quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Oração, vida em comunidade e avanço missionário

Por Michael Duque Estrada - Extrema Devoção

Eu creio que estamos em tempos de transição, e que Deus está mudando as regras do jogo. Como filhos da luz em meio a uma geração perversa, precisamos perceber as estratégias de Deus para tocar as nações da terra.

O evangelho que deve ser pregado é o mesmo que os apóstolos e nosso Senhor pregou. A dependência do poder do Espírito Santo e da sua atuação por meio dos dons e das manifestações também são as mesmas. Entretanto, precisamos entender “como fazer”.

Vivemos em meio a uma geração pós-cristã que nasceu fora dos limites morais judaico-cristãos. Podemos perceber hoje jovens marcados pelos valores dessa cultura que propaga a relativização da verdade, o pluralismo religioso e a ditadura da hiper-sexualização, produzindo assim indivíduos marcados pela falta de sentido para viver, levados pela ideologia do carpe diem.

Como sermos discípulos de Cristo relevantes em um contexto geracional, no qual as pessoas vivam a verdade e fundamentem suas vidas a partir da comunidade que estão inseridas? Por exemplo: se a comunidade que fui aceito e que faço parte propaga a homossexualidade, essa é a minha verdade. E cada comunidade tem a sua verdade, e todas são válidas, e nenhuma delas é absoluta.

Apresento dois pontos para juntos refletirmos:

1- Oração: Precisamos mudar urgentemente o conceito errôneo de que orar não é algo prático. Orar é trabalhar em parceria com Deus. Um dos chamados para a igreja nesse tempo é assumir sua identidade como uma casa de oração para todas as raças (Is 56:6-7). O testemunho das Escrituras e da história da igreja mostra que todo avanço missionário e de evangelização foi fruto da entrega da igreja em oração fervorosa e apaixonada. Podemos citar aqui o exemplo da igreja primitiva:

Atos 1:14: “E unidos, todos se dedicavam a oração...” O início da tão admirada igreja de Atos foi através da oração unida e perseverante. Atos 2 e o derramar do Espírito, bem como a conversão de três mil almas, são frutos práticos da reunião de intercessão no aposento superior.

Atos 2:42 diz que eles perseveravam nas orações. A devoção dedicada e constante é parte da vida normal da igreja que deseja avançar de forma poderosa no cumprimento da Grande Comissão.

Em Atos 4, os discípulos começam a ser perseguidos. Logo em seguida, mais uma vez se unem em oração fervorosa, pedindo ousadia e coragem para continuarem pregando o evangelho com poder e feitos extraordinários (Atos 4:24-31). O movimento de oração de Atos 4 gera o avanço missionário de Atos 8, quando os samaritanos recebem o evangelho com demonstração de poder através do evangelista Felipe.

Um pouco depois disso, em Atos 10, um homem chamado Cornélio abre a porta da salvação aos gentios por meio de sua constante devoção em oração e ofertas ao Senhor (Atos 10:1-4). A Bíblia diz que as orações de Cornélio subiam como um memorial diante do Pai. Logo depois, toda a sua casa foi salva e batizada, e se inicia mais uma avanço missionário por meio da oração.

Avançando mais um pouco, chegamos em Atos 13: profetas e mestres adoravam e oravam ao Senhor. Esse movimento de oração gera o envio de Paulo e Barnabé para um dos maiores avanços missionários de todos os tempos!

Quando chegamos em Atos 15, Tiago começa explicar o fenômeno da conversão dos gentios, que foi provocado pelo envio de Paulo e Barnabé. Ele explica: o que estava acontecendo ali era baseado na restauração do Tabernáculo de Davi.

Atos 15:14-17: “Simão relatou como primeiramente Deus foi ao encontro dos gentios para formar dentre eles um povo dedicado ao seu Nome. E com isso concordam as palavras dos profetas; como está escrito: Depois disso voltarei e reconstruirei a tenda de Davi, que está caída; reconstruirei as suas ruínas e tornarei a levantá-las; para que o restante dos homens busque ao Senhor, sim, todos os gentios, sobre os quais se invoca o meu nome...”

Atos 13 é a manifestação do funcionamento do Tabernáculo de Davi, onde se ministrava ao Senhor de forma sacerdotal, sem véu, sem limite, unido três funcionamentos: música, oração e profecia!

É isso o que Tiago está explicando: quando o tabernáculo de Davi (funcionamento sacerdotal segundo a ordem de Melquisedeque) começar a ser restaurado, todos os gentios serão alcançados pelo Senhor, ou seja, as nações da terra serão alcançadas pelo evangelho do Reino. O movimento de oração vai cooperar com a última grande colheita de almas antes da volta de Jesus!

2- Vida em comunidade: Podemos ver em Atos 2:42-46 alguns pontos da vida comunitária que cooperou para o avanço em missões: comunhão e partir do pão, ter tudo em comum, simplicidade e caindo na graça do povo...

A vida em comunidade é um ponto muito desprezado no contexto missionário, mas foi um meio fundamental usado por Deus na vida da igreja primitiva para alcançar o mundo. Antes de qualquer coisa, precisamos de um resgate da verdadeira comunhão na vida da igreja e entendermos o que significa comungar. A palavra comunhão é muito maior do que relacionamento, comer pizza juntos ou passar a noite jogando conversa fora, embora todas essas coisas possam existir na comunhão.

Comunhão significa ter tudo em comum, partilhar o mesmo coração e vida, depender visceralmente da vida de Cristo que cada membro da comunidade carrega. Quando as dores dos meus irmãos são as minhas, quando as lutas dos meus irmãos são as minhas, quando compartilho alegrias e bens como minha família de fé, ai sim começamos a entrar em verdadeira comunhão e comunidade. Esse estilo de vida comunitária vai chamar a atenção do mundo e autenticar a nossa mensagem pelo poder do amor sacrifical. Dentro dessa dinâmica, começamos a partir o pão em aliança. Na cultura judaico-cristã, não se comia com quem não se tinha aliança. Comer e se sentar à mesa significam que tenho tudo em comum com meus irmãos de fé!

À medida que o mundo perceber que vivemos em outro sistema, e que somos influenciados por outros sentimentos, e que estamos caminhando em uma sociedade alternativa onde doar é melhor do que receber, perdoar é melhor do que amargurar, sacrificar é melhor do que reter, amar e viver como família é melhor do que se isolar, e que o fruto disso resulte em não termos necessitado algum em nosso meio, então o mundo vai começar a crer que o nosso Deus é realmente interessante, pelo fato do amor ágape nos impulsionar a darmos a vida pelos nossos irmãos.

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