terça-feira, 17 de julho de 2012

Ordem - Parte 2

Luciano Motta

Continuamos a falar (leia aqui a parte 1) sobre o propósito de Deus de ter filhos semelhantes a Jesus, estabelecendo o Seu Reino. Homens e mulheres que são a própria encarnação da ordem de Deus - "Haja" - como Cristo o foi. Isso é mais do que declarar palavras fortes e bonitas, é uma disposição do coração que leva a uma ação real, zelosa e urgente.

2- Ordena a tua casa (*)

Deus deixou uma ordem a Abraão como sinal da Sua Aliança:
Da sua geração em diante, todo menino de oito dias de idade entre vocês terá que ser circuncidado, tanto os nascidos em sua casa quanto os que forem comprados de estrangeiros e que não forem descendentes de vocês. Sejam nascidos em sua casa, sejam comprados, terão que ser circuncidados. Minha aliança, marcada no corpo de vocês, será uma aliança perpétua. Qualquer do sexo masculino que for incircunciso, que não tiver sido circuncidado, será eliminado do meio do seu povo; quebrou a minha aliança (Gên 17.12-14).
A circuncisão nada mais é do que a remoção do prepúcio do pênis. Sem dúvida, uma operação dolorosa para qualquer homem, quanto mais para meninos de oito dias!  Mas esta marca foi determinada por Deus para diferenciar os Patriarcas, e posteriormente todo Israel, dos outros povos da Terra. Tratava-se de uma marca geracional, não por acaso ligada ao órgão reprodutor masculino, que distinguia uma família, uma linhagem, uma nação. A circuncisão fala de separação do mundo. Na Nova Aliança, pelo sangue de Cristo, fomos circuncidados em nosso coração para Ele mediante a fé (veja Colossenses 2.11, Efésios 2.10-13).

Era do pai a responsabilidade de circuncidar seu filho. Algo que Deus zela até hoje, obviamente não de forma natural, mas espiritual. É dever do homem, como sacerdote do lar, cuidar para que sua esposa e seus filhos sejam santificados, separados para o Senhor, ensinando suas crianças no caminho em que devem andar (Provérbios 22.6); amando sua mulher como Cristo amou a Igreja e a si mesmo se entregou por ela (Efésios 5.25).

Moisés enfrentou o zelo de Deus logo após receber sua missão no encontro da sarça ardente:
Depois diga ao faraó que assim diz o Senhor: "Israel é o meu primeiro filho, e eu já lhe disse que deixe o meu filho ir para prestar-me culto. Mas você não quis deixá-lo ir; por isso matarei o seu primeiro filho!"
Numa hospedaria ao longo do caminho, o Senhor foi ao encontro de Moisés e procurou matá-lo. Mas Zípora pegou uma pedra afiada, cortou o prepúcio de seu filho e tocou os pés de Moisés. E disse: "Você é para mim um marido de sangue!" Ela disse "marido de sangue", referindo-se à circuncisão. Nessa ocasião o Senhor o deixou (Êxodo 4.22-26).
O embate com o faraó envolvia uma questão de paternidade de nações. Era como se Deus dissesse: "Se mexer com o meu filho (Israel), vou acabar com o seu (Egito)". Contudo, pela passagem acima, fica bastante claro que Moisés, sendo descendência de Abraão, ainda não havia cumprido a sua parte na Aliança - ele não tinha circuncidado seu próprio filho! Dessa forma, como teria ele autoridade para ir a faraó em nome de Deus e cobrar qualquer coisa? Por isso o Senhor se irou e foi de encontro a Moisés para matá-lo, ou seja, para eliminá-lo do meio do Seu povo, conforme Sua própria ordenança a Abraão.

Desde o Jardim do Éden, sempre que o homem foge de suas responsabilidades, a mulher acaba assumindo um papel que não é dela. Repare como Zípora, mulher de Moisés, interveio para mudar sua terrível situação. Observe na nossa sociedade ocidental como a figura masculina vem sendo combalida nas últimas décadas, gerando graves desordens - talvez as maiores sejam o crescente número de divórcios e a imposição ideológica do homossexualismo como prática normal. Tudo isso é fruto da falha do homem em ordenar a sua casa, conforme a vontade de Deus.

Dessa forma, é imperativo ao marido/pai crente cumprir o seu papel de sacerdote, senão trará ruína à sua casa, à sua vida e, por conseguinte, à sua nação. É hora de por ordem na casa. É tempo de se levantarem homens que tenham zelo pela Aliança do Senhor. Sua devoção tocará o seu lar.

Importante: Quando o marido/pai não for crente, a mulher deve santificá-lo, alcançando também os filhos (veja 1 Coríntios 7.14). É evidente que não tomará o lugar de cabeça do lar, mas assumirá um significativo papel de intercessão, cuidando do ambiente espiritual da família, além de buscar ser exemplo para os moradores da casa e ter o suporte dos irmãos de sua congregação. Não é tarefa fácil, porém de resultados extraordinários em Deus. Se este for o seu caso, persevere no Senhor, seja fiel, sempre vinculada ao Corpo de Cristo.

Continua...


(*) Preciso destacar que o tópico 2 acima foi baseado na impactante mensagem de Adriel Barbosa ministrada em reunião com os homens da minha congregação, no começo de 2012. Na ocasião, eu estava desenvolvendo a série "Encontros e Movimentações" que fala da vida de Moisés. Ouvir esta mensagem trouxe para mim muitas confirmações sobre o que estava estudando e lendo nas Escrituras, além de ter sido um poderoso recomeço de vida e ministério.

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