sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Dias proféticos: a necessidade de revelação

PARTE 3

Luciano Motta

Continuamos a tratar dos dias proféticos que temos vivido. Falamos das calamidades na região serrana e dos conflitos no Egito, e como esses acontecimentos - e outros tantos, como agora a crise na Líbia e nos países árabes - apontam para os últimos dias. Também falamos do modo como está nascendo sobrenaturalmente a geração profética que se levantará na unção de João Batista para preparar o caminho da volta de Jesus.

Inegavelmente vivemos dias de fome por alimento espiritual, de sede pelas revelações do Senhor (conforme Amós 8.11). Mas temos visto muitas profecias do homem para agradar ao homem, muitas palavras da alma, das emoções, para trazer sensações às pessoas. Há distorções quanto aos ministérios descritos nas epístolas de Paulo. Em nome do Reino de Deus, igrejas e denominações tem sido moldadas ao padrão do mundo, com suas hierarquias, estratégias de expansão, conchavos políticos e conveniências mesquinhas e carnais.

Por tudo isso, uma parte significativa do povo chamado evangélico está frustrada ou corrompida, porque baseou sua expectativa em homens e foi assim iludida, enganada. Há bastante gente marcada e ferida, incrédula e insensível à voz do Senhor e seus propósitos para a consumação dos tempos.

Falando sobre a expectativa do Reino, Anderson Bomfim comenta a respeito da perplexidade dos discípulos a caminho de Emaús (leia a história em Lucas 24.13-32):
Toda ilusão gera uma desilusão, uma decepção. [...] os discípulos que caminhavam para Emaús diziam: “Nós esperávamos que fosse ele que havia de redimir a Israel...” Isso aponta para uma desilusão, que é resultado de uma ilusão, gerada por aspirações equivocadas, pois não entenderam o plano, eles esperavam que fosse diferente. Por isso, estavam profundamente decepcionados. Esse termo “decepção” significa: Sensação de depressão resultante de uma expectativa ou desejo não alcançado. A ilusão gerou desilusão, justamente por que suas expectativas não foram alcançadas. Mas se observarmos no começo tudo era diferente, os discípulos renunciaram tudo que tinham e partiram seguindo a Jesus incondicionalmente, tudo era certeza, todos estavam dispostos a tudo. O ministério de Jesus atraia multidões e os discípulos vibravam com isso. O que precisamos entender a respeito das ilusões, é a forma como podemos cair tão rapidamente do sucesso para a depressão. O sucesso dos resultados visíveis tem o poder de gerar expectativas enganosas. O sucesso ministerial é um solo deslizante e consequentemente perigoso, onde somos tentados pela cobiça e nossas motivações podem se corromper.
Como igreja, precisamos retomar a perspectiva correta. Pessoas como aqueles dois discípulos a caminho de Emaús, sem o correto entendimento das Escrituras, tomados de incredulidade, comprometem suas próprias trajetórias e de outros. Jesus mesmo disse: "Como vocês custam a entender e como demoram a crer em tudo o que os profetas falaram! Não devia o Cristo sofrer estas coisas, para entrar na sua glória?" (Lc 24.25-26).

Precisamos da revelação de Cristo para esses dias. É imprescindível Jesus estar no centro de nossas vidas e famílias, no centro de cada igreja e comunidade de fé, expondo seus propósitos e intenções para esta geração do fim. Exatamente como foi com aqueles dois discípulos: "E começando por Moisés e todos os profetas, explicou-lhes o que constava a respeito dele em todas as Escrituras" (Lc 24.27).

Enquanto Ele lhes ensinava e lhes abria o entendimento, o coração dos discípulos ardia (Lc 24.32). Aqui no Brasil em particular, no começo dos anos 2000, um fogo santo incendiou toda uma geração. Mas faltou revelação acerca de tudo o que estava sendo liberado. Sem propósito e sem finalidade, a paixão se esvaiu em muitos corações. Esta segunda década do século XXI, entretanto, será marcada por um ardor que irá aumentar e se espalhar. Serão filhos de Deus incendiados pela revelação de Cristo e de seu Reino que está vindo. Uma geração advinda da incredulidade, da esterilidade, da fome pela verdadeira Palavra de Deus. Parece que Ele mesmo tem permitido essa fome aumentar para que o busquem e andem alinhados aos Seus planos.

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