devemos! - fazer o mesmo. Diz a Palavra que "por uma só transgressão veio o julgamento sobre todos os homens para a condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação que produz vida" (Romanos 5.18). De Adão descendeu uma linhagem de pecado e morte. De Jesus Cristo, e posteriormente de todos os que creram e creem Nele, descende uma linhagem de justiça, integridade, verdade, vida!

Se existe um presente para darmos a Jesus por ocasião de seu nascimento, certamente é a nossa própria vida. Pois Ele veio ao mundo, nasceu, viveu, morreu e ressuscitou por nós. Ele fez tudo por nós. Retribuirmos com nossas próprias vidas é o mínimo que podemos fazer. Isso implica dignificarmos o sacrifício do Cordeiro Jesus por nós ao morrermos diariamente para o pecado e vivermos para Deus, por Sua causa, para cumprirmos Sua vontade nessa terra, até que Jesus venha e estabeleça o Seu Reino.

Esse não é um ideal muito perseguido, inclusive em várias igrejas que se dizem cristãs. As pessoas tem seguido seus próprios projetos: casam, divorciam-se, constroem, destroem, estudam para exclusivamente ganharem mais dinheiro e poderem comprar mais, e mais, e mais... Será que em algum momento irão parar e pensar no quanto estão desperdiçando suas vidas, lutando por coisas fúteis e passageiras?

Em um Natal cada vez mais dado ao consumo, à troca de presentes e à uma paz sem o Príncipe da Paz, espero que esta mensagem faça você e eu meditarmos e mudarmos nossa maneira de pensar e de agir. Sejamos, portanto, o maior presente que Jesus gostaria de receber: nossas vidas dedicadas a Ele, em ardente expectativa pela Sua volta. Acredito que isso fará mais sentido e produzirá mais vida do que nos reunirmos em torno de um presépio ou de uma árvore com luzes piscantes. Até porque Jesus não é mais aquele bebê na mangedoura - Ele vem, como Leão, para reinar!

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Jejum pelo Noivo

Mensagem de Angelo Bazzo

Um clamor apaixonado pela volta de Jesus, por meio de uma identidade bem definida Nele. Uma abordagem totalmente alinhada à vontade do Pai para os últimos dias. Separe uma hora e meia, assista com atenção e permita que seu coração seja inflamado por esta mensagem. Maranata!

Parte 1



Parte 2

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

O princípio do Reino

Por Ronaldo Vicente, do blog  Lágrimas por Tua Causa.

{ Outra reflexão do irmão Zé Ronaldo. É um texto longo, sim, mas vale a pena toda a leitura, meditando em cada palavra e aplicação com calma e quietude. Como venho enfatizando o Reino de Deus nos últimos posts aqui do blog, entendo como é pertinente essa reflexão. Que possamos compreender e discernir o tempo e a época em que vivemos, a fim de não nos precipitarmos ante as promessas de Deus. }

Abrão: Sair da Terra, da Parentela e da casa do Pai.

A ordem do Senhor dita a Abrão vem acompanhada de três aspectos aparentemente iguais, mas na realidade são direcionados em sentidos diferentes. Vamos pesquisar melhor para termos uma compreensão mais clara dessas ordens.

Gn.12:1-3"Ora, o Senhor disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. Eu farei de ti uma grande nação; abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome; e tu, sê uma bênção. Abençoarei aos que te abençoarem, e amaldiçoarei àqueles que te amaldiçoar; e em ti serão benditas todas as famílias da terra".

Como vimos no texto de Gênesis, a primeira atitude deste homem foi sair do contexto que vivia a setenta e cinco anos. É fato que Abrão já estava acostumado, seguro, tranqüilo e o pior, acomodado com sua vida. Nessa situação o Senhor o chama para uma conduta totalmente radical, sair e obedecer a uma voz que lhe direciona para abandonar toda estrutura de vida que há anos trabalhou, para ir por um caminho sem noção alguma, pois o Senhor não disse a princípio onde era a terra prometida.

Vejamos algo que pode nos dar um melhor entendimento: Abrão sai da sua terra como casal e não como família, pois Sarai era estéril (olhando apenas as duas figuras, não contando Ló e nem seu pai Tera). Não havia ainda uma figura representativa da união dos dois, para iniciar uma promessa vindoura. O interessante é ver que o Senhor diz a Abrão para sair do contexto que vivia, e depois promete uma segunda etapa do seu plano.

O que desejo enfatizar com esta questão é que o Senhor não quis iniciar pelo filho, mas pelo futuro pai no contexto em que estava vivendo. Para Deus tomar este caminho, podemos compreender que a forma em que Abrão vivia não permitia fundamento, ou base para uma inicialização do plano vindouro. O que deveria ocorrer em sua vida era abandonar todo este contexto, para viver um novo, conforme o Senhor estava dirigindo, vejamos:

Josué 24:2“Disse então Josué a todo o povo: assim diz o Senhor Deus de Israel: Além do Rio habitaram antigamente vossos pais, Terá, pai de Abraão e de Naor; e serviram a outros deuses. Eu, porém, tomei a vosso pai Abraão além do Rio, e o conduzi por toda terra de Canaã; também multipliquei a sua descendência, e dei-lhe Isaque”.

 Josué dirigido pelo Senhor reúne todo o povo além do Jordão, para lembrar como o Senhor iniciou o que eles estavam vivendo. Note que o texto revela Abrão com outros deuses, este era seu contexto, pois estava vivendo numa terra que não agradara ao Senhor. Abrão vivia como seu pai, e possivelmente teria o mesmo fim se não fosse o Senhor. Mas houve nesse tempo uma intervenção na vida de Abrão para um plano que envolveria toda a raça humana. Deus tira este homem da terra de seus pais, terra inapropriada para o plano vindouro, e o conduz numa caminhada dirigida por Ele, rumo a uma terra apropriada além do rio concluindo sua promessa.

Então podemos concluir que o primeiro passo de Abrão foi decisivo para o que Deus tinha em mente. Sair da terra onde estava para criar um contexto, uma vida, uma dependência total para receber uma criação que seria o canal para o plano do Senhor.

Abrão tinha setenta e cinco anos. Nestes anos é óbvio que ele viveu segundo o que aprendeu com seus pais, com sua terra, com sua cultura e com as próprias lutas diárias da vida. Então é fácil assegurar que em setenta e cinco anos, Abrão viveu segundo ele mesmo. E este segundo ele mesmo, não agradara ao Senhor, pois a primeira ordem de Deus é para que saia daquele lugar. Por quê? O que significa isto? A terra era a forma que vivia e sobrevivia segundo a sua cultura. Era a dependência da própria força e das próprias idéias, para manter seu próprio sustento. A individualidade, a concorrência, a sobrevivência, a lei do mais forte, o domínio cultural e a forma de viver, falando e transmitindo aos próprios descendentes. Esta forma que Abrão estava não colaborava para o plano que o Senhor desejava para todos.

Sair da parentela

Observe o Senhor enfatizar para Abrão outro item, dentro da primeira ordem que é de total importância, “sair da parentela”. Este homem estava em contato com pessoas que viviam num ambiente e numa forma de vida cômoda. Quando famílias passam a estarem juntas, elas tomam por si próprias a postura de criar uma forma de vida com preceitos, normas e princípios. Tornam-se preocupados apenas no seu bem estar, isto é normal, todo o homem tem esta natureza.

Com o tempo, estes preceitos tornam-se tão valorosos, que passam a ser leis mortais de causas jamais violadas. Princípios que pela lógica, devem ser mantidos por uma eterna descendência, valorizando nomes carnais, posturas criadas às vezes por mentes corrompidas e atitudes individualistas, que visam apenas o próprio manter familiar.

Sua parentela representa pessoas que estão mais preocupadas em manter a prioridade numa descendência, do que preocupadas se estão vivendo corretamente perante o Altíssimo. O que Abrão poderia dizer contra estas questões? Ele estava neste contexto, mas não poderia ir contra, pois esses preceitos estavam em sua mente. Obviamente que se tivesse um filho neste ambiente, sua postura seria manter estes princípios familiares.

Mas não o recebeu graças ao Senhor, pois a esterilidade de Sarai não era à toa. A mão do Senhor estava segurando para o tempo certo. A madre de Sarai é aberta na peregrinação de Abrão, após anos longe de sua parentela. Anos que fizeram Abrão ter novos princípios voltados ao propósito que o Senhor havia chamado.

Sair da casa do pai

Também há uma terceira ordem, sair da casa do seu pai. Este último seria o mais importante. Vejamos o exemplo da união entre duas pessoas que se tornam uma, passando a estar em concordância com o Senhor. Há união representa uma nova direção da vontade que Deus deseja implantar para o casal, sobre princípios na sua futura família, sem a interferência humana. Para isto o casal deve estar ligado ao Senhor, ouvindo e passando por novas etapas na vida, sendo orientados e criando um fundamento na base da vontade de Deus.

Então levantamos uma questão: Como Deus poderia trazer este novo para Abrão, se ele ainda estava ligado em seus pais? A ordem do Senhor para Abrão não era abandonar seus pais carnais, numa compreensão de negligenciá-los. Mas era dar um basta na ligação e interferência que seus pais inconscientemente exerciam sobre sua vida.

Deus tinha algo novo para o homem, e este novo não poderia ter a interferência da raça humana. O cordão paterno tinha de ser cortado e ligado com a direção divina, para a continuação de uma genealogia que imperasse a vontade direta do Senhor. O plano de Deus para Abrão era formar não apenas homens convencidos em mentes, sobre as verdades das boas novas, mas o sonho do Senhor para as nações era criar pais carnais com figuras representadas do próprio Deus, para que a nova geração soubesse em quem se espelhar, deixando de lado qualquer princípio humano.

Estes foram os três primeiros passos da primeira ordem que o Senhor deu a Abrão. É tão relevante ressaltar que em Abrão está o inicio de algo perdido no Éden. Se voltarmos, iremos ver como Deus vinha ter comunhão com Adão (Gn.3:8).

Esta comunhão foi interrompida porque o homem desejou seguir suas idéias sem a intervenção divina. Adão perdeu a direção do Senhor em sua vida por causa do pecado, que passou a ser um instrumento invasor na vida do homem, mantendo uma dura parede para a comunhão pessoal com Deus.

Com isto podemos analisar um maior estrago, que foi à desfiguração do primeiro homem como imagem de Deus, em vida e em família. O homem se tornou numa figura caída e dominada pelos desejos carnais apresentado ao mundo. Posteriormente tornou-se figura exemplar para os futuros filhos se espelharem, criando por si próprio uma descendência caída sem a imagem de Deus. Esta era a herança de Abrão, vinda pelos pais e que o mantinha aprisionado a viver um seguimento fora da vontade divina.

Novamente enfatizo a ordem do Senhor: Saia da tua terra Abrão, saia da tua parentela e da casa de teu pai. Para que? Para sair desta desfiguração, que veio como carga de longos anos trazidos pelas famílias, de gerações em gerações. A ordem do Senhor não estava apenas vinculada ao material, ao palpável, ao que podemos ver ou sentir. Mas estavam centradas numa obra criada em perfeição (homem) que estava imperfeita (por causa do pecado) que vinha acompanhando pais, filhos, famílias, idéias, educação, aprendizado, postura, conduta, criação de culturas, formas de viver, princípios originais, normas exemplares, leis em povos e reinos futuros.

Deus não só estava restringindo seu plano a uma determinada classe ou a um determinado povo. Ele estava tirando uma imagem caída de forma visível, Abrão, e levando-o para fora deste círculo, para com sua própria natureza o educar, preparando-o segundo sua vontade, para abrir caminho e firmar uma terra aonde pudesse estar preparada para seu plano vindouro.

O que nós podemos ver com todo este plano, é que o novo viria a Abrão, a partir do momento que ele abandonasse literalmente o “velho”, herdado por esta linhagem decaída. Quando Abrão assume a postura de deixar o que há setenta e cinco anos se acostumara a fazer e a viver, para tornar-se dependente total do Senhor e seguir suas vontades, o novo de Deus passa a ser iniciado em sua vida, para começar a se abrir para todas as nações. Só a partir deste posicionamento, é que Deus começa a atuar na vida de Abrão.

A promessa do filho só vem após sair da terra

Gn.12:1-3“Ora, o Senhor disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. Eu farei de ti uma grande nação; abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome; e tu, sê uma bênção.Abençoarei aos que te abençoarem, e amaldiçoarei àqueles que te amaldiçoar; e em ti serão benditas todas as famílias da terra”. 

Atualmente nós queremos o novo sem sair do velho. Queremos que a madre abra para termos o filho da promessa neste contexto que vivemos. Pense comigo: Porque o Senhor só abre a madre de Sarai depois que eles saem da terra? Como analisamos o lugar e a própria vida de Abrão, não estavam apropriados para receber um filho que seria canal desta promessa.

Obviamente que se recebessem o filho, algo de errado iria acontecer. Pois suas vidas não estavam preparadas para educar este filho em ser um futuro canal para todas as famílias da terra.

Nós (igreja) queremos o filho para discipliná-lo com a mente nojenta que herdamos de nossos pais. Cremos estar certos para educar o “Isaque”, mas precisamos entender que para o Senhor liberar a madre, temos que sair do velho contexto, da velha terra. O Senhor não vai abrir a madre, porque Ele sabe que estamos vivendo num contexto aonde seus planos não podem ser concluídos, pois ainda vivemos por aquilo que desejamos, queremos causas que irão beneficiar a nós mesmos ou ao nosso convívio. Oramos por nós, e por aqueles que estão ligados a nós. Exaltamos nossas idéias como vindas do trono de Deus. Somos tribos dentro de um reino, e o pior, tribos que seguem sem um Senhor comandando, porque nos achamos capazes de criar ou ditar regras para O servirmos melhor.

Então eu pergunto: Como o Senhor pode liberar a madre se ainda estamos vivendo e tendo uma vida como esta? Uma vida estagnada na terra que herdamos dos nossos pais, e que não queremos de maneira alguma sair. Esta é a verdade que opera na nossa Igreja atual. Queremos o Isaque, o filho da promessa, mas não queremos sair da terra onde estamos acostumados a viver. Onde já estamos estruturados, convictos com a obra, sem importar se estamos no verdadeiro fundamento posto por Cristo.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Atraídos para Deus

Luciano Motta

{ Ainda sob o impacto das palavras ministradas nos dias 27 e 28/11/11 pelos irmãos Zé Ronaldo e Angelo Bazzo, quero compartilhar esta pequena reflexão que creio ser uma mensagem para a Igreja de Cristo hoje e o que Ele vai fazer nos próximos anos. }

O livro de Oséias é um dos mais fortes da Bíblia. Em suma, mostra a história de um profeta que se casa com uma prostituta, que tem filhos com ela e que é traído por ela. Mas Deus ordena ao profeta que se case novamente com aquela mulher e que a ame novamente. A prostituta representa Israel, a preferida de Deus, sempre envolvida com seus muitos amantes, seus ídolos e pecados. Israel é também um símbolo da Igreja, da Noiva de Cristo.

Assim, precisamos reconhecer, constrangidos, que agimos da mesma maneira que Israel. Temos também nossos amantes. Idolatramos o dinheiro, os bens materiais, o entretenimento, a busca pela felicidade, por uma vida abençoada, vitoriosa. Deixamos o Noivo de lado, o repudiamos, o traímos.

É por causa do amor e das misericórdias de Deus que não somos consumidos. Ele não desiste de nós, apesar de nossas transgressões. Deus mesmo diz como nos conquistará:

"Portanto, eis que eu a atrairei, e a levarei para o deserto, e lhe falarei ao coração" (Oséias 2:14).

* Atrairei = seduzir
* Levarei = tomar nos braços e carregar no colo
* Falarei = dizer tudo o que está no coração e/ou cantar para a amada


Estão chegando dias em que a Igreja será atraída de tal forma para Deus que não mais desejará outras coisas em troca. A Noiva abandonará seus amantes e se deleitará exclusivamente Nele. Será levada para o deserto, um lugar desprovido de tudo, exceto pela presença Dele. Nesse lugar, ouvirá diretamente do Seu coração, ouvirá canções que ninguém antes ouviu.

Por estas palavras, é impossível não pensar em João Batista, o maior dos profetas segundo Jesus. Levado ao deserto, João preparou o caminho da primeira vinda de Cristo. Em paralelo, se levantará uma geração de cristãos atraída, conduzida e capacitada no deserto para preparar o caminho da segunda vinda.

O quanto estamos atraídos para Deus? Realmente devotamos a Ele - e somente a Ele - o nosso amor ou ainda temos amantes? Deus não quer mais visitações (avivamentos), Ele quer habitar aqui na pessoa de Jesus Cristo (Reino). Ansiamos mesmo pelo Reino de Deus ou no íntimo queremos que demore mais um pouco para desfrutarmos das coisas desse mundo?

Faz alguns anos, na madrugada de 18 para 19/06/2005, escrevi a canção abaixo, chamada "Atraído" - uma resposta ao clamor de Deus no livro de Oséias. Que estas palavras sejam legítimas em nossas vidas! Que Cristo veja em nós devoção total a Ele:

Voltarei para Ti, Senhor.      Oséias 14.1
Por cordas de amor sou atraído. Oséias 11.4
Perdoa os meus pecados   Oséias 14.2
E sem impedimentos, Te adorarei!

Quero ser um vaso que Te dê prazer    Oséias 8.8
E que o meu amor por Ti cresça a cada amanhecer!      Oséias 6.4
Fala ao meu coração,           Oséias 2.14
Dá-me da Tua porção          Oséias 2.15
E viverei...

Eu irei ao Teu encontro, Senhor! Oséias 6.1
Prosseguirei em Te conhecer      Oséias 6.3
E sobre mim se derramará
A Tua presença!

Estou indo ao Teu encontro...
Derrama a Tua presença!
Atraído sou por Ti...
Derrama a Tua presença!

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Entretenimento: mais um amante

Por Luzia Gavina, em nota no facebook.

O entretenimento tornou-se um grande mal na igreja contemporânea. Viciamos nesse componente da vida social que se instalou em nossa vida como algo capaz de satisfazer momentaneamente o vazio de vidas religiosas distantes de Deus. Ele se encarrega de iludir, trazendo uma sensação de bem estar, porém, em algum momento, tal sensação simplesmente desaparece e o que sobra é apenas um imenso e profundo vazio de uma vida impregnada de uma dolorosa ausência de Deus.

O entretenimento, apesar de parecer inofensivo, é um agente poderoso que mantém boa parte dos cristãos iludidos, viciados no bem estar de uma vida terrena, repleta de valores mundanos. Conseguiram embutir o entretenimento até mesmo nos púlpitos das igrejas através de sermões, mensagens e canções que massageiam a alma, trazendo uma falsa esperança e afirmando os desejos mais egoístas do coração humano, permitindo uma volta para casa com um sentimento bom, que diz: Está tudo bem!

Não sei até que ponto esse tal entretenimento pode entrar na vida de um cristão. Porém, acredito que se temos uma vida de relacionamento com Deus, saberemos por limites à ele. No entanto, hoje, boa parte da igreja tornou-se viciada nele. Por estar distante do seu noivo, a noiva de Jesus não pôs limites ao entretenimento, pelo contrário, se “deitou” com ele, tornando-o seu amante.

A “coisa” chamada igreja está tão mergulhada em Babilônia, tão consumida pela ideologia do mundo que passou a fazer parte do grande sistema babilônico deste século. É hora de decidir! Aqueles que fazem parte da noiva que o Senhor Jesus irá resgatar saiam da Babilônia! Saiam da “coisa” que hoje chamam de igreja (não me refiro à igreja enquanto uma estrutura física, mas sim uma estrutura metal, uma mentalidade religiosa. Talvez isso te leve a um deslocamento físico, talvez não), para que finalmente a verdadeira e gloriosa Igreja de Jesus, a noiva do Senhor Jesus seja restaurada e edificada. Amém!

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

O Reino e as sementes I

Luciano Motta

O capítulo 13 de Mateus contém uma série de parábolas sobre o Reino de Deus. Em quase todas, Jesus se vale da figura de sementes e grãos para comunicar sua mensagem. Antes, contudo, gostaria de destacar a pergunta feita pelos discípulos: "Por que falas ao povo por parábolas?" (v.10). Jesus lhes responde:
A vocês foi dado o conhecimento dos mistérios do Reino dos céus, mas a eles não. A quem tem será dado, e este terá em grande quantidade. De quem não tem, até o que tem lhe será tirado. Por essa razão eu lhes falo por parábolas: ‘Porque vendo, eles não veem e, ouvindo, não ouvem nem entendem’. Neles se cumpre a profecia de Isaías: ‘Ainda que estejam sempre ouvindo, vocês nunca entenderão; ainda que estejam sempre vendo, jamais perceberão. Pois o coração deste povo se tornou insensível; de má vontade ouviram com os seus ouvidos, e fecharam os seus olhos. Se assim não fosse, poderiam ver com os olhos, ouvir com os ouvidos, entender com o coração e converter-se, e eu os curaria’. Mas, felizes são os olhos de vocês, porque veem; e os ouvidos de vocês, porque ouvem. Pois eu lhes digo a verdade: Muitos profetas e justos desejaram ver o que vocês estão vendo, mas não viram, e ouvir o que vocês estão ouvindo, mas não ouviram (v.11-17).
Esta é uma palavra de esperança e juízo que a Igreja de Cristo deveria atentar. Esperança porque Ele irá revelar Seus propósitos para esses dias através dos Seus profetas, da Sua Igreja. Precisamos vigiar e orar, aprofundar nossa comunhão com Ele. Juízo porque quem não for um verdadeiro discípulo não irá entender as coisas que já estão acontecendo e que virão. Terão dificuldades as igrejas que não centralizarem a pessoa de Jesus, que se desviarem do verdadeiro Evangelho. Com o aumento da maldade nos últimos tempos, o amor de muitos esfriará (Mateus 24.12). Isso suscitará a hipocrisia e a mentira de homens com a mente cauterizada (1 Timóteo 4.1-2). Pois é justamente nesse contexto que precisamos nos posicionar como Igreja - e tudo se fundamenta no quanto estamos ligados a Jesus. Discípulos verdadeiros veem e ouvem. Discípulos verdadeiros recebem revelação do Mestre quanto aos mistérios e significados do Reino.

A primeira parábola que Jesus conta nesse capítulo é a do semeador:
O semeador saiu a semear. Enquanto lançava a semente, parte dela caiu à beira do caminho, e as aves vieram e a comeram. Parte dela caiu em terreno pedregoso, onde não havia muita terra; e logo brotou, porque a terra não era profunda. Mas quando saiu o sol, as plantas se queimaram e secaram, porque não tinham raiz. Outra parte caiu entre espinhos, que cresceram e sufocaram as plantas. Outra ainda caiu em boa terra, deu boa colheita, a cem, sessenta e trinta por um. Aquele que tem ouvidos para ouvir, ouça! (v.3-9)
Jesus mesmo explica a seus discípulos acerca da parábola:
Portanto, ouçam o que significa a parábola do semeador: Quando alguém ouve a mensagem do Reino e não a entende, o Maligno vem e lhe arranca o que foi semeado em seu coração. Este é o que foi semeado à beira do caminho. Quanto ao que foi semeado em terreno pedregoso, este é aquele que ouve a palavra e logo a recebe com alegria. Todavia, visto que não tem raiz em si mesmo, permanece por pouco tempo. Quando surge alguma tribulação ou perseguição por causa da palavra, logo a abandona. Quanto ao que foi semeado entre os espinhos, este é aquele que ouve a palavra, mas a preocupação desta vida e o engano das riquezas a sufocam, tornando-a infrutífera. E, finalmente, o que foi semeado em boa terra: este é aquele que ouve a palavra e a entende, e dá uma colheita de cem, sessenta e trinta por um (v.18-23).
A semente é a Palavra de Deus. De longe, ao derredor, o diabo observa atentamente os corações enquanto a mensagem do Reino é ministrada, tal qual uma ave sobrevoa o campo a contemplar as sementes que caem sobre a terra, lançadas por aquele que semeia. Dentre as várias espécimes de aves, existem as dispersoras de sementes (frugívoras) e as predadoras de sementes (granívoras). As primeiras alimentam-se apenas de frutos, deixando suas sementes intactas, espalhando-as pela região. Estas beneficiam as plantas quanto à sua preservação, ainda que destruam os frutos (isso daria outra boa reflexão). Obviamente Jesus estava se referindo ao segundo tipo de aves: as que comem sementes, esmagando-as e seccionando-as. Estas impedem a germinação, a vida.

É impressionante como as pessoas tem andado tão distraídas quanto ao tempo em que vivem, tão saturadas de informação e entretenimento a ponto de considerarem a Palavra como mais um dado a ser depositado nos arquivos-mortos da memória. A Palavra não é prioridade, os valores do Reino não são importantes. Dessa forma, como entenderão o Reino e sua justiça se não o buscarem em primeiro lugar? Por não acolherem esta preciosa semente com diligência e prontidão, são roubados; por não cultivarem no dia a dia o que recebem nas reuniões e nos cultos, e na devoção diária, se esta existir, deixam a vida à mercê dos predadores da mente e do espírito. Como esperar frutos de pessoas assim?

Também é grande a multidão dos que não tem raízes profundas em Deus e no Corpo de Cristo. Não há frutificação nesses corações. Muitos confundem "frequentar cultos e cantar músicas" com "relacionamento vertical e adoração". Outros tantos direcionam suas vidas espirituais a partir das vozes de mediadores. Quantos não poderiam já serem mestres na Palavra, mas ainda se portam como crianças, dependendo de leite! Quantos pastoreiam e lideram sem direcionamento seguro, sem fundamentação espiritual para seus rebanhos e congregações, por não terem uma sólida e profunda vida com Deus!

Agora considerando a perspectiva horizontal: cresce o número de crentes solitários, de "carreira solo" na fé. Na verdade, estão expostos, perdidos, ferindo gente por aí com suas próprias mazelas. Toda Igreja deveria ser uma família e toda família, uma Igreja. Isso reduziria radicalmente os problemas com desviados e desamparados, com lares partidos, pois na hora da adversidade todos suportariam verdadeiramente as cargas uns dos outros. No Corpo há suporte e submissão, há vida e fortalecimento mútuos.

Jesus aponta ainda um terceiro tipo de semente, sufocada pelas preocupações cotidianas e pela ilusão das riquezas. Nesse ponto, convém destacar como o evangelho pregado e cantado hoje é tão identificado com essas duas demandas! A felicidade e o bem-estar são perseguidos e propagados em todo lugar. A bênção e o milagre são idolatrados. "Prosperidade" se tornou jargão entre os evangélicos, sinônimo de que Deus está na vida daquele que cresce e se destaca financeiramente. São desvios gritantes que tornam o evangelho infrutífero. As boas novas tem sido sufocadas por esses espinhos. O mundo anseia por uma mensagem diferente.

A boa terra é o coração daqueles que tem ouvidos para ouvir. A Bíblia afirma que "virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, sentindo coceira nos ouvidos, segundo os seus próprios desejos juntarão mestres para si mesmos. Eles se recusarão a dar ouvidos à verdade, voltando-se para os mitos" (2 Timóteo 4:3-4). Não é uma descrição do tempo presente?

Precisamos definitivamente deixar de tratar a Palavra de Deus como uma bula de remédios ou um receituário médico, algo que lemos e até reproduzimos, mas de forma indiferente, mecânica, religiosa, impessoal. Deus espera que cuidemos com zelo da boa semente que tem plantado em nós, através de um relacionamento profundo conosco, individual e como Igreja. Ele procura corações devotados ao Seu Coração, dispostos a ouví-Lo e a obedecê-Lo, ainda que ouçamos palavras contrárias às nossas próprias vontades e confortos.

O cultivo da semente que não é roubada pelo diabo, que resiste às tribulações e às demandas sufocantes da vida, e que frutifica os valores do Reino, enfim, esse cultivo deve envolver nossas emoções e mentes, nossos corações abertos para as Escrituras, voltados para tudo o que Deus está querendo falar e comunicar a nós, Seus filhos. Só assim influenciaremos nossa geração. Só assim alimentaremos este mundo com a Verdade, o Pão da Vida. As sementes tem sido lançadas para a grande colheita dos dias do fim... Somos, você e eu, boas terras para receber a mensagem do Reino e frutificar?

"Peço que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o glorioso Pai, lhes dê espírito de sabedoria e de revelação, no pleno conhecimento Dele. Oro também para que os olhos do coração de vocês sejam iluminados, a fim de que vocês conheçam a esperança para a qual ele os chamou, as riquezas da gloriosa herança dele nos santos e a incomparável grandeza do seu poder para conosco, os que cremos, conforme a atuação da sua poderosa força" (Efésios 1:17-19).

"Aquele que tem ouvidos para ouvir, ouça!"

Leia aqui a parte 2

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Os mensageiros dos últimos dias

As Escrituras proféticas não nos levam a crer que os últimos derramamentos do Espírito virão para nos introduzir numa "utopia" espiritual antes da volta de Cristo. À medida que a Igreja está caminhando para a maturidade e a última colheita está entrando, as condições do mundo continuarão a deteriorar-se. As tendências que vemos agora na sociedade, que apontam para a sua desintegração final, não serão revertidas pelo derramamento do Espírito. Angústias para as nações e tribulação para a igreja são previstas pelo Espírito para o tempo do fim.


Mas a crescente escuridão fará somente com que a luz resplandecente do povo de Deus se destaque com mais brilho. Deus vai fechar esta era da mesma forma como a iniciou. Grande poder e glória na igreja, grande vitória sobre Satanás, porém num contexto de grande perseguição e oposição. A diferença é aquilo que no início estava confinado a um pedacinho do planeta, no fim abrangerá o mundo inteiro. Creio que os melhores capítulos da longa história da igreja ainda devem ser escritos e que se dirá da geração que trouxer o Rei de volta: "Este foi o seu melhor momento!".

Trecho do Livro "Chuva do Céu", de Arthur Wallis.
Extraído do blog de Carolina Sotero.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

33 anos

Hoje é meu aniversário. Quando penso em tudo que vivi, nos acertos e nos erros, nas vitórias e nas derrotas, nas alegrias e nos choros, reconheço o quanto sou feliz e realizado enquanto homem, marido, pai e filho de Deus. Também penso em Jesus - quando Ele tinha 33 anos, enfrentou a cruz e venceu a morte. Se hoje estou aqui, é por causa do que Jesus fez em seus 33 anos de vida na terra. O que fiz em meus 33 anos? Qual foi a minha influência, o meu legado? O que deixei e o que irei deixar como herança para minha família, meus amigos e todos aqueles que passaram pela minha vida? Isso é o que penso hoje, mas não fico ansioso ou angustiado. Eu descanso Nele e me proponho a continuar firme, prosseguindo para o Alvo, olhando firmemente para o Autor e Consumador da minha fé. Sei que Ele há de me sustentar e realizar todas as coisas. Sei que passarei algum dia, mas tudo o que realizei por Ele, para Ele e através Dele hão de permanecer.

Alvo*

Prossigo para o alvo
não em busca de vitórias
mas de recordes.
Já sou mais do que vencedor.
Minha vocação
é marcar esta geração.

Prossigo para o alvo
não em busca de bênçãos
mas do Abençoador.
Tenho recebido tudo o que preciso [e muito mais]
enquanto experimento
Sua boa, agradável e perfeita vontade.

* Originalmente postado em Versar e Viver

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Avivamento requentado

Luciano Motta

{ Difícil falar desse tema sem parecer ofensivo, arrogante, juiz ou algo parecido. Por favor, não tenho essa pretensão em meu coração, tampouco assumo uma cadeira arbitrária. As palavras que seguem são uma exortação ao Corpo de Cristo, no sentido de edificar, de propor outras perspectivas que entendo serem de Deus para a Sua igreja nesses últimos dias. }

Há um episódio na Bíblia bastante conhecido: depois da crucificação e da morte de Jesus, dois discípulos desceram pelo caminho de Emaús ao invés de permanecerem em Jerusalém. O próprio Jesus ressurreto foi ao encontro deles e por algumas horas conversaram a respeito das coisas que tinham acontecido. Mas eles não o reconheceram naqueles momentos, nem quando o Mestre lhes explicara as Escrituras. Somente quando Ele partiu o pão "seus olhos foram abertos" (Lucas 24.31). Em outra referência, a Bíblia diz que "Jesus lhes apareceu de outra forma" (Marcos 16.12) e por isso não fora reconhecido por aqueles discípulos.

Sem dúvida, essa história reflete muito sobre como temos agido enquanto igreja de Cristo: tomamos caminhos antagônicos em relação à vontade de Deus; muitas vezes somos abordados pelo próprio Jesus, mas não o reconhecemos; julgamos discernir nas Escrituras os tempos atuais e os fundamentos de nossas ações, mas no final continuamos em uma rota contrária, equivocada, rodando em círculos.

Podemos observar um pouco desse engano na maneira como diversos "ministros de avivamento", que movimentaram a igreja brasileira no começo do século XXI, estão conduzindo atualmente seus próprios ministérios. Vários deles tem produzido CDs e DVDs que remetem àquela época, seus "sucessos" regravados, remixados, rearranjados à exaustão.

Imagine uma comida conservada durante 10 anos. Apesar de ser uma boa comida, você a comeria depois de tanto tempo?

Precisamos assumir que essa comida tem sido servida na maioria dos cultos de hoje, requentada pela influência daqueles anos de "avivamento" - de sopros, ventos, chuvas, fogos e glórias. Mesmo com a atualização de ritmos (até os hinos históricos, tão criticados, tem sido hoje reapresentados como "novidades"), e com grupos e "ministros" surgindo no cenário nacional, é patente o modo como muitos artistas e também muitas igrejas ainda reproduzem sonoridades, letras, temáticas e ministrações daquela época, temperadas agora com generosas porções de auto-ajuda e prosperidade material. Em nome do canto congregacional, o binômio louvor + adoração se tornou uma fórmula rentável que passou a existir em função da demanda por novas músicas e por novos lançamentos. Alguns se defendem sob o escudo de estarem mantendo um "estilo" próprio, uma vocação ou um chamado de Deus, mas na verdade estão passeando pelos "caminhos de Emaús" dos novos tempos, puxando uma parte significativa da igreja a reboque.

Outra questão que tem conduzido a igreja para fora de Jerusalém é a presunção de saber como "fazer avivamento". Talvez seja uma "síndrome de Nadabe e Abiú", pela precipitação de produzirem seu próprio fogo - um fogo estranho ao Senhor. Isso custou as vidas daqueles homens (Levítico 10.1-2), e o mesmo se vê hoje na quantidade de ministérios mortos, de igrejas sem a vida de Deus fluindo nas reuniões e encontros de seus membros. Também é morta e custosa a insistência de certos tele-evangelistas e de tantos superpastores/apóstolos/bispos em manterem estruturas que só engrandecem suas denominações, seus livros e produtos gospel, ou seja, seus próprios feudos pseudo-cristãos, sob o pretexto de estarem "pregando o evangelho". Na verdade, suas cruzadas e ajuntamentos tornam-se grandes oportunidades para gravação e produção de novos bens de consumo, mais uma vez os fins de fazer dinheiro justificando os meios.

Ainda nessa perspectiva de "saber como fazer", vemos muitas igrejas locais presas à uma sucessão de programações e eventos, sendo o culto de domingo à noite o principal deles (trato dessa questão no artigo Tabernáculo, liturgia e sacerdócio). Um "ministro de louvor" mais rodado ou um pastor experiente, carismático, sabe exatamente como incendiar sua congregação. E quanto à estrutura, até bem pouco tempo estava quente a discussão em torno do que era melhor: células, G12, propósitos, grupos caseiros, etc. Mas veja que todas essas coisas acabam desviando a igreja do foco principal.

Não existem receitas prontas para mudar esse quadro. Acredito, contudo, que há pelo menos duas certezas:

1- Jesus está aparecendo "de outra forma" nos últimos dias: Ele está voltando para se encontrar com uma Noiva pronta para o casamento (Apocalipse 19.7); uma igreja relevante, intrépida, capaz de viver e morrer por Sua causa.

Para isso acontecer, é preciso uma mudança, talvez uma revolução, do que signifique "ser igreja". Considere que Pedro tinha uma mensagem de arrependimento aos judeus e que Paulo estendeu essa mensagem aos gentios. Lembre-se de que ocorreu uma reforma protestante rompendo com as práticas eclesiásticas daqueles tempos obscuros. Não ignore que houve uma redescoberta dos dons espirituais no século XX. Assim, por que não haveria "outra forma" para os dias que antecedem o fechamento da história, se a própria história e também a Palavra apontam para tal?

Leia o livro de Apocalipse, por exemplo, e veja como a música e a adoração estão intrinsecamente ligadas aos juízos e às movimentações celestiais que tocam e modificam os rumos da Terra. E como estamos tão distantes disso! Quantas músicas hoje tratam de um evangelho para nós mesmos, de bênçãos e milagres! É urgente uma "outra forma", uma nova canção.

Se somos a geração de João Batista, preparando o caminho da volta de Jesus (essa mensagem foi bastante apregoada pelos movimentos de avivamento aqui no Brasil nos últimos anos), então precisamos estar dispostos a mudar o rumo como igreja e ir ao deserto. João Batista exerceu o seu ministério no deserto. Ele se separou de todas as coisas, como um nazireu, a fim de não corromper sua mensagem e não se desviar de seu chamado. E o próprio Jesus exaltou João Batista como o maior profeta dentre os nascidos de mulher (Lucas 7.28). Sem dúvida, é uma "outra forma" de ser voz profética nessa nação, muito diferente do que fazer um monte de declarações positivas e atos proféticos, ou ungir com óleo bandeiras de cidades e nações.

Mas não sejamos meninos aqui: as coisas que Deus fez no passado foram válidas, as coisas boas que vivemos e aprendemos com Deus devem permanecer. O que está em questão aqui é a forma, não a essência. Por já estarmos tão amoldados a uma maneira de agir, a um sistema ou estrutura, por já sabermos como "fazer igreja", não reconhecemos que Jesus quer aparecer de outra forma ao mundo. A geração atual não tem a mesma recepção do Evangelho de outrora, o que é ainda mais agravado pelo fato de não estar sendo apresentado o verdadeiro Evangelho, simples e direto, com base no arrependimento e na graça, sendo visíveis o testemunho e a vida prática diferenciada de seus fiéis.

Isso só será possível a partir da segunda certeza:

2- Os olhos da igreja serão abertos "no partir do pão": Somente uma vida de genuína comunhão, de intimidade com Jesus, nos permitirá reconhecê-Lo e ouví-Lo. Assim receberemos Sua direção segura para os dias difíceis que vivemos.

Há 10 anos isso era pregado, mas a comunhão vertical, para ser consistente e constante, depende da comunhão horizontal. O "partir do pão" significa Aliança - nós e Deus, nós e os irmãos. Não os relacionamentos superficiais e virtuais que vemos nas igrejas ultimamente, relacionamentos nutridos pelas habilidades individuais, pelo que o outro pode oferecer para a instituição, para a organização. Pois quem não tem muito a oferecer - ou tem problemas, crises, feridas - acaba deixado de lado ou rotulado (ainda que muita gente problemática e ferida consiga esconder suas misérias para atender às demandas de sua liderança ou comunidade, assumindo cargos e posição, ou simplesmente para não ser desprezada).

Observe que nós tipificamos Tomé como "o incrédulo" por causa de suas dúvidas, mas Jesus o encoraja a acreditar (João 20.27). Uma verdadeira aliança entre irmãos é constituída de relacionamentos estreitos e sinceros, baseados no encorajamento e na exortação, que apontam para o potencial individual e coletivo em Cristo.

{ Terminarei esse artigo em breve }

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Atração e colisão

Luciano Motta


Uma vida de compromisso com Deus gera pelo menos duas coisas em nós: atração e colisão.

Atração porque uma vida de real compromisso reflete Jesus e Ele atrai as atenções de todos:

“Quem é este?”
“Que palavras são estas?”
“Que vida é esta que não encontro em outro lugar?”

As pessoas estão sedentas por Deus e se sentirão irresistivelmente atraídas pela presença Dele em sua vida.

Mas por que então gera colisão? Uma vida de real compromisso também choca, bate, quebra, rompe, avança na contramão dos rumos e dos fundamentos da atual sociedade. Se é verdade que alguns te seguirão, muitos mais vão querer crucificá-lo.

Se hoje quiserem te crucificar, alegre-se na possibilidade de você estar se parecendo com Jesus.

Mas há um porém: não se esqueça de que haviam dois malfeitores, um à esquerda e outro à direita do Mestre. Você pode estar sendo crucificado simplesmente por suas más ações. Nesse sentido, Deus nos permite viver da maneira como bem entendermos, ainda que não o agrade, para que no fim de um dado tempo venhamos a colidir (ou literalmente "quebrar a cara") por causa de nossos maus caminhos. Então, Ele nos dá uma nova chance, uma oportunidade de nos arrependermos e nos direcionarmos para o caminho certo.

Sonde seu coração, sua própria vida, para se certificar de que está alinhado à vida de Jesus. E prepare-se para atrair ou colidir.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Um ano se passou...

Olá, o primeiro post desse blog foi em 21 de outubro de 2010. Nesta semana de aniversário, estou mudando o visual. É possível que ainda outras transformações aconteçam por aqui. Espero postar mais depois da correria que estou nos últimos dias. Obrigado por me acompanhar aqui. Deus te abençoe!

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Sobre nosso relacionamento com Deus

{ O texto que segue é uma síntese das palavras ministradas por Robert Walker em nossa comunidade, em 26 e 27/09/2011. Foi um tempo muito precioso! Fomos muito impactados pela simplicidade e pela profunda vivência desse homem de Deus em cada palavra e ilustração. Espero poder reproduzir um pouco do que recebemos nesses dias. }

1ª NOITE - DIA 26/09

Deus prometeu a Abraão três coisas: uma terra, um povo e uma bênção - vide Gênesis 12.

Povo sem terra = falta de identidade, falta de testemunho. Assim, não há autoridade espiritual (governo). Isso é o que a igreja brasileira, de modo geral, tem sido nos últimos anos.

O povo é a Igreja de Cristo. Podemos ser casa de Deus espiritualmente falando. Mas precisamos da terra, que representa as coisas visíveis, que dão testemunho de Jesus.

Não existe na Bíblia governo de uma pessoa só com relação à Igreja. O que existe é uma liderança plural, baseada em serviço e cooperação. Todos juntos obedecendo ao Cabeça: Cristo.

Ser uma bênção = visão missionária.

Ezequiel 40 a 47 - Água que flui do trono sara o mar morto (sal em excesso na água = legalismo / A Palavra precisa da Graça, senão é Lei que mata).

AS 3 FASES NO RELACIONAMENTO DE ABRAÃO COM DEUS

1) FASE DE CRIANÇA - Gênesis 12 a 15

Poucas exigências - apenas pede que saia da terra onde estava para uma outra.

Graça = Deus vai abençoar Abraão, isso é incondicional. Não existe aqui o aspecto da Lei: "se você fizer isso, te darei aquilo".

Gênesis 15 - quando Deus responde, não é de acordo com a nossa pergunta, mas nos traz confiança. Assim foi com Jó no final de sua provação.

"Levou para fora" - sair da rotina / separar-se para Deus - isso é muitíssimo importante!

Na fase de criança predomina GRAÇA INCONDICIONAL, OBEDIÊNCIA INQUESTIONÁVEL. Uma criança não questiona os pais, apenas os segue. Ama os pais sem condições, mesmo que corrigida. É só a partir da adolescência que começa a "negar" o seu amor.

Gênesis 16 - erro de Abraão, ao ter um filho com a escrava - quis cumprir a promessa na própria força - pode ser comparado ao relaxo de um adolescente.

2) FASE DE JOVEM - Gênesis 17

Maiores responsabilidades: "Anda na minha presença, e sê perfeito".

Não são mais tolerados os erros da fase de criança.

Enfatiza muito mais a "aliança" (pacto, compromisso).

Sinal de circuncisão - visível, permanente (isso está ligado à terra, ou seja, ao testemunho).

Nome de Abraão mudado = mudança de natureza.

Foco voltado para a mulher legítima (Sara) = valorização da família. A fé da mulher deve acompanhar a do marido. Toda a casa de Abraão acompanhava a sua fé, inclusive os servos.

3) FASE DE ADULTO / MATURIDADE - Gênesis 18.17

"Eu o tenho conhecido" ou "Eu o escolhi" - Deus sabe a disposição do coração humano.

a- Ordenação da família

b- Intercessão (em favor de Ló)

c- Amizade = Deus age em favor de seus amigos. A história continua com quem é amigo de Deus, com quem anda com Ele.

d- Deus pede o melhor de Abraão = Isaque / Aqui Deus jurou.

"Oferecer Isaque" = é o que Deus deu, é o melhor. Não pode ser algo que não queremos mais e que Deus nunca quis.

"Oferecer Ismael" =  é carnal, não "faz cheiro" para Deus.

Sacrifício - Levítico 1 / Romanos 12

Antes de oferecer o sacrifício no holocausto, primeiro era tirado o couro (aparência, reputação, justiça própria). Depois, era cortado em pedaços (Deus não pede tudo de nós de uma vez).

A cabeça era a 1a parte colocada no altar = todo raciocínio deve estar sujeito a Deus.

A lenha queima primeiro = circunstâncias da vida, familiares, trabalho, etc.

Hebreus 5.6 - deixe de ser criança, seja perfeito, avance para o último nível.



2ª NOITE - DIA 27/09

A fé de Abraão foi sendo fortalecida em seus encontros sucessivos com Deus. A paciência e o amor de Deus continuarão até o fim, ainda que o coração do homem seja duro e não avance em seu relacionamento com Ele.

Êxodo 19.4 - Aliança = proposta de casamento

Há um paralelo entre os v.5 e 6 e 1 Pedro 2.

O povo de Israel ficou preocupado com as exigências de Deus PARA SER ABENÇOADO - motivações interesseiras, egoístas. Muitos buscam a Deus sob essa perspectiva.

1 Pedro 2.5 - Há 3 figuras: pedras vivas, sacerdócio santo, santuário de Deus. No tabernáculo cabiam no máximo 5.000 pessoas bem apertadas. A nação tinha 600 mil homens, fora mulheres e crianças.

Deus aparece em um monte fumegante - Eles estão na presença de Deus = Isso é ser sacerdote. Deus queria fazer com todo o povo o que conseguiu com Abraão.

Deuteronômio 5.22 - além de sacerdotes, foram também testemunhas (isso tem a ver com a promessa de uma terra).

v.25 - aqui começa a Lei, através de um mediador.

Gálatas 3.19 - Hoje Jesus é o nosso Mediador e também é o nosso Deus = Jesus é o Caminho para o Pai, mas também é um com o Pai.

Levítico 9.22 - Nadabe e Abiú entraram sem respeitar a ordem (ver também Lev 10.1-2).

DOIS ERROS COMUNS QUANTO À PRESENÇA DE DEUS: COVARDIA (MEDO) E PRECIPITAÇÃO (PELA AUTO-SUFICIÊNCIA).

Levítico 16.1-2 - O acesso é fechado. Deus queria que entrassem no Santo dos Santos sempre que quisessem, porém por causa da precipitação dos filhos de Arão (e da covardia do povo) determinou que só entrassem uma vez por ano.

Hebreus 9.7 - Não há paralelo entre o povo e Abraão, pois o povo rejeitou andar na presença e ser perfeito.

DEUS QUER LEVANTAR UM POVO COMO ABRAÃO

Jeremias 31.34 e 1 João 2.27 - Um povo que não ministra um ao outro, antes tem uma revelação direta de Deus. Você está nesta igreja por causa da revelação de outros ou por causa da revelação de Deus?

Os novos convertidos hoje precisam de encubadora depois que nascem, pela falta de um encontro genuíno e transformador com Deus.

Hebreus 10.19-20 - entrar no Santo dos Santos com intrepidez, mas temos medo.

Rasgar o véu = rasgar a carne. Na conversão, o véu é retirado (ver 2 Coríntios 3.12).

TABERNÁCULO

Átrio = preparar / Santo Lugar = oferecer / Santo dos Santos = Consumir

Êxodo 29.38-40 - no Átrio eram preparados dois cordeiros (figuras de Jesus), um de manhã (altar individual) e outro à tarde (altar da família). Isso é algo diário!

A farinha representa a Palavra. O azeite e o vinho tipificam o Espírito Santo (aspectos diferentes - azeite é suave, vinho é emocional, fervoroso).

HÁ 3 NÍVEIS QUE DEUS QUER FALAR:

Átrio = sacrifício diário / Santo Lugar = candelabro/andar na Luz / Santo dos Santos = nuvem da Presença (coisas novas) + tábuas da Lei (o que Deus já falou). Neste último, Ele revela SEUS SEGREDOS.

Significado para Propiciatório = "assento de misericórdia"

COMO ENTRAR NO SANTO DOS SANTOS?

1- Expectativa viva
2- Não abrir mão - Êxodo 33 - as atitudes de Moisés não foram passivas. Tudo que o homem pede Deus concede!
3- Aquietar - 1 Reis 19.12 (som de quietude). Elias conhecia Deus, e só saiu para fora da caverna quando fez silêncio.

Que tenhamos FOME de Deus. Que queiramos ser AMIGOS Dele.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Estou a mil...

Olá, sei que o blog não está tendo a atenção que merece. É porque estou naquela correria e pressão que acompanham uma monografia de final de curso de pós-graduação. Com um agravante: as inscrições para o mestrado chegaram e as provas tem aquela tensão, sabe?

Espero a sua compreensão quando vier até este blog e não encontrar absolutamente nada de novo. Quero postar alguns textos de amigos nesse período.

Deus já tem me permitido encarar intelectualmente e financeiramente esta maratona. Agradeço muito a Ele.

Conto com as suas orações. Até +

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Fé, esperança e amor

Luciano Motta

Não faz muito tempo falei sobre os dias do fim e a necessidade de vigiar e orar. Quero agora abordar outro ponto do chamado "sermão profético" de Jesus, constante nos Evangelhos. Trata-se de algo muito significativo para compreendermos e nos posicionarmos como Igreja de Cristo.

Jesus não deixou dúvidas ao afirmar: "Devido ao aumento da maldade, o amor de muitos esfriará" (Mateus 24.12 NVI).

Algumas versões falam de aumento da iniquidade: algo que é perverso, que ofende a retidão. Sem dúvida esse é o principal motivo do agravamento das mazelas humanas. À medida que as sociedades tem deixado Deus de lado, tem decretado a morte de fundamentos e valores, só vemos crescer a maldade, o pecado. As coisas estão tão invertidas que mesmo pessoas lúcidas tem perdido a coerência.

Dar as costas para Deus é se afastar do próprio Amor. Uma pequena brasa afastada do Foco aos poucos perde o calor, se esfria, torna-se mero carvão, vira cinza e, por fim, se desmancha. Assim é o homem sem Deus. Assim caminha o homem nesses dias.

Há um paralelo entre essa questão e a defesa mais linda do amor em 1 Coríntios 13, escrita pelo apóstolo Paulo: "O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta" (1 Coríntios 13.6-7 NVI).

Fica bastante claro, apenas por essa passagem, que o crescimento da maldade, da injustiça, está intimamente ligado à falta de amor. E que a fé e a esperança dependem do amor para permanecerem vivas. Só pelo amor eu posso crer. Só pelo amor eu consigo ter esperança. Nada perdura sem amor, ou seja, sem Deus.

Como ter fé em uma época tão tomada pela incredulidade? As conquistas humanas nos campos tecnológico e científico são extraordinárias. Mas as guerras estão aí, o terrorismo ainda paira como uma sombra sobre as nações. Dez anos se passaram desde o fatídico 11 de setembro, crises econômicas se sucedem ininterruptamente. O ceticismo global só aumenta. As pessoas, na verdade, querem muito crer, mas há uma escassez de referenciais. Elas até sabem de Abraão, de Noé, de homens e mulheres que creram e ficaram marcados da história como pessoas de fé. Só que os olhos do mundo estão voltados para aqueles que declaram sua fé em Deus hoje. A Bíblia diz que até a natureza aguarda, com grande expectativa, a manifestação dos filhos de Deus (Romanos 8.19).

A fé vem pelo ouvir, e ouvir a Palavra de Deus (Romanos 10.17). Se falta fé, é porque não estamos ouvindo. Falta uma clara e profunda revelação de Jesus, a própria Palavra Viva. "Como, pois, invocarão Aquele em quem não creram? E como crerão Naquele de quem não ouviram falar? E como ouvirão, se não houver quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados?" (Romanos 10.14-15 NVI). É o próprio Deus - o Amor - quem envia. Mas quem está ouvindo a Sua Voz, o Seu chamado para esses dias? Importa que o Evangelho do Reino, que centraliza Cristo, que enfatiza arrependimento e transformação de mentes e corações, seja de novo pregado - para incrédulos e, infelizmente, também para crentes. Referenciais de fé precisam estar nas ruas, nos templos, nas escolas, nas famílias, nos espaços públicos, demonstrando com sua própria vida a fé que carregam.

Eram chamados de cristãos os que se assemelhavam a Cristo. Havia uma diferença de conduta, algo que a Bíblia chama de santificação, separação, integridade. Como ter esperança se tão poucos hoje são realmente diferentes? Casamentos falidos, relacionamentos quebrados, indiferença, brigas, divisões... Os olhos do mundo se voltam para os que deveriam trazer a mensagem de esperança, e só encontram desesperança!

A vontade de Deus é que nós, Sua Igreja, Sua Noiva, sejamos encontrados santos, adornados, esperando por Ele. E só podemos viver nessa perspectiva a partir de uma vida diária de encontros com Deus, expostos, assim, ao Seu amor, à Sua vida. "O amor de Cristo nos constrange, porque estamos convencidos de que um morreu por todos; logo, todos morreram. E Ele morreu por todos para que aqueles que vivem já não vivam mais para si mesmos, mas para Aquele que por eles morreu e ressuscitou ( 2 Coríntios 5:14-15 NVI).

Constrangidos e aquecidos por esse amor tão grande, tão gracioso, poderemos viver em um dimensão de fé que o mundo atual - frio e incrédulo - ainda não viu; poderemos levar esperança ao perdido, ao cansado. O Evangelho deve ser uma Boa Notícia, não baseada no que o homem pode receber para seus próprios deleites e prazeres, mas baseada no amor de Deus, para a glória do Seu nome, a fim de que todo joelho se dobre e toda língua confesse que Jesus é o Senhor. Antes da salvação está o senhorio Dele.

"Assim, permanecem agora estes três: a fé, a esperança e o amor. O maior deles, porém, é o amor" (1 Coríntios 13.13 NVI).

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Mentalidade Idólatra

De Anderson Bomfim, em uma breve e relevante reflexão sobre a mentalidade com a qual prestamos culto a Deus:

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Conhecendo a Cristo II

Luciano P. Subirá - Extraído do site Alto Caminho | Continuação do artigo "Conhecendo a Cristo". Leia o começo aqui.

Sem uma revelação acerca de Jesus alguém pode crescer dentro de uma igreja, receber toda uma formação religiosa e até saber tudo acerca de Jesus, e mesmo assim, nunca ser transformado.

TRANSFORMAÇÃO POR UM “NOVO” CONHECIMENTO

Porém, quando esta pessoa consegue sair da dimensão de mero conhecimento intelectual e entrar numa dimensão de revelação, sua vida será drasticamente mudada. Penso que esta é uma das maiores necessidades da igreja de nossos dias.

Tiago, o irmão do Senhor (Gl 1.19) é um exemplo disto. Tanto ele como seus irmãos, não criam em Jesus. Até o momento da morte de Jesus eles sustentaram esta posição, pois não os vemos mencionados nos Evangelhos como estando por lá. E ainda reforça esta idéia o fato de que Maria estava sozinha, razão pela qual Jesus confiou o cuidado dela a João (Jo 19.26).

Só que algo aconteceu depois da morte e ressurreição de Jesus. Não temos um relato detalhado, só a menção do que houve. Mas sabemos que algo aconteceu, e que isto mudou para sempre a vida de Tiago:

“Depois foi visto por Tiago, depois por todos os apóstolos”. (1 Coríntios 15.7)

E aquele Tiago cínico que provocava Jesus, que quis prende-lo, que não cria nele, mudou completamente. Não mudou pelo conhecimento segundo a carne de toda uma vida fisicamente próximo de Jesus, mas quando provou uma revelação do Cristo ressurreto, tudo mudou! Acredito que esta revelação foi o marco desta mudança, pois ele já passou a ser mencionado entre os que estavam reunidos no Cenáculo (At 1.14) por ocasião do Pentecostes. E Tiago se tornou uma das colunas da Igreja em Jerusalém, mencionado antes mesmo de Pedro e João:

“E conhecendo Tiago, Cefas e João, que eram considerados como as colunas, a graça que se me havia dado, deram-nos as destras, em comunhão comigo e Barnabé, para que nós fôssemos aos gentios e eles, à circuncisão”. (Gálatas 2.9)

Por ocasião do Concílio de Jerusalém, vemos todos falando sobre o motivo da controvérsia da circuncisão ser aplicada ou não aos gentios. Pedro fala, até Paulo se levanta com Barnabé e também falam, mas é quando Tiago se levanta e fala que o assunto se dá por encerrado e concluído. Que diferença entre o irmão de Jesus visto nos Evangelhos e este grande líder que ele veio a ser!

Ele ganhou muito respeito e admiração não por ter sido irmão do Senhor, mas certamente pela vida que vivia em Deus. Pela linguagem adotada em sua epístola, percebemos que Tiago era um homem de liderança forte e que não poupava confrontos. O motivo pelo qual Pedro foi repreendido por Paulo em Antioquia foi mudar de comportamento quando chegaram alguns da parte de Tiago:

“E, chegando Pedro à Antioquia, lhe resisti na cara, porque era repreensível. Porque, antes que alguns tivessem chegado da parte de Tiago, comia com os gentios; mas, depois, que chegaram, se foi se retirando e se apartou deles, temendo os que eram da circuncisão”. (Gálatas 2.11 e 12)

Porque Pedro temeria os da parte de Tiago? Certamente pela sua liderança e influência que veio a ter entre os crentes de Jerusalém, Pedro preferia evitar confrontos com ele. Isto tudo indica o homem de Deus que Tiago passou a ser depois de ter recebido sua revelação do Cristo ressurreto.

TRANSFORMAÇÃO ESTAGNADA

Diferentemente do primeiro grupo mencionado, que nunca teve uma transformação, há muitos dentro das igrejas que tiveram uma experiência inicial de transformação. Contudo, de alguma forma, com o passar do tempo, estagnaram na fé e na experiência e não percebem mais diferença alguma em suas vidas. O que os impediu de continuarem provando a transformação?

Certamente não foi por não conhece-la, pois estas pessoas são justamente aquelas que se encontram insatisfeitas, desejosas de mudança, uma vez que já provaram-na um dia. E é preciso ressaltar que, sob circunstância alguma podemos admitir a ausência do processo de transformação, uma vez que “a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito” (Pv 4.18). Ninguém é transformado instantaneamente. Algumas áreas de nossa vida podem ser impactadas e mudadas mais rapidamente, porém não será assim em todas as áreas. Se o processo de transformação estagnou, é porque a revelação de Cristo em nossa vida também estagnou.

Precisamos retomar a busca pelo conhecimento revelado em nossas vidas, pois somente assim avançaremos no processo de transformação. A palavra grega traduzida por revelação, do grego “appocalipse”, significa: “remover o véu”. Indica a remoção de um empecilho à visão que, em nosso caso, é a dificuldade de entender as coisas espirituais.

“Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque para ele são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente”. (1 Coríntios 2.14)

Somente pela ação do Espírito Santo em nossas vidas podemos penetrar esta dimensão de entendimento. Foi o que aconteceu conosco quando nos convertemos ao Senhor Jesus:

“Mas o entendimento lhes ficou endurecido. Pois até o dia de hoje, à leitura do velho pacto, permanece o mesmo véu, não lhes sendo revelado que em Cristo é ele abolido; sim, até o dia de hoje, sempre que Moisés é lido, um véu está posto sobre o coração deles. Contudo, convertendo-se um deles ao Senhor, é-lhe tirado o véu”. (2 Coríntios 3.14-16)

Só que, com o passar do tempo, muitos de nós nos inclinamos a uma busca de entendimento meramente intelectual (segundo a carne), e isto nos rouba o processo de transformação, que não se dá só por aquisição de informação, mas pelo impacto do Espírito Santo em nosso íntimo. Não podemos parar. Não podemos estagnar na revelação de Cristo!

CONHECIMENTO PROGRESSIVO

A Bíblia nos exorta em avançar no pleno conhecimento de Deus:

“Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor…” (Oséias 6.3)

Conhecer a Deus é um ato progressivo e contínuo. Veja o que Paulo declarou depois de anos de comunhão e intimidade com Cristo:

“Sim, na verdade, tenho também como perda todas as coisas pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas as coisas, para que possa ganhar a Cristo… para conhecê-lo, e o poder da sua ressurreição e a participação dos seus sofrimentos, conformando-me com ele na sua morte, para ver se de alguma forma consigo chegar à ressurreição dentre os mortos. Não que já a tenha alcançado, ou que seja perfeito; mas vou prosseguindo, para ver se poderei alcançar aquilo para o que fui alcançado por Cristo Jesus”. (Filipenses 3.8,10-12)

Se pararmos de avançar, não alcançaremos o propósito de Deus para nossa existência. Devemos crescer até a plenitude do conhecimento de Cristo:

“Para que os seus corações sejam animados, estando unidos em amor, e enriquecidos da plenitude do entendimento para o pleno conhecimento do mistério de Deus – Cristo, no qual estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência”. (Colossenses 2.2,3)

Que o Pai Celeste nos ajude a prosseguir na revelação de seu Filho Jesus!

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Conhecendo a Cristo

Luciano P. Subirá - Extraído do site Alto Caminho

“Assim que, daqui por diante, a ninguém conhecemos segundo a carne; e, ainda que também tenhamos conhecido a Cristo segundo a carne, contudo, já não o conhecemos desse modo. Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”. (2 Coríntios 5.16,17)

O versículo 17 fala sobre transformação, que é a essência do Evangelho, mas não aparece na Bíblia como um texto isolado; ele está intimamente ligado ao versículo 16, que fala sobre conhecer a Cristo. Acredito que os dois assuntos estão vinculados entre si. Toda transformação experimentada pelo crente vem em função do conhecimento que ele tem de Jesus Cristo. Há dois diferentes níveis de conhecimento mencionados pelo apóstolo Paulo no versículo 16:

O conhecimento “segundo a carne”, que pertence à dimensão natural.

O conhecimento “de um outro modo”, que por ser diferente do primeiro, e mencionado em outros lugares da Bíblia, denominamos como “conhecimento espiritual”, ou ainda de “revelação”.

Paulo declara que a forma correta de se conhecer a Cristo é esta segunda. E depois de ter feito esta afirmação é que ele fala sobre o ser nova criatura, porque isto é uma conseqüência de se conhecer a Cristo “de um outro modo”.

CONHECIMENTO SEM TRANSFORMAÇÃO

Há pessoas que conheceram a Jesus de perto, até mesmo de forma íntima, e nunca chegaram a provar o seu poder transformador. Um exemplo claro disto é Judas Iscariotes, que depois de passar anos andando com Cristo, ainda assim o traiu. E seu pecado não foi somente no momento da traição, senão poderíamos até concluir que ele falhou somente nesta hora; mas João declarou em seu evangelho que Judas era ladrão e roubava o que era lançado na bolsa (Jo 12.6); e esta informação demonstra que ele nunca foi transformado de fato.

Alguém pode chegar a conhecer muita coisa sobre Cristo sem nunca ter conhecido a Cristo! As igrejas evangélicas estão cheias de gente religiosa, que foi bem ensinada sobre como ser um “bom cristão”, mas que não manifestam transformação alguma em suas vidas! São sempre as mesmas, e não há evidências de mudança genuína. Isto se deve à falta de revelação que acompanha uma verdadeira experiência com Cristo.

Quando Paulo escreveu a Timóteo, seu filho na fé, falou acerca de algumas pessoas que estavam vivendo uma vida “não transformada”:

“Elas estão sempre aprendendo, e jamais conseguem chegar ao pleno conhecimento da verdade”. (2 Timóteo 3.7)

OS IRMÃOS DE JESUS

Outro exemplo de conhecimento sem transformação (segundo a carne) pode ser visto nos irmãos de Jesus. Muitos de nós temos dificuldade de enxergar isto por causa da herança católica que recebemos de que Maria foi sempre virgem, mas este não é o ensino bíblico. A Palavra de Deus declara que José e Maria não se envolveram fisicamente enquanto Jesus não nasceu. Veja o que diz a Escritura Sagrada:

“E José, despertando do sonho, fez o como o anjo do Senhor lhe ordenara, e recebeu a sua mulher, e não a conheceu até que deu à luz seu filho, o primogênito; e pôs-lhe o nome de Jesus”. (Mateus 1.24,25)

Um outro texto bíblico menciona os nomes dos irmãos de Jesus:

“Não é este o carpinteiro, filho de Maria e irmão de Tiago, e de José, e de Judas, e de Simão? E não estão aqui conosco suas irmãs? E escandalizavam-se nele”. (Marcos 6.3)

A tradição católica afirma tratar-se de uma outra Maria, e que a palavra “irmão” neste texto não deveria ser entendida literalmente, mas o contexto do versículo é indiscutível: Jesus estava em Nazaré, sua cidade, no meio de conhecidos e familiares, portanto não há dúvida alguma de o reconheceram (com sua família) de fato.

Não temos os nomes de suas irmãs, mas quatro de seus irmãos são mencionados, o que nos faz saber que sua família era grande. E a Bíblia declara que seus irmãos não criam nele:

“Disseram-lhe, pois, seus irmãos: Sai daqui e vai para Judéia, para que também os seus discípulos vejam as obras que fazes. Porque não há ninguém que procure ser conhecido que faça coisa alguma em oculto. Se fazes essas coisas, manifesta-te ao mundo. Porque nem mesmo seus irmãos criam nele”. (João 7.3-5)

Em outras palavras, poderíamos dizer que os irmãos de Jesus lhe diziam algo assim: – “Você não é o bom? Não quer aparecer? Então vá fazer seus sinais onde a multidão está reunida!” Posso deduzir que havia muito sarcasmo e cinismo por trás desta afirmação dos irmãos do Senhor.

Um outro texto bíblico nos revela que houve uma ocasião em que os irmãos de Cristo quiseram até mesmo prendê-lo por achar que ele estava louco:

“E foram para casa. E afluiu outra vez a multidão, de tal maneira que nem sequer podiam comer pão. E quando seus parentes ouviram isso, saíram para o prender, porque diziam: Está fora de si… Chegaram, então, seus irmãos e sua mãe; e, estando de fora, mandaram-no chamar”. (Marcos 3.20,21 e 31)

Imagino que se houve pessoas que puderam conhecer bem a Cristo (segundo a carne), foram justamente seus irmãos. Mas só o conhecimento natural não foi suficiente para transforma-los. Em Nazaré muitos também o conheceram sem provar transformação.

REVELAÇÃO

O verdadeiro conhecimento de Jesus Cristo só se atinge por revelação, não é transmitido segundo a carne. O próprio Jesus afirmou que o apóstolo Pedro só chegou a conhece-lo devido à uma revelação:

“E, chegando Jesus às partes de Cesaréia de Filipe, interrogou os seus discípulos, dizendo: Quem dizem os homens ser o Filho do Homem? E eles disseram: Uns, João batista; outros, Elias, e outros, Jeremias ou um dos profetas. Disse-lhes ele: E vós, quem dizeis que eu sou? E Simão Pedro, respondendo disse-lhe: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. E Jesus, respondendo, disse-lhe: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue quem to revelou, mas meu Pai que está nos céus”. (Mateus 16.13-17)

O que Paulo não conseguiu entender com sua mente mudou quando Jesus apareceu a ele! Há muitos exemplos bíblicos e também à nossa volta que confirmam isto. Sem uma revelação acerca de Jesus alguém pode crescer dentro de uma igreja, receber toda uma formação religiosa e até saber tudo acerca de Jesus, e mesmo assim, nunca ser transformado.

Continua...