sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Vivendo a boa, agradável e perfeita vontade de Deus

Luciano Motta

{ Este texto é mais um testemunho pessoal do que propriamente um artigo. Mantive algumas digressões. A escrita tem muito do meu coração. Estou muito feliz e agradecido a Deus por tudo o que Ele tem feito. A Ele seja a glória e o louvor! As passagens bíblicas que cito vieram à minha mente à medida que ia teclando e são coerentes ao meu ver com o cerne desse tema. Que você seja edificado e se alegre comigo! }

Vontade de DeusOs últimos dois meses tem sido muito tremendos para mim e para minha família. Temos experimentado avanços em áreas que estavam um tanto emperradas. Uma coisa já aprendemos e testificamos: quando nos posicionamos no centro da vontade de Deus, tudo em nossa vida se torna bom, perfeito e agradável - mesmo as circunstâncias mais difíceis (até minha esposa escreveu a respeito disso, e a gente não combinou nada!)

Temos aprendido que é realmente possível permanecer em paz e descanso mesmo naqueles momentos de "tempestade". Isso era algo distante para mim. Hoje não. Ainda não durmo profundamente no barco, como Jesus, mas já não me encontro agitado e perturbado como antes.

Aliás, há algo que perturba e desvia da vontade de Deus: a amargura.

"Esforcem-se para viver em paz com todos e para serem santos; sem santidade ninguém verá o Senhor. Cuidem que ninguém se exclua da graça de Deus. Que nenhuma raiz de amargura brote e cause perturbação, contaminando a muitos" (Hebreus 12.14-15 NVI).

Veja como o autor da epístola aos Hebreus posiciona "paz com todos e santidade" em oposição a "amargura e perturbação". A falta de perdão e a falta de amor para com o outro excluem da graça de Deus. A amargura perturba quando enraizada na alma e ainda contamina outros corações. Quando alguém está amargo, o comportamento das pessoas ao redor muda. O abraço torna-se mecanizado; o carinho, formal; os cumprimentos, burocráticos. Essas coisas privam, excluem da graça de Deus e desviam da Sua vontade. A Palavra nos exorta a escolhermos o caminho da conciliação, da paz, mesmo que às vezes recebamos desprezo e indiferença.

Outro fator importante que nos afasta ou nos aproxima de Deus: O que estamos buscando?

As igrejas evangélicas no Brasil, principalmente as chamadas neopentecostais, tem sido bastante enfáticas em relação a bênção, a vitória, a prosperidade (esta quase sempre associada ao aspecto financeiro). As músicas, o teor das pregações, o enfoque dos cultos congregacionais e o modo como os crentes percebem ao Evangelho, tudo tem se voltado para "a bênção" - um ícone evangélico atualmente mais recorrido que a cruz.

Mas a vontade de Deus é que busquemos o Abençoador, ou seja, Ele mesmo. Certamente isso evitaria muitos problemas na igreja e nos relacionamentos entre os crentes. Porque "a bênção" tal qual é definida e perseguida hoje tornou-se um ídolo, algo muito mais ligado ao espírito deste mundo, de estar por cima dos outros, de obter riquezas financeiras, de ter uma imagem positiva para a sociedade ainda que por dentro a vida esteja arrebentada.

"De onde vêm as guerras e contendas que há entre vocês? Não vêm das paixões que guerreiam dentro de vocês? Vocês cobiçam coisas, e não as têm; matam e invejam, mas não conseguem obter o que desejam. Vocês vivem a lutar e a fazer guerras. Não têm, porque não pedem. Quando pedem, não recebem, pois pedem por motivos errados, para gastar em seus prazeres. Adúlteros, vocês não sabem que a amizade com o mundo é inimizade com Deus? Quem quer ser amigo do mundo faz-se inimigo de Deus. Ou vocês acham que é sem razão que a Escritura diz que o Espírito que ele fez habitar em nós tem fortes ciúmes? Mas ele nos concede graça maior. Por isso diz a Escritura: 'Deus se opõe aos orgulhosos, mas concede graça aos humildes'. Portanto, submetam-se a Deus. Resistam ao diabo, e ele fugirá de vocês. Aproximem-se de Deus, e ele se aproximará de vocês! Pecadores, limpem as mãos, e vocês, que têm a mente dividida, purifiquem o coração. Entristeçam-se, lamentem e chorem. Troquem o riso por lamento e a alegria por tristeza. Humilhem-se diante do Senhor, e ele os exaltará. Irmãos, não falem mal uns dos outros. Quem fala contra o seu irmão ou julga o seu irmão, fala contra a Lei e a julga. Quando você julga a Lei, não a está cumprindo, mas está se colocando como juiz. Há apenas um Legislador e Juiz, aquele que pode salvar e destruir. Mas quem é você para julgar o seu próximo?" (Tiago 4.1-12 NVI)

Precisamos reconhecer que há algo errado nesse evangelho tão comumente encontrado nas igrejas: guerras, contendas, cobiças, invejas, amizade com o mundo, julgamento do irmão, falar mal do outro... Tudo porque o foco está errado.

O que se busca? Quais são as motivações? Temos uma igreja que aproxima as pessoas de Deus, de uma espiritualidade sadia, ou que produz crentes adequados a doutrinas, usos e costumes de uma instituição, de uma denominação, de uma visão?

Infelizmente, quando alguém não consegue mais viver nos moldes estabelecidos, é lançado fora. Às vezes é tratado pior do que um inimigo de Deus. Os "amigos" da igreja são na verdade "amigos dos eventos" da igreja. Saem os eventos, acaba-se a amizade. E aí se instauram as guerras, as contendas... Retoma-se o ciclo de amargura e perturbação, que exclui da graça de Deus.

Quando vivemos pela paz e não em contendas, deixamos de falar mal dos outros. Quando nos submetemos ao Senhor, resistimos ao diabo e dominamos nossas paixões carnais na força do Espírito Santo. Quando nos humilhamos e buscamos o Pai, Ele nos exalta. Por esses posicionamentos alcançamos o tão desejado descanso. A vida adquire um novo sabor. As conversas são outras. As crises tornam-se oportunidades e não tormentos.

É um aprendizado constante, não posso negar. É um longo e continuado processo de amadurecimento. Às vezes é preciso parar tudo e recomeçar a caminhada.

O poema que escrevi abaixo é uma síntese desse meu momento de vida. Citando o que falei sobre Recomeços:
"A questão não é recomeçar, é O QUE começar de novo".

Pois eu e minha casa decidimos recomeçar do ponto mais seguro: a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.

Alvo

Prossigo para o alvo
não em busca de vitórias
mas de recordes.
Já sou mais do que vencedor.
Minha vocação
É marcar esta geração.

Prossigo para o alvo
não em busca de bênçãos
mas do Abençoador.
Tenho recebido tudo o que preciso [e muito mais]
enquanto experimento
Sua boa, agradável e perfeita vontade.


Leia também: Obedecendo aos impulsos

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