terça-feira, 16 de novembro de 2010

10 anos depois: reflexões sobre o despertamento dos últimos anos

Do blog de Victor Vieira

Dez anos depois dos fatos, já começa a ser possível ver o que realmente se passou, quem era quem, o que perdemos e ganhamos e onde poderíamos estar se os fatos fossem alterados.

Este argumento será elaborado por alguém em algum dia, não hoje, não aqui.

O que eu creio ser pertinente repensarmos é o como estamos hoje, fruto destes últimos dez anos.

Eu me lembro do dia em que tudo fez sentido para mim, e que no meu coração se instalou uma semente de fé e determinação de que seria esta a minha busca vitalícia. Estávamos ali num culto com um homem meio Brasileiro meio Irlandês, que cantava com um sotaque único palavras que nunca antes poderiam ser pronunciadas num culto. Ele tocava um vilão de notas em chamas, e o culto aos olhos de qualquer um estava uma bagunça. Menos para mim, pois eu não conseguia piscar o olho: minha centelha havia sido tocada como nunca antes; nunca mais eu seria o mesmo.

Você também teve esta experiência. Você também sentiu exatamente a mesma coisa e tirou as mesmas conclusões que eu. Talvez o figurante seja diferente; um gordinho de barba; um nordestino mineiro; uma moça com muita parafernália por trás; outra moça no teclado; um carequinha de óculos. Ou até mesmo os tios mais antigos, como aquele engraçado lá do sul ou o moreno grandão. O figurante menos importa, pois o protagonista, este sim foi o mesmo em todos os nossos momentos e Ele mesmo vem cuidando de nós ao longo dos últimos dez, vinte, mil anos.

Nós tivemos experiências espirituais profundas. Creio que gerações inteiras pediram e não tiveram momentos como nós tivemos. Encontros literais de céus na terra, com tudo o que se tem direito, como curas, milagres, sinais, fortes emoções e fortes posições.



Éramos tão jovens, e como os jovens fazem, pensamos que aquilo seria para sempre. E aqueles forasteiros que estavam na cidade apenas de conferência em conferência infelizmente não nos ensinaram como manter aquela chama viva, nem como dar continuidade e crescer ainda mais em serviço, amor, disciplina e outros. Talvez eles mesmos não soubessem como fazer isso, ou sabiam fazer funcionar apenas lá na sua cidade. Talvez nós queríamos abraçar somente o momento, sem comprometimento com o futuro, afinal de contas, éramos tão jovens.

Aconteceu que os dias foram se passando e com as responsabilidades veio a falta de tempo. Com a mesmice veio junto o questionamento e o esvaziamento. Era tudo um grande mais do mesmo, e já não havia por que ir a tantas conferências e reuniões. As promessas não se cumpriram, nem as nossas expectativas, que até então eram os sonhos de Deus. Depois vimos até mesmo alguns desses nossos heróis se degladiando, por dinheiro ou não. Questionar tudo não foi a melhor, mas era a única saída diante da formação nebulosa de idéias, e tragicamente resultou numa inundação de mundanismo, anestesia permanente contra musicas, choros e apelos. Finalmente ficamos piores que antes, piores que nossos pais, piores que a Igreja que tanto criticamos.

Se você ainda não se situou, eu estou tentando falar sobre o mover de adoração que varreu o Brasil. Estou falando daquela adoração extravagante, daquela geração profética, dos adoradores radicais, e de uma infinidade de rótulos que não garantiram a qualidade do produto.

Estou lembrando de que éramos imaturos, mas pelo menos tínhamos fervor. Estou lamentando de termos que concordar com quem tanto nos criticou, de que realmente aquele fogo todo passou, se foi, já era. Essa vontade de chorar que não passa por ver tantos companheiros de eventos, familiares, amigos da célula, companheiros de caminhada que hoje nem mesmo com o Senhor estão mais.

Concluir isso hoje é assimilar que paixão sem finalidade dá em tristes resultados.



Se sobrevivermos à paixão sem finalidade, acabaremos com o coração bem duro. Se passarmos pela paixão sem a finalidade, sairemos do outro lado meio descrentes e em até alguns casos nada crentes: aqueles que nem sobreviveram você sabe, se perderam mesmo, apesar de sempre citarem maturidade e o outro lado da moeda como companheiras que descobriram ao deixar um pouco de lado tanto fanatismo. Graças a Deus se você passou pela paixão sem finalidade e não se encaixou num destes quadros. O seu segredo eu já quero revelar.

O mover foi tão poderoso! Existem os afetados, sim. Poderoso ele foi em si mesmo, por vir de Deus e por ter possibilidades imensuráveis, afinal nunca saberemos o que poderíamos ter nos tornado, ter feito, ter alcançado para Deus. Aqui entra em cena a finalidade, que no caso, nunca entrou em cena. O Avivamento teve um fim em si mesmo, o que o lhe conduziu a um final, que não necessariamente deveria ter acontecido.

Poderíamos ainda hoje estar presenciando e vivendo aqueles dias, se a unção daqueles dias houvesse sido conservada dentro de um odre, odre que serve a uma finalidade. A finalidade sempre será mais importante que o meio. O problema é que não dá pra se ver o fim estando no meio, a não ser que alguém experiente se levante para definir ou apontar o fim. Cristo é o Fim assim como Ele é o Principio. O meio precisava ter nos direcionado para uma prática que revelasse a Cristo, em vez de continuar sendo vez após vez a repetição de si mesmo.

A falta do Propósito nos deixou no mato sem cachorro, porém alguns conseguiram se manter, graças a experientes coadjuvantes que estavam dispostos a adotar, embora infelizmente só fosse viável adotar um a cada mil órfãos. Se você passou bem por este turbilhão, agradeça a alguém que te acolheu. Nossos Pais, nossos Pastores, nossos Cônjuges, nossos Discipuladores. Pode ligar agora e agradecer, por que foi muito precioso ter tido este cuidado. Foi um privilegio para poucos.

Dentro de um ambiente seguro e repleto de amor, foi comunicado ao coração dos acolhidos a Paternidade de Deus e Sua finalidade para a unção derramada. Foi desvendado o segredo oculto aos profetas, e os pequeninos foram equipados para executar o até então oculto Propósito.

E o Propósito sempre foi, e sempre será: ser e gerar para Deus muitos filhos, e que sejam todos semelhantes a Jesus, e que estes filhos vivam em família, dando muita Glória ao Pai.

Mas como será possível executar o Propósito se a Paixão se perdeu? Até agora, a gente não sabia que uma coisa dependia da outra, e uma não funciona sem a outra.

A constatação de dez anos depois é que sobrevivemos e hoje sabemos do Propósito, mas onde foi que neste caminho nós começamos a caminhar sem a Paixão?

Qual é o elo que vai unir uma coisa a outra?

Esta é a nossa pergunta, e sabemos que a resposta será capaz de resolver os últimos dez anos e levar-nos em direção não somente dos próximos dez anos, mas até o dia em que Ele venha.

{ P.S: Passado mais de um ano desde que li e postei este artigo, acredito piamente que o odre para este tempo é a família. Talvez tudo tenha se perdido naqueles dias porque os odres eram velhos, e não resistiram ao vinho novo que estava sendo derramado. Precisamos avançar na direção de que cada igreja se torne uma família, e cada família se torne uma igreja. Precisamos desenvolver relacionamentos fortes, alianças, comunhão genuína, sem abusos ou hipocrisias. Precisamos andar na luz, segundo 1 João 1.7 e Mateus 18. Isso protegerá a igreja e manterá a paixão acesa entre nós, pois estaremos unidos em uma mesma causa, tal qual os crentes em Atos 1.14 à espera do Espírito Santo. Dez anos depois, precisamos construir, edificar sob a direção do mesmo Espírito, para que nada se perca nos anos vindouros, pois o que Ele está para realizar nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano. }

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