quinta-feira, 26 de maio de 2011

Sobre as demandas e o Pão diário

Luciano Motta

Todos temos demandas. Esse tempo é marcado por numerosas e intensas demandas.

Talvez nunca na história a humanidade tenha tantos recursos à sua disposição: materiais, tecnológicos e operacionais. Percorremos grandes distâncias em poucos minutos. Podemos nos comunicar de forma global e imediata. O mundo está menor - acontecimentos em lugares remotos são divulgados ao vivo. Temos tudo à mão, as coisas cada vez mais práticas, imediatas, instantâneas.

O resultado de tudo isso é um paradoxo: um permanente estado de necessidade nas pessoas. Há um vazio, uma carência contínua em todas as esferas sociais, culturais e também espirituais.

Sintoma dessa época: as pessoas andam cansadas. Demonstram e reclamam de um constante e inescapável estado de cansaço. Na verdade, trata-se de uma tristeza interior, um espírito enfadado pelas demandas. Muita movimentação, muitas prioridades, mas todo esse agito esconde uma procura, uma busca. E no fim do dia, aquela sensação de improdutividade, de ausência de significado, a imersão no sofá, a TV ligada sabe-se lá em quê, a alma cansada de tanto procurar e não encontrar.

Há uma só demanda realmente necessária. Jesus disse: "Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e todas as demais coisas vos serão acrescentadas" (Mateus 6.33).

Para se buscar o Reino é preciso antes conhecer o acesso a esse Reino, que é o próprio Jesus. Encontrar o Reino e a sua justiça depende de uma percepção que vem do relacionamento com Cristo. É imprescindível desenvolvermos uma vida de oração e comunhão com Ele e com Sua Palavra.

Jesus é o Pão Vivo que desceu do céu (João 6.51). Ele é a concretização do que houve com o povo de Israel no deserto: "Então disse o SENHOR a Moisés: Eis que vos farei chover pão dos céus, e o povo sairá, e colherá diariamente a porção para cada dia, para que eu o prove se anda em minha lei ou não" (Êxodo 16.4).

Naquele contexto de deserto, de jornada, os hebreus precisavam buscar o pão todas as manhãs para sobreviverem. E só podiam recolher a porção do dia. Não podiam armazenar para o dia seguinte, senão estragava (Êxodo 16.19-20).

Assim também é hoje. Nossa principal demanda deve ser Jesus, o Pão da Vida. Precisamos buscá-Lo diariamente. Ele nutrirá as nossas vidas. E o que recebermos Dele hoje, o que nos alimentarmos Dele hoje, servirá para hoje. Amanhã devemos buscá-Lo de novo, pois há mais Dele, de Sua Vida, de Sua essência, para nutrirmos o nosso espírito e transformarmos a nossa alma. Do contrário, somos nós que estragamos. A obra que Ele fez é eterna, mas nós temos um prazo de validade que irá vencer se não nos conservarmos Nele (1 Tess 5.23).

É um engano acreditar que podemos ter uma boa vida, felizes e cheios da presença de Deus, somente com o que ouvimos no sermão de domingo ou com o louvor que entoamos uma vez por semana no culto. Quem assim o faz está certamente enlaçado às demandas diárias, às pressões cada vez mais intensas e frequentes deste mundo.

Buscar o Pão diário é uma questão de obediência. Crer que Jesus é suficiente para suprir as nossas necessidades, ainda que de forma incomum, como fazer cair pão do céu no meio de um deserto, é uma questão de descanso, de confiança. É crer realmente que "todas as demais coisas serão acrescentadas".

Que Cristo seja nossa maior demanda! Que possamos obedecê-Lo e descansar Nele todos os dias. Esta é a fé que rompe com as imposições deste tempo e projeta a vida na certeza de que Ele é o Senhor.

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