terça-feira, 3 de maio de 2011

Adoração

De João Costa em mensagem postada no Facebook.

Adorar é avivar a consciência pela santidade de Deus, alimentar a mente com a verdade de Deus, purgar a imaginação com a beleza de Deus, abrir o coração ao amor de Deus, consagrar a vontade ao propósito de Deus. --William Temple

Adoração é o ato de livremente dar amor para Deus, e esta ação dá forma a todas as atividades na vida do cristão. --John Wimber

Adoração existe quando o coração humano toca o conhecimento de Deus. --Dwayne Roberts

UMA QUESTÃO DE INTIMIDADE. O que tem motivado ultimamente temas para congressos, livros e discos é intimidade com Deus. Ser íntimo se refere a conhecer bem, a ter laços profundos com alguém. A adoração é o caminho para aprofundarmos nossa relação, e conseqüentemente, nossa intimidade com Deus. É a experiência com a presença real de um Deus presente, Emanuel, que nos é revelado pelo Espírito Santo. A adoração é nossa resposta a iniciativa divina em nos amar. Por isso a definição anglo-saxônica de adoração como ‘atribuir valor’ não é suficiente pra expressar a eucaristia, o relacionamento com o Sagrado. Os termos gregos que se traduzem por adoração no NT mostram atitudes engajadas, como proskuneo que significa curvar-se, prostrar-se, e latreia que pode ser traduzido como serviço. Vemos ‘proskuneo’ no gesto da prostituta na casa do fariseu em Lc 7.36-38, vemos ‘latreia’ na instrução de Paulo em Rm 12.1. Os exemplos são muitos no decorrer das Escrituras e o que chama atenção é que se olharmos personagens tão distintos como Davi e Tabita, uma coisa se encontrará certamente em comum, eles foram eles mesmos. “Este é o tipo de pessoa que o Pai está buscando: os que são simples e honestos consigo mesmos perante Ele em sua adoração”. [Jo 4.23 – Eugene Peterson’s The Message].

No livro "Caminhos Sagrados", Gary Thomas identificou nove maneiras pelas quais as pessoas se aproximam de Deus: os naturalistas, que são mais motivados a amar a Deus ao ar livre, em ambientes naturais; os sensitivos que amam a Deus com os seus sentidos e apreciam estar em cultos de adoração que envolvam o aspecto visual, paladar, aroma, toque, não apenas sua audição; os tradicionalistas, que se aproximam de Deus por meio de rituais, liturgias, símbolos e estruturas rígidas; os ascetas, que preferem amar a Deus na solidão e simplicidade; os ativistas, que amam a Deus pelo confronto com o mal, combatendo a injustiça e trabalhando para tornar o mundo um lugar melhor; os caridosos, que amam a Deus amando os outros e suprindo suas necessidades; os entusiastas, quem amam a Deus com festas; os contemplativos, que amam a Deus por meio da adoração; e os intelectuais, que amam a Deus ao estuda-lo com a mente. Pode parecer engraçado, categorizar desta forma, mas não existe mesmo uma padronização.

Fórmulas e rituais não produzem adoração, nem o faz o seu desuso formal. Podemos usar todas as técnicas e métodos, podemos ter a melhor liturgia possível, mas não temos adorado o Senhor até que o Espírito toque o espírito. Cantar, orar, louvar, tudo isso pode conduzir à adoração, mas a adoração é mais do que qualquer destes atos. É preciso que nosso espírito seja inflamado pelo fogo divino. Quando olhamos para a Igreja em seus primeiros dias em Atos, não existem regras, mas sim uma liberdade inacreditável para pessoas com raízes tão profundas no sistema litúrgico da sinagoga. Era a vivência na dinâmica da realidade que eles desfrutavam e quando o Espírito tocava o espírito, qualquer fórmula ou orientação litúrgica se tornava inaplicável.

Os aspectos relativos às expressões que fluem durante momentos de adoração comunitária, estão incluídos nesta realidade, sejam elas físicas como se ajoelhar [no hebraico o mesmo que benção], erguer as mãos [ações de graças], ou emocionais como chorar, sorrir, até as artísticas como a dança [2Sm 6.14] ou a música [1Cr 25.1,6]. Tudo é dedicado para o Senhor no estilo de vida que chamamos de adoração, quando obedecemos ao primeiro mandamento de Jesus "Ame o Senhor, o seu Deus, de todo seu coração, de toda sua alma, de todo o seu entendimento e de todas suas forças" – Mc 12.30.

Quando você experimenta o ‘espírito de sabedoria e revelação’ [Ef 1.17] que o apóstolo Paulo menciona, não experimenta algo apenas emocional ou racional, mas vive o próprio amor de Deus [Ef 3.17-19]. O canal para esta experiência é o arrependimento do coração. A visão que Isaías teve do Senhor [Is 6.1-5], exaltado em seu trono é uma das passagens clássicas que ilustram a experiência de adoração. Aí vemos seres angelicais clamando “Santo, Santo, Santo”, enquanto o próprio templo era abalado e cheio com fumaça. Esta imagem simboliza o poder e revelação que podem ser liberados em momentos de adoração. Quando nós, humanos e mortais temos contato com o transcendente e santo Deus, haverá inevitavelmente momentos em que clamaremos como Isaías: ‘sou impuro, e vivo entre impuros (v.5). Em Salmo 51.17 vemos que a resposta de Deus é direcionada a um coração propenso a isso. “Não terá outros deuses além de mim” - este foi o primeiro mandamento que Deus deu a Moisés. Foi esta mesma intenção de Deus quando deu o cântico de Deuteronômio 32.19-22. Deus sabia que quando entrassem na terra prometida, eles se voltariam para outros deuses e os adorariam, e o cântico tinha o propósito de mantê-los no caminho. Hoje, nosso entendimento está no arrependimento das obras mortas [At 2.38], o que nos mantém no caminho é o próprio caminho: Jesus.

Nesta atmosfera de intensa experiência com o Senhor da eternidade, onde esse amor nos cativa a ponto de nos tornarmos ‘escravos do Seu amor, livres para amar’, somos transformados, através de mudanças que não são exteriorizadas superficialmente, mas que brotam do santuário chamado coração. João de Cárpato diz: "É preciso grande esforço e luta na oração para alcançar aquele estado da mente que é livre de toda perturbação; é um céu dentro do coração (literalmente 'intracardíaco'), o lugar onde, como o apóstolo Paulo assegura: Cristo está em vós" [2Cor 13.5].

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