segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Tempo favorável

Luciano Motta

"Portanto, estai atentos para que o vosso procedimento não seja de tolos, mas de sábios, aproveitando bem cada oportunidade, porque os dias são maus. Por isso, não sejais insensatos, mas entendei qual é a vontade do Senhor" (Efésios 5.15-17).

Minha esposa e eu temos refletido nesses dias acerca do tempo que estamos vivendo. Não no que tange ao crescimento da maldade e da violência, à dissolução das famílias, à falta de referências na sociedade, ao esfriamento do amor de muitos, e por aí vai. Não estamos focados nisso, embora tenhamos consciência de como os dias são maus. Sentimos, na verdade, que há um tempo favorável se abrindo sobre nós - e quando digo nós, me refiro àqueles que fazem parte do Corpo de Cristo, a Igreja, e que estão se preparando para as bodas do Cordeiro (Apocalipse 19.7). Os sinais apontam a volta de Jesus e, em função disso, precisamos aproveitar com sabedoria os dias, os meses, os anos à nossa frente. Como lemos em outras versões desse texto de Efésios: "remindo o tempo", "ganhando o tempo", "aproveitando ao máximo o tempo".

Muitas pessoas vêm gastando seu tempo com coisas fúteis, entretenimento e prazeres momentâneos. Outros têm investido pesado em suas carreiras, poupando dinheiro, comprando bens, planejando a aposentadoria. Mas quantos estão usando seu tempo com base na vontade de Deus para este tempo? Quantos estão investindo agora no que é eterno, e não no que pode ser consumido pela traça e pela ferrugem ou roubado por ladrões (Mateus 6.19)?

Jesus é o maior e o mais excelente exemplo de como devemos moldar nossas vidas à vontade do Senhor. Os Evangelhos mencionam diversas ocasiões nas quais o Filho agiu ou não de acordo com o Pai - Jesus, na verdade, só fazia algo ou só dizia algo se visse ou ouvisse do Pai (João 5.19,30). Só que esse comportamento foi sendo construído desde menino. À medida que crescia e se fortalecia, Jesus se enchia de sabedoria, e a graça de Deus estava sobre Ele (Lucas 2.40). Quando aos doze anos fora encontrado sentado entre os doutores da lei, ouvindo-os e fazendo perguntas, Jesus respondeu à Maria e José: "Por que me procuráveis? Não sabíeis que eu devia estar na casa de meu Pai?" (Lucas 2.49).

Veja que há uma consciência do menino Jesus quanto ao tempo que lhe estava proposto. Ele se preparou desde pequeno. Ele cresceu e se encheu de sabedoria. Ele se aprofundou no conhecimento de Deus e assim pôde questionar homens muito mais velhos. Ao chegar à idade madura, ser batizado nas águas e receber o Espírito Santo, Jesus já estava treinado e apto para os três anos e meio de Seu ministério. Ele aproveitou bem o tempo que antecedeu a plenitude de Sua missão - um tempo favorável, pois a graça de Deus estava sobre Ele.

Ana, a profetisa que viu Jesus quando Ele tinha apenas 8 dias de nascido, também compreendeu o tempo que estava sobre ela. De idade bastante avançada, Ana esteve sete anos casada, e depois viúva por quase 84 anos, sem se afastar do templo, cultuando a Deus dia e noite com jejuns e orações (Lucas 2.36-38). Mas o que fez Ana dedicar toda a sua vida dessa forma? Certamente, em algum momento da juventude, ela entendeu no Senhor que o tempo da redenção de Jerusalém estava se aproximando. Um tempo favorável estava se abrindo sobre Israel! Daí por diante, tudo o que poderia ser chamado de "vida normal" perdeu o sentido para ela. Orações e jejuns, dia e noite, tornaram-se o estilo de vida dela, e a recompensa veio no momento próprio. Ana viu o Messias e pôde falar a respeito Dele a outros que ardiam pela mesma expectativa.

Lembramos também de Daniel, profeta do Antigo Testamento, levado cativo para a Babilônia ainda bem jovenzinho. Em nenhum momento Daniel abdicou de sua fé e devoção ao Senhor, mesmo quando lançado em uma cova com leões famintos! Nada lhe aconteceu de mal, porque o Senhor estava com Daniel. Havia graça e favor de Deus sobre a sua vida. Então, passados 70 anos, enquanto lia os escritos do profeta Jeremias, Daniel percebeu que já haviam terminado os dias determinados para o castigo de Israel. Ele começou a orar e a suplicar, com jejuns, confessando seu pecado e o pecado da nação (leia Daniel 9). Ele assumiu o papel de intercessor quando percebeu existir um tempo favorável para seu povo. Assim como Ana, Daniel deixou tudo de lado para clamar ao Senhor pelo grande livramento que estava chegando.

E hoje? Observe os acontecimentos recentes: guerras e rumores de guerras; crises nas nações; pais se levantando contra filhos e filhos contra os pais; catástrofes naturais cada vez maiores e em sequência; falsos profetas, falsos pastores, falsas igrejas... Tudo está convergindo para o que Jesus chamou de "princípio das dores" (Mateus 24.1-8). Eventos terríveis estão por vir. Mas há algo maravilhoso também: uma Igreja gloriosa, a Noiva de Cristo, está se preparando para a vinda do Noivo. Ele está voltando, e isso está bem perto!

Assim, com a mesma paixão e expectativa de Ana e Daniel, milhares de cristãos em todo o mundo estão remindo o tempo, alinhando-se para o retorno do Rei. Muitos estão abandonando a "vida normal" para se dedicarem ao estilo de vida de oração e jejum. Como Jesus, estão crescendo em graça e sabedoria diante de Deus e dos homens. Vida em devoção não tem sido mais encarada como algo chato ou penoso. A igreja como Casa de Oração para todos os povos não tem sido mais uma realidade distante. Esses altares de oração e devoção individuais e coletivos estão gerando pessoas com a mesma sensibilidade espiritual dos duzentos chefes do povo de Issacar, que eram "conhecedores dos tempos" e sabiam o que Israel devia fazer (1 Crônicas 12.32). Famílias vêm sendo restauradas e comunidades de fé inteiras estão crescendo em comunhão e unidade. O Senhor troveja, liberando Sua vontade por meio de Seus profetas. Um novo som ganha amplitude e repercussão em toda a terra. Recursos e criatividade fluem do Céu sobre jovens e adultos, sobre crianças e velhos, anunciando o amor e a retidão Daquele que vem.

Pode ser que nada esteja mudando na sua cidade, na sua congregação ou até na sua própria vida. Mas não desanime. O cenário era o pior possível nos dias de Jesus, Ana e Daniel. Mas eles viram o kairós, a grande salvação iminente. Minha oração é que a leitura dessa palavra seja como uma faísca do Espírito acendendo seu coração e iluminando seu entendimento quanto ao tempo em que estamos inseridos e ao que está por vir. Deus está conectando pessoas com esse mesmo desejo e essa visão. O próximo ano de 2014 será de ajustes mais intensos nas ligaduras e nas conexões do Corpo de Cristo para que juntos possamos aproveitar ao máximo o favor do Senhor para esses dias.

Estejamos, portanto, atentos a este tempo, aproveitando bem as oportunidades que o Senhor abre para nós. Dediquemo-nos mais à oração, ao jejum, à santificação, a sermos cheios do Espírito Santo para cumprirmos a vontade do Pai. Vamos investir mais nas conexões uns aos outros, na comunhão, no partir do pão juntos. É um tempo novo, é um ano novo, que tem tudo para ser muito feliz!

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