quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Quem é você?

De Michael Duque Estrada, baseado em texto extraído e compilado do livro "Impactando cidades", de Martin Scott

Os representantes das autoridades do templo judaico vieram até João Batista para perguntar-lhe quem ele era. Ao fazê-lo, eles deram algumas alternativas. A cada opção apresentada, ele respondeu com uma negação. Jesus era claramente o cumprimento da primeira menção apresentada (“é você o messias?"). João também negou que ele fosse o cumprimento da última opção (“é você o profeta?"). Ele não era o Profeta, pois Jesus era verdadeiramente o Profeta, como Moisés (Deut 18.15-17). É, contudo, a segunda opção em João 1.21 que eles deram a João ("é você Elias?") que nós sabemos ser a mais adequada. Pois o próprio Jesus disse que João era, de fato, o Elias que tinha sido prometido (ver por exemplo os comentários de Jesus em Mateus 11.14 e a promessa com respeito a Elias em Malaquias 4.5-6).

Por que, então, João negou esta identidade? É improvável que João não tivesse autoconsciência de ver-se como o cumprimento da profecia sobre Elias. Eu penso que teria sido bastante difícil para João fazer tudo o que fez, se ele não se visse carregando o espírito de Elias. Também devido ao seu pai, Zacarias, ter ouvido diretamente do anjo Gabriel a respeito da identidade de João, parece bastante improvável que essa identidade lhe fosse oculta. Assim, penso que João sabia muito bem que ele era, de fato, a pessoa destinada a permanecer na unção de Elias.

Por que, então, a negação? Por duas razões. Primeiramente, Jesus dissera que João seria o Elias se as pessoas fossem capazes de recebê-lo.O fato de fazerem aquela pergunta indicava que eles, na realidade, não o estavam recebendo como Elias. Assim, sua resposta para a questão “é você Elias?" deveria ser de fato “Não, eu não sou; ao menos, eu não sou Elias para vocês". Aqueles enviados pelos céus somente cumprem plenamente suas missões quando são recebidos e reconhecidos como aqueles que foram enviados.

O segundo fator é que João estava focado naquele que estava por vir. Ele não podia se distrair com discussões sobre sua própria identidade. Quando forçado a fazê-lo, ele simplesmente descreveu-se com relação ao que fora chamado para fazer: ele era UMA VOZ CLAMANDO NO DESERTO.

Se ele não permanecesse na brecha até que viesse Aquele que havia de vir sendo estabelecido, ele falharia. Que propósito positivo resultaria em se debater sobre quem ele era? Se ele cumprisse sua tarefa, poderia, de fato, ser dito que ele era Elias, mas não antes. E se ele cumprisse sua tarefa, ela não diria respeito a si, mas ao que havia de vir.

É essa atitude que deve permear todas as atividades do presente. Nós devemos ser as vozes que intercedem por aquilo que está por vir. Nós devemos levar isso tão a sério que estaremos desejosos de viver e morrer por aquilo que tá por vir. Contudo, perceba que o que está por vir é muito maior do que nós, para que não venhamos a elevar a nós mesmos com grandes títulos. Assim, somos levados a fazer aquilo que fomos chamados de forma bastante séria, mas nunca devemos nos enxergar com importância exagerada.

O grande chamado vindo do Espírito Santo é para o Corpo que se levantará como verdadeiro parceiro Dele para permanecer na brecha entre aquilo que é e o que há de vir. Nós somos chamados a gerar o surgimento de algo apostólico, e é necessário que durante essa fase não venhamos fazer revindicações prematuras. O que está vindo é maior que aquilo que existe hoje; e quando chegar, precisaremos diminuir. De fato, como isso significou para João perder a cabeça, eu suponho que haverá algumas cabeças no nosso tempo que precisarão ser removidas quando uma nova dimensão apostólica chegar.

Precisamos assumir nossa posição como pais espirituais, como descrito em Malaquias 4:6, e nos voltarmos para próxima geração. A ideia de que uma geração recebeu algo por pagar um preço, e de que qualquer geração seguinte terá que fazer o mesmo, é falso. Tudo que temos recebido é para beneficio daqueles que estão por vir. Nosso telhado necessita tornar-se o solo para próxima geração. Eles, então, poderão edificar de forma que não fomos capazes de fazer.

Eu creio que esse é o tempo do cumprimento das promessas de Deus, um tempo para investir na próxima geração.

Fiquei muito tocado com esse texto. Quem nós somos? Somos aqueles que estão preparando o caminho para o que há de vir! Uma geração que vai fechar a história está vindo, e precisamos prepará-la. A segunda vinda de Cristo e seu Reino dependem dessa preparação.

É tempo de fechar a história e entrar na história!

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*Leia aqui mais um artigo sobre João Batista e os últimos dias

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