sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Fé, esperança e amor

Luciano Motta

Não faz muito tempo falei sobre os dias do fim e a necessidade de vigiar e orar. Quero agora abordar outro ponto do chamado "sermão profético" de Jesus, constante nos Evangelhos. Trata-se de algo muito significativo para compreendermos e nos posicionarmos como Igreja de Cristo.

Jesus não deixou dúvidas ao afirmar: "Devido ao aumento da maldade, o amor de muitos esfriará" (Mateus 24.12 NVI).

Algumas versões falam de aumento da iniquidade: algo que é perverso, que ofende a retidão. Sem dúvida esse é o principal motivo do agravamento das mazelas humanas. À medida que as sociedades tem deixado Deus de lado, tem decretado a morte de fundamentos e valores, só vemos crescer a maldade, o pecado. As coisas estão tão invertidas que mesmo pessoas lúcidas tem perdido a coerência.

Dar as costas para Deus é se afastar do próprio Amor. Uma pequena brasa afastada do Foco aos poucos perde o calor, se esfria, torna-se mero carvão, vira cinza e, por fim, se desmancha. Assim é o homem sem Deus. Assim caminha o homem nesses dias.

Há um paralelo entre essa questão e a defesa mais linda do amor em 1 Coríntios 13, escrita pelo apóstolo Paulo: "O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta" (1 Coríntios 13.6-7 NVI).

Fica bastante claro, apenas por essa passagem, que o crescimento da maldade, da injustiça, está intimamente ligado à falta de amor. E que a fé e a esperança dependem do amor para permanecerem vivas. Só pelo amor eu posso crer. Só pelo amor eu consigo ter esperança. Nada perdura sem amor, ou seja, sem Deus.

Como ter fé em uma época tão tomada pela incredulidade? As conquistas humanas nos campos tecnológico e científico são extraordinárias. Mas as guerras estão aí, o terrorismo ainda paira como uma sombra sobre as nações. Dez anos se passaram desde o fatídico 11 de setembro, crises econômicas se sucedem ininterruptamente. O ceticismo global só aumenta. As pessoas, na verdade, querem muito crer, mas há uma escassez de referenciais. Elas até sabem de Abraão, de Noé, de homens e mulheres que creram e ficaram marcados da história como pessoas de fé. Só que os olhos do mundo estão voltados para aqueles que declaram sua fé em Deus hoje. A Bíblia diz que até a natureza aguarda, com grande expectativa, a manifestação dos filhos de Deus (Romanos 8.19).

A fé vem pelo ouvir, e ouvir a Palavra de Deus (Romanos 10.17). Se falta fé, é porque não estamos ouvindo. Falta uma clara e profunda revelação de Jesus, a própria Palavra Viva. "Como, pois, invocarão Aquele em quem não creram? E como crerão Naquele de quem não ouviram falar? E como ouvirão, se não houver quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados?" (Romanos 10.14-15 NVI). É o próprio Deus - o Amor - quem envia. Mas quem está ouvindo a Sua Voz, o Seu chamado para esses dias? Importa que o Evangelho do Reino, que centraliza Cristo, que enfatiza arrependimento e transformação de mentes e corações, seja de novo pregado - para incrédulos e, infelizmente, também para crentes. Referenciais de fé precisam estar nas ruas, nos templos, nas escolas, nas famílias, nos espaços públicos, demonstrando com sua própria vida a fé que carregam.

Eram chamados de cristãos os que se assemelhavam a Cristo. Havia uma diferença de conduta, algo que a Bíblia chama de santificação, separação, integridade. Como ter esperança se tão poucos hoje são realmente diferentes? Casamentos falidos, relacionamentos quebrados, indiferença, brigas, divisões... Os olhos do mundo se voltam para os que deveriam trazer a mensagem de esperança, e só encontram desesperança!

A vontade de Deus é que nós, Sua Igreja, Sua Noiva, sejamos encontrados santos, adornados, esperando por Ele. E só podemos viver nessa perspectiva a partir de uma vida diária de encontros com Deus, expostos, assim, ao Seu amor, à Sua vida. "O amor de Cristo nos constrange, porque estamos convencidos de que um morreu por todos; logo, todos morreram. E Ele morreu por todos para que aqueles que vivem já não vivam mais para si mesmos, mas para Aquele que por eles morreu e ressuscitou ( 2 Coríntios 5:14-15 NVI).

Constrangidos e aquecidos por esse amor tão grande, tão gracioso, poderemos viver em um dimensão de fé que o mundo atual - frio e incrédulo - ainda não viu; poderemos levar esperança ao perdido, ao cansado. O Evangelho deve ser uma Boa Notícia, não baseada no que o homem pode receber para seus próprios deleites e prazeres, mas baseada no amor de Deus, para a glória do Seu nome, a fim de que todo joelho se dobre e toda língua confesse que Jesus é o Senhor. Antes da salvação está o senhorio Dele.

"Assim, permanecem agora estes três: a fé, a esperança e o amor. O maior deles, porém, é o amor" (1 Coríntios 13.13 NVI).

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