terça-feira, 30 de abril de 2013

Por que é preciso mudar?

Por Harold Walker, publicado na Revista Impacto, edição 74 Abril/2013

Vivemos numa época em que a velocidade das mudanças é atordoante. No curto espaço de cinco anos, muitos aparelhos e sistemas atuais não apenas deixarão de ser usados, mas quase ninguém mais lembrará que existiram! Com exceção de algumas profissões permanentemente necessárias (como advogados, médicos, engenheiros), a maioria dos futuros trabalhadores estará exercendo atividades que ainda não existem. E as que existem hoje serão exercidas de formas completamente diversas das atuais. Por causa disso, qualquer bom sistema de formação profissional dedica-se mais à formação de habilidades multifuncionais do que ao ensino de processos e costumes atuais.

Não queremos dizer com isso que o mundo nunca passou por transformações radicais. Sempre houve mudanças que forçavam a humanidade a adaptar-se aos novos ambientes. A diferença é a velocidade atual das mudanças: coisas que demoravam séculos para mudar hoje levam menos de cinco anos!

Apesar de uma história longa, com aproximadamente 2 mil anos, a Igreja do Senhor Jesus não tem apenas sobrevivido, mas também se alastrado sobre a face da Terra. Isso não teria acontecido se ela não tivesse se adaptado, em cada geração e a cada nova mudança, aos ambientes diferentes que iam surgindo. Nunca lhe faltaram homens e mulheres corajosos e pioneiros que desafiassem a ordem estabelecida e propusessem novas formas de se viver o Evangelho.

Neste início de século e milênio, há um clamor crescente no coração de milhões de cristãos para o surgimento da versão 2.1 do Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo. As velhas formas de se pregar e viver o Evangelho estão ficando cada vez mais obsoletas. Precisamos de uma nova reforma, uma renovação da nossa mente coletiva para experimentarmos a boa, santa e agradável vontade de Deus nesta geração do século 21.

Sinais de mudanças já iniciadas

Deus está realmente levando a Igreja a mudar de estação, de modo de operação? A seguir, alguns indicadores que mostram que já estamos em fase de transição.

Ser membro de igreja. No passado, deixar de ser membro de igreja era praticamente sinônimo de desviar-se da fé. Hoje, muitas pessoas estão saindo das igrejas, não porque sejam frias, mas porque buscam uma vida espiritual mais autêntica e estão com sede de verdadeira comunhão. Evidentemente, estão incorrendo em grandes perigos de independência do Corpo, falsas doutrinas, extremos etc. Porém, precisamos compreender o novo cenário espiritual e não tentar enquadrar essas pessoas nas regras antigas. Precisamos ensiná-las a valorizar alianças e ajudá-las a encontrar estruturas viáveis de relacionamento e comunhão.

Dízimos e ofertas. É notório o abuso desse princípio bíblico por parte de muitas igrejas e ministérios. Está chegando a hora de mudar a perspectiva, de realmente aplicar a Nova Aliança em que as pessoas não mais contribuirão por causa de uma lei, uma campanha, um desejo de ser abençoado ou uma pressão manipuladora sobre sua consciência. Deveriam ter um coração voluntário e ofertar com generosidade e espontaneidade à obra de Deus. As igrejas, por outro lado, precisam buscar maior transparência e integridade na gerência desses recursos e direcioná-los mais a missões e obras sociais do que a construções de templos e benefícios dos próprios membros.

Missões e obras sociais. Deus está começando a mostrar um novo caminho, dentro do movimento em direção à unidade, de maior cooperação e parceria entre as igrejas nessa área. Ao invés de cada igreja levantar seu próprio trabalho, deve haver uma disposição de somar recursos e energias para ajudar projetos válidos de outras igrejas ou missões. Deve haver também missões de curto prazo para envolver pessoas que não podem dedicar-se em tempo integral e jovens que precisam de experiências práticas para descobrir seu chamado.

Padrões de santidade. Há algum tempo, a maioria dos cristãos tem entendido que santidade não é um conjunto de regras de comportamento exterior. Com isso, porém, tem havido uma tendência maior a licenciosidade, conformidade com o mundo e abertura a práticas e pecados desconhecidos no passado. Precisamos enfrentar esse desafio e orientar as pessoas a conhecer e obedecer ao Espírito Santo.

Teologia viva. Cada tipo de igreja gera uma teologia semelhante a ela, e vice-versa. Se Deus está conduzindo a Igreja como um todo de volta para sua natureza original, naturalmente a teologia precisa mudar também. A teologia viva, em contraste com a teologia sistemática tradicional, busca ir além da compreensão intelectual da letra, embora não despreze o estudo e o conhecimento. Passa a ser mais ligada ao estudo da própria Bíblia do que a comentários sobre ela e é produto de busca e revelação comunitária (no contexto de oração e diálogo), não apenas de pesquisas e estudos individuais.

* Leia aqui o artigo completo. Vale a pena! Leia também os outros artigos dessa edição no site da Revista Impacto.

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