terça-feira, 28 de junho de 2011

Fé, aspirina e cartão de crédito

Luciano Motta

O que é a fé? A humanidade já produziu inúmeras definições e pensamentos a respeito. Ainda hoje a fé está em pauta. Aumenta a quantidade de livros e teorias que tentam desmistificá-la, descristianizá-la. Por outro lado, não se pode negar que é bem maior a proporção de publicações que a defendem e a exaltam neste mundo tão quebrado e sem esperança.

Os dias que vivemos requerem dos que creem muito mais do que marchas, bandeiras e discursos bonitos. Na verdade, a fé não precisa de defesa retórica. Basta que alguém a pratique. A fé sem obras é morta tanto quanto a letra mata. Não tem valor algum saber definir a fé e saber comunicar a fé se não houver vida naquele que saiba defini-la e comunicá-la. O mundo quer a vida que advém da fé.

Uma das definições mais simples e significativas que ouvi a respeito da fé nos últimos anos é a seguinte: Fé é o mesmo que fidelidade. É ser fiel ao que se crê. É andar conforme se crê. É agir de acordo com o que se crê. Veja que é algo absolutamente prático. Nada de enfeites teóricos. Nada de sofismas ou achismos. Nada de propaganda enganosa.

Se como filhos de Deus, crentes em Jesus Cristo, cremos que a Bíblia é a Palavra de Deus, então o que ela diz é verdade. Ponto. Fazemos da Palavra a nossa base de vida e tudo o que empreendemos depende dela. Se a Palavra diz que devemos orar, então oramos. Isso é bem prático. Se alguém que se diz crente em Jesus não ora, então não é fiel ao que crê. Sua fé é passível de questionamento. Como acreditar na fé de um crente que não ora? Como confiar em um líder que não tem vida de oração?

A Palavra testifica que curaríamos enfermos em nome de Jesus. Foi o Mestre quem disse isto em Marcos 16.18. Porém, com a mentalidade deste século, temos mais fé na aspirina do que nas palavras de Jesus. É aparentemente inofensivo não orar por uma dor de cabeça. Ora, é só uma dor de cabeça, toma uma aspirina que passa. Mas se não acreditamos na ação sobrenatural de Deus nas pequenas coisas, o que faremos quando diante de grandes dores e crises?

Se buscarmos em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça todas as demais coisas nos serão acrescentadas. Você já leu isso na Bíblia. Também foi Jesus quem disse isso em Mateus 6.33. Acreditamos mesmo nisso? Ou será que não confiamos mais em nossos cartões de crédito?

Fazemos sem pestanejar parcelamentos de 10, 12, 24, 60 meses. Endividamo-nos por décadas com a Caixa Econômica para financiarmos um imóvel. Damos o dízimo da nossa renda para as Casas Bahia na compra de um sofá. Contudo, somos incapazes de dedicar parte de nossos bens para a obra missionária, ou de nos mantermos fiéis nos dízimos e nas ofertas para a manutenção de obreiros da congregação local. (E, por favor, deixe o "devorador" fora disso - o que devora as suas finanças é a sua própria compulsão pelo consumo. Pare de comprar o que não precisa. Organize seus gastos. Poupe. Doe.)

Confiamos na Caixa e no crédito, não em Deus. Quantas vezes gastamos e nos endividamos por não esperarmos a providência do Pai... e isso também se aprende nas pequenas coisas.

A verdade é que não estamos mais dando oportunidade para o agir de Deus. Confiamos nas possibilidades que esse mundo oferece, não nas impossibilidades da fé no Deus que tudo pode.

Veja bem: não é para desprezarmos os ganhos científicos e tecnológicos, nem considerarmos o cartão de crédito como algo maligno. O problema é confiarmos mais nessas coisas do que na ação de Deus. O problema é corrermos para a farmácia ao invés de primeiro impormos as mãos sobre o doente e orarmos por sua cura, ainda que doentes estejamos nós mesmos. O problema é fazermos uso de um cartão de plástico quando a comida acaba antes de esperamos a provisão do alto, Daquele que alimenta as aves do céu e tem maior prazer em cuidar daqueles que O amam e esperam Nele.

Fé é o mesmo que fidelidade. É hora de pararmos de fingir que cremos. Não ficaremos livres das dores de cabeça, nem deixaremos de comprar ou adquirir coisas, mas sem dúvida, como igreja, seremos mais felizes e coerentes com o que tanto cantamos e pregamos aos domingos.

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