quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

O herói e as boas obras

Luciano Motta

Falamos recentemente a respeito do desejo de ser um herói nesses dias tão conturbados, da necessidade de se vestir o uniforme "antiquado" de caráter e fidelidade ao Senhor e à Sua Palavra, do zelo em cuidar da família e brilhar em um mundo cada vez mais cinza. Partilharemos agora algumas passagens bíblicas e destacaremos o que elas têm em comum: a santa convocação de Deus para resplandecermos a Sua Glória através de nossas boas obras.

Mateus 5.14-16
"Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre uma montanha nem se acende uma luz para colocá-la debaixo do alqueire, mas sim para colocá-la sobre o candeeiro, a fim de que brilhe a todos os que estão em casa. Assim, brilhe vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus".

Tito 2.11-14
"Manifestou-se, com efeito, a graça de Deus, fonte de salvação para todos os homens. Veio para nos ensinar a renunciar à impiedade e às paixões mundanas e a viver neste mundo com toda sobriedade, justiça e piedade, na expectativa da nossa esperança feliz, a aparição gloriosa de nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo, que se entregou por nós, a fim de nos resgatar de toda a iniquidade, nos purificar e nos constituir seu povo de predileção, zeloso na prática de boas obras".

Hebreus 10.19-25
"Tendo pois, irmãos, ousadia para entrarmos no santíssimo lugar, pelo sangue de Jesus, pelo caminho que ele nos inaugurou, caminho novo e vivo, através do véu, isto é, da sua carne, e tendo um grande sacerdote sobre a casa de Deus, cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé; tendo o coração purificado da má consciência, e o corpo lavado com água limpa, retenhamos inabalável a confissão da nossa esperança, porque fiel é aquele que fez a promessa; e consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras, não abandonando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia".

As Escrituras destacam a existência de uma surpreendente motivação do próprio Deus para agir em nós, Seus Filhos, Sua Igreja:
  • Brilhe a vossa luz... para que vejam as vossas boas obras
  • Manifestou-se a graça... para nos purificar e nos constituir povo zeloso na prática de boas obras
  • Cheguemo-nos com verdadeiro coração... para nos estimularmos às boas obras

Essas "boas obras" são o fruto real, visível e irresistível da Graça Redentora de Deus na vida daqueles que O amam de todo coração, alma, forças e entendimento. Esse é o primeiro grande mandamento, que remete imediatamente ao segundo - amar ao próximo como a si mesmos (Mateus 22.36-40).

Ouve-se então um grito da sociedade - "Mas esse tipo de cristão não existe!" - e é muito difícil não dar razão a essa contestação. Quando olhamos para nós mesmos e ao nosso redor, talvez a expressão que venha ao nosso coração seja essa: "Quando vier o Filho do Homem, porventura achará fé na terra?" (Lucas 18.8). Fé no sentido de ser fiel ao que se crê, ao que se prega. Fé que leva inevitavelmente a obras, do contrário é morta (leia Tiago 2). Fé prática, não apenas teórica, não restrita às paredes de uma escola bíblica dominical; não circunscrita ao reverberar de exuberantes sermões nos templos, que só tocam o bolso e as necessidades mesquinhas dessa terra, mas que não inflamam os crentes a dedicarem suas vidas completamente ao Senhor.

Para que o herói tão necessário nesses dias - o verdadeiro servo de Deus - possa ter bom êxito em sua causa, é fundamental que ele permaneça em Cristo. "A religião pura e imaculada diante de nosso Deus e Pai é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas aflições e guardar-se isento da corrupção do mundo" (Tiago 1.27). Nesse texto encontramos as boas obras do cristão: o amor a Deus (santificar-se, separar-se do pecado, da iniquidade) e o amor ao próximo (cuidar daqueles que carecem). Esse tipo de fruto só é possível quando estamos ligados à Videira (Cristo) - sem Ele nada podemos fazer (leia João 15).

Por fim, o apóstolo Paulo alerta sobre que tipo de obras estamos produzindo: "Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo. E, se alguém sobre este fundamento levanta um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, a obra de cada um se manifestará; pois aquele dia a demonstrará, porque será revelada no fogo, e o fogo provará qual seja a obra de cada um" (1 Coríntios 3.11-13). O fogo irá pegar em todos: heróis e vilões, crentes atuantes e indiferentes, além dos que preferiram a impiedade. Seremos refinados ou consumidos. Parafraseando as palavras de Jesus já citadas: "Quando vier o Filho do Homem, porventura achará na terra pessoas com fé extraordinária, cujas obras permanecerão?"

Vamos refletir seriamente nessas palavras. O que estamos fazendo de nossa fé? O que estamos edificando sobre o fundamento já posto, que é Cristo? Qual tem sido a causa maior de nossas vidas? A resposta é: nossos corações estão em tudo que investimos tempo, dinheiro, esforço. Estamos verdadeiramente Nele ou não? Isso diferenciará o medíocre do herói; o que tropeça em discursos daquele cuja vida fala por sua fé manifestada em boas obras.

"Então ouvi uma voz do céu, que dizia: Escreve: Bem-aventurados os mortos que desde agora morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem dos seus trabalhos, pois as suas obras os acompanham" (Apocalipse 14.13).

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