quinta-feira, 13 de junho de 2013

Revela-nos o Teu Amor!

Luciano Motta

O coração do Pai queima de amor. ELE NOS AMA!

A maioria de nós sabe disso. Ouvimos nas canções, cantamos para Ele que O amamos. Sabemos de cor a passagem linda de João 3.16 e como Deus amou o mundo de tal maneira, a ponto de enviar Seu único Filho para nos dar a vida eterna. Vemos comumente mensagens sobre essa verdade, nas ruas e na internet. Até pessoas que não creem em Deus sabem disso.

Então, se o Amor de Deus é tão grande e tão amplamente divulgado e conhecido, o que nos falta para transformarmos o mundo? O que temos de errado? Por que não nos comovemos mais com a mensagem da cruz, e não ficamos constrangidos? Por que as igrejas que se nomeiam cristãs se multiplicam nas cidades, mas a violência, por exemplo, não diminui? Existem muitos porquês e porquês, um sem-número de perguntas do mesmo tipo. Talvez a resposta esteja na diferença entre apenas saber a respeito do Amor de Deus e agir movido pela revelação desse Amor.

Vivemos tempos de saturação de conhecimento. Muitos cristãos lidam com o Amor de Deus como quem acaba de receber mais um SMS ou uma mera atualização de status do Facebook. A pregação de domingo (e falo de uma palavra sã e bíblica) não comove nem transforma as pessoas, porque estas armazenam o que ouviram nas "gavetas" de suas mentes cansadas e estressadas, cheias de informações desnecessárias. As Escrituras demonstram que conhecer não é saber, mas "se tornar um" - isso é algo que nos envolve e nos modela, muda nossa estrutura e nosso modo de pensar.

Jesus revelou o Seu amor por nós ao interceder pelos discípulos: "Pai, quero que os que me deste estejam comigo onde eu estou" (João 17.24).

Esse é o afeto do Noivo (Jesus) por Sua Noiva (a Igreja). A leitura atenta de todo o capítulo 17 do Evangelho de João demonstrará quantas vezes Cristo se refere a nós em sua oração. Ele foi obediente ao Pai em tudo "para que" nós fôssemos beneficiados de alguma forma por Seu grande Amor. Alguns exemplos:
"Pai, chegou a hora. Glorifica o teu Filho, para que o teu Filho te glorifique. Pois lhe deste autoridade sobre toda a humanidade, para que conceda a vida eterna a todos os que lhe deste. Esta é a vida eterna: que te conheçam, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste" (v.1-3).
"Em favor deles eu me santifico, para que também eles sejam santificados pela verdade" (v.19).
"Dei-lhes a glória que me deste, para que eles sejam um, assim como nós somos um: eu neles e tu em mim. Que eles sejam levados à plena unidade, para que o mundo saiba que tu me enviaste, e os amaste como igualmente me amaste" (v.22-23).
"Eu os fiz conhecer o teu nome, e continuarei a fazê-lo, a fim de que o amor que tens por mim esteja neles, e eu neles esteja" (v.26).
Cristo nos fez conhecer o Pai, e continua a fazê-lo, para sermos um com Ele, para que o Amor de Deus esteja em nós. Isso é extraordinário: o mesmo Amor que o Pai tem pelo Filho está disponível a todos nós hoje, e permanecerá assim todos os dias até que Ele venha! Se essas palavras atravessarem as barreiras de conhecimento humano que cercam nossas mentes ocidentais do século XXI, uma grande revolução terá início e abalará o mundo! Nos últimos dias, a paixão da Noiva pelo Noivo aumentará, e isso não virá por esforço próprio, ou por um saber religioso, mas pelo aumento da revelação do Amor de Deus.

Devemos pedir insistentemente ao Pai que Seu Amor seja derramado em nossos corações e nos mova em direção à Sua vontade: "Pois o amor de Cristo nos constrange, porque estamos convencidos de que um morreu por todos; logo, todos morreram" (2 Coríntios 5.14).

Em nossa língua, a palavra "constranger" carrega atualmente um sentido de embaraço e vergonha. Mas isso não é o que se verifica nesse texto. Aqui a palavra constranger no original grego é sunechei, que significa unir, pressionar, impelir, motivar. Ou seja: O amor de Cristo nos motiva a vivermos não mais para nós mesmos, mas para Aquele que por nós morreu e ressuscitou (2 Coríntios 5:15).

Da mesma forma que Paulo foi constrangido a se dedicar exclusivamente à pregação, testemunhando aos judeus que Jesus era o Cristo (Atos 18.5), o Amor de Cristo nos impele a fazermos o mesmo. Como Paulo se sentiu constrangido a partir e estar com Cristo (Filipenses 1.23), o Amor de Cristo nos pressiona a estarmos com Ele. Tal qual os discípulos se uniram e constrangeram Jesus a fazer algo pela sogra de Pedro, que estava com febre alta (Lucas 4.38), o Amor de Cristo nos une a intercedermos pelos que sofrem.

Vale lembrar que Deus nos amou quando ainda estávamos mortos em nossos delitos e pecados (Efésios 2.4,5, Romanos 5.8). Nós só conseguimos amar porque Ele nos amou primeiro (1 João 4.19). Assim, a oração de Paulo pelos crentes em Éfeso bem pode - e deve! - ser nossa oração pessoal e coletiva dia após dia, por um Amor que vai além do entendimento humano:
"Oro para que, com as suas gloriosas riquezas, Ele os fortaleça no íntimo do seu ser com poder, por meio do Seu Espírito, para que Cristo habite em seus corações mediante a fé; e oro para que vocês, arraigados e alicerçados em amor, possam, juntamente com todos os santos, compreender a largura, o comprimento, a altura e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo que excede todo conhecimento, para que vocês sejam cheios de toda a plenitude de Deus" (Efésios 3.16-19).
Isso nos fortalecerá a não amarmos o mundo, nem o que nele há (1 João 2.15-17). Amar o mundo com os afetos do mundo significa sacar, retirar, querer o que o próprio mundo nos oferece. Mas amar o mundo com os sentimentos de Cristo é o mesmo que dar. Uma vez "arraigados e alicerçados" no Amor de Deus, não temos falta de nada. Estamos completos. Ele nos basta. Assim, os dois grandes mandamentos serão uma realidade em nossas vidas e congregações (Mateus 22.37-40), na certeza de que seremos guardados e protegidos pelo próprio Cristo (João 17.12).

Ó Deus, faz arder em nossos corações o mesmo Amor que há no Teu Coração! Move-nos pelo Teu Amor! Enche-nos de fé quanto à possibilidade de compreendermos as dimensões do Teu Amor! Que todo conhecimento humano se torne enfadonho e inútil ante a grandeza das revelações do Teu Amor!

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